terça-feira, 11 de outubro de 2016

Sacerdotes católicos obrigados a aderir a uma religião oficial que nega a direção do Vaticano

Escrito por Luis Dufaur* no Blog Pesadelo Chinês
Bispos húngaros assinam Constituição comunista em 1969. 
É esse o futuro dos bispos da China preparado pela Ospotlitik vaticana?

Em 2016 se multiplicaram os angustiados apelos de sacerdotes da Igreja Católica apelidados de “subterrâneos” ou “clandestinos” porque não se dobraram ante o ídolo do socialismo e não têm nenhum reconhecimento oficial. 

Eles foram postos diante de um dilema muito difícil e grave segundo a agência AsiaNews. 

Eles foram obrigados a se registrar até o fim do ano nas dependências do governo. O registro envolve uma arapuca: para ser aceito, os sacerdotes devem aderir à Associação Patriótica, e essa exige à aceitação do socialismo-comunismo e a independência de qualquer autoridade exterior, leia-se o Papa e a Santa Sé.

Dita Associação Patriótica é uma criação da ditadura marxista que se constituiu como verdadeira facção religiosa cismática. Ela é “incompatível” com a doutrina católica, segundo sublinhou S.S. Bento XVI em sua conhecida Carta aos Católicos Chineses.

Porém as negociações da Ostpolitik vaticana com o comunismo de Pequim parecem ter posto de lado a agoniante situação dos bons sacerdotes fiéis ao Papado.

Os problemas e as dificuldades quotidianas dos clérigos e dos fiéis chineses parecem ignoradas por negociadores especialistas em problemas de alto nível, mas desconhecedores da vida e dos esforços de fidelidade dos católicos oprimidos pela ditadura socialista.

No dia 13 de fevereiro, o Global Times [revista do Diário do Povo, jornal oficial da ditadura] anunciou uma campanha para verificar e registrar a identidade dos agentes religiosos e lhes conceder um número especial para poder agir enquanto tais.

A campanha começou pelos monges budistas e sacerdotes taoistas para os quais o registro não apresenta maiores problemas.

Logo se estendeu aos católicos. Se um padre, um religioso, uma religiosa ou até um lego como um catequista não for aprovado, não poderá participar em atividade alguma religiosa, por disposição da Administração Estatal de Assuntos Religiosos (SARA).

A SARA, o Partido Comunista, a Associação Patriótica e a chamada Conferencia Episcopal Chinesa – que é invenção do regime e não tem aprovação alguma da Igreja – aceitaram um Plano de Trabalho 2016 redigido pelo governo.
O Cardeal Minszenty sendo julgado em Budapest. Uma das mais gloriosas vítimas do comunismo e da Ostpolitik.
Esse Plano obriga a sagrar bispos “sob a direção do governo”, portanto automaticamente excomungados e cismáticos. Outra imposição ditatorial do Plano constrange os sacerdotes “clandestinos” (não oficiais) a entrar na igreja oficial, a Associação Patriótica. 

Os sacerdotes fiéis à Igreja percebem com dor que o registro vai contra a fé, ameaça escandalizar os fiéis e os deixa sem saída face ao autoritarismo e as violências da ditadura.

Até muitos sacerdotes que infelizmente aderiram a comunidades oficiais não estão satisfeitos com as novas normas que introduzem mais condicionamentos em sua atividade.

AsiaNews se interroga como é que um problema tão cruciante esta sendo ignorado nas negociações entre a Santa Sé e Pequim. 

A Ostpolitik tal como tentou ser conduzida sob a batuta do Cardeal Casaroli sobre tudo na Europa do Leste criou dramas lancinantes para os bons religiosos e fiéis que não podiam aceitar o regime comunista prefigura do Anticristo. 

Mas, acabou gerando gigantes do heroísmo católico como os Cardeais Mindszenty e Stepinac, poderosamente auxiliados pela graça divina.

Tal vez essa não foi essa a intenção da maquiavélica e insensível Ostpolitik, Porém, hoje os povos do Leste europeu se voltam com admiração e renovado fervor para esses campeões da Fé – como também para os incontáveis mártires feitos enquanto se dançava a sinistra valsa da Ostpolitik.

Esse culto dos heróis que resistiram à Ostpolitik pressagia em esses países um futuro glorioso para a Igreja, livre da péssima colaboração católico-comunista.

Postado por Luis Dufaur às 05:30
Escritor, jornalista, conferencista de política internacional, sócio do IPCO, webmaster de diversos blogs 

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