domingo, 31 de agosto de 2014

Rumo a “reservas indígenas autônomas e armadas” no Brasil?

Rumo a “reservas indígenas autônomas e armadas” no Brasil?
Por Luís Dufaur* no Blog Verde: a cor nova do comunismo.
 *Postado por Luis Dufaur às 05:30
O cineasta James Cameron com índios num Foro de Sustentabilidade da Amazônia, 2009.  Há tempos ONGs transnacionais planetárias querem por a mão na Amazônia.  Na foto com a bandeira do Estado de Amazonas.
O cineasta James Cameron com índios num Foro de Sustentabilidade da Amazônia, 2009.
Há tempos ONGs transnacionais planetárias querem por a mão na Amazônia.
Na foto com a bandeira do Estado de Amazonas.
Um grupo de ONGs internacionais publicou relatório que é um exemplo de enganação do público especialmente das cidades. 

Segundo pesquisadores da WRI (World Resources Institute) e do RRI (Rights and Resources Initiative) índios e povos tradicionais estariam salvando o planeta da emissão de 37,7 bilhões de toneladas de carbono em todo o mundo, segundo noticiou a “Folha de S.Paulo” (24.7.2014). 

É o volume calculado caso fosse queimada a biomassa das florestas em que vivem os indígenas. Segundo essa suposição, o CO2 lançado ao ar superaria as emissões feitas pelos veículos durante 29 anos na terra toda. 

O levantamento usa dados da FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura) e foi feito em 2013. 

A Amazônia brasileira seria um exemplo. Notadamente as reservas indígenas protegidas com zelo radical pelo governo; pela militância ideológica e nem sempre clara e desinteresseira de ONGs, e pela teologia comuno-progressista de organismos telecomandados pela CNBB.

Em relação a esse “império do bem” verde extremista, o “império do mal” dos brasileiros que produzem e alimentam o País e o mundo comete o “crime” ecológico de desmatar 11 vezes mais.

Os índios teriam sido mais eficazes contra o desmatamento que qualquer outro grupo humano, defende o tendencioso relatório. Esse pede vigiar os inimigos do planeta – os agricultores – dentro ou fora de unidades de conservação. 

Pede até que os indígenas adquiram autonomia para governar suas reservas e até de “contratar guardas”. 

Armados e atiçados por militantes da neoreligião comuno-ecológico amanhã poderão transformar essas “autonomias” em territórios relutantes a qualquer influencia central.

Poderiam aparecer Autonomias, como a palestina no Oriente Médio. 

Com algum pretexto étnico poderão se assimilar às “Repúblicas Populares” de Donetsk ou Lugansk na Ucrânia, ou instituir até algum “califado” religioso-cultural – melhor poderíamos criar o neologismo “gurusado” — armado por ONGs, CIMI, ou quiçá uma potência estrangeira que cobice a Amazônia como a Rússia, a China, ou outra.

“Quando esses povos têm autorização para criar suas próprias regras e tomar decisões sobre gestão de recursos naturais, são capazes de atingir uma boa governança com bons resultados ambientais”, sofismou Jenny Springer, diretora de programas globais da RRI. Basta ver o que fizeram antes do dia abençoado em que os primeiros portugueses e evangelizadores desceram em nossas praias.

Índios com aliados no Acampamento Terra Livre, Brasília, Maio de 2009. Brasil está na mira da neoreligião comunista 'verde'.
Índios com aliados no Acampamento Terra Livre, Brasília, Maio de 2009.
Brasil está na mira da neoreligião comunista 'verde'.
O Brasil é citado no relatório como um promissor exemplo, porque 31% das terras indígenas são ricas em florestas, e portanto em CO2. 

Dessa maneira teríamos regiões brasileiras deslocadas do rumo do País e obedecendo a critérios concebidos em abstratos laboratórios ecológicos planetários. 

Poderiam aparecer milícias “verdes” ou “comuno-progressistas” prestes a reprimir qualquer incursão de brasileiros “maus”, “brancos”, “produtores”, “trabalhadores” e outros adjetivos que no linguajar ambientalista tem conotação negativa.

E a verdade da história?

1) O CO2 é o gás da vida, liberá-lo em processos naturais, como os ligados à expansão do agronegócio, é benéfico, e até muito benéfico. A este respeito nós publicamos no nosso blog inúmeras e esmagadoras demonstrações científicas.

2) Se por absurdo o CO2 fosse maléfico, os grandes premiados deveriam ser os agricultores e não os índios, pois as plantações, sobre tudo em fase de desenvolvimento, são as grandes devoradoras de CO2. Também no nosso blog o leitor poderá se saciar lendo testemunhos científicos ou técnicos altamente especializados sobre essa realidade.

Mas a ideologia ambientalista radical não quer saber de verdades.


“É uma oportunidade de ouro para lidar com a mudança climática”, diz Andrew White, presidente do Rights and Resources Group. 

White finge ignorar o crescente reconhecimento científico de que não está havendo a tal “mudança climática” global. Também não liga para o desvendamento de que os dados sobre o “aquecimento global” foram pura e simplesmente fraudados.

E White é um dos autores do referido estudo que por sinal leva o título de “Assegurando Direitos, Combatendo a Mudança do Clima”. Suas estapafúrdias teorias ideológicas foram publicadas por “Valor econômico” um jornal que deveria auxiliar aos agentes econômicos do Brasil, e não lhes oferecer cascas de banana ‘verde’.

Tags: agricultura, agronegócio, Amazônia, CO2, desmatamento, reserva indígena, índio, Brasil, guerra cultural, marxismo cultural, melancias

Programa de Aécio mostra o que ele tem de melhor a oferecer ao país: ele mesmo

Veja o vídeo da campanha do Aécio AQUI e leia o artigo escrito pelo Coronel do Blog do Coronel:
Não há dúvida alguma que Aécio Neves é o melhor candidato à presidência que o Brasil já teve nos últimos 12 anos. Jovem, inteligente, articulado politicamente, bem sucedido nas suas gestões tanto no Parlamento quanto no Executivo. Um ótimo gestor de um estado metade Nordeste, metade Sudeste, muito diferente de São Paulo, por exemplo, o mais equilibrado e mais rico da nação. Minas, sem dúvida, é a melhor síntese do Brasil.

Nunca na história deste país um candidato havia morrido tragicamente quando a campanha estava começando. E que tivesse um vice mais conhecido e mais popular do que ele. Tivemos na história o caso de Tancredo Neves, casualmente o avô de Aécio, que morreu antes de tomar posse, cedendo lugar para José Sarney. O maranhense, como se sabe, fez um dos piores governos da República, levando a inflação para mais de 80% ao mês.

É o risco que corremos agora. Sem apoio político, sem experiência, cercada por meia dúzia de fanáticos ambientalistas, Marina Silva pode ser uma nova Sarney. Uma Sarney de xale. A ex-ministra petista, se eleita, vai receber um país com inflação em alta, em plena recessão técnica, com juros elevados e os fundamentos econômicos abalados pelas gestões do PT. Terá condições para governar e cumprir promessas pouco claras ou apelará para o populismo barato que caracteriza o seu discurso?

Ontem o programa de Aécio Neves fez este alerta, que deverá ser repetido à exaustão nos próximos 40 dias. Alguns dizem que o tucano deveria bater em Marina Silva. Seria a primeira vez, depois de Fernando Collor, que um candidato que bate, ataca, agride, sairia vencedor numa eleição presidencial. Uma coisa é um Collor batendo em Lula, um sindicalista que incitava greves e ameaçava o capitalismo, a propriedade privada e a democracia. Outra é bater na viúva Marina, frágil, doente, feia e com, discurso de pastora da Igreja Evangélica dos Últimos Dias do Mundo. E não esquecer que Collor bateu em Lula, mas seu grande mote foi defender os descamisados (hoje eleitorado do PT) e acabar com os marajás (muito mais identificados com o PSDB do que com o PSB).

Também é bom lembrar que para impedir a vitória de Lula, o PSDB de José Serra fez a famosa campanha com Regina Duarte, tentando impregnar o Brasil com o medo do PT. Os tucanos ali enterraram a eleição, com o famoso bordão petista de que a esperança venceria o medo. Da mesma forma, em debate, Geraldo Alckmin partiu para cima de Lula e, na próxima pesquisa, caiu cinco pontos nas pesquisas eleitorais. 

É muito amador, muito infantil, muito pueril vir para as áreas de comentários de blogs, para os espaços de facebook e para as mensagens de twitter pregar que Aécio Neves deve sair batendo a torto e a direito para despertar a nação para os imensos riscos que o país corre. Perdão, mas não temos povo para isso. O povo brasileiro, inclusive as suas elites que hoje colocam Marina Silva no segundo turno, parece querer criar a sua própria tragédia, levando o país para a beira do abismo.

Neste contexto, Aécio Neves deve fazer a sua campanha com propostas e alertas, tentando chamar a nação à razão. Se conseguir, vai para o segundo turno e vence a eleição. Se não conseguir, vai para a oposição com crédito para, em 2018, voltar a olhar nos olhos dos brasileiros e pedir o seu voto, com a biografia intocada e o crédito de ter alertado o povo brasileiro sobre os riscos que estava correndo. O que Aécio tem de melhor é ele mesmo. Que mostre a cara, o coração, alma e a razão, pois somente este discurso olho no olho com o eleitor pode levá-lo à vitória, em meio a tantas tragédias.

POSTADO POR O EDITOR ÀS 10:45:00

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

A galinha é a melhor forma que o ovo encontrou para criar outro ovo. Ou:

O ACASO SOBRE TODAS AS COISAS
Escrito por Jacinto Flecha* e publicado no Blog Agudas e Crônicas
Um leitor, muito cético sobre as teorias e hipóteses evolucionistas, ficou impressionado com o número de tentativas (um algarismo seguido de 14 milhões de zeros) necessárias para as proteínas do corpo humano se formarem espontaneamente, ao acaso, conforme mencionei em crônica recente (Evolucionistas no confessionário). E acrescenta que não basta o acaso formar só uma molécula de cada proteína, pois o organismo precisa de muitos trilhões delas. Agradeço a lembrança, e confirmo que de fato é assim. As hemácias (glóbulos vermelhos do sangue), por exemplo, são cerca de 30 bilhões no nosso corpo, e cada uma está cheia de moléculas de hemoglobina.

Aí vai outra informação por minha conta. As hemácias vivem cerca de 120 dias, milhões delas “morrem” por hora e têm de ser substituídas por outras novas. Há uma doença em que o organismo perde a capacidade de produzir novas hemácias, e o paciente morre em poucos meses se não houver transfusões de sangue. Portanto as hemácias e suas moléculas de hemoglobina têm de ser constantemente refeitas aos milhões, por meio de um processo sustentável. Muito disso ocorre também com as outras proteínas, mostrando uma natureza prodigiosa e eloquente. O acaso fez tudo isso? A fé do cientista ateu no acaso onipotente precisa mesmo ser muito grande...

A teoria de Darwin se aplica a seres preexistentes, cujo aperfeiçoamento se daria por meio da seleção natural. Não remonta ao ponto zero de vida animal, mas outros cientistas ampliam a hipótese até esse início. Supõem uma espécie de “sopa primigênia”, onde o operoso acaso uniria aminoácidos até formar uma proteína. Desta surgiria por geração espontânea uma ameba, que o inefável acaso transformaria em peixe. Mais umas patas fornecidas pelo diligente acaso, e o peixe já seria réptil. Outro empurrãozinho do prestativo acaso, e ele sairia saltitante da tal sopinha. Tudo “muito simples”, com a varinha de condão do factótum acaso.

A propaganda evolucionista, congenitamente alérgica à existência de Deus, insinua que seres inferiores evoluem para superiores com incrível facilidade. Há desenhos ad-hoc, pretensamente científicos, mostrando tudo isso. Em um deles, bem arranjadinho, um macaco vai se levantando resolutamente e vira Homo sapiens, sem hesitação nem struggle for life. Muito fácil no papel, que aceita tudo; mais ainda no computador, com o programa Morph. Um truque eficiente para enganar tolos.

Um cientista ateu, ferrenhamente evolucionista, formulou um paradoxo: A galinha é a melhor forma que o ovo encontrou para criar outro ovo. O difícil de entender é esse cientista continuar ateu e evolucionista, depois de não conseguir ideia sensata para resolver a origem desse círculo virtuoso da reprodução.

Bem longe desses cultuadores do acaso, o escritor Ariano Suassuna, da Academia Brasileira de Letras, recentemente falecido, apresentou durante uma conferência um simples prendedor de roupas. Indicou os dois pedaços de madeira simétricos, a mola metálica formatada de modo a mantê-los presos um ao outro, a adequação da forma à finalidade. E comentou, com o bom senso que falta a esses cientistas: O macaco, em quinhentos milhões de anos, não consegue fazer um prendedor assim. Um cientista ateu bateria o pé: o acaso consegue...

Outro utensílio doméstico, citado como exemplo por cientistas contrários ao evolucionismo (eles existem, o número não é pequeno e está em rápido crescimento), é a ratoeira, formada por cinco peças encaixadas umas nas outras. Deixando essas peças isoladas e por conta do acaso (supondo, aliás, que elas já existam prontinhas, talvez fabricadas pelo tal acaso), elas nunca se agruparão para formar uma ratoeira. Pode o acaso fazer um ser vivo, muito mais complexo? Parece que a devoção de alguns cientistas ao acaso considera blasfêmia levantar essa dúvida.

Mencionei acima a necessidade de um processo sustentável para a produção das proteínas. Dentro de cada célula existe um sistema complexo de organelas, que executam com perfeição esse trabalho – meticulosamente, em peso, conta, prazo e medida. Todas as células, todos os tipos de células (mais de duzentos tipos) têm essas organelas microscópicas eficientes, desempenhando cada uma sua função específica. Construídas pelo acaso? É claro! Só os ingênuos conseguem imaginar um Deus Criador onipotente, ao invés de cultuar o acaso onipotente...

Acho que os cientistas ateus e evolucionistas deveriam reivindicar à Unesco a criação de uma seita, cujos fundamentos (ou falta deles) estariam condensados na Ateulogia. Um culto assim seria muito bem visto pela intelligentsia, e o seu primeiro mandamento não poderia ser outro: Amar o acaso sobre todas as coisas.

(Para receber novas crônicas, inscreva-se no ( http://www.jacintoflecha.blog.br/)

Tags: evolucionismo, ambientalismo, o acaso, ateísmo, esquerdismo, Jacinto Flecha, a galinha e o ovo, ovo criando outro ovo, reprodução, teoria de Darwin, acaso onipotente

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

TCU, Graça Foster e a política nos tribunais

Por Reinaldo Azevedo no Blog do Reinaldo na VEJA:
Vamos ver. O TCU já formou uma maioria contra o bloqueio dos bens de Graça Foster, presidente da Petrobras. O processo diz respeito às irregularidades apontadas pelo tribunal na operação que resultou na compra da refinaria de Pasadena. Olhem aqui: nem vou entrar, de novo, no mérito da aquisição. O que soa escandaloso é que seja empregado com Graça um critério distinto daquele que valeu para os demais diretores. Para ser claro e preciso: os ministros José Jorge, o relator, e Augusto Sherman defenderam para ela a mesma medida aplicada a 11 outros diretores. Aos dois votos, no entanto, seguiram-se outros cinco contra a indisponibilidade de bens. Quem deu início à divergência foi Walton Alencar Rodrigues. E o fez com tal entusiasmo que chegou a dizer que, em lugar de Graça, teria atuado do mesmo modo. 

Vamos ver. O que segue agora é uma espécie de crônica de costumes – ou de maus costumes de Brasília. Há muito tempo já, o petismo faz, como direi?, malabarismos de natureza política às portas dos tribunais superiores e do TCU. A pressão, desta feita, foi fortíssima. Não custa lembrar: se o tribunal tivesse tornado indisponíveis os bens de Graça Foster, ela teria de deixar a Presidência da Petrobras. 

Em Brasília, tanta gente se conhece, né? Walton é marido de Isabel Gallotti, ministra do Superior Tribunal de justiça. Aqui vai uma informação – não se trata da denúncia de um crime, mas da revelação de um hábito. Em 2008, Lula queria nomear um negro para o STJ. O desembargador federal Benedito Gonçalves estava na lista, mas Isabel, mulher de Walton, também queria a vaga. O então presidente deixou claro que havia chegado a vez de Benedito, mas que Isabel seria a próxima. E assim se fez. Em 2010, a mulher de Walton tomou posse no STJ. O interlocutor de Lula nessas conversas era o então presidente do tribunal, Cesar Asfor Rocha, a quem o petista acenava com uma vaga no Supremo, promessa nunca cumprida. Sigamos. 

