quinta-feira, 4 de junho de 2015

PSDB decide ajudar o PT a dar mais um golpe político na questão de “mais mulheres na política”. Temos que lutar contra essa aberração.

Escrito por LUCIANOHENRIQUE on 4 DE JUNHO DE 2015. Publicado no site Ceticismo Político
Vou deixar claro, mais uma vez, que sou contra o uso do discurso de “empurra”, no caso do PSDB. O que é o discurso de “empurra”? É um comando embutido na linguagem, usando o argumento “PT e PSDB estão mancomunados” feito como forma de liberação de pressão – eu não estou negando as alianças feitas no presente e no passado entre os partidos, mas sim a forma como elas são tratadas. Este comando, então, diz publicamente: “Não pressionemos mais o PSDB, facilitando a vida de todos os políticos do partido no momento deles votarem a favor do PT”. Obviamente, as pessoas não se expressam desta forma, mas lançam comandos como “ah, deixa pra lá o PSDB, ele já fechou com o PT”. Agindo assim, nos “empurramos” o PSDB cada vez mais para os objetivos do PT. Os intervencionistas, e alguns outros direitistas mais puristas, jogam o jogo do “empurra” constantemente, o que jamais vai gerar algum resultado positivo para a direita.
É claro que eu sei que o PSDB é um legítimo partido de esquerda e que já apoiou várias ideias e projetos de lei que só fizeram ajudar a vida do PT. Sem o PSDB, não teríamos tantas facilidades para que o PT executasse seu projeto de poder. O nível de comprometimento geral de todos os políticos do partido com um projeto para entregar todo poder ao PT, no entanto, ainda é questionável. Sabemos que não podemos confiar nem um pouco em FHC. Ao mesmo passo, Carlos Sampaio e Bruno Araújo não parecem tão interessados em nos transformar em escravos do Foro de São Paulo. É por isso que defendo que, em caso de não termos certeza do comprometimento do PSDB com o totalitarismo do PT, sigamos pressionando os tucanos, constrangendo-os moralmente por algumas de suas escolhas que só servem para ajudar o PT, assim como exigindo ações assertivas em vários casos. É o oposto da técnica da liberação de pressão (ou “empurra”).

Mais um exemplo é a tal ideia de “mais mulheres na política”, uma campanha em favor de uma proposta, a PEC 23/2015, criada pela senadora Vanessa Grazziotin, do PCdoB. Para quem não se lembra do caráter de quem nós estamos tratando, basta saber que Vanessa, durante votação da Lei do Calote, em 2 de dezembro de 2014, ouviu manifestantes dizendo “vai para Cuba” e fingiu, com a ajuda de Jandira Feghali, que foi chamada de vagabunda. O objetivo do fingimento foi manipular as emoções no Plenário para validar a agressão violentíssima dos policiais do Congresso contra os manifestantes. Só isso já é suficiente para mostrar que qualquer lei proposta por gente assim assim deveria ser encarada com suspeita.

Mas o que diz essa lei golpista? É simples. Leia:
Esta PEC determinará que metade das vagas na Câmara dos Deputados, Assembleias Legislativas, e Câmaras Municipais, deverão ser ocupadas por mulheres. Se houver um número ímpar de vagas, será permitido que um sexo supere por um o número de eleitos do outro sexo. Na primeira eleição a se realizar após a aprovação desta PEC o percentual será de 30%, aumentado em 5% a cada eleição, até alcançar 50%. Esta regra entrará em vigor na data de sua publicação, aplicando-se às eleições que se realizarem após decorrido um ano de sua vigência. Segundo a senadora, as mulheres constituem a maior parte da população, mas têm pouca representação no legislativo. Por isso, ela defende que as vagas sejam iguais para homens e mulheres para que o parlamento possa ser um retrato mais fiel da sociedade.
E onde está o golpe? É muito fácil de encontrá-lo. O PT sabe que cooptou os sindicatos de professores,uma das profissões mais preferidas por mulheres. É por isso que a doutrinação escolar em marxismo se tornou um dos problemas mais graves de nossa era. Outra profissão preferida pelas mulheres é psicologia, que também possui muito mais mulheres do que homens. E o CFP está completamente aparelhado pelo PT. E não é só isso? Em toda a área de Humanas, há mais mulheres que homens. E todas as áreas de Humanas estão cooptadas por petistas.

