segunda-feira, 3 de março de 2014

"A obra de Deus Filho: a Redenção" - Retiro de Carnaval com o Frei Rojão - III

Retiro de Carnaval com o Frei Rojão - III 
Meditação III - segunda-feira
"A obra de Deus Filho: a Redenção" 

Ossário da Igreja de S. Francisco, Porto-Portugal
Na nossa meditação passada deixamos as coisas numa triste figura. A Criação feita por um Deus sumamente bondoso, e boa em si, estava degradada e corrompida pelo pecado. Os caídos não mais poderiam se levantar, e muitos deles nem mais queriam. Como um câncer em metástase, o pecado se espalhou entre espíritos, homens, animais, plantas e minerais. A morte surgiu no mundo, a tristeza, o sofrimento, a dor, o Inferno abriu sua garganta larga e ampla da perdição, de tal forma a violência se espalhou que nem mais o Criador a suportaria. Pelo dilúvio, submergiu e lavou duramente um mundo maldito. Pelo fogo e enxofre, queimou Sodoma e Gomorra, cidades perversas que degradaram a própria natureza do ato de amor. Pela confusão e desinteligência, derrubou o orgulho dos construtores da torre de Babel sem desmontar um tijolo. E por dez pragas terríveis castigou um poderoso império que escravizava aos santos. É verdade que estes eventos são posteriores ao plano da salvação, mas são mostras claras que o pecado é tão mau e tão perverso que até a Deus irrita e quebra seu relacionamento com a Criação que ama.

Alguém diria que Deus, omnisciente, sabedor das conseqüências do Mal na Criação é co-autor do Mal, porque criou e o permitiu. Bobagem. Primeiro porque a omnisciência de Deus não tira o livre-arbítrio nem mata o gato de Schoeredinger. Quem escolheu pecar foram homens e anjos, não Deus, podiam não ter pecado. Segundo, porque o Altíssimo tinha um plano para renovar a Criação de maneira melhor ainda. Tal é a omnipotência de Deus que ele pode escolher fazer uma nova criação muito melhor, seja ex-nihilo ou melhorando esta. E foi assim que Deus escolheu.

Sobre os demônios, são casos perdidos. Sua natureza puramente intelectual não comporta arrependimento. Eles são o que escolheram se tornar, tem plena consciência disto e não voltam atrás, e não querem nem saber. Deus até poderia os perdoar, mas eles NÃO QUEREM voltar atrás, porque se um espírito cogitasse em querer voltar atrás ele não teria pecado em primeiro lugar, como fizeram os anjos bons. Polícia é polícia, bandido é bandido, anjo é anjo e demônio é demônio, estes grêmios tem guerra eterna. Os demônios são tão corruptos que corromperam até a virtude da coerência, eles são coerentemente malignos e impenitentes.
St. Chapelle, Paris-França
Mas ficou o homem, entre a Graça e o pecado, ora trigo, ora joio, ora ovelha, ora cabrito, ora santo ora maldito, ora por São Miguel, ora por Satanás.

Como poderia o homem, ser finito, dar satisfações à Infinitude da honra ferida de Deus?

E como poderia outro ser, que não o homem, ser o procurador da humanidade para pagar seus pecados?

Apenas um homem como Deus poderia fazer isto.

"Deixa comigo", disse Deus Filho. E houve o Deus-homem. Homem para quitar os pecados da humanidade, Deus para dar em seu sacrifício aplacar a dignidade do Pai ofendido. Jesus Cristo, um EU divino com natureza humana e natureza divina. O Pai amou a humanidade por a ter criado, o Filho por a ter remido.

A Redenção é um mistério da Fé e obra máxima de Deus-Filho, ele que é o verbo gerado, não criado, consubstancial ao Pai. Ele desceu dos céus e se fez homem perfeito em tudo, com o projeto original de Adão, semelhante em tudo aos homens, exceto no pecado. E como Adão pecou por uma mulher que escolheu pecar, também o novo Adão teve uma mulher que escolheu o ajudar. Se Eva foi tomada da costela de Adão, Jesus Cristo tomou sua carne do ventre da Virgem Maria, Nossa Senhora porque mãe de Nosso Senhor. Se Eva alimentou Adão com a maçã do Mal, Maria deu ao redentor o seu próprio leite materno para o alimentar, e fazendo Jesus Cristo crescer em graça e estatura, mãe zelosa que era, deu a contribuição de Eva à redenção.
Em St. Gervais, Paris-França
Glorioso mistério da Encarnação!!! Como posso cantar os méritos do filho sem falar dos méritos da sua mãe? "Bendita sois vós entre as mulheres". E por que ela é bendita? Porque "é cheia de graça" e "bendito é o fruto do teu ventre".

