quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Como vencer a guerra cultural: um plano de batalha cristão para uma sociedade em crise

KREEFT, Peter. “Como vencer a guerra cultural”: um plano de batalha cristão para uma sociedade em crise. Tradução Márcio Hack. Ecclesiae: São Paulo, 2011.
Escrito por Bruno Braga* e publicado no Blog Bruno Braga
A sociedade está em crise. Esta é uma constatação inescusável para qualquer um que se proponha a examinar o mundo à sua volta. Banalização da violência e a disseminação da criminalidade. No entanto, o que mais atormenta as pessoas são as questões sociais e culturais, a reformulação dos valores e da moral. Este movimento não é espontâneo. Não é fruto do “progresso” ou consequência do “desenvolvimento”. É o resultado de uma verdadeira guerra.

“Como vencer a guerra cultural” é um chamado à realidade. Peter Kreeft - professor de filosofia do Boston Collegy e do King´s College - alerta os incautos e desavisados, os iludidos e conformados, sobretudo os cristãos, que insistem em proclamar paz, paz, paz: estamos em uma GUERRA e diante de um EXÉRCITO DA DESTRUIÇÃO. Milícias revolucionárias que – tomadas por um surto psicótico de autodivinização - reivindicam poder para destruir as estruturas sociais – a moral judaico-cristã, denunciada como a fonte e a origem da injustiça e do mal - para erguerem um “novo mundo” das ruínas e dos escombros.

O livro de Peter Kreeft é mais que um chamado à realidade, é uma convocação dos cristãos para a guerra. Os católicos são “pacíficos”, porém, não “pacifistas”, advertia o Papa Paulo VI. Não devem aceitar tudo e qualquer coisa sob o pretexto da “paz” e do “amor”, porque AMOR também é “luta”. Basta olhar o amor de um pai e de uma mãe pelo filho para reconhecer que ele é uma guerra contra o ódio, a deslealdade e o egoísmo. Não há amor sem ODIAR o MAL – e o Maligno - e sem o compromisso com a VERDADE.

Trata-se de uma guerra ESPIRITUAL travada no campo de batalha CULTURAL. A lei de Colson – exposta em um diagrama lógico que envolve “Comunidade”, “Caos”, “Consciência” e “Polícia” - é um esquema útil para compreender os termos deste conflito. É importante identificar o “inimigo”, mas também os seus colaboradores. Por isso Kreeft denuncia os “especialistas” e “Intelectuais”, que ele chama de “experts”. São agentes que ocupam centros de ensino e universitários, a mídia e a imprensa. Suas armas são artifícios retóricos e pseudofilosofias, utilizados para justificar a “transformação da sociedade” e impor todo tipo de absurdo: desde o ABORTO – o ASSASSINATO de crianças - à revolução sexual GAYZISTA-FEMINISTA, o vício das DROGAS, etc.

Neste conflito o cristão não está desamparado. Ele tem um poderoso estímulo para lançar-se ao combate: o DEVER de SANTIDADE. Seus modelos são os santos e o próprio Filho de Deus. Kreeft desconstrói a imagem “pacifista” de Jesus Cristo, forjada para domesticar os cristãos e que contrasta com Aquele que advertiu: “Mas qualquer um que fizer tropeçar um destes pequeninos que creem em mim, melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma pedra de moinho, e que fosse lançado no mar” (Mc 9, 42). Quanto aos santos, não, eles não são ascetas que abandonaram o mundo para uma vida na estratosfera: 
  • “[...] os santos amam a verdadeira paz. Eles também odeiam a falsa paz, a paz baseada em mentiras. Os santos odeiam a violência e a intolerância para com os pecadores. Mas eles odeiam também a tolerância ao pecado. Os santos amam mais os pecadores e menos os pecados do que todas as outras pessoas. Essas duas excentricidades confundem as pessoas e, não raro, as ofendem” (p. 130).
É uma guerra com a espada trazida por Cristo, que separa, de um lado a PESSOA, inviolável, mas do outro o PECADO – intolerável em pensamentos e palavras, atos e omissões. 

Kreeft adverte. Na guerra denunciada não está em jogo apenas a “sociedade”. Estão em risco sobretudo as ALMAS (p. 136). Almas conformadas ou que se degradam alimentando-se com uma CULTURA DA MORTE, com uma “espiritualidade” pueril. Que investem em uma felicidade forçada e em uma paz fingida. Elas podem estar decidindo a sua eternidade ao disseminar o MAL que insistem tanto em esconder ou negar. Para estas almas, mas também para as que preenchem as fileiras do combate, um anúncio sobre a sua condição: “a estrada do paraíso perdido até o paraíso reconquistado está encharcada de sangue. Bem no centro da história está uma cruz – um símbolo de conflito mais do que qualquer outro” (p. 23). O livro de Kreeft é edificante, porque mostra a dignidade de percorrer este caminho.

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