quinta-feira, 31 de outubro de 2013

O dia 31 de outubro, dia das bruxas ou halloween, é dia de festa católica. Veja algumas curiosidades

Publicado por Jorge Ferraz (admin), em 31/10/2013, no site Deus lo Vult!
- Hoje é Haloween. Ao contrário do que é comum pensar, não é uma festa pagã. Trata-se da All Halows’ Eve, a Vigília de Todos os Santos, festa catolicíssima portanto. Só se comemora hoje o Haloween porque amanhã nós celebraremos a Solenidade de Todos os Santos, não convém esquecer. “Gostosuras ou travessuras”, com os olhos fitos na Festividade de amanhã, não fazem assim mal a ninguém.

- Parece que é também “Dia do Evangélico” em alguns lugares do Brasil; p.ex., aqui no Cabo de Santo Agostinho, é o «Dia Municipal da Reforma Protestante e Ação de Graças». Isso porque as bruxas já estavam soltas nos idos de 1500, e os demônios pagãos que voavam pelos ares alemães daquela época inspiraram Lutero a pregar as suas 95 teses na porta da igreja de Wittenberg exatamente no Dia das Bruxas. São uma dessas ironias históricas que dão o que pensar.

- Hoje, no almoço, alguém comentava que amanhã devia ser feriado. E de fato era; como os feriados civis dos países católicos (como o Brasil) seguiam o calendário litúrgico da Igreja e como o Dia de Todos os Santos é dia santo de guarda (cf. CIC, Cân. 1246, §1), era igualmente feriado civil. Não sei quando foi que o deixou de ser no Brasil; em Portugal, este é o primeiro ano em que o 1º de novembro não é feriado.

- Há três anos, em 2010, o Haloween caía num domingo. Segundo turno de eleições presidenciais. Outra ironia eloqüente… No dia das Bruxas daquele fatídico ano, para a nossa desgraça, a sra. Rousseff era eleita presidente da República. Desde então, afundamos cada vez mais.

- Hoje, o Papa Francisco celebrou (ao que me conste pela primeira vez) uma Missaversus Deum junto ao túmulo do Beato João Paulo II. O Rorate Caeli discordou das razões expostas pelo Fratres e disse (com o que concordo, aliás) que um altar improvisado se poderia facilmente arranjar caso o Papa assim solicitasse. De minha parte, acho que o Sumo Pontífice não estava acostumado a celebrar dessa maneira. Espero que ele tenha gostado.

Lula, o Rei de Banânia, resolve patrulhar Sheherazade

Vejam um vídeo com um comentário da jornalista Raquel Sheherazade, do SBT. Volto em seguida.
Na terça-feira, o ex-presidente Lula almoçou com a bancada do PTB. Com aquele seu estilo muito característico, disse que vai reeleger Dilma em 2014. O homem toma o lugar do eleitorado sem nenhuma cerimônia. E avisou que está se preparando para 2018 se for preciso. Em novo almoço nesta quarta, no Senado, embora em certo tom de pilhéria, repetiu que se apresentará, sim, daqui a cinco anos caso encham o seu saco. Que se entenda: para “encher o saco” do Apedeuta, basta existir alguém que lhe faça oposição. Mas voltemos àquele encontro com o PTB. A parte mais significativa foi outra.

Segundo informou Lauro Jardim no “Radar”, Lula fez outras considerações. Transcrevo em vermelho:
Na conversa, dedicou-se também a um dos seus esportes favoritos, descer a borduna na imprensa, a qual chamou de despreparada e parcial em relação aos políticos. Contou que recentemente assistia TV e, ao zapear, parou no SBT. Sem dar nomes, diz que viu uma jornalista de “vinte e poucos anos” criticar pesadamente o governo e os políticos. Em sua avaliação, as críticas não tinham embasamento algum.

Retomo
Todo mundo entendeu. Lula só poderia estar se referindo a Raquel Sheherazade, âncora do SBT Brasil. Este senhor sabe que suas opiniões, diatribes e acusações acabam vazando. Não satisfeitos em manter com dinheiro púbico uma rede de difamação na Internet, parece que os petistas agora decidiram que é chegada a hora de apontar o dedo contra os profissionais. Sei bem do que estou falando, hehe…

Sheherazade não se ajoelha no altar do politicamente correto nem recita a cartilha do “partido” em seus comentários. É dona de suas opiniões. Não é uma legião que fala em seu lugar. E isso, definitivamente, a muitos parece insuportável. O homem mais poderoso do Brasil — sim, é Lula — resolve se insurgir contra a âncora de um programa jornalístico. Trata-se de um absoluto despropósito. Mais um vídeo:
“Opiniões polêmicas”
Aqui e ali, sites e blogs que reproduziram a nota de Lauro Jardim aproveitaram para classificar as opiniões de Sheherazade de “polêmicas”. Soubessem a origem da palavra, poderiam estar dizendo a verdade. Ocorre que se empresta à dita-cuja o sentido de “coisa exótica”, que está fora dos parâmetros, dos cânones ou do decoro.

