terça-feira, 6 de junho de 2017

Não existe combate a corrupção sem desestatização. Quem fala em luta contra a corrupção sem pedir desestatização está te enganando

Quem fala em luta contra a corrupção sem pedir desestatização está te enganando
Escrito por Luciano Ayan no Ceticismo Político em 6 de junho de 2017

O Brasil dos dias atuais está sob um dilúvio de escândalos de corrupção. No fundo, tudo isso nada mais é que a consequência da extrema estatização. Podemos até defini-la como estatismo mórbido. Se as coisas não mudarem logo, teremos o colapso do sistema.

Alguns ainda parecem achar que as propinas pagas pela Odebrecht e a JBS foram cobradas por espíritos ou entidades etéreas. Na verdade, só foi possível que tal volume de propina tenha sido cobrado em virtude da existência de estatais cobrando-as (no caso as pessoas que delas se apossaram).

Ao chegar no poder, o PT estabeleceu um nível inédito de corrupção com base nessas estatais. Para o partido, a corrupção não era apenas um meio de obter conquistas materiais e ter vidas mais luxuosas, mas principalmente obter o poder totalitário.

Agora fala-se muito em “luta contra a corrupção” mas muito pouco sobre desestatização. Todavia, a manutenção das estatais em sua atual configuração significa que elas servirão para manutenção da corrupção em nível até maior do que a que temos visto.

Um olhar adulto sobre a questão já nos dá a letra: novos métodos para maquiar a corrupção serão encontrados. Não se espera, por exemplo, que qualquer diálogo telefônico ocorra se não for através de codificação. Comunicações codificadas serão complementadas por uso de agendas e papéis. Vale ressaltar que isso é só um exemplo das novas artimanhas.

A expectativa é de que assistiremos a uma série de inovações nos métodos de se praticar a corrupção. Com isso, será mais difícil capturar corruptos, dado que eles vão “aprender” com tudo que está acontecendo. Punições serão inúteis, uma vez que servirão apenas como alerta para o desenvolvimento destes métodos.

Este cenário traz como única solução efetiva a desestatização de empresas como Petrobrás, Caixa, Correios e BB. Quanto ao BNDES, ele deve ser extinto ou ter sua atuação restrita, além de critérios totalmente transparentes, sendo vetado o financiamento a grandes players.

Sem isso, não temos uma real luta contra a corrupção, mas apenas a venda de uma ilusão para um povo desesperado e a cessão de espaço para os futuros saqueadores de estatais.

Mas isso não é tudo: é possível que na próxima vez eles consigam alcançar tal nível de saqueamento que finalmente seremos transformados numa Venezuela. A partir deste estágio, não há mais volta.

Pensem nisso ao abordarem o que significa uma verdadeira luta contra a corrupção. Por exemplo, ouvimos gente como Joaquim Barbosa dando lição de moral por todos os cantos. Mas será que ele estaria disposto a exigir a privatização da Petrobrás, dos Correios e dar um jeito no BNDES?

Se não estiver, saiba que está diante de alguém que só fala em corrupção da boca para fora, a título de “virtue signalling” (sinalização de virtude).

Podemos até estimar que 80% da luta contra a corrupção passa pela desestatização de estatais desnecessárias – ou seja, que fornecem serviços que deveriam ser fornecidos pela iniciativa privada -, enquanto os 20% restantes se resumem a medidas mais rígidas e apoio às investigações.

Assim, é hora de começarmos a questionar: aqueles que lutam contra a corrupção querem realmente leva-la a sério e, com isso, eliminar as fontes de corrupção?

Nenhum comentário: