quinta-feira, 31 de julho de 2014

Quem pode passar por cima da tragédia de um menino que implora o olhar de seu pai morto? “Papai, papai, papai... por favor, olhe para mim, paizinho!”

Assista ao vídeo AQUI e depois leia o texto escrito por Andrés Candela* e publicado no site Mídia Sem Máscara.
Senador Iván Cepeda: pouco, quase nada, utilizo vivências pessoais, embora tenha argumentos e exemplos que me permitam sustentar qualquer coluna. Queria escrever sempre como verdadeiramente penso e sinto, mas é impossível: as palavras sempre são poucas e estarão limitadas ante a impotência, a injustiça, e talvez a única coisa que teremos como improvisado relator da situação é um profundo suspiro, é o mais próximo à dor, que desconhece as palavras. O senhor deve saber melhor que eu. Não obstante, permita-me traçar-lhe um breve parágrafo como cabeçalho para tratar o tema do título.

A paternidade me avivou angústias que minha juventude sempre calou. Eu, literalmente, deixei de ser a primeira pessoa do singular para me converter a todo momento em “ela” e seu bem-estar. Quando a puseram entre meus braços não soube o que fazer. Isso nunca foi um segredo. Eu jamais me converti no “homem mais feliz do mundo” nesse dia, como ocorreu a muitos. Além disso, estive em “estado de choque” e de silêncio por vários dias, e necessitei tempo para assimilar essa diminuta vida que já faz parte da minha e que hoje necessitaria mais que a vida para imaginar minha existência sem sua proximidade.

Pois bem, senador Cepeda, considero que encobrir as vítimas das FARC de forma implícita (sem nunca se referir a elas) é uma vil canalhice, depois de tantos anos de massacres, porém parece ser uma ordem tácita, porque assim estariam fazendo muitos funcionários, senadores e jornalistas para esquentar a coroa para Santos com tão oneroso e improdutivo processo de “paz”, cujos únicos e notórios resultados são a grande quantidade de insensatez apregoadas pelos camaradas de Havana, o aumento das incursões subversivas e o regresso das FARC a diversos territórios do país onde já não estavam. Além disso, senador Cepeda, parece ao senhor que nossa realidade é tão perfeita ou imaculada que carecemos de vítimas e que devemos importá-las de Gaza? Não lhe parece que a Colômbia já tem sua boa dose de sacrificados - tanto das FARC como dos para-militares - para sair a nos ocupar dos problemas de outras latitudes no mesmo dia da instalação do Congresso da Colômbia, com um cartaz que dizia “fim do massacre em Gaza”?! E qual é - segundo seu critério, senador Cepeda - a importância que merecem as vítimas de Gaza acima das vítimas das FARC?! Porque nesse caso também devo lhe perguntar: para qual país legislará o senhor?!

Senador Cepeda, no fim de semana antes de ver sua fotografia no Twitter e a de seus companheiros no Congresso com o mencionado cartaz, também me chegou um vídeo que, lhe asseguro!, só tive coragem de vê-lo uma só vez. Um vídeo cuja cena, como pai de família, me destroçou a alma... E que Deus me ajude no parágrafo seguinte porque não sou ávido atirando letras, sou obstinado organizando-as! Essa é - talvez - minha única virtude.

E foi transitando nos caminhos de meu ócio como encontrei uma dor desmesurada, uma angústia solitária (embora houvesse muita gente a seu redor), a cara da vida e da morte postas de frente, sem as quais nenhuma existência se avaliaria. Entretanto, presenciar tão incalculável sofrimento em tão tenra idade não tem nada de vida, embora estejamos falando da morte de um verdadeiro herói sem cadeira política! Quem pode passar por cima da tragédia de um menino que implora o olhar de seu pai morto? “Papai, papai, papai... por favor, olhe para mim, paizinho!”. Não houve uma só voz que o consolasse, nem um só regaço que o protegesse... Por que? Porque a maioria de nossa pérfida classe política desvalorizou nossos verdadeiros heróis e a justiça jogou fora a venda, e agora posa com os olhos enfocando o ouro! Depois... um grupo de senadores acreditado ser o tribunal moral de todo o mundo, do mundo inteiro!

*PS: O vídeo, segundo a informação que encontrei, data de um dos tantos massacres contra a Polícia Nacional e orquestrado, indubitavelmente, pelas FARC.

*Tradução: Graça Salgueiro

terça-feira, 29 de julho de 2014

Qualquer melhoria institucional no Brasil deve, obrigatoriamente, começar pelo Judiciário. Os poderosos desse poder aperfeiçoam vícios

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net

Por Carlos Maurício Mantiqueira*
Qualquer melhoria institucional deve, obrigatoriamente, começar pela reforma do judiciário.

Desde os tempos coloniais, aperfeiçoa seus vícios.

Subserviência ao poderoso do dia, medo de perder seus privilégios, sensação de intocabilidade, descompromisso com as consequências de seus erros, ocultação de suas fraquezas pelo espírito de corpo, nepotismo, etc.

O deboche de seus “cardeais” chega ao ponto de exigir que pobres cartorários(as) façam uma “vaquinha” para lhes comprar um presente de valor quando de uma visita desses pavões às suas unidades.

Uns contratam como assistentes as amantes dos outros para salvar as aparências.

Ingênuos que pensam estar a salvo da espionagem e registro de suas façanhas que serão usadas em futuras chantagens.

Admitir em seus quadros homens e mulheres jovens é incentivar a arrogância e o subterfúgio ao cumprimento de suas funções. Falta-lhes tempo para conciliar a vida amorosa, a educação de filhos pequenos, a ambição consumista, o desejo de viajar e a exibição de seu “status”.

Uma república decente deve ter juízes sorteados entre advogados com mais de cinquenta anos de idade e dez de profissão, para um único mandato de cinco anos, com remuneração avultada (para afastar o risco de corrupção) e demissíveis por um Conselho de Estado, caso julguem contra a letra da Lei.

Legitimidade, já! Só é Legítimo o que favorece, ao mesmo tempo, o interesse público e os direitos individuais. Os "Deuses" sabem disto...

*Carlos Maurício Mantiqueira é um livre pensador.

Postado por Jorge Serrão às 10:26:00

Ei! Você aí! Me dá um dinheiro aí! A Dilma tem R$ 152.000,00 em casa. Quem foi que levou?

De onde veio o dinheiro, Dilma?
Por Coronel do Blog do Coronel
Ontem a presidente Dilma declarou que tem R$ 152 mil em casa.

Em dinheiro vivo. Em papel moeda. Em espécie.

Como contribuinte, gostaria de saber como é que tanto dinheiro foi parar assim vivinho nas mãos de Dilma.

O seu salário, ao que consta, é depositado em banco, junto com a folha de pagamento dos funcionários públicos federais. Ao que se sabe ela recebe cerca de R$ 20 mil mensais. O dinheiro equivale, assim, a uns sete meses dos seus proventos.

Fico pensando: Dilma vai ao banco e saca em dinheiro vivo para deixar guardado embaixo do colchão?

Emite cheques e manda algum assessor sacar? 

Ou ela mesma busca no caixa eletrônico, à noite, furtivamente, em inúmeras incursões já que o limite para estas operações é de R$ 1 mil?

A declaração de renda da Dilma não informa nenhuma outra fonte de rendimentos que não seja o seu salário. Não há aluguel. Não há herança. Não há participação de lucros em nenhum empreendimento.

Por isso, não só este blogueiro, como grande parte dos brasileiros, está curioso para saber como Dilma amealhou tanto dinheiro vivo e por que guarda todo este numerário em casa, desvalorizando, dando prejuízo, numa decisão totalmente antieconômica, mesmo para uma presidente que não é muito prendada nesta área. 

