segunda-feira, 30 de junho de 2014

Ouça a canção do Lobão que retrata o tempo atual da ditadura petista. Por isso e por outras posições contrárias ao PT, ele está na lista negra

Por Reinaldo Azevedo
O cantor, compositor e colunista Lobão: retrato de um tempo numa canção

Vamos lá. O cantor e compositor Lobão, também colunista da VEJA, é um dos nove “malditos” que foram parar na lista negra do PT, assinada por Alberto Cantalice, vice-presidente do partido, divulgada no site oficial da legenda e propagada pelos blogs sujos, financiados por estatais. É a verticalização da infâmia, que os fascistoides costumam promover quando chegam ao poder: o estado, o partido e as milícias atuam como ordem unida. Só para lembrar: os outros oito da lista somos eu, Augusto Nunes, Diogo Mainardi, Demétrio Magnoli, Arnaldo Jabor, Guilherme Fiuza, Marcelo Madureira e Danilo Gentilli. Essa é apenas a fornada inicial do nacional-socialismo petista. Se o partido vencer a eleição, certamente a lista será ampliada. A “Repórteres Sem Fronteiras”, a mais importante entidade internacional de defesa da independência jornalística, expressou o seu repúdio. Janio de Freitas, por sua vez, preferiu repudiar a… “Repórteres Sem Fronteiras”. Entenderam?

Adiante! Lobão fez uma música retratando, digamos assim, a alma profunda dos “companheiros” e evidenciando o espírito destes tempos. Chama-se “A Marcha dos Infames”. Ouçam e divulguem. Na sequência, publico a letra e um breve comentário a respeito.

A MARCHA DOS INFAMES
Aqueles que não são
E que jamais serão
Abusam do Poder,
Demência e obsessão.

Insistem em atacar
Com as chagas abertas do rancor,
E aos incautos fazer crer
Que seu ódio no peito é amor

Tanto martírio em vão,
Estupro da nação,
Até quando esse sonho ruim,
esse pesadelo sem fim?

Apedrejando irmãos
E os que não são iguais,
A destruição é a fé,
E a morte e a vida, banais.

E um céu sem esperança,
A Infâmia cobriu,
Com o manto da ignorância,
O desastre que nos pariu.

E o sangue dos ladrões
De outros carnavais
Na veia de vilões,
tratados como heróis.

E até quando ouvir
Cretinos e boçais
Mentir, mentir, mentir,
Eternamente mentir?

Mas o dia chegará
Em que o chão da Pátria irá tremer,
E o que não é não mais será
Em nome do povo, o Poder.

Retomo
Adequando o comentário a estes dias, gol de placa de Lobão, na letra e na melodia! Reparem que o autor recorre a uma marcha propriamente, de caráter marcial mesmo, evidenciando o espírito da soldadesca sem uniforme do petismo — afinal, essa gente é uniformizada por dentro, não é mesmo?

Na letra — que, é claro!, faz uma denúncia da maior gravidade —, Lobão apela a um tom a um só tempo grandiloquente e meio farsesco, como a evidenciar a truculência cafona e vigarista dos fascistoides de plantão.

Há dois trechos que chamam particularmente a minha atenção:

E o sangue dos ladrões
De outros carnavais
Na veia de vilões,
tratados como heróis.

Na mosca! O poder, hoje, no Brasil mistura o sangue do velho patriomonialismo — que forjou ao menos uns dois séculos de atraso — com o do novo patrimonialismo, que pretende liderar o atraso dos séculos vindouros. E gosto particularmente da última estrofe:

Mas o dia chegará
Em que o chão da Pátria irá tremer,
E O-QUE-NÃO-É não mais será
Em nome do povo, o Poder.


Tomei a liberdade de escrever em maiúsculas e usando hífen “O-QUE-NÃO-É”. É preciso que se entendam essas palavras como uma unidade semântica para que se perceba o seu caráter de sujeito do verbo “será”. “O-QUE-NÃO-É” dispensa predicativos; trata-se do falso, do engodo, da trapaça histórica, da vigarice, da mentira em si.

Divulguem por todos os meios a música de Lobão. Aí está o retrato de uma era. É uma canção de protesto destes tempos. Afinal, os “protestadores” de carteirinha do passado — Chico & Seus Miquinhos Amestrados” — estão calados diante de listas negras. Eles criavam metáforas contra a ditadura militar no passado não porque fossem, por princípio, contra ditaduras e perseguições. Opunham-se àquela ditadura em particular, mas não a outras. E julgavam que o regime não podia perseguir “as pessoas erradas”. Quando persegue “as certas”, tudo bem!

Não por acaso, nunca se opuseram à ditadura cubana. No fim das contas, foi Cuba que os pariu. A música de Lobão expõe farsantes do presente e do passado.

Participação Social da organização PT é a substituição do Congresso Nacional por conselhos (soviets)

Escrito por Percival Puggina* e publicado no site Mídia Sem Máscara

Caiu a máscara. Desnudou-se o rei. O que está em debate, afirma Gilberto Carvalho, é a hegemonia política (quem não sabe que é esse e só esse o jogo que interessa ao PT?).

O resumo deste texto é o seguinte: para o PT, ouvir a sociedade civil significa ouvir-se a si mesmo. Afirmo-o e passo a provar.

No dia 18 de junho realizou-se, em algum lugar do Palácio do Planalto, um encontro dirigido pelo ministro chefe da Casa Civil, Gilberto Carvalho, com pessoas ligadas às áreas de articulação social de seu gabinete e representantes de algumas entidades vinculadas ao tema da participação social. No foco da reunião estava o Decreto Nº 8243, através do qual a presidente Dilma instituiu o Plano Nacional de Participação Social. A longa reunião, com mais de duas de duração, foi filmada e o vídeo pode ser assistido no YouTube buscando pelo título "Encontro de participação social".

O ministro Gilberto Carvalho abriu a reunião numa fala de 15 minutos explicando seus objetivos. O que de mais significativo foi dito por ele corresponde à parte final dessa fala. Transcrevo-a literalmente a seguir. É indispensável esse trecho para que se tenha uma correta compreensão dos objetivos falaciosos e das reais intenções dos autores do referido estrupício normativo.

Fala o ministro:
"... Ao mesmo tempo fica evidente que há na sociedade brasileira uma mudança importante. Você tem hoje, e nós podemos chamar - e eu falo isso sem nenhum preconceito - uma posição de direita militante, coisa que nós não conhecíamos há uns anos atrás. Não tinha essa expressão tão forte como ela se dá hoje. Uma vigilância permanente por um conservadorismo muito marcado, que infelizmente tem vindo muito acompanhado de um certo ódio, de uma adjetivação absurda que se faz das posições de esquerda, mas ele está presente e se expressa de maneira muito forte, por razões óbvias, nos meios de comunicação.



"Isso deve ser verificado por nós e deve nos estimular a provocar esse debate, a nos empenharmos nesse debate de maneira mais clara. Ou seja, está em jogo, de fato, um debate pela hegemonia política no país. Está em jogo um debate de projetos que é muito mais além do significado desse decreto. Como se expressou muito bem um jovem hoje de manhã, numa primeira reunião que fizemos sobre esse tema, esse decreto vale mais hoje pelo que ele significa do que propriamente pelo texto dele, e pelo que ele é na prática. Ele passou a ter uma significação simbólica muito além. Eu acho que a gente tem que comprar essa briga.

"Vale a pena para nós que, de um lado significamos um governo que se pretende um governo popular, um governo que se pretende, com todas as limitações, progressista. Mas sobre tudo o desafio vale para a sociedade encarar esse debate. Por isso, para nós, a importância dessa conversa com vocês, nosso interesse em ouvi-los e também de combinarmos ações nessa perspectiva, do aprofundamento da democracia e do aprofundamento de um projeto que pretende, de fato, transformar a sociedade desse país numa sociedade justa, numa sociedade solidária com valores de fato da fraternidade e da justiça...".

Escrutinando essa fala fica impossível não perceber que o decreto, anunciado pelo governo como algo que ampliará a democracia no Brasil, tem um objetivo oculto tornado visível na fala do ministro por ele responsável. Note-se que, antes mesmo de falar das reações que o ato normativo suscitou, Gilberto Carvalho apontou para a existência de uma direita militante, coisa, diz ele "que nós não conhecíamos anos atrás" e de um conservadorismo vigilante, acompanhado de certo ódio. Ora, que autoridade moral tem o PT para atribuir postura odienta a seus opositores quando sua trajetória na política foi construída insuflando e disseminando conflitos, inclusive com assassinato de reputações e emprego frequente de atos violentos?

