domingo, 17 de abril de 2016

Não fique em casa contando voto. Vá às ruas hoje, 17/4/2016, a partir das 14h. Ou: Por que devemos contestar a expectativa de negação da política de Constantino?

Por que devemos contestar a expectativa de negação da política de Constantino?
Nós últimos tempos, devemos reconhecer em Rodrigo Constantino um lutador pela democracia. Muito mais do que fazia no passado (e ele sempre lutou pela democracia), andou usando terminologias politicamente adultas recentemente. Assertivo, fez potentes ataques ao petismo. Exatamente por isso é desanimador vê-lo escrever o texto abaixo, intitulado “Quero voltar a ser eu mesmo”:
“Aquele que luta com monstros deve acautelar-se para não tornar-se também um monstro. Quando se olha muito tempo para um abismo, o abismo olha para você.” – Nietzsche 

Algumas pessoas que me conhecem há tempos estranham meu comportamento recente nas redes sociais. Não me reconhecem no tom mais agressivo, em algumas postagens com termos mais chulos ou mesmo xingamentos. Entendo a crítica, e vou além: concordo com ela!
Quem me conhece melhor sabe que sou uma pessoa educada e bastante tolerante com as divergências. Na época da VEJA, cheguei a escrever um texto explicando que o PT me faz ser uma pessoa pior. É exatamente isso. Precisamos controlar as emoções para não descermos no baixo nível deles.
Mas não é tarefa fácil. Exige um controle e tanto, uma postura contida e elegante com quem, definitivamente, não a merece. O grau de cinismo dos petistas é de embrulhar o estômago de qualquer um. Como ver esses golpistas comprando votos e destruindo o país, enquanto bancam os democratas, e manter a calma?
Não tenho sangue de barata. Mas não ganhamos muito ao chafurdarmos na lama petista para atacá-los. É o que querem: levar todos ao mesmo patamar baixo. Como escrevi recentemente na Gazeta do Povo, precisamos subir o nível dos debates. Isso só será possível com a saída do PT do poder.
Como ler o artigo publicado por Rui Falcão hoje na Folha e não ser dominado pelos instintos mais primitivos, como diria Roberto Jefferson? O sujeito fala em golpe dos que não tiveram votos para defender um eventual governo Lula, que sequer foi eleito. É muita cara de pau, muita inversão.
O que dizer do enorme texto assinado pela própria presidente Dilma no mesmo jornal? Ela posa de super-democrata, ela, que foi comunista e defensora do regime cubano, e continua extremamente autoritária e corroendo nossas instituições democráticas no presente. Como ler tais palavras e não se revoltar, não ficar indignado?
Talvez o problema da “oposição” tenha sido manter elegância demais diante de bandoleiros, de psicopatas e golpistas. Fernando Henrique Cardoso, por exemplo, sempre foi um gentleman com os petistas. De que adiantou tanta gentileza?
Ninguém precisa desejar que um tucano que foi presidente passe a xingar para entender que um pouco mais de estamina e combatividade seriam fundamentais. FHC não precisa ser um Olavo de Carvalho, mas também não pode confundir educação com covardia. Nem mesmo uns adjetivos mais pesados fariam mal no caso.O PT rebaixou tudo no Brasil. As instituições foram enfraquecidas, os valores subvertidos, os debates foram substituídos por rótulos e slogans vazios. As redes sociais colaboram para a subida de tom, alimentadas pela revolta legítima em meio a essa crise sem fim. A turma do CAPS LOCK quer ver o circo pegar fogo, tem sangue nos olhos, e o risco é ser pautado por esses sentimentos mais destrutivos.
Em algum momento será preciso voltar a debater de forma civilizada, pensando o futuro do Brasil. Teremos de resgatar os bons debates calcados em sólidos argumentos, sem xingamentos e sem a baba de ódio escorrendo pelo canto da boca. Não somos assim; estamos assim! E a culpa disso é também do PT.
Qualquer discussão civilizada parte da premissa de honestidade intelectual e respeito pelo adversário. São coisas inviáveis com petistas no meio. São mentirosos demais, cínicos demais, e já se mostraram dispostos a tudo, a “fazer o diabo” para ficar no poder, mesmo que afundando nosso país no processo. São canalhas da pior espécie, e com tipos assim não há diálogo.Mas as pessoas decentes estão cansadas disso. Tenho certeza de que não sou apenas eu a cometer excessos que trazem algum arrependimento ou vergonha depois. Na ausência de uma oposição mais organizada e combativa, muitos se viram na necessária função de “bucha de canhão”, comprando as brigas com os delinquentes petistas. É briga de rua, sem regras, com dedo nos olhos e chute no saco. Não dá para reagir com flores.
Também não dá para manter para sempre esse clima. Por isso não vejo a hora de colocar um ponto final nesse capítulo sombrio de nossa democracia. O PT fez muito mal ao Brasil, muito mesmo, em todos os sentidos. E ninguém aguenta mais viver assim. Teremos uma definição em breve: ou vamos derrotar finalmente essa quadrilha de péssimo nível, ou seremos como a Venezuela, e as pessoas decentes vão entrar em depressão, enojadas com o destino da nação.
Estou confiante de que vamos vencer essa corja, de que nem a compra escancarada de votos irá salvar esse desgoverno corrupto, incompetente e antidemocrático. E poderemos celebrar, então, não “apenas” o fim desse ciclo terrível e o começo do resgate econômico, como, principalmente, a elevação moral dos debates em prol de nosso futuro.
O PT estará lá, como um câncer que sempre foi, na oposição, criando obstáculos para impedir qualquer avanço, tocando o terror, fazendo ameaças e tentando “incendiar” o país. Mas, longe do poder, sua capacidade de estrago será reduzida, e poderemos desprezá-los como seres insignificantes, ainda que barulhentos, passando a debater de verdade com foco nos argumentos e respeito aos adversários intelectuais, dentro de um limite aceitável (o que exclui petistas).
Confesso ao leitor: estou um pouco cansado de mim mesmo nesses últimos meses de combate intensivo. Mas não se entra num “vale-tudo” com um troglodita disposto a bancar o bonzinho, como se fosse a virgem vestal num bordel. É hora de concentrar as últimas energias para derrotar o PT e, depois de respirar aliviado, recarregar as baterias para construir um país melhor. Ficarei feliz de voltar a ser eu mesmo.
Quero ressaltar que não me sinto confortável em criticar alguém que, como Constantino, tem lutado tão bravamente pela liberdade. Infelizmente, o texto parece-se com o de uma criança que vivenciou a fase adulta e anseia mais do que tudo por voltar à fase infantil.