É muita moeda sonante. E muita bufunfa. É muito cacau. Estes R$ 152 mil equivalem a 210 salários mínimos ou a 1.974 benefícios da Bolsa Família.

" Nós que é pobre", como declarou Lula, ontem, não estamos acostumados a ver pessoas sérias e honestas com tanto dinheiro em casa. Normalmente, tanto dindin vivo aparece ligado à corrupção, propina e crimes contra o erário, em operações da Polícia Federal.

Para evitar maledicências, a Dilma poderia apresentar os comprovantes de saques na sua conta bancária totalizando R$ 152 mil. Um extrato simples. Uma relação com datas e valores. Ou qualquer comprovante que demonstre de onde veio toda esta dinheirama. Apenas em nome da transparência pública. Não deve ser difícil para Dilma Rousseff. Afinal de contas, sendo Dilma a presidente da República, tudo deve estar declarado e registrado nos mínimos detalhes.

Poderia, mesmo, abrir a conta dos cartões corporativos, hoje mantidos sob sigilo, já que eles permitem saques em dinheiro e não só o pagamento de despesas. Apenas para não permitir ilações por parte da Oposição maldosa.

A pergunta é simples: de onde veio o dinheiro, Dilma? Mostra pra gente, Dilma.
Tags: dinheiro em casa, me dá um dinheiro aí, bolsa família, cartão corporativo, nós que é pobre, declaração de renda de Dilma, dinheiro vivo na casa da Dilma, organização PT, de onde veio o dinheiro, entrevista na Band em casa

segunda-feira, 28 de julho de 2014

A Guerra Fria foi um guerra assimétrica cujos relatos desinformam até os dias de hoje

Escrito por Olavo de Carvalho* e publicado no site Mídia Sem Máscara
Enquanto a sociedade americana fervilhava de anticomunismo, a política oficial, de Roosevelt em diante, e com a exceção notável da gestão Ronald Reagan, foi sistematicamente a do colaboracionismo nem sempre bem disfarçado.

Aceita ainda no Brasil como dogma inquestionável, a visão popular da Guerra Fria como uma luta sorrateira e implacável entre duas potências que se odiavam pode hoje ser atirada à lata de lixo como um estereótipo enganoso, história da carochinha inventada para dar aos cérebros preguiçosos a ilusão de que entendiam o que se passava.

Nos últimos decênios, tantos foram os fatos trazidos à luz pela decifração dos códigos Venona (comunicações em código entre a embaixada da URSS em Washington e o governo de Moscou) e pela pletora de documentos desencavados dos arquivos soviéticos, que praticamente nada da opinião chique dominante na época permanece de pé.

Na verdade, a ocupação principal do governo e da mídia soviéticos naquele período foi mentir contra os EUA, enquanto seus equivalentes americanos se dedicavam, com igual empenho, a mentir a favor da URSS. Não só mentir: acobertar seus crimes, proteger seus agentes, favorecer seus interesses acima dos de nações amigas e, não raro, da própria nação americana.

Em lugar do equilíbrio de forças que, secundado ou não por um obsceno equivalentismo moral, ainda aparece na mídia vulgar e nas Wikipédias da vida como retrato histórico fiel, o que se vê hoje é que o conflito EUA-URSS foi aquilo que mais tarde se chamaria “guerra assimétrica”, em que um lado combate o outro e o outro combate a si mesmo.

Não que não houvesse, da parte americana, um decidido e vigoroso anticomunismo, disposto a tudo para deter o avanço soviético na Europa, na Ásia, na África e na América Latina. Tantas foram as personalidades que se destacaram nesse combate – jornalistas, escritores, artistas, políticos, militares, agentes dos serviços de inteligência --, e tão gigantescos foram os seus esforços, que daí deriva o que possa haver de legítimo na visão dos EUA como o inimigo por excelência do movimento comunista. Basta citar os nomes de George S. Patton, Douglas MacArthur, Robert Taft, Whittaker Chambers, Joseph McCarthy, Eugene Lyons, Sidney Hook, Fulton Sheen, Edgar J. Hoover, James Jesus Angleton, Robert Conquest, Barry Goldwater, para entender por que o anticomunismo se projetou como uma imagem típica da América, não só no exterior como perante os próprios americanos.

Porém, examinado caso por caso, o que se verifica é que em cada um deles a força inspiradora foi a iniciativa pessoal e não uma política de governo; e que, praticamente sem exceção, todos os que se destacaram nessa luta foram boicotados, manietados pelas autoridades de Washington (mesmo quando eles próprios faziam parte do governo) e achincalhados pela mídia, pelo sistema de ensino e pelo show business, em vida ou pelo menos postumamente. Não raro, sabotados e perseguidos pelos seus próprios pares republicanos e conservadores, temerosos de parecer mais anticomunistas do que o anti-anticomunismo vigente no mundo chique permitia.

Em suma: enquanto a sociedade americana fervilhava de anticomunismo, a política oficial, de Roosevelt em diante, e com a exceção notável da gestão Ronald Reagan, foi sistematicamente a do colaboracionismo nem sempre bem disfarçado.

O que explica isso é que os agentes soviéticos infiltrados no governo e na grande mídia não eram cinqüenta e poucos, como pensava o infeliz Joe McCarthy, o qual pagou por esse cálculo modestíssimo o preço de tornar-se o senador americano mais odiado de todos os tempos. Eram – sabe-se hoje – mais de mil, muitos deles colocados em postos elevados da hierarquia, onde às vezes fizeram muito mais do que “influenciar”: chegaram a determinar o curso da política externa americana, sempre, é claro, num sentido favorável à URSS. O exemplo mais clássico foi a deterioração das relações entre EUA e Japão, que culminou no ataque a Pearl Harbor – um plano engenhosíssimo concebido em Moscou para livrar a URSS do perigo de uma guerra em duas frentes, jogando contra os americanos a fúria nipônica mediante um jogo bem articulado entre a “Orquestra Vermelha” de Richard Sorge em Tóquio e o conselheiro presidencial Harry Hopkins em Washington.

Mas os capítulos da saga colaboracionista se acumulam numa profusão alucinante até a gestão Clinton, quando o estímulo governamental a investimentos maciços na China fez de um país falido uma potência inimiga ameaçadora.

Não creio que essa história – talvez a mais bem documentada do séc. XX -- tenha sido jamais contada no Brasil. Mesmo nos EUA ela circula apenas entre intelectuais e historiadores de ofício, enquanto o povão ainda segue a lenda oficial. É uma história demasiado vasta e complexa para que eu pretenda resumi-la aqui. O que posso fazer é sugerir alguns livros que darão ao leitor uma visão do estado das pesquisas hoje em dia:

Diana West, American Betrayal. The Secret Assault on Our Nation’s Character (St. Martin’s, 2013).
Herbert Rommerstein and Eric Breindel, The Venona Secrets. Exposing Soviet Espionage and America’s Traitors (Regnery, 2000).
John Earl Haynes and Harvey Klehr, Venona. Decoding Soviet Espionage in America (Yale University Press, 1999).
Allen Weinstein and Alexander Vassiliev, The Haunted Wood. Soviet Espionage in America. The Stalin Era (Random House, 1999).
Paul Kengor, Dupes. How America’s Adversaries Have Manipulated Progressives for a Century (ISI Books, 2010).
Arthur Hermann, Joseph McCarthy. Reexamining the Life and Legacy of America’s Most Hated Senator (Free Press, 2000).
M. Stanton Evans, Blacklisted by History. The Untold Story of Senator Joe McCarthy (Crown Forum, 2007).
Robert K. Willcox, Target: Patton. The Plot to Assassinate General George S. Patton (Regnery, 2008).