Mas vai além o sincericídio do ministro. Lá pelas tantas, ele afirma que "está em jogo um debate sobre a hegemonia política no país". Pronto! Caiu a máscara. Desnudou-se o rei. O que está em debate, afirma Gilberto Carvalho, é a hegemonia política (quem não sabe que é esse e só esse o jogo que interessa ao PT?). Por isso, nos termos do decreto, cabe ao governo escolher metade dos membros de seus sovietes junto a movimentos e demais órgãos da "sociedade civil" e indicar, de modo paritário, a outra metade. Nesse caso, como fica a expressiva parcela da sociedade que não aceita a hegemonia política petista? Dane-se? Vai catar coquinho? E isso é democrático? E isso é ouvir a sociedade civil?

Resumo: democracia direta e participação social, para o PT, é algo que acontece com o partido ouvindo a si mesmo. Exatamente como se viu no Rio Grande do Sul, durante o governo de Olívio Dutra, quando o "orçamento participativo" do Estado era entregue ao Parlamento num comício petista, avermelhado de bandeiras, realizado defronte aos dois poderes, na Praça da Matriz.

Veja AQUI vídeo: Participação Social do PT: A substituição do Congresso por Conselhos (Soviets)



Mais liberdade e menos estado em nossas vidas é o caminho para nos livrarmos da corrupção ou diminuí-la o máximo possível

Postado em 07 de Janeiro, 2014, no site Ordem Livre

A ingerência absurda do Estado na vida da sociedade brasileira está na raiz do problema, conforme afirmo neste artigo publicado na edição dominical (05/01/2014) do Jornal O Povo de Fortaleza:

Por que há tanta corrupção no Brasil?

Entram governos, saem governos, e uma variável insiste em persistir no cenário político brasileiro: a corrupção. A impressionante recorrência de escândalos envolvendo malversação de recursos públicos leva à questão: por que há tanta corrupção no Brasil?

Há, na certa, muitos fatores. Mas é importante entender, em primeiro lugar, que o brasileiro não nasce corrupto. A corrupção no Brasil é fruto das nossas instituições, moldadas por séculos de tradição ibérica, patrimonialista e cartorialista, onde o público se confunde desde as entranhas com o privado. Somos a república dos cartórios, dos alvarás, das concessões e, sem surpresa, do jeitinho. Criam-se dificuldades para, logo em seguida, oferecerem-se facilidades devidamente comissionadas ao agente público que presta o serviço, claro.

Adicionalmente, vemos em curso no país o desenvolvimento de um perigoso “capitalismo de compadres”. Torna-se cada vez mais rentável para uma empresa o investimento em “empreendedorismo político” e o atendimento às demandas de agentes públicos – em contraposição ao empreendedorismo de mercado, buscando a inovação e o atendimento às necessidades do consumidor. Quando tarefas tão prosaicas e, ao mesmo tempo, tão vitais ao crescimento e desenvolvimento do país, como a abertura de um negócio, a obtenção de uma licença ou o pagamento de tributos tornam-se tão complexas, é natural, e até instintivo, que os agentes busquem maneiras de contornar tais obstáculos. Acaba se tornando uma questão de sobrevivência em muitos casos. Some-se a isso a falta de uma cultura de transparência e prestação de contas por parte dos poderes públicos e um sistema penal leniente e temos um terreno fértil para a corrupção em suas diversas formas.

Sair desta lógica demanda a redução da participação estatal na sociedade. É necessário que o governo limite sua atuação a algumas poucas áreas (segurança, educação, saúde e infraestrutura básica), deixando o resto à iniciativa privada. Mundo afora, a correlação entre grau de intervenção do Estado na economia e os índices de corrupção é inequívoca. É também uma questão de bom senso: quanto maior a participação do Estado na economia e a autoridade conferida a seus agentes, maiores são as oportunidades de corrupção.

A iniciativa para uma mudança de tal profundidade não partirá de nossa classe política, zelosa em manter seus poderes e privilégios. Mas políticos também são indivíduos racionais que respondem a incentivos. Cabe, portanto, à sociedade brasileira dar-lhes o sinal por meio das instituições democráticas: queremos mais liberdade e menos Estado em nossas vidas. Somente assim nos livraremos da chaga da corrupção, que corrói diariamente nossas instituições e trava nosso desenvolvimento.

P.S.: Esse artigo é uma versão condensada deste outro: "Por que há tanta corrupção no Brasil?"

*Fábio Maia Ostermann é Bacharel em Direito (UFRGS), Graduado em Liderança para a Competitividade Global (Georgetown University) e Mestre em Ciência Política (PUCRS).

domingo, 29 de junho de 2014

A CNBB e a Igreja Católica no Brasil foram aparelhadas pelos "conselhos" marxistas. A consequência é o avanço da legalização do aborto no Brasil

Escrito por Hermes Rodrigues Nery* e publicado no site Mídia Sem Máscara

Documento nº 91 da CNBB defende "conselhos" e "radicalização da democracia".
Os progressistas assumiram postos de comando, tornaram-se ordenadores de despesa, formaram seus "conselhos" e os doutrinaram na ideologia marxista, para justificar e legitimar os encaminhamentos da "democracia radical" dentro da Igreja, relegando os padres conservadores aos papéis secundários de vigários, sem poder algum de decisão.


Em 2010, por ocasião da 48ª Assembléia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, realizada em Brasília (para comemorar o jubileu de ouro da fundação da capital federal, em pleno planalto central do País, o então secretário-geral da CNBB, Dom Dimas Lara Barbosa apresentou o documento nº 91: "Por uma Reforma do Estado com Participação Democrática", assinado em 11 de março daquele ano, meses antes do pleito que elegeria Dilma Rousseff como presidente. Naqueles dias da 48ª Assembléia, estive em Brasília, e procurei vários bispos, inclusive o próprio Dom Dimas, chamando a atenção do Plano Nacional de Direitos Humanos 3 (http://www.heitordepaola.com/publicacoes_materia.asp?id_artigo=4030), que o então presidente Lula havia apresentado nas vésperas do Natal do ano anterior, e que causou grande apreensão em vários setores da sociedade brasileira. Solicitamos que a CNBB tivesse um posicionamento firme sobre o aspecto anticristão do PNDH3. Mas não foi possível tal posição. Os temas da Assembléia vinham das bases, e um deles era o documento nº 91. "Um tema para entrar aqui em discussão vem das bases, dos conselhos!", ressaltou um dos prelados. Em relação ao PNDH3, a apreensão inicial foi apenas passageira. Logo as vozes se calaram, e vieram as acomodações conhecidas. A execução do PNDH3 continuou como prioridade do governo do PT, legitimado pelo silêncio e conivência de muitos. Depois que passou a chiadeira inicial, o PT se sentiu respaldado a agir com mais celeridade aos propósitos contidos no PNDH3. 

Muitos bispos fizeram descaso dos apelos feitos, e quando a voz solitária e heróica de Dom Luiz Gonzaga Bergonzini, o Leão de Guarulhos, clamou em defesa dos nascituros, denunciando a agenda abortista do PT em plena campanha eleitoral, muitos outros religiosos e leigos católicos da esquerda se juntaram para assinarem uma carta de apoio a Dilma Rousseff, incensada por Leonardo Boff, em evento no Rio de Janeiro. No ano seguinte, estando com Dom Bergonzini em Londrina (PR), conversamos sobre a situação nacional, e ele afirmou que continuaria quantas vezes fosse preciso se posicionando em fidelidade ao Magistério da Igreja, à sã doutrina, denunciando a agenda abortista do PT e o seu projeto de poder totalitário, confirmando assim a valentia que faltava a muitos outros religiosos e leigos católicos. Estivemos juntos novamente num ato público na Praça da Sé, em que saímos em direção ao Fórum João Mendes, onde ele protocolou uma ação contra as "Católicas pelo Direito de Decidir" (http://blogdafamiliacatolica.blogspot.com.br/2012/03/o-folheto-proibido-agora-autorizado.html). No ano seguinte, nos reencontramos no plenário do Supremo Tribunal Federal, na votação da ADPF 54, quando o STF decidiu aceitar o aborto em casos de anencefalia. Havíamos feito uma vigília durante a noite antes da votação, em frente o STF (http://diocesedeguarulhos.org.br/site/index.php/dom-luiz-gonzaga-bergonzini-participa-de-manifestacao-pela-internet-que-mobiliza-milhares-de-pessoas-a-favor-da-vida-no-caso-dos-anencefalos/). E ainda durante a votação, quando a maioria dos ministros já havia deliberado, Dom Bergonzini saiu da sessão e foi rezar um terço em frente o STF. Ele sabia que, naquele momento, pela via judiciária estava se abrindo uma brecha para a legalização do aborto no Brasil, e que a Presidente Dilma Rousseff não cumpriria sua promessa de campanha de que não tomaria iniciativa nesse sentido, o que se confirmou, mais tarde, com a sanção da Lei 12.845/2013, de triste memória. A imagem de Dom Bergonzini sozinho diante do STF, debaixo de um sol escaldante, no meio da tarde, foi de cortar o coração. O Leão de Guarulhos não se abateria até o último minuto de vida, dando o exemplo de um combatente, enquanto Igreja militante.

