quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Quem matou o cinegrafista? Além dos dois suspeitos, houve mais responsáveis nos palácios

Por Nivaldo Cordeiro no site Nivaldo Cordeiro - Um espectador engajado
Quem matou o cinegrafista Santiago Ilídio Andrade, da TV Bandeirantes? Terá sido o rapaz que está preso, acusado de entregar o rojão ao disparador? Terá sido o disparador? Eu digo: ambos. Ambos concorreram para o desfecho fatal e devem responder criminalmente pelo ato irresponsável. Faça-se Justiça!

Mas não são os únicos responsáveis. Nem os maiores. Estes são os que chamaram os movimentos de ruas, os que lideraram a “resistência”, os que exaltaram a violência como instrumento de ação política. São os que acreditam na “ação direta”, essa antiga e malfadada forma comunista de ação de rua, preparatória de golpes de Estado.

Há, todavia, outro autor ainda mais importante: a parte da imprensa que tem dado cobertura aos Black Blocs e a todas as ações de ruas que se arrastam desde junho do ano passado. Essa gente é hipnotizada pela suposta democracia direta, pelas massas em ação, pelo elevar-se de Behemoth, o grande símbolo das multidões cegas, caóticas, a besta que precede a chegada da ordem tirânica, o Leviatã.

E também os governadores de oposição, pusilânimes toda vida, que se recusam a fazer prevalecer a Autoridade, que deixaram as ruas como campo de caça para os Black Blocs. Sem a covardia dos governadores de oposição os movimentos não teriam chegado à dimensão que checaram e o sacrificado Santiago ainda poderia estar vivo.

Finalmente, há o Autor. É aquele que, nos palácios, domina o poder do dia, mas quer o poder do amanhã, aumentado ao ponto da tirania. É aquele que, macaqueando Maquiavel, pensa está sendo parteiro da História, quando na verdade não passa de assassino de cinegrafistas e de idosas que morrem por acaso ao longo da ação dos movimentos. É esse Cérebro tenebroso, que exerce o poder e lidera as massas nas ruas contra o poder constituído, em paradoxo, a fim de ganhar as eleições de 2014 de véspera. Quer derrotar os governadores de oposição.

Sim, quem está nos palácios hoje é o Autor, aquele que deseja ser o Leviatã de amanhã.

Evidente que sobre o aparente irracionalismo das massas em movimento paira a “razão revolucionária”. O partido governante no Brasil forjou-se nessa técnica de luta e por ela deseja ganhar o poder total. Mais que isso: não conhece outra forma de fazer política, não quer ser civilizado e não aceita a alternância de poder. Em suma, usa da democracia mas não aceita os seus pressupostos.

Esse é o grande perigo que ameaça todos os brasileiros, o perigo do totalitarismo. Quem viver verá.

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