sexta-feira, 31 de outubro de 2014

O pobre tem duas vaquinhas, o rico tem oito. A organização PT diz que juntará as duas riquezas e distribuirá cinco para cada um, mas fica com as dez. A aí? Gostou do socialismo petista?


Escrito por Pe. José Eduardo e publicado no site Mídia Sem Máscara, 31/10/2014

Uma das maiores vitórias do movimento socialista foi, como queria Antonio Gramsci, o aniquilamento da resistência católica.

De fato, nos tempos do Papa Pio XI, havia uma tão grande consciência a respeito, que o mesmo pôde escrever que "socialismo religioso, socialismo católico são termos contraditórios: ninguém pode ser ao mesmo tempo bom católico e verdadeiro socialista" (Quadragesimo anno). Na sequência, ele inclusive preveniu a Igreja contra o socialismo cultural, que ele chamava de educacional, tão perverso quanto o anterior.

Contudo, as décadas se passaram e as advertências de Pio XI, Pio XII e João XXIII foram sendo ignoradas... Os socialistas entraram dentro da Igreja e começaram a confundir a mente dos fieis, até o ponto de que não apenas os mesmos não conseguiam mais discernir os porquês da Igreja em condená-los, mas passaram até a tornar-se seus defensores contra a mesma Tradição à qual diziam pertencer.

Chegamos à situação em que não apenas a contradição apontada por Pio XI parece anacrônica, mas poucos se encontram em condições de compreendê-la.

De um lado, alguns se prendem ao argumento de autoridade, dizendo que, se Pio XI falou, está falado, e pronto!, esquecendo-se de que aquilo é bom não porque o Papa mandou, mas o Papa mandou porque aquilo é bom. Os mais aguerridos se prendem à antiga pena canônica de excomunhão, que não vige do mesmo modo em nossos dias, desmoralizando, por fim, seus próprios postulados.

De outro lado, outros defendem a identidade entre o socialismo e o evangelho, criando uma confusão absurda, como se a própria doutrina social da Igreja fosse de raiz socialista. Como reação psíquica a isto, alguns destes chegam aos extremos da histeria, negando o óbvio simplesmente porque o querem, devotando às suas teses uma fé cega, injustificada, fanática, que os enclausura numa posição invencível, num engano hermético, patológico.

As reafirmações dos papas posteriores à doutrina de Pio XI foram ignoradas solenemente, dando a sensação, propositalmente causada, de que o socialismo era, enfim, harmonizado com a fé cristã.

As consequências deste quiproquó podem ser vistas, hoje, a olho nu. Com a melhor das boa-vontades, muitos católicos bem intencionados dão a vida por um sistema totalitário, emprestam o nome e as causas pelas quais trabalham a uma ideologia que existe para destruí-los, não conseguem perceber que estão do lado errado do tabuleiro da história. E a resistência católica não apenas foi bloqueada, mas mudou de sentido, tornou-se resistência "católica" anti-católica. A dialética entrou dentro da Igreja.

A única alternativa para sairmos deste imbróglio é não nos limitarmos ao argumento de autoridade, mas estudarmos para que se consiga explicar a qualquer pessoa porque o socialismo é incompatível com a reta razão e, portanto, com a fé cristã; porque um sistema que existe para desconstruir a sociedade inteira (inclusive as famílias, a Igreja, as instituições) e reconstruí-la sobre novos fundamentos, que não a verdade e o bem, deve ser rejeitado com a máxima energia.

Nos tempos de Pio XII, quando os socialistas iriam vencer as eleições na Itália, ele se reuniu com o presidente da Ação Católica italiana e pediu que cada membro visitasse a casa de cada católico, explicando a malícia do socialismo com termos simples, catequéticos: -- o pobre tem duas vaquinhas, o rico tem oito; os comunistas dizem que as dividirão por igual, cinco para o rico, cinco para o pobre; isto é mentira, no final das contas, eles tomarão as dez vacas de ambos e darão a cada um apenas o que quiserem.

Com argumentos deste tipo, os comunistas italianos foram vencidos em 1948. Talvez, hoje, a razão de nossos contemporâneos esteja tão violentada que não consigam entender sequer isso. Cabe a nós inventarmos modos de pedagogicamente os instruir.

Digo apenas que, neste sentido, nosso maior esforço deve ser entender racionalmente isto e explicá-lo com simplicidade e clareza. Sem isto, Pio XI continuará sendo jogado para baixo do tapete, juntamente com todos os papas que o reverberaram ao longo da história, e a vitória será historicamente entregue às mãos de Antonio Gramsci et caterva.

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Papa Francisco e os bolivarianos

Escrito por Frei Clemente Rojão OAAO/ no Frei Rojão

Eu já passei da saia justa faz tempo. Estou no biquíni cavadão, estou no espartilho... 

Bem, quando morreu Dom Tomás Balduíno, um dos mais nefastos e anticristãos bispos a pisar este solo amaldiçoado pelo pecado, eu escrevi uma novelinha descrevendo sua descida aos Infernos. Foi muito divertido parodiar a Divina Comédia e a Eneida, e até que fui gentil e engraçado em certos momentos. O grande fio condutor era que ao apoiar o MST, tornava-se cúmplice de seus crimes, de suas destruições, de seus roubos, de seus homicídios. Pura doutrina católica, velha feito os dez mandamentos. Confesso não ter tido nem dez segundos de má consciência por fazer a inferência da perdição de Dom Tomás, e quanto mais revisava sua vida, mais vontade tinha de escrever novos tormentos esdrúxulos e dantescos para ele passar a eternidade. 

Bem, eis que nosso amado papa Francisco recebe o MST e diz palavras doces de estímulo a eles. 

Vocês vão dizer que sou inimigo do papa Francisco e fazer campanha de boicote à minha página só porque não fingi que o papa não recebeu o MST e demais bolivarianos como Evo Morales, porque não ignorei que o pontífice falou palavras doces de estímulo a eles???

Tristes tempos em que lealdade à Cátedra é fechar os olhos!!! Nem na corte do papa Bórgia se exigia tanto! Agora por favor recortem algum trecho de Pio X fora do contexto e tema para dizerem que sou pior que Lutero apenas por achar que ter recebido Stédile no Vaticano é um tapa na cara de tanto trabalhador rural honesto que morreu nas unhas destes piratas do campo!

Parem o mundo que quero descer! Este pontificado é uma usina de escandalização. Nem falarei das entrevistas, do Sínodo das Famílias, da omissão no assunto do Oriente...

Convenhamos, o bailezinho de prostitutas nuas na corte do papa Borgia escandaliza menos e causa menos danos. Afinal, quem peca na carne já compensa no arrependimento e conversão, mas quem peca roubando só se salva se restituir (O sermão do Bom Ladrão do padre Vieira é excelente para ensinar isto). É mais fácil de fato uma prostituta que um ladrão se salvar. Acrescente ai o homicídio sem contar a pérola do comunismo ateu e excomungado que temos verdadeiras boias de chumbo para te atirar aos Infernos.

Antes o papa Francisco bailasse com putas que recebesse estes canalhas bolivarianos no Vaticano. 

Vamos lá, Cleaners, vocês que alvejam tudo o que o papa faz e fala, por favor, limpem essa. Digam que não foi assim. Por favor! Eu quero acreditar!!! Eu vou acreditar em vocês!! Por favor!!!

O PT deseja implantar uma ditadura bolivariana e terá as bençãos da CNBB como linha auxiliar de sua reforma política. Pelo visto não só dela... Well, que não digam mais não ser a CNBB uma Igreja não-alinhada com Roma.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Sobre fraude eleitoral nas urnas eletrônicas da organização PT


Escrito por Francis Lauer* e publicado no site Mídia Sem Máscara

Foram utilizadas 428.894 urnas eletrônicas para contabilizar os votos de 112 milhões de eleitores que compareceram. Cada urna recebeu, em média, 261 votos.