Via crucis de uma campanha contra o aborto
No mesmo período, percorríamos as paróquias de algumas dioceses do estado de São Paulo coletando assinaturas para a "Campanha São Paulo pela Vida", com o objetivo de incluir na constituição estadual paulista o direito a vida, desde a concepção, via iniciativa popular. Foi então que comecei a perceber uma realidade mais terrível, que ainda não tinha me dado conta. Ao apresentar a campanha aos padres, nas reuniões diocesanas de presbíteros, muitos deles disseram: "a proposta é boa, mas temos que primeiro ouvir "os conselhos" paroquiais. "Pessoalmente sou a favor da campanha, acho bonita esta iniciativa, mas temos que ouvir "os conselhos". E de outro pároco: "Não posso simplesmente apresentar um projeto bonito desses como se fosse coisa minha, ou pior ainda, como se fosse coisa do bispo, você entende? Tudo será decidido nos conselhos." 

E então, a coisa emperrou. Algo aconteceu que não entendíamos. Só funcionou quando o pároco, com a sua prerrogativa de decisão, autorizou que fossemos ao final da missa falar sobre a campanha e, em seguida, fizéssemos a coleta de assinaturas. Em muitos casos, o pároco disse que colocaria a disposição agentes pastorais. Mas quando chegávamos lá, para o mutirão pela vida, nem mesa, nem canetas, nada de estrutura mínima. Tínhamos que levar tudo por nossa conta, em certos casos, nem mesmo o pároco lá estava. A missa era rezada por um vigário, que nem sabia do que estava acontecendo, porque ninguém avisou nada. "Acho que vocês estão sendo boicotados", nos disse uma senhora que veio assinar o formulário contra o aborto. 

A campanha contra o aborto no estado de São Paulo se tornou um calvário, porque nos deu a constatação de que boa parte das paróquias visitadas está dominada por "conselhos" imbuídos de ideologia marxista, que não consideravam relevante a causa da defesa da vida desde a concepção. "Vocês estão obcecados pela questão do aborto", nos disseram. Se for um abaixo-assinado para dar moradia aos sem teto, terras para o morador de rua e direitos sociais aos afrodescendentes, então contem com a gente". Mais tarde tivemos que ouvir de um dos líderes dos conselhos: "Até o papa já disse que vocês estão obcecados pela questão do aborto!" Um deles foi mais longe: "Direito primeiro ao já nascido!". Mesmo assim, continuamos percorrendo as dioceses, algumas nos acolhendo muito bem, abrindo as portas, como o bispo de Campinas. Então fui pessoalmente falar com Dom Damasceno, presidente da CNBB e arcebispo de Aparecida. Ele foi bem receptivo e acolhedor, abrindo as portas da Basílica de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, onde fizemos um mutirão de coleta de assinaturas lá. E também Dom Beni, que telefonou autorizando um dia de coleta na Canção Nova. Mas foi apenas um único dia de mutirão. Depois, tínhamos que voltar às paróquias, e submeter o abaixo-assinado à vontade dos "conselhos". E quando isso acontecia, emperrava de novo. 

Bispos conservadores e fiéis ao Magistéiro da Igreja nos recebiam, ouviam e acolhiam, anuindo com a proposta. Quando os formulários eram encaminhados para às bases, meses decorriam sem que houvesse algum retorno. O Regional Sul 1 da CNBB, graças ao Pe. Berardo Graz, dando apoio, conseguimos mobilizar outras comissões em defesa da vida, e obter juntos, mais de cento e cinquenta mil assinaturas. Mas precisávamos chegar a trezentas e trinta mil. Tivemos então que fazer um mapeamento de paróquia por paróquia, identificar qual padre acolheria, e mesmo assim, qual tomaria a decisão dele mesmo fazer acontecer. Quando ia para os "conselhos", estancava. Mesmo assim, chegamos a mais da metade do número de assinaturas exigidas pela legislação, e como desejávamos fazer a ação vir do seio da Igreja Católica, o trabalho demorou mais para fluir. "Chamem os evangélicos, vocês precisam dos evangélicos!" Mas queríamos muito a iniciativa dos católicos. A grande lição da campanha foi a de constatar o aparelhamento ideológico da Igreja Católica no Brasil. A maior parte dos "conselhos" foram criados para serem voz do esquerdismo dentro da Igreja, minando-a por dentro, corroendo a sã doutrina, fazendo com que muitos padres fiquem de mãos atadas, imobilizados, sem saber o que fazer, como reféns dos conselhos. "A fidelidade dos sacerdotes católicos deve ser com a sã doutrina", disse eu certa vez, numa reunião de um desses "conselhos". E uma das lideranças, com voz num tom de saltar as veias, respondeu: "Esta sã doutrina é eurocêntrica. Mas saiba que a experiência da América Latina, que veio das CEBs, o protagonismo dos "conselhos populares", fará emergir a Igreja que queremos, a Igreja como "povo de Deus", e não a imposta pela hierarquia". E completou: "A questão do aborto é um obsessão desta igreja reacionária". "O povo quer pão na mesa e terra, esse sim é o direito a vida por qual temos que lutar. E conseguiremos isso com participação popular, com ‘democracia radical’, efetivamente participativa."

Outro aspecto percebido foi a crescente tomada de posição dos progressistas, em todos os níveis, nas paróquias, nas escolas e universidades, nas editoras, empresas e muitas instituições hoje apenas ditas católicas. Os progressistas assumiram postos de comando, tornaram-se ordenadores de despesa, formaram seus "conselhos" e os doutrinaram na ideologia marxista, para justificar e legitimar os encaminhamentos da "democracia radical" dentro da Igreja, relegando os padres conservadores aos papéis secundários de vigários, sem poder algum de decisão. Boa parte se acomodaram, evitando criar problemas, e preferindo tocar a rotina, em serviços burocráticos de atendimentos, sem intervir nas decisões, aceitando se tornar reféns dos "conselhos". Alguns celebram a missa diária, como se fosse apenas uma obrigação profissional e nada mais. Fazem os atendimentos necessários e somem. Vários são os casos de depressão e alcoolismo, que sofrem sem saber o que fazer debaixo do mando de tais "conselhos", com a conivência do progressista ordenador de despesa. Presenciei casos assim, nas minhas andanças em defesa da campanha contra o aborto, nas muitas visitas feitas em paróquias, de padres cerceados de suas atividades, vigiados, boicotados, que sofrem calados padecimentos incontáveis.

"O que acontece com a nossa Igreja?", queixou-me um deles. E lembrou-me uma frase de Bento XVI, em seu livro "Jesus de Nazaré": "E como estamos todos na realidade presos pelas potências que de um modo anônimo nos manipulam". E me contou: "Não apenas padres sofrem com isso, mas também bispos, e mais ainda bispos eméritos conservadores, que padecem privações sob a dependência de religiosos progressistas, idosos, muitas vezes, sem família, à mercê da vontade dos progressistas. Tudo isso causa grande dor e sofrimento no seio da Igreja, que foi tomada por dentro pela implacabilidade dos progressistas, dentre os quais muitos recorrem aos "conselhos" para dar legitimidade a este cerco aos conservadores dentro da instituição. Eles sabem que ninguém vai falar nada, ninguém tem coragem de falar, e assim, aos poucos, eles avançam e ocupam mais postos de decisão."

E então nos indagamos: o que esperar, mais adiante, em termos de defesa da sã doutrina católica, quando o próprio documento nº 91 da CNBB, em relação à reforma do Estado brasileiro, prega uma "educação popular" capaz de questionar os fundamentos do sistema político atual, questionando inclusive a "democracia representativa", e advogando a necessidade de dar poder a "novos sujeitos históricos" (os tais "conselhos populares" defendidos pelo decreto 8243/2014 da presidente Dilma Rousseff?), propondo inclusive no referido documento, "radicalizar a democracia", dizendo que "a democracia representativa não esgota todas as formas de vivência democrática", "rompendo com a supremacia institucional da cultura ocidental"? Está no documento nº 91 a defesa dos "conselhos", de modo explícito: "os conselhos paritários formam, um campo privilegiado de participação popular", propondo "a institucionalização das estruturas de participação popular", para "uma nova forma de viver a democracia". 

