sexta-feira, 11 de julho de 2014

É muito importante, é questão de sobrevivência de um povo saber a distinção entre direita e esquerda. Ou: a relevância de uma distinção

Escrito por Editoria MSM* e publicado no site Mídia Sem Máscara
Society is a contract between the past, the present and those yet unborn.
Edmund Burke

Na fímbria espessa da demagogia, a propaganda estabeleceu, desde 1975, um conjunto de mitos que, ainda hoje, vicejando com o brilho pálido do “pensamento único”, dominam quase por inteiro, independentemente das fórmulas políticas de circunstância, o imaginário ilhéu.

Um desses mitos fabulosos diz-nos, por exemplo, que o nazismo de Hitler e o socialismo marxista eram inimigos mortais e irreconciliáveis, estando um para o outro como a Gália de Astérix e os soldados romanos de Júlio César.

É falso, todavia (como iremos ver mais à frente). Redondamente falso, mais parecendo, aliás, o canto desafinado de um Cacofonix qualquer!

Uma “moldura mental incapacitante” (Olavo de Carvalho) tomou conta destas plagas.

Importa, pois, analisar e desmontar, para desagrado dos reacionários de carteirinha, essa doxa perniciosa e totalitária. Já.

Importa enfrentar a impostura burocrática, a qual vai reinando, suavemente, perante o sono prolongado dos compagnons de route… 

E não vale a pena dizer que “isto tudo é um debate ultrapassado”, porque não é, não senhor, uma vez que a “vanguarda” neomercantilista no poder faz questão de desenterrar, em momentos fundamentais, as ideias mais perversas e liberticidas (ver, por ex., o sr. Júlio Correia, com o seu estalinismo paquidérmico, em http://www.expressodasilhas.sapo.cv/opiniao/item/41566-a-simbolica-estalinista). É o poder nu e arbitrário; não haja qualquer dúvida.

O lumpen proletariat chegou ao topo.

E é por isso que a benevolente utopia acaba sempre em distopia.

Somos governados por saloios maquiavélicos, mascarados todavia de “modernos”, dessa modernidade lúgubre e atrasada, refastelada, enfim, nos privilégios e na depredação contínua da coisa pública.

Essa gente manda e desmanda.

Pregam, reparem bem, o ideal da “esquerda democrática” enquanto enchem os bolsos e acumulam, num ato de solidariedade invertida, casas, objetos de luxo, ações nas empresas e fortunas inexplicáveis…

Haverá no mundo algum “Estado de direito” onde o primeiro-ministro, qual monarca absoluto, possa cometer vários crimes perante o silêncio reverente e cúmplice das instâncias competentes?(ver http://www.jsn.com.cv/index.php/opiniao/1469-casimiro-de-pina-jose-maria-neves-um-principe-acima-do-estado-e-da-constituicao).

Sim, e está localizado entre os paralelos 17º 12´15´´ e 14º 48´00´´ de latitude norte e os meridianos 22º 39´20´´ e 25º 20´00´´ de longitude oeste.

Chama-se República de Cabo Verde.

Este é o paraíso dos criminosos de “colarinho branco”, cuja ternura sagrada faz lembrar, ulalá, a das célebres vacas da Índia!

O dr. José Maria Neves, com candura evangélica, vai anunciando as suas “boas novas”, vendendo falsas ilusões. Bem prega o frei Tomás!

Não interessa, ao que parece, se ele cumpriu as metas da governação.

O anúncio é tudo. E a memória é curta. O que vale é a repetição tola dos soundbites. Os eternos e belos “planos”!

De qualquer forma, há sempre idiotas úteis que confiam mais nas boas intenções do que nos fatos e na realidade.

O povo não tem trabalho e vive submerso na insegurança.

Mas isso não interessa!

Ninguém leu A Tentação Totalitária (J.-F. Revel) e, portanto, estamos completamente indefesos ante o avanço da “maré vermelha”.

Poucos analisaram os argumentos de von Mises; a estratégia revolucionária foi esquecida e, por isso, triunfa tranquilamente. Cotidianamente.

Mas há sempre aquelas boas almas (hão-de herdar um dia o paraíso!) que acham, julgando-se bem informadas, que o comunismo “morreu” com o triunfo do mercado e das trocas globais, como se o próprio Marx não tivesse, já em 1848, defendido a liberdade de comércio e Lenine a NEP, após o fracasso das primeiras experiências colectivistas. Ninguém leu nada disso.

As ideias liberais e conservadoras, que fizeram o progresso das nações, raramente aparecem na nossa esfera pública.

É isso, todavia, que faz a clássica direita, o partido dos moderados e do governo constitucional, que mais não é do que a defesa da “filosofia perene”. Baseia-se na experiência comprovada. No respeito pelo bom senso.

