segunda-feira, 31 de março de 2014

Veja o discurso totalitário do PC do B de Jandira Feghali. Ela quer punir SBT para punir Rachel Sheherazade por falar a verdade. Ou

O Brasil pede socorro: A pregação totalitária de Jandira Feghali
Quando alguém gera um conteúdo para a guerra política, resultados são obtidos, sejam eles favoráveis ou não. Há um peso naquilo que escrevemos ou publicamos, por qualquer meio ou formato. Constatações óbvias como essa deveriam nos levar a ter mente os frames que usamos, os rótulos que impomos (e/ou aceitamos) e as reações que causamos.

O vídeo “A pregação totalitária de Jandira Feghali” da série O Brasil Pede Socorro é um dos melhores que vi recentemente, feito para denunciar a sanha totalitária da extrema-esquerda.

A característica mais importante que vi é o efeito Karate Kid. Para quem não se lembra, o filme de 1984, dirigido por John G. Avildsen, causava um efeito interessante na plateia: fazia grande parte dela se inscrever em uma academia de karatê logo após terem visto o filme.

O que precisamos, na confecção de conteúdo para a direita, é gerar efeito similar. Isto é, ao final de lermos ou assistirmos algo, ficar com vontade de partir para a ação. Esta ação pode ser de várias formas, incluindo a militância nas redes sociais, a confecção de vídeos no YouTube, a promoção de uma manifestação e o que valha.

Para termos esse efeito, é preciso deixar clara uma situação de conflito. Observe os grandes campeões de audiência do cinema e sempre você verá um herói em conflito, contra um ou mais vilões, e enfim a superação deste conflito. Note que a superação do conflito é apenas o resultado final, pois o que atrai o público é a expectativa de superação do conflito.

No vídeo, a mera exposição dos discursos dos líderes do PT e, especialmente de Jandira Feghali (líder do PCdoB, o que dá no mesmo), serve para mostrar que estamos diante de pessoas extremamente maquiavélicas e cínicas, cujo grau de vileza muitas vezes é até difícil de ser expressado. Jandira Feghali, exposta por suas próprias palavras, é visualizada como uma pessoa realmente má.

Observe a reação dos comentaristas do vídeo, e, em muitos casos, essa é a percepção do público. Estamos diante dos seres mais abjetos da face da Terra, promovendo uma das iniciativas mais abjetas possíveis (o uso do estado para silenciar oponentes) e não é possível que as pessoas decentes fiquem impassíveis diante disso.

Por isso, peço que divulguem este vídeo ao máximo. Mais ainda: é importantíssimo (e urgente) que criemos mais conteúdo neste sentido, sempre em defesa da democracia, e expondo a extrema-esquerda como a promotora oficial do totalitarismo marxista e fascista.

Segue abaixo o vídeo:

Governo da Organização PT gosta de tudo que é ruim para o país: Comissão aprova RDC para todas as licitações e contratos públicos


Por Juan Londono no Blog Licitação Pública
Comissão aprova regime diferenciado para todas as licitações e contratos públicos. 25/03/2014


Da Redação
O Regime Diferenciado de Contratações Públicas (RDC) poderá vir a ser utilizado em todas as licitações públicas. A comissão mista criada para analisar a Medida Provisória 630/2013, que trata do RDC, aprovou nesta terça-feira (25) o relatório da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) sobre a proposta, que seguirá para exame do Plenário da Câmara.

O parecer de Gleisi estende o RDC para todas as licitações e contratos da União, estados, Distrito Federal e municípios. Esse regime prevê prazos mais curtos e procedimentos simplificados para a contratação de obras e serviços de engenharia pela administração pública.

- Você ganha em tempo e em responsabilidade. Não tenho dúvidas de que é um ganho para a contratação pública - disse Gleisi.

Pelo texto aprovado, o contrato de obra e serviço de engenharia prevê um seguro-garantia para execução das obras em casos como o não cumprimento de prazos e custos previstos. O valor da garantia fica entre 10% a 30% da contratação. Em caso de uso do seguro, o empenho dos créditos orçamentários poderá ser feito diretamente à empresa seguradora, que assumirá direitos e obrigações da empresa contratada. O texto permite também que o segurador possa terceirizar a execução da obra paralisada, se o órgão contratante concordar.

Nas obras com valores acima de R$ 100 milhões, a garantia será obrigatória e de 30% do valor do contrato. Gleisi alterou a redação dessa parte, para deixar a obrigatoriedade mais clara. O percentual ficará em 10%, caso essas contratações não envolvam alta complexidade técnica, riscos financeiros ou se a apólice inviabilizar a licitação.

No primeiro relatório apresentado no início do mês, não havia percentual mínimo para o seguro. Atualmente, a Lei de Licitações e Contratos (8.666/93) permite a existência de seguro-garantia de até 5% do estabelecido contratualmente ou 10% em obras de grande valor, complexidade e riscos financeiros.

Técnica e preço
O critério de julgamento por técnica e preço como pré-requisito da contratação integrada - método para permitir que todas as etapas da licitação (projetos básico, executivo e execução) sejam feitas pela mesma companhia - voltou a fazer parte da Lei 12.462/2011, que instituiu o RDC. Pelo relatório de Gleisi, o critério será adotado preferencialmente, mas o gestor poderá deixar de usá-lo se justificar a medida. O texto inicial da MP retirava o critério de técnica e preço para os casos de contratação integrada.

Pelo substitutivo, a obra precisa obedecer a, pelo menos, uma das seguintes condições para ser feita de forma integrada: inovação tecnológica ou técnica; possibilidade de execução com diferentes metodologias; ou possibilidade de execução com tecnologias de domínio restrito no mercado. O relatório manteve a exigência legal da justificação técnica e econômica para esse tipo de contratação.

Com a aprovação, a MP entra já trancando a pauta do Plenário da Câmara dos Deputados.

RDC
O RDC, criado pela Lei 12.462/2011, foi instituído para aplicação nos projetos ligados à Copa do Mundo deste ano e aos Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro. Atualmente, o regime pode ser usado para licitações e contratos federais, inclusive convênios com estados e municípios, em obras e serviços.

- dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos;

- da Copa das Confederações e da Copa do Mundo;

- para aeroportos até 350 km distantes das cidades-sede;

- do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC);

- do Sistema Único de Saúde (SUS);

- dos sistemas públicos de ensino;

- da reforma, modernização, ampliação ou construção de unidades armazenadoras da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab); e

- de serviços no âmbito do Programa Nacional de Dragagem Portuária e Hidroviária.

(Fonte: http://www12.senado.gov.br/noticias/materias/2014/03/25/comissao-aprova-regime-diferenciado-para-todas-as-licitacoes-e-contratos-publicos).

domingo, 30 de março de 2014

Noruegueses, com medo de um cataclismo ambiental, constroem abóbada do fim do mundo. É uma ideia reveladora dos medos artificiais ou reais que perpassam uma humanidade que deixou de confiar em Deus

A “abóbada do fim do mundo” oculta no Ártico: sinal da incerteza mundial
Escrito por Luis Dufaur* e publicado no blog Verde: a cor nova do comunismo
Entrada da 'abóboda do Fim Mundo'. Pânico ambiental ajudou
Temendo que o mundo sofra um cataclismo inimaginável, o governo da Noruega e um conglomerado de empresas e fundações de expressão internacional criaram no gelo do Ártico o maior depósito de sementes do mundo, escreveu o quotidiano de Madri “ABC”

Chama-se Câmara Global de Sementes e fica no arquipélago norueguês de Svalbard, no Círculo Polar Ártico, oculta a 120 metros de profundidade. 

Mais conhecida como“Abóbada do Fim do Mundo”, ela consiste num imenso bunker blindado, capaz de resistir a terremotos, explosões nucleares, erupções vulcânicas e outros desastres.

Até o pânico induzido pelo ambientalismo exagerado pesou na construção desse formidável reduto. 