Publicado no Diário do Comércio.


sábado, 26 de julho de 2014

Resposta a Guilherme Boulos, o vigarista delirante que, atendendo às ordens de seu partido, quer me eliminar do debate. E, claro, ele avança no antissemitismo também!

Escrito por Reinaldo Azevedo
Guilherme Boulos, o dono do MTST, o autointitulado Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, escreveu uma coluna na Folha Online com ataques a mim. Já publiquei seu texto no blog com uma breve resposta. Vamos, agora, a considerações nem tão breves. Sua coluna segue em vermelho, interrompida por considerações minhas, em azul.
*
A direita brasileira já foi melhor. Teve nomes como Roberto Campos e José Guilherme Merquior entre seus quadros, formulando sobre teoria econômica e política internacional. Naquele tempo, a direita recorria a argumentos, além do porrete. Hoje restou apenas o porrete, aplicado a esmo sem maiores requintes de análise.
Haviam me dito, e eu achava, sim, tratar-se de um erro, que esse cara era melhor. Já vivi o bastante para acertar na primeira impressão — quase sempre ao menos. Se há crítica vulgar, intelectualmente vigarista, picareta mesmo, é esta: “A direita brasileira já foi melhor”. Dez entre dez esquerdistas mixurucas, como é o caso desse rapaz, a repetem. Dizer o quê? Em primeiro lugar, esquerdistas não são exatamente bons juízes da qualidade da direita. Em segundo lugar, sempre que se buscam os tais “direitistas melhores”, eles não variam muito: Merquior (que nem de direita era) e Campos. Em terceiro lugar, note-se que, para eles, direitistas respeitáveis estão necessariamente mortos. Como esquecer que, vivo, Merquior foi alvo de um abaixo-assinado promovido por amiguinhos de Marilena Chaui, inconformados com o fato de que o intelectual apontara um óbvio plágio no livro “Cultura e Democracia”, de autoria da sedizente “filósofa”? Ela havia traduzido sem querer, sabem?, algumas páginas de um livro de Claude Lefort. Na obra desta senhora, em suma, havia coisas novas e boas. As novas não eram boas, e as boas não eram novas… E Campos? Durante anos foi tratado como mero conspirador, chamado jocosamente de “Bobby Fields” pelas esquerdas, que o consideravam americanista e entreguista. Aí eles morreram. Foram alçados ao panteão dos “direitistas melhores”.
Só para constar: nem Merquior nem Campos formularam “sobre” (para empregar a regência energúmena de Boulos) política internacional ou política econômica respectivamente. Isso é só a voz da ignorância posando de sábia. Vá se instruir, rapaz! Quanto a porrete, dizer o quê? A esquerda radical conta a sua história em cadáveres; os liberais, em direitos individuais.
Impressiona o baixo nível intelectual dos representantes da direita no debate público nacional. Não elaboram, não buscam teoria nem referências. Não fazem qualquer esforço para interpretar seriamente a realidade. Apenas atiram chavões, destilando preconceitos de senso comum e ódio de classe.
É um artigo ginasiano. Eu escrevi uma coluna sobre Boulos na Folha. Estáaqui. Ele, como se vê, responde. Comparem os textos. Avaliem quem apela à teoria e quem se limita ao xingamento. Ele baba, sim, mas ignorei esse aspecto em meu artigo porque não é relevante. Como? Esforço para interpretar seriamente a realidade??? Quer dizer que, caso eu me dedique a esse ofício, vou necessariamente concordar com ele? O link do meu artigo está aí. Procurem lá os “preconceitos de senso comum e ódio de classe”. Se eu me considerasse um bom juiz das esquerdas, eu diria que elas já foram melhores, não é? Já houve Caio Prado. Hoje, há Guilherme Boulos.
Reinaldo Azevedo é hoje o maior representante dessa turma. Com 150 mil acessos diários em seu blog mostra que há um nicho de mercado para suas estripulias.
Ao lado dele tem gente como Rodrigo Constantino, aquele que se orgulha das viagens a Miami e se despontou como legítimo defensor dos sacoleiros da Barra da Tijuca.
Antes os intelectuais de direita iam fazer estudos em Paris. Agora vão comprar roupas em Miami. Sinal dos tempos e das mentes.
Você está errado! A média diária é superior a 200 mil acessos. O mercado para as minhas estripulias é bem maior. Nunca estive em Miami. E não é por preconceito. Só entro em avião em último caso — e não há um último caso que possa me levar pra lá. A ignorância de Boulos é assombrosa até quando tenta fazer alguma ironia. Paris sempre foi a Meca dos intelectuais de esquerda. Os liberais, que ele chama “direita”, preferem outras praças, onde a guilhotina, por herança e atavismo, não separa o pensamento do pescoço. Boulos me decepciona um pouco. Passaram-me a impressão de que estávamos, sei lá, diante de um Marat dos Trópicos, de um Saint-Just da Vila Madalena… É só um Zé-Mané que não ouviu o número necessário de “nãos” quando era criança e se transformou em um pivete de classe média repetindo chavões do igualitarismo.
Dispostos a tudo para fazer barulho no debate público, mas sem substância em suas análises, aproximam-se frequentemente de um discurso delirante.
Qual é a “substância” das “análises” de Boulos? Qual é o pensamento desse chefe de milícia? Por que ele não produz teoria demonstrando a economicidade de sua luta? Por que ele não evidencia, também no campo da teoria, que o roubo da propriedade alheia é uma forma eficiente de redistribuição da riqueza? Esse rapaz tem a arrogância própria dos ignorantes — e isso, sim, é um traço de classe. Mas é agora que a coisa começa a ficar divertida.
Reinaldo Azevedo jura que o governo petista quer construir o comunismo no Brasil. E vejam, ele não está falando do Lula de 1989, mas do governo do PT de 2003 a 2014. Sim, o mesmo que garantiu lucros recordes aos bancos e empreiteiras na última década. Que manteve as bases da política econômica conservadora e que nem sequer ensaiou alguma das reformas populares historicamente defendidas pela esquerda. Neste governo que, com muito esforço, pode ser apresentado como reformista, ele enxerga secretas intenções socializantes. Certamente com o apoio da Odebrecht e de Katia Abreu. Só no delírio…
Vamos lá. Se alguém encontrar algum texto em que eu “jure” ou mesmo sugira que o PT quer construir o comunismo no Brasil, paro de fazer este blog, de escrever minhas colunas na Folha e de falar na Jovem Pan. Boulos não suportou as verdades que eu disse sobre ele em minha coluna e decidiu responder, dizendo mentiras sobre mim. Ao contrário, rapaz! Eu sempre fiz pouco caso da profissão de fé socialista do PT. Eu considero seus amiguinhos oportunistas, Boulos! Comunistas, não! São defeitos de caráter distintos. O arquivo do meu blog está aí, à disposição. Já escrevi centenas de textos sobre a intimidade do PT com o setor financeiro e suas relações incestuosas com o capital.
Boulos não reconhece os limites da lei e do estado de direito. Dentro de sua deformação essencial, no entanto, poderia ser um debatedor honesto, mas ele não é. Honestidade no debate de ideias requer informação e formação intelectual, o que ele não tem. Atribuir ao outro o que ele não pensa — e nunca escreveu — para contestá-lo não é só coisa de um mau debatedor; é coisa de um mau-caráter.
Para ele, João Goulart é que era golpista em 64.
Não! Eu afirmei que a democracia morreu em 1964 por falta de quem a defendesse — Goulart inclusive. E, sim, ele flertou com o golpe, está documentado, mas não levou a ideia adiante porque lhe faltaram condições. Vá estudar, ignorante!
Os black blocs são amigos do ministro Gilberto Carvalho.
Gilberto Carvalho confessou em entrevista que fez várias reuniões com eles. Se são “amigos”, não sei. Interlocutores, com certeza! Fatos.
E as pessoas só são favoráveis às faixas exclusivas de ônibus por medo de serem acusadas de elitistas. Ah sim, sem esquecer que a mídia brasileira – a começar pelas Organizações Globo – é controlada sistematicamente pela esquerda.