O fato é que o documento nº 91 está em muita sintonia com o pensamento contido no decreto nº 8243/2014 da presidente Dilma Rousseff. Não é a toa que Gilberto Carvalho se sente tão à vontade, ao saber que não haverá resistência alguma da Igreja ao decreto, porque o documento nº 91, que já foi lido e trabalhado em tantos finais de semanas, em muitas reuniões paroquiais, pelo País afora, defende o que está no decreto 8243/2014, mesmo muitos sem saber exatamente das conseqüências disso, para o País, e para a Igreja Católica no Brasil. Gilberto Carvalho sabe que as poucas vozes reacionárias não têm lastro mais nas bases já trabalhadas e tomadas, há muito tempo. Já não tem mais poder algum. E poderá rir disso, no conforto do gabinete presidencial, certo de que poderá agora avançar mais célere, em tudo aquilo que está lá contido no PNDH3, e que os próprios bispos, reunidos na 48ª Assembléia, nada disseram a respeito. Agora, poderão facilmente prosseguir no afã de sovietizar o País, repetindo aqui o queria Lênin: "todo poder aos sovietes!"

Agora ficou clara a resposta dos párocos progressistas, ao receberem o formulário da campanha contra o aborto: "ouviremos primeiro os conselhos". E entendemos o porquê tais formulários terem ficado meses esquecidos nas gavetas dos escritórios paroquiais. Os "conselhos" decidiram que a questão do aborto não é relevante. Mesmo sabendo que a maioria do povo brasileiro é contra o aborto e pela vida (82% segundo pesquisa Vox Populi). Mas os "conselhos" representam mesmo o "povo"?

*Hermes Rodrigues Nery é coordenador da Comissão Diocesana em Defesa da Vida e do Movimento Legislação e Vida, da Diocese de Taubaté. Especialista em Bioética, é pós-graduado pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. E-mail: hrneryprovida@gmail.com

sábado, 28 de junho de 2014

O relógio cujos ponteiros giram para a esquerda, mas marcam a hora certa. Isso ocorre na Bolívia porque o governo do ditador Evo Morales mandou inverter também os números. Funciona, mas é uma ditadura



Parece piada, coisa de maluco, de gente que sai mordendo os outros por aí… É bem verdade que eu jamais aceitaria ficar numa sala fechada com Evo Morales, presidente da Bolívia. Perto da janela, num edifício, então, nem pensar…

Atenção, a cúpula da Assembleia Plurinacional da Bolívia, em La Paz, exibe um novo relógio, informa o lanacion.com: os ponteiros giram para a esquerda, em sentido anti-horário, não para a direita, o que implicou, é evidente, a inversão dos números. Vejam.
O deputado Marcelo Elío, um dos bolivarianos da turma de Morales, explica o motivo: “Mudar os polos, de modo que o Sul esteja ao Norte, e o Norte, ao Sul”. Ah, bom. Eu achei que fosse apenas maluquice esquerdopata. Agora vejo que se trata de… maluquice esquerdopata.

David Choquehuanca, ministro das Relações Exteriores da Bolívia, explicou ao Congresso Boliviano: “Estamos no Sul e estamos em tempos de recuperar nossa identidade. O governo boliviano está recuperando nosso ‘Sarawi’. E, de acordo com nosso ‘Sarawi”, que significa caminho; de acordo com nosso ‘Ñan’, em quéchua, nossos relógios deveriam girar para a esquerda”.

Não entendeu nada, leitor amigo? “Sarawi” e “Ñan” querem dizer “caminho”; uma palavra em aimará e a outra em quéchua, línguas indígenas.

Então tá.

O próximo passo será, agora, mudar uma das “Orações do Rosário” para os bolivianos que insistirem em permanecer católicos, em vez de cultuar Pachamama. Refiro-me ao “Credo”, também conhecido como “Creio em Deus Pai”. Há lá uma passagem inaceitável. Reproduzo a íntegra, com destaque:

“Creio em Deus Pai todo-poderoso, criador do Céu e da terra. E em Jesus Cristo seu único Filho, Nosso Senhor, que foi concebido pelo poder do Espírito Santo; nasceu da Virgem Maria, padeceu sob Pôncio Pilatos; foi crucificado, morto e sepultado; desceu à mansão dos mortos; ressuscitou ao terceiro dia, subiu aos céus, está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso, donde há de vir a julgar os vivos e os mortos. Creio no Espírito Santo, na Santa Igreja Católica, na Comunhão dos Santos, na remissão dos pecados, na ressurreição da carne e na vida eterna. Amém.”


Não dá! Ficará assim: “está sentado à esquerda de Deus Pai todo-poderoso”. No Brasil, essa oração será submetida ao Decreto 8.243, de Dilma, a bolivariana. E ficará assim: “está sentado à esquerda (claro!) de Deus Pai todo-poderoso, donde há de vir a julgar os vivos os mortos, depois de ouvir os conselhos populares da Terra e do Céu”.

Chega! Como já perguntaria o grupo Monty Python, na melhor cena de humor que conheço, o que foi que a cultura ocidental nos deu? Saneamento? Estradas? Medicina? Saúde? Irrigação? Educação? Por Pachamama (imagem abaixo)! Isso não vale nada quando cotejado com a identidade cultural pré-colombiana, né?
Evo Morales inverteu o relógio, e tudo foi para o devido lugar. Agora, a Noruega fica na Bolívia, e a Bolívia, na Noruega.

Como está em curso um certo reflorestamento na América Latina, gente, fiquemos tranquilos: haverá muito cipó para os pósteros… Mais umas cinco gerações nessa toada, e aquela certa protuberância do cóccix revelará a sua real natureza. Nossos descendentes terão uma vistosa cauda. Hugo Chávez será reverenciado como Deus, e Evo como santo. E Lula? Será um homem santo, mas profeta de segunda grandeza.

Por Pachamama!

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Chato para a tropa da desqualificação: o conservador Pastor Everaldo fala coisa com coisa!


Pastor Everaldo: até agora, dizendo as coisas certas e sem temer a patrulha politicamente conveniente

Amplos setores da imprensa brasileira estão acostumados a tratar religiosos, especialmente evangélicos, como seres primitivos e folclóricos. A Lei 7.716 pune também o preconceito religioso, no mesmo artigo que trata de outras discriminações: de raça, cor e procedência nacional. Mas não é levado muito a sério por ninguém nesse particular. A afirmação nunca é frontal, mas são muitos os subterfúgios para sugerir que o crente — em especial o cristão, de qualquer denominação — é meio idiota, apatetado ou pilantra. A menos que se trate de um desses padres da “Escatologia da Libertação”. Se for desafiado por alguém, provo. Não é preciso ir muito longe: tentaram tirar Marco Feliciano (PSC-SP) da presidência da Comissão de Direitos Humanos na marra. Não! Eu não concordava com suas teses. Deixei isso claro. E daí? Queriam defenestrá-lo, no entanto, com base em que lei, em que código? Não havia. Era só o cerco politicamente conveniente (que não chamo mais “correto” porque, de correto, nada tem). Afinal, se é para punir alguém de quem não gostam, que mal há em transgredir a lei não é mesmo?

Muito bem! Por que essa introdução? Porque esses mesmos setores estão quebrando a cara com o Pastor Everaldo, candidato do PSC à Presidência da República. É inteligente, articulado, fala coisa com coisa e não tem receio de parecer o que é: um conservador — no melhor sentido, até agora ao menos, que essa palavra possa ter. Conheço, deixo claro, pouco de sua trajetória. Prometo tentar saber mais. Falo sobre o que leio e ouço do credo político que tem externado. Está tudo no lugar. Nos EUA, só para ter uma referência, integraria alguma ala moderada do Partido Republicano. Por aqui, ainda é tratado com certa suspicácia. Sabem como é… O homem é um cristão!!! E isso pode ser muito perigoso, né? Quando veio à luz o escândalo Luiz Moura, o deputado estadual petista que se reuniu com membros do PCC, fui ler as reportagens que haviam saído sobre ele quando apenas candidato. Foi tratado como um exemplo de recuperação! De um cristão, no entanto, convém suspeitar sempre, certo? Se um adepto do consumo de drogas se candidata, isso enriquece a democracia. Se é um pastor, há quem veja nisso grande perigo.

Everaldo esteve nesta quinta em Salvador, na convenção do PSC que oficializou o apoio à candidatura de Paulo Souto (DEM) ao governo da Bahia. Segundo informa Aguirre Talento, na Folha, afirmou:

“Defendemos a vida do ser humano desde a sua concepção, defendemos a família como está na Constituição brasileira, sem discriminar ninguém. A pessoa mais democrática e liberal é Deus, que deu livre arbítrio para o homem fazer o que bem entende de sua vida. Não é o Estado que vai dizer como vai o cidadão se comportar”.


É um repúdio ao aborto — e, em todo o mundo democrático, há partidos plenamente integrados à democracia, é evidente, que têm essa pauta (só no Brasil é que se tenta criminalizar moralmente essa escolha). Deixa claro que defende a manutenção da família nos termos da Constituição, formada por homem, mulher e filhos. Mas condena discriminações ao, com acerto, afirmar que não cabe ao estado definir certos comportamentos e escolhas. Notem: um partido tem o direito de ter uma opinião sobre o que deve ser a família legalmente constituída. Tal tese, de resto, no que concerne ao estado brasileiro (e contra a Constituição), está vencida. Mas só os autoritários, fascistoides mesmo, ambicionariam impedir a expressão de uma opinião.

