segunda-feira, 27 de abril de 2015

Considerações sobre a excomunhão automática - Olavo tem razão

Escrito por Frei Clemente Rojão OAAO/ no site do FREI ROJÂO

        Na lei dos homens é mais grave dizer que é crime algo que pode não ser crime. - In dubio pro reu
       Na lei de Deus é mais grave dizer não ser pecado algo que pode ser pecado. - In dubio contra peccati
       Tudo depende das consequências, os chamados erros estatísticos tipo I ou II. O que é mais grave? Rejeitar algo verdadeiro ou não rejeitar algo falso? Depende do que é este erro.
       A lógica é cristalina e até mesmo um Cleaner, cuja inteligência é pequena, pode entender: Correr o risco de acusar alguém de crime é grave, com sérias consequências penais e morais. Porém correr o risco de colaborar com a perdição de almas, reforçando alguém no pecado é mesmo terrível, peca quem peca e peca você.
       Ou seja, na lei dos homens é mais prudente não acusar um criminoso (quantos existem impunes!) do que acusar um inocente. Na lei de Deus é mais prudente estimular a evitar o pecado do que reforçar um pecador no seu ato pecaminoso. O laxismo e os escrúpulos não são perfeitos antípodas, é mais arriscado para a salvação ser laxista que ser escrupuloso.
      Convenhamos, se algo é imoral o suficiente para se cogitar se é pecado ou vício, excomunhão automática ou não, francamente, você vai assumir o risco para si de dizer que NÃO É errado ou que NÃO HÁ tal sanção?
       Eu consigo rapidamente com meu raciocínio bolar caminhos diferentes para dizer que certa ação é pecado ou não é pecado, é excomunhão automática ou não. Só que eu não sou nem promotor nem advogado de defesa, sou alguém que se preocupa com as almas. Neste caso a prudência manda evitar o ato em função da cominação da penalidade canônica mais grave.
     Trocando em miúdos o juridiquês e a estatística: Deus disse ao profeta Ezequias que ele seria responsável pela vida daquele ao qual ele não reprovasse o pecado.
       Trocando mais em miúdos ainda, vou eu dizer que tal ação não é excomunhão automática, sendo que há caminhos lógicos afirmando que é, e sabendo que, se algo há dúvida de que foi ou é excomunhão automática, já é pecado mortal FAZ TEMPO? Vou eu me arriscar a estimular o pecado? Ou eu me arriscar a manter alguém na excomunhão automática? Vou eu por minha alma na fogueira estimulando o mal por diatribes jurídicos canônicos?
       Senhores, na dúvida, contra o pecado. Além do mais, tal é o estatuto da excomunhão automática que nossa opinião afirmando ou não afirmando não muda a natureza da penalidade, que é sobrenatural. Quem está excomungado latae sententiae está. E não podemos fazer nada, exceto estimulá-lo à conversão.

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