quinta-feira, 4 de abril de 2019

Se você acredita no estado, mas não em Deus, então está possibilitando um futuro totalmente controlado por câmeras estatais.

Escrito por Luis Dufaur* no blog Pesadelo Chinês em 2 de abril de 2019 às 05:30.
A invasão das tele câmeras está forçando os fiéis a se reunirem em catacumbas

A China está instalando um novo sistema de tele câmeras de controle da população em estradas, ingressos das aldeias, denominado “Olhos Aguçados” (“Sharp Eyes”) ou, com maior hipocrisia, “Projeto de neve deslumbrante”, “Xue Liang” em chinês, noticiou “Bitter Winter” com informações da China continental. 

O sistema vem se acrescentar ao fabuloso sistema de controle da população facial das cidades denominado “Crédito Social”.


A nova rede está adaptada às necessidades de controle e repressão nas áreas rurais e já está sendo testada em 50 cidades. O plano que visa a instalação em todo o país foi aprovado em 2016 pelo Comitê Central do Partido Comunista Chinês – PCC.

A ordem do PCC é que até 2020 seja feita a “cobertura completa de todas as regiões, a integração de todas as redes e a disponibilidade instantânea e a controlabilidade em todos os pontos”.

Residentes do distrito Baqiao de Xi’an, a capital da província histórica de Shaanxi, no centro da China, denunciaram que desde outubro 2018 houve um rápido incremento de tele câmeras de vigilância em estradas e entradas das aldeais.

Os olhos cibernéticos da ditadura invasora podem se encontrar até a menos de 30 metros um do outro, e no máximo entre a 300 a 500 metros.
Fotógrafo argentino achou tele câmeras até em toaletes. Para secar as mãos precisava tirar foto no sistema.
O jornal californiano “Los Angeles Times” calcula que na China, para 1,4 bilhões de pessoas, há já instaladas mais de 176 milhões de tele câmeras de vigilância.

O jornal escreve que já “há dois anos um residente da aldeia de Anxi, na província de Sichuan, tentava queimar um pouco de lixo quando os alto-falantes pronunciaram seu nome e endereço lhe ordenando apagar imediatamente o fogo. O homem tomou um susto, apagou o fogo e saiu correndo”.

A Radio Free Asia, afirma que o “Olhos Aguçados” está sendo embutido em telas de TV e smartphones para que a vídeo vigilância atinja as casas e a intimidade das pessoas.

O maior temor dos fiéis é que o sistema esteja voltado, como muitos indícios estão deixando claro, contra quem professa uma religião.

Teme-se que o PCC tenha ordenado a inclusão de dispositivos secretos em eletrodomésticos, telefones celulares e outros dispositivos “inteligentes” para fuçar na vida privada das pessoas, usando os recursos da inteligência artificial e do reconhecimento facial.

O PCC diz que apenas quer controlar a criminalidade e garantir que as pessoas estejam seguras em suas casas.

Mas as testemunhas falam do contrário: “é como se todos tivéssemos uma corda no pescoço e fossemos conduzidos ao matadouro. Vivemos como sendo observados por um microscópio e isso é aterrorizante”.

A espionagem constante é especialmente espaventosa para as pessoas que têm religião pois incorrem no risco de sofrer sérios problemas com a máquina de opressão socialista.

As invasoras tele câmeras viraram a arma mais eficaz do regime para monitorar os locais de culto que têm aprovação do governo. E para reprimir os que não foram autorizados pelos ditadores, que por meio delas procuram identificar e prender os fiéis.

O documento interno do PCC “Coleção de casos exemplares no âmbito das operações especiais”, citado por “Bitter Winter”, descreve detalhadamente quanto gastou o regime com mecanismos eletrônicos para perseguir os chineses com fé.

Na cidade de Hebi, no condado de Xun, as despesas com tele câmeras atingiram o equivalente a 130.000 dólares [por volta de R$ 520.000] para vigiar 53 locais religiosos. Cinco deles foram fechados desde a instalação. 

As tele câmeras estão sendo instaladas nas igrejas de todo o país. Em algumas delas há funcionando até oito, somando as que funcionam por dentro e por fora.

O governo registra os sermões e as informações pessoais dos presentes. E quem se opõe às revisões é punido.
Tele câmeras espionam locais de encontro dos fiéis como esta igrejinha clandestina em Qiuxi. Foto de Bitter Winter
O governo também está cruzando essas informações religiosas com outros bancos de dados que reforçam a invasão cibernética e as punições.

Os fiéis denunciam que os agentes socialistas os obrigam a serem fotografados. Aqueles que perguntam o por que recebem respostas contraditórias que sugerem o pior.

Segundo fontes do Ministério de Justiça ouvidas por “Bitter Winter”, as fotos dos religiosos vão para um arquivo especial do projeto “Olhos Aguçados”.

A uma mulher evangélica de Hebei, a polícia lhe mostrou a filmagem dela resultante de 11 meses de espionagem inclusive com informações de outros fiéis amigos dela.

Com estas intimidações é quase impossível que os fiéis possam se reunir. Estão desaparecendo até os locais onde os fiéis podiam se esconder para rezar. 

Mas eles perseveram se agrupando em morros, florestas ou plantações.

Durante a igualitária Revolução Cultural de Mao Tsé Tung (1966-1976), houve cristãos que cavaram refúgios subterrâneos para se encontrar, aliás como no tempo das catacumbas e das sanguinárias perseguições romanas.

No fim, contra todas as evidências, acabaram vencendo e cristianizando o Império dos Césares, que ficou todo ele oficialmente católico.

*Luis Dufaur: Escritor, jornalista, conferencista de política internacional, sócio do IPCO, webmaster de diversos blogs

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