O relatório fraudulento apresentado pela autoridade máxima do processo eleitoral, Dias Toffoli (advogado do PT), diz que a Dilma recebeu 3.5 milhões de votos a mais do que o Aécio Neves. Ou seja, bastaria transferir metade dessa diferença "mais um" de um candidato apra o outro para mudar o resultado (1 milhão e 700 mil votos +1).
Isso pulverizado em 428.894 urnas significa a fraude de apenas 4 votos por urna (1.5% dos votos considerando-se a média de 261 votos por urna). Para fazer a fraude basta que 4 pessoas que não compareceram tenham seus votos computados pelo sistema (pessoas mortas, por exemplo), ou que 4 votos nulo/branco sejam computados para a Dilma. Ou uma combinação disso.

Outro ponto: 1 milhão e 700 mil votos equivale ao total de 6513 urnas, apenas 1.5% de todas as urnas em operação. Bastaria que 1.5% das urnas fossem totalmente fraudadas. 98.5% das urnas restantes ficariam absolutamente intactas.

Veja, não estou dizendo que "foi assim que aconteceu" (eu não acredito que a votação tenha sido apertada, acredito que o Aécio Neves venceu por larga vantagem, pois todos os BUs que vi diziam isso), o que estou dizendo é que fazer uma auditoria popular é procurar uma agulha no palheiro e o fraudador Dias Toffoli possui ampla vantagem tática para distribuir, esconder e alterar os votos onde bem entender. Ele pode até mesmo escolher "a dedo" quais urnas terão seus dados modificados. Só em SP-RJ-MG-RS existem 193.600 urnas disponíveis. Existem centenas de cidadezinhas perdidas pelo Brasil inteiro. Existem 30 milhões de eleitores que não compareceram, muitos dos quais por estarem mortos.

O principal a ser dito, porém, é o seguinte: o Dias Toffoli NÃO TEM como provar a idoneidade desse processo eleitoral. É impossível para ele dar prova cabal que definitivamente não houve NENHUM tipo de fraude.
*
O primeiro dia após a reeleição (fraudulenta) da Dilma inicia com a Petrobras perdendo, num único dia, 13% do seu valor de mercado e com o Dólar a R$ 2,54 (estava R$ 2,23 no início de setembro e R$ 1,67 no início de 2011).

O que isso significa? Significa que os ricos estão abandonando o país.

Entre outras coisas isso indica que a Dilma Rousseff terá dificuldades em implantar suas parcerias público-privadas nos projetos de infraestrutura e que a geração de empregos e atração de investimentos será dificultada. (Sabe aquele prefeito de cidade pequena que tenta atrair uma fábrica para a cidade? Pois é.) Se isso acontecer como é que ficam as pessoas que fizeram um Pronatec?
*
Os petistas infalivelmente terão um banho de água fria ao longo dos próximos meses/anos. É aquilo que a Dilma dizia nos debates: "A receita é a mesma, a cozinheira é a mesma, a cozinha é a mesma". O governo Dilma (que é ilegítimo) continuará acumulando maus resultados em consequência das políticas do primeiro e segundo governo Lula e, agora, do primeiro governo Dilma. Quem será prejudicado? É óbvio que a população mais pobre. A administração de um país baseada no comunismo ("socialismo") é SEMPRE aviltante aos mais pobres. As pessoas ricas e as pessoas mais ou menos remediadas podem simplesmente sair do país.

O governo americano DÁ greencard para estrangeiros que tenham US$1.000.000. Inúmeros países muito melhores, mais bonitos e mais pacíficos do que o Brasil fazem isso.
*
A ampla maioria dos brasileiros votou corretamente, contra o PT, ou seja, no Aécio Neves. Até mesmo nas regiões consideradas mais propensas às manipulações populistas. A questão não é como as pessoas votaram, mas COMO um advogado do PT posto pelo PT como autoridade máxima do processo eleitoral contabilizou os votos.

Quando se está diante uma ‪#‎fraude‬ eleitoral nمo hل sentido em fazer anلlises do comportamento do eleitor baseado numa informaçمo que é FALSA.
*
A nova democracia petista-forista começa assim: impedir que um grupo de trabalhadores (os empresários) financiem políticos que representem os seus interesses e os interesses de seus funcionários e clientes. Enquanto abstração é o tipo de idéia que parece boa, mas na prática significa a exclusão do processo político daqueles que geram empregos e produzem bens para a sociedade.

Não acredito que isso excluirá um oligopólio como a Friboi ou a Petrobras do processo político, mas certamente excluirá ou criará obstáculos aos "Silva & Silva" uma agro-empresa média composta por dois irmãos que plantam arroz, ou o "Souza e Filho" que possui uma mecânica de chapeamento e pintura, ou ainda o "Luz & Cia. Ltda" que possuem um mercadinho de bairro e que vivem de um modesto pró-labore.

Ou seja, a nova democracia petista-forista que diz querer aumentar a democracia faz, na verdade, o contrário.

Ao mesmo tempo há a defesa do financiamento público da campanha que nada mais é do que dar aos políticos no governo, segundo critérios desenvolvidos pelo próprio governo, o dinheiro tomado dos empresários através dos impostos extorsivos.

Os sujeitos são excluídos do processo democrático e, ato contínuo, são obrigados a arcar com o financiamento dos políticos que os excluíram do processo democrático.

É uma beleza!

Por essas e outras: ‪#‎ImpeachmentJÁ‬

*Francis Lauer é tradutor.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Roubalheira na Petrobras: Dilma e Lula sabiam de tudo disse o doleiro Youssef. É caso de impeachment


Escrito por Reinaldo Azevedo no Blog do Reinaldo na Revista Veja
Aquilo que os petistas tanto temiam desde o começo aconteceu: a operação Lava Jato bateu em Luiz Inácio Lula da Silva, ex-presidente da República, e em Dilma Roussef, Eles sabiam da roubalheira vigente na Petrobras. É o que o doleiro Alberto Youssef assegurou à Polícia Federal e ao Ministério Público no curso do processo de delação premiada. Está na capa da VEJA, que começa a circular daqui a pouco. Eis a imagem. Volto em seguida.
Eu poderia engatar aqui aquela máxima de Carlos Lacerda sobre Getúlio Vargas, só para excitar a imaginação de Lula, trocando a personagem. Ficaria assim: “A Sra. Dilma Rousseff não deve ser eleita. Eleita não deve tomar posse. Empossada, devemos recorrer à revolução para impedi-la de governar.”

Mas aqueles eram tempos em que as pessoas prezavam muito pouco as instituições, a exemplo de certos partidos que estão por aí. Eu não! Eu prezo a lei e a ordem. Eu prezo a Constituição do meu país. Eu prezo os Poderes constituídos.

Se as acusações de Youssef se confirmarem, é claro que Dilma Rousseff tem de ser impedida de governar caso venha a ser reeleita, mas em razão de um processo de impeachment, regulado pela Lei 1.079, que estabelece:
Art. 2º Os crimes definidos nesta lei, ainda quando simplesmente tentados, são passíveis da pena de perda do cargo, com inabilitação, até cinco anos, para o exercício de qualquer função pública, imposta pelo Senado Federal nos processos contra o Presidente da República ou Ministros de Estado, contra os Ministros do Supremo Tribunal Federal ou contra o Procurador Geral da República.

E o texto legal estabelece os crimes que resultam em perda de mandato. Entre eles, estão:
- atuar contra a guarda e o legal emprego dos dinheiros públicos;
- não tornar efetiva a responsabilidade dos seus subordinados, quando manifesta em delitos funcionais ou na prática de atos contrários à Constituição;
- proceder de modo incompatível com a dignidade, a honra e o decoro do cargo;

Se é como diz Youssef — e lembro que ele está sob delação premiada; logo, se mentir, pode se complicar muito — , pode-se afirmar, de saída, que Dilma cometeu, quando menos, essas três infrações, sem prejuízo de outras.

Trecho do diálogo de Youssef com o delegado:
— O Planalto sabia de tudo!
— Mas quem no Planalto?, perguntou o delegado.
— Lula e Dilma, respondeu o doleiro.

Se Dilma for reeleita e se for verdade o que diz o doleiro, DEVEMOS RECORRER ÀS LEIS DA DEMOCRACIA — não a revoluções e a golpes — para impedir que governe. Afinal, nós estamos em 2014, não em 1954.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

As mãos limpas dos puristas católicos

As mãos limpas dos puristas
Escrito por Sidney Silveira* no Blog Contra Impugnantes
MUITAS PESSOAS QUE CONHEÇO estão expondo-se, por mero senso de dever cívico, ao denunciar o que significaria uma vitória do PT nestas eleições. Serão perseguidas de diferentes maneiras em caso de vitória da estrela vermelha, tenham a mais rotunda certeza. Outras pessoas, entre as quais se encontram muitos católicos de boa-fé, agora lavam as mãos olimpicamente — com o argumento de que, no plano espiritual, PT e PSDB não diferem em gênero, mas apenas em espécie e em grau (o que, a propósito, não é novidade para nenhuma pessoa razoavelmente formada, ou seja, com certo conhecimento a respeito da história das idéias políticas e de sua materialização no decorrer dos séculos).

O problema é simples: a água está na altura do pescoço, subindo, e é preciso manter a cabeça fora dela antes que o Foro de São Paulo "cubanize" e "venezuelize" o Brasil de vez — e, então, estes novos Pilatos perderão o ar olímpico de superioridade e verão a porca torcer o rabo, pois sem um mínimo de liberdade política não há chance de vida espiritual.

Como aliás sabia muito bem Santo Tomás de Aquino.

Os cristãos das catacumbas nunca desistiram de conseguir alforria política; ademais, não esperemos que a sociedade se espiritualize sozinha, muito menos por ação da atual hierarquia da Igreja Católica — que é PODRE, sob os mais variados aspectos.

Seja como for, se porventura Aécio Neves vencer estas eleições (coisa na qual acredito apenas na hipótese de se conterem as fraudes), estes que hoje se omitem acabarão por se beneficiar do respiro necessário para a sobrevida do país, cujas instituições serão em grande parte DESAPARELHADAS.

Meus caros, o ótimo é inimigo do bom, como ensina a sabedoria popular, sobretudo quando a excelência é circunstancialmente impossível. Ademais, encastelar-se numa posição "doutrinal" quando o pau está quebrando é como querer discutir metafísica com o traficante Fernandinho Beira-Mar, ou explicar os elevados princípios da teologia tomista ao ex-presidente Lula — analfabeto funcional por obstinação culpável.

Da água que lava as vossas mãos eu não quero beber, nem posso cerrar fileiras ao lado de quem abandona totalmente um dos gládios (o material), a pretexto de defender o plano espiritual, quando ainda é possível agir com estratégia para a sobrevivência.

P.S. O apoio a Aécio não pode ser programático nem propriamente político, para um católico, mas QUESTÃO DE SOBREVIVÊNCIA, de sobrevida para — quem sabe? — mais à frente ser possível aparecer uma força política que ao menos não fira a lei natural. Será que as pessoas não vêem que na Bolívia até ameaçados de ser chicoteados foram os eleitores? Será que não vêem o que ocorre na Venezuela? Será que não vêem os princípios reitores do regime comunista cubano, da qual o PT é parceiro? Não vêem que essas verdadeiras ditaduras esquerdistas são financiadas pelo PT? Em suma, nenhum católico está desobrigado de defender a sua própria família, e os que não enxergam o recrudescimento da posição bolivariana no Brasil estão acometidos duma cegueira voluntária grandemente culpável.

Os 10 pecados capitais da política econômica do governo da organização PT


Escrito por Fernando Ulrich* e publicado no site Mídia Sem Máscara

O brilhante economista Thomas Sowell certa vez disse que:

A primeira lição da economia é a da escassez: nunca há uma quantidade suficiente de alguma coisa de modo a satisfazer todos que a desejam. 
Já a primeira lei da política é ignorar a primeira lição da economia.


A política econômica do governo tem insistido em ignorar as leis econômicas. Mas as leis econômicas não têm ideologia. E, assim como a lei da gravidade, as leis econômicas agem inexoravelmente sobre todas as pessoas (e governos também!).
Vejamos os dez pecados capitais da política econômica do governo Dilma.

1. Inflação
A definição clássica de inflação é 'aumento na quantidade de dinheiro na economia'. O que causa esse aumento da quantidade de dinheiro na economia é a expansão do crédito feita pelo sistema bancário, que pratica reservas fracionárias, e pelo Banco Central, que protege e dá sustentação a este sistema. (Mais detalhes aqui). 
Aumento de preços, portanto, é uma mera consequência da inflação. A desvalorização da moeda é a consequência dessa política de inflação.

Não é culpa da China nem da falta (ou excesso) de chuvas. Tampouco são o tomate ou o chuchu os grandes vilões da inflação. Por meio do Banco Central, somente o governo pode imprimir moeda. A leniência com a perda de poder de compra do real está cada vez pior. O centro da meta da inflação já não é perseguido há alguns anos, e não há perspectiva de atingi-lo rapidamente. O IPCA dos últimos 12 meses está em 6,75%.

2. Bancos Públicos
Fazendo ressurgir os velhos problemas das décadas perdidas, hoje os bancos públicos são responsáveis por mais da metade de todo o estoque de crédito no país. E como a expansão creditícia é essencialmente uma forma de criar moeda, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e BNDES são hoje grandes motores da inflação brasileira.
Veja todos os detalhes aqui.

3. Controle de preços
Se controlar os preços funcionasse, o Plano Cruzado teria sido um sucesso.
O preço da energia elétrica é controlado, o preço do petróleo está artificialmente represado, as tarifas de transporte público são determinadas por vontade política, o preço do crédito (taxa de juros) é manipulado etc.
E apesar disso tudo, o IPCA está acima do teto. Alguém acredita que esse índice realmente reflete o aumento do custo de vida da classe trabalhadora?
Controlar preços é receita para o desastre.

4. Maquiagem das contas públicas
Qual o déficit orçamentário do governo? Com ou sem os dividendos do BNDES? Com ou sem os restos a pagar? A dívida líquida desce, mas a dívida bruta só sobe? Qual importa?
Transparência não é o forte deste governo. E as contas públicas estão cada vez menos inteligíveis. Querem esconder os sintomas, mas a doença permanece intocada. O quadro fiscal está cada vez mais preocupante, e maquiar o problema só piora a situação.

5. Estatais
Esse item mereceria uma lista própria, pois a quantidade de estatais sendo usadas para condução da política do governo é infindável.
Seja a Petrobras tabelando preços do petróleo em território nacional, seja a Eletrobras destruindo seu próprio caixaao reduzir as tarifas de maneira populista, seja o BNDES direcionando crédito subsidiado aos campeões nacionais eleitos pelo governo, o uso político de empresas importantes à economia nacional é temerário.
Já vimos esse filme antes. E nos custou muito caro. Os prejuízos começam a avolumar-se. Em algum momento a conta irá chegar e, como sempre, quem paga são os mais pobres, com juros e correção monetária.

6. Falta de Investimentos
Uma economia só cresce de forma sustentável com aumento de produtividade. E para isso é preciso poupança e investimentos, duas varáveis que despencaram no governo Dilma.
Especialmente no setor privado, falta confiança e regras claras para poder investir. O enorme programa de concessões está sendo um fracasso. As excelentes oportunidades na área de infraestrutura permanecem sem serem aproveitadas. E não é por falta de apetite dos investidores (domésticos e internacionais).
Com infraestrutura precária, o custo Brasil inviabiliza diversos investimentos.