Ele baba, ele xinga. Ofende os fatos e fantasia perigos. Lembra, embora com menos poesia, dom Quixote atacando os moinhos de vento.
Boulos acha que pode invadir o pensamento alheio mais ou menos como invade a propriedade alheia. A referência às faixas é patética. Eu me referia a um dado em particular da pesquisa, segundo o qual os motoristas de carros defendem as faixas. É simples: não há razão objetiva para isso. Mas não me estenderei a respeito: os 47% de “ruim e péssimo” e os 15% de “ótimo e bom” de Haddad, seu amiguinho, argumentam por mim.
E, é evidente, nunca escrevi que a “mídia brasileira” — expressão que não emprego — é controlada pela esquerda. O que digo, de forma inequívoca, é que a imprensa veicula, majoritariamente, valores de esquerda. Fatos.
Eu babo? Eu xingo? Boulos não é aquele rapaz que prometeu fazer correr sangue durante a Copa se suas reivindicações não fossem atendidas? Quanto ao mais, dizer o quê? Referir-se a Dom Quixote para atacar um adversário que ele pretende tão desprezível é só mais uma expressão saliente de burrice. Boulos deve ter lido no Google que o Quixote era um passadista maluco, que buscava restaurar um tempo irremediavelmente perdido etc. Não, meu velho! A disputa que há lá é de valores. Não me sinto à altura da personagem, nem por associação de ideias.
A pérola mais recente é escabrosa: Israel seria vítima do marketing internacional do Hamas. No momento em que o mundo vê a olhos nus centenas de palestinos serem massacrados na Faixa de Gaza, ele denuncia uma conspiração internacional de mídia contra o Estado de Israel. Encontrou eco no também direitista delirante Luis Felipe Pondé, em artigo nesta Folha.
Teoria da conspiração vá lá, até pode ter seu charme; mas, como dizia Napoleão, entre o sublime e o ridículo há apenas um passo. Reinaldo Azevedo e seus sequazes já atravessaram faz tempo esta fronteira.
De fato, os textos que têm se prestado a publicar acerca do genocídio na Palestina já superaram o ridículo. Chegaram ao cinismo. Dizer que as crianças mortas na Faixa de Gaza são marketing é uma afronta do mesmo nível da deputada sionista que defendeu o extermínio em série das mulheres palestinas para impedir a procriação. É apologia covarde ao genocídio e ao terrorismo de Estado.
Afirmar que há um genocídio de palestinos ultrapassa o limite da delinquência intelectual: é um crime moral, especialmente quando se atribui a ação genocida aos judeus. Não é preciso ser muito sagaz para perceber que se está diante de uma das várias expressões da negação do Holocausto. E é claro que esse cara não me surpreende com essa afirmação asquerosa.
Boulos acredita que pode participar desse debate apelando a citações do Google. Não pode, não! Eu o desafio a demonstrar que escrevi que crianças mortas na Faixa de Gaza são puro marketing. É mentira! É coisa de um vagabundo intelectual. O que aponto, sim, desde sempre, é o culto da morte celebrado pelo Hamas. Publiquei neste blog um vídeo em que um porta-voz do movimento terrorista concede uma entrevista defendendo abertamente a prática dos escudos humanos. É Boulos, o filhinho de papai que está brincando de socialismo, a acusar os outros de cruzar a fronteira do ridículo?
A direita se diferencia da esquerda, dentre outras coisas, pela análise dos fatos. Mas não por criar fatos ou ignorá-los. Ao menos quando tratamos de uma direita séria.
A “análise” que esse cara faz da guerra entre Israel e o Hamas demonstra o apego que tem aos fatos. Falta-lhe a honestidade básica para, ao menos, responder ao que o outro efetivamente escreve ou pensa. Dispenso-me de indagar o que ele acha dos mais de dois mil foguetes que o Hamas disparou contra Israel em 15 dias.
No caso de Reinaldo Azevedo e dos seus, estamos num outro campo. Não é apenas a direita. É uma direita delirante. A psiquiatria clínica é clara: negação dos dados da experiência, somada a uma reconstrução da realidade pela fantasia chama-se delírio. Aqui há ainda o agravante da fixação em temas recorrentes. PT, movimentos populares e mais uns dois ou três.
Huuummm… Falou o especialista em psiquiatria! É evidente que eu não esperaria que ele fosse, nessa área, um exemplo de ética. Como se nota, num mundo em que Boulos estivesse no poder, eu seria mandado para o hospício ou para um campo de reeducação. É o burguesote radical convertido em líder de sem-teto que vem falar em negação dos dados da experiência? É Guilherme Boulos, que se pretende líder até do movimento dos sem-iPhone, que vem falar em fantasia?
Um delírio em si é inofensivo. O problema é quando começa a juntar adeptos, movidos por ódio, preconceitos e mentiras. É assim que nascem os movimentos fascistas. Quem defende extermínio higienista em Gaza também deve defendê-lo no Complexo do Alemão ou em Paraisópolis.
Extermínio higienista em Gaza? Mas Israel está fora de Gaza faz tempo! Quem elimina seus adversários no território é o Hamas. E as vítimas são os próprios palestinos.
Quem vem falar de movimento fascista? O cara que cerca a Câmara dos Vereadores para impor no berro a sua vontade? O cara que organiza a sua milícia para furar a fila dos cadastrados que estão à espera de casa? O cara que cassa dos paulistanos o direito constitucional de ir e vir? O cara que ameaça fazer correr sangue se a sua vontade não for satisfeita? O cara que decide tomar na marra terrenos cuja propriedade é regular e legal? Fascista é Boulos. Fascista e antissemita!
Reinaldo Azevedo certamente ainda não representa um risco político real, mas o crescimento de seus seguidores é um sintoma preocupante da intolerância e desapego aos fatos que ameaçam o debate público no Brasil.
Atenção! Ele está fazendo um alerta, viu, pessoal!? Boulos, a exemplo do PT — e ele não passa de mero estafeta do petismo —, também acha que faço mal ao debate público. Por isso o seu partido me botou na tal lista negra. Ora, o que ele está sugerindo? Que eu seja eliminado enquanto é tempo! O sujeito que não respeita a Constituição, que não respeita o Código Penal, que não respeita o Código Civil, que ignora as regras mais elementares da convivência civilizada, está fazendo um alerta: eu e meus seguidores ameaçamos “o debate público”. Vocês já me viram liderando milícias por aí?
É um engano imaginar que Boulos se distingue no PT. É a pessoas como ele que recorrem os Gilbertos Carvalhos e Fernandos Haddads da vida. Vocês acham o quê? Que as suas ações delinquentes durante a votação do Plano Diretor da cidade não estavam devidamente coordenadas com o partido e com o prefeito? Quando Lula fala em se reaproximar dos movimentos sociais, pensa em gente como esse rapaz. Ele é parte essencial da máquina autoritária petista.
Não, meus caros! Boulos, PT e toda essa gente não vão construir o socialismo no Brasil. Socialismo não há mais. Eles são, isto sim, é autoritários. E têm o anseio de tomar o lugar da sociedade. Foi assim que esse bestalhão se tornou hoje o agente imobiliário mais importante de São Paulo.
Ele está bravo comigo porque decidi prestar atenção a seu movimento. Eu e o Ministério Público de São Paulo. Hoje, ele se tornou um coronel urbano, o dono do programa de habitação da cidade. Haddad, o seu aliado, mantém escondido o cadastro das pessoas à espera de casa. É preciso que fique claro: boa parte da ação de Guilherme Boulos é crime caracterizado no Código Penal.
Ele fala em fatos… Pois é. A Folha, o jornal em que ele escreve, decidiu visitar uma das invasões que ele promove, no bairro do Morumbi. Não havia pessoas lá. Só barracas. Seus invasores eram de mentirinha. Os sem-teto de Boulos não existem — não no número que ele alardeia. Mas existe o MTST, o aparelho.
Compreendo. Não se chega a ser um Boulos na vida sem ser também um vigarista.


