terça-feira, 1 de outubro de 2013

Cristãos da Síria serão exterminados com ajuda do Obama. Em seguida, islamitas pretendem exterminar cristãos da África, América,...O Patriarca Kiril não sabe de que lado Obama está

Escrito por Raymond Ibrahim** e publicado no site Mídia Sem Máscara
N. do T.: Ao leitor que não está avisado, é recomendada a leitura do livro Os EUA e a Nova Ordem Mundial, que é o debate entre Olavo de Carvalho e Alexandre Dugin, para que fique claro que esse alerta é um produto político que atende a interesses maiores, embora a denúncia em si do Patriarca seja válida. Sobre o Patriarca Kirill, v. http://flagelorusso.blogspot.com.br/search/label/patriarca%20de%20Moscou.

Enquanto muitos ficaram atentos à recente carta enviada por Vladimir Putin ao povo americano, outra carta de um líder russo direcionada diretamente ao presidente dos Estados Unidos passou despercebida.

No dia 10 de setembro, o Patriarca Kirill da Igreja Ortodoxa Russa redigiu uma carta [1] endereçada à “Sua Excelência Sr. Barack Obama, Presidente dos Estados Unidos”. Se alguém quiser interpretar esse comunicado como um produto da política ou da sinceridade, ele destaca com precisão a situação dos cristãos da Síria, especialmente em um contexto mais amplo de uma luta civilizacional maior.

Replicarei partes da carta abaixo intercalando com observações minhas que farão papel contextualizador:
Vossa Excelência, Caro Sr. Presidente
Os trágicos eventos na Síria trouxeram à tona ansiedade e causaram dor na Igreja Ortodoxa Russa. Recebemos informações sobre a situação lá não do noticiário, mas de testemunhos vivos que vieram de figuras religiosas, crentes ordinários e demais compatriotas meus vivendo naquele país.

Esse é um ponto importante: as “fontes de notícia” consideradas pela igreja russa são “testemunhos vivos que vieram de figuras religiosas, crentes ordinários e demais compatriotas meus vivendo naquele país”. O fato é que fora da tendenciosa “grande mídia” americana, as evidências acerca de o que está acontecendo – nomeadamente militantes islâmicos cometendo atrocidades, incluindo possivelmente os ataques químicos em questão – são sobrepujantes. Numerosas testemunhas oculares, vídeos, fotos – todas essas coisas que raramente chegam à grande mídia americana – deixam isso bastante claro.

Pergunte a um sírio médio acerca do turbilhão que envolve seu país – e eu já fiz isso, assim como também fizeram numerosos representantes ortodoxos russos em comunhão com a antiga comunidade cristã síria, como observou Kirill – e poucos têm qualquer ilusão da natureza desse conflito: um Assad autoritário, embora secular, versus radicais islâmicos e jihadistas.

Naturalmente a maior parte dos sírios escolheu Assad.

Apenas na América e em uma pequena parte da Europa Ocidental o mito dos “guerreiros da liberdade” tentando “libertar” a Síria ainda vende.

Patriarca Kirill:
A Síria hoje se tornou a arena de um conflito armado. Empenhado nesse conflito estão mercenários estrangeiros e militantes ligados a centros terroristas internacionais. A guerra se tornou o calvário diário de milhões de civis.

Para se certificar disso, um dos mais óbvios indicadores de que não há “guerra civil” em nome da “liberdade” é fato de que a maioria – mais de 95% [2] – dos que estão lutando contra Assad sequer são sírios, mas sim jihadistas ligados à Al-Qaeda – indo da Chechênia às Filipinas – que tentam formar um emirado islâmico na Síria assim como fizeram nos anos 1980 e 90 no Afeganistão. Naquela época, jihadistas estrangeiros como o saudita Osama bin Laden e o egípcio Ayman Zawahiri – de novo, também apoiados pelos EUA – viajaram ao Afeganistão, “liberaram-no” da URSS e como retorno nos deram o 11 de setembro 10 anos depois [3].

Tomo como exemplo um vídeo de militantes estrangeiros em uma cidade síria conquistada cantando louvores à Osama bin Laden: “Eles me chamaram de terrorista e eu disse ‘essa será minha honra’, esse chamado divino... Derrotamos a América ... o Trade [Center] se tornou um punhado de escombros ... Saudações do Talebã e do seu líder mullah Omar ... A vitória é nossa e Alá com toda sua força está conosco, as massas infiéis se uniram para nos derrotar, mas elas não nos derrotarão”.

Patriarca Kirill:
Estamos profundamente alarmados por saber dos planos do Exército dos Estados Unidos para atacar o território sírio. Indubitavelmente isso trará sofrimentos ainda maiores ao povo sírio, acima de tudo à população civil. Uma intervenção militar externa pode resultar em forças radicais ascendendo ao poder na Síria que não são capazes – tampouco dispõem da vontade – de estabelecer um acordo interconfessional na sociedade síria.

Uma intervenção militar americana iria indubitavelmente proporcionar ainda mais abusos, primeira e especialmente da parte dos jihadistas da Al-Qaeda – que de fato estão abertamente prometendo assassinar cristãos após a intervenção americana e derrubar Assad [4]; Obama acaba de vetar uma lei proibitiva que bania organizações terroristas [5] para que ele possa armar e, em última instância, ajudá-las a conseguir o que querem.

