terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Governo russo e sua subordinada Igreja Ortodoxa Russa oprimem católicos, mas Papa Francisco aceita a opressão

Postado por Luis Dufaur, às 05:30, no Blog Flagelo Russo
Para a desinformação russa a única verdade é a que serve ao chefe supremo.

O site sputinik.com, eco habitual das instruções do Kremlin, tinha comemorado antecipadamente o encontro do Papa Francisco I e do patriarca de Moscou, chefe da denominada “igreja ortodoxa russa”. 

Sputinik.com foi criado por decreto do presidente da Rússia em 9 de dezembro de 2013 para substituir na propaganda exterior a agência RIA/Novosti internacional e a rádio Voz da Rússia, por demais associadas à imagem da velha URSS. Cfr. verbete Sputnik (news agency) em Wikipedia. 

O site só visa servir os interesses da nova-URSS. Assim nos ajuda a compreender o objetivo do chefe supremo russo empurrando Kirill para ir beijar o Papa Francisco.

O site apresentou o encontro no aeroporto de Havana como uma grande vitória, não de alguma religião, mas do líder absoluto Vladimir Putin. 

Com maquiavélica insinceridade, Sputnik informou o fato sob o seguinte título: “O Papa Francisco olha para Putin como o 'único homem’ [aspas do original] para defender os cristãos no mundo inteiro”. 

O troll é velho e vem sendo repetido inescrupulosamente pela contrainformação russa. 

A unidade Internet Research Agency, pelo seu nome inglês, com sede num apagado bairro no norte de São Petersburgo se dedica à produção de milhares de comentários em redes sociais, sites, blogs,artigos e posts, obedecendo a vozes de ordem ditadas todo dia pelo Kremlin. 

Na gíria da Internet essa atividade é denominada “troll”. “O termo (...) deriva da expressão trolling for suckers (lançando a isca aos trouxas)”. Cfr. verbete Troll (internet). 

Veja como funcionam os trolls:

Por trás dos biombos diplomáticos, Moscou quer Putin como 'líder' dos cristãos enganados. 


“O encontro entre o Papa Francisco e o patriarca russo Kirill não será apenas um evento histórico religioso, mas pode trazer grandes benefícios para os cristãos do mundo inteiro”, escreveu Sputnik, citando como fonte o órgão francês Le Journal du Dimanche.

'Agentes de influência' e 'companheiros de estrada' já estão trabalhando...
Segundo a contrainformação, Francisco I impetra o auxílio de Vladimir Putin contra as perseguições que sofrem os cristãos no Oriente Meio e em outras partes da Terra.

Sorrateiramente, o instrumento do Kremlin silencia a perseguição infligida aos católicos na Rússia, com participação ativa da dita “igreja ortodoxa russa”.

Finge também desconhecer os padecimentos, as torturas e os encarceramentos que o governo de Putin, coligado ao Patriarcado de Moscou, está causando aos cristãos não submissos a dito Patriarcado na Crimeia e na parte da Ucrânia invadida.

O Sputnik atribui ao Papa Francisco a frase segundo a qual Putin é “o único com quem a Igreja Católica pode se unir para defender os cristãos no Leste”.

“É importante nos unirmos aos esforços da Rússia para salvar o Cristianismo em todas as regiões do mundo onde está sendo oprimido”, teriam sido palavras do Papa reproduzidas pelo Le Journal du Dimanche.

O artigo aludido pelo órgão do governo russo, intitulado “Pourquoi le pape veut se rendre au Kremlin”, de 7.2.2016, não contém as frases atribuídas como textuais e entre aspas a Francisco I. Tampouco são frases da lavra do articulista. 

Embora o artigo de Le Journal de Dimanche ecoe vozes insistentes que correm no Vaticano sobre a simpatia pessoal do Papa Francisco por Putin, as frases foram inventadas e atribuídas fraudulentamente ao jornal francês por Sputnik, ou pela contrainformação russa.

Elas nos revelam o que a nova Rússia de Putin quer do encontro em Cuba entre o chefe da Igreja Católica e o agente “Mikhailov” da KGB (hoje FSB), mais conhecido como patriarca Kirill: a promoção de Putin como chefe supremo dos cristãos conservadores no mundo.

O troll continua revelando outros aspectos da jogada do Kremlin.

Entre eles, a intenção de formar uma mirabolante aliança que incluiria também o regime sírio, os líderes do Irã, mais do que suspeitos de terrorismo internacional, e até o governo chinês.

Sim do regime maoísta que nestes dias se assanha empenhadamente contra os católicos e o símbolo sagrado da Cruz.


Neste sentido, o órgão de Moscou comemora as adiantadas aproximações diplomáticas do Vaticano em relação a Pequim. Essas manobras foram verberadas em tons patéticos e estarrecedores pelo Cardeal de Hong Kong, D. Joseph Zen ze-kiun.

Um agente da (ex-)KGB à testa de um patriarcado cismático ilegitimamente instituído.
O patriarca Kirill e sua igreja pretendem ser os legítimos sucessores do não menos ilegítimo patriarcado cismático de Constantinopla que se separou da Igreja Católica em 1054.

Após esse cisma e a invasão turca de Constantinopla, os tzares forjaram artificiosamente o Patriarcado de Moscou para usá-lo como justificativa religiosa de sua expansão imperial rumo ao sul.

Essa dependência ao poder temporal intensificou-se sob o regime dos sovietes. Este usou o clero cismático russo para denunciar e punir aqueles que procurassem um conforto moral na religião, em meio às espantosas perseguições religiosas soviéticas. 

Dito clero foi um poderoso instrumento para sufocar as tendências religiosas do povo russo sob o regime ateu.

Agora ele está trabalhando sob o báculo de Kirill, o atual chefe e colega de Putin na KGB, que serpeia para estreitar a mão estendida pela Ostpolitikvaticana, ou política de aproximação ao comunismo, relançada pelo Papa Francisco.

Após o encontro em Havana, a grande imprensa ocidental glosou a interpretação de Sputnik, limpando-a de seus falsos grosseiros, mas conservando a ideia central: Putin foi o grande vencedor diplomático do evento.

O comunicado assinado pelos dois líderes no aeroporto de Havana, após um encontro privado de duas horas de duração, está organizado em 30 pontos de grande densidade.

Num outro post trataremos do longo, grave e perplexitante plano assinado em Cuba e que Moscou recebeu como um triunfo.


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