Ele encerra 800.000 amostras de mais de 4.000 espécies de sementes de 231 países, que poderiam ser utilizadas após um hipotético apocalipse global. 

O prédio é protegido por portas herméticas e detectores de movimento. Está dividido em três grandes depósitos onde as sementes estão classificadas em caixas de alumínio a -18º C para garantir sua conservação durante séculos. 

Devido ao frio do Ártico, ainda que o sistema elétrico falhasse, as sementes continuariam congeladas.

A ideia é de que possa servir de garantia para a humanidade caso a vegetação da Terra for extinta por uma catástrofe de origem humana como uma guerra mundial, ou por causas naturais como imprevisíveis epidemias agrícolas devastadoras.

É difícil imaginar a utilidade desse depósito caso aconteça uma catástrofe que destrua toda a vegetação do planeta, pois tal destruição seria tão grande que extinguiria a própria humanidade e ninguém aproveitaria as sementes.
Plano geral da Abóboda do Fim do Mundo
Porém, em qualquer hipótese, a ideia da “Abóboda do Fim do Fundo” é reveladora dos medos – artificiais ou reais, subjetivos ou objetivos – que perpassam uma humanidade que deixou de confiar em Deus. 

Deus governa a Criação com sua Providência supremamente sábia e amorosa, visando sempre o maior bem das almas, dos corpos e da Civilização Cristã. 

Quando Ele não é levado em consideração, todos os estapafúrdios parecem possíveis e/ou iminentes. E até há lógica nisso.

Postado por Luis Dufaur às 05:300 comentários

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Biografia de Lysander Spooner: Todos os impostos cobrados sobre a propriedade de um homem para o sustento do governo, sem seu consentimento, são um mero roubo, uma violação do direito natural à propriedade

Escrito por Jim Powell** e publicado no site Ordem Livre
O maior pensador dos direitos naturais de século XIX foi o advogado e individualista radical americano Lysander Spooner. Ele respondeu aos acontecimentos tumultuados de sua época, como o pânico de 1837 e a guerra civil americana, com panfletos sobre direitos naturais, escravidão, moeda, julgamento por júri e outros assuntos polêmicos de então. “Lysander Spooner merece destaque”, afirmou o professor de direito Randy E. Barnett, “tanto pelos princípios que defendeu contra a maioria quanto pelo brilhantismo que mostrou na defesa desses princípios.” O historiador intelectual George H. Smith considera Spooner “um dos maiores teóricos libertários.”

Spooner falava com total clareza: “Criar e fazer cumprir leis injustas são os maiores crimes cometidos pelo homem contra o homem. Os crimes de indivíduos isolados violam os direitos de indivíduos isolados. Leis injustas violam os direitos de grandes grupos de homens, muitas vezes da maior parte da comunidade; em geral da porção da comunidade que, por ignorância ou pobreza, é menos capaz de suportar a violação.” Com o passar dos anos, ele se tornou mais radical. Em 1885, dois anos antes de sua morte, escreveu: “Todos os impostos cobrados sobre a propriedade de um homem para o sustento do governo, sem seu consentimento, são um mero roubo, uma violação do direito natural à propriedade... O monopólio da moeda é uma das mais óbvias violações do direito natural dos homens de fazer seus próprios contratos, e uma das formas mais eficientes – talvez a mais eficiente – de possibilitar que uns poucos roubem todos os demais... O governo tem tanto direito de se declarar proprietário das terras não-exploradas quanto de se declarar proprietário da luz do Sol, da água, ou da atmosfera... Com o recrutamento militar obrigatório, o governo nega o direito do homem a qualquer arbítrio, escolha, julgamento ou consciência próprios em relação a ser ele mesmo morto, ou a ser usado como uma arma nas mãos do governo para matar outras pessoas.”

Segundo o biógrafo Charles Shively, Spooner era “grosseiro, direto, e impaciente com qualquer hipocrisia. Sua correspondência mostra discussões irritadas e pouco meritórias com amigos que não o entendiam.” Ele achava relacionamentos românticos incômodos e jamais se casou. Mas seu amigo Benjamin Tucker, editor da revista Liberty, elogiou seu “elevado intelecto, sua sinceridade e dedicação a sua causa, e seu coração franco e amoroso que o tornaria querido por gerações... Todos os dias, exceto aos domingos, durante todos os anos dos quais o presente autor se lembra, um visitante da biblioteca Athenaeum, em Boston, entre as nove e as três horas, poderia notar, e quase todos notavam, em um dos nichos... a figura curvada de um homem idoso, debruçado sobre uma mesa onde se acumulavam volumes empoeirados sobre história, jurisprudência, ciência política e direito constitucional, inteiramente concentrado em ler e escrever. Se por acaso este homem idoso levantasse a cabeça por um momento, o visitante poderia ver, por entre o cabelo e barba longos e brancos, um dos rostos mais belos, gentis, doces, fortes e impressionantes que já alegraram os olhos dos homens.”

Lysander Spooner nasceu em 19 de janeiro de 1808 na fazenda de seu pai, perto da cidade de Athol, no estado americano de Massachusetts. Era o segundo dos nove filhos de Asa Spooner e Dolly Brown. Ele demorou algum tempo para encontrar sua vocação, trabalhando na fazenda da família, fazendo trabalho burocrático, trabalhando como advogado e especulando (sem sucesso) com terras no estado de Ohio.

Então veio o pânico de 1837, que fez Spooner começar a pensar sobre as causas dos ciclos econômicos. Ele escreveu Constitutional Law Relative to Credit, Currency and Banking “Direito constitucional relativo ao crédito, à moeda e ao setor bancário”, explicando como a intervenção do governo distorce a atividade bancária e defendendo a abolição das leis que estabelecem o curso legal da moeda (que tornam obrigatória a aceitação da moeda governamental para o pagamento de dívidas) e da exigência de autorização do governo para o funcionamento de bancos.

Seu próximo empreendimento foi em serviços postais. Ele decidiu desafiar as leis federais que garantiam o monopólio do serviço nacional de correios, e em janeiro de 1844 fundou a American Letter Mail Company, que transportava cartas entre Boston e Baltimore. Em 1845, o Congresso americano forçou Spooner e outros serviços postais privados a fecharem seus negócios. Em resposta, ele escreveu um panfleto, The Unconstitutionality of the Laws of Congress Prohibiting Private Mails [“A inconstitucionalidade das leis do congresso proibindo correios privados”].

Spooner logo se envolveu no grande debate a respeito da escravidão nos Estados Unidos. Embora advogados sulistas alegassem que a escravidão era permitida pela Constituição, e o abolicionista William Lloyd Garrisson concordasse (razão pela qual ele denunciou a constituição americana como “um acordo com o inferno”), Spooner pensava que argumentos constitucionais podiam ser invocados contra a escravidão. Com alguma ajuda financeira do filantropo novaiorquino Gerrit Smith, um dos maiores patrocinadores do movimento abolicionista, Spooner escreveu The Unconstitutionality of Slavery “A inconstitucionalidade da escravidão”, em que defendeu a tese de que a escravidão não encontrava apoio legal nas cartas coloniais americanas, nem na Declaração de Independência, nem nos Artigos da Confederação, nem na Constituição. Ele não convenceu Garrisson ou seu associado Wendell Phillips, mas seus argumentos conquistaram o ex-escravo e orador abolicionista Frederick Douglass, contribuindo para a divisão do movimento abolicionista entre os favoráveis e os contrários à ação política.

O aspecto mais interessante The Unconstitutionality of Slavery é a afirmação do direito natural: “O homem tem o direito inalienável a tanta liberdade pessoal quanto ele possa usar sem invadir os direitos dos demais. Tal liberdade é um direito inerente à sua natureza e às suas faculdades. É um direito inerente à sua natureza e às suas faculdades que elas possam se desenvolver livremente, sem restrições de outras naturezas e outras faculdades, que não têm prerrogativas superiores às suas. E esse direito tem apenas um limite, a saber, que ele não leve o exercício deste direito tão longe que passe a restringir ou infringir o desenvolvimento igualmente livre da natureza e das faculdades dos demais. As fronteiras entre as liberdades iguais de cada um não devem jamais ser cruzadas por ninguém. Esse princípio é a base e a essência da lei e do direito civil.”

De volta à fazenda da família em Athol, ele escreveu Poverty: Its Illegal Causes, and Legal Cure “A pobreza: suas causas ilegais e sua cura legal”. Novamente, as passagens mais interessantes são sobre direitos naturais: “Quase toda a legislação positiva já aprovada neste país, seja por parte do governo geral ou dos governos dos estados, no tocante aos direitos dos homens ao trabalho ou seus direitos aos frutos de seu trabalho... foi meramente uma tentativa de substituir leis naturais por leis arbitrárias; de abolir os direitos naturais dos homens ao trabalho, à propriedade, e a estabelecer contratos, e, em seu lugar, estabelecer monopólios e privilégios... de roubar de parte da humanidade seu trabalho, ou os frutos de seu trabalho, e dar o butim à outra parte.”

Em 1852, Spooner escreveu Trial by Jury [Julgamento por júri], ao mesmo tempo um trabalho de pesquisa e um tratado político. Reconstituindo a história do julgamento por júri desde a Inglaterra medieval, Spooner mostrou como ele garante proteções cruciais contra governos opressivos. Ele citou documentos e autoridades legais desde a Magna Carta até sua própria época, afirmando que um júri deve ser livre para ouvir todos os fatos de um caso, sem as restrições das regras para aceitação de provas. Além disso, o júri deve ser livre para tomar decisões não apenas sobre os fatos mas também sobre a legitimidade da lei que o réu é acusado de violar, e ter a capacidade de anular leis injustas.

O argumento de Spooner pela anulação de leis pelo júri surgiu em um momento em que os júris tinham um papel importante no movimento pela libertação dos escravos americanos. A Lei dos Escravos Fugitivos (1793) havia tornado obrigatória a devolução de escravos fugitivos a seus “proprietários”, mas quando júris começaram a cada vez mais se recusar a fazer cumprir a lei, pressões políticas resultaram no Ato dos Escravos Fugitivos (1850), cujo objetivo era evitar julgamentos por júri. A nova lei permitia processos sumários ante juízes federais; caçadores de escravos que tivessem “provas satisfatórias” de propriedade podiam tomar posse dos fugitivos, que não podiam testemunhar para defender-se.

O caso Estados Unidos vs. Morris (1851) foi um dos julgamentos por júri envolvendo indivíduos acusados de ajudar escravos fugitivos. Um escravo conhecido como Shadrach havia fugido de Norfolk, na Virgínia, e chegado a Boston, onde, com o nome de Frederick Jenkins, passou a trabalhar como garçom. Em fevereiro de 1851, ele foi descoberto por um caçador de escravos, que o levou a um juiz federal para procedimentos sumários sob a Lei dos Escravos Fugitivos, mas uma multidão invadiu o tribunal e acompanhou Shadrach para fora e até a cidade de Cambridge, de onde ele desapareceu, e acabou conseguindo chegar ao Canadá. Oito indivíduos – quatro brancos e quatro negros – foram acusados de resgatá-lo, violando a Lei dos Escravos Fugitivos. O julgamento por júri começou em maio de 1851.

A defesa foi além de discutir os fatos do caso, declarando que “os jurados eram por direito juízes da lei, assim como dos fatos; e se a consciência de algum deles ditasse que o ato de 1850... comumente chamado ‘Ato dos Escravos Fugitivos’, era inconstitucional, seu juramento os obrigava a desobedecer qualquer ordem em contrário que pudesse vir do tribunal.” O juiz Benjamin Curtis ficou tão chocado com esta linha de argumentação que interrompeu o advogado de defesa e disse aos jurados que eles “não têm o direito de decidir nenhuma questão a respeito das leis... [Eles devem] aplicar aos fatos, conforme os entenderem, a lei passada a eles pelo tribunal.” Em seguida, deu sua opinião, avisando que haveria caos se os jurados pudessem rejeitar as leis que bem entendessem. Apesar disso, o júri não seguiu a opinião do juiz e absolveu os réus.

Sem anulação de leis pelo júri, avisou Spooner, “O governo terá todo o poder... o júri será apenas uma marionete nas mãos do governo; e o julgamento será, na realidade, julgamento pelo governo... Se o governo pode impôr ao júri as leis que ele deve fazer cumprir... Os jurados julgam o réu não de acordo com seus próprios padrões – não por seu próprio entendimento de seus direitos e liberdades – mas por um padrão que lhes é imposto pelo governo. E o padrão assim imposto pelo governo se torna a medida das liberdades do povo... O governo determina quais são seus próprios poderes sobre o povo, ao invés de o povo determinar quais são suas próprias liberdades frente ao governo. Em suma, se o júri não tem o direito de julgar se uma lei do governo é justa, ele claramente nada pode fazer para proteger as pessoas das opressões do governo; pois não existe opressão que o governo não possa autorizar por lei.”

Ele rejeitava o argumento de que as pessoas são adequadamente protegidas pelo direito ao voto. O direito ao voto, observou ele, “pode ser exercido apenas periodicamente, e a tirania deve ser suportada ao menos até chegar o momento do sufrágio. Ademais, o exercício do sufrágio não traz garantias da abolição das leis opressivas já existentes nem segurança contra a promulgação de novas leis igualmente opressivas. O segundo corpo legislativo pode ser tão tirânico quanto o primeiro. Se for dito que o segundo corpo pode ser escolhido por sua integridade, a resposta é que o primeiro foi escolhido pela mesma razão, e ainda assim se revelou tirânico.”

À questão de se a possibilidade de anulação de leis pelos júris traria mais incerteza, enfraquecendo o estado de direito, Spooner reagia observando que as principais fontes de incerteza no sistema jurídico vêm de “inúmeros atos legislativos mudando incessantemente, e incontáveis decisões judiciais contraditórias, sem princípio algum de razão e justiça que as unifique... Tal incerteza é tão grande que quase todos os homens, tanto os instruídos quanto os não instruídos, evitam a lei como um inimigo, ao invés de recorrer a ela para proteção. Geralmente vão aos chamados tribunais de justiça como os homens vão a uma batalha – quando não lhes resta alternativa. E, mesmo então, entram nos tribunais como se entrassem em um labirinto escuro, ou uma caverna – sem conhecimento próprio, confiando inteiramente em seus guias.”

Spooner ficou alarmado com a expansão dos poderem do governo federal durante a guerra civil: recrutamento militar obrigatório; inflação da moeda (os “greenbacks”); tarifas chegando a 100%; impostos sobre bens, vendas, herança, e renda; censura de correspondência, telégrafos e jornais; e prisão de pessoas sem acusação formal – muitas dessas medidas tomadas sem aprovação do Congresso. Após a guerra, o governo federal passou a manter um exército permanente 50% maior do que antes do início da guerra; após a guerra, os gastos do governo federal, como porcentagem da economia nacional, ficaram duas vezes maiores do que haviam sido antes dela; a dívida nacional, que era por volta de US$ 65 milhões no início da guerra civil (em grande parte uma consequência da guerra contra o México), disparou, chegando a US$ 2.8 bilhões, e seus juros correspondiam a 40% do orçamento federal durante parte da década de 1870.

Cada vez mais radical, Spooner se aproximou de algumas ideias do inventor e filósofo social americano Josiah Warren (1798-1874). Naquela que talvez seja sua obra mais importante, No Treason No 6, Constitution of No Authority “Sem traição no. 6, Constituição sem autoridade”, Spooner atacou a desonestidade do governo, que, “como um bandido, diz a um homem: seu dinheiro ou sua vida. E muitos, se não todos, os impostos são pagos sob a compulsão dessa ameaça. De fato, o governo não embosca um homem em um local ermo, surge repentinamente de um canto da estrada, e, com um revólver apontado para sua cabeça, esvazia seus bolsos. Mas seus roubos não deixam de ser roubos por causa disso; e muito mais covardes e vergonhosos. O bandido toma apenas para si mesmo a responsabilidade, o perigo e o crime de seu ato. Ele não finge ter direito algum ao seu dinheiro, nem que pretende usá-lo para seu próprio benefício. Ele não finge ser nada além de um ladrão. Ele não tem a insolência de afirmar ser apenas um ‘protetor’, que toma o dinheiro dos homens contra a sua vontade meramente para poder ‘proteger’ esses tolos viajantes que se sentem perfeitamente capazes de proteger a si mesmos, ou não apreciam sua forma peculiar de proteção. O bandido é sensato demais para fazer tais afirmações. Ademais, após tomar o seu dinheiro, ele o deixa fazer o que quiser. Ele não insiste em segui-lo pela estrada, contra sua vontade; presumindo ser seu ‘soberano’ de direito, por conta da ‘proteção’ que lhe dá.”

Spooner conheceu o eloquente jornalista e editor Benjamin Tucker, que acreditava que o governo é tão incompetente, desonesto e violento que as pessoas viveriam melhor sem ele. Tucker nasceu em South Dartmouth, em Massachusetts, em 17 de abril de 1854. Ele descreveu seus pais como “Unitaristas radicais”. Após três anos no Massachusetts Institute of Technology, ele decidiu que se interessava mais pela política do que pela ciência, e mergulhou inteiramente nos movimentos pela proibição do álcool e pelo voto feminino. Ele defendia o livre mercado de bancos, por crer que a competição do mercado é mais eficiente do que a regulamentação do governo na manutenção de boas práticas bancárias. Seu caminho cruzou-se com o do escritor e empresário radicalmente libertário Joseph Warren (1798-1874), cujas ideias influenciaram o pensamento de Spooner.

Tucker manifestava sua independência em sua nova publicação, Liberty, em que incluía uma variedade de opiniões radicais. Ele ajudou a divulgar as ideias do individualista Josiah Warren, a ética egoísta do autor alemão Max Stirner e a visão libertadora do dramaturgo norueguês Henrik Ibsen. Isso tudo deve ter ajudado Tucker a esclarecer seu próprio modo de pensar, porque após alguns anos ele passou a insistir que a segurança da propriedade privada é essencial para a liberdade, e atacou o comunismo. Tucker editou Liberty por vinte e sete anos. Segundo o pesquisador independente James J. Martin, “Liberty manteve suficiente vitalidade para se tornar o mais duradouro entre todos os periódicos radicais de natureza política ou econômica na história do país, e certamente um dos mais interessantes do mundo nos últimos dois séculos.”

A principal contribuição de Spooner para Liberty foi A Letter to Grover Cleveland [“Uma carta para Grover Cleveland”, então presidente dos Estados Unidos], à qual ele acrescentou um furioso subtítulo: His False Inaugural Address, the Usurpations and Crimes of Lawmakers and Judges, and the Consequent Poverty, Ignorance and Servitude of the People [“Seu falso discurso de posse, as usurpações e crimes de legisladores e juízes, e a consequente pobreza, ignorância e servidão do povo”]. O texto foi publicado em dezenove partes, começando em 20 de junho de 1885, e depois reunidas em um livro publicado em julho. Spooner fez ataques eloquentes contra o recrutamento militar obrigatório. “O governo não reconhece nem mesmo o direito de um homem à sua própria vida,” protestou. “Se precisar dele para a manutenção de seu poder, o governo o toma, contra sua vontade (pela convocação obrigatória), e o põe em frente à boca do canhão, para ser feito em pedaços, como se ele fosse um mero objeto sem sentido, sem mais direitos do que se ele fosse uma carapaça.”

Spooner terminou sua vida tranquilamente como estudioso vivendo em uma pensão no número 109 da rua Myrtle, em Beacon Hill, em Boston. Tucker descreveu-o “rodeado por baús lotados com os livros, manuscritos e panfletos que ele havia acumulado em sua ativa guerra panfletária mais de meio século antes.”

No início de 1887, ele ficou gravemente doente, mas, sendo cético quanto a médicos, demorou para procurar tratamento. Provavelmente com Tucker a seu lado, morreu no sábado, 14 de maio de 1887, por volta da uma da tarde. Tucker e o abolicionista Theodore Weld estiveram entre os oradores em uma homenagem no Wells Memorial Hall, em Boston. Spooner, declarou Tucker, tinha uma mente “alerta, clara, penetrante, incisiva, lógica, ordenada, cuidadosa, convincente e exigente, que se expressava em um estilo de singular força, pureza e individualidade.” Spooner foi enterrado no cemitério de Forest Hills, em Boston.

Spooner parecia ter sido esquecido, mas, conforme diversos pensadores exploravam a base moral da liberdade, suas obras foram redescobertas. Seis volumes de seus escritos foram publicados em 1971, e The Lysander Spooner Reader, uma seleção de seus textos, foi lançado em 1992. Atualmente, há um site sobre Spooner, que disponibiliza informações sobre ele e suas obras. Suas ideias sobre a liberdade estão sendo levadas ao novo milênio pelo ciberespaço.

* Publicado originalmente em 27/02/2009.
**Jim Powell, senior fellow do Cato Institute, é especialista na história da liberdade. Seu livro mais recente é "Greatest Emancipations: How the West Abolished Slavery".

Tags: Lysander Spooner, antiescravagista, defensor dos direitos naturais, o imposto sobre a propriedade é um roubo, Jim Powell, Joseph Warren, julgamento por júri, a inconstitucionalidade da escravidão, a pobreza: suas causas ilegais e sua cura legal

sábado, 29 de março de 2014

Crônica em homenagem à cidade de Curitiba que faz 321 anos em 29/03/2014

Publico aqui neste blog a crônica de viagem escrita em 2006 pelo colega Artur Adolfo Cotias e Silva*

Curitiba, na linguagem indígena dos tupi-guaranis, significa grande quantidade de pinheiros. Curitiba, na linguagem alienígena dos poetas dos outros brasis, é algo mais. Para perceber a Curitiba que há dentro de Curitiba é preciso mais que uma visita ao Jardim Botânico, à Ópera de Arame, ao Teatro Guaíra, à gastronomia de Santa Felicidade ou à descida de trem até Paranaguá, complementada pelo famoso "barreado", prato mais típico da culinária paranaense. Perceber a verdadeira Curitiba que pulsa debaixo desses cartões postais é, por exemplo, caminhar pela Rua XV de Novembro, à meia-noite, à saída do teatro, à espreita dos personagens do Vampiro de Curitiba, o escritor Dalton Trevisan. Ou talvez ir ao cruzamento das ruas Ubaldino do Amaral com Amintas de Barros, à procura do próprio autor, quase-personagem de si mesmo. Não o encontrando na velha e pequena casa cinza, pichada, de janelas sempre fechadas (que a lenda diz ser sua residência), não desanime, arrisque-se a descer a Amintas de Barros por alguns metros, até a General Carneiro, e entre na Livraria do Chain. Ele está sempre lá. Quando não em pessoa, em uma longa prateleira, inteiramente preenchida com suas obras, desde os antigos livros aos mais recentes lançamentos. É Pico na Veia, em dose adequada a compreender a dor que parece acompanhar o recluso contista, dor que o torna polêmico, mas literariamente muito mais elegante, como diz o recém-musicado poema de outro curitibano famoso, Paulo Leminski. Perceber a Curitiba que circula fora dos roteiros-cartões-postais é também ir ao Largo da Ordem, na parada obrigatória no Bar do Alemão para comer a inusitada "carne de onça". Poucos sabem o que vem a ser isso. É claro que há várias Curitibas em uma mesma Curitiba, e isso a faz mais interessante. Mas cada uma delas se preserva. A Curitiba que conheci é essa, paradoxal. Impulsionada pelo novo, pelas estações-tubo, representadas na obra de Poty Lazzarrotto na Torre da Telepar, mas preservando como poucos centros urbanos a majestosa antigüidade de um Castelo do Batel, Curitiba oferece aos visitantes um equilibrado paradoxo. Parece esconder-se dos olhares óbvios sob uma cor acinzentada - cinza cor-de-inverno para alguns. Mas os táxis gritam sob um laranja-verão eloqüente, versão mais tropicalizada dos yellow cabs novaiorquinos. Isso tudo é a Curitiba que vai além da definição que ainda persiste, a dos pinheiros, desde o tupi-guarani. Perceber essa Curitiba, a de dentro, a que se esconde sob a pele da Curitiba dos pinheiros, é realmente conhecer Curitiba. Ah! Mas os que ainda não a visitaram, não se enganem: também há os pinheiros. Muitos.
Brasília, 29 de março de 2006
(Para Curitiba, pelos seus 313 anos)

*Artur Adolfo Cotias e Silva é poeta e auditor federal de controle externo

sexta-feira, 28 de março de 2014

Estes senadores precisam do nosso apoio para vencer a máquina de assassinar reputações do PT. Envie seu e-mail.

Por Coronel do Blog CoroneLeaks (Coturno Noturno)
Peço aos leitores que copiem a mensagem acima e enviem para os três senadores. A pressão que eles estão recebendo é desumana. A chantagem do PT e do Palácio do Planalto não pode vencer. Não vamos deixar que três heróis sejam transformados em três vilões. Vamos dizer a eles que o país está ao lado deles. Que o gesto deles entrará para a História. Estes são os e-mails: 


É hora de mostrar para este governo que eles não podem tudo. Vamos salvar a maior empresa do Brasil das mãos de uma quadrilha. Participe. Mande o seu apoio a estes senadores.

Tags: CPI da Petrobras, Eduardo Amorim, Sérgio Petecão, Clésio Andrade, mensagem aos senadores, Coronel do Blog, chantagem do PT, Organização PT, Refinaria Pasadena, corrupção

O petismo, o marxismo e o socialismo querem acabar com os poucos valores cristãos remanescentes, mas a CNBB, mesmo sabendo disso, não se constrange em apoiar candidatos da Organização PT

ATÉ QUANDO, SENHORES DA CNBB?
Escrito por Percival Puggina* e publicado no site Mídia Sem Máscara
Sei que o texto transcrito a seguir parece escrito com o cotovelo, mas era preciso ser fiel ao trabalho de seus redatores. Trata-se de um trecho do documento Análise de Conjuntura, referente a março de 2014, preparado pela assessoria da CNBB para a 83ª reunião do Conselho Permanente da entidade, ocorrida entre os dias 11 e 13 deste mês em Brasília. 
"Em análises anteriores da conjuntura econômica foi assinalado o discurso alarmista da imprensa e o alarmismo de analistas econômicos, não sem contradições na análise da realidade. Está bem presente um viés ideológico que perpassa todas as análises evidenciando um conluio entre a imprensa e os donos do dinheiro no país. O tom das análises reflete rancor, raiva e oposição ao governo atual, com parcialidade tal que perde o sentido de objetividade. A chave de leitura é uma oposição visceral do mundo financeiro e empresarial ao governo da presidente Dilma, ampliada com o horizonte das eleições em outubro deste ano." 
Por indicação de um leitor, retornei ao site da CNBB em busca desse documento. Havia onze anos que eu não perdia meu tempo lendo as análises mensais de conjuntura preparadas pela assessoria da CNBB. A entidade, na ocasião em que questionei o tom petista militante que caracterizava os textos, informou que os mesmos não eram "dela", CNBB, mas elaborados "para ela". Com tal afirmação, os senhores bispos supunham desobrigar-se de um volumoso conjunto de documentos que, estranhamente, levam o timbre e estão disponíveis no site da entidade que os congrega. 

Entre minha visita anterior e esta, transcorreu toda uma década, mudou o mundo, mudou o Brasil, mas os assessores da CNBB continuam derramando seu fel ideológico sobre cada frase. A orientação persiste: defesa insistente do petismo e seus parceiros de aquém e de além mar. O texto acima, por exemplo, é parte de um trecho bem maior, dedicado à situação nacional. Ao longo dele algo, ao menos, fica bem claro: os peritos que socorrem a CNBB com sua visão da "conjuntura" já têm candidata a "presidenta" para 2014. O documento deve ter cerca de 5 mil palavras. De início, para desvendar sua eclesialidade, procurei ver quantas vezes apareciam nele a palavra Cristo e seus derivados. Usando o instrumento de busca, digitei as letras "crist" com o que abrangeria todos os vocábulos com essa raiz. Houve apenas três ocorrências. Pareceu-me pouco para um documento católico. Quando fui ver o que diziam do Mestre, descobri, não sem surpresa, que uma dessas referências tratava da senhora Cristina Kirchner, a outra do senador Cristovam Buarque. E a terceira mencionava as "milícias cristãs" que estariam sendo submetidas à lei de Talião na República Centro-Africana. Ou seja, do doce Nazareno, apesar de levar a assinatura de quatro padres, nada. Ni jota como diriam nossos vizinhos castelhanos. O texto ficaria muito bem num Congresso do PT ou numa reunião do Foro de São Paulo: apoio ao governo federal, à presidente Dilma, ambiguidade em relação à crise da Ucrânia e apoio a Maduro na crise venezuelana, onde sustentam os redatores que a oposição, sim, a oposição, estaria radicalizando. 

Entre os quatro leigos que também subscrevem o documento incluem-se o secretário de Articulação Social da Chefia de Gabinete da Presidência da República (braço-direito do ministro Gilberto Carvalho) e o secretário de Desenvolvimento Social e Transferência de Renda do governador petista do Distrito Federal. Os outros dois leigos são membros da Comissão Brasileira de Justiça e Paz, outro dos vários organismos da CNBB aparelhados pelo PT, como a Pastoral da Terra, as CEBs e a Pastoral da Juventude. Todos selecionados a dedo, portanto, para produzirem o que se lê. Esperavam o quê? 

Não é com surpresa que faço estas constatações e escrevo estas linhas. A CNBB parece não se importar com as demasias praticadas sob o guarda-chuva de seu nome e logomarca, nem com sua instrumentalização para fins políticos e partidários. Pode chocar a você, leitor, saber que esse suposto desinteresse coloca a instituição a serviço de quem, inequivocamente, tem entre seus objetivos o de acabar com o pouco que ainda remanesce de valores cristãos e de presença da Igreja na sociedade brasileira. Mas isso não causa o menor constrangimento à CNBB. 

Há muitos lobos no meio das ovelhas que lhes confiou o Senhor. Às avessas da recomendação evangélica, os mansos como as pombas não parecem ser prudentes como as serpentes. E os prudentes nada têm de mansos. 
_____________ 
* Percival Puggina (69) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões, membro do grupo Pensar+.

Tags: petismo, marxismo, socialismo, Percival Puggina, teologia da libertaçãofé dos bispos da CNBB, cristianismo, catolicismo, Bispos da CNBB, CNBB aparelhada pela Organização PT

quinta-feira, 27 de março de 2014

Teologia da Missão Integral - TMI - mistura a luz do Evangelho com as trevas do marxismo. A grave conseqüência é a distorção completa de toda a visão bíblica sobre a dimensão econômica da vida humana e, portanto, da ação dos cristãos na esfera pública

Escrito por Edson Camargo* e publicado no site Mídia Sem Máscara 
O grande erro nesse debate é pensar que a discordância com a TMI se reduz meramente ao campo da visão político/ideológica. Negativo! O que está em jogo é a hermenêutica bíblica sadia.
É bom quando o culpado confessa o delito. Facilita o trabalho e reitera o valor e a veracidade de informações que divulguei, sob grossa nuvem de críticas baseadas na ignorância ou na mentira grosseira. Mais uma vez ele, Ariovaldo Ramos, ao vivo e a cores, fez o de sempre: inseriu teses seculares falsas na fé cristã. Admitindo que a “teologia” da “missão integral” (TMI) não faz uso do referencial teórico marxista, “apenas” (jamais esquecerei este “apenas”) da tese da mais-valia e da crítica ao capitalismo. Deu na Ultimato meses atrás.

Nesta quinta-feira (20), Ariovaldo Ramos publicou o mesmo texto em seu blog, justamente sem o trecho onde afirma isso e então enviou o link para o seu amigão de longa data Renato Vargens, que havia, antes tarde do que nunca, falado algo contra a TMI. Entendeu com quem estamos lidando? É assim que o “Ari” trata de questões espirituais e intelectuais com quem considera seu amigo.

Vargens, como muitos outros, prefere manter a amizade com o promotor de uma teologia falsa a, em obediência ao verdadeiro Evangelho (2ª Jo. 9 a 11), manter distância daquele que o distorce para contaminar o povo de Deus.

Bem, além de estarmos diante de mais um caso no qual a dissimulação revolucionária é pega em flagrante, temos o mais importante: a mais-valia é simplesmente a tese central da obra de Marx, e sobre ela é que Marx constrói sua teoria da exploração, sua crítica ao livre mercado e legitima suas incitações à “luta de classes”, à barbárie e à matança. E o pior: a teoria da mais-valia é falsa. O valor de um bem de capital não se restringe ao que se chamou de “valor-trabalho”, a quantidade de trabalho utilizado na fabricação de um bem. Marx afirma que, como o salário pago ao proletário é inferior ao valor-trabalho aplicado na produção da mercadoria, aí fica manifesta a exploração inerente ao sistema de livre mercado, pejorativamente chamada por ele de “capitalismo”.

Marx, aí, não leva em conta a dimensão subjetiva do valor dos bens de consumo, nem os demais elementos fundamentais para a produção do bem, como toda a estrutura necessária e os custos para mantê-la, o conhecimento aplicado para o desenvolvimento dos produtos, os equipamentos, etc. Portanto, a legitimidade do lucro do empregador não só existe, como é maior do que até mesmo certos críticos do marxismo gostariam de admitir. Que tal ler Eugen von Böhm-Bawerk? Não que seja absolutamente indispensável: se você entende minimamente o que na primeira lição de um curso de marketing se ensina, o conceito de “valor agregado”, já tem em mãos o suficiente para lançar toda a teoria econômica marxista no lixo, e junto com ela, toda a lorota raivosa e genocida da ideologia socialista.

Nunca na história teses tão falsas fizeram matar e morrer tanta gente. E aí, Ariovaldo, ícone da TMI, apologista do MST e fã de Hugo Chávez, assume que mistura justamente essa asneira, raiz de tantos males, com a fé cristã. E o resto, sabemos: é puro discurso legitimador para os incautos e vaidosos. Com ele, as hostes revolucionárias vão adentrando nossas igrejas e conquistando a boa-fé de massas de cristãos intelectualmente desprotegidos.

O grande erro nesse debate é pensar que a discordância com a TMI se reduz meramente ao campo da visão político/ideológica. Negativo! O que está em jogo é a hermenêutica bíblica sadia, pois a TMI, com todo seu pesado fardo revolucionário, insere ênfases que desnorteiam a leitura adequada de certas passagens, contrariando, assim, certos princípios fundamentais da fé e jogando outros para um segundo plano. A grave conseqüência é a distorção completa de toda a visão bíblica sobre a dimensão econômica da vida humana e, portanto, da ação dos cristãos na esfera pública. Na verdade, eis o grande objetivo da TMI, e aí está, aos olhos de todos, a atuação política de seus entusiastas, e dos aliados, novos e velhos, de Ariovaldo Ramos.

Mas não há mistura entre a luz do Evangelho com as trevas do marxismo. Ainda restam dúvidas que o PT se opõe a todos os valores mais caros aos cristãos brasileiros? O que dizer da histórica aliança do PT com as FARC, que fechou 150 igrejas cristãs na Colômbia só em 2013, e de 2004 a 2009 fechou 130? Que cristianismo é este que louva o comunismo e se cala ante a perseguição brutal e sistemática de cristãos? Até hoje não vi uma criatura da “esquerda gospel” abrir a boca contra a perseguição anticristã do Foro de São Paulo.

Entretanto, há quem ainda pensa que deve se esperar um mínimo de sinceridade do PT quando seus lideres dialogam com cristãos.

Portanto, tudo o que resta ao cristão interessado na pureza dos princípios da fé cristã é repudiar, de forma sistemática e firme, essa farsa chamada “teologia” da “missão integral”. A séria advertência do apóstolo João continua válida: “todo aquele que ultrapassa a doutrina, mas vai além dela não tem a Cristo”.

Publicado no GospelPrime.

*Edson Camargo é o editor-executivo do Mídia Sem Máscara. Também é editor na Rádio Vox.

Pesquisa CNI-Ibope sinaliza dificuldades na reeleição da governanta da Organização PT. Fico feliz, mas nem tanto porque uma organização pode mudar o candidato e reverter a tendência contrária

Por Reinaldo Azevedo no Blog do Reinaldo na Veja:
A companheirada deve estar chateada. A pesquisa CNI/Ibope que veio a público não é nada boa para a presidente Dilma Rousseff. Outro levantamento do Ibope, divulgado no dia 21, já tinha dado o sinal de alerta, embora muita gente tenha feito questão de ignorar os dados. Vamos ver.

Segundo os números divulgados nesta quinta, a avaliação positiva da presidente Dilma caiu de 43% em dezembro para 36% agora. Em três meses, é uma mudança considerável. Os que consideram sua gestão ruim ou péssima subiram de 20% para 27%. O levantamento foi realizado entre os dias 14 e 17, quando o caso Petrobras ainda não havia, como direi?, “pegado’. Agora pegou.

Os que aprovam o modo Dilma de governar caíram de 56% para 51%; os que o reprovam subiram de 36% para 43%. Tão importante como os números é o fato de que Dilma não sustentou a recuperação de popularidade depois dos protestos de junho, quando sua aprovação despencou para 31% — dali saltou para 37% (em dezembro) e, depois, para 43%. Agora, volta a cair — e sem protesto.

Os dados de agora corroboram uma realidade que estava embutida na pesquisa da semana passada. Nada menos de 40,32% dos pesquisados deixaram claro que gostariam que o próximo governo mudasse de rumo e de presidente. Por quê?

Naquele levantamento, como destaquei aqui, 64% afirmaram esperar que o próximo governo mude tudo ou muita coisa em relação ao que aí está. Entre esses, nada menos de 63% expressam o desejo de mudar também o presidente — ou seja, 40,32% do total, número bem próximo dos 43% que hoje reprovam o governo Dilma. Considerando os que desejam que tudo fique como está e os que aceitam alterações, mas com a presidente no comando, chegava-se a 49,2%, número também compatível com os 51% que ainda aprovam o governo.

Na pesquisa Ibope de há uma semana, Dilma ainda vencia a eleição no primeiro turno, um número, observei então, enganoso. Até porque nem Lula nem ela própria, em circunstancias muito melhores, lograram tal feito em 2002, 2006 e 2010. O número verdadeiramente importante daquela pesquisa estava um tanto escondido: os 40,32% que não querem que ela continue.

Outra evidência importante daquele levantamento: juntos, o tucano Aécio Neves, com 15% das intenções de voto, e o pessebista Eduardo Campos, com 7%, somavam apenas 22%. Enormes 18% separavam a insatisfação ativa com Dilma dos votos que eles teriam hoje, num sinal evidente de que o eleitor ainda não os identificou com a mudança. Ocorre que também ficava claro que expressivos 28% não conheciam Aécio, índice que chega a 35% com Campos. Como é sabido e evidente, Dilma dá plantão todo dia na TV, e a máquina oficial é poderosíssima.

A síntese é a seguinte: 1) a eventual reeleição de Dilma será tudo, menos tranquila; 2) a chance de o PT ser apeado do poder não é pequena.

quarta-feira, 26 de março de 2014

Atuação da KGB no Brasil

Escrito por Olavo de Carvalho* e publicado no site Mídia Sem Máscara
Enquanto a ação dos serviços secretos americanos nas altas esferas da vida nacional primava pela rarefação ou pela completa ausência, a KGB-STB estava infiltrada e atuante em todos os escalões do poder, incluindo ministérios, empresas estatais e Forças Armadas.

Quem leu o meu artigo “A história proibida”, publicado no último número do Digesto Econômico (http://www.midiasemmascara.org/artigos/cultura/15061-2014-03-24-19-05-45.html), não deve perder o vídeo “O Brasil nos arquivos de espionagem do bloco soviético” (http://www.youtube.com/watch?v=Dbt1rIg8FbI), que o confirma integralmente com documentos de fonte primária revelados pela primeira vez no mundo.

Os papéis, obtidos diretamente dos arquivos da polícia secreta da antiga Tchecoslováquia, estavam, desde o fim do regime comunista, guardados no acervo do Instituto para o Estudo dos Regimes Totalitários, na República Tcheca, onde, com a ajuda de pesquisadores locais, foram encontrados por Mauro Abranches, um tradutor brasileiro que mora na Polônia.

Sem qualquer intenção política, o autor do vídeo se abstém de opinar sobre o conteúdo dos documentos. Ele apenas os exibe e traduz. Mas eles falam por si, e o que dizem compõe um requisitório devastador contra a pseudo-historiografia, morbidamente sectária e mendaz, que há décadas intoxica a mentalidade dos brasileiros com uma versão unilateral e deformada de sessenta anos da vida política nacional.

O que caracteriza essa vasta bibliografia, consagrada no mercado editorial, na grande mídia e nos currículos universitários como verdade de evangelho, é a balela pueril de que tudo o que aconteceu na política brasileira, nos anos 60-70 do século XX, foi o conflito entre agentes de uma superpotência imperialista, armados até os dentes, e, do outro lado, um punhado de bravos patriotas minoritários, isolados e entregues praticamente inermes à mercê de um poder tirânico e repressivo. Quando reconhecem que a luta foi um episódio da Guerra Fria, buscam dar a impressão de que esta se travou entre os americanos e um grupo de brasileirinhos desamparados. O antagonista maior dos EUA, a URSS, desaparece por completo, dando a entender que a ameaça comunista, na época, era apenas um delírio de direitistas paranóicos ou a desculpa esfarrapada dos golpistas para derrubar um governo democraticamente eleito.

Milhares de livros, reportagens, teses universitárias e especiais de TV construíram e defenderam laboriosamente essa versão, que se baseava e se baseia até hoje, essencialmente, em dois pilares: (a) a repetição servil e obstinada do que os serviços secretos soviéticos mandaram dizer; (b) a ocultação sistemática da atuação da KGB e de seus parceiros tchecos no Brasil.

Complementarmente, o papel dos EUA na produção dos acontecimentos aparece monstruosamente ampliado, a despeito do fato de que na época nem mesmo o chefe da KGB no Brasil, Ladislav Bittman, sabia de qualquer agente da CIA lotado no país e até hoje nenhum nome de espião americano comprovadamente associado ao planejamento do golpe de 1964 jamais apareceu. Nem um único sequer.

Em 1985 Bittman publicou seu livro de memórias, The KGB and Soviet Disinformation, no qual confessava que a história da participação americana na derrubada de João Goulart fôra inteiramente inventada pelos seus próprios subordinados, na base de documentos forjados. A “Operação Thomas Mann” ou “Operação Toro”, como a chamaram seus criadores, ditou os termos em que a história do golpe deveria ser escrita. Até jornalistas do calibre de um Otto Maria Carpeaux ajudaram a impingi-la ao público. E até hoje a vontade de Moscou é obedecida sem discussões por milhares de jornalistas, historiadores e professores neste país. Não há talvez na história do mundo exemplo similar de tão duradoura fidelidade residual às ordens de um regime extinto. Desde 2001 insisto que entrevistar Bittman seria o dever estrito de qualquer historiador ou jornalista que desejasse contar com honestidade a história de 1964, mas, é claro, fui sempre recebido com um silêncio desdenhoso. A hipótese, então, de investigar mais amplamente nos arquivos soviéticos a penetração da KGB no Brasil, essa era repelida como um crime de lesa-pátria.

Mas agora não se trata só da palavra de um agente secreto aposentado ou do clamor de um articulista maluco. São centenas de páginas de um acordo oficial assinado no início dos anos 60 entre a KGB e o serviço secreto tcheco (STB) para operações no Terceiro Mundo, incluindo o Brasil.

A conclusão é incontornável: enquanto a ação dos serviços secretos americanos nas altas esferas da vida nacional primava pela rarefação ou pela completa ausência, a KGB-STB estava infiltrada e atuante em todos os escalões do poder, incluindo ministérios, empresas estatais e Forças Armadas, instituições científicas e educacionais e, é claro, grande mídia. A “ameaça comunista” nunca foi um pesadelo de malucos ou uma “teoria da conspiração”: foi uma presença intrusiva e avassaladora, o mais profundo golpe já desferido na soberania nacional.

Os documentos trazem, junto com o plano, um extenso relato das operações já em curso de realização, com os nomes das entidades infiltradas, das ações aí empreendidas e, melhor que tudo, dos agentes encarregados. O prof. Abranches, com muita razão, pede que esses nomes não sejam ainda denunciados, por ser impossível distinguir, num primeiro momento, quais deles são de agentes profissionais e quais os de pessoas forçadas a colaborar com a polícia secreta mediante chantagem ou ameaça. Não comentarei, portanto, aqueles que pude ler na tela e reconheci de imediato. Só digo uma coisa: muitos desses velhos servidores de uma potência genocida ainda estão por aí, brilhando nos jornais e nas cátedras, com as caras mais respeitáveis do mundo, ludibriando diariamente o público brasileiro. “Não existe ex-KGB”, ensina Vladimir Putin. 

*Publicado no Diário do Comércio.

terça-feira, 25 de março de 2014

Congresso, com a força dos governistas, aprovou o marco civil da internet. Acabou-se a liberdade virtual porque sociedades livres não precisam de "marcos civis"

Para saber mais, leia aqui e aqui.

Tags: censura na internet, fim da liberdade virtual, marcos da repressão na internet, marco civil na internet, mentira do "marco civil", internet não precisa de marco civil, governo quer acabar com a liberdade virtual

A HISTÓRIA PROIBIDA - Bittman afirmou que a KGB tinha na sua folha de pagamentos, em 1964, quase uma centena de jornalistas brasileiros. Alguém se interessou em investigar quem eram eles?

Escrito por Olavo de Carvalho* e publicado no site Mídia Sem Máscara

Carl Schmitt definia a política como aquele campo da atividade humana no qual, não sendo possível nenhuma arbitragem racional dos conflitos, só resta juntar os amigos e partir para o pau com os inimigos. Invertendo a célebre fórmula de Clausewitz, a política tornava-se assim uma continuação da guerra por outros meios. Nessa perspectiva, o que quer que se dissesse a respeito deveria ser julgado não por sua veracidade ou falsidade, mas pela dose de reforço que desse aos “amigos” e pelo mal que infligisse aos “inimigos”.

A quase totalidade da bibliografia nacional sobre o golpe de Estado de 1964 segue rigorosamente essa receita. A hipótese de discutir racionalmente os argumentos dos golpistas é afastada in limine como “extremismo de direita” ou como adesão retroativa ao movimento que, com forte apoio popular, derrubou João Goulart e inaugurou a era dos presidentes militares. A única função que resta para o historiador é, portanto, reforçar o elemento macabro na lista dos crimes de um dos lados e enaltecer os do outro lado como boas ações incompreendidas.