No tempo de Deus-Pai, o Altíssimo tinha dado uma Lei a Moisés. Deus-Filho, a voz por trás do Código do Sinai, desce dos céus e passa a dar a Lei definitiva, os Evangelhos. "Foi dito aos antigos... eu, porém vos digo...". Jesus é maior que Moisés, de fato, Deus-Filho ditou a Moisés. Jesus dá pleno cumprimento à Lei, e em seus discursos, reparem, em primeira pessoa ele se poe a revisar a Lei de Israel para a Lei do Evangelho. Moisés, contudo, ainda não podia ver a face de Deus, escondido no fogo e na núvem do Sinai. Se visse, veria a face do Filho. Mas se o Filho é como o Pai, que viu ao Filho viu ao Pai, disse o próprio Cristo a seus discípulos.

Pregada a nova lei e ensinada aos discípulos, as colunas da Igreja católica, era a hora de enfrentar o Inimigo, o Anjo Mal corrupto e corruptor. Satanás já amargava a perda do Céu, sofreu uma segunda ofensa na Encarnação, perder o posto de mais perfeita criatura pela Imaculada Conceição da Virgem. Sofreria a terceira e mais terrível derrota no Calvário. E sofrerá a quarta na batalha de Armagedon no final dos tempos, crônica de uma derrota anunciada.
A morte é o salário do pecado. A conta é justa. Nós homens pecamos, portanto morremos. Assim pede a Justiça.

E se morrer quem não pecou? Algum jurista me explica a teoria dos contratos? Um contrato foi violado! Está nulo!

E se morrer um homem por todos os homens, e se este homem tiver a dignidade de Deus para prestar contas ao Deus ofendido pelo pecado?
Na sacristia da Sé do Porto-Portugal
Rasgado o contrato do pecado na Criação! A conta da queda foi paga! E, de agora em diante, qualquer homem que se arrependa de seus pecados pode invocar o Sacratíssimo Sangue de Jesus derramado em sacrifício na sua Paixão para anular o contrato da morte e da perdição. E não é isto que diz o padre no sacramento da confissão? É a aplicação dos méritos da Paixão e Morte de Cristo ao pecador, quitando seus débitos. No Antigo Testamento, o sangue do cordeiro pascal imolado pelo sumo-sacerdote aspergido no povo purificava Israel de seu pecado. O que nós, sacerdotes católicos fazemos, é como humildes levitas pela confissão molharmos nossos ramos de hissopo no sangue de Cristo, cordeiro pascal e sumo-sacerdote que oficia, e aspergimos os pecadores que buscam o sacramento. Somos meros levitas servidores, quem intercedeu pelo pecador foi Jesus Cristo, Senhor e Salvador. Os sacerdotes que há na terra são apenas servidores do Sumo-Sacerdote Jesus Cristo, ele quem preside à Salvação, nós presbíteros somos tão somente os levitas que carregam os vasos do templo e cortam as carnes dos sacrifícios.

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo! Formidável homem, como ele nunca houve nem haverá igual! Verdadeiro Deus! Verdadeiro homem! Senhor da História, Senhor da Criação, rei dos reis, Senhor dos senhores. Ah, Senhor Jesus, lava meus pecados em teu sangue, quero te seguir, quero andar junto de ti, não quero mais sair de junto de ti, deixa-me sentar junto de ti na casa do Pai. Senhor, Senhor, Senhor, eu te sigo com as multidões, meu Senhor e meu Deus, desejado por Abraão, Moisés e os justos! Que Jesus Cristo esteja a minha frente, atrás de mim, ao meu lado! E como Santo André, eu te pergunto: "Mestre, onde moras?"

"Mestre, onde moras?"

TU revelastes a face de Deus oculta que Moisés pediu. Vi a tua facem vi a face de Deus! Quero morar debaixo da face de Deus, quero morar onde está Jesus Cristo!

"Mestre, onde moras?"

A esta pergunta responderemos amanhã. "Onde mora o Senhor?"

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