PS: Ah, sim: Boulos havia escrito quatro colunas na Folha. Ninguém tinha dado a menor bola. Na quinta, resolveu me atacar. Virou o mais lido do dia. Esperto esse moço! De líder do MSL (Movimento dos Sem-Leitores) ao topo. Com a ajuda do Reinaldo Azevedo. Ele não é o primeiro. A turma do MSL sempre espera a minha ajuda.

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Organização PT tem o tempo de televisão do PRB, mas quer os votos dirigidos pelo Edir Macedo

Por Blog do Coronel
O que importa são os votos. Foi pensando neles que Dilma mandou o Itamaraty sair das suas tradições e atacar ferozmente o estado de Israel, dando guarida ao terrorismo do Hamas, que usa crianças como escudos humanos e mulheres bomba para matar civis inocentes. 

Também é pensando em votos que Dilma vai pisar numa espécie de solo sagrado de Israel, ao ir à inauguração do mega templo da Igreja Universal do Reino de Deus, em São Paulo, na próxima quinta-feira. 

De acordo com a direção da Universal, o Templo do Rei Salomão, com 100 mil metros quadrados, foi bancado exclusivamente com doações de fieis e integrantes da própria igreja, sem necessidade de recorrer a financiamentos bancários. O bispo Edir Macedo, fundador da Universal, quis erguer uma réplica do templo que, segundo a Bíblia, foi construído em Jerusalém, no século XI AC. O Muro das Lamentações, em Israel, é um resquício do segundo templo, erguido no século VI AC.

O objetivo do líder da igreja, com a obra, é trazer um “pedaço da Terra Santa para o Brasil”. Por isso, foram importadas pedras de Israel para revestir o templo. Do lado de fora, há oliveiras trazidas do Uruguai.— Já que ele (Edir Macedo) não poderia levar todas as pessoas para Israel, ele gostaria de trazer um pedaço de Israel para cá. As pedras são o mais próximo que a gente tem do templo original, já que vieram de Hebron (Israel), de onde saíram as pedras do primeiro templo — afirmou Rogério Araújo, arquiteto responsável pela obra. O desenho da obra não teve espaço para inovações, de acordo com a Universal. — O projeto foi feito com base nas passagens bíblicas e nas ruínas existentes em Jerusalém — acrescentou o arquiteto.

Não será feita nenhuma homenagem aos palestinos. Ninguém questionará nos sermões se a Palestina tem direito a um pedaço de Israel. Muito menos Dilma. Para ela, a única coisa sagrada são os votos dos dois milhões de fiéis da Igreja Universal do Reino de Deus.

Pasadena: advogado de Cerveró promete desengavetar Dilma. Presidente é a maior responsável pela compra, segundo ele.

Publicado no Blog do Coronel
A presidente Dilma Rousseff será o alvo da defesa do ex-diretor da Petrobrás Nestor Cerveró em sua argumentação contra a decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) de responsabilizar a antiga diretoria pela compra da refinaria de Pasadena em condições desfavoráveis à estatal.

Presidente do conselho de administração da empresa na época da decisão de compra da usina, Dilma foi inocentada de qualquer responsabilidade pelo Tribunal, que considerou que a presidente não teve o acesso devido às informações sobre as condições do contrato. Em contrapartida, o TCU responsabilizou, na quarta, os diretores pela aquisição e decidiu pelo bloqueio dos seus bens.

O argumento do advogado de Cerveró, Edson Ribeiro, é que, pelo estatuto da empresa, o conselho de administração é o único responsável por qualquer aquisição. Ele cita trechos do estatuto que exigem do presidente do conselho tomar conhecimento dos detalhes das negociações. "O presidente do conselho pode pedir esclarecimentos sobre os contratos. O resumo executivo é meramente uma apresentação, um suplemento ao que é obrigatório", afirmou.

Dilma, em resposta à reportagem do Estado de março deste ano, disse não ter sido informada de cláusulas do contrato consideradas inapropriadas. São elas a de Put Option, que prevê que, em caso de desentendimento entre os sócios, a Petrobrás seria obrigada a adquirir a totalidade das ações da refinaria; e a Marlim, que determina que a Astra Oil, então sócia da estatal na usina, teria a garantia de retorno financeiro de 6,9% ao ano.

"O ministro relator foi induzido ao erro. Ele partiu de um pressuposto falso, que inúmeras vezes repetido, passou como se fosse verdadeiro. É falsa a declaração de Dilma de que o resumo executivo das condições de compra de Pasadena era técnica e juridicamente falho. Essa argumentação acabou responsabilizando quem não deveria ser responsabilizado, os diretores", argumentou Ribeiro.

Ele diz que a diretoria, na época, encaminhou documentação sobre as condições do contrato à secretaria-geral da Petrobrás, que tem como obrigação encaminhá-la ao conselho para apreciação. "Se a secretaria não encaminhou, os conselheiros não poderiam ter decidido pela compra", contestou.

Além de atacar o conselho de administração da estatal, o advogado de Cerveró focou também no ministro José Jorge, relator do processo no TCU. Por meio de petição apresentada nessa quarta, ele tentará invalidar a decisão do Tribunal de responsabilizar os diretores com o argumento de que o ministro não poderia ocupar a posição de relator por já ter sido membro do conselho da Petrobrás.

"Ele foi presidente do conselho de administração da Petrobrás em 2001 e 2002, tem interesses em sua decisão. Não basta o julgador ser um homem honesto e íntegro. Ele precisa parecer. Para isso, não deveria ser julgador", disse Ribeiro. (Estadão)

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Pasadena – Lula tentou interferir em julgamento do TCU. Até vaga no STF foi usada para pressionar ministros a aprovar operação; deu errado! US$ 792 milhões de prejuízo é apenas parte da herança maldita do PT na Petrobras

José Múcio: ministro do TCU foi chamado a SP por Lula para discutir Pasadena
O julgamento do TCU sobre a compra da refinaria de Pasadena entrará para a história como um emblema da ação do PT na gestão ruinosa da Petrobras. Destaco mais uma vez: tratou-se da investigação de uma única operação numa única empresa. Prejuízo: US$ 792 milhões. Imaginem quando o país tiver condições de fazer a devida contabilidade do tamanho do estrago… Ainda chegará a vez de analisar a refinaria de Abreu e Lima, por exemplo.

E olhem que esse relatório do TCU foi negociado, com muitas idas e vindas. Há versões bem mais severas. Mas já se falou bastante a respeito. O meu ponto agora é outro. Luiz Inácio Lula da Silva, ele mesmo!, tentou pessoalmente interferir no resultado do julgamento do TCU.

Chamou para uma conversa em São Paulo, no que foi atendido, o ministro Múcio Monteiro, que foi titular das Relações Institucionais em seu governo e está hoje no TCU. O chefão petista queria que o seu interlocutor fosse o portador de mensagem sobre a necessidade de não se condenar ninguém. Ele sabe o que disse a Múcio, e Múcio sabe a conversa que manteve com os seus pares de tribunal. Lula, no entanto, não logrou o seu intento.

