quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

A "notícia falsa” incorporada ao vocabulário esquerdista da grande mídia prenuncia a mais vasta e temível operação de controle ditatorial da opinião pública que já se viu neste mundo

Escrito por Olavo de Carvalho e publicado no Mídia Sem Máscara em 8/12/2016
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Desde que a expressão "notícia falsa", novo nome da "teoria da conspiração", se incorporou ao vocabulário politicamente correto de rótulos infamantes, a mendacidade crônica da grande mídia nacional e internacional recebeu o mais poderoso dos estímulos, perdendo o último resquício de inibição que ainda pudesse ter.

Repetindo o New York Times, o repórter Felipe Santana (foto), da Globonews, informou à multidão de patetas que Michael Flynn Jr., filho do general Michael T. Flynn, este cotado para assessor de Donald Trump no Departamento de Defesa e aquele integrante ele próprio da equipe de Trump como ajudante do pai, espalhou "sem base nenhuma" a notícia de que muitos imigrantes ilegais haviam votado, de maneira portanto igualmente ilegal, na última eleição.

Que história é essa de "sem base nenhuma"? Depois que o próprio presidente da República, Barack Hussein Obama, estimulou abertamente os imigrantes ilegais a votarem, infringindo na cara dura a legislação eleitoral americana, "sem base nenhuma" é dar por pressuposto, como coisa líquida e certa, que nenhum dos onze milhões de imigrantes ilegais atualmente residindo nos EUA aceitou a sugestão e a pôs em prática. Isso é apostar na mais rebuscada improbabilidade de todos os tempos, principalmente porque, na mesma declaração, Obama, mentindo com aquela cara-de-pau que é nele uma espécie de segunda natureza, inoculou nesses imigrantes a ilusão de que, votando ilegalmente, eles se tornavam "ipso facto" cidadãos americanos e não poderiam mais ser expulsos do país. Quantos deles relutariam em votar, diante dessa promessa áurea? Um em mil? Um em cem? Um em dez?

Para piorar as coisas, a Globonews associou a história a um outro fato do dia, os tiros disparados numa pizzaria de Washington. O atirador teria dito que fôra armado até o local por ter lido que ali funcionava uma rede de pedofilia associada, de algum modo, a John Podesta e Hillary Clinton. Segundo Felipe Santana, isso era a prova viva de como "teorias da conspiração" e "notícias falsas" -- vindas, naturalmente, da maldita direita -- podem provocar uma onda de violência assassina.

O único fator que vincula uma notícia à outra é que Michael Flynn Jr., além de falar sobre os votos ilegais, também afirmou, de passagem, acreditar na veracidade do chamado “pizzagate”. Associar as duas notícias é dar a entender que crimes hediondos podem decorrer de “notícias falsas” espalhadas por gente da própria assessoria do presidente eleito Donald Trump.

Mas a história da pizzaria é, em si mesma, muitíssimo suspeita, porque o alegado “tiroteio” não matou nem feriu ninguém, e porque o atirador, como se preparado antecipadamente para isso, já se apressou a lançar a culpa do seu ato no “pizzagate” tão logo detido pela polícia.

A velocidade com que a expressão “notícia falsa” se espalhou uniformemente por toda a grande mídia revela o óbvio: o propósito claro de toda a operação é lançar sobre a direita em geral e sobre o governo Trump em particular a suspeita de provocar uma epidemia de violências e assassinatos por meio de “notícias falsas”, embora até o momento só os eleitores de Trump tenham sofrido violências e o total de vítimas dos efeitos letais de “notícias falsas” vindas da direita seja exatamente zero.

Já a notícia, esta sim falsa na sua totalidade, mas repetidamente alardeada pela grande mídia, de que a polícia americana é racista e adora prender negros seletivamente já provocou algumas centenas de mortes de policiais brancos e negros, mas o New York Times e a Globo se recusam a enxergar, nesse fato consumado, a mesma relação de estímulo-resposta que juram haver na onda hipotética e inexistente de crimes derivados da divulgação do “pizzagate”.

Como sempre, a esquerda se limpa na sua própria sujeira, lançando-a sobre seus desafetos na base do “Acuse-os do que você faz, xingue-os do que você é”.

Isso é rotina. Novidade é a incorporação instantânea, geral e uniforme do termo infamante “notícia falsa” ao vocabulário esquerdista da grande mídia. Ela prenuncia, nada mais, nada menos, a mais vasta e temível operação de controle ditatorial da opinião pública que já se viu neste mundo.

Publicado no Diário do Comércio

Tags: media watch | Rede Globo | esquerdismo | notícias faltantes | Estados Unidos | Obama

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