Em abril deste ano, Douglas Alencar Rodrigues, irmão de Walton e cunhado de Isabel, que era ministro do TRT do DF, tomou posse como ministro do TST. Alguém, a esta altura, pode se perguntar: “Mas o que isso quer dizer, Reinaldo?” Eu acho que isso quer dizer que as coisas não poderiam ser feitas dessa maneira. Como as duas nomeações dependeram da vontade do Executivo, acredito que o ministro Walton faria melhor se tivesse se declarado impedido no caso de Graça. Seria mais prudente para a democracia do que seu entusiasmado voto contrário à indisponibilidade de bens.

Reitero: não estou contestando o currículo de ninguém. Até parto do princípio de que ambos têm méritos para ocupar o cargo que ocupam, mas é preciso indagar, então, se os canais não estão se misturando, não é mesmo? Ademais, não é segredo para ninguém que Lula, pessoalmente, se mobilizou para interferir no julgamento do TCU. Convocou para uma reunião em São Paulo, e foi atendido, José Múcio, que foi seu ministro das Relações Institucionais. Mais: há muito se acena para ministros do TCU com uma vaga no Supremo. 

É dispensável dizer que tribunais superiores não deveriam ser submetidos a esse tipo de especulação. É dispensável dizer que o TCU, que é um órgão de assessoramento do Congresso, deveria se manter longe do mercado político. Mas assim são as coisas. O leitor tem o direito de saber para formar seu próprio juízo.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Perguntas a serem feitas aos políticos

Escrito por Percival Puggina* e publicado no site Mídia Sem Máscara
As perguntas mais necessárias são as mais indigestas.

Em época de campanha eleitoral todos fogem das chamadas questões sensíveis. O repórter que fizer uma dessas perguntas vai perder o amigo. É como se não fosse de bom tom formular tais questões. No entanto, são elas que possibilitam ao eleitor formar um perfil dos políticos que postulam seu voto. 

Habitualmente, e quase sem exceção conhecida, os candidatos se escondem desses temas discursando sobre o que são favoráveis. Políticos adoram falar sobre o que gostam, aprovam, respeitam, querem ver protegido. E nisso, muito provavelmente, todos estarão de acordo: gostam do povo, de pegar criancinhas no colo, se interessam em promover os mais necessitados, querem que haja emprego e moradia para todos. Querem educação de qualidade e um serviço de saúde padrão Fifa. Ou seja: todos sonham com o paraíso aqui mesmo e o prometem disponível logo ali, em janeiro do ano que vem.

Mas isso e nada são a mesma coisa. Numa sociedade de massa, num país onde mais de 100 milhões de eleitores irão expressar suas escolhas, a imprensa cumpre papel importantíssimo no esclarecimento e na formação das decisões de voto. Disse alguém, com pelo menos boa dose de razão, que o jornalismo ou é investigativo ou não é jornalismo. Outro alguém disse que se o jornalismo não desagrada governantes não é jornalismo. E digo eu algo que também já foi dito: se o jornalismo político não pressiona os candidatos para extrair deles o que eles não querem dizer, presta à democracia um serviço inaproveitável.

As perguntas mais necessárias são as mais indigestas. O senhor é a favor ou contra o aborto? Qual sua opinião sobre a redução da maioridade penal? O senhor concorda com nosso sistema de progressão de regime aos condenados? Qual sua opinião sobre invasão de propriedades privadas ou públicas? Como o senhor reagiria em situações de tumulto associado com vandalismo ou terrorismo? O que pensa sobre posse e porte de armas? Qual deve ser o limite da tolerância? Como esse limite funciona em relação a grupos intolerantes? As leis de cotas raciais são convenientes ou inconvenientes ao país? O senhor é a favor ou contra a adoção da meritocracia no serviço público? Como se combina meritocracia com leis de cotas raciais? Qual sua opinião sobre o sistema tributário nacional? O Brasil é, de fato uma Federação que respeita a autonomia dos Estados e municípios? Convém ao país a presença de militantes partidários em posições de confiança nos órgãos da administração pública e nas empresas estatais? Parece-lhe razoável que o partido governante, seja qual for, influencie ideologicamente as relações internacionais do Brasil? O Itamaraty é lugar de partido político? Como a questão dos direitos humanos deve influenciar as relações externas do Brasil? Qual sua opinião sobre as atuais demarcações de reservas indígenas e de áreas para quilombolas? Parece-lhe bom ao país e à sociedade que as chefias do Estado, do governo e da administração sejam confiadas à mesma pessoa?

Essa lista é pequena fração da que efetivamente, ao longo dos próximos 45 dias, deveria ser respondida por todos os candidatos, de modo especial, pelos candidatos aos cargos de presidente da República e de membros do Congresso Nacional. Infelizmente, só ouviremos o que não interessa saber e nada saberemos daquilo que realmente importa para o exercício correto de nosso dever cívico.


segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Por que jamais votaria em Marina Silva — nem que ela viesse a disputar o segundo turno com Dilma. Ou: Voo cego de um avião sem dono

Por Reinaldo Azevedo no Blog do Reinaldo na VEJA:
Jamais votaria em Marina Silva. Já expus aqui alguns dos meus motivos. E também na minha coluna de sexta na Folha. Vou avançar. Desde que me ocupo da política, como jornalista, meu esforço é para tirá-la do terreno da mitologia e trazê-la para o da razão — inclusive o da razão prática. “Poderia votar em Dilma contra Marina, Reinaldo?” Também é impossível. Os petistas me incluíram numa lista negra de jornalistas. Eles querem a minha cabeça e, se pudessem, pediriam a meus patrões que me botassem na rua. Desconfio até que já tenham pedido — não sei. Mas não levaram. Não sou suicida. Não me ofereço àqueles que se pretendem meus feitores. Mas, reitero, nem tudo o que não é PT me serve — e Marina não me serve. Mais: acho que alguns de seus ditos “conselheiros” estão perdendo o juízo e querendo se comportar como os Catões da República. Já chego lá.

Os cardeais da papisa
Marina Silva não é candidata a presidente da República, mas a papisa de uma seita herética — e suas heresias são praticadas contra a democracia representativa. Ela não concede entrevistas. Seus cardeais falam por ela. À Folha, quem garantiu a independência do Banco Central foi Maria Alice Setubal. Já expliquei e insisto: se o sócio de um grande banco viesse a fazer tal promessa como porta-voz do tucano Aécio Neves ou da petista Dilma Rousseff, nós, da imprensa, não perdoaríamos o deslize. Como se trata de Marina, parece evidência de sabedoria. Tenham paciência! Banqueiros não podem fazer política? Podem e devem. Mas convém não misturar carne com leite nessas coisas. E ponto.

Na Folha desta segunda, mais um cardeal do “marinismo”, Eduardo Giannetti, fala em nome de Marina. Também ele acena para os mercados com a independência do Banco Central, mas o centro de sua entrevista é outro: quer a conciliação política “dos bons”, entendem? Marina, diz ele, pretende governar com o apoio de Lula e de FHC. Ninguém lhe perguntou — e não sei se vão perguntar — por que não se fez antes se é tão fácil. A rigor, em todos os conflitos do mundo, dos mais amenos aos mais sangrentos, sempre se poderia fazer esta indagação: “Por que não, então, juntar os opostos, juntar os litigantes?”.

Giannetti teve uma ideia que poderia, enfim, ter evitado todas as guerras, até a de Troia, como num poema de Mário Faustino: “Estava lá Aquiles, que abraçava/ Enfim Heitor, secreto personagem/ Do sonho que na tenda o torturava”. No seu mundo, como no do poema, Saul não briga com Davi, os seteiros não matam Sebastião, e o “Deus crucificado” beija uma segunda vez o enforcado (Judas). Pode ser literatura. Pode ser religião. Uma coisa é certa: política não é.

Há mais: Giannetti resolveu, em sua entrevista, todas as dificuldades e só ficou com as facilidades. Imaginar que PT e PSDB possam estar juntos num governo implica ignorar, logo de cara, o fato de que esses partidos têm vocações e fundamentos que são inconciliáveis. Se o ideário, hoje, dos tucanos é um tanto nebuloso aqui e ali — especialmente na área de valores —, os do PT são muito claros. Ora, ora, ora… Então Marina Silva, a Puríssima, não aceita nem mesmo subir no palanque com Geraldo Alckmin ou com Beto Richa — acordos feitos por Eduardo Campos —, mas aquele que se candidata a ser seu orientador intelectual (já que diz não querer cargo caso ela se eleja) sonha com um governo que possa unir… Aquiles e Heitor. Giannetti é uma pessoa lida, que tem experiência com as palavras. Uma tolice dita por ele parece de qualidade superior à dita por um petista tosco qualquer. Mas é apenas isto: uma tolice dita com charme.

