sexta-feira, 7 de março de 2014

A tesoura leninista de ter dois partidos de esquerda, um moderado (PSDB) e um radical (PT), já foi aplicada com sucesso no agora distante 1994. Mas venceremos!!!

Escrito por Frei Clemente Rojão
Não imagine jamais nenhum governo poder tomar decisões inteiramente acertadas; pense, sobretudo, em que terá de tomá- las sempre incertas. porque isto está na ordem das coisas, que nunca deixa, quando se busca impedir algum inconveniente, de cometer outro. A prudência está exatamente em saber conhecer a natureza dos inconvenientes e adotar o que for menos prejudicial como sendo bom.
Maquiavel, O Príncipe


A tesoura leninista de ter dois partidos de esquerda, um moderado (PSDB) e um radical (PT), já foi aplicada com sucesso no agora distante 1994. A zerda já está feita, não há representação politica alguma para os conservadores. Agora eh só politica de contenção de danos, agora é só pagar os pecados, é só escolher as coleiras menos apertadas. Sim, temos de votar no mal menor em 2014 a contragosto por pragmatismo sabendo que não é este ano que escaparemos da tesoura, só escolheremos o lado menos afiado para nos cortar. E nisso ganha-se tempo para continuar a (re)fazer o pensamento conservador. Um dia sairemos desta armadilha. Se pararmos de lutar a tesoura fecha mais rápido, vejam a Venezuela. Quando a oposição tentou esnobar Chavez retirando-se do Parlamento deixando com que ele reformasse a seu bel-prazer a constituição, apenas o fortaleceu mais. E o chavismo se fortaleceu tanto que está difícil até tirar o palhaço do Maduro de lá, num processo de sucessão que desobedeceu até mesmo a horrorosa constituição chavista.

Temos de lutar para ganhar tempo para lutar mais. Parar de nadar é se afogar.

Nem eu nem Maquiavel dissemos que o fim justifica os meios. Dizemos sim que temos de escolher o mal menor. O tempo todo. Nunca pegamos o prato mais saboroso, mas o prato menos ruim. E política é a arte do pragmatismo. É melhor engolir o PSDB que o PT. Ouso dizer que é uma consequência do pecado original, como a humanidade preferiu o Mal, foi condenada a frequentemente ter de se contentar com o mal menor, nunca o bem.
Muito prazer, eu sou o mal maior
O mal da direita é não saber fazer alianças entre seus espectros. Vejo conservadores e liberais (na economia), por exemplo, engalfinhando-se. Tolice. Queremos aliados para uma eleição, não para casar. As esquerdas dos mais diversos matizes sempre se unem. Este mesmo Aécio que se diz oposição estava em firme aliança com o petista Pimentel em Belo Horizonte com o PSB de Eduardo Campos. "Siamo tutti amici". É por isto que eles estão lá e nós, conservadores, estamos TÃO FORA que não temos nem um partido para chamar de nosso. E a própria política eclesiástica não é alheia ao pragmatismo (nunca resisto a citar a História da Igreja): o Grande Cisma do Ocidente terminou não porque o antipapa Bento XIII reconheceu o vício em sua eleição, mas porque os aliados do antipapa, especialmente a França, viram que estava dando mais trabalho manter o papado rachado que reclamar de uma eleição papal ganha a força pelos italianos lá atrás.

Não quero terminar este texto de maneira pessimista. Venceremos, sim, venceremos porque a Verdade está conosco, e a esquerdopatia não resiste à verdade. 

Cristo está por nós, venceremos! Vai demorar um pouco para vencermos este exílio politico na Babilônia esquerdopata, mas venceremos. Só não pode desistir, temos de lutar e lutar e lutar, por Cristo e pelo Brasil.

Tags: Dilma: muito prazer, eu sou o mal maior, antipapa Bento XIII, grande cisma do ocidente, política eclesiástica, tesoura leninista, farinha do mesmo saco, esquerdopatia, pensamento conservador

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