sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

O liberal Joaquim Nabuco considerava democraticamente justa a conjugação do liberalismo com o regime monarquista sob a égide do sistema parlamentarista

Escrito por Bruno Garschagen* e publicado** no site Ordem Livre

O Brasil vive um período de transição bastante interessante. Se na década de 1990 surgiram no cenário público algumas vozes dissonantes da cartilha marxista e suas derivações, a partir do ano 2000 despontou uma nova geração livre dos grilhões ideológicos turbinados durante o governo militar (1964-1985).



A ditadura maculou três gerações nas esferas política e cultural: a que estava no auge na época do golpe, a que tentava abrir espaço e a que nascia sob os coturnos. Essas gerações foram atacadas de dois lados: por um regime ditatorial e pela dominação cultural e educacional da esquerda de vários matizes. Nas universidades, no meio artístico, no jornalismo etc. o sujeito que não fosse de esquerda (o que não quer dizer que fosse de direita) era mal visto e rechaçado. Era preciso se posicionar. Do lado deles.

E já que vivemos num período de transição é fundamental que determinadas idéias sejam apresentadas e estudadas. E aqui vai minha dica: Joaquim Nabuco e seu livro Minha formação (1900).

Nabuco teve a sorte de ter um pai que o influenciasse e estimulasse. Seu liberalismo, segundo revela logo no primeiro parágrafo da obra, tinha um fundo hereditário. A herança vinha por obra e graça do senador José Tomás Nabuco de Araújo, político conservador que fez sua passagem para o liberalismo entre 1857 e 1865.

Foi nesse período que José Nabuco arrastou consigo "um grande movimento em sentido contrário, do campo conservador para o liberal, da velha experiência para a nova experimentação, das regras hieráticas de governo para as aspirações ainda informes da democracia". É a esse pai inspirador que Nabuco dedica outra obra notável, Um estadista no império: Nabuco de Araújo (1896).

Aspecto pouco ou superficialmente tratado nos ensaios sobre Minha formação é não só o liberalismo vigoroso, contundente e empolgado, mas sua transição de liberal mezzo republicano para entusiasta e, por fim, defensor ardoroso da monarquia constitucional liberal. Em ambos os casos, vê-se como o jovem forma o homem sem graves rupturas que levem ao extremismo, desencanto ou exasperação.

As chaves de sistemas e concepções políticas que modelaram a mente de Joaquim Nabuco, por ele chamado de "verdadeiros estados do espírito moderno", foi-lhes dada pela obra The English Constitution, do economista e jornalista inglês Walter Bagehot (1826-1877), autor de outros ensaios importantes como Lombard Street: A Description of the Money Market, de 1873, e A New Standard of Value, de 1875.

The English Constitution forjou no espírito liberal de Nabuco a ideia de que era não só possível, mas democraticamente justo, a conjugação do liberalismo com o regime monarquista sob a égide do sistema parlamentarista:
"Devo a esse pequeno volume que hoje não será talvez lido por ninguém em nosso país, a minha fixação monárquica inalterável; tirei dele, transformando-a a meu modo, a ferramenta toda com que trabalhei em política, excluindo somente a obra da abolição, cujo stock de idéias teve para mim outra procedência". (1)

Bagehot, um estilista e retórico sedutor, convenceu Nabuco de que o governo de gabinete, a alma da então moderna Constituição inglesa, era, de fato, superior ao sistema presidencialista por permitir um governo mais direto e mais próximo do povo do que os mecanismos aplicados pelos governos republicanos.

Cabia ao Poder Legislativo, no governo de gabinete descrito por Bagehot, a escolha do Poder Executivo, espécie de comissão, incumbido de pôr em prática as medidas necessárias ao país. E a harmonia entre os poderes era garantida pela possibilidade de o Poder Legislativo mudar a comissão executiva, caso esta não atendesse aos interesses na nação. E para que o Poder Executivo não ficasse à mercê da obediência servil ao legislativo, a comissão tinha o direito de levar os parlamentares até os eleitores, que, por sua vez, poderiam trocá-los.

A tese de Bagehot assimilada por Nabuco é a de que os Poderes Legislativo e Executivo eram unidos pelo governo de gabinete, a principal comissão da Câmara dos Comuns, a única instituição a deter, de fato, o poder. O governo de gabinete se caracterizava pela combinação e fusão dos poderes Executivo e Legislativo, não na absorção de um pelo outro.

Nabuco manteve-se fiel a esse modelo político contra o republicano sistema presidencial, que, segundo ele, enfraquecia o Poder Executivo e diminuía o valor intrínseco do Poder Legislativo. (2)

E a escolha desse sistema é, antes de tudo, a opção pelo liberalismo do tipo inglês, que guarda características importantes que o diferem do liberalismo continental. Uma delas é a tipificação normativa das condutas do indivíduo na sociedade:
"Freeman mostrava no seu pequeno livro O Crescimento da Constituição Inglesa que essa Constituição nunca foi feita; que nunca nas grandes lutas políticas da Inglaterra a voz da nação reclamou novas leis, mas só o melhor cumprimento das leis existentes; que a vida, a alma da lei inglesa foi sempre o procedente (...)". (3)

A segunda característica é a relação dos ingleses com a lei e com a Justiça:
"(...) só há um país no mundo em que o juiz é mais forte que os poderosos: é a Inglaterra. O juiz sobreleva à família real, à aristocracia, ao dinheiro, e, o que é mais do que tudo, aos partidos, à imprensa, à opinião; não tem o primeiro lugar no Estado, mas tem-no na sociedade. O cocheiro e o groom sabem que são criados de servir, mas não receiam abusos nem violência da parte de quem os emprega. Apesar de seus séculos de nobreza, das suas residências históricas, da sua riqueza e posição social, o marquês de Salisbury e o duque de Westminster estão certos de que diante do juiz são iguais ao mais humilde de sua criadagem. Esta é, a meu ver, a maior impressão de liberdade que fica da Inglaterra. O sentimento de igualdade de direitos, ou de pessoa, na mais extrema desigualdade de fortuna e condição, é o fundo da dignidade anglo-saxônica". (4)

Antes um entusiasta do modelo político americano, Nabuco, nas suas memórias escritas aos 51 anos, pretendeu desmontar aquele sistema de forma comparativa: se num grave momento o gabinete inglês tinha o poder de dissolução, os americanos deveriam esperar pacientemente a resolução dos conflitos de opinião entre os poderes Executivo e Legislativo até o término dos mandatos dos representantes eleitos:
"A idéia principal que recebi de Bagehot foi essa da superioridade prática do governo de gabinete inglês sobre o sistema presidencial americano: por outra, que uma monarquia secular, de origens feudais, cercada de tradições e formas aristocráticas, como é a inglesa, podia ser um governo mais direta e imediatamente do povo do que a república". (5)

A idéia parece sedutora pela aparente facilidade de mudança diante de problemas políticos sérios, mas não encerra o assunto. Nabuco era suficientemente inteligente para não cair numa esparrela dessas:
"Não podia deixar de inclinar-me interiormente à Monarquia a idéia de que o governo mais livre do mundo era um governo monárquico. Ainda assim um estrangeiro inteligente não seria no seu país inabalavelmente monarquista somente porque o governo chegou na Inglaterra a um grau maior de perfeição do que nos Estados Unidos, que tomaram a forma republicana, Desde que não tínhamos no Brasil os elementos históricos que a liberdade inglesa supõe, a não querer ou cometer o maior erro que se pode cometer em política, – o de copiar de sociedades diferentes instituições que cresceram, – eu não podia repelir a República no Brasil somente por admirar a Monarquia inglesa de preferência à Constituição americana. Era preciso alguma coisa mais, no que respeita à forma de governo, para eu não me deixar arrastar". (6)

O interessante é lê-lo aos 21 anos, num texto para o jornal Reforma, aconselhar o imperador brasileiro a visitar os Estados Unidos para lá ver o progresso industrial e moral de uma sociedade amplamente liberal e livre que prescindia da tutela do rei, "um luxo, uma superfetação". (7)

Nabuco era um monarquista de ideal que julgava a República o melhor governo praticável num dado momento e dadas certas contingências. Independentemente do sistema político que adotara como o melhor, o que interessa em Nabuco é seu inabalável compromisso liberal. O sistema que regia as liberdades era menos importante do que a conquista, garantia e manutenção da liberdade.