O PMDB
E o homem vai adiante. O sonho de Giannetti — que não me parece muito distante, mutatis mutandis, de todos aqueles que sonharam com um Rei Filósofo, com um Déspota Filósofo… — é juntar os bons de um lado para isolar os maus de outro. Ele pega carona na fácil demonização do PMDB. Dá a entender que essa é a força que tem de ficar do outro lado da trincheira. Marina, então, seria eleita pelo PSB, com o apoio de FHC e Lula e outras almas superiores do Congresso, uma conspiração dos éticos se formaria e pronto! Tudo estaria resolvido. Tão fácil que a gente lamenta que tantos estúpidos não tenham pensado nisso antes, né?

É mesmo? Será que o PMDB, ao longo da história, tem sido só um problema? Então vamos ver. Marina Silva apoia o Decreto 8.243, aquele que nem é exatamente de Dilma, mas de Gilberto Carvalho. No horizonte da turma que defende esse lixo autoritário, está, inclusive, o controle da imprensa, sim, senhores!, por conselhos populares. Marina não vê mal nenhum nisso porque, afinal, já deixou claro, não dá bola para partidos ou para instâncias formais de representação. O PMDB pode não ser exatamente um convento de freiras dos pés descalços, mas lembro que o partido, em seu congresso, apoiou uma das mais claras e fortes resoluções contra qualquer forma de censura à imprensa. Sugerir que o PMDB atrapalha a democracia ou a torna ingovernável é mais do que um erro; é uma mentira.

O avião
Hoje é dia 25 de agosto. Eduardo Campos morreu no dia 13. Até agora, ninguém sabe a quem pertence o avião. Marina, que voou muitas vezes naquele jatinho e que herda, pois, os instrumentos aos quais recorreu o PSB para fazer campanha, se nega a falar do assunto, como se ele não lhe dissesse respeito. Diz, sim!

Quem se pronunciou foi Beto Albuquerque, candidato a vice. Curiosamente, cobra explicações da Polícia Federal. Como? Aquele que era um dos homens mais próximos do presidenciável morto está exigindo respostas em vez de dá-las? O PSB, vejam vocês, inventou o avião sem dono.

Marina, a mais ética entre os éticos, não aceita doação, no caixa um — o oficial e registrado — de empresas disso e daquilo, mas faz ares de santa da floresta quando se questiona a quem pertencia um jatinho que custava alguns milhões. É essa a “nova política” de que tanto se fala? Vamos ver o que vem por aí: candidaturas e mandatos já foram cassados por muito menos. Que se apure tudo, mas há um cheiro fortíssimo de caixa dois na campanha, não é mesmo?

Messianismo
Marina carrega nas tintas de uma espécie de messianismo pós-moderno, assim, meio holístico-maluco-beleza. A VEJA desta semana a traz na capa. A reportagem, qualquer um pode constatar, não lhe é nada hostil. A figura desenhada nas páginas chega a ser simpática. Um trecho, no entanto, chamou especialmente a minha atenção.

No dia 18, 30 membros da Rede se reuniram em São Paulo para discutir a morte de Campos. Debate político? Claro que não! Isso é coisa superada. Era um papo de outra natureza. Depois de cada um dizer o que sentia, eles se dividiram em trios para escrever palavras para confortar… Marina!!! É, gente… Na Rede — que Giannetti quer ver no governo com o apoio de Lula e FHC —, não existem vitoriosos e derrotados quando se debate uma ideia. Há um troço chamado “consenso progressivo”. A exemplo do Cassino do Chacrinha, a reunião “só acaba quando termina” — e todos ganham. Em maio, para definir os dois porta-vozes da Rede, eles ficaram reunidos por 18 horas. Tinha de ser um homem e uma mulher para contemplar as diferenças de gênero… Tenham paciência!

Conheço gente que já frequentou esse círculo de iniciados. A coisa parece ser mesmo do balacobaco. Marina é o Pablo Capilé da floresta, e sua Rede lembra, em muitos aspectos, o tal grupo Fora do Eixo. As pessoas lhe dedicam um silêncio reverente e estão certas de que ela mantém mesmo certa comunicação com entes que não estão exatamente entre nós.

Estou fora
Não caio nessa, sob pretexto nenhum — nem mesmo “para tirar o PT de lá”. Na democracia, voto útil é voto inútil. Se Deus me submetesse à provação — espero que não aconteça — de ter de escolher entre Dilma e Marina, escolheria gloriosamente “nenhuma”! Se a turma do coquetel Molotov estava sem candidata e agora encontrou a sua, eu, que sou um partidário da democracia representativa e das instituições democráticas, deixarei claro, nessa hipótese, que estarei sem candidato no segundo turno. Mas torço e até rezo para que o Brasil seja poupado.

De resto, vou insistir numa questão: Marina Silva é governo no Acre há 16 anos. Seu marido deixou um cargo no secretariado de Tião Viana na semana passada. Mas a sua turma está lá, aboletada na gestão petista. Digam-me cá: quando Viana, seu aliado, começou a despachar haitianos para São Paulo, de uma maneira indigna, escandalosa, Marina disse exatamente o quê, além de nada? Qualquer bagre teria merecido dela mais atenção! Pareceu-me uma reação muito pouco caridosa a sua.

E não tenho como esquecer o fato de que, há menos de dois anos, Marina estava lutando por um Código Florestal que iria reduzir a área plantada no país. Como alternativa para seu desatino, ela tirava das dobras de seus numerosos xales certo “ganho de produtividade” que compensaria a perda. Propunha isso, com o desassombro e a retórica caudalosa de sempre, como se o Brasil não tivesse hoje uma agricultura e uma pecuária entre as mais produtivas do mundo. Do mesmo modo, incentivou a crítica verdolengo-obscurantista a Belo Monte, num país que enfrenta escassez de energia.

Marina Silva? Não! Muito obrigado! Não quero! “Ah, mas ela pode ser eleita e fazer um grande governo…” É, tudo pode acontecer. Não tenho bola de cristal. Quando voto, levo em conta o passado dos candidatos, suas utopias, suas prefigurações, sua visão de mundo, o apreço que têm pela democracia, a factibilidade de suas propostas.

Se eu tivesse alguma dúvida — já não tinha —, ela teria se dissipado com a entrevista concedida por Giannetti nesta segunda: Marina quer governar com o apoio de FHC e Lula… Então tá! É até possível que os dois, por elegância ou sei lá o quê, venham a dizer que, se isso acontecer, tudo bem. Ocorre que o Brasil não é um país comandado por aqueles líderes de clãs do Afeganistão. O Brasil sofreu um bocado para ter uma democracia gerida por partidos e por instituições. Ainda não chegou a hora de sermos um Brasilstão, governado por uma santa rodeada de conselheiros de fino trato. Isso nada tem a ver com democracia. Isso é só mais um delírio de intelectuais, ainda e sempre os mais suscetíveis às tentações autoritárias.

Os idiotas que acham que sou antipetista a ponto de votar até num sapo se o PT estiver do outro lado nunca entenderam direito o que penso. Em dilemas que são de natureza moral, não havendo o ótimo, a obrigação é escolher o caminho menos danoso. Na democracia, felizmente, temos a possibilidade de recusar o ruim e o pior.

De todo modo, espero que a onda passe e que o destino do país não seja definido pelo cadáver de alguém que não havia se explicado o suficiente em vida. É isso.

