domingo, 2 de março de 2014

"O Pecado: A Criação em crise" - Retiro de Carnaval com o Frei Rojão - II

Retiro de Carnaval com o Frei Rojão - II
Meditação II - Domingo

"O Pecado: A Criação em crise" 
Escrito por Frei Clemente Rojão
Bom dia, meus filhos!
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!
Domingo, dia do Senhor. A escala do retiro foi irônica, e fez que no dia da Nova Criação o tema seja a queda da Criação.
Ontem meditamos na Criação. A Criação de Deus, sumamente bom.
Então... por que há o Mal? O Mal é inegável. Não há homem neste mundo que admita que o mundo seja um lugar bom que não há dor nem sofrimento. Se há algo que reúne crentes e descrentes é nesta concordância. 
A existência é algo bom. Existir é bom. Porque a existência é ato do criador, portanto bom. Concluímos que se algo existe, é bom. A Escritura dá o testemunho disto, porque Deus contempla a criação e vê que ela é boa.

"Caistes do céu, Astro brilhante, Filho da Aurora!!!" Is 33

Caimos num aparente conflito. Se a criação é criada boa, e se vemos o mal, como conciliar? Por certo, alguma transformação se operou. Ora, mas sendo a criação inanimada e subtida ás leis naturais inexoráveis criadas consigo, e não sendo possível que Deus tenha feito o mal, é lógico e razoável supor que o Mal surgiu por ação as criaturas com livre-arbítrio que se deram ao desfrute de desobedecer a Deus.

Os animais não são maus. Mesmo quando são agressivos, fazem motivados por uma natureza amoral. Um leão não estraçalha um homem por perversidade. A cobra não pica com dolo homicida. O cavalo não escoiceia para rachar as costelas de alguém. A natureza animal faz sem dolo, sem intenção, sem mal, ainda que objetivamente faça o mal

O Mal é uma operação espiritual de redução do bem intrínseco da existência. O Mal não é uma substância oposta ao Bem, o Mal é uma subtração do bem. É inegável que a morte é um mal, porque degrada nossa própria existência na criação, que é um bem. Até os animais sofrem com a morte de seus amados, os homens a enfrentam dia a dia com a consciência que também eles morrerão. 

Foram os espíritos, criaturas dotadas de livre-arbítrio, que foram capazes do Mal, de quererem corrromper as ordens do Criador bondoso. Dois seres espirituais trouxeram o Mal: Os anjos caídos ao espiritual (o Céu dos Céus) e as almas humanas levaram este Mal à criação física com o pecado original. 

No início dos tempos, o testemunho das Escrituras e de Nosso Senhor é claro, seres sumamente bons espirituais, anjos, revoltaram-se contra Deus. Foram liderados por aquela que - a época - era a maior das criaturas, um anjo a quem a tradição chama de Lúcifer, o portador da luz, a estrela-D'alva, a estrela (aparente) noturna mais brilhante do céu. Lùcifer, tornado Satanás por seu pecado, arrastou em sua revolta um terço dos anjos, diz a escritura pelas imagens do Apocalipse. Anjos das ordens dos Querubins, Principados, Potestades e Dominações se juntaram a si, e em suprema arrogância - pecado de espíritos que são puramente intelecto - puseram-se a deobedecer a Deus. Foram removidos da presença de Deus pelos outros anjos, fortalecidos pelo Altíssimo, liderado por São Miguel, um anjo muito menos forte que Lúcifer, já que era apenas um arcanjo, mas que, revestido do zelo e poder do Senhor, humilhou a Satanás provando que a humildade com o Criador vale mais que a perfeição da Criatura, e que o doador do bem ainda é mais que o bem que ele mesmo criou.

