sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

2-Reencontros de condenados no inferno onde o tempo não existe ou que aquela dor lancinante dura para sempre. Ou: Almas imortais para tormento imortal sem esperança

A novela Dom Tomás Balduíno no Inferno, uma novela piedosa escrita por Frei Clemente Rojão OAAO é digna de constar entre as mais belas literaturas da língua portuguesa. Digo isso não só pelo excelente domínio da língua, mas pelo texto interessante a religiosos e políticos, desinformados ou não.
A novela foi dividida em cinco capítulos que publico neste blog nos dias 25/26/27/28 e 29/12/2014. A licença está escrita no texto original.

CAPÍTULO II
Reencontros

O caminho era longo. Desceram meses, anos, décadas, pois sendo atemporal o Inferno, um segundo valia por mil anos, e mil anos valiam por um segundo. Muitas vezes Dom Tomás Balduíno fez menção de parar, reclamando do calor, de bolhas nos pés, das rochas incandescentes, dos gritos dos condenados, da escuridão fantasmagoricamente avermelhada, do enxofre, da lava, do sangue, mas Asmodeu ameaçava chamar novamente o MST e o velho bispo prosseguia sua descida lancinante para a Gehenna. No caminho, Dom Tomás viu algumas figuras conhecidas em seus tormentos, como o rico epulão, o mau-ladrão Gesmas, Pôncio Pilatos. Fazia menção de parar mas Asmodeu com vontade inflexível de um stalinista fazendo reforma agrária nas terras da Ucrânia o tocava adiante. 

Finalmente passaram por uma grande porteira de fazenda. Dom Tomás exclamou:

- Ah, agora sim, parece as fazendas em que meus pobres trabalhavam!
- Que fazenda, Dom Tomás? Que pobres? O senhor só sabia dos pobres de ouvir falar! O senhor teve um vida de conforto no bem-bom, indo para Roma e ganhando prêmios do governo, sendo amigo dos poderosos e dos senhores do mundo, que pobres? Onde está a sinceridade dos condenados? O senhor está no Inferno pelo conjunto de sua obra, Dom Tomás Balduíno, pela Igreja católica no Brasil em frangalhos, pela sua hipocrisia, pela sua untuosidade, pela sua arrogância! Vistes o rico epulão há alguns quilômetros atrás?? Tu és este homem! E pior, o rico epulão não fechou a porta do Céu ao pobre Lázaro, tu com teus discursos não só fechou como trancou! Quantos não foram carregados de inveja e raiva com sua arenga marxista incessante de Reforma Agrária! Santos homens de Deus que teriam seu quinhão de trabalho na terra aprenderam a olhar com inveja e ciúme aos outros fazendeiros e agricultores porque tinham algum rancho ou fazenda! Grande bosta ter mil fazendas! Olhe aqui embaixo, olhe a sua volta esta imensidão desolada do Tártaro!!! Que fazenda? Adianta ter fazenda? Adianta fazer reforma agrária? Aqui embaixo há latifundiários e sem terra, ricos e pobres aqui recebem a paga de se apegarem às coisas da terra! O rico por se apegar a ter muito, o pobre por ganância de querer! Está escrito "Buscai primeiro o reino de Deus e a sua justiça"...

- A justiça é a reforma agrária! - interrompeu Dom Tomás

- Seu velho maldito e hipócrita, chega deste discurso para tolos!!! - e Asmodeu deu um tapa na face do bispo com a força do impacto de um Boeing 747 a plenos motores que o fez rolar oito quilômetros na lama de lava ardente. - Será que não caiu sua ficha que este tipo de discurso não é o de Jesus Cristo?!! 
- Está bem, está bem, Asmodeu, está bem! Eu me calo! Eu me calo! - disse Dom Tomás se levantando todo quebrado, mas vivo, dado a imortalidade da alma. 

- Venha! Vamos atravessar esta porteira deste rancho. Vamos parar aqui. Há um velho amigo que precisa te rever.

Uma estrada poeirenta de terra vermelha num grande cerrado, como o de Goiás, os esperava. Andaram alguns anos por ela quando viram uma cena insólita. Num campo aberto, um facho cegante de luz divina por maneira misteriosa furava o céu vermelho do Inferno e descia até o chão de terra batida desolado. "Improdutivo!" pensava Dom Tomás mas se calava com medo do Demônio. Debaixo deste facho, um gigantesco demônio segurava um velho careca de batina forçando ele a olhar a luz cegante, como que de um holofote potentíssimo. Pequenos demônios, montados nos ombros do velho, mantinham as pálpebras dele abertas para receberem a luz, que queimava seus olhos e o fazia gemer de maneira dolorosíssima. Foi possível ouvir a voz do grande demônio

- Olhe para o Céu! Agora você vai ter de olhar para o Céu! Não, não olhe para a terra, não! A sua missão era olhar para o Céu, não para a terra! Agora você vai olhar para o Céu!
Ao lado do velho havia um pequeno aparador com uma campainha. A campainha soou e o demônio deu uma formidável joelhada no traseiro do velho, suficiente para quebrar todos seus ossos.

- Deus quer que se ajudem os pobres, não que se fale dos pobres!!!