#prontofalei

Texto publicado originalmente às 4h30 25/08/2014


domingo, 24 de agosto de 2014

Diferença entre a Bíblia Católica e a Bíblia Protestante

Por Padre Paulo Ricardo
A Bíblia Católica tem 73 livros: 46 do Antigo Testamento (AT) e 27 do Novo Testamento (NT).
A Bíblia Protestante tem 66 livros: 39 do AT e 27 do NT.
A diferença reside exatamente nos sete livros retirados do AT, mas quem os retirou foram os judeus que também retiraram os 27 livros do NT. O ato realizado pelos representantes da fé judaica ocorreu mais de 100 anos depois de Cristo. 
Logo, se os evangélicos consideram que os judeus acertaram retirando sete livros do AT, então deveriam considerar que a retirada dos 27 livros do NT também estaria certa. Fato é que a fé cristã foi toda ela produzida e conduzida por Cristo desde Pedro até o Papa Francisco.
Os sete livros retirados pelos judeus foram os seguintes:
1-Tobias
2-Judite
3-Sabedorias
4-Baruc
5-Eclesiastes
6-Macabeus I
7-Macabeus II

Acesse AQUI o vídeo com a explicação completa do Padre Paulo Ricardo. 

sábado, 23 de agosto de 2014

A ABSURDIDADE do nosso tempo no Brasil é tentar corrigir os defeitos do homem de natureza imutável, igual e imperfeita, por meio de imposições do estado. É o estatismo acima da criação divina

INTERPRETANDO CAMUS, 23/08/2014, por Anatoli Oliynik no Blog do Anatolli
Hoje estou filosófico. Falarei sobre a “absurdidade”. Um assunto sério, preocupante, mas que poucos dão a atenção que merece. Trata-se de uma característica psicológica que está afetando a nação num grau muito elevado na qual as pessoas perdem o senso da realidade do mundo tensional e concreto para viver num mundo prevalentemente absurdo, irreal e utópico onde a realidade do mundo concreto não é aceita, causa repulsa e ojeriza nas pessoas.

A minha intenção é a de fazer você pensar sobre o assunto a partir das idéias expostas a seguir:

ABSURDIDADE

Segundo Albert Camus, [pronuncia-se Camí] há quatro comportamentos possíveis ou maneiras de agir diante da absurdidade:

1. Escolher ter uma vida tão absurda quanto o absurdo. (Exemplo: «Don Juan» de Molière. Leiam o livro ou assistam ao filme)


2. O suicídio [ver box abaixo]

3. Tentar produzir um «mundo novo» para colocar no lugar deste que está aqui.(Exemplo: Robespierre na Revolução Francesa; o comunismo decorrente da Revolução Bolchevique de 1917 que produziu o genocídio de 150 milhões de pessoas).


4. Conviver com a absurdidade da vida. (Exemplo: Mersault, personagem do livro “O Estrangeiro” do próprio Camus).


Qualquer uma dessas quatro fórmulas irá gerar uma monstruosidade decorrente.

Pelo menos três das quatro situações apresentadas, são praticadas no Brasil, pois assim como Camus, o brasileiro é um povo existencialista, rebelado contra a realidade do mundo e não vê sentido na vida a não ser a vida pelos sentidos. Em suma, somos uma sociedade corpórea, uma sociedade das sensações e prazeres.

Dentro dessa perspectiva o brasileiro é dado a encontrar saídas seguindo os três primeiros itens descritos por Camus.

a) Viver na loucura do absurdo;

b) Buscar a explicação ou viver em outra esfera (outro mundo, o mundo das idéias);

c) O suicídio por falta de sentido; [ler box]

Alguns poucos procuram lidar de frente com a absurdidade do problema que também não representa a melhor alternativa das possibilidades humanas.


  1. Box: Nada justifica o suicídio porque, por mais árduas que sejam as condições de existência de uma pessoa, o homem foi feito para enfrentar durante a vida situações adversas, às vezes duríssimas. E Deus nunca recusa ao homem os auxílios de que precisa para cumprir seus deveres familiares, profissionais e sociais e para superar todas as provações. Auxílios esses que alcançamos de Deus muito especialmente através da oração: “Em verdade, em verdade vos digo: se pedirdes alguma coisa a meu Pai em meu nome, Ele vo-la dará”, disse Nosso Senhor Jesus Cristo (Jo 16, 23).“Tudo que pedirdes, com fé, na oração, o recebereis” (Mt 21, 22). O desespero do suicida é uma negação pecaminosa da misericordiosa paternidade de Deus e da promessa infalível de Jesus Cristo. – Cônego José Luiz Villac.

Assim, Albert Camus tenta transmitir a idéia da DESSACRALIZAÇÃO DA VIDA HUMANA.

Propositalmente ou não, Camus omite que dentre todos os isolamentos o maior deles é o ISOLAMENTO DE DEUS! Camus não considera isso. [Camus era ateu]

Na existência humana não se pode jamais abandonar a pergunta: QUAL O SENTIDO QUE A VIDA TEM? Tudo tem um sentido. É preciso perguntar-se constantemente: POR QUE ISSO ESTÁ ACONTECENDO? (Sugestão: assista ao filme “Pequeno Milagre” de Mark Steven Johnson. Pode ser encontrado neste link: http://anatoli-oliynik.blogspot.com.br/2009/04/pequeno-milagre.html )

Então,

QUAL A SAÍDA? DEUS ! Fora dessa possibilidade não há outras. Todas as outras são em si, becos sem saída.

O povo brasileiro se afasta cada vez mais dessa possibilidade optando pela construção social do homem que busca, a um só tempo, a perfeição em vida pelo uso da lei estatal e a afirmação do homem como ente descolado de qualquer elemento transcendente, dono de seu próprio destino, senhor do mundo. O Estado prometéico e protetor está aí, então, para que Deus?

Postado por O Duque às 11:28

A socialista e a banqueira: Uma fábula de Esopo recontada por Marina Silva

Escrito por Reinaldo Azevedo e publicado no Blog da Revista Veja 22/08/2014
Tudo bem, gente! Só o Brasil tem jabuticaba, ué. Pororoca, como a nossa, também não há igual. Somos ainda a única democracia do mundo que não tem um partido conservador viável. E “única” quer dizer “única” mesmo — não há país pequeno ou grande que nos imite nisso. O Gigante Adormecido, afinal, ao acordar, haveria de dar ao mundo alguma singularidade. E há o risco de inovarmos num outro particular: eleger, pela terceira vez, um presidente — ou “presidenta”? — sem partido. Já houve Jânio Quadros (udenista apenas no papel; ou “a UDN de porre”) e Fernando Collor. E não cessamos de dar novas jabuticabas ao mundo. Dois títulos competem nos sites nesta manhã. Um deles: “Luiza Erundina vai coordenar campanha de Marina Silva”. O outro:“Marina acena ao mercado com lei para BC autônomo”. Erundina é a deputada do PSB que é, de fato, socialista. A autonomia do Banco Central está sendo garantida, em entrevista à Folha, por Maria Alice “Neca” Setubal, sócia do Itaú e “marineira” convicta.

Isso é “Terceira Via”? É uma fábula de Esopo: “A Socialista e a Banqueira”? É só um sintoma de, sei lá como chamar, desordem ideológica? Vai saber. Na entrevista concedida à Folha, Maria Alice fala claramente em nome de Marina. Se o segredo de aborrecer é dizer tudo, então digo. Não se devem conceder licenças exclusivas a políticos. Quando isso é feito, eles vão pegando balda e começam a perder a noção de limites. Aconteceu com Lula. Durante muito anos, só ele podia dizer e fazer certas barbaridades. Olhem no que deu.

Qualquer pessoa minimamente razoável é obrigada a fazer esta pergunta: “Que outro candidato no Brasil teria um banqueiro — ou sócio de um dos maiores bancos do país — concedendo uma entrevista em nome de uma presidenciável e assegurando a independência do Banco Central, matéria que, obviamente, é do interesse do setor financeiro?”. Observem: quando digo “ser do interesse”, não estou a demonizar este setor, a tratá-lo como larápio ou cúpido. Estou apenas deixando claro que falta a esse evento o necessário decoro. Falasse, então, a própria Marina a respeito. Houvesse alguém com esse perfil falando em lugar de Aécio ou Dilma, qualquer um deles seria massacrado pela imprensa. Mas Marina, sabem como é, anda acima das águas…

Maria Alice, a conselheira — e, segundo Walter Feldman, membro do grupo de “pensadores” de Marina — aponta vários problemas em Dilma. Entre eles, este: “O século 21 é o século do novo. Acho que a Dilma reproduz uma liderança masculina. A Dilma é aquela pessoa dura, que bate na mesa, que briga, que fala que ‘eu vou fazer, eu vou acontecer, eu sei’. Isso é, no estereótipo, do coronelismo brasileiro, do político tradicional que vai resolver tudo sozinho”. Tenho dificuldade de lidar com essas categorias; não sei o que isso quer dizer. Sei que Marina assumiu a candidatura, e o PSB está rachado. Pergunto a Neca se a mansidão não pode ser intolerante. Acho que pode.

