segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

O marxismo deve ser igualado ao nazismo em termos de criminalização? Como tratar este problema ético?

Escrito por LUCIANOHENRIQUE on 6 DE JANEIRO DE 2015 e publicado no site Ceticismo Político
Entra ano, sai ano, e surge a discussão sobre se o comunismo deve ser criminalizado tanto quanto se faz atualmente com o nazismo. Alguns dizem que o comunismo deve ser criminalizado. Outros dizem que o melhor é deixar pra lá.

A título de didatismo, vamos definir os dois grupos como criminalizadores e apaziguadores.
Os primeiros usam a lógica mais linear possível: “se o marxismo matou muito mais que o nazismo, logo deve ser criminalizado da mesma forma”. Logicamente, é um raciocínio correto. Politicamente, é desastroso. Já os apaziguadores entendem esse erro político, mas sua própria postura de abandono da questão também é equivocada. Abandonar essa contradição que poderia gerar tanto prejuízo político para a extrema-esquerda é efetivamente um desperdício de oportunidade. (Lembrando que, ao contrário do que alguns pascácios andaram dizendo por aí, o nazismo também é de extrema-esquerda, embora seja rotulado de extrema-direita pelos auto-denominados “representantes da esquerda”, ou seja, os marxistas)

Hoje em dia, com tamanho predomínio da visão ultra-esquerdista nas universidades e meios de comunicação, eles transformariam o pedido por “criminalização de comunismo” em uma arma para chamar seus oponentes de “intolerantes”. Deste ponto em diante, para todos os proponentes da criminalização ficarem na mesma posição defensiva em que Aécio Neves e Jair Bolsonaro se encontraram, respectivamente por dizerem que “Dilma é leviana” e “Maria do Rosário não merece ser estuprada”, é um pulo. Mas não podemos ainda assim admitir o apaziguamento.

Desta feita, como podemos superar ambos os erros políticos?

A solução pode ser encontrada no próprio método marxista de problematização, onde lançamos um problema para discussão, sem respostas prontas, a título de pressão sobre a situação atual. Isso permite que nem a alternativa criminalizadora e nem a apaziguadora sejam levadas adiante, corrigindo os erros políticos de ambas as táticas.

O que devemos fazer, por este método, é já ir lançando um problema para o público, questionando o que levou ao fato do marxismo, um regime muito mais assassino (uma verdadeira máquina de moer carne humana) a ser mais aceito do que o nazismo, quando ambos deveriam ser rejeitados da mesma forma. Essa simples constatação já é suficiente para lançar dúvidas em toda uma estrutura gramsciana, especialmente nas redações de jornais e nas universidades.

O esquerdista, é claro, poderá pedir uma resposta, agindo de forma inquisidora com perguntas como “então devemos criminalizar o comunismo?” ou “então devemos liberar o nazismo?”. Não caia em nenhuma das duas armadilhas. Limite-se a dizer: “o que devemos fazer não é o assunto, pois antes precisamos estudar os motivos que levaram a absolvição de um regime muito mais assassino que o regime nazista”.

Ou seja, mesmo sem você ser colocado na parede, você poderá apontar problemas seríssimos de lógica e moralidade no fato do marxismo ser exonerado de suas culpas de maneira diferente do nazismo. Sua ideia não é baseada na absolvição, mas na condenação de ambos, assim como no estudo dos motivos perversos que tem levado pessoas a aceitar os genocídios de um sistema, mas rejeitar os de outro, quando deveriam rejeitar os dois.

Por esta abordagem de problematização, sempre o marxismo pode ser denunciado, assim como deve ser criticada a recusa pelo tratamento igualitário aos dois sistemas de pensamento mais cruéis já criados pela humanidade. A licença para matar sem contestação, dada a um dos sistemas (o marxismo), é também um seríssimo problema moral.

Essa problematização, enfim, lançaria uma pressão contínua sobre o marxismo, sem colocar o proponente desta problematização na posição de “intolerante contra marxistas” (pois nenhuma solução está sendo proposta, a não ser a problematização) e nem como um apaziguador, a qual é uma posição digna de vergonha alheia.

Assim, a solução para contestar os motivos pelos quais o marxismo não é julgado da mesma forma que o nazismo não está nos pedidos por criminalização do marxismo, nem no apaziguamento dos conflitos, mas na pressão dialética, a partir da problematização, dos motivos para o fornecimento de licença obtida para o marxismo para poder matar sem contestação.

Fica claro que a própria maneira do marxismo poder matar muito mais e não receber a mesma condenação moral (por seus próprios embustes) é um motivo a mais para apontarmos o quão nocivo é este sistema de pensamento.

Tags: Luciano Henrique, Luciano Ayan, marxismo x nazismo, criminalização do marxismo, criminalização do nazismo, Stalin x Hitler, esquerdismo, idiotia política, problema ético da política 

Nenhum comentário: