sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Reitoria da UFSC ameaça processar jovem conservador. Ou: A luta contra a ditadura esquerdista é muito dura

Acima cabeçalho do Blog UFSConservadora e o facsímile da Notificação da Procuradoria da UFSC
Depois de mais de uma década de governos do PT, a transformação do Brasil numa república comunista começa a dar passos mais largos no avanço ‘revolucionário’. O que antes era feito à sorrelfa agora já fazem de forma escancarada e de forma ameaçadora. O marxismo cultural levado a efeito no Brasil pelo movimento comunista não é novo, mas sob o governo do PT foi turbinado. Duas instituições têm sido cruciais para a captura de corações e mentes: as escolas e universidades e a imprensa, compreendido aí os jornais impressos, a internet e, particularmente as redes de televisão. 
Antonio Pinho: enredo kafkiano
Um dos casos mais emblemáticos foi o recente anúncio da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) de um evento cujo palestrante seria o terrorista italiano Cesare Battisti, que o governo petista acolheu como refugiado político. A repulsa geral ao fato levou a universidade ao cancelamento do evento.
A UFSC que já teve os seus dias de glória hoje chafurda no esquerdismo, totalmente aparelhada pelos tarados ideológicos que submetem os jovens estudantes a uma permanente lavagem cerebral. A reitora é do PSTU, partido que se pretende mais comunista do que o PT. Portanto, de cima abaixo, a UFSC transformou-se num valhacouto de comunistas.
O resultado é que em boa hora está havendo reação de expressiva parte dos universitários. Tanto é que já existe a Juventude Conservadora da UFSC. Na verdade, esta salutar reação que ocorre na UFSC, se verifica em diversas universidades brasileiras, como a UnB, a Universidade Federal de São Carlos e a Universidade Federal de Ouro Preto, onde medida judicial proibiu o funcionamento de um exótico Centro de Difusão do Comunismo.
Mas pelo que se constata, a comunização da UFSC rivaliza com as demais instituições de ensino no avanço esquerdista. Isto acaba ficar muito evidente depois que o ex-aluno da UFSC, Antonio Pinho, formado em Letras com Mestrado recentemente concluído, resolveu criar o blog UFSConservadora, que conta com a participação de alunos, ex-alunos e também de estudantes de outras universidades.
O blog se dedica à reflexão e análise de temas políticos e filosóficos sob a ótica conservadora. O grupo inclusive protestou no campus contra o evento que homenagearia do terrorista Cesare Battisti e também denunciou o fato no blog. Embora articulando-se informalmente, desvinculado de qualquer partido político, esse grupo conservador tem crescido e já possui grande atuação nas redes sociais.
Isto foi o bastante para que a Reitoria da UFSC, por meio de sua Procuradoria, partisse para a repressão pura e simples, endereçando ao editor do Blog UFSConservadora, Antonio Pinho, uma Notificação em que o acusa de usar o nome da instituição sem autorização e ameaça processá-lo judicialmente
No Blog UFSConservadora, Antonio Pinho postou artigo noticiando o fato ao mesmo tempo em que denuncia estar sofrendo perseguição político-ideológica e invoca a cláusula pétrea da Constituição que dispõe sobre a liberdade de expressão.
Transcrevo a parte inicial do artigo com link ao final para leitura completa. Leiam:
Dia 26 de novembro de 2013. Esta é a data em que me senti metamorfoseado em K., o conhecido personagem de “O Processo”, de Kafka.
Eu estava em minha escrivaninha, no computador, olhando mensagens pouco antes de sair a um compromisso, quando chega, em minhas mãos, uma carta em envelope oficial da UFSC. Na hora até brinquei: “A UFSC deve estar me processando hehehehe”. Pensei que era uma notificação qualquer, algo da burocracia normal da universidade, por eu ter sido aluno da UFSC. Mas, ao abrir o envelope e sacar o documento, vejo que aquilo que falei em tom jocoso era a pura verdade: eu estou de fato sendo acionado judicialmente pela UFSC. Na hora me veio à mente a imagem de Kafka: os oficiais entrando, logo de manhã, no quarto de K. para detê-lo. Minha vida transformada num roteiro surreal kafkiano. Processado? Por que motivo?
O motivo é obvio, apesar disso não ser dito na carta. É a velha perseguição ideológica pura e simples, que sempre é promovida pela esquerda contra aqueles que ousam defender valores contrários ao politicamente correto, que não vivem pautando sua existência na luta pela revolução. Muito menos tranquila é a vida de sujeitos como eu que gastam o tempo e o dinheiro que não têm, que procuram estudar e defender os valores que a Civilização Ocidental nos legou. Um dos principais desses valores é a liberdade de expressão, que é assegurada na Constituição do Brasil: “é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença” (Artigo 5, IX). No exercício da liberdade de expressão a Constituição proíbe apenas o anonimato, o que é completamente justo. Quem quer falar o que quer, tem que assumir as consequências públicas pelo que diz. Por isso anonimato é proibido, pois é um ato de covardia. Eu nunca publiquei algo anônimo. Todos meus escritos podem ser lidos em meu blog pessoal www.cibercronicas.blogspot.com , ou no blog da “UFSC Conservadora” (www.ufscon.wordpress.com), do qual sou editor e criador. Nada do que fiz foi escondido.
Vivemos teoricamente numa democracia, na qual há, teoricamente, a possibilidade do pleno exercício da liberdade de expressão. As leis da nação em que nasci garantem isso, também em teoria. A Constituição é teoria, e não a realidade dos fatos. O fato é que ousei ir contra a maré da cubanização do Brasil, comecei a escrever e divulgar meus textos em blogs e no Facebook. Também acabei formando um grupo de estudantes denominado “UFSC Conservadora”. A repercussão foi muito além da esperada. Meus textos começaram a ter milhares de acessos, bem como o blog UFSC Conservadora. Comecei a incomodar, e logo vieram as perseguições. Posicionei-me publicamente contra a greve das universidades federais de meados de 2012, num texto chamado “UFSC em greve”. Logo em seguida o blog UFSC Conservadora foi atacado e saiu do ar. Isso se deu na mesma época em que outros sites de perfil conservador também foram atacados, como o Mídia Sem Máscara. Mas a UFSC Conservadora continuou existindo, no início deste ano criamos outro blog, o UFSCon. Clique AQUI para ler o artigo completo

ORGANIZAÇÃO PT: Para tomar o poder em nome de implantar o socialismo vale mentir, conspirar, trair e matar

Homens de vermelho: Donato e Fernando Haddad. Eles estão juntos. Sempre.
O PT reuniu nesta quinta deputados estaduais, federais, vereadores, lideranças nacionais do partido e, não poderia faltar, o prefeito Fernando Haddad num ato de desagravo ao vereador Antonio Donato, ex-secretário de Governo da Prefeitura — teve de ser demitido — e ex-coordenador de campanha de Haddad. Donato foi recebido, como já se informou aqui, aos gritos de “Donato guerreiro do povo brasileiro” — é o grito de saudação que o partido costuma dispensar ao patriota José Dirceu. Isso quer dizer que os petistas consideram os dois igualmente inocentes, entenderam?

É claro que é um escracho e um acinte. Haddad decidiu deflagrar a operação para pegar os fiscais — havia mesmo uma máfia atuando na Prefeitura — e tinha a intenção de jogar o passivo no colo de Gilberto Kassab. Era um esforço para tentar reverter o brutal desgaste de sua imagem na cidade. Ocorre que a primeira vítima política do escândalo acabou sendo… Donato! De resto, Kassab tinha um acordo de mais alta esfera com Dilma Rousseff, e do Planalto veio a ordem para deixar o ex-prefeito em paz. Adiante.

De todos os políticos com alguma projeção na cidade, nenhum apareceu tão perto da máfia como Donato:
a: já secretário de governo, ele nomeou para uma diretoria da SPTrans Ronilson Rodrigues, considerado o chefe da máfia;
b: Donato chamou para trabalhar em seu gabinete outro auditor fiscal envolvido com a fraude: Eduardo Barcelllos;
c: num acordo de delação premiada, Barcelllos afirmou que pagava uma pensão mensal de R$ 20 mil ao vereador; o dinheiro, afirmou, era entregue em seu gabinete na Câmara;
d: quando soube que estava sendo investigado pela controladoria do município, Ronilson decidiu procurar justamente Donato;
e: a ex-namorada de um dos auditores, num telefonema ameaçador, captado pela polícia, ameaça revelar que o vereador era ligado ao esquema e que recebeu R$ 200 mil do grupo para financiar sua campanha eleitoral;
f: em depoimento ao Ministério Público, uma ex-auditora diz que o grupo de fiscais financiou a campanha de Donato.

Donato caiu. Mas deixou claro que não aceitava a condição de boi de piranha. Vale dizer: não tem a têmpera de um Delúbio Soares ou mesmo de um José Dirceu. Não é do tipo que aguenta o tranco calado. O vereador exigiu a solidariedade do partido — inclusive a do prefeito — e a obteve.

Atenção! Que petista se reúnam para declarar a inocência de seus soldados, convenham, é do jogo. E todos já estamos acostumados com isso. Que Fernando Haddad tenha comparecido ao evento sem que o Ministério Público tenha concluído a investigação e sem que a própria Controladoria do Município tenha terminado o seu trabalho, eis um absoluto despropósito. Donato exigiu, e obteve, a solidariedade do Prefeito. Eu já havia cantado essa bola aqui no dia 15 de novembro.
Sabem como é… Um coordenador de campanha é sempre um homem muito sabido.

Concluindo
Um dos principais alvos dos petistas no desagravo ao “guerreiro do povo brasileiro” foi o Ministério Público. Como a gente sabe, esse órgão só é batuta quando investiga os adversários do PT

Na minha coluna na Folha desta sexta, lembro um trecho do texto de Trotsky “A moral deles e a nossa”. O líder socialista responde a uma suposta indagação: na luta contra os capitalistas, todos os meios são admissíveis, inclusive “a mentira, a conspiração, a traição e o assassinato”? E ele então diz: “Admissíveis e obrigatórios são todos os meios, e só eles, que unam o proletariado revolucionário (…), que o ensinem a desprezar a moral oficial e seus democráticos arautos”.

Ou seja: sim, tudo é permitido em nome da causa, inclusive mentir, conspirar, trair e matar.

O PT é herdeiro desse pântano moral.

O ANEL, de JRR Tolkien. Essa fantástica história é uma metáfora sobre a vontade humana de dominar os semelhantes, cristalizada pelos regimes socialistas, que querem submeter os povos e nas trevas os reter. Agora, o socialismo mata menos no paredão e mais nas clínicas de aborto

Escrito por Ricardo Hashimoto*, editor do site Sete Alegrias
JRR Tolkien criou um mundo fantástico, com homens e elfos, anões e magos, orcs e trolls, ents e hobbits. Isto foi há muito tempo, quando a terra ainda era jovem. Os elfos inventaram o fabrico dos anéis de poder e Sauron fingiu amizade para se aproximar deles, aprender o ofício e usá-lo para o mal.

Sauron elevou esta arte à perfeição e criou O Anel, o mais poderoso de todos, para dominar os povos e nas trevas os reter. Numa decisiva batalha, o Senhor do Escuro foi derrotado e perdeu o seu precioso anel. A trilogia O Senhor dos Anéis é a história da luta de Sauron para recuperá-lo. Na sua estreita perspectiva, Sauron calcula que Frodo, o hobbit portador d’O Anel, vai usar a jóia para acumular poder e derrotá-lo. Não passa pela cabeça do déspota que alguém pode agir pelo bem comum e abrir mão da paixão pelo domínio.

Frodo, assistido pelo sábio mago Gandalf, sabe que O Anel é perigoso, representa a tendência humana de querer dominar os semelhantes; representa o egoísmo, as mais baixas paixões. Sabe que quem o usar por muito tempo acabará sendo dominado por ele e aos poucos se tornará tão mal quanto Sauron. A única solução é destruir O Anel lançando-o no Vulcão da Condenação, no coração do reino inimigo, onde foi forjado; só este vulcão tem capacidade de destruir a joia. Alguns acreditam que o fogo dos dragões podia destruir O Anel; segundo Gandalf, entretanto, nem mesmo Ancalagon, O Negro – o mais poderoso dos dragões – seria capaz disso. Mas esta discussão era inútil, pois os dragões já haviam sido extintos.

Esta fantástica história é uma metáfora sobre a vontade humana de dominar os semelhantes, cristalizada pelos regimes socialistas, que querem submeter os povos e nas trevas os reter. Foi escrita numa época em que o marxismo grassava, pregando o ódio contra Deus. Mais de século e meio após O Manifesto Comunista, os podres frutos do comunismo são o Ocidente cambaleante, a Igreja aos cacos e mais de 100 milhões de mortos. O socialismo, por sua vez, vai bem, muito bem, este monstro frio avança cada vez mais sobre nós. Agora, mata menos no paredão e mais nas clínicas de aborto.

Uma das últimas frases de Frodo no livro é o resumo da saga e, ao mesmo tempo, um norte para nós que desejamos lutar e não nos conformamos com a escravidão. Quando Frodo avisa Sam, o seu companheiro de aventuras, que vai partir para sempre para além dos Portos Cinzentos, ouve do amigo esta queixa: “Depois de tudo pelo que você passou, pensei que fosse desfrutar da nossa companhia e das coisas pelas quais lutou”.

Frodo respondeu:
- Às vezes há de ser assim quando as coisas estão em perigo: alguém tem que abrir mão delas, arriscar mesmo perdê-las, para que outros possam usufruí-las.

Dono do hotel que vai pagar R$ 20 mil mensais para José Dirceu também está ganhando uma emissora de TV

Por Coronel do Blog CoroneLeaks (Coturno Noturno)
Depois de mudar uma antena de rádio de interior para a Avenida Paulista, agora o chefe do Zé Dirceu, Paulo Abreu (à esquerda) está ganhando uma emissora de TV.

O empresário Paulo de Abreu, que contratou o ex-ministro José Dirceu para gerenciar o Saint Peter Hotel, de Brasília, por um salário de R$ 20 mil, reuniu-se com o ministro das Comunicações, o petista Paulo Bernardo, na manhã de 23 de setembro, para tentar agilizar o processo de reativação da TV Excelsior.

A reabertura do canal, cassado em setembro de 1970 durante o regime militar, é um velho desejo do empresário. O processo está em análise no Ministério das Comunicações há dois anos. Paulo de Abreu sabe que, para realizar o sonho antigo, mesmo após a aprovação, é necessário um decreto presidencial de anistia a favor do antigo canal de televisão.

A reunião consta na agenda oficial do ministro. O advogado e ex-deputado Sigmaringa Seixas, amigo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e bastante ligado à presidente Dilma Rousseff, acompanhou o empresário durante o encontro com Paulo Bernardo.

Na ocasião, o secretário-executivo interino da pasta, Genildo Lins, esteve presente. Sigmaringa confirma que foi contactado pela família Abreu para ajudar no processo de reabilitação da TV Excelsior. Ele explicou que outro canal de televisão, cassado durante o regime militar, foi anistiado durante o governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e que não há nada de ilegal no pleito.

Interlocutores do setor de comunicações, ouvidos pelo Estado de Minas, acham que ao conceder emprego para Dirceu, Paulo de Abreu enterrou as chances de conseguir êxito. “Dirceu não conseguiria ajudá-lo nem solto, imagine preso.”

O Estado de Minas tentou entrar em contato com o Ministério das Comunicações, por meio da assessoria de imprensa. Até o fechamento desta edição, ninguém havia sido localizado para comentar o assunto. A advogada do empresário, Rosane Ribeiro, não respondeu aos questionamentos encaminhados pela reportagem.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Europa: o decréscimo da população pode extinguir países. População da Europa tende a diminuir 20% em 50 anos

Por Luis Dufaur no blog Valores inegociáveis: respeito à vida, à família e à religião
A população alemã está encolhendo e as prefeituras se esforçam para ocultar o dramático minguamento, escreveu reportagem do“The New York Times”
Na zona rural pode se encontrar filas de cassas vazias, quintais cobertos de mato, janelas fechadas com tábuas e sistemas de esgoto estragados por falta de uso.
Nas cidades, os operários envelhecem e as linhas de montagem reduzem ao mínimo as tarefas corporais, pois não há substitutos capacitados. 
Esta diminuição silenciosa, ao longo do tempo é mais danosa e profunda que a guerra de extermínio dos cristãos tocada no Oriente pelos seguidores do Corão.
Segundo o último censo, a Alemanha perdeu 1,5 milhão de habitantes.
Em 2060 a população poderá ter encolhido mais 19%, caindo para 66 milhões.
A Alemanha elevou a idade de aposentadoria de 65 para 67 anos. Mais isso não resolve o problema de fundo.
A faixa etária de 55 a 64 anos na força de trabalho passou de 38,9% em 2002 para 61,5% em 2012. E não há jovens suficientes para substituí-los.
A Alemanha se orgulhava, e com razão, de suas mulheres devotadas ao lar, à igreja e aos filhos.
A enganosa “modernização” do pós-guerra destruiu essa realidade social e religiosa favorecida pela Igreja.
Agora, o governo tenta colocar mais mulheres nas fábricas. Mas isso contradiz os estímulos a terem mais filhos. O país concede US$ 265 bilhões anuais em subsídios familiares, mas estes não revertem a tendência geral ao despovoamento. 
Outros países europeus que adotaram a mesma agenda anti-vida caem pelo mesmo despenhadeiro. Sem braços os problemas econômicos ficam insolúveis e geram uma espiral de declínio. 
As altas taxas de desemprego — mais de 50% entre jovens — em países como Grécia, Itália e Espanha, desestimulam ainda mais de ter filhos, sobre tudo porque a fé e a moral estão se apagando,. 

Em 1960, nasceram 7,5 milhões de crianças em 27 países que hoje fazem parte da União Europeia – UE. Mas, em 2011 os nascimentos caíram para 5,4 milhões.
Hoje há quatro trabalhadores para cada aposentado na UE, mas 2060 a proporção será de dois a um, segundo a própria UE.
Por sua vez, os imigrantes islâmicos e da Europa Oriental estão ocupando os vazios nas cidades e no campo.
A solução só poderia vir da reforma de valores, costumes e atitudes em função da Lei de Deus.
Mas esta tábua de salvação não é focalizada pelo governo laicista alemão e nem mesmo pelo episcopado do país.

Catecismo e Crisma: Uma nova leva de jovens cruzados

Publicado por Jorge Ferraz (admin) no site Deus lo Vult! em 27/11/2013.
O meu Crisma foi há muitos anos. Faz já mais de uma década que eu recebi na fronte a cruz perfumada com a qual o Espírito Santo consuma nos Filhos de Deus a graça do Santo Batismo. O tempo passa: já são mais de dez anos nas hostes do Senhor dos Exércitos…

É dever de todo crismado espalhar o doce odor de Cristo pelo mundo. Desde muito cedo dediquei-me a espalhar a fragrância do bálsamo sagrado por outras frontes; desde o início da minha «plenitude do Espírito» quis preparar outras almas para também receberem a unção do Santo Crisma. E ontem fechou-se mais um ciclo.Ontem, uma nova leva de jovens cruzados sentaram praça nos batalhões do Deus Verdadeiro.

Foram apresentados ao Bispo. Fizeram a sua solene tríplice renúncia: ao pecado, à desunião e a Satanás. Professaram majestosamente a Fé da Igreja. Receberam a imposição das mãos de um Sucessor dos Apóstolos. Depois, a Cruz traçada na testa, e estavam crismados! Até o final da noite, espalharam o perfume do bálsamo que rescendia de suas frontes lustrosas; permita Deus que, até o final da vida, espalhem pelo mundo inteiro o perfume do Evangelho exalado de suas almas indelevelmente marcadas com o caráter crismal.
Foram meses de preparação para a noite de ontem. Que digo? Para a noite de ontem, não; para o resto da vida de cada um deles, ontem à noite iniciada. Toda cerimônia de Crisma é o final de um ciclo de catequese, mas precisa ser também e principalmente o início de uma caminhada de maturidade na Fé para aqueles que o bispo unge com o óleo sagrado. Senão não faz sentido. Senão, não vale a pena.

Ontem, por assim dizer já tomaram as rédeas de sua vida espiritual. Se até o último sábado tinham semanalmente as palestras e os coordenadores a conduzir-lhes pela mão rumo ao conhecimento das coisas sagradas, hoje já não têm mais. Hoje precisam caminhar sozinhos. É uma honra e uma responsabilidade; e, justamente por isso, é mais digno e mais meritório. Estão preparados para esta jornada, é certo: com a substância da catequese e principalmente a graça do Sacramento, estão aptos a darem abundantes frutos de santidade para a glória de Deus e da Santa Igreja. Rezo para que o façam. E torno a dizer, ousando falar em nome de toda a equipe: quando precisarem, nós estamos aqui!

Estão prontos para seguirem os passos de Cristo, em meio a este mundo a Ele tão hostil. Estão prontos para O confessarem publicamente, «como em virtude dum encargo oficial (quasi ex officio)» – como diz Santo Tomás citado no Catecismo (§1305). É uma missão sublime: rezo para que a desempenhem com desenvoltura e galhardia. Como Deus os chama a desempenhá-la.

Aos novos soldados de Cristo, meus agradecimentos e minhas congratulações. Obrigado por terem perseverado, a despeito de nossas muitas fraquezas. Parabéns pelo caminho que já ontem começaram a trilhar. Se lhes posso dizer uma última coisa, é que não se afastem dessa santa estrada aberta pelos passos ensanguentados do Divino Salvador. Conservem até o final da vida as boas disposições com as quais, ontem, receberam o Espírito Santo de Deus. E sejam bem-vindos! O futuro reserva maravilhas, não duvidem nunca disso. Uma vida nova e fascinante apenas se inicia.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Exortação Apostólica do Papa Francisco: crítica ao materialismo, repúdio ao aborto, jesuitismo, enganos. Ou: Discursos do Padre Vieira: Um Jesuíta

Por Reinaldo Azevedo

Veio a público a primeira Exortação Apostólica do papa Francisco. Chama-se “Evangelii Gaudium” (A Alegria do Evangelho). Comecemos por corrigir uma distorção importante que circula por aí: NÃO É UM DOCUMENTO DE REFORMA DA IGREJA OU DO VATICANO. Como toda exortação dessa natureza, é um texto que trata de valores — e que, sim, fala da necessidade de mudanças. A Igreja é regida pela Constituição Apostólica “Pastor Bonus”, de 1988. Há uma comissão que cuida de sua reforma. Quando as propostas vierem a público, aí, sim, se cuida então de uma mudança. Por enquanto, Francisco está a cuidar dos valores. A íntegra do documento, em português, está aqui.

Jorge Mario Bergoglio, o papa Francisco, não é um teólogo, como Josef Ratzinger. Não é um intelectual. Não tem a tendência de transformar as questões humanas num conceito para submetê-lo a uma ratio, de onde sairia, então, uma orientação de natureza moral e atemporal. Imprime à sua fala um tom de urgência, de caráter, sim, reformista, para a Igreja de agora — ainda que, como é de esperar, seus valores sejam os do catolicismo.

Além de não ser um teólogo, Bergoglio é um jesuíta, o primeiro a se tornar papa na história. E isso faz diferença. A ordem nasceu com o propósito da evangelização, o que a levou, ao longo da história, a entrar em conflito, mais de uma vez, com a própria hierarquia católica. Não por acaso, a autoridade máxima dos jesuítas é chamada de “o papa negro” (referência à batina), numa sugestão de que os jesuítas têm suas próprias prioridades, que nem sempre são as da Igreja oficial.

O mais notável jesuíta que atuou e pregou no Brasil, Padre Vieira, distinguia os “pregadores do paço” (dos palácios) dos pregadores do “passo” (os evangelizadores), que estão entre os homens. A própria Igreja era alvo constante de sua gloriosa fúria retórica.

Recado à Igreja

Nós parágrafos 81, 82 e 83, o papa aponta a “acédia” — prefiro a grafia “acídia” — que toma conta dos católicos. É o enfraquecimento da vontade, a inação, a prostração. Transcrevo trecho de seu texto e depois retomo Padre Vieira. Vocês verão que interessante.
“Esta acédia pastoral pode ter origens diversas: alguns caem nela (…) por terem perdido o contato real com o povo, numa despersonalização da pastoral que leva a prestar mais atenção à organização do que às pessoas (…) Assim se gera a maior ameaça, que ‘é o pragmatismo cinzento da vida quotidiana da Igreja, no qual aparentemente tudo procede dentro da normalidade, mas na realidade a fé vai-se deteriorando e degenerando na mesquinhez’. Desenvolve-se a psicologia do túmulo, que pouco a pouco transforma os cristãos em múmias de museu. Desiludidos com a realidade, com a Igreja ou consigo mesmos, vivem constantemente tentados a apegar-se a uma tristeza melosa, sem esperança, que se apodera do coração como ‘o mais precioso elixir do demónio’. (…) Não deixemos que nos roubem a alegria da evangelização!”