Na tentativa de impedir a condenação da operação, acreditem!, até mesmo uma vaga no Supremo Tribunal Federal — vocês leram direito! — passou a circular como moeda de troca. O contemplado seria justamente alguém do TCU. Tivesse se realizado o negócio, creio que a nomeação entraria para o livro de recordes como a mais cara cadeira jamais entregue a um ministro de corte superior no Ocidente. Em reais: teria custado R$ 1.758.240.000,00.

E esse foi apenas parte do jogo pesado. José Jorge, relator do caso no tribunal, passou a ser ameaçado de forma nada velada com uma avalanche de denúncias envolvendo o seu nome caso insistisse na condenação da operação. Resistiu. Os companheiros não brincam em serviço. Nunca! Também não aprendem nada nem esquecem nada. 

Um pequeno grande livro: A Nova Era e a Revolução Cultural

Escrito por Silvio Grimaldo de Camargo* e publicado no site Mídia Sem Máscara
A decadência cultural e moral é inegável, as forças intelectuais e espirituais se esvaíram. As reações são pontuais e atomísticas, quase sempre irrelevantes. Não se pode buscar uma saída para essa situação sem a compreensão do mal que nos aflige.

Publicado pela primeira vez em 1994, A Nova Era e a Revolução Cultural aparece agora em 4ª edição, muito aumentada e acrescida de vários textos e artigos que desdobram, complementam e confirmam os ensaios originais escritos para aquela primeira edição. Além disso, realizei uma longa entrevista com Olavo de Carvalho, cuja transcrição aparece como posfácio dessa edição, na qual o autor faz um balanço das últimas duas décadas de nossa história política à luz das idéias contidas no livro. A Vide Editorial tem a satisfação de oferecer aos seus leitores um livro tão atual quanto relevante, fundamental para compreensão da estratégia revolucionária que levou a esquerda ao poder e de como nosso país chegou aonde chegou.

Na época de sua primeira publicação, o livro era um alerta aos brasileiros de que forças perturbadoras se agitavam nas profundezas da nossa vida política e cultural. O movimento era sutil, mas não imperceptível, e Olavo de Carvalho, com a maestria que seus leitores já conhecem, soube não apenas observar o que se passava, mas trazer aquelas forças subterrâneas à superfície e expô-las à luz do dia. O que ele nos apresentava eram dois monstros travando uma luta cujo resultado seria a destruição da nossa cultura, da nossa intelectualidade e da nossa ordem social. De um lado, agitava-se uma pseudo-espiritualidade, que se oferecia como alternativa tanto ao racionalismo cientificista moderno quanto às formas ocidentais do cristianismo tradicional, que não era, entretanto, mais do que o velho materialismo em vestes novas, reluzindo as cores de uma pretensa sabedoria oriental. De outro lado, o autor via a traição dos intelectuais, que abandonavam os deveres da vida do espírito e da busca da verdade para rebaixarem-se em meros agentes partidários, buscando, pela politização de todos os aspectos da vida, a conquista do poder. A esquerda, sobretudo o Partido dos Trabalhadores, inspirada em Antonio Gramsci, lenta e gradualmente conquistava a hegemonia cultural sobre a sociedade, alterando-lhe o senso-comum, tornado todos dóceis ao ideal socialista, agora sob a camuflagem das qualidades angélicas do petismo.

A revolução cultural gramsciana, naqueles dias, já avançara de modo excepcional, mas ainda era possível detê-la. Duas décadas depois, o que soara como um alerta nos aparece agora como um fato consumado. O país fôra tomado de assalto, as oposições foram desmanteladas, o congresso enfraquecido e posto de joelhos, as instituições infiltradas, a imprensa silenciada e comprada. A decadência cultural e moral é inegável, as forças intelectuais e espirituais se esvaíram. As reações são pontuais e atomísticas, quase sempre irrelevantes. Não se pode buscar uma saída para essa situação sem a compreensão do mal que nos aflige. Por essa razão, oferecemos ao leitor uma nova edição desse livro que há muito tempo sumira das livrarias, na esperança de que ele nos ajude a compreender onde estamos e que possa servir de luz a iluminar as sombras que se abateram sobre nós.

*Um P.S. Esse foi o primeiro livro do Olavo que eu li, há 14 anos, quando eu era um jovem acadêmico de Ciências Sociais na USP e procurava entender o que havia de errado com aquele ambiente universitário que me frustrava tanto. O livrinho teve um impacto enorme em mim e de certo modo traçou meu destino, destino esse que me reservaria o privilégio e a alegria de ser o organizador e editor dessa quarta edição. A melhor maneira que encontrei para agradecer ao autor por tudo que tenho aprendido desde esse meu primeiro encontro com sua obra foi torná-la mais acessível ao maior número de pessoas possível.

*Silvio Grimaldo de Camargo é sociólogo e editor.


terça-feira, 22 de julho de 2014

Machismo e coisificação da mulher. Ou: A medida do verdadeiro amor é a medida do sacrifício pelo bem do outro

MACHISMO E COISIFICAÇÃO DA MULHER
Escrito por Percival Puggina. Artigo publicado em 08.07.2014 no site www.puggina.org
Têm sido frequentes os casos de jovens que se deixam fotografar nuas por seus namorados e, depois, passam pelo constrangimento de saber que essas imagens foram postadas nas redes sociais. As consequências de tão imprópria prova de amor desabam sobre a parte frágil, determinando padecimento, processos judiciais, enfermidades psíquicas, crises de adaptação social e familiar e, em certos casos, suicídio por total incapacidade para enfrentar a situação. Surpreende que, mesmo com a reiterada divulgação de tais casos, algumas moças ainda se exponham em tão desnecessárias liberalidades.

Estranhamente, num ambiente social como o contemporâneo, ainda existem jovens convencidas de que sua paixão do momento será eterna. E eternamente responsável por elas. Afinal, eles as cativaram, hão de pensar. Falsas rosas de Éxupery, tão confiantes em seus príncipes malandros! Confundem-se diante do que mais desejam. Afligem-se em busca do amor e o confundem com sedução, desejo, paixão. Mas não é assim. A medida do verdadeiro amor é a medida do sacrifício pelo bem do outro. E como não é inteiramente própria da juventude essa capacidade de renúncia, faltam a tais amores tanto as condições da perenidade quanto o longo convívio que proporcione solidez à confiança mútua. É sabido, porém, que estas observações - conselhos, vá que sejam - não costumam ser bem recebidos por aqueles a quem se dirigem.

Quanto aos namorados pornofotógrafos, esses são malandros de escol, colecionadores de troféus. São canalhas completos, canalhas de Nelson Rodrigues, do começo ao fim de cada uma dessas tristes novelas. Canalhas ao fotografar e canalhas ao divulgar as fotos. Quanto às jovens, pensando sobre a força determinante dessa decisão de se deixarem fotografar assim pelos namorados, percebi que existe algo contraditório aí. De um lado, a jovem está dando prova a si mesma de um rompimento com a cultura da geração anterior. Ela é jovem, autônoma, moderna, liberal e se deixa fotografar como bem entende. De outro - e aqui se esconde a contradição - ela está servindo ao machismo e não à autonomia da mulher! Essa jovem, que se crê autônoma, moderna e liberal, se oferece ao altar do machismo. Ao coisificar-se, serve-o.