Patriarca Kirill:
Nossa preocupação especial é com o destino da população cristã da Síria, que nesse caso ficará sob a ameaça de total extermínio ou expulsão. Isso já aconteceu nas regiões do país dominadas pelos militantes. Uma tentativa feita pelos grupos armados da oposição síria para tomar a cidade de Ma’loula cujos residentes são predominantemente cristãos se tornou uma nova confirmação das nossas preocupações. Os militantes bombardearam a cidade onde os monastérios cristãos estão localizados – esses locais são de especial veneração pelos fiéis ao redor do mundo.

Tudo isso é absolutamente verdadeiro, especialmente a “ameaça de extermínio ou expulsão”, que é o caso onde quer que e sempre que os islâmicos apoiados pelos EUA chegam ao poder:

- Afeganistão: sob proteção americana, o governo Karzai supostamente ‘moderado’ ainda defende a lei da apostasia perseguindo aqueles que procuram se converter ao cristianismo – o que faz deles tão intolerantes quanto os Talebã. Além disso, sob o auspício de Washington, eles destruíram a última igreja cristã da nação. [6]

- Iraque: Após os EUA terem “libertado” a nação das mãos de Saddam Hussein, o “tirano-que-usa-armas-químicas” – isso te lembra algo? – os cristãos ainda temem a extinção [7] e mais da metade deles está saindo das suas terras natais.

- Líbia: Desde que os terroristas protegidos pelos EUA chegaram ao poder – dando aos americanos o ataque ao consulado em Benghazi no aniversário do 11 de setembro – a pequena comunidade cristã tem sido perseguida[8], as igrejas bombardeadas[9] e as freiras ameaçadas[10] – algo sem precedentes quando “tirano” Gaddafi estava no poder.

- Egito: Após chegar ao poder, a Irmandade Muçulmana, que é aliada da administração Obama, impõe códigos de blasfêmia draconianos contra os cristãos [11] e atualmente destruíram inúmeras igrejas e em algumas regiões já forçam os cristãos a pagar a jizya [12].

- Síria: As atrocidades contra cristãos levadas a cabo pelos jihadistas aliados dos EUA não têm limites – como é o caso de um recente estupro coletivo e assassinato de uma garota cristã de 15 anos pelos “guerreiros da liberdade” [13] que recebem suporte dos EUA. E agora em Ma’loula os cristãos estão sendo forçados a escolher entre se converter ao islã ou morrer – ou mesmo sofrer outras atrocidades [14].

Patriarca Kirill:
Os hierarcas cristãos de Aleppo, Metropolitanos Paul e John Ibrahim, são mantidos reféns pelos militantes desde o dia 22 de abril. Nada se sabe sobre seus respectivos paradeiros, apesar de personalidades religiosas terem apelado aos líderes de seus estados para que se ajude a libertá-los.

Com efeito, eis outro exemplo da natureza das pessoas que o governo americano está apoiando. Paul e John Ibrahim estavam viajando na Síria fazendo “trabalhos humanitários” [15] quando o motorista foi morto e eles foram sequestrados. Será que John McCain poderia telefonar para seus aliados sequestradores da Al-Qaeda [16] e pedir que se solte os dois? De qualquer forma, não há fim para o tanto de cristãos, como o Pe. Murad [17], que foram sequestrados e/ou assassinados pelos jihadistas na Síria.

Patriarca Kirill:
Estou profundamente convencido que os países que pertencem à civilização cristã carregam uma responsabilidade especial pelo destino dos cristãos do Oriente Médio.

Aqui o bom patriarca fala uma linguagem que outrora fazia referência aos americanos e europeus – isto é, o povo “dos países que fazem parte da civilização cristã” –, contudo isso é algo cada vez mais inadequado àqueles cujas “preocupações humanitárias” se estendem a qualquer um, menos àqueles cristãos fora de moda e a alguns protestantes americanos que não estão cientes da existência de cristãos fora dos EUA.

Como todas as igrejas orientais, a Igreja Ortodoxa Russa tem centenas de anos de experiência com a opressão islâmica e a violência – começando com “Tatar yoke” e seguindo até os dias de hoje – e portanto, não apenas simpatiza com o apelo dos cristãos do Oriente Próximo, muitos dos quais são ortodoxos, mas, como afirmou recentemente Putin em uma recente conferência russa que lidou com o apelo dos cristãos oprimidos pelo islã [18], “a Rússia tem uma tremenda experiência em alcançar e manter a paz e os acordos interconfessionais e está pronta para compartilhar essa experiência”.

Patriarca Kirill:
A Igreja Ortodoxa Russa sabe o preço do sofrimento humano e das perdas sofridas pelo nosso povo no século XX após termos sobrevivido a duas guerras mundiais devastadoras que ceifaram milhões de vidas e arruinaram muitas outras. Também tomamos as dores e sofremos pelas perdas que o povo americano sofreu nos ataques terroristas de 2001. (N.T.: Coincidência ou não, o Patriarca não fala do comunismo, eis um dos motivos da necessidade de ler o debate entre Olavo e Dugin.)

Infelizmente, algumas pessoas relembram as lições da história para o próprio bem; outras esquecem, para o próprio lamento.

Notas:

*Publicado na FrontPage Magazine.

**Raymond Ibrahim é o autor do livro Crucified Again: Exposing Islam´s New War on Christians.

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