Gosto da coragem que tem Everaldo de dizer coisas nas quais acredita, sem ligar para a patrulha: “Graças a Deus, estamos numa democracia, e vou repetir sempre isto; aqui não é Cuba nem Venezuela”. Na mosca! Fez, mais uma vez, uma defesa de um estado enxuto, com redirecionamento dos gastos públicos para saúde, educação e segurança pública. Está certo! No programa nacional do partido, no horário político gratuito, enfrentou a “doxa” e mandou ver: defendeu a privatização de estatais. É capaz de falar com propriedade sobre esses assuntos.

Sem máquina, sem governos de estado, dirigente de um partido pequeno, sem aparecer na televisão, sem ter a simpatia de jornalistas (muito pelo contrário), Everaldo surge com 3% ou 4% nas pesquisas de intenção de voto. E pode, escrevo de novo aqui, fazer diferença num segundo turno. Os petistas acompanham com temor a sua candidatura por motivos óbvios.

terça-feira, 24 de junho de 2014

Suicídio da Civilização Ocidental. A banalidade da visão politicamente correta: Quando o Ocidente é servido de bandeja aos seus algozes

A BANALIDADE DA VISÃO POLITICAMENTE CORRETA: QUANDO O OCIDENTE É SERVIDO DE BANDEJA AOS SEUS ALGOZES.
Por Aluízio Amorim (Do site Pletz)
Transcrevo após este prólogo artigo de Herman Glanz, do site Pletz,que propõe uma reflexão sobre o futuro da civilização ocidental que vem sendo impiedosamente dizimada não mais por exércitos, mas pela ideologia do pensamento politicamente correto que banaliza as tradições judaico-cristãs, sobre as quais se assenta o Ocidente e opera a metaformose dos conceitos do que é certo e do que é errado. No nível cultural, por meio de sofisticada engenharia social, os arautos dessa nova ordem vão impondo a sua agenda cada vez com mais vigor com a anuência do próprio Ocidente! 
Neste artigo sintético, Glanz consegue reunir os principais eventos políticos e econômicos que tem marcado o século XXI e que na verdade consistem num desdobramento, numa espécie de segunda fase mais avançada desse insidioso processo, desde que a funesta ideologia do pensamento politicamente correto passou a balizar todas as ações humanas. O título original do artigo é "A Banalidade da Visão Politicamente Correta": Leiam:
Temos continuamente falado da aspiração do fundamentalismo radical islâmico de reconstruir o Califado al Andaluz, pois tem merecido constantes declarações de eminentes figuras do mundo islâmico. Não se trata de religião, mas de dominação do mundo, cada qual ao seu modo. As guerras que se sucedem em várias partes do mundo, especialmente na África, no Oriente Médio e em outros locais da Ásia, nos deixam muito preocupados, porque neste Século XXI ainda não foi assentado um entendimento do pacifismo e da solução de conflitos.
A continuada guerra na Síria que, de uma guerra local se transformou em combate entre facções do islamismo com interferências de países visando à hegemonia, a guerra na Ucrânia, numa demonstração de desrespeito total às Nações Unidas, são motivo de grande preocupação para com o futuro. A busca da hegemonia pelo Irã, perseguindo a construção da bomba nuclear, e agora a presença do que se denomina ‘Estado Islâmico do Iraque e Síria’, conhecido pela denominação inglesa de ISIS – Islamic State of Irak and Siria, um grupo da al Queida, demonstra a visão da guerra de dominação com motivos religiosos. E tivemos a denominada Primavera Árabe, cujos resultados não se mostraram no sentido do desarmamento e democracia.
Voltamos a insistir: nada dessas descrições têm algo a ver com Israel. Mas são altamente preocupantes para nós do Mundo Ocidental, porque a banalidade da visão politicamente correta nos impede de entender o que se passa. Quando o Papa Francisco convida ShimonPeres, agora ex-presidente de Israel, e Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Palestina, para orarem pela paz, significa que os politicamente corretos Acordos de Oslo não mais existem, apenas deles restando a Autoridade Palestina, uma criação daqueles acordos.
A luta que se desenvolve no Iraque com essa organização ISIS nos mostra como podem surgir guerras intestinas entre facções de uma mesma religião pelo domínio do mundo. Já tivemos a mostra do que significa a luta pela dominação, com o 11 de setembro de 2001 em Nova Iorque. Trata-se de uma guerra diferente que muitos ainda não absorveram o significado, sem exércitos mas com terrorismo.
O Hizbollah, uma organização criada pelo Irã, está combatendo na Síria, ao lado do presidente Assad, e também está preparado para combater Israel, com milhares de mísseis destinados às áreas estratégicas de Israel, como aeroportos, bases militares e centrais elétricas. Mas o Hizbollah também se acha presente na América, especialmente na América do Sul, na Venezuela e na Argentina, assim como na Tríplice Fronteira. Tudo indica que poderemos ter problemas pela frente se não pararmos com a banalidade do politicamente correto. Do lado de cá, o Hizbollah já colaborou no atentado à AMIA, em Buenos Aires, em 1994.
Outro fato que se mostra preocupante, e do qual já falamos de há muito, diz respeito à China, que se torna a indústria do mundo, acabando com a indústria local e de todo o Ocidente, reduzindo os empregos. Quando nos dermos conta, já será tarde, com os preços dos produtos aumentando barbaramente, como foi no choque do petróleo, quando barril passou de 10 dólares para 100 dólares. E nada disso tem a ver com Israel, mas mostra as bases das lutas neste Século XXI, quando o Ocidente não terá nem armas para enfrentar a China, porque todo o aço vem da China. E nessa guerra entre o mar e o rochedo, sofre o menor, o pequeno peixe Israel.
Assim, não é por causa de Israel que se luta na Síria e no Iraque, na Nigéria e no Sudão, e em tantos outros lugares, mas a banalidade da conquista fanática radical e que também se desenvolve na China, não devemos esquecer. Na Europa já há uma grande tomada de posição contra um domínio estrangeiro. É esta a razão que nos faz esperar por milagres que sempre acontecem e às vezes não são percebidos, porque se chegará a um consenso de paz e de prosperidade se todos compreenderem a banalidade do politicamente correto, que anda sendo vendido, antes que seja tarde. Do site Pletz

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Observem Marina Silva, a Copa do Lula, a agitação revolucionária e se preparem para o pior


Escrito por Francis Lauer* e publicado no site Mídia Sem Máscara

psbmarina

Marina Silva tem um mérito, ainda que seja um mérito desmeritoso: está sabotando e inviabilizando a candidatura do Eduardo Campos no PSB nacional. É um mérito, pois o PSB é um partido programaticamente MAIS radical que o PT e, pior do que isso, é sócio-fundador do Foro de São Paulo, sendo assim o eventual substituto do projeto forista no Brasil (ganhando o PT ou o PSB, o projeto segue nos trilhos). Porém, é um demérito, pois favorece o PT e acirra a falsa polarização PSDB-PT.

Quem observar atentamente verá que o discurso adotado pelo PSB, devido a presença da Marina, acabou assumindo um tom agri-doce, no qual elogios são feitos ao Lula-Dilma com a promessa fraca de "vamos fazer melhor". Fazer isso é dar ao PT uma dupla vantagem: tanto pela oportunidade de haurir para si a parte elogiosa quanto a possibilidade de confrontar a promessa de "vamos fazer melhor" prometendo ele mesmo (o PT), também, corrigir os erros e deficiências do lulismo. Na política, empenhar a promessa que fará melhor do que o seu adversário é uma promessa neutra e óbvia, fraca. Em sendo assim percebe-se que a própria candidatura do PSB, no seu âmago, é um elogio ao PT e ao lulismo.

A dona Marina Silva nunca saiu do PT, nem o PT saiu dela. (1) Até mesmo as pedras que ladeiam o monumento aos bandeirantes sabem que é IMPERATIVO para o projeto do Foro de São Paulo conquistar o governo do maior estado e maior PIB do Brasil.

Dizia Ceausescu, o ditador romeno, que construir uma república comunista é caro, muito caro. De fato é. Sabedor disso, o projeto forista TEM de trazer para si a gestão dessa economia que num único ano orça o equivalente a 100 ou 200 Copas do Lula (#CopadoLula). Há muito em jogo: o esforço de vida de centenas de comunistas empenhados em construir a União Soviética das Américas. O bom sucesso da tomada e manutenção da nomenklatura no poder em Cuba, Venezuela, Argentina e Bolívia (entre outros) dependem do sucesso do projeto bolivariano no Brasil, e este depende de apear o PSDB da administração de um PIB de R$ 1.3 trilhões e colocá-lo sob a honestíssima e diletíssima administração do Partido dos Trabalhadores.