A universidade brasileira tem nisso uma das suas principais missões educacionais. Não espanta que para cumpri-la tenha tido de reduzir mais de cinqüenta por cento dos seus estudantes ao estado de analfabetismo funcional,[1] tornando-se assim uma organização criminosa empenhada na prática da fraude em grande escala.

A ciência política começou quando Sócrates, Platão e Aristóteles inauguraram a distinção entre o discurso do agente político e o do observador científico. Essa distinção não poderia ser mais clara nem mais incontornável: o primeiro destina-se a fazer com que determinadas coisas aconteçam, o segundo a compreender o que acontece. O próprio agente político, quando fala entre amigos, tem de ser um pouco cientista para dar a eles uma visão realista do estado de coisas antes de lhes dizer o que devem fazer. Levada às suas últimas conseqüências, a regra schmittiana resulta em suprimir toda possibilidade de um conhecimento objetivo do estado de coisas e em meter os amigos numa enrascada dos diabos. Ninguém praticou isso com mais dedicação do que os comunistas, que por isso mesmo acabaram matando mais comunistas do que todas as ditaduras de direita reunidas e somadas. Até hoje ninguém contestou satisfatoriamente a minha assertiva de que nos anos 30-40 do século passado um marxista de estrita observância teria maior probabilidade estatística de sobreviver na Espanha de Franco ou no Portugal de Salazar do que em Moscou.

Quase toda a bibliografia nacional sobre o golpe de 1964 e sobre o regime militar que se lhe sucedeu só tem, portanto, o valor de um documento bruto sobre a visão que uma das facções em luta tinha (e tem) dos acontecimentos. Como estudo científico-objetivo, não vale nada. Que alguns poucos livros se oponham a essa uniformidade consensual não melhora em nada a situação, pois expressam antes a reação enfática de uma minoria indignada do que um sério desejo de compreender o que se passou. E a desproporção entre ataque e defesa se torna ainda mais significativa porque – notem – os governos militares, com todos os recursos que tinham à mão, não espalharam um volume de propaganda anti-Goulart – ou anticomunista -- que chegasse a um milésimo do que se escreveu e publicou contra eles depois que foram alijados do poder. Mesmo em plena ditadura, a produção de livros e jornais contrários ao regime, muitos abertamente pró-comunistas, já ultrapassava de longe o volume modesto da propaganda oficial, sem contar o fato de que esta se limitava a patriotadas genéricas e inócuas sem nenhum teor de ataque ou denúncia. O governo, enfim, cedeu à esquerda o monopólio do uso da linguagem, e o fez precisamente nos anos em que os setores mais hábeis do movimento comunista, em vez de se suicidar nas guerrilhas, liam Antonio Gramsci e se empenhavam em ocupar espaços na mídia e nas universidade para aí empreender a grande guerra cultural contra um adversário que a ignorava por completo.

É inteiramente normal que no dia seguinte à queda de um regime ele seja demonizado, mas é ainda mais normal que a passagem do tempo favoreça abordagens mais realistas e equilibradas. Este ano o golpe de 1964 completa meio século de história, e não só a indústria da vituperação continua cada vez mais próspera, alimentada agora por uma cornucópia de verbas estatais, mas o simples impulso de sugerir alguma moderação ou de pedir equanimidade na averiguação dos delitos de parte a parte é recebido como virtualmente criminoso e digno de punição. Muitos acusam nele, abertamente, a preparação de um outro golpe, o anúncio de uma nova ditadura, e, com base nesse hiperbolismo forçado até o último grau, legitimam o uso de meios ditatoriais para evitá-la.

Num país onde setenta mil cidadãos são assassinados por ano, a morte de quatrocentos terroristas meio século atrás é ainda alardeada como o mais terrível – e o mais recente – dos traumas históricos possíveis. Chega-se mesmo a exclamar que o Brasil só não encontrou o caminho da perfeita democracia porque os “crimes da ditadura” ainda não foram suficientemente investigados e denunciados.[2]

Nessas condições, não é de estranhar que aspectos fundamentais da história daquele período fossem varridos para baixo do tapete, sufocados e proibidos, como se nunca tivessem existido e como se mencioná-los fosse o maior dos crimes. Eis alguns exemplos:

1. Qual a dimensão real da ameaça comunista no Brasil dos anos 60? A norma geral é proclamar, a priori, que essa ameaça era inexistente ou irrisória. Mas as mesmas pessoas que assim dizem são as primeiras a apontar o grande número de oficiais comunistas e pró-comunistas que o novo regime expulsou das Forças Armadas. São também as primeiras a cantar as glórias do esquema guerrilheiro que Fidel Castro havia espalhado por todo o continente americano. Conta-se entre lágrimas a história da Operação Condor, mas evita-se cuidadosamente mencionar que ela foi apenas uma reação tardia à fundação da OLAS, a Operação Latino-Americana de Solidariedade, comando-geral das guerrilhas no continente, que já havia matado milhares de pessoas quando os governos da região decidiram juntar esforços para combatê-la.

2. À profusão de investigações e denúncias sobre a ação da CIA no Brasil, entremeadas de mitos e lendas, corresponde, em simetria oposta, o total desinteresse ou a proibição tácita de averiguar a presença da KGB no país na mesma época. A abertura dos arquivos de Moscou, que tão profundamente modificou o panorama da sovietologia no mundo, foi recebida no Brasil como uma obscenidade da qual não se deveria falar.

3. A balela de que as guerrilhas surgiram em reação à derrubada do presidente Goulart continua sendo repetida com a maior sem-cerimônia, mesmo sabendo-se que desde 1961 já havia no Brasil guerrilhas subsidiadas e orientadas pelo governo cubano. Nesse ponto, aliás, o simples fato de que o presidente Goulart, recebendo em mãos as provas do que se passava, escondesse tudo e remetesse em segredo a Fidel Castro em vez de mandar investigar essa ostensiva intervenção estrangeira armada, já bastava para tornar sua derrubada inevitável e até obrigatória.[3] No entanto, até hoje o golpe é carimbado como um ato de força “contra um presidente legalmente eleito”, como se Goulart tivesse sido derrubado por ter sido eleito e não por ter cometido um crime de alta traição.

4. Qual foi exatamente a participação de exilados e de outros comunistas brasileiros na polícia política de Fidel Castro? Se o sr. José Dirceu foi oficial do serviço secreto militar cubano, é quase impossível que ele tenha sido uma exceção solitária. Quantos comunistas brasileiros foram co-responsáveis por matanças e torturas de cubanos?

5. Passaram-se doze anos desde que divulguei neste país o livro, publicado uma década e meia antes disso, em que o chefe do escritório da KGB no Brasil, Ladislav Bittman, confessava ter falsificado documentos para induzir a mídia local, com sucesso, a acreditar que o governo dos EUA havia planejado e orientado o golpe militar. Desde então nem um único jornalista ou historiador se interessou sequer em ler o livro, quanto mais em tentar uma entrevista com Bittman ou uma averiguação nos arquivos soviéticos. São, no total, vinte e sete anos de ocultação proposital.

6. No mesmo livro, Bittman afirmou que a KGB tinha na sua folha de pagamentos, em 1964, quase uma centena de jornalistas brasileiros. Alguém se interessou em investigar quem eram eles? Encobertos sob o silêncio obsequioso de seus colegas e dos empresários de mídia, aqueles dentre eles que não morreram estão decerto em plena atividade, mentindo, ocultando e falsificando.

Esses seis exemplos bastam para evidenciar que a história oficial do golpe de 1964 é criminosamente seletiva, recortada para servir de instrumento de propaganda e não para esclarecer alguma coisa. É a historiografia schmittiana em ação, ajudando os amigos e assassinando as reputações dos inimigos.

Notas:
[2] V. , por exemplo, Leandro Dias, “Fascismo à brasileira”, em http://www.pragmatismopolitico.com.br/2014/01/fascismo-brasileira.html.

*Publicado no Digesto Econômico.