quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

4-O poder da ideologia na guerra revolucionária - A fluidez do rebelde e a rigidez das forças legais

Escrito por Carlos Azambuja* e publicado no site Mídia Sem Máscara
Por não ter responsabilidades e nem valores concretos, o rebelde é fluido. As forças legais, por sua vez, por ter ambos, são rígidas. Se as forças legais quisessem ver-se livre de sua rigidez teriam que renunciar ao governo legal do país e abandonar seus bens concretos, deixando tudo à mercê dos rebeldes. Todavia, nenhum governo jamais se atreveu a lançar mão desse recurso extremo.

O rebelde é obrigado a permanecer fluido, pelo menos até chegar a um equilíbrio de forças com o governo. Por mais desejável que seja para o rebelde possuir territórios, forças regulares, equipamentos e armas poderosas, possuí-las prematuramente poderá sentenciá-lo à morte. Historicamente, o fracasso dos rebeldes comunistas na Grécia pode ser atribuído, em parte, ao risco que passaram a correr ao organizar suas forças em batalhões, regimentos e divisões e aceitaram a guerra convencional.

Na Guerra Revolucionária, portanto, e até ser alcançado o equilíbrio de forças, somente o rebelde pode realizar operações de bater-e-correr, porque as forças legais oferecem alvos fixos. E somente ele, o rebelde, estará livre para aceitar ou recusar uma batalha.

A rigidez para um lado e a fluidez para o outro são também determinadas pela natureza das operações. Para o rebelde, elas são relativamente simples: promover desordens sob todas as formas, no sentido de desintegrar e desacreditar o governo. Já o governo tem que levar em conta a necessidade de proteger as populações, a economia e defender-se contra os ataques inesperados dos rebeldes, além de ter que coordenar todos os componentes das forças da ordem: os governantes, os policiais, os soldados, os assistentes sociais, etc.

O poder da ideologia
A menos que tenha uma causa bem fundamentada capaz de atrair a população, o rebelde não terá condições de empenhar-se vitoriosamente em uma rebelião. No começo das hostilidades, essa causa é tudo o que ele possui e a força da ideologia trabalha em seu favor. Um governo, desde que confrontado por uma ideologia rebelde dinâmica estará fadado à derrota uma vez que não existem táticas e nem técnicas possíveis de contrapor a uma desvantagem ideológica, embora a atitude da população seja ditada não tanto pela relativa popularidade da causa dos rebeldes, mas pelas preocupações com sua própria segurança. Qual dos lados proporciona a melhor proteção, qual o mais ameaçador, qual vencerá provavelmente? Esses são os critérios que determinam, em última análise, a posição da população.

A propaganda, uma arma unilateral
Não tendo responsabilidades, o rebelde está livre para lançar mão de quaisquer truques. Pode mentir, enganar e exagerar, pois não está obrigado a oferecer provas. O rebelde é julgado pelo que promete e não pelo que realiza. Dessa forma, a propaganda é, para ele, uma arma poderosa.

Os governos, por sua vez, estão presos às suas responsabilidades e ao seu passado e, para eles, os fatos falam mais alto que palavras. Eles são julgados pelo que fazem, ou fizeram, e não pelo que dizem. Caso mintam, enganem, exagerem e não provem, poderão alcançar alguns êxitos efêmeros, mas ao preço de cair para sempre no descrédito, pois a oposição política legítima logo desvendaria e denunciaria suas manobras psicológicas. Raramente os governos podem, através da propaganda, encobrir uma política má ou inexistente.

*Carlos Ilich Santos Azambuja é historiador.

Veja os outros itens do artigo "Como é a guerra revolucionária" de Carlos Azambuja

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