Confesso que algumas imagens a que recorre Francisco não são exatamente do meu agrado, mas ele parece mesmo empenhado em fazer a Igreja falar uma língua mais crua. No belíssimo “Sermão da Sexagésima”, Vieira indaga por que faz pouco fruto a palavra de Deus no mundo. Transcrevo trechos:
“Fazer pouco fruto a palavra de Deus no Mundo, pode proceder de um de três princípios: ou da parte do pregador, ou da parte do ouvinte, ou da parte de Deus. Para uma alma se converter por meio de um sermão, há-de haver três concursos: há de concorrer o pregador com a doutrina, persuadindo; há de concorrer o ouvinte com o entendimento, percebendo; há de concorrer Deus com a graça, alumiando.”


Vieira examina, em seguida, cada um desses fatores para saber se o problema está com Deus, com a doutrina ou com os pregadores. E conclui:
“Sabeis, cristãos, porque não faz fruto a palavra de Deus? Por culpa dos pregadores. Sabeis, pregadores, porque não faz fruto a palavra de Deus? Por culpa nossa.”


E é justamente nesse Sermão que o padre distingue os pregadores do “paço” dos do “passo”, referindo-se explicitamente aos jesuítas, que enfrentavam a oposição de outras ordens religiosas e da alta hierarquia católica. Leiam o que ele diz:
“Entre os semeadores do Evangelho há uns que saem a semear, há outros que semeiam sem sair. Os que saem a semear são os que vão pregar à Índia, à China, ao Japão; os que semeiam sem sair, são os que se contentam com pregar na Pátria. Todos terão sua razão, mas tudo tem sua conta. Aos que têm a seara em casa, pagar-lhes-ão a semeadura; aos que vão buscar a seara tão longe, hão-lhes de medir a semeadura e hão lhes de contar os passos. Ah Dia do Juízo! Ah pregadores! Os de cá, achar-vos-eis com mais paço; os de lá, com mais passos”.


Visões de mundo

Não estou comparando discursos, obras etc. Estou tratando de uma visão de mundo: a jesuítica, segundo a qual a pregação do Evangelho, em meio ao povo, é o “sal da terra”. Vieira e Bergoglio entendem que não há nada de errado com Deus ou com a doutrina. O problema está com os pregadores; o problema está com a Igreja. Cumpre notar, em todo caso, que, da segunda metade do século 17 a esta data, a Igreja não acabou, não é?

A Igreja, na sua doutrina essencial, e antimaterialista e, vá lá, anticapitalista, mas não, obviamente, socialista. Faço essa observação porque outra linha condutora da exortação de Francisco é, sim, a crítica ao capitalismo — especialmente nos parágrafos 55 a 60. Leiam este trecho:
“56. Enquanto os lucros de poucos crescem exponencialmente, os da maioria situam-se cada vez mais longe do bem-estar daquela minoria feliz. Tal desequilíbrio provém de ideologias que defendem a autonomia absoluta dos mercados e a especulação financeira. Por isso, negam o direito de controle dos Estados, encarregados de velar pela tutela do bem comum. Instaura-se uma nova tirania invisível, às vezes virtual, que impõe, de forma unilateral e implacável, as suas leis e as suas regras. Além disso, a dívida e os respectivos juros afastam os países das possibilidades viáveis da sua economia, e os cidadãos do seu real poder de compra. A tudo isto vem juntar-se uma corrupção ramificada e uma evasão fiscal egoísta, que assumiram dimensões mundiais. A ambição do poder e do ter não conhece limites. Neste sistema que tende a fagocitar tudo para aumentar os benefícios, qualquer realidade que seja frágil, como o meio ambiente, fica indefesa face aos interesses do mercado divinizado, transformados em regra absoluta.”


Mais uma vez, se quiserem, podemos voltar a Vieira e a alguns de seus escritos sobre a escravidão. Que tal isto?
“Os Israelitas atravessaram o mar Vermelho e passaram da África à Ásia, fugindo do cativeiro; estes atravessam o mar Oceano na sua maior largura, e passam da mesma África à América para viver e morrer cativos (…). Os outros nascem para viver, estes para servir. Nas outras terras, do que aram os homens, e do que fiam e tecem as mulheres, se fazem os comércios; naquela, o que geram os pais e o que criam a seus peitos as mães, é o que se vende e se compra. Oh trato desumano, em que a mercancia são homens! Oh mercancia diabólica, em que os interesses se tiram das almas alheias, e os riscos das próprias!

Já se, depois de chegados, olharmos para estes miseráveis e para os que se chamam seus senhores, o que se viu nos dois estados de Jó é o que aqui representa a fortuna, pondo juntas a felicidade e a miséria no mesmo teatro. Os senhores poucos, e os escravos muitos; os senhores rompendo galas, os escravos despidos e nus; os senhores banqueteando, os escravos perecendo à fome; os senhores nadando em ouro e prata, os escravos carregados de ferro; os senhores tratando-os como brutos, os escravos adorando-os e temendo-os como deuses; os senhores em pé, apontando para o açoite, como estátuas da soberba e da tirania, os escravos prostrados com as mãos atadas atrás como imagens vilíssimas da servidão e espetáculos de extrema miséria. Oh Deus! Quantas graças devemos à fé, que nos destes, porque ela só nos cativa o entendimento, para que, à vista destas desigualdades, reconheçamos, contudo, vossa justiça e providência! Estes homens não foram resgatados com o sangue do mesmo Cristo? Estes corpos não nascem e morrem como os nossos? Não respiram com o mesmo ar? Não os cobre o mesmo céu? Não os aquenta o mesmo Sol? Que estrela é logo aquela que os domina, tão triste, tão inimiga, tão cruel?”.
É um trecho do Sermão Vigésimo Sétimo, de 1688, um daqueles que o padre dirigiu à Comunidade Nossa Senhora do Rosário, composta de negros.

Por quê?
Faço essas observações para destacar que a proximidade da Igreja com os pobres, com os desvalidos, não é uma “modernidade” surgida com a Teologia da Libertação. O que essa corrente fez, isto sim, foi emprestar à tradição humanista da Igreja o viés marxista, como se a luta de classes fosse o único caminho de combate à desigualdade. Evidencio que o compromisso da instituição — ou de fatias importantes dela — com o combate às injustiças é antigo. Na verdade, está na origem do cristianismo. Ainda hoje, apesar de tudo, a Igreja Católica coordena a maior rede de assistência social do mundo.

Francisco não é, como, às vezes, se tenta vender aqui e ali, um papa contra a Igreja. Parece é que o jesuíta pretende uma Igreja menos apegada ao “paço” e mais apegada “ao passo”; uma Igreja que busque menos as culpas dos fiéis relapsos do que dos pregadores relapsos. Outras manifestações suas me desagradaram um tantinho. Esta não. Até porque valores que me parecem essenciais estão devida e inequivocamente explicitados.

Aborto

Certas declarações do papa sobre o aborto, por exemplo, andaram criando certa confusão. Esta exortação não deixa a menor dúvida sobre o posicionamento do Sumo Pontífice (e como poderia ser diferente?) sobre o tema. Transcrevo os parágrafos 213 e 214:
213. Entre estes seres frágeis, de que a Igreja quer cuidar com predileção, estão também os nascituros, os mais inermes e inocentes de todos, a quem hoje se quer negar a dignidade humana para poder fazer deles o que apetece, tirando-lhes a vida e promovendo legislações para que ninguém o possa impedir. Muitas vezes, para ridiculizar jocosamente a defesa que a Igreja faz da vida dos nascituros, procura-se apresentar a sua posição como ideológica, obscurantista e conservadora; e no entanto esta defesa da vida nascente está intimamente ligada à defesa de qualquer direito humano. Supõe a convicção de que um ser humano é sempre sagrado e inviolável, em qualquer situação e em cada etapa do seu desenvolvimento. É fim em si mesmo, e nunca um meio para resolver outras dificuldades. Se cai esta convicção, não restam fundamentos sólidos e permanentes para a defesa dos direitos humanos, que ficariam sempre sujeitos às conveniências contingentes dos poderosos de turno. Por si só a razão é suficiente para se reconhecer o valor inviolável de qualquer vida humana, mas, se a olhamos também a partir da fé, «toda a violação da dignidade pessoal do ser humano clama por vingança junto de Deus e torna-se ofensa ao Criador do homem».