7. Hiperatividade e microgerenciamento da economia
Alguém se lembra quantos pacotes de estímulos foram lançados pelo Ministro Mantega nos últimos anos? Nada menos do que trinta!
Reduz imposto daqui, sobe acolá, concede subsídios ao setor agrícola, remove isenções do setor XPTO, altera alíquota do IPI temporariamente de forma permanente, estimula a linha branca, desestimula a linha preta, determina a taxa de retorno dos investidores das concessões de infraestrutura, aumenta as tarifas de importação para "estimular" a indústria nacional etc.
É pacote demais e arbitrariedade demais. Como diz o velho ditado: muito ajuda quem não atrapalha. Neste ponto, menos é mais.

8. Crescimento econômico, incerteza e desconfiança
Todos esses pontos geram o pior sentimento possível na economia: a insegurança.
A incerteza sobre o que o governo fará amanhã paralisa os empresários. A incerteza sobre novas políticas gera desconfiança nos investidores internacionais.
A economia patina e os trabalhadores começam a sentir insegurança com relação a sua própria estabilidade de emprego e, consequentemente, adiam compras mais relevantes.
Nesse cenário, crescimento econômico é milagre.

9. Errar é humano, botar a culpa nos outros mais ainda
Aos olhos da equipe econômica, se há alguma patologia na economia brasileira, a culpa é externa.
Ora é a crise financeira, ora é o desaquecimento chinês, ora é a safra agrícola mundial, ora é a política do Federal Reserve, ora são os preços das commodities etc.
Já é passada a hora de olhar para o próprio umbigo.

10. Equipe econômica
Dilma acha que entende de economia, Alexandre Tombini obedece, Guido Mantega é keynesiano e Arno Augustin é marxista. Deste pecado, decorrem todos os outros.
Adicione uma boa dose de corrupção e uma grande pitada de burocracia e os males da política econômica do governo se tornam ainda piores.
É preciso mudar. Mudar já. Mas quem está no comando não concorda com esse diagnóstico. Desconhecem ou ignoram a doença. Quem está no comando não quer mudar a fórmula, apenas alterar a dose. Remédio errado e na dose errada.
No curto prazo, para tentar curar o paciente, só nos resta tentar mudar quem está no comando.

*Fernando Ulrich é mestre em Economia da Escola Austríaca, com experiência mundial na indústria de elevadores e nos mercados financeiro e imobiliário brasileiros. É conselheiro do Instituto Mises Brasil, estudioso de teoria monetária, entusiasta de moedas digitais, e mantém um blog no portal InfoMoney chamado "Moeda na era digital". Também é autor do livro "Bitcoin - a moeda na era digital".

Publicado no site do Instituto Ludwig von Mises Brasil - http://mises.org.br

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Você prefere ser livre de verdade? Então trabalhe para derrotar a organização PT

Não! Esta não é uma eleição que possamos perder. Não! Esta é a última eleição que podemos vencer. Definitivamente.
Por Coronel do Blog do Coronel
Não estamos vivendo um momento comum da nossa frágil democracia.
Podemos estar vivendo o seu último suspiro.
Se Aécio Neves, que representa a mudança, não vencer esta eleição, nunca mais os que estão no comando sairão do poder. 
E numa espécie de reich esquerdista de mil anos a nossa democracia definhará.
Lenta e inexoravelmente.
Por que nunca mais o nosso pensamento liberal vencerá?
Porque o estado será definitivamente aparelhado por esta quadrilha de corruptos que está acabando com a economia do país e, principalmente, com as sua instituições.
Eles já tem em mãos 40% dos votos, com a Bolsa Família.
A nova escravidão.
E não estão tendo o mínimo remorso em ameaçar as pessoas mais pobres com o fim do benefício.
Ministros de estado estão fazendo isso.
A ministra dos Direitos Humanos instalou uma central de telemarketing no seu comitê para pressionar e chantagear os beneficiários dos programas sociais com o fim dos mesmos, se a atual presidente da República não for reeleita.
Algum órgão de imprensa repercutiu? 
Não, ignoraram o fato que, pelo seu simbolismo, deveria ter sido usado como exemplo.
Mas não é só a Bolsa Família.
Todos os programas de governo em Saúde, Habitação, Educação já nascem com a marca da divisão medonha do país entre os pobres e os ricos. 
O ódio está virando política de estado.
E o medo a sua arma mais poderosa.
Pasmem! Dois governadores do Nordeste estão em São Paulo para fomentar o ódio dos nordestinos que vivem no maior estado do país contra os "tucanos".
Estão correndo as periferias para implantar o pânico entre o eleitorado mais humilde. 
Não trabalham e ninguém denuncia, nenhuma autoridade se manifesta, nem Igreja, nem Imprensa, ninguém!
Nem vamos falar de Lula e da sua boca cancerosa, um verdadeiro biodigestor, de onde saem os piores dejetos, uma coleção de ofensas baixas e imorais contra o adversário, como jamais visto na História do País.
Se eles vencerem, nunca mais quem, como nós, quer liberdade de imprensa, livre iniciativa, segurança jurídica, elegerá um Presidente da República.
Não é possível aceitar os atos de banditismo que estão sendo cometidos contra Aécio Neves, de forma oficial, com mentiras e calúnias que esta Imprensa que será a primeira a ser amordaçada apenas cobre, sem posicionamento e sem crítica, como se estivéssemos vivenciando acontecimentos normais numa democracia.
Não é! Estão sendo cometidos crimes em cima de crimes contra um dos candidatos, assim como foram cometidos contra outra candidata, que foi destroçada e destruída por estes assassinos de reputações.
Não se trata de uma eleição, senhores e senhoras, brasileiros e brasileiras.
Se trata da última eleição!
Ou vencemos ou podemos nos recolher a nossa insignificância, pois seremos aquele país que um dia sonhou em ser uma potência.
Teremos o proletariado pobre.
Teremos uma casta de funcionários públicos.
Teremos a classe política.
Teremos os cartéis e as estatais para subornar os políticos.
Teremos infinidade de pequenos negócios voltados para a sobrevivência.
Teremos nós, os amordaçados, ameaçados, perseguidos, escorraçados, que serão empobrecidos pela carga tributária e pelo engessamento da economia.
Os 50 milhões que vivem de Bolsa Família e não são considerados desempregados seguirão sendo sustentados pelo Estado, no limite da sua necessidade de proteínas para sobreviver.
Sem futuro, sem sonhos, mas com uma ralo prato de comida garantido pela cartão de plástico amarelo.
E, a cada quatro anos, serão convocados para um plebiscito, onde a escolha será: você quer que a Bolsa Família continue, vote 13: se quiser que ela acabe, vote no outro candidato.
A campanha eleitoral não será de três meses. Ela será, depois de agora, de quatro anos, sem nenhum limite.
Podemos reagir?
Podemos, usando as mesmas armas que eles usam, porque não se vence uma guerra bacteriológica como a que eles estão travando, inoculando o vírus da calúnia e da mentira em gente mal informada, usando espadas. 
É preciso que, se empresários, reunamos os nossos empregados e mostremos a eles que, se perdermos esta eleição, muitos deles perderão os empregos. Isso é verdade. Façamos isto na próxima sexta-feira.
É preciso que, se donas de casa, chamemos a nossa doméstica e a informemos que se perdermos esta eleição o país entrará em recessão e será difícil que mantenhamos o conforto da nossa casa, pois teremos que cortar despesas. Façamos isso na próxima sexta-feira.
É preciso, se pais, que chamemos os nossos filhos e peçamos a eles para terem consciência do seu voto, pois estamos, sim, vivendo um momento dramático para o futuro do país. Façamos isto no próximo sábado.
Nossa arma é a verdade e é ela que devemos brandir sem medo, pois só ela vencerá esta carnificina que esta esquerda suja e nojenta está promovendo, ignorando qualquer limite da ética.
Não esqueçamos!
Esta não é uma eleição que podemos perder.
Esta é a última eleição que poderemos vencer.
Mas para vencer, temos que jogar duro, jogar sujo, jogar o jogo deles.
Você está pronto?

domingo, 19 de outubro de 2014

O socialismo do PT expulsou pobre dos voos aéreos. Pobre VIAJAVA de avião quando as passagens foram barateadas pela concorrência capitalista da GOL

Carlos Moschen*/. Publicado no Blog do Frei Clemente Rojão
Pobre passou a andar de avião por causa da GOL LINHAS AÉREAS, não do PT!!! Foi a Gol que originalmente trouxe o conceito de aviação Low-Cost. Eu disse trouxe, porque não conseguiu sustentar. Mesmo a Webjet e a BRA que vieram depois não aguentaram.

Por quê? Porque graças ao PT nossos aeroportos são pardieiros piores que banheiros de rodoviárias, a Infraero não consegue nem construir um galinheiro, a Anac não conseguiria nem ser síndica de um prédio de 6 apartamentos.

Pobre não anda mais de avião graças ao PT. A incompetência petista foi tamanha na area que tiveram de se ajoelhar para alguma empresa internacional querer Guarulhos, Confins e Galeão, os maiores. Imaginem agora os aeroportos em Quiprocó do Judas... E as taxas aeroportuárias, então??? R$20,00 para uma titica de embarque doméstico. Vocês acham que cada passageiro merece pagar vinte reais para sentar num saguão mal refrigerado???

E quem consegue pagar? Uma passagem para o Ceará do Rio supera facilmente os mil reais (mais 40 de taxa aeroportuaria). Quem ganhando salário mínimo paga isso? Uma Rio-SP as vezes chega a mil reais!!! Isso é para pobre? Até os remediados vão de Dutra assim!!! Não, petistas, vocês condenam o pobre a se arriscar na BR-101 mesmo, no busão. Sem Airbus para pobre na gestão PT, é Rodobus mesmo!

Nem vou falar da culpa do governo LULA no acidente de Congonhas, onde 199 pessoas foram imoladas no altar da incompetência petista na gestão aérea. Basta verem que até o combustível de aviação da Petrobrás foi batizado. Também não falarei dos 800 aeroportos de mentira que a Dilma faria...

Voar no Brasil é caro e demorado, e é caro e demorado para não ser mais perigoso, superlotado e as próprias aéreas estão voando no fio da navalha financeira.


terça-feira, 14 de outubro de 2014

Cidades vazias, desertos populacionais, desperdício de vidas humanas, acúmulo de infelicidades, prisões de inocentes, assassinatos de fetos ou de bebês é o resultado da aplicação do socialismo na China. A organização PT conduz o Brasil para o mesmo desastre

Babeis vazias na China
Escrito por Luís Dufaur*, 14/10/2014, e publicado no blog Pesadelo Chinês
Kangbashi: não e filme fiction mas é mais uma cidade fantasma da China
Kangbashi: não e filme fiction mas é mais uma cidade fantasma da China
É uma cidade fantasma, mas não é um cenário de novela. Está despovoada, mas não é uma cidade como as da Antiguidade. 

Kangbashi, na Mongólia Interior, norte da China, pode dar moradia a um milhão de habitantes, más nela só há 50.000 pessoas, noticiou“La Nación” de Buenos Aires. 

É um cidade brilhante pela sua modernidade. Milagre da planificação socialista, ela possui largas avenidas, enormes prédios, parques impecáveis e gigantescos shoppings, além de um museu e uma pista de corrida de carros ‘novinha em folha’. 

Só que não tem gente. 

Kangbashi está no meio das estepes da Mongólia, a 23 km de Dongsheng, capital de Ordos, uma das 12 zonas da região. 

O problema foi a sua má planificação. Ela é até um símbolo do erro crasso de se pretender fazer uma urbanização planificada, nos moldes que os Planos Diretores esquerdistas no Brasil tentam a seu modo imitar. 

O pesadelo começou assim: na região de Ordos foram descobertas jazidas de carvão, gás natural e “terras raras”. A partir dali começaram as elucubrações cerebrinas de uma futura metrópole invejável. A iniciativa privada foi banida de vez. 

A abissal diferença entre o cálculo e o produto final não pode ser reconhecida, sob pena de crime contra a sabedoria dos dirigentes totalitários do PC. 
Kangbashi: o asfalto já esta rachando mas os carros não passam
Kangbashi: o asfalto já esta rachando mas os carros não passam
Mais ainda, o responsável pelas relações públicas da cidade fantasma, Chai Jiliang, sublinhou no jornal oficial China Daily que o absurdo descompasso faz parte de um plano estratégico! Plano esse que ele obviamente não explicou, estratégia que nem sequer disse no que consiste.

Desde 2013 a China construiu por volta de 20 cidades e distritos fantasmas. 

No passado, a criação por Deng Xiao Ping de “Zonas Econômicas Especiais” favoreceu a instalação de fábricas de empresas capitalistas privadas e a aparição de gigantescos centros urbanos exportadores e importadores. 

Shenzhen e Pudong, em Xangai e Zhengdou, são exemplos. 

Mas a bonança econômica internacional já não está para isso. Capitais e indústrias até estão saindo da China. 

Mas o Partido precisava exibir resultados econômicos fulgurantes, inclusive em plena recessão planetária, para justificar a crescente projeção chinesa no mundo todo. 

Então as cidades fantasmas encheram os números do PIB, obedecendo às dogmáticas indicações do poder central. Mas já não dá mais, como disse Gary Liu, diretor executivo do Instituto Internacional Lujiazui, ao jornal espanhol El País. 

As vendas imobiliárias caíram mais de 10% entre janeiro e maio deste ano em 71 das 100 cidades acompanhadas pelo Sistema de Índice Imobiliário da China. Só em Pequim a queda foi de 34,8%. 

Fiel a seu infalível dirigismo, o socialismo anunciou um “Novo Plano de Urbanização Nacional 2014-2020” que custará US$7 bilhões. 
Kangbashi: a cidade que não nasceu mas já tem seu museu
Kangbashi: a cidade que não nasceu mas já tem seu museu
Imperturbável em face do naufrágio deste “Titanic” de dimensões continentais, o governo anunciou que a urbanização artificial prosseguirá, porque “é um poderoso motor para o crescimento econômico num ritmo sustentável”. O slogan soa lindo aos ouvidos ambientalistas, mas não por isso o plano de urbanização é menos insustentável.

Haverá, pois, mais cidades e distritos fantasmas. Nelas, os exíguos habitantes como os de Kangbashi usufruem de benefícios exclusivos como ônibus grátis (poderíamos enviar muitos desordeiros brasileiros para fazer experiência lá), impostos quase zero e serviços subsidiados. 

Algum dia a verdade baterá à porta e o desastre ficará exposto a todos os ventos. E isso talvez aconteça antes mesmo de esses fantasmas de cimento terem sido completados. Como Babel há alguns milênios atrás...
* Luís Dufaur edita o blog Pesadelo chinês.

domingo, 12 de outubro de 2014

A Prova de Fogo dos Mineiros Chilenos - Quatro anos de aniversário da saga dos sobreviventes do desabamento da Mina de São José no Chile

Publico a sugestão do colaborador Timóteo Kühn:
Segue sugestão de artigo traduzido para publicar no dia 12 de outubro, aniversário de 4 anos do resgate dos mineiros chilenos. Achei interessante este artigo porque aborda o episódio do ponto de vista espiritual.
O original está aqui:

http://www.newyorker.com/magazine/2014/07/07/sixty-nine-days
Crônicas da Sobrevivência
Sessenta e Nove Dias
A Prova de Fogo dos Mineiros Chilenos.
por Héctor Tobar, 07 de Julho de 2014
A setecentos metros abaixo do nível do solo, homens cobertos de fuligem notaram um gemido resmungando à distância—o som de várias toneladas de rocha caindo em cavernas nas profundezas da montanha. “A mina está chorando,” disseram entre si.