A porta-voz informal de Marina diz coisas um tanto perigosas, como esta:

“Hoje, temos uma presidente cujo perfil é de gestão, pragmático, racional. Talvez o oposto da Marina. E o resultado que nós temos é bastante insatisfatório. Toda essa fala da Dilma gestora se desfez ao longo de quatro anos. O mercado visualizando as pessoas que estão ao lado dela vai ter muito mais segurança. Ela já tem vários economistas. Terá outras, mais operadoras.”

Destrincho. Em primeiro lugar, afirmar que Dilma tem perfil de gestão, pragmático e racional beira a sandice. O que ela fez no setor elétrico, por exemplo, se encaixa em uma dessas palavras? E os sucessivos desastres nos marcos para a privatização das estradas? Neca está errada: a presidente é uma péssima gestora; não é pragmática, mas ideológica, e está longe de ser um exemplo de racionalidade — e de racionalismo. Ocorre que Marina Silva não é diferente de sua adversária, embora divirjam na agenda. A fala sugere, santo Deus!, que a líder da Rede é ainda menos gestora, menos pragmática e menos racional.

Posso ir adiante: Neca, a sócia de um dos maiores bancos do país, parece achar que gestão, racionalidade e pragmatismo são maus conselheiros. Confio que não é isso o que pensa a direção do Itaú, de que sou correntista — aliás, prefiro que ela fique na Rede… Mas voltem à fala: a entrevista é uma espécie de “Carta ao Povo Brasileiro” de Marina, agora sem intermediários. Neca não esconde que o objetivo é mesmo acalmar os mercados.

Eu não tenho taras ideológicas, só convicções. Essa história de “independência do Banco Central” — ainda que os mercados festejem nesta sexta — não pode ser um fetiche. Houve, sim, erros na condução da política monetária no Brasil. Mas digamos que ela tivesse sido 100% correta, segundo os melhores manuais: a economia brasileira estaria muito melhor do que está hoje? Isso é piada! De resto, há alguns taradinhos que acham que um Banco Central só erra quando baixa a taxa de juros. Pois é… O nosso já errou elevando-a. E aconteceu durante a crise nos EUA, na gestão do festejado Henrique Meirelles.

Isso a que estão chamado “Terceira Via” é, por enquanto, sarapatel ideológico ancorado numa figura que exercita o que eu chamaria de messianismo pós-moderno. Em que ele consiste? Marina seria capaz de conciliar todas as contradições com a força de sua pureza.

“Pô, Reinaldo, pare com isso! Melhor a Marina do que a Dilma! Está na hora de tirar essa gente daí…” Como vocês sabem, por mim, essa gente nunca teria entrado. Mas nem tudo o que não é PT me serve. E me serve menos ainda algo que, sob certos aspectos, pode ser ainda pior. A irracionalidade do PT, vá lá, é deste mundo. Ademais, quanto mais insistirem em tratar Marina como um ser etéreo, mais eu me ocuparei de suas características terrenas.

A propósito: a entrevista de Neca para acalmar os mercados, creio, se insere numa estratégia pragmática e racional, não é mesmo? Ou a dita “independência do Banco Central” é uma ideia soprada pelo Espírito da Floresta?

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

A mãe que rejeitou o presente de Deus

A mãe que rejeitou o presente de Deus
Escrito por Cid Alencastro* e publicado em junho/2009 no site Catolicismo - Revista de Cultura e Atualidades

O conto transcrito abaixo põe em evidência os desígnios de misericórdia que Deus tem quanto a toda criança que está por nascer, e como à mãe incumbe o grave dever de zelar pelo cumprimento desse plano divino.
Cid Alencastro

O augustíssimo Conselho da Santíssima Trindade — Pai, Filho e Espírito Santo —, envolto em seus eternos e divinos resplendores, reuniu-se para deliberar. Tratava-se de decidir as qualidades que seriam comunicadas às novas almas a serem criadas, a fim de que no mundo a misericórdia de Deus pudesse exercer-se com largueza ainda maior.

Desta maneira foram sendo escolhidos casais em todos os rincões dos cinco continentes, nas ilhas mais afastadas, e em toda parte onde houvesse vida humana, a fim de que gerassem filhos portadores de bênçãos especiais, para que cada qual viesse a realizar a missão a ele atribuída pelo Criador.

Já as escolhas estavam feitas e as decisões tomadas, quando a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade revestida da natureza humana, Jesus Cristo Nosso Senhor, pediu ao Padre Eterno que fosse criada mais uma alma; e que esta fosse ornada de todos os dons e graças já distribuídos às demais, de modo a representar, de algum modo, a síntese de tudo quanto naquela ocasião havia sido destinado às outras; e com isso, tal criatura pudesse dar a Deus uma glória especial.

–– Meu Filho bem-amado –– respondeu o Padre Eterno ––, a sua vontade é a minha vontade, os seus projetos são os meus projetos, e o Espírito Santo forma conosco um só desejo e uma só ação.

E assim foi feito. Aos anjos e santos do Céu foram comunicadas as decisões tomadas, para grande alegria e exultação de todos.

Numa cidade do Brasil, a vontade misericordiosa de Deus favoreceu então uma mulher, Jaína, e seu esposo, para que deles nascesse uma criança especialmente dotada, em face de um futuro altamente promissor. Passado, porém, o primeiro mês após a concepção, Satanás começou a desconfiar que aquela criança tinha algo de particular, e poderia até ser um futuro inimigo seu, difícil de vencer.

O demônio — homicida desde o princípio (Jo, 8, 44) — não duvidou em soprar no ouvido de Jaína:


–– É melhor para você abortar o fruto de seu ventre. Afinal, você já tem outros filhos, e mais um constituirá um peso insuportável. Você não poderá dedicar-se a seu trabalho, gozar seus prazeres, tomar suas liberdades, se esse importuno vier a conhecer a luz do dia. Há um direito da mulher a seu próprio corpo, que você poderá exercer livrando-se desse pequeno ser indesejável; e ninguém tem nada a ver com isso.


A princípio Jaína não concordou com aquela argumentação sofística do pai da mentira, mas teve a fraqueza de não repeli-la de pronto, deu-lhe ouvidos e sentiu nisso um certo comprazimento. Foi o suficiente para que o demônio desse mais um passo e lançasse sobre seu espírito uma névoa pegajosa de confusão, na confusão a dúvida, e na dúvida o estremecimento da alma. Seguiram-se semanas de indecisão, de temores, de pavor.

O pai da criança estava viajando. Jaína sabia que, se abortasse voluntariamente, cometeria pecado mortal, ficaria sujeita à lei da excomunhão, segundo o Código de Direito Canônico; e, de algum modo, escravizar-se-ia ao demônio.

Os anjos do Céu procuravam de todas as formas ajudar a pobre mãe com santas inspirações, incutindo clareza a seus pensamentos, fortalecendo-lhe o ânimo, ajudando-a a ordenar sua sensibilidade desvairada. Desejavam o bem dela, mas sobretudo tinham em vista a realização do desígnio divino sobre aquela criança, com conseqüente vantagem para toda a humanidade.

Não sabendo mais o que fazer, os santos anjos dirigiram-se então até o trono da Rainha do Céu e da Terra, rogando-lhe que intercedesse junto a seu Divino Filho para que não se frustrasse plano tão excelso relativo aos desígnios divinos quanto àquele nascituro.

–– Ele nada vos nega –– disseram os anjos à Mãe de Deus ––. Pedi e obtereis.

Nossa Senhora acedeu ao pedido, e ajoelhou-se humildemente ante o trono de seu Filho. Ao vê-la, o rosto d’Ele se encheu de alegria. Desceu os degraus do trono e levantou-a, com a delicadeza de um filho e a autoridade de um Deus.

Tendo a Virgem Santíssima exposto a razão de sua embaixada, Jesus Cristo respondeu-lhe:

–– Nunca nada te neguei, jamais te negarei qualquer coisa. Porque me pedes, essa criança não morrerá; nascerá e terá todas as condições para realizar a missão que o solene Conselho da Trindade lhe designou. Quanto à mãe, porém, um decreto eterno da sabedoria divina, que se aplica a todo o gênero humano, impede que eu lhe force o livre arbítrio; de modo que, como qualquer mortal, ela será responsável pelos seus atos diante do Tribunal de Deus.

