domingo, 28 de dezembro de 2014

4-No inferno, o castigo é o resultado do pecado que mais se cometeu na vida terrena. Rios de sangue causados pelo MST. Ou: Crime e Castigo

A novela Dom Tomás Balduíno no Inferno, uma novela piedosa escrita por Frei Clemente Rojão OAAO é digna de constar entre as mais belas literaturas da língua portuguesa. Digo isso não só pelo excelente domínio da língua, mas pelo texto interessante a religiosos e políticos, desinformados ou não.
A novela foi dividida em cinco capítulos que publico neste blog nos dias 25/26/27/28 e 29/12/2014. A licença está escrita no texto original.

CAPÍTULO IV
Crime e Castigo

Finalmente chegaram a um caudaloso rio de sangue, que corria entre as pedras com ruídos de choro, de mulheres, crianças, idosos e homens feitos. Asmodeu pediu que Dom Tomás o atravessasse:

- Atravesse. Além deste rio fica o seu lugar, Dom Tomás.

O bispo entrou no rio de sangue, cada vez mais fundo, até ficar só sua cabeça para fora. O ruído de choro ficou audível até ouvir as vozes claramente

"Por favor, eu não tenho nada a ver com o fazendeiro, eu só trabalho aqui!"

"Meu marido! Não! Não! Não!"

"Meu único trator! Não façam isso! Eu dou qualquer coisa para vocês!"

Asmodeu gritou da margem:
- Este, Dom Tomás, é o rio de sangue que correu no Brasil por causa de suas atividades junto ao MST e aos invasores de terra, eis a obra da sua Pastoral da Terra. O senhor está mergulhado no fruto de suas obras. Estes lamentos são os lamentos de vossas vítimas, Dom Tomás Balduíno. São pobres agricultores que perderam tudo, ora seduzidos para serem sem-terra profissionais, ora tendo sua terra atacada e espoliada por estes piratas do campo. Muitos morreram nas invasões, outros picados de bala de jagunço. Aqui no Inferno o senhor ficará sujo com o sangue deles, como a marca de Caim. Teus discursos o fizeram responsável por isto! Como se não bastasse a violência nas cidades, o senhor incitava no campo!

- Mas eu nunca preguei a morte de ninguém!

- Não diretamente! Mas as palavras tem conseqüências! Não se faz uma Revolução sem quebrar os ovos. O senhor está no meio dos ovos! Eis as vítimas das convulsões rurais! Você acha que este sangue não clamou ao Deus Altíssimo como o de Abel? 

Dom Tomás começou a chorar, mas as vozes ficaram cada vez mais altas, e o sangue queimava feito fogo e lava. 

- Atravesse! Seu tormento está do outro lado! 

Meio nadando, tropeçando, engolindo sangue e se engasgando, o velho bispo insensato se arrastou até a outra margem. Asmodeu o estava esperando segurando uma pá.

- Chegamos, Dom Tomás Balduíno, chegamos! Bem vindo ao seu lugar de tormento!

De quatro, coberto de sangue, o velho bispo arfava.

- Chega! Chega! Matem-me, por favor! Eu não suporto tanto tormento! Ai de mim porque pequei! 

- Ah, é o que todos pedem, mas aqui ninguém morre, meu caro! Levante-se! O melhor está por vir. 

O Demônio ergueu Dom Tomás pelo dedo mindinho e lhe mostrou uma imensidão de terra, como um aterro gigantesco. Era uma terra preta, mas cheirava a fezes, podridão, enxofre, sangue coagulado, pus e queimava como ácido. Ao lado havia várias caçambas, cujo número se multiplicava até o infinito.

- Eis, Dom Tomás! Nós somos punidos com aquilo ao qual pecamos, é o que disse a Escritura! Eis! O senhor passou sua vida fazendo pastoral da terra, não dos evangelhos! Eis aqui sua terra! Vossa Reverendíssima vai passar a eternidade dividindo a terra aqui nestas caçambas! Será sua reforma agrária! Ahahahaahahaha...

- Não me parece um grande castigo...

- Quem nunca pegou numa enxada debaixo do Sol sempre acha isto mesmo...

- Já sei, para me atormentar as caçambas não tem fundo...

- Não, todas elas têm fundo.

- Ou a terra não se acaba...

- A terra se acaba.

- Então a terra foge da minha mão?
- Não, Dom Tomás, a terra para sua Reforma Agrária ficará ai quietinha esperando suas pazadas.

- E seu eu me negar a dividir a terra???

- Ai eu chamo nosso MST infernal para te dar uma surra pior que a morte, ahahaahah! Está vendo como somos punidos com aquilo ao qual pecamos? Tome! Segure vossa pá. Pode começar! Já!

E Dom Tomás enfiou a primeira pá no monte de terra nauseabundo que o fez vomitar de mau cheiro. Recuperando-se, conseguiu enfiar uma pazada na caçamba.

- Ora, ora, até que isto aqui não tão ruim assim. Talvez Deus não estivesse tão bravo comigo. 

- Meu caro bispo, preciso ir. Tendo te trazido aqui, tenho assuntos urgentes a tratar. Há uma importante votação no STF do Brasil sobre a legalidade do aborto e preciso ir repassar alguns argumentos com uns juízes sobre a relativização do feto como pessoa. Mas até que este trabalho é agradável, eu aprendo bastante apesar de ser um demônio! Há juízes no Brasil que verdadeiramente mentem mais que demônios! São estes homens que fazem nosso trabalho valer a pena! Que boa geração vocês do clero fizeram no Brasil! Você deveria estar orgulhoso do seu trabalho!
- Que trabalho! Não consegui fazer a reforma agrária que pretendia!

Asmodeu se curvou num rapapé fora de moda:

- O senhor está fazendo a reforma agrária no Inferno, Dom Tomás Balduíno! Mas em nome de Satanás mais uma vez eu quero te agradecer por toda sua vida dedicada a nossa causa. Do fundo do meu coração de pedra, pela almas dos sete maridos de Sara que matei, pelo sangue dos inocentes mortos por Herodes Magno, muito obrigado! Muito, muito, muito obrigado!

E Asmodeu sumiu numa nuvem vermelha cheirando a flato e contaminada com germes de tuberculose.

- O que fazer? Agora não adiante chorar pelo leite derramado. É pazar e pazar! - disse o bispo.

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