sábado, 16 de janeiro de 2016

Governo socialista chinês não desistiu do controle totalitário dos nascimentos

Escrito por Luis Dufaur no Blog Pesadelo Chinês
A enganosa propaganda oficial encobre dramas e horrores sociais incomensuráveis.
O dirigismo em matéria de filhos está abalando a já caótica China comunista.
O Partido Comunista chinês anunciou o fim da ditatorial e inumana “política do filho único” no início de 2016.

Essa política ditatorial e cruel só autorizava um filho por casal. Aplicada durante 35 anos, seus danos continuarão a se fazer sentir durante décadas.

Procura-se porém implantar com variantes essa desastrosa política no Ocidente, sob a alegação ecológica de que a Terra não pode suportar tanta população.

Alguém que não quis dizer seu nome por temor a represálias, conta o seu caso, que é o de muitos milhões de chineses. Sua mulher estava no sétimo mês de gestação de um segundo filho, quando foi arrastada pela polícia até o hospital.

Os enfermeiros disseram-lhe que não podia continuar a gravidez e, ato seguido, quatro ou cinco deles, “como se fosse um porco, segurando suas mãos, pernas e cabeça, injetaram-lhe uma substância no ventre. Nem minha mulher nem eu preenchemos qualquer formulário autorizando”.

Dez horas depois ela deu à luz um menino, que se contorceu e chorou baixinho até morrer. Os médicos da província de Hunan não lhes permitiram levar o corpinho do bebê morto, mas o puseram numa sacola de plástico e lhes disseram para procurar alguém que o enterrasse num morro vizinho. A mãe perdeu a saúde mental.

O incidente não aconteceu durante as chacinas de massa ordenadas pelo pai do socialismo chinês, Mao Tsé-Tung, mas em 2011, na era da Internet, quando a China tenta projetar-se como superpotência mundial.

Só para mencionar 2012, as estatísticas contabilizaram 6,7 milhões de mulheres que foram obrigadas a abortar em nome da “política do filho único”.

Esse macabro índice atingia 10 milhões por ano. O fato é também causa de o índice de suicídios de mulheres ser significativamente mais elevado que o de homens.

Incontáveis meninas foram secretamente abortadas ou assassinadas na primeira infância porque seus pais queriam um menino que os sustentasse na velhice.

Durante quatro décadas, centenas de milhões de homens e mulheres sofreram esterilização forçada ou implante de dispositivos intrauterinos para impedir a concepção.

Um homem de 56 anos de uma pequena cidade do sul da China, que também não quis se identificar, declarou ao jornal “The Washington Post” que trabalhou nos anos 90 como membro de uma equipe de planejamento familiar.

Ele contou para Carlos Barria, fotógrafo da Reuters, os abusos e crimes praticados: “Os hospitais nunca recusavam, a despeito dos riscos, porque era uma ordem do governo e ninguém ousava dizer não”.

Uma mãe que já tinha uma menina e desejava um menino fugiu de casa quando nasceu uma segunda filha. A equipe de planejamento familiar ficou sabendo, correu para a casa dela, mas só encontrou a avó, de 80 anos.

Eles ficaram furiosos, destruíram todos os móveis, estragaram a comida e “a casa desapareceu em apenas 20 minutos”.

O funcionário ficou espantado. “Eu disse ao chefe que isso era brutal demais. Ele replicou: ‘É a política’”. O funcionário ainda lembra a cena: “Nunca poderei esquecer a mulher de 80 anos gritando diante de sua casa em ruínas, em lágrimas, sentada sobre uma pedra. É como se tivesse acontecido ontem. Eu não consegui aguentar e renunciei à equipe de planejamento familiar”.

Nenhuma consideração humanitária motivou a mudança de política oficial. Mas uma série de considerações materialistas econômicas, relevantes por sinal.

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