Quando alguém utiliza rotulagens agressivas na guerra política, está apenas aceitando a política como ela é em uma visão adulta. Pois, como Horowitz bem lembrou, “na guerra política, o agressor geralmente prevalece”. Isto não é baixo nível, mas a única postura aceitável. A Alemanha é elogiada até hoje por ter metido 7×1 no Brasil. Foi muito mais agressiva no jogo.

Constantino reclama do “grau de cinismo dos petistas”, que, “é de embrulhar o estômago de qualquer um”. Mas eles só conseguiram chegar a expor tal grau de cinismo porque historicamente fomos frouxos no momento de rotulá-los. A história nos mostrou recusando a agressividade verbal na política.

Ele afirma que “precisamos subir o nível dos debates”. Pois foi assim que Ciro Gomes o atacou violentamente em um debate na TV. Na era dos adultos em política, não temos mais “debates”, mas combates de frames. Aquele que rotular o adversário mais fortemente irá vencer. Decerto que enquanto vamos prioritariamente para a guerra de frames, temos que dizer que queremos “mais amor por favor”. Isto é parte do jogo. E mais: não é que “descemos ao nível dos petistas”. Na verdade, temos que subir ao nível deles em termos de guerra política. Aquilo que Constantino chama de “muita agressividade” é na verdade “agressividade insuficiente” em termos de guerra política. Basta lembrar que hoje em plenário Silvio Costa disse que Temer merece “nojo”. Ou seja, de novo os petistas usaram os rótulos mais agressivos. Isso não pode continuar.

Constantino fala que isso é “ser dominado pelos instintos mais primitivos”. De jeito algum. Chamar Stalin e Hitler de genocidas não é “apelar a instintos primitivos”. É falar a verdade. Constantino recentemente apenas tem falado a verdade em uma visão politicamente adulta.