A formação política teórica alicerçou o espírito do político eleito deputado em 1878. "Com efeito, quando entro para a Câmara, estou tão inteiramente sob a influência do liberalismo inglês, como se militasse às ordens de Gladstone; esse é em substância o resultado de minha educação política: sou um liberal inglês – com afinidades radicais, mas com aderências whigs – no Parlamento brasileiro; esse modo de definir-me será exato até o fim, porque o liberalismo inglês, gladstoniano, macaulayano, perdurará sempre, será a vassalagem irresgatável do meu temperamento ou sensibilidade política (...)". (8)

Nascido no Recife em 1849, Nabuco foi expoente de uma linhagem de intelectuais que, no início do século XIX, levada pelo espírito da geração anterior, "consolidou a idéia de que aos homens de letras cabia uma espécie de missão civilizatória", segundo notou em ensaio introdutório, Leonardo Dantas Silva, da Fundação Joaquim Nabuco. Esses homens de letras eram, entre outros, José Veríssimo, Silvio Romero, Álvares de Azevedo, Machado de Assis.

Nabuco também é autor de O abolicionismo, "um dos textos fundadores da sociologia brasileira", nas palavras do historiador Evaldo Cabral de Mello, livro que antecipou conceitos depois tornados célebres com Gilberto Freyre, como a existência de uma raça brasileira (embora célebre, o conceito de raça já foi derrubado).

Jornalista, deputado combativo, escritor, diplomata e membro fundador da Academia Brasileira de Letras, Nabuco trabalhava como embaixador em Washington quando morreu em 1910, ainda sorumbático pela queda do império em 1889. Já havia confessado em Minha formação que o espírito político que o moveu durante a vida tinha dado lugar a interesses religiosos e literários.

Perfeitamente explicável: tomou a queda do Império em 1889 como o fim de sua carreira. "A causa monárquica devia ser o meu último contato com a política... (...) O meu espírito adquirira em tudo a aspiração da forma e do repouso definitivo". (9)

Em vez do lamento improdutivo, Nabuco nos legou uma pequena jóia autobiográfica (e a notável biografia do pai) na qual compartilha sua visão liberal da política, da relação do indivíduo com a sociedade e com o poder constituído. Este texto é um pequeno tributo ao intelectual empolgado, vigoroso, combativo e, acima de tudo, apaixonado pela civilização.

(1) NABUCO, Joaquim. Minha formação, Fundação Biblioteca Nacional, p. 3. Disponível em http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bn000096.pdf.
(2) Ibid. 5.
(3) Ibid. 6.
(4) Ibid. 28.
(5) Ibid. 7.
(6) Ibid. 28.
(7) Ibid. 8.
(8) Ibid. 47.
(9) Ibid. 67.

*Bruno Garschagen é colunista do OrdemLivre.org, podcaster do Instituto Mises Brasil e especialista do Instituto Millenium.

**Publicado originalmente em 18/06/2009.

Governo da Organização PT: nunca na história deste país os mecanismos antes usados para bancar famílias de políticos corruptos foram tão explorados e ordenhados à exaustão para sustentar uma ideologia fracassada e assassina

Escrito por Carlos Ramalhete* e publicado no site Mídia Sem Máscara
Um dos truques mais velhos do repertório dos políticos brasileiros é o superfaturamento de obras. Tradicionalmente, 10% do contrato vão, por fora e sem contabilidade, para o bolso de um político. Fortunas que durarão gerações foram feitas desta maneira, com dinheiro arrancado do bolso de quem trabalha e tem os impostos descontados na fonte.

O governo atual, contudo, vai mais além. Enquanto os políticos tradicionais – tradicionalmente corruptos – têm certamente a louvável preocupação de, com o dinheiro que desviam, proporcionar um bom padrão de vida à sua família, honrando pai e mãe proporcionalmente ao descumprimento do mandamento de não furtar, outros são o “pai e mãe” dos cleptocratas que ora exaurem o Tesouro.

O governo brasileiro tornou-se, com a falência da Venezuela (aliás devida ao excesso de socialismo, receita infalível para a miséria generalizada!), o mantenedor, o cuidador da ditadura sanguinária que há décadas faz de Cuba uma ilha-prisão. O dinheiro dos nossos impostos paga o aluguel de milhares de escravos “médicos” cubanos, que vêm no atacado. O BNDES – “Banco Nacional de Desenvolvimento do Socialismo”, dizem as más línguas – enterra bilhões em obras na ilha-prisão, em acordos secretos e malcheirosos. É compreensível: os nossos atuais governantes, no seu tempo de terroristas, foram treinados militar e politicamente pela ditadura cubana, sequestraram e mataram para garantir-se livre-passagem para a ilha-prisão. Fidel, para eles, não é o Coma Andante que escraviza toda uma nação, mas um paizinho amado e necessitado de carinho. E de dinheiro. Do contribuinte brasileiro, por que não?

Enquanto isso, para garantir o caixa dois da reeleição do poste – ou mesmo da volta triunfal do chefe da gangue –, a Copa do Mundo garante fartas obras e comissões em território pátrio, enquanto se tenta impedir as contribuições empresariais às escâncaras, que pelo menos podem ser rastreadas. A propaganda do governo (que é paga também com nossos impostos, e é evidentemente mais partidária que institucional) domina o horário nobre da tevê.

Este mérito ninguém pode tirar de nossos atuais governantes: nunca na história deste país roubou-se tanto; nunca na história deste país os mecanismos antes usados para bancar famílias de políticos corruptos foram tão explorados e ordenhados à exaustão para sustentar uma ideologia fracassada e assassina.

Perto do que fazem nossos cleptocratas, a dominação tradicional do Maranhão pelo clã Sarney não é nada. Sarney é ruim, mas Fidel é bem pior.

Publicado no jornal Gazeta do Povo.

*Carlos Ramalhete é professor.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

O conservador é um liberal na economia e conserva os bons valores e o liberal, na maioria das vezes, perde liberdades de vida e econômica por não conservar bons valores

Escrito por Felipe Melo* e publicado no blog Juventude Conservadora da UnB
Não é coisa muito difícil de acontecer nos depararmos com textos de pessoas muito preparadas que sejam alicerçados em conceitos imprecisos. Quando um pedreiro bem capacitado constrói uma casa ruim, não significa que todas as casas que construiu e venha a construir sejam ruins, nem que sua habilidade de erguer edifícios seja deficiente: significa apenas que construiu uma casa ruim. E é preciso reformar – ou demolir – casas ruins, por melhor que seja o pedreiro que as construiu.

O texto “Não se engane: o conservadorismo é antagônico ao liberalismo” é exatamente como uma casa ruim construída por um pedreiro habilidoso – nesse caso, Carlos Góes, libertário, mestre pela Johns Hopkins e articulista do “Mercado Popular”. Os conceitos e as idéias sobre as quais seus argumentos se fundam são tortos e frágeis, e isso compromete toda a estrutura do texto. Esta análise não tem por objetivo reformar o prédio oscilante, mas antes demoli-lo de modo que os alicerces possam ser consertados.

