domingo, 4 de outubro de 2015

O atual governo Kirchner destruiu a economia da Argentina, mas candidato governista pode vencer eleição em 25/10/2015. O mesmo pode acontecer no Brasil em 2018

E o óbvio está acontecendo: candidato de Kirchner lidera pesquisa para presidência na Argentina
Escrito por LUCIANOHENRIQUE on 4 DE OUTUBRO DE 2015, no Ceticismo Político
Algumas crianças políticas podem até protestar, lembrando que se “a economia vai mal, sucessores não serão eleitos”. É o famoso lema “é a economia, estúpido”, criado por um assessor de Bill Clinton. Porém, isto é verdade apenas em parte e sob certas condições, pois se um grupo político controla totalmente a narrativa, a economia deixa de ser o fator preponderante.

Segundo a Reuters, o candidato Daniel Scioli, do partido governista, ampliou sua liderança nas pesquisas para as eleições deste mês. Ele tem 38,6 por cento, seguido por Mauricio Macri, atual prefeito de Buenos Aires, com 27,9 por cento. Sergio Massa, da Frente de Renovação, tem 21,5 por cento das intenções de voto. O primeiro turno ocorre em 25 de outubro. Se um candidato tiver 45%, leva o cargo. Caso tenha 40%, mas fique 10% à frente do segundo colocado, também. Parece que Scioli caminha para levar no primeiro turno.

Os incautos dirão que “isto não faz sentido”. Ao contrário: isso faz todo o sentido, conforme tudo que venho descrevendo aqui neste blog. Engana-se quem acha que a economia “decide a questão”. Decerto ela influencia, mas nem de longe é o fator mais relevante. O que decide a questão é o controle da narrativa, e, para isso, são necessários elementos como censura de mídia e controle do uso de verbas estatais para financiamento de campanha. Quando eu critico o uso da Lei Rouanet, o aparelhamento do MinC (que deveria ser extinto), o financiamento imoral da BLOSTA e a proibição do financiamento empresarial de campanhas não o faço por birra, mas por uma avaliação estratégia do que realmente importa na conquista do poder hoje em dia. Quem realmente buscar entender o que significa o termo “tirania moderna” não chegará a conclusões diferentes.

A direita tem sido irresponsável ao nível do absurdo ao não querer disputar essas questões. Acham que a economia vai destruir o PT. Se Dilma permanecer no cargo e em 2018 Lula despontar na liderança, não conseguirão entender os motivos para isso. Será irritante vê-los demonstrar surpresa. Não é nem mesmo moral que eles ajam dessa forma.

Não é o sofrimento do povo que fará um povo rejeitar um governo do corrupto, mas a percepção sobre os culpados por esse sofrimento. Um governo que controla a mídia alterará essa percepção com facilidade impressionante. A partir daí, os resultados econômicos tornam-se quase irrelevantes.

Se você ainda não entendeu por que o PT gasta tanto esforço querendo controlar a mídia, investindo em tal medida na Lei Rouanet e nos “pontos de cultura” e querendo vetar o financiamento empresarial de campanhas (ao mesmo tempo que o partido usou esse tipo de verba por várias eleições e, quando se “queimou” por corrupção, decidiu que ninguém mais pode utilizá-lo) é melhor começar a prestar atenção na dinâmica da política das tiranias modernas, especialmente aquelas da América do Sul. E principalmente aquelas que, por fazerem parte do Foro de São Paulo, trocam informações, técnicas e recursos para implementações de tiranias modernas, utilizando o que há de mais avançado nestas tecnologias de poder.

O impeachment é a mais importante de todas as lutas no momento. Mas tal como se avaliássemos o campeonato brasileiro e tivéssemos um G4 (no caso, para classificação à Libertadores), depois do impeachment na liderança, as posições 2, 3 e 4 teriam que estar ocupadas por lutas para derrubar tiranias modernas. Lutar pelo voto impresso, pelo fim da influência do aparelho estatal no financiamento da campanha petista (ou seja, tirar o poder do PT em vetar financiamento empresarial, ao mesmo tempo em que proibi-lo por lei a gastar menos dinheiro público para se promover) e daí por diante.

Depois das lições dadas pelo caso Argentino, ignorar questões como essas é apenas uma escolha irresponsável.

Em tempo: há muitas pessoas que hoje preferem lutar mais contra o Foro de São Paulo do que contra o PT. Pragmaticamente, eu me limito a cobrar resultados. Uma estratégia diferente seria derrubar o PT, e depois focar no Foro. Mas cada um é cada um. Como diria Saul Alinsky, “a melhor tática é aquela que cada grupo aprecia”. Não vale a pena ficar insistindo para que mudem de prioridade. Todavia, não deixa de ser irônico que muitas dessas pessoas merecem nota zero no momento de priorizar as lutas contra os projetos de tirania moderna do PT. Da parte de muitos deles, só ouvi o barulho do grilo quando o STF deu o golpe, junto com a OAB e o PT, para proibir financiamento empresarial de campanha. O nível de pressão foi uma piada. Então, se querem priorizar a luta contra o Foro, sugiro que comecem a se preocupar em tirar do PT os meios sujos que eles adquiriram e estão lutando para adquirir ainda mais com o fito de se eternizar no poder. Lembrem-se que suas escolhas táticas também farão parte da história…

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