domingo, 6 de outubro de 2013

Marina Silva e Eduardo Campos: Uma divisão governista que não ameaça a hegemonia esquerdista no Brasil. Aliás, não há nenhum partido conservador no Brasil, haja vista que PSDB também é de esquerda

Marina Silva e Eduardo Campos juntos: uma novidade no momento sem efeitos práticos. Foto do site de Veja.

Já fui cobrado por inúmeros estimados leitores que faça uma análise da aliança de Marina Silva e Eduardo Campos. Se a política fosse uma ciência creio que seria mais fácil, tanto é que não existe essa coisa de “cientista político”. E quando afirmo isso lembro de uma frase de Weber, que num de seus textos diz que “fazer política é fazer um pacto com o diabo’. O filósofo de Heidelberg que foi chamado de “Maquiavel alemão”, certa feita tentou candidatar-se a um cargo legislativo, porém sua iniciativa feneceu em razão de uma rasteira que levou de uma velha raposa da política alemã, se não me engano de Hannover. Max Weber um filósofo avant la lettre, embora mais conhecido como sociólogo, foi também um meticuloso teórico político. Entretanto, ao nível empírico, o dia a dia do exercício da política é um jogo que requer não só habilidade e conhecimento, mas sobretudo uma boa dose de sorte, carisma e dinheiro.
Portanto, análises políticas são sempre temerárias, já que o analista labora sobre areia movediça. Entretanto, a entrada de Marina para o PSB cria um fato novo neste momento, porquanto quebra a modorrenta dicotomia entre PSDB e PT dando uma sacudida no eleitorado. Promove, de certa forma, um chamamento ao debate político, uma coisa que é muito difícil ocorrer no Brasil, mormente quando as massas estão anestesiadas pela presença excessiva do Estado. O estatismo não é apenas obra do PT, está entranhado na cultura brasileira. A diferença é que sob o PT esse vício da dependência estatal foi turbinado na última década em decorrência do viés comunista do petismo.
Aparentemente, a adesão de Marina Silva ao PSB fortalece politicamente Eduardo Campos. Todavia, as pesquisas tem mostrado que por enquanto Campos patina num quarto lugar, quando as enquetes contemplavam a Rede disputando. Marina Silva manteve ou até mesmo ampliou um pouco o seu cacife que amealhou no último pleito presidencial. O dono da bola neste momento é, portanto, Marina Silva.
Como falta um ano para o pleito presidencial, muita água passará por baixo da ponte e o imprevisível é que costuma se sobrepor ao que é tido como previsível. Daí decorre a dificuldade de precisão naquilo que concerne às ditas análises políticas.
Por enquanto, não houve qualquer tipo de confronto com o PT por parte dos pré-candidatos oposicionistas. Esta é a questão mais relevante. Enquanto Campos era até ontem da base aliada do PT, Marina Silva é cria do próprio PT e esteve de braços dados com Lula por muito tempo.
Ideologicamente, Marina Silva é de esquerda, ou seja, a esquerda verde. Os verdes surgiram na Europa e, depois que a ex-URSS se fragmentou, o Partido Verde foi imediatamente o guarda chuva que acolheu expressiva parte dos comunistas. Tal fato se deu porque todos os partidos ecológicos tem um viés de fanatismo, sentem-se portadores de uma revelação. Nisso igualam-se aos comunistas que, uma vez órfãos dos “partidão” de viés bolchevique, trataram de encontrar uma forma de exercitar o seu fanatismo.
A bandeira de Marina é a sustentabilidade um conceito idiota que não se sustenta por falacioso que é. O universo é um vir a ser despojado de qualquer desígnio. Imprimir um viés teleológico para o cosmo é burrice. E estupidez maior ainda é patinar no antropocentrismo reputando ao ser humano a possibilidade de interferir em coisas como aquecimento do Terra.
Por trás dessa posição ideológica do fanatismo verde está uma das mais poderosas armas de destruição da liberdade individual. Aliás, boa parte das liberdades individuais já foi para o vinagre, justamente pela pregação sistemática de conceitos ditos “sustentáveis”, ou ecologicamente corretos. E não tem dúvida que o movimento verde foi e é um dos principais precursores do pensamento politicamente correto que opera a metamorfose dos conceitos. Isso se pode notar no fato de que já não se fala mais na liberdade individual que é a sede da liberdade sem quaisquer adjetivos. Eliminando-se a liberdade individual tem-se como resultado a tirania.
Por isso Marina Silva migrou para um partido socialista, o PSB que tem na sua história o famigerado esquerdista Miguel Arraes, avô de Eduardo Campos.
Face a esses fatos, torna-se difícil que se estabeleça um confronto com o PT e, de forma especial, com o lulismo. Se não houver confronto que desenhe uma alternativa, o PT continuará a imperar, ainda mais que detém há mais de uma década um poder imperial como nunca antes neste país, resultante do diabólico pacto engendrado pelo lulismo que deu vida à “base aliada”.
Nem mesmo o PSDB exercitou esse confronto e por isso mesmo vem sendo derrotado de forma permanente. O último episódio resultante dessa posição do PSDB foi a vitória de Fernando Haddad em São Paulo.
Até agora, nem mesmo Aécio Neves ousou esse confronto, muito menos Eduardo Campos. E, por incrível que pareça, foi Marina Silva quem teria dito que sua ação de migrar para o PSB era um ato contra o “chavismo do PT”. Se realmente afirmou isso, estaríamos ouvindo em mais de uma década da boca de um político brasileiro uma verdade insofismável, ou seja, que sob o PT o Brasil caminha para o chavismo puro e simples, ou seja, um regime do tipo cubano como está ocorrendo na Venezuela. Lá o filhote de Chávez deverá conseguir no parlamento totalmente controlado pelo partido chavista, uma “lei habilitante”, que lhe conferirá a prerrogativa de governar por decretos que não estarão sujeitos ao crivo do legislativo.
O que está posto, portanto, é praticamente mais do mesmo. O Brasil deve seguir para uma nova eleição presidencial sem que haja um só partido conservador. Todos são alinhados à esquerda. Assim, sem qualquer tipo de confronto o PT deverá dar mais um passeio eleitoral sufragando Dilma Rousseff.
Qual a razão para que os eleitores entrem no debate político e ideológico, que reflitam sobre o futuro do Brasil, se esse debate não for estimulado pelas lideranças que estão - supostamente - na oposição?
Na atualidade esses são os fatos. Entretanto, como declinei nestas linhas, análises políticas são difíceis de fazer, quanto mais num país onde há uma miríade de partidos políticos e que a lei eleitoral, inclusive, permite troca-trocas partidários a cada eleição sem falar em mudanças de regras.
Resumindo: o Brasil é uma piada. De mau, gosto, é claro. Não há qualquer fato objetivo para que se alimente agora um mínimo de otimismo. A única consolação é que algum fato, de fato, possa trazer uma surpresa. A política é assim.

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