A Mina de San José está situada dentro de uma montanha arredondada, rochosa e sem vida no Deserto de Atacama, no Chile. Cerca de uma vez por década, um sistema de tempestades varre o deserto, derramando uma torrente de chuva. Quando isso acontece, a poeira se transforma em lama tão grossa quanto concreto recém-derramado. Charles Darwin passou brevemente por este canto do Atacama em 1835. Em seu diário, descreveu o deserto como “uma barreira muito pior do que o oceano mais turbulento.”

Nos confins do deserto, os mineiros são a única presença viva evidente; viajam em caminhões e ônibus para as montanhas, que contêm ouro, cobre e ferro. Os minérios atraem trabalhadores de todo o Chile para o Atacama. Na noite de 3 de Agosto de 2010, Juan Carlos Aguilar iniciou uma viagem de ônibus de mais de mil e quinhentos quilômetros para chegar à Mina de San José, partindo das florestas temperadas e chuvosas perto de Valdivia. Raúl Bustos saiu para trabalhar na manhã seguinte, da cidade portuária de Talcahuano, mil e duzentos quilômetros ao sul da mina. Viajou ao longo de uma paisagem plana cheia de estufas, de tratores e dos campos de cultivo do coração agrícola do Chile, passando pela cidade de Talca, onde José Henríquez, um homem alto, cristão devoto, embarcou em outro ônibus. Mario Sepúlveda, quarenta anos de idade, pai de dois filhos, tomou um ônibus na periferia de Santiago, a oitocentos quilômetros de distância.

Quando os homens chegaram à cidade portuária de Coquimbo, a quase quatrocentos quilômetros da mina de San José, tomaram o caminho que Darwin havia percorrido. Na época de Darwin, o país tinha apenas vinte e cinco anos de idade, e a pequena expedição do pesquisador viajou por terra com quatro cavalos e duas mulas, fazendo registros sobre a geologia do Chile e sua flora e fauna.

Na vila de Caleta Los Hornos, os homens nos ônibus vislumbraram o Oceano Pacífico enquanto a Autoestrada Pan-Americana passava ao longo da praia. Quando viajava pela região, Darwin viu uma colina que estava sendo minerada, “permeada de orifícios, como um enorme formigueiro.” Ao rumar para o norte, deparou-se com o funeral de um mineiro; os que levavam o caixão estavam vestidos com camisas de lã longas e escuras, aventais de couro, e cintos de cores claras.

Os homens da mina de San José também haviam passado pelo luto da perda de companheiros de trabalho, e haviam visto amigos serem mutilados por explosões repentinas de rocha aparentemente sólida. No subsolo, construíram um mausoléu para uma das vítimas. Raúl, relativamente novato em San José, levava um rosário consigo.

Em troca de bons salários, os homens aceitavam a possibilidade da morte. Cada mineiro ganhava pelo menos mil e duzentos dólares por mês— o triplo do salário mínimo do Chile—trabalhando jornadas de sete dias, divididas em turnos de doze horas que mantinham a mina produzindo incessantemente.

No terminal de ônibus em Copiapó, a cidade mais próxima da mina, os homens descarregaram as malas e fizeram uma corrida curta em táxis compartilhados para os alojamentos onde deveriam dormir pelas sete noites seguintes. Na manhã seguinte, seguiram de ônibus em direção ao interior do Deserto de Atacama, finalmente chegando ao acesso à Companhia de Mineração San Esteban e à mina de San José. As construções na encosta da colina entram em foco: bangalôs administrativos, vestiários, cafeterias—estruturas corroídas de madeira, folha-de-flandres e aço.

A rocha que forma as montanhas ao norte de Copiapó nasceu do magma da Terra há mais de cento e quarenta milhões de anos. Por várias eras, um caldo rico em minerais brotou através das fissuras do Sistema da Falha do Atacama. Depois de algum tempo, o caldo solidificou-se, tornando-se minério em camadas entretecidas com veios de quartzo, calcopirita e outros minerais.

A mina de San José era quase tão profunda quanto a altura do maior edifício do mundo. Partindo da superfície, o caminho até a parte mais inferior era de cerca de seis quilômetros. No subsolo, onde homens haviam estado escavando em busca de ouro e cobre desde 1889, a mina expandia-se como uma cidade-iceberg. Estradas levavam a espaços interiores esculpidos por explosões e máquinas, caminhos para galerias e cânions artificiais. A cidade tinha seu próprio clima, com temperaturas que subiam e caíam, e brisas que mudavam em momentos diferentes do dia. As vias secundárias da mina tinham regras e sinais de trânsito. A estrada central, conectando todos essas passagens à superfície, era chamada de Rampa.

Nas primeiras horas da manhã do dia 5 de agosto, a setecentos metros de profundidade, o turno da noite estava finalizando sua jornada. Homens cobertos de fuligem e encharcados de suor agruparam-se em uma das cavernas, à espera de um caminhão que os levaria pelo trajeto de quarenta minutos até a superfície. Durante o seu turno, haviam notado um ronco gemendo à distância—o som de várias toneladas de rocha caindo em cavernas esquecidas nas profundezas da montanha. O ruído e as vibrações causadas por essas avalanches eram transmitidas através da montanha de modo semelhante ao que os trovões viajam pelo ar e pelo solo. “A mina está chorando bastante,” disseram os homens entre si. Alguns mencionaram os roncos para os homens do turno seguinte, mas não havia nenhuma atitude de alarme. O trovão sempre diminuía e a montanha acabava voltando ao seu estado calmo e constante.

A entrada da mina de San José tinha cinco metros de largura por cinco de altura, e as arestas que olhavam para o mundo exterior pareciam dentes de pedra. No interior, o nível do mar era o ponto de referência. A entrada era no Nível 800—oitocentos metros acima do nível do mar. A Rampa descia dentro da montanha em uma série de ziguezagues. Homens em caminhões basculantes, pás-carregadeiras, caminhonetes e outros maquinários desciam até depois do Nível 200, onde ainda havia minerais para serem trazidos para a superfície, trabalhando em passagens que levavam da Rampa até os veios de minério.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Depoimento de Paulo Costa QUASE desvenda o esquema do preço secreto nas licitações da Petrobras. Ouça os dois vídeos liberados pela justiça: um de 26" e outro de 28".

Clique AQUI para assistir ao vídeo 1 e AQUI para assistir ao vídeo 2.

Escrito por Reinaldo Azevedo* no Blog do Reinaldo na Veja:
Por Rodrigo Rangel e Hugo Marques, na VEJA.com:

No depoimento que prestou nesta quarta-feira à Justiça, o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa deu o nome dos operadores dos partidos que recebiam e administravam o dinheiro desviado da estatal. Ele afirma que a propina do PT era administrada pelo tesoureiro nacional do partido, João Vaccari Neto, que tratava diretamente com o então diretor de Serviços da Petrobras, Renato Duque. O operador da propina que cabia ao PMDB era o lobista Fernando Soares, também conhecido como Fernando Baiano. “Dentro do PT a ligação que o diretor de serviços tinha era com o tesoureiro na época do PT, o senhor João Vaccari. A ligação era diretamente com ele. Do PMDB, da Diretoria Internacional (comandada por Nestor Cerveró), o nome que fazia essa articulação toda chama Fernando Soares.” Abaixo, segue o áudio com o depoimento, que foi liberado pela Justiça. Ouça quando tiver tempo.

O esquema operando em 2014
A pedido do Ministério Público, Paulo Roberto deu explicações sobre uma planilha apreendida pela Polícia Federal em que aparecia uma lista de empreiteiras que, por meio dele, ajudariam nas eleições. Ele diz que a planilha se referia, especificamente, a empresas que poderiam fazer doações para a campanha de um candidato ao governo do Rio de Janeiro nas eleições deste ano. O nome do candidato não foi citado.

“Teve um candidato ao governo do Rio de Janeiro que me procurou, eu já tinha saído da Petrobras. Foi no início de 2014 e o objetivo era que eu preparasse pra ele um programa de governo na área de energia e infraestrutura de um modo geral. Participei de umas três reuniões com esse candidato e foi listada uma série de empresas que poderiam contribuir com a campanha que ele estava concorrendo. Ele me contratou para fazer o programa de energia e infraestrutura de modo geral. Listou uma série de empresas. Algumas que eu tinha contato e outras, não. Hope RH não conheço. Mendes Júnior conheço, UTC conheço, Constran nunca tive contato, Engevix conheço, IESA conheço e Toyo Setal conheço. Foi solicitado que houvesse a possibilidade de essas empresas participarem da campanha (…) Era uma candidatura para o Rio de Janeiro.”

Transpetro
O ex-diretor afirma que o esquema também funcionava em pelo menos uma das subsidiárias da Petrobras, a Transpetro, cujo presidente, Sergio Machado, é indicado do PMDB. Paulo Roberto diz ter recebido das mãos do próprio Sergio Machado 500 mil reais, a título de propina pela contratação de navios – ele diz que recebeu porque se tratava de um negócio que precisava também do aval de sua diretoria. Sergio Machado presidente a Transpetro até hoje. “A Transpetro tem alguns casos de repasse para políticos (…) Recebi uma parcela da Transpetro. Recebi, se eu não me engano, 500.000 reais. (Quem pagou) foi o presidente da Transpetro, Sergio Machado (…) Foi devido à contratação de alguns navios e essa contratação depois tinha que passar pela Diretoria de Abastecimento (…) Esse valor me foi entregue diretamente por ele (Sérgio Machado) no apartamento dele, no Rio de Janeiro.”

Rateio da propina
Costa também afirmou que a maior parte da propina cobrada na Diretoria de Abastecimento era dividida entre o PP e o PT. Ela afirma que dos 3% pagos pelas grandes empreiteiras por contratos fechadas com a Diretoria de Abastecimento, 1% ia para o PP e 2% iam para o PT. O ex-diretor revelou que a parcela que cabia ao caixa petista era administrada pela Diretoria de Serviços, encarregada de organizar as principais licitações da Petrobras, e comandada por Renato Duque, indicado do PT, que tinha como padrinho o mensaleiro José Dirceu.

“Dos contratos da área de Abastecimento, dos 3%, 2% eram para atender o PT através da diretoria de serviço. Outras diretorias, como Gás e Energia e como Exploração e Produção, também eram (do) PT. Então se tinha PT na Exploração e Produção, PT na Diretoria de Gás e Energia e PT na área de Serviços. O comentário que pautava lá dentro da companhia é que nesse caso os 3% ficavam diretamente para o PT. O que rezava dentro da companhia é que esse valor seria integral para o PT. A Diretoria Internacional tinha indicação do PMDB. Então tinha recursos que eram repassados para o PMDB na diretoria Internacional.”

Cartel de empreiteiras
O ex-diretor informou ainda que a organização criminosa que operava na estatal era muito mais sofisticada do que parecia. Segundo ele, havia um cartel de grandes empreiteiras que escolhia as obras, decidia quem as executaria e fixava os preços. Era como se a companhia tivesse uma administração paraestatal.

Costa listou oito empreiteiras envolvidas no cartel: Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez, Galvão Engenharia, Iesa, Engevix, Mendes Junior e UTC – e os nomes de seus interlocutores em cada uma delas. As empreiteiras superfaturavam os custos e repassavam até 3% do valor dos contratos para os “agentes políticos”. No caso da diretoria de Abastecimento, comandada por Paulo Roberto Costa, o dinheiro desviado era dividido entre o PT, o PMDB e o PP. “Na realidade o que acontecia dentro da Petrobras, principalmente a partir de 2006 para frente, era um processo de cartelização”, afirmou.

“Ficou claro para mim esse, entre aspas, acordo prévio entre as companhias em relação às obras. Existia claramente e isso me foi dito pelas empresas que havia uma escolha de obras dentro da Petrobras e fora da Petrobras. Por exemplo, usina hidrelétrica de tal lugar, neste momento qual empresa está mais disponível para fazer? E essa cartelização obviamente resulta num delta preço (diferença de preço) excedente”, prosseguiu. “Na área de petróleo e gás, essas empresas, normalmente, entre os custos indiretos e seu lucro, o chamado BDI, elas normalmente colocam algo entre 10 e 20%. O que acontecia especificamente nas obras da Petrobras? Por hipótese, o BDI era 15%? Então se colocava em média 3% a mais. E esses 3% eram alocados para agentes políticos. Em média, 3% de ajuste político.”

Esquema financiou “várias” campanhas em 2010
Segundo Paulo Roberto, as “empresas do cartel” tinham pleno conhecimento de que a propina servia para abastecer políticos e campanhas eleitorais. O ex-diretor da Petrobras afirmou que, nas eleições de 2010, o esquema financiou “várias” campanhas. Por impedimento legal, o ex-diretor não pode revelar quais.

A propina do PP
Indicado pelo PP para a diretoria de Abastecimento, Paulo Roberto ficou milionário. Em apenas uma de suas contas no exterior foram encontrados 26 milhões de dólares. Ele e o doleiro Alberto Youssef ficavam com um pedaço da cota de propina destina ao partido. “Do 1% que era para o PP, em média, obviamente que dependendo do contrato podia ser um pouco mais um pouco menos, 60% iam para o partido, 20% era para despesas, nota fiscal, envio, etc., e os 20% restantes eram repassados 70% pra mim e 30% para Janene ou Alberto Youssef (…) Eu recebia em espécie, normalmente na minha casa ou no shopping, ou no escritório depois que eu abri a companhia minha de consultoria (…) Normalmente (quem entregava era) ou Alberto Youssef ou Janene.”

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Voto obrigatório - voto eletrônico - sanções ao eleitor que não votou

Escrito por Eduardo Mackenzie*, traduzido por Graça Salgueiro e publicado no site Mídia Sem Máscara
O mito do voto como “dever irrenunciável”, invocado pela Constituição brasileira, é de origem autoritária. Foi inventado pela ditadura de Getúlio Vargas, em 1934.
Não simpatizo com o voto obrigatório. Esse tipo de voto nunca foi essencial para a democracia, nem para proteger o Estado de direito. Não é uma peça fundamental dele. O princípio da soberania do povo procura que todos os cidadãos tenham o direito de eleger suas autoridades e seus representantes, não que todos os cidadãos votem. É uma distinção fundamental. O que conta é que o voto seja livre, universal (um cidadão, um voto), direto ou indireto, igual e secreto. O voto obrigatório é um produto das circunstâncias, não de alguns princípios. É um recurso autoritário contra o abstencionismo. É uma espécie de aborto institucional que nenhuma das grandes democracias históricas, como Estados Unidos, Grã Bretanha e França acreditaram indispensável adotar.

Nas grandes nações democráticas o voto é livre e facultativo, quer dizer, que o eleitor não tem a obrigação jurídica de votar. O ato de votar é, para ele, um ato livre de sua vontade, não o resultado de uma pressão institucional.

A idéia do voto obrigatório nasce de duas falsas crenças: que o eleitorado faz parte da função pública e que o cidadão não pode escapar a essa condição, e que a abstenção falseia a consulta eleitoral. Porém, a abstenção muitas vezes é uma posição política que tem direito a existir e a se expressar. A abstenção é, também, em outros casos, o resultado da fragilidade do aparato eleitoral, quer dizer, do regime político, não da vontade do eleitor. Sem resolver este problema, o Estado onde o voto obrigatório existe opta pela solução mais fácil: expor o eleitor a uma dupla sanção: moral e pecuniária (multas). O voto obrigatório transforma o eleitor consciente em um animal votante. Tudo isso é chocante e degradante.

O princípio de que o voto deve ser livre e isento de pressões é acolhido pelas grandes nações democráticas, inclusive naquelas onde a abstenção é relativamente alta, como Estados Unidos e França. Porém, ninguém (salvo os grupelhos fanáticos sem remédio) põe em questão a legitimidade desses regimes.

Na Europa só quatro países praticam o voto obrigatório: Grécia, Luxemburgo, Dinamarca e Bélgica. Este último país, minado por tendências separatistas, não encontrou no voto obrigatório ajuda à solução da grave crise institucional. Os Países Baixos renunciaram ao voto obrigatório em 1970, e o cantão suíço de Berna se opôs à sua introdução em 1999. A Constituição Européia não prevê o voto obrigatório: os europeus são livres para votar ou não votar. Na Austrália, onde o voto é obrigatório nas eleições nacionais, há uma grande revolta contra isso: as críticas aumentam, os abstencionistas se multiplicam e se negam a pagar as multas.

Nos Estados despóticos, ou nos sistemas políticos que são a antítese da democracia, o voto obrigatório contribuiu para consolidar o detestável regime. Na URSS de Stalin, o voto obrigatório era uma engrenagem a mais do sistema totalitário, baseado na repressão violenta da população e em falsas votações com listas únicas elaboradas pelo partido único.

Na América Latina, o voto obrigatório não impediu o aparecimento de fenômenos graves de corrupção do voto, nem evitou que oito dos nove países que praticam o voto obrigatório tenham caído em violentas ditaduras, como foi o caso, em certos períodos, do Brasil, Argentina, Honduras, Equador, Uruguai, Chile, Bolívia e Venezuela. Na Costa Rica o voto é obrigatório, porém não há sanção para o abstencionista. Tampouco no Uruguai. No Brasil a maioria dos cidadãos está a favor do voto facultativo, não obrigatório.

O voto obrigatório nos países latino-americanos não aprofundou nem estendeu a cultura democrática, nem a cultura legalista. O exemplo mais dramático disso é o que ocorre na Venezuela de hoje.

O mito do voto como “dever irrenunciável”, invocado pela Constituição brasileira, é de origem autoritária. Foi inventado pela ditadura de Getúlio Vargas, em 1934. Essa constituição deveria dizer, melhor, que o voto é um direito, não que é um dever. O cidadão não é livre se seus direitos são convertidos, por decisão do Estado, em deveres.

Na Colômbia, a proposta de voto obrigatório fracassou durante a elaboração da Constituição de 1991. Agora essa idéia perniciosa volta de maneira súbita e sem que um debate a respeito tenha sido aberto à cidadania.

Lamento que parlamentares do Centro Democrático tenham acolhido espontaneamente a idéia ingênua de que o voto obrigatório “valorizará a democracia colombiana”, sem se perguntar o que é que realmente está arruinando nossa democracia e sem responder à pergunta sobre o quê há por trás da volta intempestiva dessa curiosa iniciativa.

Por que alguns querem introduzir na Colômbia o voto obrigatório nestes momentos? Que relação existe entre esse ardil e o sistema de votação e escrutínio eletrônico que outros querem impor como o único e o mais generalizado?

Este ponto, o da articulação desses dois temas, foi muito pouco analisado. Eu creio que há uma relação entre as pressões para acolher o voto obrigatório e as que há para que adotemos o voto eletrônico. Estimo que os dois assuntos vêm juntos e fazem parte de um mesmo pacote dos setores que querem fechar espaços à deliberação e reduzir a margem de manobra da sociedade contra a tentação totalitária que a Venezuela exporta.

O que restará da soberania popular, do papel central do eleitor, em um país que ameaça com multas e com outras pressões aos cidadãos que não votam, e que consegue que esse voto seja processado e peneirado por máquinas cujo controle escapa aos cidadãos?

A França não utiliza o voto eletrônico pois não confia nesse sistema. Este país está satisfeito com o sistema atual, tradicional, do voto de papel e da contagem e escrutínio manual em cada mesa de votação. Esse ato de contagem é muito claro e muito controlado, e a transmissão de dados é rápida. Inclusive mais rápida do que a dos países que usam o voto eletrônico, como viu-se nesses dias no Brasil.

Na França, graças a seu sistema de escrutínio manual e cidadão, não há escândalo pelos resultados eleitorais, apesar da quantidade de eleições que há neste país: eleição presidencial, eleições legislativas, cantonais, regionais e européias.

O voto eletrônico na França não foi adotado para as eleições nacionais, pois não convenceu ninguém. Na França o voto eletrônico é rechaçado por duas razões: por ser opaco e por ser inverificável. Os acadêmicos, sobretudo os catedráticos que estudaram esse tema, chegaram a essa conclusão.

Três protótipos de computadores de voto, ou máquina de votar, foram estudados e ensaiados oficialmente na França (pelo Ministério do Interior), mas não convenceram. Em nenhum desses ensaios o votante pôde verificar que seu voto havia sido corretamente anotado pela máquina.

O voto pela internet e o quiosque eleitoral, também foram analisados. Todos tinham inconvenientes, na anotação do voto e na fase do escrutínio. Na França outro detalhe do voto eletrônico aborrece muito: ele despoja o eleitor do direito de participar do escrutínio primário porque o computador o faz em total opacidade e sem que se possam verificar os resultados. O eleitor deve confiar em um aparelho e isso é ilógico e irresponsável.

As autoridades e os acadêmicos franceses observam, evidentemente, os experimentos pontuais de voto eletrônico em outros países desenvolvidos, como Estados Unidos, Canadá e Bélgica. Os péssimos resultados desses exercícios e a quantidade de incidentes que apareceram, não deixam uma boa imagem desse sistema.

A Colômbia vai engolir as promessas que fazem certos escritórios que sabem que o voto eletrônico é um mercado enorme para seus sistemas? A Colômbia quer fechar os olhos ante os abusos cometidos na Venezuela mediante o voto eletrônico? Acaso ignoramos que a ditadura chavista encontrou nesse sistema um instrumento capital para consolidar a tirania?

Nos testes que fizeram na França nem a velocidade da transmissão dos votos, nem a segurança do voto emitido, foram garantidas. Por que a Colômbia deve ignorar estas experiências?

Chantal Enguehard, professora da Universidade de Nantes, a principal especialista nesta matéria, diz que a segurança dos dados eleitorais é deficiente no sistema eletrônico. Ela invoca os casos anômalos aparecidos nesse sentido em votações nos Estados Unidos. Em um de seus ensaios sobre o voto eletrônico, Chantal Enguehard explica que todo incidente sofre atrasos colossais na publicação dos resultados e que também há retardos enormes nas filas de votantes se há o menor problema técnico, pois no geral só um computador é instalado, onde antes havia dois ou três isoloires (cubículos onde o eleitor prepara seu voto em privado, ou cabine de votação).

É hora de abrir os olhos na Colômbia sobre o voto obrigatório e sobre os riscos que sofre para uma democracia assediada pelos ataques terroristas a montagem de voto eletrônico mais voto obrigatório.

*Tradução: Graça Salgueiro