sexta-feira, 27 de maio de 2016

Menina yazidi expõe o inferno do estupro perpetrado pelo Estado Islâmico ou pelos islâmicos


Escrito por Raymond Ibrahim* e publicado no Mídia Sem Máscara 23/5/2016


Meninas yazidi eram "vendidas" por míseros maços de cigarro.
"Eles vinham e pegavam qualquer menina contra a sua vontade; se ela se recusasse, eles a assassinavam sumariamente".

Uma nova entrevista televisionada, conduzida em árabe, concedida por uma menina yazidi que foi mantida em cativeiro sexual nas mãos do Estado Islâmico, foi difundida em 22 de março de 2016. Ela apareceu no programa "Conversa com a (Juventude) Shabaab", apresentado por Ja'far Abdul.

A adolescente, identificada pelo pseudônimo de Birvan, foi escravizada aos 15 anos de idade sofrendo no cativeiro durante meses até conseguir fugir. Agora ela está com 17 anos. Com base em sua entrevista de 40 minutos segue abaixo a sua história:

Os yazidis estavam fugindo do seu vilarejo devastado pela guerra, perto de Tel Affar, Iraque, quando foram interceptados na estrada por quatro agentes do ISIS. Os homens juraram que se os yazidis cooperassem com eles e respondessem a algumas perguntas nada de mal lhes aconteceria e que poderiam voltar em paz para suas casas. Ao ser questionada sobre quantos yazidis habitavam o vilarejo, Birvan respondeu que se lembrava de apenas 95 homens e suas famílias e, "muitas, muitas mulheres e crianças".

Mais do que depressa, apareceram mais 17 veículos do ISIS "repletos de homens". Os homens se tornaram agressivos, ordenaram que os yazidis se apresentassem, separaram-nos, homens de um lado, mulheres do outro, e os levaram embora — incluindo o pai, irmãos e tios de Birvan. As mulheres e crianças foram levadas a determinados edifícios e trancafiadas.

Os combatentes do ISIS disseram que estavam meramente deslocando os homens para outro local. No entanto, assim que eles sumiram, Birvan ouviu inúmeros disparos de armas de fogo: "jamais esquecerei o som daqueles disparos", disse Birvan. Depois ela encontrou o corpo de seu pai; ela nunca mais viu seus irmãos e tios e estava convencida que foram todos massacrados.

As mulheres foram então transferidas para diferentes localidades, ficando alguns dias em cada uma delas. Birvan conseguiu ficar perto de sua mãe. Os membros do ISIS intimidavam constantemente as mulheres, atiravam para cima com suas armas e gritavam "Allah Akbar" ("Deus é grande"). "Todas nós", disse Birvan, "ficávamos aninhadas, segurávamos umas às outras, aterrorizadas".

Os membros do ISIS, segundo Birvan, diziam às mulheres que se "tentassem fugir seriam mortas ou massacradas. ... Minha mãe sempre me segurava com firmeza, aterrorizada, temia que depois que eles levaram toda a sua família — marido, filhos e irmãos — também me levariam".

E o dito dia chegou. Birvan contou que ela e sua mãe seguravam uma à outra com muita força e choravam enquanto membros do ISIS as separavam à força e levavam sua mãe, juntamente com todas as outras mulheres de meia idade e mais velhas para uma outra localidade:

O momento mais duro para mim, que eu consigo lembrar, foi quando minha mãe e eu segurávamos nossas mãos entrelaçadas e fomos separadas violentamente. Esta foi a coisa mais difícil — não só para mim, mas para todas as crianças e adolescentes. ... Eles matavam qualquer uma que resistisse em ir com eles, eles simplesmente abriam fogo.

Em seguida, todos os meninos acima de seis anos de idade foram levados a campos militares, provavelmente para serem convertidos ao Islã e treinados para serem combatentes do ISIS.

