terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

A exemplo da Argentina, pequenos ajustes não são suficientes para terminar com o atual governo maligno do PT

Escrito por Alberto Mansueti*, traduzido por Márcio Santanafevereiro 3, 2016, Política Reformada
Mauricio Macri. Foto: Victor R. Caivano/Associated Press
O socialismo parece reger-se pela “lei do pêndulo”: é o “ciclo econômico” descrito pelos economistas da Escola Austríaca, só que no plano político. Há duas fases.

Primeiro, o populismo desenfreado. Abre-se a fase expansiva na economia, com alta nos gastos estatais, e emissão de toneladas de papel-moeda. Protege-se a “indústria nacional”, por meio da concessão de subsídios e monopólios; desse modo criam-se empresas antieconômicas, e empregos artificiais. Aumenta o emprego estatal, e se decretam “planos sociais” para comprar votos. Além disso, relaxam-se as exigências para empréstimos, a fim de “estimular a demanda”, ou seja, o consumo, estilo Keynes.

Porém, se não há economia ou capitalização, não há desenvolvimento, nem crescimento. A economia fechada se torna ineficiente. E a bebedeira “social” termina em grande ressaca: estagflação (inflação com estagnação), desinvestimentos, com quebra ou fechamento de empresas, e desemprego em massa.

Então chegam os “neoliberais”, para a segunda fase, a “contenção”.

Tomam medidas radicais, como deve ser feito, para acabar com o estatismo? Não! “Não temos respaldo político”, dizem. “Não é viável”. Não é “politicamente factível”. Portanto, se limitam a corrigir alguns dos excessos mais grosseiros e aberrantes do socialismo. Nada mais. “Estabilização” é seu mantra favorito.

Como os bombeiros, apagam o fogo; porém, sem reformas profundas. Há abertura ao exterior, porém “não muita, não vamos chegar ao outro extremo!”, explicam.

Contudo, os “ajustes” não perduram, porque não vão à raiz do problema: não se revogam as leis más; por isso não há mudanças estruturais nem melhorias sustentáveis. Cedo ou tarde há descontentamento, que aumenta até que, na garupa da “crise”, a esquerda radical retorna ao poder com sua demagogia, mais cedo ou mais tarde. O pêndulo muda de curso. E o ciclo recomeça.

Exemplo: Argentina. Terminou agora outra fase de populismo selvagem, e chegou a cavalaria ao resgate. Já vimos esse filme, muitas vezes.

Quantas ao todo? O economista José Luis Espert nos lembra “cinco crises em meio século”. Porém, ocorreram outras, anteriores:
1 - A primeira década peronista (1945-55) destruiu grande parte da economia argentina, ainda que muitos dos fundamentos do estatismo, como por exemplo o Banco Central, tenham sido postos pelos conservadores na década anterior. E com o presidente Aramburu, foi Raúl Prebisch, ex-funcionário de Perón, e economista não liberal, mas keynesiano, quem propôs o Plano Prebisch para “corrigir o caos”. Quase todo o país se opôs ao Plano, que embora fosse bastante intervencionista, foi qualificado de “ultra-liberal”, e nem sequer foi aplicado totalmente. Aquela “Revolução Libertadora” terminou sem cumprir a tarefa.
2 - Porém, na prática os militares governavam em conjunto com o radical Arturo Frondizi (1958-62), através do engenheiro Álvaro Alsogaray, economista liberal encarregado de “conter” o super-ministro Rogelio Frigerio, que era partidário de uma economia nazi-stalinista.
3 - Após a queda de Frondizi, o estica e puxa entre populismo e “ortodoxia” continuou com seu sucessor José M. Guido. Em seu breve governo interino, de 1962-63, houve até uma miniguerra civil: “azuis” versus “colorados”.
4 - O radical Arturo Illía (1963-66) representou uma fase populista bastante moderada. E com o general Onganía, a consequente fase “neoliberal” foi encabeçada pelo ministro Krieger Vasena, e foi tão desastrosa que a crise arrastou o presidente, que foi deposto, como aconteceu nos casos anteriormente vistos; e em outros que se seguiram.
5 - Após os descalabros nazi-socialistas de Galtieri e Cámpora, o populismo “montonero” seguiu com Ber Gelbard, já sob Juan Perón (1973-74). Até que María Estela Martínez chamou aos mais ortodoxos (?) Alfredo Gómez Morales e Celestino Rodrigo, para clean up the mess (limpar a sujeira). Não conseguiram.
6 - O general Videla trouxe, em 1976, a José A. Martínez de Hoz, um “ultraliberal” que estatizou uma companhia elétrica, a CIAE. Outro fracasso, que terminou na crise financeira de 1980, a qual também levou consigo o presidente, em março de 1981. Nada puderam seus sucessores “liberais”, Lorenzo Sigaut, Roberto Alemann e Jorge Wehbe. Mesmo filme, atores diferentes.
7 - Como era de se esperar, “o retorno da democracia” trouxe consigo uma fase populista muito aguda, ao ponto do radical Raúl Alfonsín ter de entregar o cargo antecipadamente a Carlos Menem em 1989, em meio à hiperinflação. Com Domingo Cavallo, o peronista Menem realizou a experiência “neoliberal” mais estável e comparativamente exitosa: toda uma década, os anos 1990.
8 - Por isso o radical Fernando de la Rúa (1999-2001) quis reeditar o menemismo, incluindo Cavallo. Porém, não o pôde, e como Frondizi, a crise explodiu em seu colo: não terminou seu mandato. A “estabilização” chegou com o presidente Eduardo Duhalde e seu ministro “ortodoxo”, Roberto Lavagna (2002-03). E logo outra vez a louca economia montonera: os Kirchner. Até agora.

Oito antecedentes, todos muito similares, que o senhor Macri deveria revisar, não acham?

*Alberto Mansueti é advogado e cientista político.
Tradução: Márcio Santana Sobrinho

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