Com tanto em jogo, tantas vidas empenhadas desde a juventude na consecução desse ideal, o bem estar e a conveniência dos paulistas não tem importância nenhuma. Sabedora disso, a dona Marina Silva chegou ao ponto de criar um racha interno no PSB, com os olhos postos na derrota do PSDB nesse estado nevrálgico. Disse ela:

"(...) Juntamente com todos os integrantes da Rede Sustentabilidade, discordo da indicação aprovada ontem na reunião do diretório estadual do PSB de São Paulo de apoiar o projeto político do PSDB. (...) A nova força política que emerge no Brasil, interpretando o desejo de mudança tantas vezes manifestado por milhões de pessoas, encontrará também em São Paulo sua legítima expressão. (…)"

Há – visivelmente – um certo desespero (real ou fingido, não há como saber) do Foro de São Paulo em cumprir essa etapa AGORA. Em toda a América Latina e no Brasil a locomotiva vermelha sovietizante dá sinais nítidos de estresse e fadiga, seja no aspecto econômico, seja na tessitura social, seja no aspecto político e eleitoral. No Brasil não é diferente e existe, ainda que seja uma possibilidade remotíssima, o risco de perder temporariamente o governo federal. Aquinhoar São Paulo é garantir mais de um terço do PIB brasileiro. Por defeitos que tenha, o socialismo burguês do PSDB tem o mérito de impedir a rapinagem dos cofres de São Paulo tal como foi feito no Rio Grande do Sul.

Isso explica atitudes despudoradas como a da Maria Silva e seus tentáculos.

Isso explica a total falta de vergonha do jornalista José Luiz Datena no Brasil Urgente fazendo críticas abertas (e injustas) ao Geraldo Alckmin e elogios rasgados ao Haddad-PT, durante a semana passada.

Isso explica a súbita proximidade do Programa Pânico (também na Band) com o Haddad-PT, formatando uma imagem simpática dele (e do comunismo) junto aos jovens.

Isso explica os badernaços de junho-julho de 2013, alinhados desde o início contra o Palácio dos Bandeirantes.

Isso explica a comemoração de um ano dos badernaços com a greve selvagem dos sindicalistas metroviários discípulos da antiga "ala xiita" do PT, o atual PsoL entre outros.

E isso explicará uma possível rebelião em massa nos presídios ou atentados pelos comandos do crime organizado para vender a idéia que São Paulo, a capital e o estado, são lugares inseguros (ainda que até 2013 a grande São Paulo ainda sustentasse índices similares ao de uma cidade no interior do Rio Grande do Sul).
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Charge publicada pelo Sindicato de Metroviários de São Paulo. 

O chargista Latuff é um notório anti-semita.


Charge publicada pelo Sindicato de Metroviários de São Paulo. 
O chargista Latuff é um notório anti-semita.


Para o PT, Marina e asseclas, São Paulo TEM de cair, por bem ou por mal. Há muito em jogo e nesse jogo não há espaços para escrúpulos pessoais, dramas de consciência ou preocupações com cosmética individual. Ou cada um dos agentes do movimento revolucionário se submete ao "bem maior" ou serão esmagados no caos revolucionário. É tudo ou tudo.

Um alerta e um ato de prudência necessário
Uma eliminação inesperada da seleção brasileira na Copa poderá servir de estopim para uma onda de fúria popular por todo o país como resultado do acúmulo de tensões, expectativas e desconfortos. Sobretudo num momento em que diferentes facções do movimento revolucionário que detém o poder estão acirrando ao máximo as contradições existentes. Ao mesmo tempo em que essas pessoas/movimentos insuflam agitações contra o povo (por exemplo, paralisando o principal meio de transporte da principal cidade do país criando imensos transtornos e prejuízos) ou contra o governo, ocorreram também preparativos para sufocar essas revoltas com o uso das Forças Armadas. A violência de parte a parte e o empilhamento de cadáveres leva às condições de protestos e agitações generalizadas e a uma espécie de “caos revolucionário” que poderá vir justificar a ruptura da ordem constituída por parte da nomenklatura forista no poder (é a “normalização” mencionada por Yuri Bezmenov).

Isso significa o seguinte: estoque alimentos, água, prepare uma mochila de emergência, e fique longe de agitações na rua.

Não há como prever quando algo assim irá acontecer: pode ser numa eliminação prematura da seleção, num escândalo eleitoral, numa grande crise econômica (que inevitavelmetne VAI acontecer) ou num atentado.

Basta uma rajada de metralhadora oriunda sabe-se lá de onde e o Estado Democrático de Direito tal como o conhecemos poderá ser imediatamente suspenso.

Notas:
(1) Heitor de Paola na página 76 do livro “O Eixo do Mal Latino-Americano e a Nova Ordem Mundial” ao elencar normas de alto valor para entender o funcionamento de partidos comunistas orienta: “(...) 1. Não acreditar que polêmicas entre comunistas ou entre eles e partidos afins impliquem em divisão real. Avaliar se há de fato razão suficiente para as propaladas disputas (…) 2. Procurar, por detrás da aparência de desunião, sinais de unidade de ação (...)” (grifos meus) No total são 14 pontos muito valiosos e fundamentais para fazer a análise política que seja coerente com o verdadeiro contexto atual de subversão marxista.

*Francis Lauer é tradutor.

domingo, 22 de junho de 2014

Organização PT divulga lista de jornalistas a serem perseguidos. "Repórteres sem fronteiras" critica "a lista do PT" que deve ter outras medidas contra a democracia



Se, no Brasil, muita gente prefere olhar de lado e fazer de conta que nada aconteceu, não é assim em países e entidades em que a liberdade de expressão é levada a sério. Tomei conhecimento, primeiro, por intermédio do blog do jornalista Claudio Tognolli, cujo post reproduzo abaixo: a entidade “Repórteres sem Fronteiras” publica um texto em seu site (versão em inglês) em que expressa a sua preocupação com o fato de o PT criar uma “lista” de jornalistas que não agradam ao regime. Leiam. Volto depois.
*
A tensão entre o governo e os jornalistas da oposição acaba de subir de tom. Num artigo publicado a 16 de junho de 2014 no site do Partido dos Trabalhadores (PT), atualmente no poder, o vice-presidente do partido Alberto Cantalice estabelece uma lista negra de jornalistas designados como os “pitbulls da grande mídia”. Para o dirigente petista, o ódio de Reinaldo Azevedo, Arnaldo Jabor, Demétrio Magnoli, Guilherme Fiúza, Augusto Nunes Diogo Mainardi, Lobão e dos humoristas Danilo Gentili e Marcelo Madureira contra as medidas progressistas dos governos Lula e Rousseff se tornou ainda mais evidente desde o começo do Mundial, que esperam que fracasse.

Esses “inimigos da pátria” não demoraram a responder. O jornalista Demétrio Magnoli denunciou em Globo um artigo “calunioso” e uma ação de propaganda por parte do PT. Magnoli se mostra preocupado pelo fato de um político do partido no poder convidar à “caça” dos jornalistas opositores “na rua”. Já Reinaldo Azevedo, da revista Veja, afirmou sua intenção de processar Alberto Cantalice por “difamação”.

“Repórteres sem Fronteiras expressa sua inquietação pelas graves acusações dirigidas contra os jornalistas provenientes de um alto cargo do PT”, declara Camille Soulier, responsável da seção Américas da organização. “Não ignoramos o contexto polarizado da mídia, que pode exagerar o descontentamento geral. No entanto, as dificuldades sentidas pelo PT não justificam o recurso à propaganda de Estado.”

Essas acusações foram lançadas num clima social tenso, com a multiplicação de movimentos populares contra as despesas do governo com a Copa do Mundo. A polícia militar tem respondido através da força e alguns jornalistas foram agredidos. No total, a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (ABRAJI) já contabilizou 17 agressões de jornalistas no âmbito de manifestações desde a abertura do Mundial. Entre as vítimas, contam-se correspondentes da CNNe de agências internacionais, como a Reuters e a Associated Press, assim como jornalistas da mídia local ou profissionais independentes. Karinny de Magalhães, jornalista e ativista do coletivo Mídia NINJA, foi detida e espancada até desmaiar.

Aos 17 casos citados se juntou a detenção arbitrária de Vera Araújo, do diário O Globo, no passado dia 15 de junho, elevando para 18 o número de abusos. A jornalista estava filmando a detenção de um turista argentino e acabou também sendo presa. Uma investigação foi aberta contra o policial militar responsável pela detenção.

O Brasil se situa no 111º lugar em 180 países na última Classificação Mundial da Liberdade de Imprensa, elaborada por Repórteres sem Fronteiras. Por ocasião da Copa do Mundo de futebol, a organização lançou uma campanha para sensibilizar o público sobre a situação da liberdade de informação nos países participantes.

Voltei
As pessoas sérias não hesitam em repudiar “listas de inimigos do Estado”. Atuam em favor da liberdade, não de um partido ou de uma ideologia.