214. E precisamente porque é uma questão que mexe com a coerência interna da nossa mensagem sobre o valor da pessoa humana, não se deve esperar que a Igreja altere a sua posição sobre esta questão. A propósito, quero ser completamente honesto. Este não é um assunto sujeito a supostas reformas ou «modernizações». Não é opção progressista pretender resolver os problemas, eliminando uma vida humana. Mas é verdade também que temos feito pouco para acompanhar adequadamente as mulheres que estão em situações muito duras, nas quais o aborto lhes aparece como uma solução rápida para as suas profundas angústias, particularmente quando a vida que cresce nelas surgiu como resultado duma violência ou num contexto de extrema pobreza. Quem pode deixar de compreender estas situações de tamanho sofrimento?”
Meio ambiente
Francisco é um papa de 2013, do século 21, e o meio ambiente assume também uma dimensão apostólica. Leiam:
215. Há outros seres frágeis e indefesos, que muitas vezes ficam à mercê dos interesses económicos ou dum uso indiscriminado. Refiro-me ao conjunto da criação. Nós, os seres humanos, não somos meramente beneficiários, mas guardiões das outras criaturas. Pela nossa realidade corpórea, Deus uniu-nos tão estreitamente ao mundo que nos rodeia, que a desertificação do solo é como uma doença para cada um, e podemos lamentar a extinção de uma espécie como se fosse uma mutilação. Não deixemos que, à nossa passagem, fiquem sinais de destruição e de morte que afectem a nossa vida e a das gerações futuras. Neste sentido, faço meu o expressivo e profético lamento que, já há vários anos, formularam os Bispos das Filipinas: «Uma incrível variedade de insectos vivia no bosque; e estavam ocupados com todo o tipo de tarefas. (…) Os pássaros voavam pelo ar, as suas penas brilhantes e os seus variados gorjeios acrescentavam cor e melodia ao verde dos bosques. (…) Deus quis que esta terra fosse para nós, suas criaturas especiais, mas não para a podermos destruir ou transformar num baldio. (…) Depois de uma única noite de chuva, observa os rios de castanho-chocolate da tua localidade e lembra-te que estão a arrastar o sangue vivo da terra para o mar. (…) Como poderão os peixes nadar em esgotos como o rio Pasig e muitos outros rios que poluímos? Quem transformou o maravilhoso mundo marinho em cemitérios subaquáticos despojados de vida e de cor?»

216. Pequenos mas fortes no amor de Deus, como São Francisco de Assis, todos nós, cristãos, somos chamados a cuidar da fragilidade do povo e do mundo em que vivemos.
Encerro

O texto é imenso, e há muitos outros aspectos a destacar, mas fica para outros posts. Que se marque: Bergoglio é um jesuíta, e Francisco é o chefe religioso de todos os católicos. 

A condenação ao aborto vai aí explicitada. É inequívoca. O que Francisco faz é não demonizar a mulher que, premida por esta ou por aquela circunstâncias, acabou optando pelo aborto. O papa, no entanto, é muito direto: “Este não é um assunto sujeito a supostas reformas ou ‘modernizações’. Não é opção progressista pretender resolver os problemas, eliminando uma vida humana”. A Igreja não mudará o seu ponto de vista sobre o aborto. Não com Francisco. Pode não demonizar a mulher que abortou porque abraça e perdoa o pecador, mas não condescende com o pecado.

Convém não confundir o papa da Igreja Católica com um “teólogo da libertação”. Ele não é. Graças a Deus!

JUNG E HITLER

Escrito por Nivaldo Cordeiro*
É preciso compreender a obra de Jung e talvez o melhor texto para ver como o psicólogo suíço tropeçou nas próprias pernas seja no ensaio publicado em 1945, “Depois da Catástrofe” (inserido no livro Aspectos do Drama Contemporâneo, editado pela Vozes). É certo que esse texto só será compreensível, em todo o horror de suas contradições, se se conhecer bem a obra e a biografia de Jung, portanto não é leitura para iniciantes.

O ensaio foi escrito para que ele, Jung, dissesse o que realmente pensava de Hitler e dos acontecimentos dramáticos da II Guerra Mundial. Ao término da guerra os rumores de que era nazista estavam vivos. O primeiro gesto de tirar o corpo fora de Jung sobre a sua responsabilidade pessoal sobre os acontecimentos foi ele atribuir os fatos aos alemães da Alemanha. Ora, Jung sempre se declarou alemão, narrava com prazer sua “nobre” ascendência bastarda desde Goethe e se sentia alemão. Tudo que foi feito por Hitler e pela Alemanha era em nome e para o pan-germanismo. É claro que o Estado nacional alemão assumiu o comando de tudo, mas vimos como em diversos países (até no Brasil!) os verdadeiros alemães apoiaram com entusiasmo a estranha ideia que eram um povo superior, fadado a dominar o mundo. Bem vimos no que deu.

Jung sabia perfeitamente bem a origem de tudo, mas não teve a coragem moral de assumir sua própria responsabilidade. Ao contrário, Thomas Mann engajou-se no esforço de guerra contra a barbárie e escreveu o monumental Doutor Fausto, livro no qual faz o acerto de contas consigo mesmo e sua própria história familiar. Ao atribuir uma suposta culpa coletiva sobre os alemães Jung pulou o capítulo de sua própria responsabilidade. O próprio Jung fundou em torno de si um culto satânico no qual os sacerdotes acreditados eram os seus seguidores “analisados”. Jung cultuava o mal com todas as letras, como bem demonstrei nas minhas palestras sobre o Livro Vermelho (https://www.youtube.com/watch?v=ydR_ZpeyadA&hd=1).

A raiz mais geral para o que houve naqueles tempos está na Reforma Religiosa, que teve a nefasta consequência de transformar a Igreja Universal em igrejas nacionais, comandadas segundo interesse político. Na Alemanha, o passo seguinte foi humanizar o Cristo, negando-lhe a condição divina, juntamente com as ideias pagãs do neoplatonismo. Chegou-se a falar em um Cristo “alemão”.

No século XVIII, sob a influência poderosa de Goethe, tivemos o esteticismo, que propôs a salvação pela Arte, aqui compreendida em sentido amplo, inclusive nas práticas esotéricas das artes alquímicas. O passo final foi decretar a morte de Deus e tivemos o surgimento de Nietzsche no esplendor de toda sua loucura para fazê-lo. Era o João Batista anunciador do novo Cristo, Jung ele mesmo.

Esse é o trilho que explica Hitler e Jung foi o maior divulgador dessa tradição esteticista. Ele se considerava, e de fato era, o maior seguidor de Goethe e Nietzsche (e Wagner). Caberia a Jung em mea culpa ter dito isso no ensaio: que ele preparou gerações de pessoas, sejam os seus leitores, sejam os seus analisandos/pacientes, para aceitar voluntariamente o mal como se bem fosse, e servi-lo. Ele fundou um culto satânico tão esdrúxulo que elevou o Zaratustra de Nietzsche à condição de profeta e ele mesmo, Jung, á condição de um novo salvador, em substituição à Cristo. Nada dos crimes ocorridos na Alemanha é alheio a Jung e sua obra.

A loucura delirante de Jung foi tamanha que se recusou a traduzir o poema de Nietzsche O Canto Noturno no seminário que deu sobre o Zaratustra, na década de Trinta. Segundo ele, ali falaria o próprio deus/Zaratustra e o alemão passou a ser uma língua sagrada, algo como são o hebraico para os judeus e o latim para os católicos. O culto fundado por Jung negava os valores cristãos e tentava implantar a falsa ética pagã pregada por Nietzsche, todos os falsos valores da Nova Era defendida pelo psicólogo suíço.

Toda a elite alemã (pan-germânica) sabia o Fausto, de Goethe, de cor. O livro virou a bíblia para a alta cultura dos falantes de alemão. Ali estaria a verdade. Jung acreditava nisso. Pregou isso. Viveu isso em toda a intensidade. E, na vida pessoal, adotou a nova ética, praticando a poligamia consciente em franca oposição aos valores cristãos. Pior ainda, fez do andrógino um símbolo de totalidade e algo a ser buscado, legitimando a eclosão do homossexualismo como hoje o conhecemos. De certa forma, para Jung, a androginia tornava o sujeito mais filho de Deus.

No texto, Jung ridiculariza a figura de Hilter, sem dizer de si uma única palavra de reprovação. Nenhuma autocrítica. E, depois de 1945, continuou a cultivar e a divulgar a sua psicologia analítica, como se nada tivesse acontecido. Como se tudo não pudesse se repetir novamente. Colocar o demônio no lugar de Deus tem consequências.

Jung escreveu que Hitler era um pseudólogo, como se ele próprio não fosse um. O Livro Vermelho revelou que Jung fez também seu próprio pacto fáustico, ainda mais delirante que o de Hitler. Ele empenhou-se em fundar uma religião, da qual, seria o sumo sacerdote. O nazismo foi apenas a expressão política desse movimento mais amplo de cunho cultural e religioso.

Jung escreveu: “Ao dizer que os alemães estão psiquicamente doentes estou sendo mais benevolente do que se dissesse que são criminosos”. Uma frase perfeita que poderia bem ser aplicada a si mesmo. Mais à frente: “(o alemão) Esqueceu seu cristianismo, vendeu o espírito à técnica, trocou a moral pelo cinismo e consagrou sua maior aspiração às forças de aniquilação”. Teria sido uma bela confissão se Jung estivesse falando de si mesmo e não no coletivo alemão.

Não, o problema alemão não é a emergência de forças coletivas incontroláveis, é um problema de pessoas individualmente comprometidas com o mal. O pacto fáustico pressupõe sempre um “sim” consciente ao mal por cada um. Jung fez isso. Nietzsche fez isso. Goethe também. Levou séculos para que esse mal fosse transformado e potenciado em fornos crematórios e em matanças generalizadas, inclusive de alemães. Não se dá as costas à conversão, ao Bem, sem se pagar alto preço.

*Nivaldo Cordeiro é editor do site Nivaldo Cordeiro: Um espectador engajado

SEXUALIZAÇÃO NAS ESCOLAS: Recado aos pais que têm filhos na escola: fiquem de olho! Olhem as cartilhas que o governo da Organização PT distribui nas escolas

Escrito por Camila Hochmüller Abadie* e publicado no site Mídia Sem Máscara
A exposição precoce das crianças a tais conteúdos nada mais é do que o outro lado da moeda que defende a descriminalização e legalização da pedofilia.
Na última edição do programa Encontrando Alegria, que teve como a sexualização nas escolas, nossa entrevistada, a psicóloga e psicanalista Rejane Soares, relatou o episódio vivido por suas duas filhas em uma das mais renomadas escolas católicas de Belo Horizonte - MG. As meninas foram submetidas a uma aula de educação sexual perturbadora, para dizer o mínimo.

Abaixo, complementando a entrevista, publico algumas das fotos que Rejane mo enviou antes de gravarmos a entrevista, para que eu visse sobre o que ela se referia. ADVIRTO: AFASTEM AS CRIANÇAS DE PERTO DO COMPUTADOR. As imagens são "fofinhas" porque o estilo é infantil, mas o conteúdo não é.
Canto inferior esquerdo: os pais como tolos, assustados, inseguros.
A professora na imagem principal como a pessoa certa 
para responder as questões e ensinar sobre sexo.
A identidade sexual como algo a ser construído.
"Não é beeeem assim essa coisa de ser menino e ser menina."
Pais idiotas e indiferentes.
Subversão total da autoridade: os pais na cadeira dos réus,
as crianças julgando e a professora dando a sentença.
Sério: quem, tendo vivido uma infância sem abusos e superexposições,
é capaz de colocar-se tais questões aos 10 anos de idade?!

Sutil, não?
Jogando querosene na imaginação das crianças.
Mais explícito que isso só num filme pornô.
Riscando o fósforo.
Descrição detalhada.


Restam dúvidas sobre as intenções do governo com tais cartilhas?

Repito aqui o que disse no programa (e vou um pouco além): a exposição precoce das crianças a tais conteúdos nada mais é do que o outro lado da moeda que defende a descriminalização e legalização da pedofilia. Ou seja, pretende-se forçar um despertamento sexual cada vez mais cedo para que, quando a pauta pedófila prevalecer, as crianças já não tenham mais a menor chance de proteção e defesa: nem da lei, nem da cultura, nem dos pais, nem mesmo dos seus próprios sentimentos de estranhamento e rejeição, pois já terão sido expostas a um conteúdo com o qual não possuem condições psíquicas de lidar e diante do qual não conseguem resistir.

Meu recado aos pais que têm filhos na escola: fiquem de olho! E demonstrem aos professores e coordenação que estão de olho! Conversem com os outros pais, troquem informações, convivam, tomem iniciativas juntos. Peçam as listas de livros que serão adotados no ano seguinte, pesquisem antes, intervenham, façam outras propostas quando as que a escola oferecer não forem boas. Enfim, não deixem a coisa correr à revelia! Cheguem junto! E se a coisa piorar e não houver chance de mudança da situação, exijam que as crianças sejam dispensadas da aula. E se nada disso resolver, o homeschooling está aí para isso.

*Camila Hochmüller Abadie é mãe, esposa e mestre em filosofia. Edita o blog Encontrando Alegria, e apresenta o programa 'Encontrando Alegria' na Rádio Vox.

sábado, 23 de novembro de 2013

Peço ajuda aos economistas: de onde a Infraero vai tirar R$ 465 milhões por ano para pagar pelos seus 49% no Galeão?

Por Coronel do Blog CoroneLeaks (Coturno Noturno)

Não sou economista, sou apenas um blogueiro latino-americano sem dinheiro no bolso... Ontem saiu o leilão do Galeão, mais uma privatização a la Dilma, que ela chama de concessão. É concessão, agora entendi o verdadeiro sentido do termo, porque doa dinheiro público às empresas privadas, senão, vejamos:


1. O consórcio vencedor apresentou um ágio de 294%, muito comemorado pela presidente Dilma, que atacou os pessimistas como este que vos escreve, rendendo espantosos R$ 19 bilhões e mais uns caquinhos para os cofres públicos. À primeira vista, um sucesso estrondoso. Este valor será pago em 20 anos, estimando-se, assim, uma entrada de R$ 950 milhões por ano para o Tesouro Nacional.

2. No entanto, na concessão da Dilma, a Infraero, aquela incompetência, aquela falência múltipla de empresa, ficou com 49% do Galeão. Aí você diz: viu, seu tucano da privataria, viu a diferença? Sim! A diferença é que a Infraero vai ter que pagar, por ano, R$ 465 milhões da conta da dívida do leilão. Melhor seria, amigos e amigas, se não tivesse havido ágio e já mostro porque a seguir.

3. A cada ano, a Odebrecht e seus sócios, para pagar o ágio, colocarão R$ 485 milhões (51%) e a Infraero pagará R$ 465 milhões (49%). A diferença é de quanto? R$ 20 milhões! O lucro do Tesouro Nacional, portanto, em termos de ágio, é de R$ 20 milhões. Por ano, este valor fica em torno de míseros R$ 1 milhão.

4. Bem, aí os defensores das concessões da Dilma vão dizer que a Infraero vai faturar muito com o negócio, gerando receita própria para pagar a conta. Não, meus amigos e amigas, esta empresa caquética não tem competência para isso. Querem saber quanto ela tem previsto de receita própria no orçamento de 2013? Apenas R$ 150 milhões! Isto incluindo o Galeão!

Poderia apresentar mais alguns números para que os economistas façam as suas avaliações. Por exemplo: o orçamento total de investimento da Infraero é de R$ 1,5 bilhão para 2013. Para o Galeão, estão destinados R$ 192 milhões. Conta simples: a estatal terá que aumentar em 2,5 vezes o investimento (pagamento do ágio) para ter 49% de um aeroporto onde tinha 100% da propriedade.

Esta é a síntese do modelo de concessão petista. Você triplica os gastos para ter menos da metade das receitas. E mais: se privatizasse 100% do Galeão, o Brasil teria recebido R$ 19 bilhões. Acabou trocando seis por meia dúzia e triplicando as despesas por 20 anos. Mas, novamente, lembro: não sou economista, sou apenas um blogueiro latino-americano, sem dinheiro no bolso...

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Como morreu Jango? Faça a sua escolha...

Escrito por Félix Maier* e publicado no site Mídia Sem Máscara

O importante para os embusteiros do Foro de São Paulo é satanizar mais uma vez as Forças Armadas, taxando-as de assassinas, e enaltecer um falso herói, que levou o Brasil à anarquia junto com o cunhado carbonário Leonel Brizola.