É esquisito que Constantino reconheça: “um pouco mais de estamina e combatividade seriam fundamentais”. Nisso ele está certo. Mas, deprimentemente, em seguida ele afirma: “os debates foram substituídos por rótulos e slogans vazios”. Ok, isso significa que se o PT for vencido na batalha do impeachment, Constantino não irá priorizar a rotulagens e os slogans? Isso quer dizer que ele vai optar ficar no time dos que escolhem a derrota política.

Certo momento, ele diz que “em algum momento será preciso voltar a debater de forma civilizada”. Ao contrário. Se olharmos a política como adultos, saberemos que precisamos redobrar e até triplicar a agressividade na rotulagem do oponente. Claro que tudo com posicionamentos estratégicos e frames bem colocados.

Ao afirmar que “qualquer discussão civilizada parte da premissa de honestidade intelectual e respeito pelo adversário”. Nada disso. A guerra política depende de perdermos boa parte do que respeito que temos pelo adversário. Respeitamos demais aquilo que não pode ser respeitado. Foi pelo excesso de respeito que ofertamos ao PT que os estimulamos ao barbarismo. Ora, hoje em dia temos gente de direita que se recusa até a rotular o PT de extrema-esquerda. Isso é excesso de respeito, e não falta dele.

Segundo Constantino, “as pessoas decentes estão cansadas disso”. Mas nem começamos a debater feito adultos ainda. Estamos em um momento onde o petista chama ele de golpista em maior quantidade do que ele enfia este rótulo na fuça deles de volta. Como alguém pode “cansar de agressividade” na política se ainda estamos mansos demais?

Ele afirma que “não dá para manter para sempre esse clima”. Mas que clima? Nós não sabemos nem sequer criar um clima de indignação adequado em relação às piores afrontas. O clima de indignação precisa aumentar, caso contrário estimularemos o barbarismo de novo. Totalitários como os petistas precisam da passividade adversária para voltarem e criarem seus reinados de horror.

Esta afirmação é reveladora: “não vejo a hora de colocar um ponto final nesse capítulo sombrio de nossa democracia”. Ué, mas se ele propõe que baixemos o tom, então isso vai atrair de novo os totalitários.

Mais: “Teremos uma definição em breve: ou vamos derrotar finalmente essa quadrilha de péssimo nível, ou seremos como a Venezuela, e as pessoas decentes vão entrar em depressão, enojadas com o destino da nação.” Mas, Constatino, como podemos evitar nos tornarmos uma Venezuela se você já está propondo que baixemos o tom no combate a essa gente?

É exatamente isto que está escrito aqui: “[…] poderemos celebrar, então, não ‘apenas’ o fim desse ciclo terrível e o começo do resgate econômico, como, principalmente, a elevação moral dos debates em prol de nosso futuro.”

É o contrário que irá acontecer se seguirmos a dica de Constantino. Se entrarmos para debater com a extrema-esquerda como se estivéssemos em Oxford, eles vão retomar o poder de novo – e virão com ainda mais violência – com uma facilidade impressionante.

Não dá para constatar algo além disso: quando Constantino diz “quero voltar a ser eu mesmo”, ele pede um retorno à infância política. Devemos elogiar aquilo que Constantino tem feito nos últimos meses. Mas repudiarmos esse possível retorno à infância política.

Se há um mérito no período em que os petistas dominaram a política foi este: nos ensinar que entrarmos em uma fase onde as pessoas republicanas – especialmente de direita – devem reconhecer a política como ela é, em uma visão adulta. Se Constantino quiser voltar à era da infância política, será uma escolha dele. Mas deveremos já ter aprendido a reconhecer quem está vendo a política de forma adulta e os que se recusam a ela.

Como Constantino ultimamente tem feito um belíssimo trabalho, só posso torcer para que ele se arrependa dos absurdos que escreveu nesse texto. Em tempo: um lutador político jamais diz que “está apelando aos sentimentos primitivos”. Ele deve afirmar que “suas posições resultam de reflexão e moderação”. Mas, enfim, tudo isso cai naquilo que é a essência da política: a escolha.

Quanto mais pessoas de direita escolherem ver a política como adultos, melhor.

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