terça-feira, 14 de janeiro de 2014

2-A guerra revolucionária é uma guerra política

Escrito por Carlos Azambuja* e publicado no site Mídia Sem Máscara
Na guerra convencional, a ação militar, a diplomacia, a propaganda e a pressão econômica, são os principais meios de atingir a meta visada. Em conseqüência, torna-se relativamente fácil a distribuição de tarefas entre o governo, que dirige as operações, a população, que proporciona os meios, e os militares, que os utilizam.

Na Guerra Revolucionária, contudo, a situação é diferente, pois o objetivo principal é a população e as operações destinadas a conquistá-la ou, pelo menos, mantê-la passiva. Essas ações são essencialmente políticas. Daí que as ações políticas conservam a preponderância durante todo o transcurso da guerra. No entanto, é tão complexa a interação das ações políticas com as ações militares que elas não podem ser claramente separadas entre si. Pelo contrário, todos os lances militares têm que ser considerados com relação aos efeitos políticos, e vice-versa.

Os rebeldes, conduzidos por um partido e cujas forças armadas são os militantes do partido, desfrutam de uma óbvia vantagem sobre seu oponente, o governo, que pode ou não ser apoiado por um partido ou um grupo de partidos, muitas vezes com tendências centrífugas, e cujo exército é o Exército da Nação, nele refletindo-se o consenso ou a falta dele. Mais ainda: nenhuma Academia Militar ensina aos cadetes como “ganhar” uma população politicamente.

A transição gradual da paz para a guerra
Na Guerra Convencional a transição da paz para a guerra é brusca e o primeiro impacto poderá ser o decisivo.

Na Guerra Revolucionária isso é dificílimo, porque o agressor - o rebelde - carece, no início, de força suficiente. Podem passar anos, como ocorreu na Guerrilha do Araguaia, antes do rebelde sentir-se em condições de obter um poder político significativo e, muito mais, de obter um poder militar. Nessa situação, o rebelde não tem qualquer interesse em causar um impacto até sentir-se plenamente capaz de suportar a reação das forças governamentais. No Araguaia, os rebeldes dispuseram de um escasso poder militar, mas nunca obtiveram poder político e a aquiescência da população. Retardando o mais possível o momento do impacto, o rebelde protela a reação.

*Carlos Ilich Santos Azambuja é historiador.

Veja os outros itens do artigo "Como é a guerra revolucionária" de Carlos Azambuja

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