A exumação do corpo do ex-presidente João Goulart começou como uma comédia: ainda não se sabe se os restos mortais de Jango, que receberam honras de chefe de Estado em Brasília, são dele próprio. Sobre a exumação das ossadas em si - segundo corre na internet -, o grande achado até agora foi um par de guampas dentro do caixão do defunto...

Brincadeiras à parte, o que se pode esperar do resultado da exumação do corpo de Jango, se os médicos peritos são todos esquerdistas a serviço do Foro de São Paulo? Afinal quem são os tais peritos, vindos de Cuba, da Argentina, do Uruguai, além dos brasileiros? Ora, todos eles são legítimos representantes da assassina Cuba comunista dos manos terroristas Fidel e Raúl Castro e seu serviço secreto, do Brasil da VAR-Palmares da terrorista Dilma Rousseff, da Argentina dos montoneros de Cristina Kirchner, do Uruguai dos tupamaros do terrorista José Alberto Mujica Cordano (“Pepe Muica”).

Com esse time exumando o corpo de Jango, a mando de governantes terroristas e simpatizantes do terrorismo de quatro países, o embuste está garantido. Um dos “peritos” de Cuba que ajudou nos trabalhos de exumação das ossadas de Jango já havia também "exumado" o corpo de Che Guevara. Como se sabe, os ossos encontrados na Bolívia não pertencem a Che Guevara, mas quem se importa com isso? Qualquer mentira serve para eternizar o mito cucaracha, como é o caso da falsa ossada levada ao mausoléu de Santa Clara, em Cuba, para a veneração de San Ernesto Guevara de la Serna y Lynch, feita por idiotas do mundo inteiro.

“Segundo a história oficial, divulgada pelo governo cubano, os restos do guerrilheiro foram desenterrados de uma cova na Bolívia em 1997, e levados para um mausoléu na cidade de Santa Clara, em Cuba. O corpo de Che foi encontrado em uma cova com outros seis guerrilheiros e portava a sua jaqueta verde, o que ajudou na identificação” (NARLOCH, 2011: 309). (1)

No entanto, segundo depoimento de militares que acompanharam o enterro de Che em 1967, ele foi enterrado sozinho, ou, no máximo, com mais dois defuntos. 

“Gustavo Villoldo, um oficial americano de alta patente que estava em Vallegrande e participou da operação, conta: ‘Eu enterrei Che Guevara. Ele não foi cremado; não o permiti, assim como me opus terminantemente à mutilação de seu corpo. Na madrugada do dia seguinte, transportei um cadáver numa caminhonete, junto com os de mais dois guerrilheiros. Eu estava acompanhado de um motorista boliviano e de um tenente chamado Barrientos, se não me engano. Fomos até o campo de pouso e ali enterramos os corpos” (idem, pg. 309-310).

O episódio dos ossos de Che foi conduzido muito rápido, sem testes de DNA, sem muita explicação, como ocorre com todo embuste esquerdista travestido de resgate histórico. Na época, escrevi um texto sarcástico sobre o assunto, Las viudas de Che.

No final, a respeito da exumação do corpo de Jango, não importa aos “peritos” qual seja a causa mortis, desde que não seja por enfarto do miocárdio ou cirrose hepática. O importante para os embusteiros do Foro de São Paulo é satanizar mais uma vez as Forças Armadas, taxando-as de assassinas, e enaltecer um falso herói, que levou o Brasil à anarquia junto com o cunhado carbonário Leonel Brizola.

Sabe-se, com toda certeza, que Jango tinha sérios problemas cardíacos em seu exílio no Uruguai, agravados por causa de uma alimentação inadequada, com muito churrasco, destilados em excesso e por levar uma vida devassa, como afirmou Márcio Moreira Alves: “Achava-o oportunista, instável, politicamente desonesto... Aparecia bêbado em público, deixava-se manobrar por cupinchas corruptos... e tinha uma grande tendência gaúcha para putas e farras” (ALVES, 1974: 51-52). (2)

Como numa prova do ENEM, a exumação de Jango é uma simples questão de múltipla escolha, direcionada ideologicamente.

Questão única sobre a morte de Jango: 

Jango morreu

( ) por envenenamento,
( ) com tiro na nuca,
( ) com tiro no coração,
( ) degolado à moda maragata.

Faça a sua escolha, para checar mais tarde com o resultado do sorteio que será feito pelos embusteiros de jaleco branco, contratados a peso de ouro pela famigerada Comissão Nacional da Vergonha (CNV), erroneamente denominada de Comissão Nacional da Verdade.


Notas:

(1) NARLOCH, Leandro; TEIXEIRA, Duda. Guia politicamente incorreto da América Latina. Leya, São Paulo, 2011.

(2) ALVES, Márcio Moreira. O Despertar da Revolução Brasileira. Seara Nova, Lisboa, 1974.

GENOÍNO: A descrição de um esquerdista - Um texto de 1996 o descreve como ele ainda é na prisão em 2013: Ilusão e cinismo - Pierrot e Arlequim

Um Genoíno homem de esquerda
Escrito por Olavo de Carvalho* e publicado no site Mídia Sem Máscara
genoinosponholz
Ele continua a ser um personagem típico do circo esquerdista, onde não há lugar senão para dois personagens, os equivalentes ideológicos de Pierrot e Arlequim: a ilusão e o cinismo.

3 de maio de 1996, mais de 17 anos atrás.
Publicado no livro ‘O Imbecil Coletivo – Atualidades Inculturais Brasileiras’.


O DEPUTADO JOSÉ GENOÍNO tem hoje a fama de ser homem respeitado igualmente pela esquerda e pela direita. Contribuem muito para isso a inteligência, a polidez, a simpatia e o ar despretensioso com que S. Excia. encanta a todos os que o ouvem falar. Muito o ajudam, também, a elegância e a retidão com que ele tem cumprido os deveres da ética parlamentar, seja diante de seus companheiros de partido, seja dos adversários. Tudo isso faz dele um homem digno da distinção que hoje o cerca. Mas o motivo principal de seu prestígio é que ele encarna, segundo a opinião geral, a personificação mesma de uma “nova esquerda”, esclarecida e democrática, despida de toda pretensão totalitária e avessa ao emprego da violência como meio de acesso ao poder.

O próprio Genoíno dá verossimilhança a essa interpretação, na medida em que, sem renegar de todo sua atuação de guerrilheiro, ele a vincula a um determinado momento do passado, como coisa adequada àquele tempo e inadequada ao nosso. O Genoíno de hoje, ao contrário do de ontem, crê mais no voto, no diálogo e no império da lei do que na retórica brutal das metralhadoras. 

Ele subscreve, em nome da esquerda, a máxima predileta da direita: Os tempos mudaram. E como direita e esquerda têm por dogma comum de seus respectivos evangelhos a crença piedosa no mito do progresso, o deputado torna-se assim um sacerdote da deusa ante a qual se prosternam os fiéis de ambas as igrejas: a Modernidade.

Porém, mais importante que isso é o lado moral da transformação. A edição revista e melhorada do deputado Genoíno faz dele, no consenso da opinião consagrada pelos jornais e por todas as pessoas de bem, um esquerdista diferente: alguém, em suma, que, mesmo nos momentos decisivos das radicalizações e dos confrontos mais duros, será sempre mais obediente à moral do que à ideologia, mais fiel ao compromisso democrático do que a uma estratégia para a tomada do poder, mais atento à palavra dada em público do que a lealdades secretas de conspirador e revolucionário.

Se essas qualidades já não delineassem, por si, o perfil de alguém fundamentalmente inapto para a carreira política, deixando sem explicação o sucesso parlamentar de homem tão destituído daquele mínimo de maquiavelismo e hipocrisia, que o senso comum considera indispensável a semelhante ofício, elas ainda assim imporiam, ao observador atento e conhecedor da história da esquerda, algumas constatações bastante inquietantes.