O primeiro problema do texto é a uniformização artificial de indivíduos sob um mesmo rótulo: “Enquanto conservas vão falar contra as drogas e o casamento gay, liberais vão ter propostas radicais como a legalização de todas as drogas e a desestatização do casamento.” Essa uniformização considera que todos os indivíduos que se identificam de tal maneira irão, necessariamente, defender exatamente as mesmas bandeiras – um pensamento que, ironicamente, desconsidera qualquer possibilidade de posicionamento individual sobre os temas. Um exemplo patente disso é o libertário Ron Paul, que, contrariando o que pensa uma grande parte (ou, ouso dizer, a imensa maioria) dos libertários, é veementemente contra o aborto.

Ainda nessa seara, Góes define que o conservador é um amante e defensor empedernido do status quo; que valoriza a tradição apenas por ser tradição, e o costume por ser costume, sem que haja qualquer tipo de exercício racional de reflexão ou ponderação; que a mudança é um mal, ainda que inevitável e, às vezes, necessário. No entanto, o maior absurdo de todos é ler que o conservador ignora “o valor intrínseco do indivíduo, relegando-o a mera engrenagem na máquina da tradição”. Diante de tais afirmações, é muito difícil cogitar a possibilidade de o autor ter lido alguma obra conservadora – ainda que, em seu artigo, tenha citado o texto “Dez Princípios Conservadores”, de Russell Kirk (que, aliás, parece ter lido apenas superficialmente) – ou estudado mais detidamente as ricas tradições conservadoras da Europa continental, da Grã-Bretanha e dos Estados Unidos. O sentido em que o termo “conservador” é utilizado por Góes é meramente adjetivo – conservador é aquele que deseja conservar o que quer que seja – e, ao confundi-lo com o espírito conservador (como explicitou Michael Oakeshott), comete algumas impropriedades bastante graves.

Em “Dez Princípios Conservadores”, ao tratar do equilíbrio entre estabilidade e mudança, Russell Kirk afirma:
O conservador raciocina que a mudança é essencial para um corpo social da mesma forma que o é para o corpo humano. Um corpo que deixou de se renovar, começou a morrer. Mas se este corpo deve ser vigoroso, a mudança deve acontecer de uma forma harmoniosa, adequando-se à forma e à natureza do corpo; do contrário a mudança produz um crescimento monstruoso, um câncer que devora o seu hospedeiro. O conservador cuida para que numa sociedade nada nunca seja completamente velho e que nada nunca seja completamente novo. Esta é a forma de conservar uma nação, da mesma forma que é o meio de conservar um organismo vivo. Quanta mudança seja necessária em uma sociedade, e que tipo de mudança, depende das circunstâncias de uma época e de uma nação.Ao contrário de ver a mudança como um “mal inevitável”, o conservador enxerga a mudança como um bem necessário na medida em que acontece de maneira harmoniosa e progressiva. Nisso recai essencialmente a firme crítica de Edmund Burke à Revolução Francesa feita em “Reflexões sobre a Revolução na França”.


Outra coisa que escapa completamente ao texto de Góes é o fato de que o conservador sempre leva em consideração a imperfectibilidade do homem. O conservador tem consciência de que a vida humana é, fundamentalmente, uma luta interior para combater os vícios e fomentar as virtudes, e que não pode haver moral pública desvinculada da moral particular. Ao fim e ao cabo, a manutenção da ordem está estreitamente relacionada ao autogoverno que todo o indivíduo deve ter sobre si mesmo – a natureza humana é uma natureza decaída –, não com base em concepções morais subjetivas, mas na ordem moral objetiva e transcendente a que chamamos de Lei Natural. A esse respeito, C. S. Lewis expôs excepcionalmente bem a natureza da Lei Natural:
Cada homem está sujeito, a todo o momento, a diversos conjuntos de leis, mas há apenas um ao qual pode desobedecer livremente. Por ser um corpo material, está sujeito à lei da gravidade e não pode desobedecer-lhe: se o deixarmos solto no meio do ar, sem nada que o sustente, não terá mais escolha do que uma pedra quanto a cair ou não cair. Por ser um organismo, está sujeito a diversas leis biológicas às quais não pode desobedecer. Ou seja, o homem não pode desobedecer às leis que compartilha com as outras coisas; mas à lei que é peculiar à sua natureza humana, à lei que não compartilha nem com os animais, nem com os vegetais, nem com os seres inorgânicos, a essa lei pode desobedecer, se assim o quiser. [...]

É verdade que os homens divergiram ao longo do tempo quanto às pessoas com quem se devia ser altruísta: se apenas com a própria família, ou com todos os compatriotas, ou ainda com qualquer ser humano; mas sempre estiveram de acordo em que se deve pensar primeiro nos outros, e o egoísmo nunca foi considerado digno de louvor. Também houve divergências quanto ao número de mulheres que um homem poderia ter, se uma só ou quatro; mas sempre se esteve de acordo em que não se podia simplesmente ter qualquer mulher que se desejasse. [1]


Curiosamente, Adam Smith parece assumir esse mesmo direcionamento, como se pode ler abaixo:
Em toda sociedade civilizada, em toda sociedade em que se tenha estabelecido plenamente a distinção de classes, sempre houve simultaneamente dois esquemas ou sistemas diferentes de moralidade; um deles pode ser denominado rigoroso ou austero e o outro, liberal ou, se preferirmos, frouxo. O primeiro costuma ser admirado e reverenciado pelas pessoas comuns e o segundo geralmente é mais estimado e adotado pelas chamadas pessoas de destaque. O grau de desaprovação que se deve atribuir às depravações da leviandade — males que facilmente se originam da grande prosperidade e do excesso de satisfação e bom humor — parece constituir a principal diferença entre esses dois esquemas ou sistemas opostos. No sistema liberal ou frouxo, o luxo, a devassidão e até mesmo a alegria desordenada, a busca de prazer até certo grau de intemperança, a violação da castidade, ao menos em um dos dois sexos etc., desde que não venham acompanhados de indecência grosseira e não levem à falsidade ou à injustiça, são geralmente tratados com bastante indulgência, sendo facilmente desculpados, ou até totalmente perdoados. Ao contrário, no sistema austero, esses excessos são vistos com o máximo de repugnância e ódio. As depravações da leviandade são sempre maléficas para as pessoas comuns, bastando muitas vezes um descuido e a dissipação de uma semana para arruinar para sempre um trabalhador pobre e levá-lo, pelo desespero, a cometer os maiores crimes. Por isso, a parcela mais sensata e melhor do povo sempre aborrece e detesta ao máximo tais excessos, e com a experiência que têm tais pessoas, sabem de imediato que eles são fatais a todas as pessoas de sua condição. Ao contrário, o desregramento e a extravagância de vários anos nem sempre levarão à ruína um homem de posição, e as pessoas dessa classe são fortemente propensas a considerar o poder de entregar-se até certo ponto a tais excessos como uma das vantagens de sua fortuna, e a liberdade de fazer isso sem censura ou repreensão como um dos privilégios condizentes com sua posição. Por isso, em se tratando de pessoas de sua posição, é muito pequena a desaprovação que dão a tais excessos, e mínima ou até nula a censura que lhes imputam. [2]

Nem Adam Smith, nem Frédéric Bastiat, para citar dois gigantes do pensamento liberal clássico, admitiam a possibilidade de que a ordem moral fosse sujeita a modificações impostas com base na “utilidade social” – a filosofia moral de Smith era avessa ao utilitarismo. A moral não era, para eles, subjetiva e maleável, mas objetiva, palpável e perfeitamente discernível. Eles, como os conservadores, não enxergavam a liberdade como um fim em si mesma, nem que ela fosse necessariamente antagônica à ordem. A idéia de que é preciso haver um equilíbrio entre ordem e liberdade é presente tanto nos pensadores conservadores quanto nos primeiros liberais clássicos.

Aliás, acerca da liberdade, é verdadeiramente ultrajante a acusação de que os conservadores ignoram o valor intrínseco do indivíduo. É justamente por se pautarem por critérios ontológicos, e não utilitários, que o espírito conservador é capaz de valorizar as coisas por si mesmas, inclusive o homem. O que o conservador não pode fazer é acreditar que a liberdade seja um fim em si mesma, pois, por sua natureza, apresenta um caráter relacional, e não absoluto. Burke pode nos fornecer uma idéia do motivo:
Gabo-me de amar uma liberdade resoluta, moral e regulada, tão bem quanto qualquer cavalheiro dessa sociedade, seja ele quem for; e talvez eu tenha dado provas de minha afeição por essa causa no decorrer de minha carreira pública. Acho que invejo tão pouco quanto eles a liberdade em qualquer outra nação. Mas não me posso apresentar e oferecer louvor ou censura a alguma coisa relacionada a ações humanas, e interesses humanos, pela simples visão do objeto uma vez que se apresenta despido de qualquer relação, em toda a nudez e solidão da abstração metafísica. As circunstâncias (que junto a alguns senhores passam por nada) dão na realidade a todo princípio político seu colorido distintivo e seu efeito característico. São as circunstâncias que tornam todo plano civil e político benéfico ou nocivo à humanidade. Abstratamente falando, governo, bem como liberdade, é bom; e, no entanto, poderia eu, dez anos atrás, em pleno bom senso, ter felicitado a França por desfrutar de um governo (pois ela então tinha um governo) sem querer saber qual era a natureza desse governo, ou como ele era administrado? Posso, então, agora congratular a mesma nação por conta de sua liberdade? É porque liberdade em abstrato pode classificar-se entre as dádivas da humanidade que vou seriamente felicitar um louco, que escapou da restrição protetora e da saudável escuridão de sua cela, por sua volta ao gozo da luz e da liberdade? Devo congratular um assassino e assaltante de estrada, que fugiu da cadeia, pela recuperação de seus direitos naturais? [3]

Dever-se-ia citar uma enormidade de autores aqui – Edmund Burke, John Adams, Bertrand de Jouvenel, T. S. Eliot, Russell Kirk, Irving Babbitt, Richard Pipes, G. K. Chesterton, Alexis de Tocqueville, John Henry Newman, Gertrude Himmelfarb, dentre outros – para, a contento, desfazer todos os equivocados lugares-comuns dos quais o autor se valeu para escrever seu texto. Esse não é, entretanto, o pior dos problemas. O que realmente torna apodrecido o alicerce do edifício verbal que se busca demolir é seu caráter panfletário: os conservadores representariam o retrocesso, o preconceito, a vilania, a barbárie dos primeiros tempos, ao passo que os liberais são os paladinos da evolução constante e utilitária das relações humanas rumo a um progresso inexorável. A bem da verdade, essa idéia é muito mais afeita a um jacobino do que a um liberal. Isso é ainda mais decepcionante em se tratando de um autor que tem considerável bagagem cultural e intelectual, e que, em virtude de seu próprio ofício, deveria prezar pela acuidade de raciocínio e linguagem, bem como honestidade intelectual.
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[1] LEWIS, C. S. Mero cristianismo. São Paulo: Quadrante, 1997, p. 20-21; 22.
[2] SMITH, Adam. A Riqueza das Nações: Investigação Sobre sua Natureza e suas Causas. São Paulo: Nova Cultural, 1996, vol. 2, p. 254-255.
[3] BURKE, Edmund. Reflexões sobre a Revolução na França. Rio de Janeiro: Topbooks, 2012, p. 151-152.


quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Está em curso no país uma onda de depredação sem qualquer noção de ordem e de limites. As elites brasileiras, incluindo boa parte da imprensa, perderam o juízo e estão brincando, literalmente, com fogo

Por Reinaldo Azevedo no Blog do Reinaldo na Veja
Ônibus deixaram de circular nas Zonas Sul e Oeste de São Paulo porque, desde o começo do ano, 29 coletivos municipais e 28 intermunicipais já foram incendiados na região metropolitana de São Paulo. As empresas e os motoristas não querem entrar nas áreas consideradas de risco. No domingo, em Santos, depois de sair de uma balada, cerca de 200 jovens resolveram fazer um arrastão num supermercado Extra. Clientes também foram espancados. Um deles levou um extintor na cabeça. Caído, foi alvo de chutes.

Os barateadores da sociologia — aos quais, em regra, a nossa imprensa é tão servil — podem começar a especular sobre, sei lá, o mal-estar do capitalismo nativo… De repente, aquele país que havia migrado em massa para a classe média teria resolvido se revoltar.

Segundo certa delinquência chique em vigor, agora, o tal povo da periferia estaria querendo “direitos”, cansado da segregação. E não veria melhor maneira de conseguir o que o faz feliz do que incendiando ônibus, saqueando supermercados, tentando explodir postos de gasolina. Eventualmente, fazendo rolezinhos, ao som do funk ostentação. Esses pensadores ainda não sabem se o pobre quer ser rico ou comer os ricos.

Quando leio os textos dos colunistas com o dedo sempre em riste — como se a culpa, então, pela desigualdade fosse de seus adversários políticos ou de seus inimigos ideológicos —, penso na satisfação vagabunda dos covardes intelectuais.

Acham que, caso se solidarizem com criminosos — que eles tomam como rebeldes primitivos, que ainda não se descobriram —, já terão, então, feito a sua parte. No boteco, já poderão se sentar à mesa de outros justos, partidários também estes da saliva justiceira.

O que está em curso é algo bem mais prosaico, bem mais comum.

Está em curso no país uma onda de depredação sem qualquer noção de ordem e de limites. Ora, se há sempre uma origem social para qualquer crime e se o gesto, mesmo o mais extremo, se explica como expressão de um anseio democrático — o que implica a demonização da polícia e de qualquer esforço para restabelecer a lei —, então tudo é permitido.

Se a polícia atua para conter um rolezinho que fugiu do controle, ela apanha; se prende traficantes, ela apanha; se reprime os black blocs que saem por aí depredando e incendiando, ela apanha; se um policial atira em legítima defesa, apanha também. O certo, talvez, fosse se deixar matar para não ofender a boa consciência dos justiceiros salivantes.

Desde junho, um mau espírito povoa a cabeça de pessoas antes sensatas, que têm a grave responsabilidade de produzir, num caso, informação — refiro-me à imprensa — e, no outro, educação e cidadania: refiro-me aos políticos.

Estes últimos têm-se negado, com raras exceções, a condenar com clareza a violência gratuita. Procuram, na verdade, fugir do assunto. A imprensa, também com exceções, patrulhada pelas redes sociais, esforça-se para concorrer com a popularidade do Facebook, preferindo a algaravia de vozes desconexas — sempre, claro!, em nome da justiça social.

É consenso que o país avançou bastante nos últimos 20 anos. Se mais não fez, não foi por excesso de apreço e de amor pela ordem. Ao contrário: é justamente onde nos esquecemos dos formalismos, do rigor e do decoro que as coisas se danam. E isso vale muito especialmente para os governos. Que se note: o povo, no geral, é muito mais ordeiro do que o estado no Brasil. Ou seria impossível botar o nariz fora da porta.

Os demagogos, no entanto, estão vencendo a batalha de valores e estão começando a acordar a fera. E é bom saber: a “fera” pode despertar em Londres, por exemplo, como já se viu. Não precisa ser necessariamente na periferia de São Paulo ou nos morros do Rio.

Podem anotar: se o país escolher deixar impunes os trogloditas que saem quebrando e incendiando tudo por aí; se a polícia for tratada como ré quando prende traficantes ou atira para se defender de um ataque; se todo fundamento ancorado na ordem for tratado como uma tramoia contra o povo, o resultado não será bom. À diferença do que poderiam pensar o PSOL ou o PSTU — e aqueles que gostam de fazer justiça com o próprio teclado —, o que vem não é a revolução.

Será que não devemos ser gratos pelo fato de o único líder carismático que há no Brasil, o sr. Luiz Inácio Lula da Silva, ser, assim, um burguesão do capital alheio, que, no frigir nos ovos, não quer arrumar confusão com os seus amigos banqueiros, seu amigos empreiteiros e seus amigos industriais? Na marcha da insensatez em que vamos, um amalucado, de extrema esquerda ou de extrema direita, encontraria um território fértil para a sua pregação.

As elites brasileiras nunca foram exatamente iluminadas. Mas, desta vez, parece que perderam o juízo de vez. Para arrematar: como o PT, no fim das contas, está sempre ligado aos tais “movimentos sociais”, o PT vira uma espécie de incentivador da desordem, e Lula, o único garantidor da ordem para aqueles seus amigos. E o círculo se fecha.

Há motivos para não acreditar que a parada em Portugal foi técnica. A parada deveria ser ocultada dos brasileiros. Foi programada por interesse da Organização PT, mas a Dilma pisou na bola e o "chef" do restaurante divulgou na internet. SUJOU!!

Por Coronel do Blog CoroneLeaks (Coturno Noturno)
Hoje, em entrevista coletiva para a imprensa "miguxa" presente em Cuba, a presidente Dilma Rousseff declarou: "Eu posso escolher o restaurante que for, desde que eu pague a minha conta. Eu pago a minha conta... Não tem a menor condição de alguma vez eu usar cartão corporativo; no meu caso está previsto para mim cartão corporativo, mas eu não faço isso porque eu considero que é oportuno que eu dê exemplo, diferenciando o que é consumo privado do que é consumo público".

Não sei , Presidente Dilma, se a senhora paga as suas contas, pois grande parte dos gastos do seu Gabinete está sob segredo de estado, especialmente os que se referem aos cartões corporativos. E não é pouco dinheiro, Presidente Dilma. É um Tejo de dinheiro. Um Boeing de dinheiro. Dinheiro público, mas secreto!

Em 2012, o seu gabinete gastou R$ 4,5 milhões, sendo que R$ 4,1 milhões ficaram sob sigilo. Em 2013, cujas contas ainda não fecharam, os gastos já chegaram a R$ 6,1 milhões, dos quais R$ 5,6 milhões estão lançados como secretos. Está lá no Portal que um dia foi da Transparência.

Presidente Dilma, os seus gastos não contabilizados, pagos pelos brasileiros, mas aos quais os brasileiros não têm acesso para fiscalizar, aumentaram em R$ 1,5 milhão de um ano para o outro. Uma variação de 36,5%! Os gastos escondidos, que eram de R$ 11, 2 mil por dia no ano retrasado, já alcançaram R$ 15,3 mil no ano que passou. E a senhora vive dizendo que a inflação está sob controle...

Por isso, enquanto a senhora esconder do povo brasileiro no que está gastando o dinheiro dos impostos que ele paga, Presidente Dilma, baixe a bola. A senhora não tem como garantir que nós, os brasileiros, não estamos pagando as suas despesas pessoais, que deveriam ser pagas com o seu salário e não com o nosso.

Marchinha de carnaval ironiza a idiotia esquerdista - Veja marchinha: "O bloco dos comunistas"

Por Aluízio Amorim no Blog do Aluízio Amorim
Não resisti e afanei lá do blog do Rodrigo Constantino a letra e o audio dessa marchinha de carnaval que recupera com inteligência um tempo em que nesta época pipocavam nas emissoras de rádio as músicas de carnaval. Ainda que deteste o carnaval, que considero um festejo primitivo e anti-higiênico, nunca deixei de curtir as famosas marchinhas que ironizavam modismos e costumes e, como não poderia deixar de ser, denunciavam como cáustico humor as falcatruas promovidas pelos governos e pelos políticos.

Com o nefasto advento do pensamento politicamente correto o bom humor foi para o brejo. Insistem que é proibido aos humanos rirem de si mesmos e daqueles que produzem o eterno festival de besteiras do qual o Brasil e boa parte dos brasileiros produz de forma incessante desde aquele dia fatídico em que os portugueses não ouviram a advertência do célebre "Velho de Restelo" e se lançaram ao mar. Logo adiante descobriam o Brasil... 

Mas isso é outra história. Estou falando dessa bem-vinda marchinha de carnaval cuja letra ironiza o atual período da nossa história marcado pela total idiotia turbinada pelo PT e seus satélites. Ou seja, os comunistas, contumazes ladrões de dinheiro público que agem sempre com o maior cinismo. Todo comunista é um cínico, um tarado ideológico ridículo; um burro dinâmico. Entretanto, se considera um "intelectual'.

A marchinha é bem humorada, irônica, corrosiva. Os comunistas, como é sabido, não possuem jamais bom humor. Estão em luta permanente contra o capitalismo e, particularmente, contra "uzamericanu", embora não abram mão de nenhum equipamento criado pelo capitalismo, como o computador, o celular e a internet, principalmente.

O importante é que os comunistas já começaram a perder terreno. Serão engolidos pelas evidências, enquanto cresce de forma vertiginosa no Brasil os adeptos do liberalismo e do conservadorismo. Ave! Prova disso é essa marchinha carnavalesca!

Ouçam o audio no widget acima e sigam com a letra:

O BLOCO DO COMUNISTAS
Lá vem o bloco dos comunistas
Com seus artistas estatizados
O grupo dos esquerdistas
Com seus fracassos romantizados
A turma dos militantes
Com seu arzinho tão juvenil
Bando de ignorantes
Que só atrasam nosso Brasil
Se for pra apoiar a causa errada
Não precisa se preocupar
Sempre vai rolar uma forcinha
Da esquerda caviar
Se for pra defender a incompetência
Essa gente se compromete
A se disfarçar de jornalista
E atacar na internet
Lá vem o bloco dos comunistas
Com seus artistas estatizados
O grupo dos esquerdistas
Com seus fracassos romantizados
A turma dos militantes
Com seu arzinho tão juvenil
Bando de ignorantes
Que só atrasam nosso Brasil
Tem que elogiar o Hugo chaves
Como prova de lealdade
Fale o que quiser do comandante
Só não fale a verdade
Camiseta só se for do Che Guevara
Mas o que é isso, companheiro?
Faz de conta que ele não era
Um tremendo carniceiro
Lá vem o bloco dos comunistas…

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Brasil é 2,5 vezes mais violento que SP - Mata-se no Brasil 30 vezes mais do que na Alemanha e umas 12 vezes mais do que no Chile - O esquerdismo é fomentador de violência

Por Reinaldo Azevedo no Blog do Reinaldo na Veja:

Em 2013, a taxa de homicídios dolosos por 100 mil habitantes no Estado de São Paulo foi a segunda mais baixa em 13 anos: 10,5 ocorrências por 100 mil habitantes. Empata com a de 2010 e só é maior do que a de 2011, quando foi de 10,1.

