quinta-feira, 31 de julho de 2014

Quem pode passar por cima da tragédia de um menino que implora o olhar de seu pai morto? “Papai, papai, papai... por favor, olhe para mim, paizinho!”

Assista ao vídeo AQUI e depois leia o texto escrito por Andrés Candela* e publicado no site Mídia Sem Máscara.
Senador Iván Cepeda: pouco, quase nada, utilizo vivências pessoais, embora tenha argumentos e exemplos que me permitam sustentar qualquer coluna. Queria escrever sempre como verdadeiramente penso e sinto, mas é impossível: as palavras sempre são poucas e estarão limitadas ante a impotência, a injustiça, e talvez a única coisa que teremos como improvisado relator da situação é um profundo suspiro, é o mais próximo à dor, que desconhece as palavras. O senhor deve saber melhor que eu. Não obstante, permita-me traçar-lhe um breve parágrafo como cabeçalho para tratar o tema do título.

A paternidade me avivou angústias que minha juventude sempre calou. Eu, literalmente, deixei de ser a primeira pessoa do singular para me converter a todo momento em “ela” e seu bem-estar. Quando a puseram entre meus braços não soube o que fazer. Isso nunca foi um segredo. Eu jamais me converti no “homem mais feliz do mundo” nesse dia, como ocorreu a muitos. Além disso, estive em “estado de choque” e de silêncio por vários dias, e necessitei tempo para assimilar essa diminuta vida que já faz parte da minha e que hoje necessitaria mais que a vida para imaginar minha existência sem sua proximidade.

Pois bem, senador Cepeda, considero que encobrir as vítimas das FARC de forma implícita (sem nunca se referir a elas) é uma vil canalhice, depois de tantos anos de massacres, porém parece ser uma ordem tácita, porque assim estariam fazendo muitos funcionários, senadores e jornalistas para esquentar a coroa para Santos com tão oneroso e improdutivo processo de “paz”, cujos únicos e notórios resultados são a grande quantidade de insensatez apregoadas pelos camaradas de Havana, o aumento das incursões subversivas e o regresso das FARC a diversos territórios do país onde já não estavam. Além disso, senador Cepeda, parece ao senhor que nossa realidade é tão perfeita ou imaculada que carecemos de vítimas e que devemos importá-las de Gaza? Não lhe parece que a Colômbia já tem sua boa dose de sacrificados - tanto das FARC como dos para-militares - para sair a nos ocupar dos problemas de outras latitudes no mesmo dia da instalação do Congresso da Colômbia, com um cartaz que dizia “fim do massacre em Gaza”?! E qual é - segundo seu critério, senador Cepeda - a importância que merecem as vítimas de Gaza acima das vítimas das FARC?! Porque nesse caso também devo lhe perguntar: para qual país legislará o senhor?!

Senador Cepeda, no fim de semana antes de ver sua fotografia no Twitter e a de seus companheiros no Congresso com o mencionado cartaz, também me chegou um vídeo que, lhe asseguro!, só tive coragem de vê-lo uma só vez. Um vídeo cuja cena, como pai de família, me destroçou a alma... E que Deus me ajude no parágrafo seguinte porque não sou ávido atirando letras, sou obstinado organizando-as! Essa é - talvez - minha única virtude.

E foi transitando nos caminhos de meu ócio como encontrei uma dor desmesurada, uma angústia solitária (embora houvesse muita gente a seu redor), a cara da vida e da morte postas de frente, sem as quais nenhuma existência se avaliaria. Entretanto, presenciar tão incalculável sofrimento em tão tenra idade não tem nada de vida, embora estejamos falando da morte de um verdadeiro herói sem cadeira política! Quem pode passar por cima da tragédia de um menino que implora o olhar de seu pai morto? “Papai, papai, papai... por favor, olhe para mim, paizinho!”. Não houve uma só voz que o consolasse, nem um só regaço que o protegesse... Por que? Porque a maioria de nossa pérfida classe política desvalorizou nossos verdadeiros heróis e a justiça jogou fora a venda, e agora posa com os olhos enfocando o ouro! Depois... um grupo de senadores acreditado ser o tribunal moral de todo o mundo, do mundo inteiro!

*PS: O vídeo, segundo a informação que encontrei, data de um dos tantos massacres contra a Polícia Nacional e orquestrado, indubitavelmente, pelas FARC.

*Tradução: Graça Salgueiro

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