Lendo o texto de “Repórteres Sem Fronteiras”, eu me dou conta de algo que chega a ter a sua graça: algum outro jornalista, de centro, direta ou esquerda, pode ter sido tão duro como fui com as manifestações contra a Copa; mais duro, acho que não houve.

Está em arquivo tudo o que escrevi sobre os protestos de junho do ano passado até agora. Quem passou a mão na cabeça de baderneiros foi Dilma, foi o PT. Não eu. Tentem achar um único texto meu antevendo que a Copa seria um fiasco. Nunca entrei nessa! Podem não gostar de mim, mas não sou burro.

A perseguição a mim e aos outros nada tem a ver com a Copa do Mundo. O que eles não toleram é a divergência. Fazem listas para tentar intimidar os nove citados e para ganhar o silêncio dos demais — no que, parece, estão sendo bem-sucedidos.

Por mim, tudo bem: mais convicto do que ontem e menos do que amanhã. O PT quer cabeças. Eu quero liberdade, especialmente para os que divergem de mim. Para chegar a esse ponto, a liberdade tem de ser um valor, não um mero instrumento. Antes do PT, só as ditaduras fizeram listas de jornalistas. E encerro dizendo que há pessoas que estão se borrando por nada. O partido sabe reconhecer “contestadores a favor”.

A NOVA ERA TORNA VÁLIDA A FRASE DE MILTON: MELHOR REINAR NO INFERNO DO QUE SERVIR NO CÉU. Há definitivamente semelhança entre a modernidade no primeiro século e a modernidade no vigésimo primeiro século


Escrito por Jeffrey Nyquist e publicado no site Mídia Sem Máscara

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Hoje em dia, a nova encarnação rebelde de Satã é apresentável, engraçada e musicalmente talentosa como artista.
A derrocada da instituição familiar está muito evidente para que se possa negar, e essa derrocada é o prenúncio da destruição de uma sociedade que estará demasiadamente fraca para exercer resistência.


Em Diálogo sobre os oradores ou: Causas da corrupção da retórica, o historiador romano Públio Cornélio Tácito repassa as observações de um orador sobre a queda de Roma pela cultura do entretenimento durante o primeiro século d.C.: “As causas da decadência da retórica não são, de maneira alguma, difíceis de serem sondadas”, explicou o orador. “Dentre as verdadeiras causas [da decadência] estão a indolência dos jovens, a negligência dos pais, a ignorância daqueles que pretendem nos ensinar algo e a total negligência em relação à antiga disciplina”.

Evidentemente, a antiga disciplina era algo moralmente sério. Uma seriedade que inspirava paixão. Por volta do início do primeiro século, o historiador romano Tito Lívio lamentou “a aurora sombria dos tempos modernos [1]”, e observou: “Nestes últimos anos a riqueza trouxe consigo a avareza; e a completa submissão aos prazeres criou no homem uma paixão pela ruína própria e pela ruína de tudo o mais por meio da autoindulgência e da licenciosidade”.

Nesse distante espelho sustentado por Lívio dois mil anos atrás é possível que vejamos nossos próprios reflexos, porquanto estamos repetindo a história social do primeiro século. Temos todas essas baixas paixões e mais algumas coisas. Tácito usou as seguintes palavras para descrever a antiga disciplina que era o oposto à licenciosidade que começava a imperar naqueles dias: “Nossos ancestrais buscaram um plano diferente: Eles encheram seus espíritos dos bons juízos sobre o bem e o mal, das regras de diferenciação do honesto do torpe, e da diferenciação do justo do injusto nos tratos entre as pessoas. Esta é sem dúvida, em todas as matérias de controvérsia, a limítrofe do orador”. (XXX.1)

Para quê mais deveria servir um poderoso discurso?

Imagine uma retórica corrompida com o fim de seduzir, persuadir e conjurar algo inatural – como é o caso da glamourização da confusão, da idealização da perversão e da romantização da rebelião metafísica. Dê a isso uma voz musical e uma letra. Talvez se parecerá com algo próximo disso:


Waking in the rubble [Acordando nos escombros]
Walking over glass [Andando sobre o vidro]
Neighbors say we’re trouble [Os vizinhos dizem que somos um problema]
Well that time has passed [Bem, esse tempo passou]

Peering from the mirror [Mirando o espelho]
No, that isn’t me [Não, esse não é eu]
Stranger getting nearer [Um estranho se aproximando]
Who can this person be [Quem poderia ser?]

You wouldn’t know me at all today [Você não me reconheceria nos dias de hoje]
From the fading light I fly [Da luz que desvanece eu voo]

Rise like a Pheonix [Surjo como uma fênix]
Out of the ashes [Das cinzas]
Seeking rather than vengeance [Buscando em vez de vingança]
Retribution [Retribuição]
You were warned [Você foi avisado]
Once I’m transformed [Assim que eu me transformar]
Once I’m reborn [Assim que eu renascer]
You know I will rise like a Phoenix [Você saberá que eu surgirei como uma fênix]
But you’re my flame [Mas você é minha chama]


A letra é da música “Rise Like a Phoenix” [Surjo como uma fênix] – vencedora do concurso musical de Eurovision 2014 – escrita e interpretada pela drag queen “Conchita Wurst” (nome fantasia do austríaco Thomas Neuwirth, nascido em 16 de novembro de 1988). Diz-se na Wikipédia que Neuwirth usa pronomes femininos para descrever sua persona drag queen “embora ao mesmo tempo use pronomes masculinos para se referir à sua pessoa”. Ele se identifica como “gay”, apresenta uma imagem completamente feminina ao mesmo tempo que mostra uma consolidada barba. Conforme explicou em uma entrevista recente, o nome artístico “Conchita” se refere “’as partes íntimas de uma mulher” e “Wurst”, é claro, é a palavra alemã para salsicha.

Para mostrar o quanto a Roma do primeiro século é um espelho da Europa do século XXI, vejamos o relato de Tácito sobre o Imperador Nero, que também foi um famoso cantor, e vencedor do concurso musical equivalente ao “Eurovision” daqueles dias. Como Neuwirth da Áustria, Nero era também uma drag queen, e isso não deveria nos surpreender, dados os paralelos entre a “crise da modernidade” romana e a nossa. Tácito escreveu:
Nero já estava corrompido por todo tipo de concupiscência, fosse natural ou inatural. Mas ele agora mostrou que não existem limites para sua degradação. Alguns dias depois ele fez uma cerimônia solene de casamento com um membro de uma gangue pervertida (o nome dele era Pitágoras). O imperador, na presença de testemunhas, vestiu o véu nupcial. Dotes, cama nupcial, tochas nupciais, estava tudo lá. Sem dúvidas tudo estava público para que fosse igual em uma união natural, onde até a escuridão cessa quando uma mulher casa.

Há definitivamente semelhança entre a modernidade no primeiro século e a modernidade no vigésimo primeiro século. Essa semelhança pode ser tomada como um alerta e como um desafio às crenças populares acerca do progresso e para onde estamos indo; porquanto sabemos para qual direção foi Roma. No momento podemos congratularmo-nos como pessoas de mente aberta; contudo, somos inteligentes o bastante para distinguirmos uma mudança de moda de um sintoma fatal? Como mostra a história de Nero, união gay não é algo novo. E agora isso volta sorrateiramente ao nosso meio por não sabermos o precipício ao qual estamos para cair. Muitos analistas políticos contemporâneos, que agora estão entre os 70 e 80 anos, mostraram em privado surpresa pelo fato de a união gay – ou o próprio sujeito homossexual – ter ganhado um status popular nos dias de hoje. “Eu jamais teria previsto isso vinte e cinco anos atrás”, confidenciou um velho clérigo para mim. “Não esperava por essa”. (Peço que note o papel que desempenha hoje a união homossexual, especialmente no crescente cisma entre conservadores econômicos e conservadores culturais – e pergunte com um olhar estratégico: cui bono?)

É evidente que há algo mais profundo nisso tudo do que apenas política. O gayzista [2] é rebelde metafisicamente e moralmente. Como se fosse para destruir os grilhões da realidade, como se fosse para negar os limites da existência humana (do próprio DNA), somos agora incitados a aplaudir quando um homem quer tornar-se uma mulher e vice-versa. A imoralidade do projeto passa despercebida em uma geração que não reconhece a verdade objetiva ou a realidade. Dizem-nos que a verdade é subjetiva. Mas isso é verdade? Se dizermos “preto é branco”, ofendemos a razão. Se um homem veste um vestido e refere-se a si mesmo como uma mulher, um tipo mais profundo de ofensa é promulgado: uma ofensa metafísica contra a existência humana e a moralidade que a integra. Aqui o império das mentiras encontra uma fissura pela qual ela pode entrar e destruir de maneira espetacular nossos débeis suportes à “verdade”, embora essa infiltração destrutiva não signifique que o resultado significará vitória para alguém.