Em primeiro lugar, a rejeição que o deputado faz da violência armada não é de ordem moral: é estratégica. Num determinado quadro político-social, o uso das armas é sensato; num outro, torna-se insensato. Não se trata portanto de rejeitar o terrorismo, as bombas e o morticínio, a contestação violenta da ordem estabelecida, mas apenas de usá-los segundo um diagnóstico das condições objetivas e subjetivas que, em determinada fase do processo histórico, os aconselham ou desaconselham segundo as conveniências da estratégia revolucionária. Somente pessoas totalmente ignorantes da história das esquerdas — ou seja, a totalidade da nossa opinião pública, incluindo os jovens universitários — podem imaginar que a atitude presente do deputado Genoíno seja, nisso, algo de novo e diferente. Ela é a repetição literal e fidedigna de uma posição já adotada, em várias circunstâncias, por Marx e Lênin, Stálin e Mao, Guevara e Fidel Castro. São somente os anarquistas e os fascistas que, seguindo Bakunin e Georges Sorel respectivamente, têm o emprego da violência como um princípio incondicional e uma regra de ação permanente. Para os comunistas, a violência é e sempre foi instrumental e dependente das conveniências ou inconveniências estratégicas assinaladas pela análise realista do quadro histórico. E é precisamente isto o que ela é para o deputado Genoíno, o qual, se for sincero, há de reconhecer que expressei com exatidão o seu mais profundo pensamento a respeito desse ponto.

Em segundo lugar, é um fato histórico dos mais notórios que a esquerda mundial, nos momentos em que as conveniências a levaram a adotar predominantemente a via pacífica e democrática, tirou sempre disto um indevido proveito moral, dando ares de virtude ética ao que era apenas um meneio estratégico provisório, prestes a ceder lugar, na primeira oportunidade em que isto se fizesse necessário, ao emprego maciço dos meios sangrentos. Nunca faltaram platéias devotas que, nas fases de pacifismo estratégico, acreditassem — por ignorância ou por puro wishful thinking — estar presenciando o nascimento de uma nova esquerda, humanizada e redimida. Este espetáculo— com sua contrapartida cíclica de desilusões e autocríticas choronas — repetiu-se dezenas de vezes no curso da história do movimento esquerdista.

O deputado Genoíno, portanto, não é nada novo também sob este aspecto: ao tirar proveito do equívoco que toma por pureza moral o que é esperteza estratégica, ele continua rigorosamente dentro do padrão tradicional de conduta das esquerdas. Se ele faz isso conscientemente ou apenas se deixa deleitar num estado de embriaguez moral em que o aplauso dos enganados acaba por enganar o próprio enganador, é coisa que ignoro: não conheço as profundezas de sua psique para saber se nele predomina o maquiavelismo consciente ou a falsa consciência; o que sei é que, em qualquer dos dois casos, ele continua a ser um personagem típico do circo esquerdista, onde não há lugar senão para dois personagens, os equivalentes ideológicos de Pierrot e Arlequim: a ilusão e o cinismo.

Em terceiro lugar, nunca existiu para as esquerdas a hipótese de fazer uma opção categórica entre via armada e via pacífica, pela simples razão de que toda e qualquer estratégia revolucionária exige o emprego, ora sucessivo, ora simultâneo, dos dois instrumentos. Entre as armas da retórica e a retórica das armas, a esquerda sempre optou pelas duas. Nenhuma revolução esquerdista, em qualquer parte do mundo, se fez jamais por uma dessas vias exclusivamente, ou mesmo predominantemente. A única distinção que cabe é a seguinte: como é impossível, fisicamente, um mesmo indivíduo participar ao mesmo tempo das duas, tomando assento no parlamento às segundas, quartas e sextas e fazendo guerrilha nas selvas às terças, quintas e sábados, é inevitável que uma distribuição de funções atribua a alguns membros do movimento esquerdista o papel mais brando e civilizado, a outros o mais violento e selvagem. Assim, Trótski, na clandestinidade, preparava a insurreição armada, enquanto na cidade a intelligentzia e os deputados esquerdistas na Duma (parlamento russo) pregavam, em linguagem perfeitamente compatível com a ordem e as leis, a defesa dos direitos humanos de trabalhadores e camponeses. Somente Lênin, de longe, era a cabeça por trás dos dois braços, que atuavam com total independência mútua e não raro se hostilizavam.

Do mesmo modo, no tempo em que o jovem Genoíno treinava guerrilha no Araguaia, os deputados e senadores da esquerda, no Congresso, auxiliados pela intelectualidade urbana e pela imprensa de oposição, procuravam obstar por meios legais e pacíficos a ação do governo militar.

A esquerda, naquele tempo, não optou pela via armada: acrescentou-a, apenas, ao combate parlamentar e legal, atuando em dois planos, como quem mantém o adversário distraído por um abundante fluxo de argumentos enquanto junta forças para chutá-lo no baixo ventre.

É absolutamente necessário, ao sucesso de qualquer estratégia revolucionária, que as duas mãos da revolução atuem independentemente e sem que se possa identificar por trás delas o menor sinal de um comando unificado. A convergência dos resultados de uma e de outra — o abalo e destruição do adversário — deve parecer, até o último momento, pura obra do acaso. Não é incomum que o comando estratégico chegue a tornar-se invisível, abstendo-se de interferir e deixando que as duas alas atuem de maneira realmente incoordenada, para só forçar a unificação do movimento no instante do desenlace. Foi precisamente o que fez Lênin em seu exílio europeu. O comando de uma revolução é um ser evanescente e ambíguo, que, durante todo o tempo em que as águas correm na direção desejada, se mantém na posição de um discreto observador a quem ninguém, à primeira vista, atribuiria qualquer poder significativo.

Ora, não havendo opção entre legalidade e ilegalidade, ação parlamentar e ação de guerra, combate de palavras e combate militar, mas sim sempre convergência e articulação mesmo por trás da duplicidade aparentemente incoerente das duas correntes de atuação, o deputado Genoíno sabe que, ao assumir sua aparente opção pela via pacífica, está simplesmente desempenhando um dos papéis do enredo revolucionário, seguro de que alguém estará se incumbindo do papel complementar e fazendo a parte suja do serviço, sem comprometer em nada a imagem de bonzinho que as circunstâncias e conveniências da estratégia esquerdista atribuíram no momento à pessoa do deputado.

José Genoíno sabe que, excluída do campo de sua atuação pessoal, a parte violenta da ação revolucionária não foi de maneira alguma excluída da estratégia global do esquerdismo. Apenas, o papel que cabe hoje a José Genoíno é aquele que, nos seus tempos de guerrilheiro, incumbia a Francisco Pinto no Congresso, a Mário Martins no Senado, a Ênio Silveira e não sei mais quantos na luta cultural, ao passo que o papel que então foi de José Genoíno é desempenhado hoje por José Rainha e suas legiões de posseiros armados.

E, se sabe tudo isso, Genoíno sabe também que sua pretensa opção pela via pacífica é pura pantomima para disfarçar o que não passa de redistribuição de funções segundo as idades e os talentos de cada combatente, no quadro de uma estratégia esquerdista que, hoje como ontem, no Brasil como na Rússia, discursa em cima e bate em baixo, com suas duas mãos de sempre. Se não fosse puro fingimento de militante fiel, se fosse genuína e não apenas genoínica, a recusa da violência imporia ao deputado o dever de não apenas condenar em termos veementes as operações de guerra empreendidas por José Rainha, mas, com toda a coerência lógica, a obrigação de exigir que fossem punidas com os rigores da lei, malgrado o discurso ético-social que lhes serve de pretexto. Se, em vez disso, o próprio Genoíno as aprova tacitamente e as justifica em nome de não sei quantas racionalizações moralizantes, gastando em benefício delas o seu próprio prestígio de pacifista inofensivo, é porque está lá precisamente para esse fim, para dar à violência a cobertura retórica e a legitimação política sem a qual ela perderia toda aura de respeitabilidade e seria condenada como banditismo puro e simples. Já tendo passado da idade de dar tiros, que é coisa feia, o deputado foi transferido, na periódica rotatividade dos quadros esquerdistas, para a seção de embelezamento.

Tudo isso é de uma obviedade patente, e o fato de que mesmo pessoas letradas se recusem a enxergá-lo, ou, enxergando-o, teimem em escondê-lo aos olhos dos demais, só se explica pela mesma mistura e alternância de ingenuidade e cinismo, que mencionei acima, e que constitui a típica receita mental da platéia esquerdista, tal como o Arlequim da falsa consciência e o Pierrot da consciência pérfida são os únicos personagens no palco da sua fantasia. Desafio publicamente o deputado Genoíno a provar com fatos e razões — e não mediante artifícios de retórica depreciativa ou apelos sentimentais — que meu diagnóstico é falso ou deficiente em algum ponto. Caso ele o prove, estarei disposto a abjurar minha opinião imediatamente.