segunda-feira, 10 de março de 2014

O MITO DA REVOLUÇÃO: Ou: Revolução socialista não é progresso, mas é tirania

Do Blog do Frei Clemente Rojão 
Triunfo dos Porcos - Tenho visto muita gente, por aqui, com a ideia de Revolução encasquetada no toutiço, como solução milagrosa para o que entende como "errado". 

Ora vamos lá deitar um pouco de água na fervura.

Em 1º lugar, revolução não é sinónimo de progresso. Sim, ambos os conceitos aspiram a algo melhor do que o status quo, mas o revolucionário tem uma crença: a de que é necessário um salto prometaico, a Revolução. Que, quase sempre, de um meio acaba por se transformar num fim. É por isso que em Cuba estão em Revolução há meio século...

Revolução, entenda-se, é a substituição súbita e violenta de um regime por outro. O conceito é claro, os factos nem por isso.
No caso nazi, por exemplo, o poder foi tomado legalmente, mas as mudanças foram revolucionárias. Não restauraram anteriores status quo, atacaram o cristianismo, a aristocracia e o liberalismo burguês. Já na América Latina os golpes de estado costuma (vam) ser súbitos e violentos, mas nada muda(va). Nem sempre o derrube de um regime implica disrupção jurídica.

Mas a esquerda, que retém o controlo dos conceitos e a fábrica de adjetivos, atribui ao termo "Revolução", um significado próprio.

A "Revolução" é sagrada, na ideologia esquerdista, quando está de acordo com os seus preconceitos e segue o Evangelho marxista (Segundo Marx, a abolição da propriedade privada dos meios de produção é uma característica fundamental da Revolução).

O poder revolucionário é, por definição, tirânico, opera à margem da lei e expressa o poder de uma minoria.
Se não há violência não há revolução mas sim reforma. No caso de uma democracia, se se usa a violência é porque a democracia falhou e por isso pode dizer-se que Revolução e democracia são noções incompatíveis.

Por principio, um homem sensato deve preferir um método terapêutico a uma intervenção cirúrgica, uma reforma a uma revolução.

A experiência prova que a instabilidade do poder não é boa para transformar a ordem social. Países como os USA e o Reno Unido, sem revoluções, transformaram-se mais que outros, como a França que passou por várias revoluções. Os EUA passaram de uma união de estados agrários para o topo mundial, mantendo fundamentalmente inalterada a Constituição.

Na América Latina, pelo contrário, vários golpes de estado, não alteraram nada até porque, por vezes, os governos são depostos, não por serem piores mas sim por serem mais ingénuos ou menos implacáveis.

Um intelectual progressista, desses que vemos agora por aí a despontar como cogumelos, talvez aceite, com alguma relutância, que a continuidade constitucional nos EUA, não foi tão má quanto isso. E reconhecerá certamente que a tomada de poder por fascistas e nazis prova que os mesmos meios (violência e partido único) não são bons em si mesmo.

Mas reafirmará a sua fé na revolução, a autêntica, a que não se limitará a substituir um poder por outro, o que é, afinal a profecia marxista.
Claro que isso nunca aconteceu, porque esta ideia de Revolução é mítica: nem o desenvolvimento das forças produtivas nem o advento da classe trabalhadora prepara o caminho para a derrota do capitalismo pelas massas conscientes da sua missão histórica. As revoluções limitam-se sempre a substituir uma elite por outra e não há fim da história. Foi por isso que os porcos triunfaram.

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