Enquanto tais sublimidades se passavam no Céu, no coração daquela mãe desnaturada, pressionado por más inclinações e angústias, as sugestões diabólicas pesaram mais na balança interior do que as inspirações angélicas. Jaína tomou a trágica decisão de livrar-se de seu filho. Ela não conhecia, evidentemente, o futuro grandioso que a Providência Divina preparava para aquele pequeno ser, mas era responsável pelo que fazia. E sabia também que Deus tem desígnios de misericórdia a respeito de toda e qualquer alma, a ninguém cabendo o direito de interromper os caminhos do Criador.

Dominada por um acesso de desvario, Jaína resolveu dirigir-se imediatamente a uma clínica abortista. Na pressa em descer as escadas de sua residência, escorregou; e ao cair, bateu a cabeça no corrimão. Encontrada desmaiada, foi logo conduzida a um hospital, onde os exames atestaram perda de consciência por tempo indefinido, devido ao acidente.

Inconsciente, foi ela alimentada por sonda durante vários meses, até que se completou o tempo de dar à luz uma bela e robusta criança. Uma parente próxima de Jaína, pessoa generosa, ficou encantada com o recém-nascido; com a permissão do pai da criança, levou-a para sua casa, a fim de cuidar dela como o mais novo rebento de sua numerosa prole, e a batizou.

No Céu, a alegria dos anjos e dos santos foi intensa, e o cântico do Magnificat foi entoado espontaneamente para agradecer a Nossa Senhora. Ela, por sua vez, voltou-se para o trono de seu Divino Filho e cantou o Te Deum laudamus, Te Dominum confitemur.

Algum tempo depois, Jaína recuperou a consciência, mas não inteiramente a lucidez. Nem se lembrou de que estivera para dar à luz, e nada perguntou a respeito. Viveu ainda uma subvida, até que acabou por ser internada num asilo administrado por irmãs de caridade. Nunca mais se soube nada sobre ela.

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quinta-feira, 21 de agosto de 2014

A imagem de Hitler na desintegração do Ocidente

Escrito por Jeffrey Nyquist* e publicado no site Mídia Sem Máscara
Wotan, o incansável errante, o agitador, que ora aqui ora ali provoca a disputa ou exerce efeitos mágicos, foi transformado pelo cristianismo no demônio, só aparecendo como fogo fátuo em noites de tormenta ou como caçador fantasmagórico acompanhado de sua comitiva nas tradições locais cuja tendência era o desaparecimento. Sem dúvida alguma, o papel do errante sem trégua foi desempenhado, na Idade Média, pela figura então surgida de Ahasverus que não constitui uma lenda judaica e sim cristã, ou seja, o motivo do errante não incorporado por Cristo precisou ser projetado para os judeus, da mesma maneira que encontramos, nos outros, conteúdos que se tornaram inconscientes para nós. Em todo caso, a coincidência entre o anti-semitismo e o redespertar de Wotan é uma jinesse psicológica que deve ser mencionada...
Carl Jung, “Wotan” em Aspectos do drama contemporâneo

Desde a Segunda Guerra Mundial, o nome de Hitler tem sido um sinônimo de mal no Ocidente. Por ventura, ele acabou por ter o mesmo destino de Wotan conforme descrito por Jung acima. Com efeito, ele foi transformado em um demônio político durante uma era secular em que todos os conceitos religiosos foram suprimidos para darem lugar aos seculares. E Hitler foi o líder do movimento Nacional Socialista na Alemanha. E como Hitler foi um nacionalista, a partir de então passou a ser obsceno ser nacionalista. Simultaneamente, as referências ao socialismo de Hitler foram tipicamente silenciadas, isto é, a menos que um socialista queira dizer que a política econômica de Hitler (o próprio socialismo) salvou a economia alemã (que é o elogio que nos é permitido fazer a Hitler).

Ao usar a imagem de Hitler nos últimos 70 anos, fizemos um joguete com nós mesmos. Na educação de todos os cidadãos, inculcamos a seguinte visão acerca do genocídio: os genocídios organizados pelos comunistas devem ser mencionados na mídia com menos frequência do que os de Hitler. Embora os ditadores comunistas tenham matado dezenas de milhões a mais que Hitler, devemos pensar apenas em Hitler quando o assunto em discussão for assassinatos em massa. Quando Mao matou entre 50 e 60 milhões de chineses, ou quando Stálin matou 11 milhões de ucranianos, nós comumente evitamos o termo “genocídio” ou holocausto para descrever os crimes comunistas. Não queremos colocar em circulação palavras-chave que possam associar na mente das pessoas o marxismo ao assassinato em massa. Reservamos para Hitler os assassinatos em massa, para que a perversidade dele possa ser mais bem lembrada. Um exemplo disso: quantas pessoas chegaram a conhecer o termo “holodomor”? Essa é uma palavra ucraniana que significa o assassinato em massa que usa como arma a fome; essa ‘arma’ foi usada pelo governo de Stálin no começo dos anos 1930 e matou mais ucranianos do que Hitler matou judeus.

Em muitas das universidades hoje, aqueles que favorecem o comunismo tentam retratar Hitler como um mero copiador dos colonizadores que mataram índios e escravizaram africanos no século XIX. Do ponto de vista socialista, é importante que a palavra-chave ‘atrocidade’ associada a Hitler seja aplicada ainda mais fortemente aos países ocidentais do que aos países comunistas. Assim, nos textos dos livros de história atuais, as chamadas Guerras Indígenas nos Estados Unidos são descritas como “holocausto” ou “genocídio”. (Veja American Holocaust ou Sexual Violence and American Indian Genocide de David E. Stannard.) É muito importante que os crimes dos Estados Unidos pesem muito mais do que os outros crimes na história, até mais do que os crimes de Hitler. Um site marxista-leninista, o EspressoStalinist.com, diz que entre 95 e 114 milhões de americanos nativos foram assassinados por europeus desde os tempos de Colombo. Nos últimos tempos esses valores têm sido mais frequentemente repetidos, e é bem mais provável que eles sejam ensinados do que as velhas estimativas. O site supracitado também cita o biógrafo de Hitler, John Toland:

O conceito de campos de concentração, assim como a viabilização do genocídio, devem muito, diz ele, aos estudos da história inglesa e americana. Ele admirava os campos de prisioneiros bôeres na África do Sul e de índios no faroeste. Frequentemente ele louvava perante seus amigos próximos a eficiência que os americanos tinham no extermínio [...] dos selvagens de pele vermelha que não podiam ser domesticados pela prisão.

Sendo assim, ao cometer o holocausto, Hitler estava apenas mimetizando a política governamental americana que fora usada contra os índios. Nesse revisionismo histórico, o genocídio torna-se uma mácula especial na sociedade capitalista branca e na cristandade. Neste caso, passa-se um julgamento moral que condena a civilização ocidental, pois se a Alemanha nazista teve de ser destruída por suas atrocidades genocidas, então a América também tem de pagar o derradeiro preço.

Se uma nação se convence da sua própria e especial perversidade, como ela se defenderá? As pessoas normalmente não lutam e morrem por aquilo que acreditam ser errado. E se a perversidade americana é como a de Hitler, que direito tem a América de existir? Quanto a fronteira de um país assim, dificilmente pode se usar o nome ‘fronteira’ para ela. Certamente, tal fronteira é uma injustiça que deve cessar de existir. A ideia de um Estados Unidos como um país de origem europeia que se inspirou nos modelos políticos da Grécia e de Roma serve antes de qualquer coisa para culpar todos de racismo endêmico e indignidade.

Se o pano de fundo europeu da América é repreensível e racista, então o país deve lutar para se tornar “marrom”. Ele deve rejeitar a Europa e adotar incondicionalmente qualquer outra coisa. Todas as tribos, religiões e etnias precisam ser convidadas a viver na América, pois apenas assim a perversidade do colonialismo europeu pode ser expurgada. Apenas assim a mácula do racismo pode ser eliminada. Essa é a lógica de hoje que busca trocar a América por uma entidade multicultural. Aqui o socialismo está destinado a substituir o capitalismo. De agora em diante, não pode haver qualquer “cultura americana” ou qualquer identidade “americana”. De agora em diante, há apenas as tribos da Terra vivendo sob o jugo igualitarista.

A respeito da imagem de Hitler na desintegração do Ocidente, vemos o mesmo processo acontecer na Europa. Lá o muçulmano entra na Europa e ao europeu não é permitido uma palavra para se defender. A Europa deve se curvar a Alá e à sua religião. A Europa tem de se curvar à África e à Ásia. Não se discute se a Europa é para os europeus, pois isso sugeriria hitlerismo. Agora é a vez da Europa ser colonizada. Se Hitler foi um perverso racista, então as forças coloniais são más e racistas. Se Hitler não tinha direito de existir, então a própria Europa não tem direito de existir. O triunfo do liberalismo sobre Hitler determinou isso, e nós seguimos isso, pois não queremos estar do lado errado da história. Não obstante, lembro do aviso de Nietzsche, que deveria ser citado mais frequentemente:

Para toda espécie de homem que permanece vigorosa e próxima à natureza, o amor e o ódio, a gratidão e a vingança, a bondade e a cólera, o fazer e o não-fazer são inseparáveis. É-se bom com a condição de que também se saiba ser mau; é-se mau porque de outra forma não se poderia ser bom. De onde, portanto, provém esse estado doentio, essa ideologia contra a natureza, que nega esse caráter duplo, — que ensina como virtude suprema possuir somente um semivalor? [Vontade de Poder]

O liberalismo moderno definiu o que é bom, e definiu de tal maneira que tornou-se inegável essa definição às próprias coisas boas. Nossa própria história desde 1945 é a história da crescente paralisia estratégica. Primeiro devemos bombardear uma ponte. Depois temos de empreender uma guerra sem buscar a vitória. Depois não podemos dar o nome do nosso inimigo. Depois devemos dar exemplo aos outros deixando de lado nosso arsenal nuclear. Agora descobrimos que o guerreiro, que é homem, não tem permissão para ser um varão. Apenas a uma mulher é permitido ser viril. Vimos por aí que certos princípios universais substituíram o instinto humano — mas apenas no Ocidente (e em nenhum outro lugar). Também vimos que esses princípios podem ser auto-destrutivos ou auto-aniquilantes. E assim podemos afirmar que, em um grau mais profundo, aquilo que James Burnham afirmou sobre o liberalismo ter sido a ideologia do suicídio ocidental.

O que é um homem, pergunta Nietzsche, sem suas possibilidades de defesa e ataque? Ele é uma nulidade. A despeito de a nossa civilização ter funcionado por muito tempo com um conceito unilateral de bondade, hoje temos um falso ideal acerca daquilo que é “bom” que acaba por ditar uma política unilateral de desarmamento, uma tentativa de conciliação com inimigos mortais e a anulação da fronteira dos EUA. Os que se opõem a esse “suicídio do Ocidente” são chamados de racista e islamofóbicos. Comparam eles a Hitler. Eis um exemplo de adoção de um idealismo que faz com que “o homem ampute os instintos que possibilitam a ele ser um inimigo, a ser nocivo, a ter raiva e a insistir na vingança”, disse Nietzsche. “Esse método de atribuição de valores acredita-se ser “idealista”; nunca se duvida que no seu conceito de ‘homem bom’ encontra-se o seu mais alto desejo”.

Vemos evidentemente que a imagem de Hitler na desintegração do Ocidente não é a origem do nosso problema. Essa imagem é apenas mais uma arma psicológica forjada pelo liberalismo moderno, que se tornou vítima de um velhíssimo e falso sistema de valoração que Nietzsche criticou em 1888. Esse falso sistema de valoração foi mencionado por Carl Jung em seu livro Aion: Estudos do Simbolismo do Si-mesmo. Jung disse que a única maneira de livrarmo-nos do nosso dilema é “uma nova assimilação do mito tradicional”. Neste caso, o homem instintivo pode ser reconciliado com o homem racional (ou liberal). Não obstante, a assimilação do mito pressupõe, segundo Jung, “a continuidade do desenvolvimento histórico”. Jung tinha suas dúvidas acerca dessa possibilidade, e escreveu que “naturalmente, a tendência atual em destruir todo tipo de tradição... poderia interromper o processo normal de desenvolvimento por centenas de anos e poderia colocar em seu lugar a barbárie”. Logo adiante ele diz que “onde quer que prevaleça a utopia marxista, isso já aconteceu”. Por acaso não tem prevalecido na América a utopia marxista? Pois o que mais seria o estado de bem-estar social? O que seria então o Obamacare? E o sistema progressivo de impostos? E esse politicamente correto que impera em nossas universidades e escolas? Em que outro lugar essa pandemia de neuroses chegou a esse ponto? Certamente não na Rússia ou na China.

Ideias que causam confusão se espalharam como uma doença fatal por todo o meio político. O senso comum não é mais comum. A autoridade foi atenuada e as estruturas hierárquicas estão entrando em colapso. O processo avança desenfreadamente, pois a própria doença se apresenta como a cura. Sendo assim, toda cura passa a ser, por sua vez, considerada mais uma forma de doença. Os infectados são considerados os mais nobres e mais avançados em pensamento do que os que não são. A neurose passou a ser cada vez mais aguda, de modo que passou a ser o prenúncio de um colapso ainda maior, dado que as coisas não podem continuar assim para sempre. Alguma coisa tem de ceder. O que isso implica foi sugerido por Jung na seguinte passagem:

O grande Plano segundo o qual é construída a vida inconsciente da alma é tão inacessível à nossa compreensão que nunca podemos saber que mal é necessário para que se produza um bem por enantiodromia, e qual o bem que pode levar em direção ao mal. [“A fenomenologia do espírito no conto de fadas” em Os arquétipos e ο inconsciente coletivo]

Outro quebra-cabeças, outro paradoxo. A imagem de Hitler como o santo patrono dos perversos une a ideia de força com a ideia de mal, fazendo com que assim a fraqueza possa ser o único tipo admissível de bem. Apenas os fracos não oferecem perigo e, portanto, são aceitáveis. Assim, para que possamos justificar nossa existência, precisamos agora enfraquecermo-nos. Precisamos abandonar nosso bem-estar. Devemos abdicar das armas. Devemos pedir desculpa pelo sucesso. Devemos abrir nossas fronteiras. Devemos curvarmo-nos a Alá.

Eis um celeiro de grande perversidade, pois o que de bom acaba sendo produzido no final das contas? Nietzsche alerta que “Talvez não tenha existido, até o presente, ideologia mais perigosa, maior desatino in psychologicis que essa vontade do bem: fizeram desenvolver o tipo mais repugnante, o homem que não é livre...”. Mais adiante ele se pergunta “que adianta esforçar-se em declarar que a luta é má... Apesar de tudo se guerreia! não se pode fazer de outra maneira!”

O pacifista não pode forçar o seu pacifismo e, portanto, é uma nulidade. A própria benevolência se tornou uma nulidade, pois perdeu sua energia. Pergunte a si mesmo: Por que é obsceno agir em interesse próprio? por que devemos agir apenas em prol do interesse da maior nulidade de todas — humanidade? Quem exatamente é a humanidade? Como explicou Kierkegaard, o público é um monstruoso nada; e o que é “o público” senão a humanidade? Eis o perigo que circunda todo esse negócio de ideais universais. Eles são monstruosos nadas e nós, ao acreditarmos neles, nos anulamos.

Com tudo a nossa volta se desintegrando e a imagem de Hitler sobreposta no todo, nossa culpa coletiva nos engole. Passamos a ser subitamente incapazes de defender nossa civilização. Por que votamos em Obama? Por que aceitamos a negação da América em nome do estandarte do multiculturalismo? Por que nos tornamos co-conspiradores na ascensão do islã, na supremacia econômica da China, na sovietização das nossas escolas públicas, na socialização do sistema de saúde e no descuido do nosso arsenal nuclear?

Joseph Schumpeter uma vez escreveu que o liberalismo não poderia existir sem um apoio ‘iliberal’. Pois bem, removemos todos os apoios iliberais apenas para constatar que o próprio liberalismo não se sustenta. Assaltados pelo comunismo, pelo nazismo, e agora pela Quarta Teoria Política, temos de cortar todos os recursos iliberais no curso da batalha contra o super-iliberalismo (i.e. o totalitarismo). Será que Deus agora prepara uma enantiodromia (como diz Jung) em que o Oriente se torna Ocidente e o Ocidente se torna Oriente? Poderia haver, no meio da revolução ucraniana, uma renovação que liberte tanto o Ocidente quanto o Oriente? Ou estamos destinados a experimentar outra guerra catastrófica na própria imagem de Hitler?


Tradução: Leonildo Trombela Junior