quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

Acordo entre Papa Francisco e a ditadura da China tem o objetivo de fazer com que os bispos e padres “vermelhos” alinhados com a teologia da libertação matem a fé na alma dos fiéis.

Escrito por Luis Dufaur* e publicado no blog Pesadelo Chinês
O Partido Comunista Chinês reforçou o velho dogma marxista na nova versão do livro obrigatório “Normas Disciplinares do Partido Comunista Chinês”. 

A proibição de acalentar qualquer crença religiosa foi acentuada com maiores castigos para quem dentro do Partido deixe transparecer fé ou simpatia religiosa, noticiou o site Bitter Winter, especializado na repressão contra todas as religiões na China. 

O Departamento de Organização do Partido difundiu um vídeo de cinco minutos denominado “microaula partidária” para, segundo seu website, fornecer “uma moderna educação a distância para os membros e dirigentes do partido em todo o país”.

O vídeo encoraja os inscritos a enfatizar a “tolerância zero” contra correligionários que revelem alguma simpatia pela religião. 

O vídeo ensina que tampouco os membros aposentados do Partidão podem acreditar na religião ou participar de cultos. 

Se assim fizerem serão expulsos do Partido, ficando privados de bolsas, aposentadorias e outros benefícios.

Assim está acontecendo no país que segundo Mons. Marcelo Sánchez Sorondo, presidente das Academias Pontifícias de Ciências e Ciências Sociais do Vaticano, eclesiástico muito próximo do Papa Francisco, qualifica de “país modelo na aplicação da doutrina social da Igreja”.

Sem dúvida, a expressão não se aplica à Igreja fundada por Jesus Cristo na pessoa de São Pedro. Mas se aplica de cheio à Igreja progressista pós-conciliar que está perturbando a fidelidade normal dos católicos a Nosso Senhor Jesus Cristo.
Na igreja católica "clandestina" de Xintaizi: a Cruz foi arrancada, as portas fechadas, não há mais veículos de fiéis no templo.
Os membros do Partido devem preencher um cadastro especial após assistir ao vídeo para deixar a garantia de que ficaram informados da propaganda ateia.

As autoridades investigam afincadamente o pensamento dos militantes do Partido, pois têm abundantes provas de que muitos se fingem comunistas para se beneficiarem de cargos e bolsas, sem acreditarem no que o comunismo prega.

Liu Cheng [todos os nomes citados por Bitter Winter são fictícios para evitar represálias], ex-militante comunista, hoje com seus setenta anos, que vive na cidade de Shangzhi, na província de Heilongjiang, nordeste da China, foi ameaçado: não pode acalentar crenças e deve parar de acreditar em Deus.

Liu recebeu a ameaça de viva voz em dezembro de 2018, na sua cidade.

Os enviados advertiram ele que é incompatível acreditar em Deus e no Partido.

Os militantes só podem acreditar no Partido Comunista e professar a ideologia do ateísmo marxista ou serão ejetados do Partido.

Liu que já estava pronto a abandonar o Partido, acabou renunciando definitivamente a ele.

Também o diretor da escola da cidade de Dandong foi punido com a expulsão após uma inspeção constatar que ele acreditava em Deus.

Nesse clima, é fácil que se multipliquem os compromissos e concessões. Mas não é isso o que quer o Partido. Ele quer que as pessoas adiram no fundo de suas almas ao ateísmo comunista.

Wang Xinguang diácono protestante aprovado pelo governo em Shangrao, na província de Jiangxi, sul este do país, foi advertido que só podia acreditar no ateísmo e no marxismo-leninismo. 

Se ele prosseguia colaborando em atividades religiosas estaria violando a disciplina do Partido, seria expulso dele e seus filhos sofreriam as consequências não conseguindo empregos.

Wang largou sua seita protestante.
Faixas proíbem o ingresso na igreja católica clandestina de Xintaizi sob sequestro judicial
Em material de propaganda distribuído aos maestros, lê-se um apelo do divinizado presidente Xi Jinping’s para que os militantes “sejam insofismáveis ateus marxistas, estritamente afinados com as instruções do Partido, reforçando convicções e ideais para ter sempre em mente as metas do partido e não procurar valores e crenças nas religiões”.

A Constituição reconhece a liberdade de religião. Mas as autoridades, prossegue, Bitter Winter, sempre atacam a fé e não toleram que os cidadãos exerçam essa liberdade.

Isso que é verdadeiro para as pessoas comuns, é especialmente severo quando se trata de militantes ou funcionários comunistas: a religião é uma “linha vermelha” que não pode ser atravessada. Mas a massa dos seguidores mostra a língua à cúpula partidária.

Fenggang Yang, professor de sociologia na Universidade Purdue nos EUA cita um inquérito da Horizon Research de 2007, segundo o qual pelo menos 85% dos militantes comunistas tem uma tal ou qual inclinação pela religião quando não participam ativamente – e secretamente – em grupos religiosos.

Essa duplicidade é vista em Pequim como um perigo latente contra o regime.

Hu Ping, comentarista político e editor chefe de Beijing Spring, declarou a “Voice of America” que os membros religiosos do partido sabotam os esforços do comunismo oficial.

Compreende-se que os inimigos de Deus precisem então apelar aos maus dirigentes religiosos para ver se por meio deles arrancam a fé do povo.

Isso explicaria tudo o que Pequim quer tirar do “acordo provisório” com a diplomacia vaticana: fazer que os bispos e padres “vermelhos” alinhados com o Papa Francisco e a teologia da libertação matem a fé na alma dos fiéis.

*Luis Dufaur: Escritor, jornalista, conferencista de política internacional, sócio do IPCO, webmaster de diversos blogs