A campainha soou de novo. E o demônio deu novamente outra joelhada no cóccix inflamado do velho. Asmodeu virou-se e explicou:

- Dom Tomás Balduíno, este é um velho colega seu. Deixe-me explicar o seu tormento, ele está condenado a toda eternidade olhar a luz do Céu. Mas esta é uma luz que queima, não alivia. Este velho bispo ai tinha como missão e carisma falar da luz de Deus, mas a trocou pela "Justiça Social" e outras bobagens que vocês bispos brasileiros enganam os fiéis e ajudam o governo revolucionário esquerdista. A campainha é ligada à boca do clero do Brasil, cada vez que um padre ou bispo fala de pobres, a campainha soa e o velho leva um pontapé no traseiro, porque em vida este homem falou muito de pobres, mas ajudou muito pouco.

Asmodeu gritou para o demônio grande que torturava o velho bispo:

- Hei, Mamón, dê uma pausa ai. Trouxe visita!

Mamón soltou o velho que correu até Dom Tomás. Mamón também se aproximou, e ele e Asmodeu foram para o lado, discutindo a Nova Ordem Mundial e a estratégia dos socialistas fabianos para financiar a destruição da família e implantar o gayzismo na nova geração, enquanto davam um tempo para os dois condenados se reverem. 

- Ai, Tomás, me ajude! Também você aqui no Inferno! Isto aqui é um horror, é um horror!

- DOM HÉLDER CÂMARA??? MAS DOM HÉLDER CÂMARA O SENHOR É UM SANTO! - recuou Dom Tomás Balduíno horrorizado.

- Não só eu estou aqui, mas quase toda a CNBB! Muitos poucos escaparam, como Bergonzini, Sales e Oppermann, contam-se nos dedos! Do resto, a maioria da velha guarda da CNBB está aqui, espalhada pelo Hades sendo torturada.

- Eu nunca pensei de fato que o Inferno fosse de verdade, D. Hélder, mas aqui estamos todos!
- É um sonho doentio este, escrito por uma mente doentia, só pode ser - gemia Dom Hélder.

- Ou por uma mente irritada com o que nossa geração fez com a Igreja no Brasil, que confia na ira de Deus em seu julgamento. E eu há pouco lá em cima, até dizendo que o senhor deveria ser canonizado, Dom Hélder! Até o PT te ama!

- Ah, lamento não estar vivo para vê-los no poder! Mas a quantidade de brasileiros assassinados e condenados que chegam todo ano aqui no Inferno mostram mesmo que o PT está no poder, caro Dom Balduíno! Ah, mas se realmente tivéssemos acreditado que o Inferno existia, e que as excomunhões para quem professa do marxismo ainda estão válidas! Fui atirado aqui no lago de fogo com os pés amarrados, de cabeça para baixo! Eu que era venerado como um santo vivo! Enquanto isto eu olho para o céu condenado e vejo os conservadores que perseguíamos na glória no banquete de cordeiro, sim, eles, que tanto expulsamos dos seminários, dos conventos, das paróquias! Eles em vida só ganharam migalhas, e é por isto que estão na glória com o Senhor, e nós, medalhões da CNBB estamos aqui nas chamas, ardendo, madeira de santo, somos boa madeira para bom fogo!

- Não diga isto, Dóm Hélder, não diga isto que tínhamos razão, nós lutamos por Justiça Social! 
- Ah, que o arrependimento não chega às almas do Inferno, congeladas que estão em sua opção na hora da morte! Veja, Dom Balduíno, meu amigo, que mesmo gemendo nestas chamas da Gehenna ainda estamos com nossos pensamentos marxistas e materialistas, buscando justiça no mundo e esquecendo que o Reino de Deus não é matéria, e sim graça! Somos danados, somos condenados, e eu, Dom Hélder Câmara, fui o mais maldito entre os bispos do Brasil, o mais hipócrita, o mais condenado! É por isto que estas chamas me corróem por dentro, este calor me abrasa, este fogo que me conserva para ser condenado, ser pasto de demônios! Ah, se pudesse morrer e ficar livre deste tormento! Mas não, a morte foge de nós no Inferno, somos almas imortais para tormento imortal sem esperança. Ah, se tivesse um fragmento, uma grama de esperança estes suplícios seriam mitigados. Mas não, o Altíssimo deu sua palavra final, nós bispos da Teologia da Libertação somos seus inimigos, nós que deixamos as ovelhas se perderem para que revolucionários chegassem ao poder! Ai que desespero! Ai que angústia! Ai que dor! Mas falemos de outras coisas... como estão nossos amigos lá em cima, Dom Balduíno?

- Ah, todos eles estão em belos cargos públicos, ganhando milhões em negociatas, todos contentes e gordos! Certamente vejo agora que virão para cá sem dúvida! E nós que tantos votos puxamos para eles viemos mais cedo! 

- Isso que dá, Dom Tomás Balduíno, servir ao mundo e ter se esquecido de servir a Deus! Ah, o olhar de reprovação que Jesus me lançou, isto me dói mais que todos os tormentos que Satã pudesse criar! Ah, Senhor, não foi em teu nome que preguei? Não foi em teu nome que rezei? Não foi em teu nome que agi? E ele me mandou para cá, porque eu colaborei com a iniquidade, mesmo sabendo de todas as condenações da Igreja ao marxismo, comunismo e derivados! Eis-me aqui, sou louvado na terra enquanto os demônios me dilaceram no Inferno!

Asmodeu e Mamón, tendo já dado tempo suficiente, voltaram para os respectivos bispos:




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