sábado, 5 de outubro de 2013

Organização PT busca representantes do capital produtivo para lhe servir de esbirro ou para dizer ao agronegócio agredido pelo MST que o vice é empresário. Não se enganem esbirros! Recusem a oferta da Organização PT!


Lula estabeleceu um objetivo em São Paulo: “encontrar um vice de direita” para Alexandre Padilha. Ele quer ganhar a simpatia daquilo que Marilena Chaui, a iluminada, chama o “reacionarismo” de São Paulo e vencer os supostos preconceitos da classe média paulista, que ela, como se sabe “ODEIA” (é preciso ler essa palavra com os olhos arregalados e os cabelos desgrenhados). O chefão petista sempre foi sinceramente grato a José Alencar por ter aceitado ser seu vice, o que contribuiu para esmaecer a imagem de radicalismo que ele próprio e seu partido carregavam. E, com efeito, Alencar foi um vice leal — à parte suas divergências com as políticas monetária e cambial; críticas que, de resto, encontravam eco nos setores mais à esquerda do PT. Se Paulo Skaf, presidente na Fiesp, hoje no PMDB, aceitasse a incumbência, tudo estaria resolvido. Mas ele não aceita. Nas pesquisas de opinião que andam por aí, apenas para o consumo daqueles que as encomendam, Skaf aparece em segundo lugar, bem atrás de Geraldo Alckmin (PSDB), que concorre à reeleição, mas muito à frente de Padilha (no geral, o triplo).

O nome da hora, para Lula, no qual ele investe suas fichas, é Maurílio Biagi Filho, presidente do grupo Maubisa e membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social. Segundo informa a Folha, Biagi se filiou ao PR, partido que integra a base de apoio da presidente Dilma e que deve marchar com Padilha no ano que vem. A Maubisa atua no agronegócio, gestão imobiliária, gestão de investimentos e novos negócios, segundo informa a sua página na Internet. Biagi confirma a sondagem, mas diz que ainda não tomou sua decisão.

Huuummm… Cada um faça o que quiser da sua vida política e da sua biografia. Sempre acho engraçado quando políticos ou empresários do, como chamarei?, campo conservador (ou mais à direita do PT) se juntam ao petismo. Costumam ser movidos pela vã ilusão de que, uma vez lá dentro, caso a empreitada dê certo, consigam “fazer alguma coisa”, como se o petismo fosse capaz de dividir o poder ou de dividir o protagonismo.

Peguem o caso de Ciro Gomes, coitado! Ligou-se a Lula quando era uma figura de dimensão nacional e está terminando seus dias num troço chamado “PROS”. Continua a ser a língua mais rápida do Nordeste, mas a gente poderia perguntar: “Pra quê?”. E a resposta seria: “Pra nada!”. Chegou a passar o ridículo de mudar seu domicílio eleitoral para São Paulo na vã esperança de que o os petistas pudessem apoiá-lo na disputa pela Prefeitura. O próprio Eduardo Campos teria sido engolido se não tivesse despertado a tempo. Mesmo assim, não custa notar, se não procurar algum espaço mais próximo à oposição, não lhe resta nada.

“Deu certo com José Alencar”, poderia dizer alguém. É? Eu tinha até simpatia por Alencar, mas cabe perguntar: o que ele conseguiu efetivamente fazer no governo? Além de sua amizade com Lula, restou o quê?

Se esses exemplos não bastassem, vamos para o caso em espécie: um empresário. Jorge Gerdau foi nomeado por Dilma o comandante da Câmara de Gestão e Planejamento do Governo Federal, um órgão de assessoramento direto da Presidência da República. No Fórum da Exame, ele deu uma nota para a governança no Brasil: entre 3 e 4. Não me parece que ele próprio esteja satisfeito com o espaço que tem para trabalhar.

Em Minas, a estratégia é a mesma. Josué Gomes, filho de Alencar, filiou-se ao PMDB. A expectativa é que seja vice do petista Fernando Pimentel. Lula tem dito que seria uma chapa imbatível. O sonho dourado do petismo, como se sabe, é conquistar São Paulo e bater Aécio Neves em seu território. Vamos ver.

O PT, como se sabe, não é exatamente hostil ao empresariado. Muito pelo contrário. Não custa lembrar na generosíssima Bolsa BNDES que vigora por aqui — ou da Bolsa Desoneração Fiscal etc. A única exigência é que o empresariado se subordine às teses do partido e lhe seja servil. Aí alguém poderia dizer: “Ah, melhor assim, né? Melhor o petismo cercado de empresários do que hostil a eles…”. Claro! A questão é saber se o modelo está dando certo. Um país que investe, no máximo, 18% do PIB e tem uma das cargas tributárias mais altas do planeta, com serviços pífios, fala por si.

Não conheço Biagi nem sei se ele está entre aqueles beneficiados por algum favor. Espero que não. Mas isso, para o caso de que trato aqui, é irrelevante. O fato é que o petismo busca esses representantes do capital produtivo para lhe servir de esbirro só como um tributo que o vício presta à virtude. Digamos que tudo dê certo pra eles; digamos que Biagi seja vice de Padilha e que o petista seja eleito. Espero que o empresário não tenha a ambição de que possa, algum dia, ser o titular em alguma disputa relevante. Não com essa turma ao menos. Afinal, não custa lembrar que nem mesmo Dilma é vista como uma petista autêntica por parte considerável dos “companheiros”. Falta-lhe a “pureza” de origem. Para muitos, ela não passa de uma brizolista infiltrada.

Para encerrar: Maurílio Biagi é mesmo “de direita”? Não se tem notícia. Mas assim é o mundo na fantasia petista. Biagi serve basicamente a um propósito: quando alguém lembrar que o PT é a principal fonte alimentadora das loucuras do MST, os companheiros então dirão: “Vejam aqui: o nosso vice é um grande empresário do agronegócio”.

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