terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

É O PECADO, ESTÚPIDO!!! - Política eclesial para conservadores - Capítulo I

O texto é do Blog do Frei Clemente Rojão (Ortodoxia Católica sem Frescuras!)
A Igreja é uma, santa, católica e apostólica, e fora dela não há salvação, já dizia o grande papa Bonifácio VIII em outras épocas. É verdade que se salvam os que sem culpa própria desconhecem a Igreja e obedecem a Lei Natural. Mas estes parênteses que a sensibilidade moderna precisou agregar não pode nos ocultar que EX ECCLESIA NULLA SALUS.
Jesus Cristo, Deus de Deus, Luz da Luz, se fez verdadeiro homem sem deixar de ser verdadeiro Deus. Este é um mistério da fé, é maravilhoso. Porém há um “submistério da fé”, se me permitem o trocadilho, que é ele fazer uma instituição tão santa, tão nobre, tão justa e tão correta como a Igreja católica de... homens. 

Deus conseguiu se fazer homem, e conseguiu fazer que seu corpo místico seja composto de homens. Eis a questão: Jesus Cristo não pecou, não porque fosse Imaculado como sua mãe, porque não poderia sendo Deus pecar se “auto-desobedecendo”. A Virgem Maria, santíssima, era Imaculada por uma constatação lógica, o pecado não poderia tocar Deus, muito menos o gerir e o parir. Porém seu corpo místico, que é a Igreja, é composto por pecadores. Através de nosso pecado, o pecado “toca” a Deus. Não só quando nossas línguas as vezes impuras tocam o Santíssimo Sacramento. Quem dera que a pureza batismal se mantivesse sempre em nós! Eis o problema, a Igreja é santa, mas composta de pecadores. 

E como somos pecadores! Demais, demais! Os sermões dos profetas e os santos, até as aparições da Virgem, não cessam de se queixar de como nosso fedor chega até o Altíssimo. Deus tem muita paciência em nos aturar. A constatação de nosso extremo pecado já transtornou muita gente: Santo Agostinho ia até o desespero considerando sua incapacidade de vencer seus próprios maus hábitos. Santo Inácio de Loyola recomendou cuidado na meditação do Inferno e dos efeitos do Mal para não enlouquecer. Martinho Lutero, de tão convicto que o pecado era inevitável, desistiu de lutar e criou uma nova doutrina que faz do pecado inevitável, e Deus que se conformasse em perdoar a todos os crentes. Jansen considerou o pecado tão feio que começou a restringir os sacramentos para evitar blasfêmia. 

Portanto começo este pequeno tratado com o fundamento teológico: É o pecado dos cristãos que causa todos os males da Igreja. Parodiando aquela ditado atribuído ao marqueteiro de Clinton (“É a economia, estúpido!”) eu digo “É o pecado, estúpido!”

É o pecado que causou e causa todos os problemas dos últimos 2000 anos na Igreja católica. É o pecado que causou, aliás, todos os problemas desde que o mundo é mundo. Porém que o mundo esteja na zorra é esperado, mas como a Igreja é a escada de Jacó de Betel, “lugar terrível, porta do céu e casa de Deus” como disse o patriarca, o contraste fica mais nítido. E até o mundo, hipócrita mundo que ama o pecado, torna-se um belo fariseu para apontar os pecados da igreja. Lá está Michael Foucault consagrado em todas as prateleiras universitárias querendo comer criancinhas, mas o problema, afinal, é a pedofilia de uns poucos padres mais do Inferno que da Igreja. Jacó chamou Betel de lugar terrível mesmo sendo a porta do Céu. É porque a luz divina permite enxergar melhor o quão baixo somos pelo pecado. A Casa de Deus é um lugar terrível para quem está sujo pelo pecado, todos nós. É por isto que o rei Deus não tolerou um convidado na festa em sua casa que não estivesse vestido corretamente. Kyrie eleison! Este homem era eu! 

Se fôssemos mais ao confessionário, teríamos menos problemas. Mas vamos pouco, vamos mal. Por isto temos que ficar entrando e saindo do caminho do Mal, como diria Maquiavel, mas se perdendo na hora de sair. O mal é como pixe, gruda. O mal é como cabelo de ralo, acumula até entupir. 

Portanto, o objetivo deste opúsculo é “Sucesso no Apostolado, apesar do nosso pecado”.

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