Até em seus anjos Deus encontrou impureza

Estes anjos pervertidos foram expulsos da presença de Deus, foram para a ausência de Deus, para o tormento a que chamamos de Inferno. De anjos, tornaram-se Demônios. Ainda são criaturas incrivelmente poderosas, porque o Mal corrompeu sua força, mas não tirou o poder da sua existência, que é intrinsicamente boa. São espíritos de luz, mas que iluminam para baixo, para longe de Deus, são luzes que escurecem, são luzes que aumentam as trevas. Os demônios, fora da comunhão do amor de Deus, todo dia se odeiam e odeiam a Deus. Odeiam a si mesmos, odeiam a Satanás que os induziu, odeiam as criaturas, odeiam seu castigo Infernal e odeiam o Céus de que não mais entrarão. Por serem puro intelecto de espírito, os Demonios não voltam atrás e não se arrependem. Os demônios castigam e são castigados, carregam consigo a ausência de Deus, seu Inferno, onde quer que estejam. Onde quer que um Demônio esteja ele sofre as chamas do Inferno, e odeia, odeia incrivelmente, a tudo e a todos.

E entre eles, reinando pela tirania e na força, o mais forte deles, Satanás, em seu reino frio de amor, quente de castigo. 

A maior perversidade de Satanás e estes demônios foi ter querido levar consigo em sua revolta aos outras criaturas espirituais, o ser humano. O ataque ao ser humano foi estratégico, porque sendo o homem espírito por sua alma, e matéria pelo seu corpo, trazer o homem para o "time do pecado" garantiria que o Mal saísse da esfera espiritual e corrompesse o mundo material por meio da humanidade.

Tarefa cumprida com imenso êxito. Satanás vai até Eva e a seduz. Eva ganha a Adão e a humanidade se junta ao time dos demônios, arrastando a Criação material consigo. É verdade que por serem também matéria os homens tem uma vantagem que os demônios não tem, os homens são sujeitos ao tempo e às limitações de raciocínio e emoções do seu cérebro e coração materiais. O homem pode voltar atrás em suas decisões e se arrepender. Assim, Adão e Eva se arrependeram. Os efeitos do pecado se multiplicam na Criação física, que ganha a mancha da corrupção, porém a CULPA do pecado é tirada de Adão e Eva. 

"A Queda" - Porta Santa da Basilica de São Pedro

Por isto que se diz que o "pecado original" não é no sentido de culpa, mas de conseqüência. Se minha mãe, durante minha gestação, toma uma substância que causa mal-formação, carregarei comigo alguma deficiência por toda minha vida. Assim foi com o pecado original. A humanidade, em gestação nos pais Adão e Eva, foi submetida ao "mutagênio" do pecado. Nunca mais será a mesma, por mais que busque se santificar. Sempre o Mal estará lá rondando pela tentação e concuspiscência.

Eis-nos, homens, entre Anjos e Demônios. Fazemos parte com os demônios pelo pecado. Repelimos os demônios com nosso arrependimento e perdão, coisa que eles não podem fazer. Deus, bondoso que é, perdoa nossos pecados mas não tira as conseqüências. Temos de pagar a pena temporal do pecado. Como o Inferno não tem volta nem remédio, criou-se o Purgatório, esta antecâmara do Paraíso, não a repescagem do Inferno. Pode-se pagar nesta vida também, que sai a preço de custo, como um acordo com a camaradíssima Justiça brasileira.

Casos perdidos - literalmente perdidos - os Demônios sofrem e são guardados para o dia da Ira do Senhor. Já a humanidade fica meio a meio, um pé no Céu, outro no Inferno, ora milita por São Miguel, ora por Lúcifer. E a Criação vai se desenvolvendo deformada, como um relógio defeituoso que não conta direito o tempo, ora emperra e vai, ora defasa ou acelera. Como resolver este "auê" que foi feito da Criação? Como resolver a enrascada que o homem se meteu por ouvir a Lúcifer? De tais potestades os filhos de Adão e Eva não conseguem sair sozinhos, não tem forças, caíram num buraco mais fundo que seus braços, escorregadio por natureza, que não se escala com suas própria forças.

Como sair desta armadilha do pecado? Quem poderá vir nos salvar do nosso pecado? Isto é tema para nossas próximas meditações neste retiro.

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

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