Estes números simplesmente mostram que é normal esperar que nas fileiras petistas existam muito mais mulheres do que em outros partidos. Sabendo disso, Vanessa criou um projeto com um único fim: aumentar o número de pessoas do PT, do PCdoB e do PSOL no Congresso, cuspindo nas escolhas dos eleitos. Quer dizer, se uma mulher votou em um deputado homem de partidos não-bolivarianos, o voto dela passa a valer menos do que de um homem que votou em uma deputada mulher bolivariana. O projeto de Vanessa não é para ter mais mulheres em geral no Plenário, mas para inserir mais figuras como Jandira Feghali, Maria do Rosário e ela própria num Legislativo que se tornaria cada vez mais bolivariano.

E o que tem o PSDB a ver com isso? Pois veja a matéria publicada no site do PSDB, destacando a“importância do lançamento da campanha ‘Mais mulheres na política'”. Leia, antes que alguém queira deletar, por vergonha:
A mobilização não para, cientes da oportunidade trazida pela Reforma Política em andamento no Congresso Nacional, segmentos femininos de todos os partidos políticos se unem na tentativa de mudar o índice de participação política da mulher brasileira – o Brasil amarga hoje a 74ª posição no ranking mundial de capacitação política feminina divulgado pelo “Fórum Econômico Mundial”-, e participarão, dia 15 de junho, em Teresina/PI, da abertura oficial da Campanha “Mais Mulheres na Política – A Reforma Que O Brasil Precisa”.

Promovido pela Procuradoria Especial da Mulher no Senado Federal e pela Secretaria da Mulher da Câmara dos Deputados, o esforço concentrado tem uma meta. Nas próximas semanas será votada a Proposta de Emenda Constitucional 23/2015, que defende 30% das vagas no Legislativo por gênero, e a igualmente importante PEC 24/2015, que torna obrigatória uma vaga por gênero, quando da renovação de dois terços do Senado Federal. Para todas as participantes do “Mais Mulheres na Política”, a aprovação das duas matérias é fundamental para o aumento da participação das mulheres na vida pública nacional.

Pela enorme importância das PECs em discussão, por entender que nenhuma reforma política pode responder aos anseios das ruas sem atender à maioria feminina da população brasileira e, principalmente, por acreditar que sociedades que praticam a igualdade de gênero em todos os níveis de sua organização possuem melhor IDH e desenvolvimento, o PSDB-Mulher Nacional vem, desde o início, participando de todas as ações do “Mais Mulheres na Política”.

“O momento é agora, não podemos esperar mais. Os exemplos estão em todo o mundo, da Suécia a Ruanda. Países que deram espaço político a suas mulheres estão construindo sociedades mais justas e prósperas para seu povo. Queremos os homens conosco nessa conquista que será de todos nós”, disse Thelma de Oliveira, vice-presidente do PSDB-Mulher Nacional, para quem a ajuda da bancada masculina do PSDB, na votação das emendas constitucionais, será não só bem-vinda como essencial.

Não há como fugir da realidade. O PSDB está apoiando um projeto totalitário que viola a soberania do voto, com o único fim de ajudar o PT e suas linhas auxiliares a se eternizar no poder, usando com isso o pretexto de que as mulheres “não estão representadas” na política. Aliás, que direitos as mulheres não possuem por causa da “não representação” na política? Eles não conseguem dar uma resposta, pois é golpe.

O que fazer agora? Antes de tudo, ignoremos a turma do “empurra”, pois eles não vai querer que exijamos que o PSDB explique por que está apoiando um projeto petista. Politicamente, a turma do “empurra” não entra em campo. Em seguida, devemos exigir que os deputados tucanos expliquem por que apoiam o golpe petista para violar a soberania do voto. E usem o shaming, sem dó nem piedade.

Isto simplesmente não pode ficar por isso mesmo. Devemos exigir que pessoas como Carlos Sampaio, Bruno Araújo, Aécio Neves e outros expliquem o golpe.

Tags: cotas para mulheresmulheres na política, PSDB ajudando ao PT, idiotia política, políticos totalitáriosdesonestidade intelectual, medo de falar a verdade, políticos covardes, PEC 23/2015, Luciano Henrique, Luciano Ayan

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