Nos meus tempos escolares, volta e meia aparecia alguém com uma revista Playboy. Rapidamente, os varões da sala nos agrupávamos em torno da mesa e contemplávamos aquelas desfrutáveis deusas da beleza. Nossas colegas do sexo feminino irritavam-se e esbravejavam. Conosco? Para nós? Não. A irritação delas era direcionada para as modelos da revista, para aquelas mulheres, jovens como elas, que se dispunham ao papel de objetos sexuais para agrado e consumo dos rapazes que as folheavam e delas faziam páginas viradas.

Meio século atrás, minhas colegas sabiam mais sobre si mesmas e sobre sua dignidade. Eram mais sensíveis e mais valentes no enfrentamento do machismo do que certas mocinhas do século 21.

* Percival Puggina (69) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões, integrante do grupo Pensar+ e membro da Academia Rio-Grandense de Letras.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Governo da organização PT tentou o kit gay e a formalização do aborto pelo SUS. Agora a governanta tenta reconquistar o voto evangélico e derrubar Pastor Everaldo

Por Coronel do Blog CoroneLeaks (Coturno Noturno)
Assim como o kit gay, a portaria 415 foi revogada apenas depois de intensa pressão dos evangélicos. Agora Dilma quer o voto religioso. Depois de eleita, será que ela não voltará com todas estas medidas de novo?

Segundo o jornal Valor Econômico, embora Dilma tenha cumprido promessas com os fiéis, como não apoiar projetos pela legalização do aborto ou união civil homoafetiva, há um mau humor em relação à petista entre os evangélicos. Medidas de seu governo contrariaram o segmento, como a portaria do Ministério da Saúde que formalizou o aborto legal no SUS, ao preço de R$ 443,30 por cirurgia. A medida acabou revogada. Outra contrariedade foi uma cartilha do Ministério da Educação - o chamado "kit gay" - no primeiro ano do governo. O material visava combater a homofobia na escola, mas recebeu críticas de que seria ofensivo.

Além disso, ela é criticada por não abrir o seu gabinete para líderes evangélicos. A única agenda, realizada há um ano, foi costurada por Crivella e Carvalho: um encontro com cantoras de música gospel, bispas e pastoras no Palácio do Planalto. "Dilma foi simpática, tivemos momentos de emoção, cantamos, saímos com o coração agradecido", declarou na época a cantora Ana Paula Valadão, musa dos fiéis.

O senador Magno Malta (PR-ES), frisa que o candidato dos evangélicos é Everaldo. E que no segundo turno, ele vai pedir votos para "qualquer um", menos para Dilma. Malta promete cruzar o país ao lado de Everaldo e outro líder expressivo dos religiosos, o pastor Silas Malafaia, da Associação Vitória em Cristo, que estava com José Serra (PSDB) em 2010.

Embora apareça com 3% nas pesquisas sobre sucessão presidencial, Everaldo pode alcançar 8% no Rio, onde a Assembleia de Deus é muito forte.

Everaldo disse ao Valor, entretanto, que não pode adiantar como o eleitorado evangélico vai se comportar neste ano. "Esse eleitor é igual a todo cidadão, tem CPF, paga imposto, precisa de educação, saúde e segurança pública. O debate que vou levar à população é se um país pode fechar 32 mil escolas na área rural, como pode haver uma carga tributária das mais elevadas e serviços de submundo", relatou.

Para nortear o debate, a Confederação de Conselhos de Pastores (Concepab) vai apresentar um documento aos presidenciáveis, esperando compromissos dos candidatos com os temas, em especial contra o aborto, as drogas e a união homoafetiva. Reforçam a garantia da liberdade de expressão na prática religiosa.

Um ponto novo é a defesa de um Estado laico e contra um Estado ateu. Os pastores alegam que há um movimento em curso pela proibição de se mencionar o nome de Deus em documentos oficiais, e pela retirada de símbolos religiosos, como crucifixos, de repartições públicas. (Valor Econômico)
Tags: organização PT, kit gay, Concepab, valor econômico, Pastor Everaldo, Coronel do Blog, Magno Malta, Silas Malafaia, voto religioso, aborto, gayzismo, comunismo, socialismo, formalização do aborto

domingo, 20 de julho de 2014

A esperança numa vida após a morte é mais realista, mais racional e mais científica do que a aposta em qualquer utopia social terrena. Ou:


Escrito por Olavo de Carvalho* e publicado no site Mídia Sem Máscara

Excetuada a hipótese da sabedoria infusa, é preciso algumas décadas de experiência para um sujeito entender que a esperança numa vida após a morte é mais realista, mais racional e mais científica do que a aposta em qualquer utopia social terrena. No fim a conclusão é sempre esta: ou o Paraíso ou o Nada. Como o Nada é impossível, resta aquela tentativa incansável e interminável de aproximar-se dele, a qual se chama, tradicionalmente, inferno.

Isso é a vida humana.

Dia a dia acumulam-se indícios de que ela não cessa com a morte, inclusive esse filme espetacular,Heaven is for Real, em que um menino de quatro anos mostra saber mais sobre o outro mundo do que em geral os guias iluminados dos povos sabem sobre este.

Em compensação, jamais se viu o menor sinal de que uma sociedade cientificamente planejada pudesse funcionar sem levar milhões de pessoas ao cárcere, ao cemitério ou, no mínimo, ao desespero. Quando Lincoln Steffens, um dos santos de devoção da babaquice jornalística, voltou da URSS informando “Eu vi o futuro e ele funciona”, a coisa já estava mesmo funcionando: fome e miséria, cadáveres para todo lado e a tortura institucionalizada como prática corriqueira pela mais eficiente polícia política de todos os tempos. Em cada estação de trem, as mães se apinhavam implorando que alguém levasse embora os seus bebês antes que a genial economia socialista os matasse de inanição.

Platão, na República, já demonstrava que mesmo o melhor dos regimes políticos, concebido para agradar o mais exigente dos filósofos, terminaria por se destruir a si mesmo por suas contradições internas, e cederia o lugar a alguma velha porcaria tida pelos otimistas como historicamente superada.

Uma das razões mais constantes para que as coisas sejam assim é que, precisamente, os homens se esquecem de que elas são assim. Jean Fourastié, no seu clássico Les Conditions de l’Esprit Scientifique (Gallimard, 1966), ensina que uma das forças históricas mais decisivas é o esquecimento. De geração em geração, os sábios se entusiasmam de tal modo com as suas novas descobertas que acabam não percebendo que quase sempre a dose de conhecimento perdido é quase igual à do conhecimento conquistado. Deslumbrados com os antibióticos, os circuitos integrados, os clones e as fibras óticas, até hoje não sabemos explicar como os homens de outros tempos, aqueles bárbaros, conseguiram construir as pirâmides do Egito ou manter de pé os vitrais das catedrais góticas.
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Existe uma diferença enorme entre um ideal político substantivo e a camada de adornos verbais de que se reveste. Verbalmente, o socialismo é igualdade, liberdade, etc. e tal. Substantivamente, é a unificação de poder político e econômico, portanto a criação de uma casta governante mais poderosa e mais dominadora do que a anterior. O socialismo não é ruim porque se desviou do seu ideal, mas porque o realizou.
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O discernimento estético é parte integrante da cultura espiritual. A música, as artes plásticas, o cinema e o teatro são armas letais usadas na desumanização das massas, e isto menos pelo conteúdo propagandístico explícito (uma exceção) do que pelo simples fato de dissolverem o senso estético das multidões pela exposição repetida ao feio e disforme apresentado como normal.
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O tempo da pornografia já passou. A moda agora é deformidade corporal, vômito, sangue pisado, pus e cadáveres em decomposição.
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Pessoas que escrevem mal percebem mal, retêm mal, e com a maior facilidade se enganam a si mesmas quanto às suas intenções simplesmente trocando os nomes dos sentimentos que as movem. A literatura e o conhecimento da alma humana sempre andaram juntos.

Ninguém pode apreender nuances e sutilezas da vida emocional com uma linguagem tosca, mesmo que gramaticalmente correta ou quase.
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O cristianismo jamais teve como objetivo a eliminação da pobreza. Jesus deixou isso muito claro ao dizer: "Sempre haverá pobres entre vós" -- e, pior ainda, Ele disse isso num contexto que enfatizava a prioridade dos deveres espirituais sobre quaisquer demandas, mesmo justas e necessárias, da vida material. Os comunistas não roubaram nenhuma ideia do cristianismo. Ao contrário, emprestaram-lhe a sua própria ideia, para dar a ela o prestígio de um ideal sagrado.

A única ideia que os comunistas roubaram do cristianismo não tem nada a ver com eliminação da pobreza. Foi a ideia do Juízo Final, que eles reduziram à escala histórico-social para justificar seu projeto de matar gente a granel sob pretexto edificante.
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Seres humanos normais praticam a igualdade nas suas relações pessoais na medida do razoável e aceitam a desigualdade social como coisa natural e invencível. Malucos pretendem eliminar a desigualdade social e por isso levam ao extremo a desigualdade pessoal, imaginando-se infinitamente superiores aos demais seres humanos. Mao Dzedong acreditava-se igual aos setenta milhões de chineses que ele mandou para o beleléu? 

Comunistas acreditam em "amar a humanidade impessoalmente", como se abstraída a dimensão pessoal ainda restasse algo de humano. O que amam é uma hipotética humanidade futura construída à imagem deles mesmos, em nome da qual tentam eliminar a humanidade presente.
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Sugestão: Para cada livro de filosofia, leia pelo menos cinco de História. O confronto com os fatos amortece bastante o vício de jogar com conceitos e argumentos. O filósofo que o é pelo puro "gosto dos conceitos abstratos" (fórmula de Sir Michael Dummett tão apreciada por estas bandas) não passará jamais de um menino brincando de Lego.

Publicado no Diário do Comércio.


sábado, 19 de julho de 2014

Família casa com capitalismo. Gayzismo e abortismo casam com socialismo

Mises e a família
Escrito por Lew Rockwell*, quarta-feira, 25 de dezembro de 2013, publicado no Instituto Ludwig von Mises no Brasil
O escritor, poeta e filósofo G.K. Chesterton dizia que a família era uma instituição anarquista. Com isso, ele queria dizer que não é necessário nenhum decreto do estado para que ela venha a existir. Sua existência flui naturalmente de realidades constantes na natureza do homem, sua forma sendo aperfeiçoada pelo desenvolvimento de normas sexuais e pelo avanço da civilização.
Essa observação é consistente com a brilhante discussão sobre a família feita por Ludwig von Mises em sua magistral obra Socialism, publicada em 1922. Por que Mises abordou a família e o casamento em um livro de economia que refutava o socialismo? Ele entendeu — ao contrário de muitos economistas de hoje — que os opositores de uma sociedade livre e voluntária têm um projeto amplo que geralmente começa com um ataque a essa mais do que crucial instituição burguesa.

"Propostas para transformar as relações entre os sexos há muito vêm de mãos dadas com planos para a socialização dos meios de produção", observa Mises. "O casamento deve desaparecer junto com a propriedade privada... O socialismo promete não apenas o bem-estar — riqueza para todos —, mas também a felicidade universal no amor."

Mises observou que o livro de August Bebel (alemão fundador do Partido da Social Democracia Alemã), Woman Under Socialism, um canto de glória ao amor livre publicado em 1892, foi o tratado esquerdista mais lido de sua época. Esse elo entre socialismo e promiscuidade tinha uma proposta tática. Se você não acreditasse no engodo de uma terra prometida onde a prosperidade surgiria magicamente, então você ao menos podia ter a esperança de que haveria uma libertação do jugo da maturidade e da responsabilidade sexual.

Os socialistas propunham um mundo no qual não haveria impedimentos sociais ao ilimitado prazer pessoal, com a família e a monogamia sendo os primeiros obstáculos a serem derrubados. Esse plano funcionaria? Sem chance, disse Mises: o programa socialista para o amor livre é tão impossível quanto o programa para a economia. Ambos vão contra as restrições inerentes ao mundo real.

A família, assim como a estrutura da economia de mercado, não é um produto de políticas; é um produto da associação voluntária, tornada necessária por realidades biológicas e sociais. O capitalismo reforçou o casamento e a família porque é um arranjo que depende do consentimento e do voluntarismo em todas as relações sociais.

Assim, tanto a família quanto o capitalismo compartilham as mesmas fundações institucionais e éticas. Ao tentar abolir essas fundações, os socialistas iriam substituir uma sociedade baseada nos contratos por uma baseada na violência. O resultado seria o total colapso social.

Quando os social-democratas Sidney e Beatrice Webb viajaram para a União Soviética, uma década após o lançamento do livro de Mises, eles relataram uma realidade diferente. Eles encontraram mulheres, liberadas do jugo da família e do casamento, vivendo vidas felizes e realizadas. É claro que tudo não passava de uma fantasia tão grande — na realidade, uma mentira escabrosa — quanto suas alegações de que a sociedade soviética estava se tornando a mais próspera da história.

Atualmente, nenhum intelectual mentalmente são defende o total socialismo econômico; mas uma versão mais diluída do programa socialista para a família é o que está por trás de várias das políticas sociais mais afamadas mundo afora. Essa agenda anda de mãos dadas com a restrição da economia de mercado em outras áreas.

Não é nenhuma coincidência que a ascensão do amor livre tenha acompanhado a ascensão e o completo desenvolvimento do estado assistencialista. A ideia da emancipação da necessidade de trabalhar (e de poupar e de investir) e da emancipação de nossa natureza sexual tem origem em um mesmo impulso ideológico: superar as realidades estabelecidas pela natureza. Como resultado, a família sofreu e entrou em declínio — exatamente como Mises previu que aconteceria.

Embora os defensores da família e os proponentes do capitalismo devessem estar unidos em um único programa político visando a esmagar o estado intervencionista, eles tipicamente não estão. Os defensores da família, mesmo os conservadores, frequentemente condenam o capitalismo como sendo uma força alienadora, e defendem políticas insensatas, como tarifas de importação para proteger a indústria nacional (programa de cunho nacionalista), monopólios sindicais e programas de renda mínima para pessoas casadas.

Ao mesmo tempo, os adeptos da livre iniciativa demonstram pouco interesse em relação às genuínas preocupações dos defensores da família. E ambos não parecem interessados nos ataques radicais à liberdade e à família que políticas governamentais como leis que proíbem o trabalho infantil, a obrigatoriedade de colocar os filhos em escolas (cujos currículos são estipulados pelo governo), seguridade social (que desestimula a necessidade imperativa da poupança), altos impostos e medicina socializada representam. Na visão de Mises, essa cisão é deletéria.

Não é nenhum acidente que a proposta de se tratar homens e mulheres como sendo radicalmente iguais, de ter o estado regulando as relações sexuais, de colocar crianças em creches e escolas públicas, e de garantir que filhos e pais permaneçam quase que desconhecidos uns para os outros tenha se originado com Platão, que em nada se importava com a liberdade.

Também não é nenhum acidente que essas mesmas propostas hoje em dia sejam defendidas por pessoas que não têm a mínima consideração pela família e pelas leis econômicas.

*Lew Rockwell é o chairman e CEO do Ludwig von Mises Institute, em Auburn, Alabama, editor do website LewRockwell.com, e autor dos livros Speaking of Liberty e The Left, the Right, and the State.

Tradução de Leandro Roque