segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Biografia de Friedrich August von HAYEK (1899-1992), economista austríaco contra a intervenção do estado na economia contrariando Keynes

Postado em 23 de Dezembro de 2013 no site Ordem Livre

Autor Jim Powell
Se algum economista do século XX foi um homem da Renascença, esse economista foi Friedrich August von Hayek (1899-1992). Ele deu grandes contribuições à teoria política, à psicologia e às ciências econômicas. Em um campo onde a relevância das idéias é quase sempre eclipsada pelo desenvolvimento de uma teoria primária, muitas de suas contribuições são tão incríveis que as pessoas ainda as leem, mais de quarenta anos após serem escritas. Muitos estudantes de economia de hoje, por exemplo, estudam seus artigos dos anos 1930 e 1940, sobre economia e conhecimento, de onde extraem idéias que alguns economistas mais experientes ainda não compreendem totalmente. Não surpreenderia se uma importante minoria dos economistas em 2050 ainda ler e aprender a partir de seus artigos.

Hayek foi o defensor mais conhecido da corrente conhecida como Escola Austríaca. Ele foi, na verdade, o único grande membro recente da Escola Austríaca que realmente nasceu e cresceu na Áustria. Depois da Primeira Guerra Mundial, Hayek recebeu seu doutorado em direito e ciência política na Universidade de Viena. Logo em seguida, junto com outros jovens economistas como Gottfried Haberler, Fritz Machlup e Oskar Mogenstern, Hayek associou-se ao seminário particular de Ludwig Von Mises – o equivalente austríaco ao “Cambridge Circus” de Keynes. Em 1927, Hayek se tornou diretor do recém-fundado Instituto Austríaco de Pesquisas Econômicas. No início dos anos 1930, aceitando um convite de Lionel Robbins, passou a fazer parte do corpo docente da London School of Economics, onde permaneceu por dezoito anos. Hayek se tornou cidadão britânico em 1938.

A maior parte do trabalho de Hayek, a partir dos anos 1920 e seguindo pelos anos 1930, foi dedicado à teoria austríaca dos ciclos econômicos, teoria do capital e teoria monetária. Hayek via uma conexão entre as três. Argumentava que o grande problema para qualquer economia é como as ações das pessoas são coordenadas. Ele notou, da mesma forma que Adam Smith, que o sistema de preços e o mercados livre fazem o incrível trabalho de coordenar a ação das pessoas, mesmo que essa coordenação não seja a intenção de ninguém. O mercado, dizia Hayek, é uma ordem espontânea. E, quando se referia a uma ordem espontânea, Hayek queria dizer que não era planejada – o mercado não foi planejado por ninguém, mas evoluiu lentamente, como resultado das ações humanas. Entretanto, o mercado não funciona perfeitamente. “O que fazia com que o mercado não conseguisse coordenar os planos das pessoas, fazendo com que, às vezes, muitas pessoas ficassem desempregadas?”, perguntava Hayek.

Uma causa, dizia, era o aumento da disponibilidade de moeda, promovido pelos bancos centrais. EmPreços e Produção, Hayek argumentava que esses aumentos diminuiriam as taxas de juros, fazendo com que o crédito ficasse artificialmente mais barato. Dessa forma, empresários faziam investimentos que não teriam feito, caso entendessem que estavam recebendo um price signal distorcido do mercado de crédito. Porém, mostrava Hayek, os investimentos de capital não são homogêneos. Investimentos de longo prazo são mais sensíveis às taxas de juros do que os de curto prazo, da mesma forma que títulos de longo prazo são mais sensíveis aos juros do que títulos do tesouro. Concluiu, então, que taxas de juros artificialmente baixas não apenas causam um aumento artificial no investimento, como também causam um “mal investimento” – muitos investimentos em projetos de longo prazo relacionados aos de curto prazo. Ele argumentou que a bolha de investimentos inevitavelmente explodirá. Hayek via nessa explosão algo saudável, necessário para um reajuste. Segundo Hayek, a melhor maneira de evitar que as bolhas explodissem era evitar que crescessem.

Hayek e Keynes construíram seus modelos de mundo durante o mesmo período. Possuíam familiaridade com a visão do outro e discutiam suas diferenças. A maioria dos economistas acredita que a Teoria Geral de Keynes teria vencido a guerra. Hayek, até o dia de sua morte, nunca acreditou nisso. Nem ele, nem os outros membros da Escola Austríaca. Hayek acreditava que as políticas keynesianas para o combate do desemprego, inevitavelmente, causariam inflação e, para manter o desemprego baixo, o banco central teria que aumentar a disponibilidade de moeda de forma cada vez mais rápida, causando um crescimento cada vez maior da inflação. O pensamento de Hayek, expresso em 1958, é agora aceito pelos principais economistas do mundo.

No fim dos anos 1930 e no início dos anos 1940, Hayek se dedicou ao debate sobre a possibilidade de sucesso do planejamento socialista. Ele argumentava que o planejamento socialista não poderia funcionar. Dizia Hayek que os economistas socialistas acreditavam que um planejamento central poderia funcionar por pensarem que os planejadores poderiam utilizar as informações econômicas dadas e alocar os recursos de acordo com elas. Porém, Hayek apontou que essas informações não eram “dadas”. As informações não existem, e não podem existir, na cabeça de uma pessoa - nem na cabeça de um pequeno grupo de pessoas. Pelo contrário, cada indivíduo possui conhecimento a respeito de alguns recursos em particular e oportunidades em potencial de utilizar esses recursos que os planejadores centrais nunca terão. A virtude do livre mercado, segundo Hayek, é que ele garante máxima liberdade para que as pessoas utilizem informações que somente elas possuem. Em suma, o processo mercadológico gera as informações. Sem os mercados, elas não quase inexistentes.

Os principais economistas, mesmo alguns socialistas, aceitam agora o argumento de Hayek. O economista de Harvard, Jeffrey Sachs afirmou: “se você perguntar a um economista qual seria um bom lugar para se investir, quais indústrias crescerão e onde a especialização ocorrerá, o seu histórico de sucessos será bem pobre. Os economistas não coletam informações no dia-a-dia, como fazem os empresários. Toda vez que a Polônia pergunta: Bem... o que vamos ser capazes de produzir? Eu digo: eu não sei.”

Em 1944, Hayek também atacou o socialismo de um ângulo bem diferente. Ele tinha observado a Alemanha bem de perto, de seu ponto privilegiado, da Áustria, nos anos 1920 e no início dos anos 1930, quando então se mudou para a Grã-Bretanha. Ele percebeu que muitos socialistas britânicos defendiam algumas das políticas em favor do controle governamental sobre a vida das pessoas, o mesmo controle que ele assistira ser defendido na Alemanha dos anos 1920. Ele também percebera que os Nazistas eram, realmente, Nacional-Socialistas, ou seja, eram nacionalistas e socialistas. Assim, Hayek escreveu econlib.org.

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