Vejamos.

Onde se pode encontrar, entre nós, livros tão sábios como Reflexões sobre a Revolução na Europa ou A Rebelião das Massas?

Alguém aí notou que Michel Foucault, o queridinho da esquerda caviar e das doutas cabeças “pensantes”, não passa de um apologista dos regimes mais fanáticos? (ver http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrada/10115-o-erro-de-foucault.shtml).

Quem escutou, com atenção, as palavras avisadas de umYuri Bezmenov sobre os quatro pilares da “subversão ideológica”? (https://www.youtube.com/watch?v=ToVhVj1mNVo&list=PL020109B9E82BF3A1).

Onde estão os ensaios do grande Bastiat? E as análises de Robert Nisbet?

Quem quer saber do novíssimo controlo totalitário da mídia? (https://www.youtube.com/watch?v=4VBOH4s-GVg).

Já ouviu falar dos “Hashishim”? Nunca? (ver, o quanto antes, http://home.comcast.net/~pensadoresbrasileiros/MeiraPenna/os_hashishim.htm).

Roger Scruton (http://www.roger-scruton.com/) é uma ave rara neste céu atlântico do olvido premeditado.

A Grande Estratégia, tão bem tratada por Jeffrey Nyquist, foi olimpicamente ignorada.

Quantos estudantes universitários cá do burgo já leram o Livro Negro do Comunismo?

Reina a mediocridade auto-satisfeita.

No máximo, sai um pouco de J. M. Keynes, cuja aproximação ao comunismo todos desconhecem também (ver, para começar, http://www.believeallthings.com/1472/john-maynard-keynes-communism/ ou então isto:http://www.knology.net/~bilrum/keynes.htm).

Até os nossos ilustres doutores e doutorandos confundem o autoritarismo com o totalitarismo, identificando o partido único marxistizante com o primeiro.

Mas, em 2030, tal como na parábola mística de Fourier, até a água do mar será transformada em “saborosa limonada”! Eis o ponto essencial.

O PAICV é uma esquerda radical dissimulada. A limonada de Fourier…

Os seus dirigentes defendem Fidel Castro (de quem o notável sr. Filú se declarou, aliás, admirador!), têm saudades dos “bons velhos tempos” e nunca se penitenciam pelos crimes do comunismo internacional.

Continuam a dizer, e parece que acreditam nisso, que a ditadura foi um passo “importante”, enquanto momento de “reconstrução” nacional e de “preparação” das “massas populares” (o absurdo, apesar de tudo, é patente: “prepara-se” para a liberdade na ausência da…liberdade!!!).

A hipocrisia, conjugada com a exploração da miséria, é o modus operandi.

Rejeita-se, nessa cosmovisão, qualquer ideia de self-evident truths, de que fala a Declaração Norte-Americana de 1776.

É o mesmo partido que hoje expulsa, com o zelo típico dos ayatollahs, as alunas grávidas dos liceus, mostrando o seu desprezo pelos direitos naturais e indisponíveis da pessoa humana.

A sua lógica é revolucionária, gizando, é claro, uma “democracia” fora da Constituição.

O seu modelo preferencial é o Estado total, que planifica a vida dos indivíduos e das coletividades. O fundo mental é messiânico. A lei é a vontade “iluminada” de um chefe, ou do partido. A malta é assim.

Não vê a democracia liberal como algo normal, em que partidos rivais se alternam no poder dentro de um certo e previsível quadro constitucional. Não.

A sua ideologia é, antes, uma manta de retalhos, misturando o velho marxismo com fiapos mal digeridos do liberalismo e pitadas suculentas do gramscianismo cultural, desaguando tudo num pastoso “positivismo inconsciente” (ver http://www.olavodecarvalho.org/semana/120810dc.html) de sinal burocrático-centralizador, decerto.

O PAICV não é nada parecido com o Labour Party britânico, essa esquerda moderada e civilizada.

P.S.: Num intervalo de lucidez, o jornal oficioso do regime publicou uma peça breve sobre a situação na Venezuela, revelando as misérias do “socialismo do séc. XXI” nesse país latino-americano: http://www.asemana.publ.cv/spip.php?article101032&ak=1; sobre Cuba, a ilha-prisão dos inefáveis Castro, há cerca de 40 anos (sim, quarenta anos!) que ninguém sabe de nada; nem a TCV nem os jornais indígenas ousam falar da realidade! A “espiral do silêncio” tolhe, deste modo, o entendimento das coisas e, mediante a ocultação sistemática dos factos, produz uma mentalidade cínica que só sabe identificar as mazelas do mundo livre, do capitalismo e das democracias ocidentais em geral. O resto, como que por milagre, simplesmente desaparece do mapa.



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