A Organização Mundial de Saúde considera que, com taxas abaixo de 10, a violência deixa de ter caráter epidêmico. Trata-se de uma taxa ainda elevada, mas é importante destacar que é a menor do país. Vale dizer: as outras 26 unidades da federação matam proporcionalmente mais do que São Paulo. A taxa brasileira voltou a ficar acima de 25 em 2012, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Só para comparar: na Alemanha, é de 0,8. No Chile, é inferior a 3. Mata-se no Brasil 30 vezes mais do que na Alemanha e umas 12 vezes mais do que no Chile.

Com a menor taxa de homicídios do Brasil, mas ainda elevada, São Paulo tem o que comemorar. Apenas para que o leitor possa ter uma noção mais clara (veja quadro): em 2001, aconteceram em São Paulo 12.475 homicídios — ou 33 por 100 mil habitantes; no ano passado, foram 4.439 casos — 10,5 por 100 mil. A queda, em números absolutos, é de 64,5%; na taxa, é de 68%.
Homicídios SP - evolução
Os homicídios dolosos caíram continuamente em São Paulo de 2001 a 2012, ano em que houve uma ligeira elevação em razão de surto de violência promovido pelo PCC, mas já se verificou a reversão em 2013. Os dados também são positivos porque parece estar caracterizada uma tendência: os homicídios caíram mês a mês a partir de abril do ano passado na comparação com igual período do ano anterior.
Homicídios SP mês a mês
Isso revela uma polícia mais eficiente? É o que diz a sabedoria firmada a respeito. E, mais uma vez, é preciso trabalhar com dados: em 2013, as polícias civil e militar do estado realizaram 168.808 prisões, o maior número desde 2001. Também houve recorde na apreensão de drogas e prisão de traficantes: 43.556 flagrantes. Foram apreendias ainda 18.844 armas de fogo.

Os homicídios dolosos são considerados a principal referência internacional para medir a violência. Mas há outros crimes que causam sensação de insegurança. Houve, na comparação com 2012, um aumento de 8% nos roubos e de 10,2% nos latrocínios.

Quero aqui insistir num ponto: é preciso que os estudiosos, sem demora, se debrucem sobre a elevação do número de latrocínios, que é o roubo seguido de morte, mesmo quando há queda no número de homicídios: eu tenho uma hipótese fundada no testemunho de pessoas que lidam com a área de segurança pública: isso se deve à epidemia do crack. Embalados pela droga, os ladrões perdem a noção de limites. Matam, põem fogo nas vítimas, barbarizam.

Programa implementado neste mês pela Secretaria de Segurança Pública instituiu um sistema de metas com pagamento de bônus trimestrais de até R$ 2 mil para os policiais se elas forem atingidas. O principal objetivo é reduzir em 7% as vítimas da chamada “letalidade violenta”, que inclui os homicídios dolosos e os latrocínios. Tomara que dê certo.

Sim, caros leitores, a Polícia Militar de São Paulo tem muito mais o que fazer do que ficar enfrentando arruaceiros que vão para as ruas quebrar tudo.

Organização PT pretende transformar o Brasil numa ditadura socialista semelhante à de Cuba. Depois da Cubazuela será o Cuba-Brasil

Dilma assume o socialismo como "sonho de mudança".
Por Coronel do Blog CoroneLeaks (Coturno Noturno)
Gilberto Carvalho deu o sinal em Porto Alegre, durante o Forum Social Temático. Disse que, durante as manifestações de 2013, os petistas ficaram "perplexos" e "quase com um sentimento de ingratidão" pelo fato de os protestos terem se voltado contra um governo que considera ter avançado em conquistas sociais. Não, a mão escondida de Lula não estava criticando o povo. Estava informando que o governo federal vai radicalizar ainda mais em medidas de cunho socializante para conquistar o eleitor perdido e domar a voz das ruas.

Pensem. Por que Dilma, com todas as críticas as investimentos em Cuba, desafia o Brasil erguendo em pedaço da fita de inauguração de um porto pago com o suor dos brasileiros, com as cores de Cuba? Por que ataca os Estados Unidos da América, pregando o fim do embargo à ditadura assassina dos Castros? Por que leva uma comitiva enorme para uma cúpula nitidamente de confronto com os países democráticos como é a Celac, que se realiza em Havana? Faz isso porque quer um confronto de ideias, quer romper com tudo o que Lula escreveu na "Carta aos Brasileiros" e prometer um Brasil socialista, se vencer em 2014.

A Folha de São Paulo informa que o presidente nacional do PT, Rui Falcão, afirmou ontem que o partido precisa "estreitar os vínculos com o movimento sindical e popular" em uma resposta às manifestações de junho de 2013. A avaliação é que a sigla está cada vez mais afastada das organizações populares, que serviram de base para a fundação do PT há três décadas.

Em nota oficial divulgada após a primeira reunião do ano com os novos integrantes da Executiva Nacional do partido, os dirigentes pedem a apresentação de um programa "capaz de corresponder às aspirações, reivindicações, sonhos e expectativas de mudança da população". "Trata-se, ainda, de ampliar o diálogo partidário sobre a agenda política aberta pelas jornadas de junho/2013, as mudanças na formação social brasileira, as novas formas de participação da juventude e o enfrentamento à criminalização dos movimentos sociais", diz o texto.

Mais claro, impossível. O PT caminha para radicalizar a luta de classes na campanha eleitoral de 2014. De um lado, teremos a direita e o capitalismo ruins. Do outro, os socialistas e a esquerda boazinha. Gilberto Carvalho disse, no ano passado, quem este ano o bicho vai pegar. Vejam, abaixo, um trecho da nota oficial do PT:
Na conjuntura atual, é preciso vencer a batalha de visão sobre os rumos da economia, que, na verdade, expressa uma batalha de interesses. Aqueles que antes ganhavam com a especulação, com o arrocho salarial, com o desemprego, com a privatização do Estado, atacam o núcleo de nossa política, que visa a distribuir renda, gerar empregos, para promover justiça social e sustentar o crescimento do País. Nesse sentido, o PT orienta sua militância a participar ativamente das lutas sociais por reformas estruturais e ampliação dos direitos dos trabalhadores no próximo período, a exemplo do plebiscito popular pela Constituinte Exclusiva para a reforma política, da coleta de assinaturas para a Lei da Mídia Democrática, da redução da jornada de trabalho sem redução de salários, do fim do fator previdenciário e contra as terceirizações.


Em 2014, o PT e Dilma vão mostrar a verdadeira cara. A cara feia e enrugada do socialismo fracassado que sempre defenderam, lá no fundo da alma. A "Carta aos Brasileiros" já foi rasgada. Basta olhar o desleixo com os pilares da economia, duramente mantidos ao longo dos últimos 20 anos. Vão segurar até um dia depois da Copa do Mundo. O pacto com os ditos "movimentos sociais" é que, se eles não forem para a rua antes do evento, serão recompensados um dia depois. E, um dia depois, Dilma e o PT vão implantar uma verdadeira guerra contra as liberdades civis e contra a democracia. Com estes "movimentos sociais" nas ruas. Podem anotar.

Tags: Cuba, Brasil, Cuba-Brasil, Organização PT, mentiras oficiaissonho da Dilma, brasileiros sob ditadura socialista, ditadura do PT, parada em Portugal, cada um pagou a própria despesa?, cartão corporativo, Brasil socialista, comunismo, esquerdismo

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Dilma foi a Davos pedir dinheiro, depois foi gastar em Portugal (suite de 25.000 por dia) e finalmente foi a Cuba ver a cara dos comunistas. E o Brasil? Fica pra depois!

Agora vai. Para tirar o Brasil da crise, Dilma quer tornar o Brasil "um parceiro de primeira ordem" de Cuba.
Por Coronel do Blog CoroneLeaks (Coturno Noturno)

Todos sorrindo na inauguração do Porto de Mariel. Obviamente, da nossa cara.
A presidente Dilma Rousseff afirmou, nesta segunda-feira, que o Brasil quer se tornar parceiro “de “primeira ordem” de Cuba. Junto com o presidente cubano Raul Castro, a presidente inaugurou a primeira fase do Porto de Mariel, localizado a 40 quilômetros de Havana. Ela anunciou novos investimentos do Brasil no porto: um financiamento de US$ 290 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) - recursos que se somam aos US$ 802 milhões, que segundo a presidente, o país já investiu na primeira fase.

- Na segunda etapa vamos financiar US$ 290 milhões para a implantação da zona especial de desenvolvimento de Mariel, que se tornará peça chave do desenvolvimento econômico cubano.Várias empresas brasileiras têm se manifestado grande interesse em instalar-se na zona especial. E, neste momento, estamos organizado uma missão empresarial a Cuba. O Brasil quer tornar-se parceiro econômico de primeira ordem para Cuba - disse a presidente em seu discurso.

A presidente ainda aproveitou para comentar o programa Mais Médicos, que já conta com 7,4 mil médicos cubanos. A partir de amanhã uma nova equipe de 2 mil médicos cubanos começa a embarcar para o Brasil. - Queria aproveitar para agradecer ao governo e ao povo de Cuba pelo enorme aporte ao sistema brasileiro de saúde por meio do programa Mais Médicos - disse. - A participação dos médicos cubanos é amplamente aprovada pelo povo brasileiro e é prova efetiva da solidariedade e cooperação dos dois países - afirmou Dilma.

A presidente destacou que a parceria com o país traz grandes possibilidades de desenvolvimento industrial conjunto, no setor de saúde, medicamentos e vacinas. A presidente elogiou o setor produtivo desses itens em Cuba. - Acreditamos que estimular essa parceira é aumentar o fluxo bilateral de comércio. São grandes as possibilidades de desenvolvimento industrial conjunto, no setor de saúde, e medicamentos, vacinas nos quais a tecnologia de ponta é dominada por Cuba – disse Dilma.

O Porto de Muriel é o primeiro terminal de contêineres do Caribe. E a partir de agora se torna o terceiro maior porto da América Latina com capacidade para receber cerca de 1 milhão de contêineres. Segundo o governo brasileiro, o investimento serviu para contratação de bens e serviços de 400 empresas brasileiras.

- A amizade que nos une nutre-se de interesses comuns, identidade cultura, diálogo e cooperação. Esse porto que inauguramos hoje será o símbolo dessa amizade duradoura. O Brasil orgulha-se por associar se a Cuba nesse que é o primeiro porto terminal de contêineres do Caribe integrar-se a cadeia oceânica, acolher embarcações e movimentar uma carga de 1 milhão de contêineres – afirmou.

A presidente Dilma criticou o embargo econômico que os Estados Unidos impõe à Cuba. (O Globo)

Estou me lixando se protestos violentos colaboram ou não com a reeleição de Dilma; petistas não definem o que eu penso; conservador que se regozija com a baderna não é conservador, mas burro

Por Reinaldo Azevedo no Blog do Reinaldo na Veja:
Eu estou pouco me lixando se a eventual retomada dos protestos de rua, com sua violência arreganhada, é útil ou prejudicial para Dilma, colabora ou não com a reeleição. Isso, para mim, não tem a menor importância.

Se o Brasil que está adormecido em berço esplêndido é esse, ele que fique lá dormindo. Não há nada de civilizado ou que preste nisso. Esses valores não me interessam e estão distantes da civilização que quero. Isso não me serve. Gente que sai quebrando tudo por aí merece é cana, é cadeia. Não tenho compromisso com esses vagabundos nem acho que eles são o sintoma de um mal-estar. São, a exemplo de outros desajustes, expressão da nossa dificuldade de fazer valer a lei. É simples.

“Ah, então isso nada tem a ver com o petismo?” Tem, sim, mas de um modo que a esmagadora maioria da imprensa se nega a ver pela simples e evidente razão de que boa parte dos jornalistas está à esquerda do PT. Hoje em dia, olha mesmo com olhos desejosos para coisas como PSOL e congêneres — vejam, por exemplo, a esquerda radical com vista para o mar da Vieira Souto, no Rio. Ou os extremistas do Alto de Pinheiros, em São Paulo.

Essa desordem é fruto, sim, do ataque sistemático à ordem, muito especialmente à ordem democrática. E o PT, é inequívoco, sempre incentivou essa prática e é seu tributário. Ocorre que o partido chegou ao poder e, hoje em dia, é beneficiário da ordem. Sem a dita-cuja, não há, por exemplo, Copa do Mundo — que, no que concerne à infraestrutura, será capenga, como todo mundo sabe.

Foi com o petismo que os “radicais” de agora aprenderam que esse negócio de lei e de respeito ao outro é um sentimento reacionário e burguês — um dos gritos de guerra da turma do quebra-quebra, diga-se, é este: “Ei, burguês, a culpa de vocês”. Sim, a gramática e a ideologia estão estropiadas. Tudo bem! Eles querem mudar o mundo, certo?

O PT fica perplexo porque não está preparado para isso. As franjas do partido que estão no Ministério Público, na Defensoria Pública, no jornalismo etc. não resistem à tentação de demonizar a polícia, quando ela acerta e quando ela erra. Como de hábito, fazem a luta do bem contra o mal.

A rede suja na Internet, financiada por estatais, ainda tenta — bando de bocós com os bolsos cheios — espalhar a besteira de que o “Não Vai Ter Copa” é coisa da “direita”, como fez aquele cineasta do Leblon. Tenham paciência! Se houver algum direitista ou conservador que condescenda com isso, não é nem direitista nem conservador; é apenas burro.

Não me pergunto agora e não me perguntei em junho se esses eventos são bons ou maus para Dilma. Pouco me importa saber o que ela e os petistas pensam a respeito — não para definir, ao menos, o que eu penso. Se me preocupasse com isso, seria escravo deles. E eu não sou. Eles não são, vamos dizer, o meu “oposto privilegiado”, os meus interlocutores imaginários “do outro lado”. Essa gente é de tal sorte ruim que, como adversária, nos deseduca.

A sociedade que eu quero, com menos estado e mais responsabilidade individual; com respeito aos direitos individuais e aos direitos coletivos; que saiba distinguir o espaço privado do espaço público; que assuma que a praça não é de ninguém porque é de todos; que não confere a grupos de pressão o direito de impor ao conjunto da sociedade a sua agenda, essa “minha” sociedade — liberal e conservadora dos valores democráticos — sai necessariamente perdendo com esse tipo de expressão do descontentamento.

Já escrevi aqui e reitero: não sou apocalíptico; não acho que sobrevirá um grande desastre se as coisas continuarem assim… Se as coisas continuarem assim, o país continuará assim, incapaz de respeitar seus cidadãos. Só isso. O Brasil não acaba. Sempre haverá um, de um jeito ou de outro.

sábado, 25 de janeiro de 2014

Jason Bourne, com amnésia, recupera sua identidade perdida aos poucos, mas o Brasil perde sua identidade com rapidez

Escrito por Ricardo Hashimoto* e publicado no site Mídia Sem Máscara

A data de hoje, aniversário da cidade de São Paulo – a mais importante do Brasil, uma das mais importantes do mundo -, é um bom momento para refletirmos.
Jason Bourne é um agente secreto com amnésia. Acorda no meio do oceano, num barco de pesca. A sua única pista: o número de um cofre particular em um banco suíço. Lá, encontra dinheiro, uma arma e diversos passaportes falsos. O primeiro deles é o da República Federativa do Brasil. Gilberto del Piento. Osasco.

O passaporte brasileiro é o mais caro no mercado negro porque qualquer rosto cabe nele. Preto ou branco, alto ou baixo, redondo ou quadrado, japonês ou baiano, ninguém estranha. Esta é a melhor característica da identidade brasileira, a mestiçagem, a aceitação, a caridade cristã. Nós somos quem melhor compreendeu a frase evangélica “tendes um só Preceptor, e todos vós sois irmãos”.

Sabedor disto, o demônio e seus asseclas – os comunistas, os socialistas e os vigaristas – lutam para destruir a identidade nacional. A técnica usada é simples: dividir para reinar. Criar antagonismos. A luta de classes. As minorias. Pobre contra rico, mulher contra homem, filho contra pai, ciclista contra motorista, índio contra fazendeiro, preto contra branco (essa é a maior! Num país cuja padroeira é preta e o maior ídolo de futebol é preto) – todos contra Deus. “Você é um oprimido, você tem o direito de se libertar, você merece ser feliz – sereis como deuses.” A letra fria da lei em vez do calor da graça. O Estado em vez de Deus. Ódio e indiferença em vez do Amor.

Neste embate, o demônio tem tido sucesso, temos que reconhecer. O brasileiro deixou de lado a caridade e vive atrás do dinheiro. Mas ninguém pode servir a dois senhores. O gênio de Francis Ford Coppola, em recente passagem pelo Brasil, captou isto: “A alegria costumava ser a coisa mais importante no Brasil. Agora, a coisa mais importante é o dinheiro.” Precisou vir um gringo dizer isto na nossa cara!?

Assim, o brasileiro vai aos poucos perdendo a identidade. Bem ao contrário de Bourne que, ao longo do filme, vai encontrando pistas de quem é. O herói, em meio a mil peripécias, ainda encontra tempo para namorar. Marie acompanha Bourne durante boa parte do thriller, mas é forçada a sair de vista porque o perigoso namorado oferece risco à sua vida.

No finalzinho, após resolver as pendengas, Bourne parte em busca de Marie. Depois de muito procurar, vai reencontrá-la à beira-mar, tocando uma loja de aluguel de scooters.

- Posso alugar uma scooter? pergunta, jocoso.

- Você tem identidade? devolve Marie, num trocadilho.

E nós, brasileiros, ainda temos identidade?

A data de hoje, aniversário da cidade de São Paulo – a mais importante do Brasil, uma das mais importantes do mundo, que a todos aceita por ser herdeira de um dos maiores propagadores da fé cristã -, é o momento de refletirmos: ainda temos a identidade brasileira da mestiçagem nascida do amor de Cristo?

*Ricardo Hashimoto é engenheiro e coach.

Primeira grande conquista do Bolsa Crack: a droga dobrou de preço na Haddadolândia! Os traficantes estão em festa e certamente defenderão a reeleição do prefeito em 2016

Por Reinaldo de Azevedo no Blog do Reinaldo na Veja
Haddad, o mestre em economia, enfrentando o crack
O prefeito Fernando Haddad, saudado durante a campanha eleitoral e nos primeiros meses de governo como um verdadeiro gênio da raça, é formado em direito. Depois fez mestrado em economia e doutorado em filosofia. É tratado em certas áreas como um “intelectual”. A sua maior contribuição ao pensamento, até agora, é ter escrito que o sistema soviético era “moderno”. Já chegou também a declarar a superioridade de Stálin sobre Hitler porque, especulou, o Bigodudo, à diferença do Bigodinho, pelo menos lia os livros antes de matar os autores. É mesmo um senhor capaz de coisas impressionantes. Seu último feito mais notável é o Bolsa Crack.

A Folha traz hoje uma reportagem muito interessante de Fabrício Lobel e Aretha Yarak. Reproduzo trecho:
“O preço da pedra de crack chegou a dobrar já no primeiro dia de pagamento dos 302 usuários da cracolândia que trabalham no programa Braços Abertos, da prefeitura. A pedra, que custava R$ 10, sofreu variação de preço na tarde de ontem e chegou a custar até R$ 20, segundo relatos de usuários à Folha no fluxo (local de venda e consumo). De acordo com a prefeitura, 302 usuários receberam, em dinheiro, R$ 120 pela semana de trabalho na varrição de praças e ruas.”

Não me digam! O único que não sabia disso, pelo visto, era o mestre em economia Fernando Haddad. Que coisa, né? Vejam o que fez este gigante: transformou a Haddadolândia numa zona livre para o consumo de droga e entregou dinheiro na mão de um grupo de viciados. Como a oferta, bem ou mal, não consegue suprir a demanda e como passa a circular mais dinheiro na região, qual seria a consequência óbvia: inflação!

Assim, o programa de Haddad, que já é um fracasso, não é, ao menos, inócuo. Está contribuindo para elevar o preço da “pedra”. Como vocês sabem, antevi aqui as consequências óbvias da equação, não? Aliás, quantas vezes escrevi neste blog que a descriminação do consumo de drogas, sem a descriminação do tráfico, tem como resultado fatal a.. inflação no setor? É o paraíso dos traficantes! O que pode acontecer de melhor para eles do que estimular a demanda num ambiente de oferta reprimida?

Parabéns, prefeito! Lula prometeu que Haddad seria um administrador como a cidade nunca viu antes. Acho que o vaticínio, à sua maneira, está se cumprindo, não é mesmo?

A matéria da Folha traz uma informação que é tragicômica. Reproduzo em vermelho:
“O preço da pedra na cracolândia é R$ 10 há pelo menos dez anos, diz Bruno Ramos Gomes, presidente da ONG É de Lei, que atua na região. Ele não acredita que a inflação tenha sido causada pelo pagamento da prefeitura. ”Talvez ela esteja relacionada com a dificuldade de chegar pedra na área, dada a repressão policial”, diz.

O que é da lei? O crack? Será que faz dez anos que o Bruno cuida do assunto, com os resultados que a gente vê? Notem: repressão ao tráfico na Cracolândia sempre houve. A pedra não dobrou de preço nem quando houve a retomada da área pelo estado de direito, e o tráfico, de fato, foi muito prejudicado. O que aconteceu de novo desta vez? Ora, há mais dinheiro circulando. Os traficantes sabem disso. Também não ignoram que os consumidores não podem ficar sem o produto.

Consequência óbvia: boa parte do dinheiro que a Prefeitura repassou aos viciados já foi confiscada pelo tráfico. Se Haddad depositasse na conta dos traficantes, e eles só passassem distribuindo a porcaria, daria na mesma. Isso quer dizer, leitor amigo, que o Bolsa Crack também é o Bolsa Traficante.

Faço ainda aqui um outro vaticínio, ancorado, deixem-me ver, na história humana. Circulam na Haddadolândia uns dois mil dependentes. Só 300 terão, por enquanto, aquela grana a mais. Ainda que o programa dobrasse de tamanho, o que não vai acontecer, mais de metade continuaria fora. Outro desdobramento lógico, pois, da ação da Prefeitura será a criação das “classe sociais das drogas”. Se a pedra sobe de preço, os que não tiverem os benefícios da Prefeitura terão de se degradar ainda mais para conseguir o dinheiro.

Eu realmente não me canso de admirar a obra de Fernando Haddad.