O grupo de Birvan — meninas e mulheres com idades entre 9 e 22 anos — foi levado a outra localidade em Mossul:

Eu me lembro de um homem que aparentava ter pelo menos 40 anos aparecer e levar uma menina de 10 anos de idade. Ao se recusar a ir com ele, ele a espancou cruelmente, usando pedras e teria atirado nela caso ela não fosse com ele. Tudo contra a vontade dela.

Ali Birvan viu que havia mais 5.000 meninas yazidi escravizadas. "Eles vinham e pegavam qualquer menina contra a sua vontade; se ela se recusasse, eles a assassinavam sumariamente".

"Eles normalmente vinham e compravam as meninas que não tinham preço estabelecido, melhor dizendo, eles costumavam dizer às meninas yazidi, vocês são sabiya (espólios de guerra, escravas sexuais), vocês são kuffar (incrédulas), vocês estão aí para serem vendidas a qualquer preço", querendo dizer que não havia um valor de referência, o que explica porque as meninas yazidi eram "vendidas" por míseros maços de cigarro.

"Qualquer um que passasse pelo nosso quarto e gostasse de nós, bastava dizer: vamos".

Quando chegou a vez dela e o homem disse "vamos" conta ela: "eu me recusei e resisti e ele me espancou com extrema selvageria". Ele a comprou, obrigou-a a ir a casa dele, que anteriormente pertencia aos yazidis, e para continuar viva ela tinha que satisfazê-lo

Ao ser questionada a respeito dele, ela disse: "ele era realmente nojento, de verdade mesmo, quero dizer, se você o visse, veria que não há diferença entre ele e um monstro. Na realidade os animais têm mais compaixão em seus corações do que esses (ISIS)".

Quando Ja'far Abdul pediu para que ela desse mais detalhes sobre suas experiências do dia a dia, Birvan ficou visivelmente constrangida. Ela simplesmente repetia intermitentemente a palavra "estupro". Em determinado ponto ela disse: "havia 48 membros do ISIS naquela casa e nós éramos duas meninas — duas meninas yazidi" — como se ela quisesse dizer "use sua imaginação".

Ela contou como eles certa vez levaram sua amiga para um quarto ao lado: "não dá nem para começar a fazer ideia do que estava acontecendo lá dentro"! Ela ouviu sua amiga gritar o nome dela e dizer: "por favor me ajude, salve-me"!

O único pensamento recorrente dela era: o que de errado essas crianças — ou eu — fizemos para merecer isso? ... Perdi meu pai e meus irmãos e depois até minha mãe foi tirada de mim... Nós éramos apenas crianças. Qualquer menina acima de 9 anos de idade era levada –– estuprada".

Birvan disse que tentou quatro vezes cometer suicídio. Certa vez ela engoliu 150 pílulas que se encontravam na casa; que pílulas eram aquelas ela nunca soube. Ela se envenenou com uma substância tóxica mas não morreu. Abdul perguntou se alguém a levou a um hospital. Ela respondeu: "que hospital?! Eles me espancaram ainda mais"!

Ela também tentou beber gasolina e cortar os pulsos. "A vida era um pesadelo", ela disse.

Ela disse que as mulheres yazidi eram obrigadas a usar burcas quando saiam daquele lugar, principalmente para esconder quem elas eram. Eles também obrigavam as meninas a se vestirem com pouca roupa. "Tudo", ela disse, "era fácil para eles".

Quando perguntada se havia uma rotina diária, ela respondeu: "todos os dias eu morria 100 vezes. Não uma vez apenas. Eu morria a cada hora, a cada hora. ... De espancamentos, de miséria, de tortura".

Birvan finalmente conseguiu fugir — "somente porque minha determinação era tamanha que eu não ligava mais se fosse pega. Fugir ou morrer era melhor do que continuar naquele lugar".

Outras mulheres yazidi e não muçulmanas que estão sob o jugo do ISIS não conseguiram fugir; elas têm a esperança de que nós as salvemos.

*Raymond Ibrahim é o autor de Crucified Again: Exposing Islam's New War on Christians (publicado por Regnery em cooperação com o Gatestone Institute, abril de 2013).

Publicado no site do The Gatestone Institute.

Tradução: Joseph Skilnik

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