terça-feira, 4 de março de 2014

"A obra de Deus-Espírito Santo: a Marcha da Igreja" - Doze galileus não seriam capazes de fazer a Igreja virar o que virou. A obra do Espírito Santo é este mistério - Retiro de Carnaval com o Frei Rojão - IV

Retiro de Carnaval com o Frei Rojão - IV
Meditação IV - Terça-feira
"A obra de Deus-Espírito Santo: a Marcha da Igreja" 
Escrito por Frei Clemente Rojão

Basílica de S. Pedro, Vaticano (adaptada)
Filhos,
"Mestre, onde moras?" - Jesus Cristo responderá "Moro convosco já, moro na Igreja católica, eu corpo místico e minha noiva. Moro em vossos sacrários fisicamente, moro em vossos corações espiritualmente. Sou vossa cabeça, mas o sangue que circula da cabeça ao corpo é o Espírito Santo"

Estima-se que Abraão tenha vivido no ano 1500 antes de Cristo. Sabendo que estamos em 2014 depois de Cristo, vemos que a Nova Aliança já dura mais que a Antiga. Eu disse aliança, não o tempo desde a criação. Afinal, Deus se alia a Abraão, este é o acontecimento fundante da Aliança da Salvação. Porque é a descendência de Abraão que receberá a Aliança formal do Sinai e dará origem a Jesus Cristo, que será a Aliança definitiva com todos os povos da Terra. A chamada Aliança com Noé, a do arco-íris, foi um compromisso que Deus não mais destruiria a Criação - ainda que parcialmente - pelo pecado. Desde a época de Noé o joio e o trigo bem lado a lado. E o Dilúvio nem era uma redenção, mas uma conseqüência natural. Os homens na arca eram pecadores e pecavam. A Terra poderia estar mergulhada nas águas, mas enquanto as águas do batismo não tocassem aqueles homens na Nova Aliança o pecado ainda reinaria.

De fato, o pecado reina, mas reina enfraquecido. O Mal sabe que está dominando a Criação por uma cláusula nula. Depois da morte de Jesus Cristo, a redenção se operou, a salvação está disponível. Pecamos ainda, mas temos os meios efetivos de nos livramos do pecado pelo sacrifício de Cristo.

Então, julgamos que Cristo, depois de tão imenso sacrifício para nos remir deixou a coisa andar sozinha? Não! Ai entrou a obra de Deus Espírito Santo, que procede do Pai e do Filho e é enviado pelo Pai e pelo Filho para fazer a sua obra. 
Arca de Noé, Ig. S. Francisco, Mariana-MG
Se queremos contemplar o mistério de Deus, contemplemos os Espírito Santo. Por que tanto o Pai quanto o Filho são espíritos (o Filho após a encarnação, verdadeiro homem que se tornou, possui matéria). O Pai quanto o Filho são santos. Então, a terceira pessoa da Santíssima Trindade é apenas o que eles mesmo são, consubstancial a ambos, fruto do amor de ambos, é Deus, é Deus que é espírito e que é santo, e chamamos de Espírito Santo porque a língua dos homens não consegue atinar com tal mistério. Por nossa geração, fazemos as metáforas do Pai e do Filho, mas o Espírito Santo só pode ser descrito como Deus, sobrenatural, misterioso, agente da História e suma potência. E tal é a qualidade do Espírito Santo que há muitas imagens para sua epifania: Vento, fogo, pomba. Nenhuma delas o descreve na sua máxima essência, que é a essência de ser Deus, ser espírito e ser santo. 

O tempo da Igreja é o tempo do Espírito Santo. Vivemos movidos pelo Espírito Santo e as vezes não o percebemos. O Espírito Santo é como o ar, envolve-nos e esquecemo-nos dele. Exceto quando o ar age, ventando, ou quando o ar nos falta, asfixiando-nos. Quão grande é a ventania da ação do Espírito Santo! Quão dolorosa é a asfixia da falta do Espírito Santo pelo pecado! 

Doze galileus não seriam capazes de fazer a Igreja virar o que virou. A obra do Espírito Santo é este mistério. Não o vemos, vemos seu efeito na Igreja. Vimos a Igreja? Vimos o fruto do Espírito Santo. Assim como o Filho, o Espírito voluntariamente veio fazer a obra do Pai, e neste caso, prosseguir a obra do Filho.

Muitas são as obras do Espírito Santo, mas a principal eu diria que é a lembrança do Evangelho de Cristo e a manifestação do pecado. Se não fosse o Espírito Santo lembrando, as palavras de Nosso Senhor teriam sido dilapidadas e esquecidas pelos homens (não que não tentamos o fazer). Se não fosse o Espírito Santo, não poderíamos ter consciência do pecado. Nesta função o Espírito Santo é um espelho e um abridor de olhos de cegos, é sua graça que nos faz "entender" o pecado, e perceber o nosso pecado. Estas funções foram explicitadas por Cristo, quando afirma aos discípulos que o Paráclito consolador viria relembrar a eles suas palavras, e viria manifestar ao mundo o seu pecado. Mesmo no Antigo Testamento o Espírito Santo já agia assim veladamente, falando pela boca dos profetas que denunciavam o rompimento da Aliança pela infidelidade dos homens. Uma gentil referência ao Espírito Santo é a pomba que Noé solta da Arca, a barca da Igreja, diante de um mundo destruído esperando que ela retornasse com algum sinal de vegetação. O Espírito de Deus rondando o mundo submergido pelo pecado, neste batismo de obliteração, e volta com um raminho de esperança, indicando que a ira de Deus cessou.
St. Etienne du Mont, Paris-FR
É fundamental que tenhamos sempre viva a consciência dos Espírito Santo, este poderoso "Diretor" no palco da criação que a conduz de volta a Deus mantendo viva e frutificando a obra do Filho. É o Espírito Santo que nos traz a luz que emana do Filho, é o Espírito Santo que nos morde de saudades da casa do Pai. Deus misterioso contudo comum, Deus abstrato porém presente, Deus silencioso mas agente. Diz o Apóstolo que ninguém louva Jesus Cristo sem estar sob a ação do Espírito Santo. Formidável humildade é a do Filho que veio nos salvar para levar ao Pai. Formidável humildade é a dis Espírito que vem para nos lembrar do Filho. Formidável humildade foi a do Pai, que sendo mais fácil nos aniquilar como conseqüência de nossa maldade, enviou os diletíssimos Filho e Espírito Santo para nos servir, este Deus que de Senhor vira servo.

E conduzidos pelo Espírito Santo chegaremos até a renovação total da Criação, tema de nossa próxima meditação

Vinde. ó Espírito Santo,
Enchei os corações de vossos fiéis
E acendei neles o fogo de vosso amor!

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