terça-feira, 22 de setembro de 2015

A TESE DO CARTEL PODE DESMONTAR À LAVA JATO e, por consequência, Dilma, Lula e a organização PT ficam livres de qualquer crime

Escrito por Reinaldo Azevedo e publicado no Blog do Reinaldo na Veja:

Há certos debates que quase dão preguiça. Não que sejam desimportantes. É que tantas camadas de glacê, de incompreensão, de militantismo — às vezes, burro — vão se impondo que acaba ficando difícil definir o objeto em debate.

Já tomei muita bordoada de desinformados, de cretinos e de difamadores a soldo porque tenho contestado a tese do cartel. Ainda que tenha exposto aqui todas as leis transgredidas por empreiteiros, os bobos me acusaram de estar tentando livrar a cara deste ou daquele — como seu tivesse poder para isso… Não! Eu só não queria deixar impune o verdadeiro crime para chegar a criminosos bem mais robustos.

Não foi cartel, já disse aqui muitas vezes, mas um bem urdido esquema de extorsão, sob o comando de uma máquina pluripartidária que tinha, no entanto um comando: o do PT. Seu objetivo era assaltar a institucionalidade e o Estado de Direito. INSISTIR NO CARTEL, ADVERTI MUITAS VEZES, CORRESPONDIA A FAZER O JOGO DOS VERDADEIROS BANDIDOS.

Pois é… Nesta segunda, o procurador da República Carlos Fernando dos Santos Lima, um dos mais eloquentes da Força Tarefa, afirmou que recente decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) sobre o caso pode ameaçar o futuro da investigação.

Vamos ver a que ele referia. Teori Zavascki, ministro que é relator do petrolão, decidiu que suspeitas de recebimento de propina da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) não têm conexão com o aquele escândalo e devem ter relatório próprio. No sorteio, o escolhido foi Dias Toffoli

Diz o procurador:
“O que queremos mostrar é que não estamos investigando a Petrobras. Nós nem começamos a investigação por ela. Estamos desvelando a compra de apoio político-partidário pelo governo federal, por meio de propina institucionalizada nos órgãos públicos. Se não reconhecerem isso, vai ser um problema.”

Ah, eu também acho. Mas, aí, então, Carlos Fernando, a tese do que se deu na Petrobras tinha de ser outra, não a de cartel, como vocês insistem. De fato, a trilha que leva a Gleisi não passa pela Petrobras. Se o que está sendo investigado é um cartel de empreiteiras que atuou na Petrobras, a senadora petista não tem nada com isso.

Sim, ele tem razão. O que se investiga é uma máquina que se apoderou do Estado. Insistir, então, na tese do cartel é negar a verdadeira natureza do jogo e omitir o mais grave de todos os crimes: o assalto ao Estado de Direito.

O procurador revela o temor de que a decisão de Zavascki seja um precedente para que muitos casos saiam, inclusive, de Curitiba, já que não teriam uma conexão direta com a Petrobras, embora tudo faça parte da mesma e gigantesca máquina corrupta.

Duas coisas importantes: em primeiro lugar, não é bom um procurador dizer como deve agir um ministro do Supremo. Se for assim, vira a festa da uva. Em segundo lugar, se o que se investiga é um cartel de empreiteiras, como insiste a Força Tarefa, e se o caso Gleisi e outros tantos não têm relação com ele, o que se esperava que o STF fizesse?

Infelizmente, abraçar uma tese de fácil apelo e de fácil compreensão, ainda que não muito certa e, a meu ver, contrária aos fatos tem suas consequências. Zavascki deve ter se perguntado: o que o caso ocorrido no Planejamento, envolvendo Gleisi, tem a ver com o cartel de empreiteiras. E a resposta é esta: nada! E aí?

Não acho que a decisão ponha em risco a operação Lava jato. Mas é preciso definir o que está sendo investigado: é o cartel ou é a “compra de apoio político por meio da propina institucionalizada”? “Mas as duas coisas não podem ter se casado, Reinaldo?” Pode, sim.

Mas é preciso chegar ao ente que comandava a sem-vergonhice. Enquanto a tese vigente for a do cartel de empreiteiras formado para fraudar a Petrobras, os casos que tiverem conexão direta com elas ou vão para Sérgio Moro ou para Zavascki (se o foro especial for o STF). Se a conexão não for direta, vai para outro ministro no Supremo e pode, sim, sair das mãos de Moro. De pouco adiantou a pressão do Ministério Público: Zavascki já avisou que vai propor que a corte indique outro nome para o chamado “Eletrolão”, o sistema de corrupção que vigorou no setor elétrico.

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