quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

3-A guerra revolucionária é uma guerra prolongada

Escrito por Carlos Azambuja* e publicado no site Mídia Sem Máscara
A natureza prolongada de uma Guerra Revolucionária não resulta do desejo de nenhum dos lados. Ela é imposta ao rebelde por sua debilidade inicial. Ela só será curta se o governo desmoronar prematuramente - como ocorreu em Cuba, em 1959, onde o regime de Fulgêncio Batista desintegrou-se e ele próprio abandonou o país - ou se um acordo político for alcançado, como ocorreu na Tunísia, no Marrocos e em Chipre.

Recorde-se que na China a Guerra Revolucionária durou 22 anos, 12 na Malásia, 9 na Indochina, 8 na Argélia, 5 na Grécia, 4 no Marrocos e 3 na Tunísia.

A rebelião não é dispendiosa, ao contrário da contra-rebelião
A promoção da desordem é o objetivo do rebelde, pois desagrega a economia, causa insatisfação e serve para solapar a força e a autoridade do governo. A criação da desordem não é dispendiosa, mas de custosa prevenção. O rebelde, ao explodir uma ponte ou uma torre de transmissão de energia, obriga a que todas as demais sejam vigiadas; ao fazer explodir uma bomba em um cinema, obriga a que todos os freqüentadores de todos os cinemas passem a ser submetidos a uma revista; quando o rebelde queima uma fazenda, todos os fazendeiros passam a clamar por proteção e, se não a recebem, podem ser tentados a organizar milícias de defesa armada. Também através de simples telefonemas anônimos, avisando sobre supostos artefatos colocados em terminais rodoviários, ferroviários ou aeroviários, os rebeldes podem causar anarquia nos horários do sistema de transportes e afugentar turistas.

O governo, ou seja, as forças legais, não pode fugir à responsabilidade de manter a ordem, o que causa uma desproporção elevada de despesas entre ele e o rebelde. Todavia, mais cedo ou mais tarde, é alcançado um ponto de saturação, um ponto em que o princípio da produtividade regressiva funciona para ambos os lados, pois uma vez que o rebelde consiga o domínio de bases geográficas estáveis, ele se tornará um forte promotor da ordem dentro de sua área. Nesse sentido, o rebelde, em virtude da disparidade em custo e esforço, pode aceitar uma guerra prolongada, mas as forças legais não devem fazê-lo, pois os custos seriam muito altos para o País.

*Carlos Ilich Santos Azambuja é historiador.

Veja os outros itens do artigo "Como é a guerra revolucionária" de Carlos Azambuja

Tags: movimento revolucionário | comunismo | terrorismo | direito | cultura | socialismo | história | ciência | totalitarismo | esquerdismo, guerra revolucionária é guerra prolongada, rebelião não é dispendiosa, a guerra é um instrumento de políticaCarlos Ilich Santos Azambuja

Nenhum comentário: