quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Financiamento público de campanha - Candidato aliado do PT faz propaganda antecipada - A oposição nunca conseguirá fazer propaganda antecipada

Vejam este vídeo, que traz uma propaganda que foi ao ar dia 16/12/2013 em todas as TVs de São Paulo.
Em tempos em que se trava no Supremo um debate bronco sobre financiamento privado de campanha eleitoral, algo realmente excepcional se viu nesta segunda em São Paulo. Ninguém menos do que o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, decidiu estrelar uma propaganda, em nome da federação, para exaltar a decisão da Justiça, que suspendeu o reajuste do IPTU. Com cabelos recentemente implantados, cuidadosamente tingidos, mandou ver:
“A briga ainda não acabou. Poderá haver recursos da prefeitura. Mas uma coisa fica cada vez mais clara: acabou o tempo em que o Brasil aceitava tudo de braços cruzados, sem lutar pelos seus direitos”.

Huuummm… Notem que o presidente de uma federação de indústrias falava em nome do… Brasil! Mais: a Fiesp é estadual; o IPTU, cuja cobrança foi suspensa, é municipal.

Por onde que quer se olhe, a propaganda é absurda. Em primeiro lugar, a decisão da Justiça foi tomada, na prática, com base em duas ações, fundidas em uma só: a do PSDB e a da Fiesp — a do partido chegou à Justiça dois dias antes. Mais: a decisão ainda não é definitiva. Pode ainda ser revertida.

Até aquelas guirlandas grotescas usadas pela Prefeitura para enfeitar a Avenida Paulista sabem que Skaf será o candidato do PMDB ao governo do Estado. Ele já é o garoto-propaganda do Sesi e do Senai. Agora decide, digamos, “privatizar” uma causa que não é só sua ou da Fiesp. E num tom, assim, verdadeiramente condoreiro.

Skaf é o exemplo vivo do que tenho tentando demonstrar aos ministros do Supremo: não tentem botar na ilegalidade as contribuições de campanha que não recorrem a subterfúgios, que não tentam parecer outra coisa.

O que pode o tribunal contra o que vem fazendo Skaf, ainda que conte com o apoio de toda a diretoria da federação — o que, a ser verdade, só torna a coisa mais grave?

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