Ao confrontarmos essas motivações mais profundas que subjazem nesses slogans “descolados” e nessas causas queridas, devemos lembrar a fórmula secreta que inspirou o império das mentiras desde o seu começo. Aqueles que destroem a moralidade estão querendo reconstruir o mundo. Aqueles que estão querendo reconstruir o mundo estão tentando usurpar o emprego do próprio Deus. “A moralidade é o aspecto derradeiro de Deus que deve ser destruído antes que se possa recomeçar a reconstrução”, escreveu Albert Camus em O homem rebelde. Camus intui que “O herói romântico [...] considera-se obrigado a cometer o mal pela sua nostalgia de um bem que não se realizou”. No caso de Thomas Neuwirth, o suposto herói romântico (Conchita Wurst) faz o mal a partir de uma equivocada nostalgia de uma impossibilidade ontológica. Nesse mesmo ato o sujeito afirma sua própria divindade ao jogar sua luva no chão em frente ao criador [3] e dizer: “Eu não preciso ser aquilo que você me criou para ser”. Eis uma negação do próprio eu que se alia à adoração de um falso eu; É a revelação do niilismo e do narcisismo. Esse ato compartilha com o comunismo a negação da nossa humanidade como ela é e nos envolve em um pesadelo monstruoso – seja um homem em um vestido ou um soviete. Nessas duas instâncias, a tentativa de tiranizar a natureza e de negar os dados ontológicos resulta em confusão e perdas trágicas. A confusão nesse caso se estende cada vez mais adiante por meio de círculos concêntricos, uma expansão perniciosa pela própria natureza equivocada. É assim que Milton retrata a queda do anjo rebelde em O paraíso perdido [4]:

“Eis a região, o solo, a estância, o clima,
E o lúgubre crepúsculo por que hoje
Os Céus, a empírea luz, trocado havemos!
(O perdido anjo diz). Troque-se embora,
Já que esse, que ficou dos Céus monarca,
O que bem lhe aprouver mandar-nos pode.
É-nos melhor estar mui longe dele:
Se a sublime razão a nós o iguala,
Suprema força o põe de nós acima.

Adeus, felizes campos, onde mora

Nunca interrupta paz, júbilo eterno!
Salve, perene horror! Inferno, salve!
Recebe o novo rei cujo intelecto
Mudar não podem tempos, nem lugares;”


De acordo com Milton, o primeiro rebelde metafísico encorajou a ideia “Melhor reinar no inferno do que servir no Céu”. Os rebeldes metafísicos de hoje proclamam “o paraíso na terra” junto da tolerância universal. Isso não é apenas semelhança, é a própria incorporação do tipo. Em um ensaio exposto no blog The Contemplative Observer, constatamos a ideia de que Thomas Neuwirth (ou Conchita Wurst) não é simplesmente um homem barbado em um vestido. Sua aparência exterior é perturbadoramente similar aos retratos popularizados de Jesus Cristo. O autor observa: “E, com efeito, circula [...] uma imagem que mostra a face de cristo substituída pela face de Conchita Wurst...”
cwblas
Enquanto a cristandade sofre um ataque após o outro, uma afronta após a outra, uma derrota após a outra, uma nova religião se move para tomar seu lugar. A grande e ascendente facção da nossa era, o socialismo, tem três grandes objetivos conforme nos disse o dissidente soviético Vladimir Bukovsky. Primeiro: o socialismo quer destruir o capitalismo (i.e., destruir a propriedade privada de todos aqueles considerados possuidores dos meios de produção); Segundo: o socialismo quer destruir a família; E terceiro: o socialismo quer destruir os Estados-nação. Como observou Bukovsky, os socialistas fracassaram ao tentar destruir a ideia de propriedade privada, mas eles foram parcialmente bem sucedidos contra a família e os Estados nacionais. A derrocada da instituição familiar está muito evidente para que se possa negar, e essa derrocada é o prenúncio da destruição de uma sociedade que estará demasiadamente fraca para exercer resistência.

Para termos uma ideia mais ampla dessa dita derrocada, o The Contemplative Observer cita integralmente um inominado amigo americano (adivinhe quem) para responder à ideia de ser rotulado como “intolerante” por um fã no site de Neuwirth cujo codinome é andiamo24:

Percebo que em meu dicionário a definição da palavra ‘intolerância’ foi mudada para ‘fanatismo’. Mas não é fanatismo se constatarmos que um assassinato é intolerável. Também não é fanatismo se constatarmos que a depravação e a perversão sexual são intoleráveis. Isso é prudência e é um instinto saudável de se ter.


Eu gostaria de perguntar a essa andiamo24 se ela acharia que está tudo bem expor um garoto de 10 anos à ‘maravilhosa’ Conchita Wurst (e por que ela é maravilhosa?) Algo tão maravilhoso como um jovem sexualmente confuso que adota a personalidade de uma mulher não poderia significar um contágio de perversidade – exceto quando essa perversidade é tão sedutora. E então devemos nos perguntar se um jovem garoto instintivamente achar perturbadora a personalidade de Conchita Wurst se andiamo24 acharia esse garoto ‘intolerável’. Ou então, e se o garoto decidir se tornar uma mulher por conta do carisma verdadeiramente avassalador de Conchita? E se todos os garotos acharem Conchita irresistível e quiserem se tornar como ela? Digamos que a glorificação de Conchita – que é maravilhosamente poderosa – converta todos humanos ao glamoroso caminho do transgenerismo. Nesse caso você terá conquistado a destruição da raça humana, pois ela morreria, uma última Rainha anciã morrendo sozinha sem um público. Cada vez que cada indivíduo decidir quebrar a grande corrente que torna a raça humana possível, andiamo24 tem de aplaudir. Bem, ela já está aplaudindo. Ela já comemora nossa extinção e a nossa condenação sob o estandarte da tolerância. E ela chama isso de ‘maravilhoso’.

Na verdade isso é perverso, pois uma pessoa que apoia a destruição da sua própria espécie e a degradação dos dados ontológicos (i.e. a sexualidade) é um monstro corrupto até seu âmago, venenoso até para si mesmo. E se nossa posteridade sobreviver ao nosso presente flerte com a morte (com a negação da nossa posteridade), eles se horrorizarão com tipos como andiamo24 assim como se horrorizarão com o assassinato. Eles estariam justificados para condenar tão doentios progenitores (ou não-progenitores) e ficariam maravilhados em saber que a humanidade sobreviveu, que a Europa sobreviveu. Mas não irá sobreviver, certo? Pois muçulmanos e russos já rondam os portões da Europa e estão prontos para tomá-la de posse enquanto ela se ajoelha perante um homem que adota a personalidade de uma mulher.

O que eu digo aqui não é fanatismo. O que eu digo é prudência, e prudência é uma das quatro virtudes cardeais. E aqui, sem dúvida, intolerância se torna um adjunto necessário.

A perversão, que traz a um término toda a inocência e que normaliza tudo que é danoso ao ciclo vital não deve ter uma louvação heroica ou uma romantização como se fosse algo nobre. Quando a perversão é normalizada devemos nos perguntar o que mais tem de ser normalizado, especialmente com o advento de uma revolução tão abrangente. “Com efeito, o assassinato está a caminho de se tornar aceitável”, escreveu Albert Camus acerca do caminho niilista. “Basta comparar o Lúcifer dos pintores da Idade Média com o Satã dos românticos. Um adolescente ‘jovem, triste e charmoso’ (Vigny) toma o lugar da besta chifruda’.

Hoje em dia, a nova encarnação rebelde de Satã é apresentável, engraçada e musicalmente talentosa como artista. Para preencher essa fascinação perturbadora, adicione uma irresistível feminidade – e uma barba como se fosse do Novo Testamento. “O dândi cria sua própria harmonia por meios estéticos”, observou Camus. “Mas é uma estética da negação. ‘Viver e morrer perante um espelho’; que, de acordo com Baudelaire, era o slogan do dândi. É de fato um slogan coerente. O dândi, pelo seu próprio ofício, está sempre em oposição”.


Agora ele veste um vestido, faz sexo com homens e canta.


Notas: 
[1] NT.: referência aos tempos correntes de então, e não à modernidade pós-medieval.
[2] NT.: o autor usa o termo ‘homossexualist’, cujo equivalente em português é o gayzista, ou seja, o sujeito, que não necessariamente ele mesmo homossexual – como por exemplo, Marta Suplicy – faz uma defesa ferrenha da agenda gay
[3] NT.: O ato de jogar a luva no chão era a forma pela qual um cavaleiro na era medieval desafiava o outro para um duelo. O ato ficou imortalizado na primeira cena do primeiro ato da peça Ricardo II de Shakespeare.
[4] Tradução de Antônio José de Lima Leitão

Tradução: Leonildo Trombela Junior