terça-feira, 5 de novembro de 2013

A CATEQUISTA DO AMOR

A catequista do amor nasceu no dia 07 de outubro de 1926, sob o nome Edithe Chichyanowski, em Timbotuva, comunidade pertencente ao Município de Campo Largo, região metropolitana de Curitiba. Aos quatro anos, mudou-se para outra comunidade de Campo Largo denominada Ferraria e lá viveu um grande amor.

Edithe era de origem polonesa, país de grande fé católica que foi varrida pela ditadura comunista. Mas a família dela veio para o Brasil antes daquela tragédia do início do Século XX. A família a batizou com apenas nove dias depois de nascida. Com oito anos recebeu a primeira eucaristia.

Edithe não só herdou a cor dos olhos e o sotaque polonês de seus pais, mas também a fibra religiosa que atraiu todo o povoado para junto de seu caixão no dia 06 de setembro de 1995, um dia depois de falecida.

Mais velha entre seis filhos (dois homens e quatro mulheres) de família pobre, Edithe trabalhava desde pequena. Seu pai construiu um banquinho que ela subia e preparava a comida da casa. Quando um vizinho precisava de ajuda por uma doença qualquer, Edithe ia prestar serviços a quem precisava. Cedia seu tempo e seu esforço ao próximo com muito amor.

Aos treze anos foi trabalhar como doméstica na área urbana de Campo Largo. Foi nomeada professora aos dezoito anos e lecionava na Colônia Reviér situada a oito quilômetros de sua casa, distância percorrida por ela todos os dias. A localidade não tinha quase nada. Por isso, Edithe fundou uma escola da qual pagava aluguel do próprio bolso. Foi ajudada pelos pais de alunos que queriam dar estudos aos filhos em local mais próximo de casa.

Edithe ensinou por cinco anos na Colônia Reviér e depois foi para uma escola do Bairro Ferraria, onde, aos 23 anos, teve um namorado, mas não quis casar-se. Aproveitar a vida é casar, ter filhos e cuidar deles e dos netos. É a vocação de todo ser humano e é também o sentido da vida, mas Edithe tinha outra vocação: Preferiu casar com o próprio amor.

Formada normalista viu que a escola de Ferraria não tinha as quatro séries do antigo ginásio. Conseguiu a autorização de funcionamento das quatro séries (5ª à 8ª) e foi nomeada a primeira diretora da escola. Mas ela era muito ativa na religião cristã. Paralelamente às atividades docentes, era sacristã, fazia a limpeza da Igreja de Ferraria, preparava o altar, lavava as toalhas, varria a escadaria, tangia o sino, tocava órgão nas missas, fazia ensaios de canto, orientava os batizados, preparava os crismandos, arrumava a igreja para casamentos, era enfermeira e era assistente espiritual de quem ficava doente na comunidade.

Preparando ano por ano crianças para a primeira comunhão e vendo que elas continuavam fiéis na prática cristã, ela afirmava: Sou catequista e com esse nome de catequista quero morrer! Era uma vocação. Não fazia por prazer, nem por dinheiro e nem por necessidade. Era por amor. Nada mais na vida importava. Era um chamado de Deus. Os pais dos filhos crismados e eles próprios sabiam que ela catequizava com a força do Espírito Santo e, por isso, não mais abandonavam a fé.

Se faltava alguma coisa na festa da Igreja ou para alguém da comunidade, Edithe arranjava. Dava um jeito. Nada podia faltar ao próximo. Andava, andava, andava... aprendeu a aplicar injeção, aplicava à noite, de madrugada, de manhã, de tarde, longe. Até os cinqüenta e cinco anos, Edithe caminhava por todos os lados sem parar.

Mas Edithe era diabética. Por isso, em fevereiro de 1981, teve um derrame que a deixou em coma por seis dias. Quando voltou não movimentava os membros e não mais falava português e sim polonês, a sua primeira língua. Reaprendeu o português, recuperou os movimentos por meio da fisioterapia. Não todos, por que um braço jamais funcionou. Teve trombose na perna direita em 1985. Por consequência, teve que amputar parte dela e o restante foi amputado um ano e meio depois.

Edithe não sofria. O sofrimento físico não lhe pesava. Ela carregava amor. Era leve. Sorria sempre. Veja acima a foto dela sorrindo, mas sem pernas. Muitos a visitavam para consolá-la, mas voltavam consolados. O sorriso, o amor cristão e tudo o mais que ela transmitia aliviavam a carga espiritual daqueles que a visitavam. Entravam para consolar e saíam consolados.

Perdeu também a perna esquerda. Não tinha medo da morte. Se ela viesse, seria a entrada no paraíso celeste. Aqui na terra, ela havia tornado mais amena a vida do próximo. Viveu quatorze anos sem pernas. Andava de cadeira de rodas e um só braço. Andava pouco, mas andava, ajudava, amava, transmitia felicidade. Conquistou o coração de todos de Serraria, desde crianças até anciãos. Os que passavam na frente da casa dela acenavam e ela abria o imenso sorriso, mesmo sem conhecê-los. 

Edithe orava e rezava constantemente. Não se cansava de louvar a Cristo. O tempo não contava. Muitos pediam orações. Ela concedia e milagres ocorriam. Joana e João Massuqueto agradecem a cura do filho mais velho, João Carlos que tinha desmaios e demorava a voltar a si. Pediram que Edithe fizesse novenas e ela as fez por oito vezes na casa do casal. A nona vez foi na Igreja Perpétuo Socorro com carta de agradecimento escrita por Edithe. João Carlos nunca mais ficou doente. Lisete, a cunhada de Edithe, pediu, conseguiu e agradece o emprego do filho Carlos. O Padre Tranqüilo Lorenzin conheceu-a cinco anos antes da morte em 1995. Trata-a como santa até hoje. 

OBS: A catequista do amor existiu. A história contada acima é um resumo extraído do livreto escrito por Afonso de Santa Cruz (Pe. Afonso Gessinger, S.J.), Edições Rosário, 1ª Edição, 1997, Curitiba.

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