E, nesse caso, não há nada de polêmico no que diz a jornalista. Ela só não segue a manada. Celerados invadem um laboratório de pesquisas para resgatar animais? Em vez de fazer média, ela diz na TV que isso é inaceitável. Baderneiros saem quebrando tudo por ai, ela afirma que assim não pode ser. O assunto é Bolsa Família? Ela pensa que um país cresce mesmo é com trabalho.

Afinal de contas, o que há de tão “polêmico” nisso? Parece que o seu pecado é se negar a endossar falsos consensos.

Absurdo!
As TVs, no Brasil, não é segredo pra ninguém, são, no geral, governistas — pouco importando o regime ou o governo. Há razões para ser assim, mas não entro nelas agora. As opiniões de Sheherazade, com a clareza com que as emite (e ninguém precisa gostas delas), são um das poucas exceções dentro da regra. E notem: não é que ela seja antigovernista. O que andei vendo na Internet revela apenas alguém que não pede licença a milicianos do politicamente correto.

Mas Lula já resolveu se comportar como uma espécie de dedo-duro. Espero que Sheherazade não se intimide e continue a dizer o que pensa. E torço para que o SBT não se deixe patrulhar por Lula. Encerro com mais um vídeo.

Aécio desmancha discurso mentiroso de Lula e transforma Bolsa Família em programa de Estado

Por Coronel do Blog CoroneLeaks (Coturno Noturno)
Possível adversário da presidente Dilma Rousseff nas eleições de 2014, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) apresentou nesta quarta-feira (30) projeto de lei que transforma o Bolsa Família em um programa de Estado. Pela proposta, o benefício --que é a principal bandeira eleitoral da presidente-- seria incorporado à LOAS (Lei Orgânica de Assistência Social) para se tornar permanente, atrelado às políticas públicas de assistência social e erradicação da pobreza no país.

O projeto de Aécio é uma reação às declarações do ex-presidente Lula de que, se a oposição assumir o comando do país, poderá extinguir o Bolsa Família. Aécio disse que as famílias cadastradas no programa não podem conviver com o "terrorismo" de sua extinção, com ameaças feitas por aliados da presidente que desejam se "perpetuar no poder".

"Toda véspera de eleição, há sempre a tentativa de colocar o Bolsa Família como patrimônio de um partido ou de um governo. Não é. O Bolsa Família, a partir da aprovação desse projeto --que eu espero que ocorra com o apoio do PT, porque se não ocorrer esse apoio é porque querem eternizar a utilização política do programa-- queremos transformá-lo em uma política de Estado. Não há mais espaço para manipulação eleitoral de um programa importante", afirmou.

Aécio apresentou o projeto no dia em que o governo realizou solenidade para comemorar os dez anos do Bolsa Família, com a presença de Dilma e Lula. O tucano disse que sua maior homenagem aos beneficiários do Bolsa Família é "tirar-lhes o tormento, a angústia de serem atemorizados pela irresponsabilidade e leviandade de alguns que acham que seus adversários irão interromper o programa". (Folha Poder)

Paulistanos, tirem cópia da lista e guardem naquela gaveta em que ficam o título de eleitor e o carnê do IPTU

Em 2016, eleitor paulistano, você será chamado a eleger vereadores, certo? O prefeito Fernando Haddad conseguiu aprovar na Câmara a elevação escorchante do IPTU. Abaixo, vai a lista dos que votaram a favor da derrama e contra. Não precisa ser esse, é certo, seu único critério na hora de decidir o voto. Mas pode ser um deles.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Rússia - O fim dos Romanov: da infâmia ao terror

Escrito por Bruno Garschagen* e publicado no site Mídia Sem Máscara
A revolução Russa de 1917 não foi a luta do bem contra o mal que certa historiografia ideológica vendeu durante décadas de forma bem-sucedida. O embate entre o czarismo e os revolucionários (mencheviques e bolcheviques) foi uma batalha do mal contra o mal que fez dos russos suas maiores vítimas. A infame execução do czar Nicolau II junto com a sua família foi a consagração de uma utopia política que, fundida aos ideais revolucionários, prometia erigir uma sociedade ideal e um futuro perfeito, mas que conspurcou a Rússia com o sangue e os corpos de seus filhos.

Uma das várias virtudes de Os Últimos Dias dos Romanov (Record, 335 páginas, tradução de Luís Henrique Valdetaro) é narrar os dias de cárcere da família até a execução sem se deixar conduzir pela natural crueldade dos eventos e por formas obtusas de sentimentalismo. A historiadora inglesa Helen Rappaport, também autora de um valioso livro sobre Lenin (Conspirator: Lenin in Exile), reconstrói a tensão e o sofrimento da família com a dose precisa de frieza. Aqui, o rigor da historiadora e o estilo da escritora tendem a evitar que a humana compaixão que sentimos ao acompanhar o sofrimento dos Romanov não se converta num afeto capaz de eximir o czar do regime que impunha aos russos.

Por séculos submetida a um sistema político e social rígidos, que reservava os benefícios e as riquezas a um grupo privilegiado da corte czarista, a sociedade da Rússia se movimentava dentro das regras estritas de servidão voluntária e compulsória. A derrubada do czar pelos revolucionários viera com a promessa de libertar o povo do regime de Nicolau II, qualificado por Lenin como um “carrasco sanguinário” , “o inimigo mais diabólico do povo russo”. O terror imputado ao czar seria mais tarde ampliado e institucionalizado por Lenin e potencializado por Stalin, ambos com a singularidade de não escolher vítimas: qualquer um poderia ser acusado de inimigo do povo e executado. Na boca de Lenin, a palavra liberdade expelia o cheiro da morte.

A história da prisão e execução da família Romanov é conhecida e foi tema de vários livros, filmes e documentários. O que diferencia o trabalho de Rappaport é o recorte: a descrição dos últimos 14 dias de vida passados no cárcere, numa recriação fabulosa do ambiente claustrofóbico e enervante, a relação tênue e tensa com os carcereiros, o papel de Lenin no comando dos assassinatos.

Os dias de prisão na casa Ipatiev, localizada em Ecaterimburgo, estraçalharam os nervos do czar e da czarina Alexandra. O titubeante e fraco Nicolau II transformou sua impassibilidade num refúgio interior para preservar alguma força e assim cuidar dos quatro filhos, especialmente do caçula hemofílico, Alexei. A Czarina, por sua vez, manteve até o fim uma arrogância natural que a tornara impopular no império.

A execução de Nicolau II, de Alexandra, dos filhos Alexei, Olga, Tatiana, Maria e Anastasia, do médico dr. Botkin e dos ajudantes Trupp, Kharitonov e Demidova foram uma explosão de ressentimento daqueles que, aparentemente, agiam em nome de uma ideia. Quem disparou os tiros e espetou os corpos com baionetas foram homens que viam representada no czar a razão do seu fracasso e o reflexo daquilo que se transformaram. A ideologia cumpria a sua função de combustível a motivar a luta e justificar a violência. Os nomes dos mortos no início do parágrafo não são um detalhe desimportante. São o atestado público de que aqueles que morrem são os indivíduos, mesmo quando o que se quer aniquilar é que aquilo que representam.

Helen Rappaport escreveu um livro notável porque humanizou o relato de uma história desumana sem mergulhar nos infortúnios de uma perspectiva dualista. Seria um equívoco posicionar-se a favor de um dos lados porque czarismo e bolchevismo violentaram sem misericórdia a sociedade que diziam representar.

O jornalista russo-judeu Herman Bernstein, um anticzarista e entusiasta inicial da revolução que trabalhava como correspondente do Washington Post, definiu com exatidão a mudança política ao ver os resultados do governo de Lenin: a Rússia czarista, onde qualquer aspiração por liberdade era cortada pela raiz, foi convertida pelos revolucionários num imenso laboratório onde os indivíduos eram as cobaias de um infame experimento social. O extermínio dos Romanov foi o esboço do que estava por vir.

*Publicado no site Ordem Livre.

*Bruno Garschagen é cientista político pelo Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica de Lisboa e University of Oxford, e podcaster do Instituto Ludwig von Mises.

Na sociedade em que black bloc vira juiz, juiz se dá o direito de se comportar como black block

Na sociedade em que black bloc vira juiz, juiz se dá o direito de se comportar como black bloc. Vejam esta imagem.
Escrevi um post post sobre um vídeo em que artistas da Globo e outras subcelebridades convocam a população do Rio para um protesto. Uma das, como direi?, depoentes, chamada Bianca Comparato (nunca tinha ouvido falar, mas parece que não só existe como tem ideias muito firmes), defende abertamente os black blocs e as depredações. Diz ela:
“[órgãos de imprensa] só reportam o que é que foi quebrado, o que foi destruído. E eu também acho que tem de parar para pensar o que é que está sendo destruído. São casas de pessoas, como (sic) a polícia joga uma bomba de gás dentro de um apartamento? Não! São lugares simbólicos”.

A fala desses bacanas do miolo mole, no entanto, tem muito menos importância do que a de um homem em particular. Justamente o primeiro que fala no vídeo. Reproduzo de novo:
Muito bem. A personagem em questão é o juiz João Damasceno, da 1ª Vara de Órfãos e Sucessões, no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Este:
Tento de novo: temos um juiz, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, que participa de um vídeo que convoca manifestações e que acolhe as ações dos black blocs, que, afinal de contas, só depredam o que tem de ser mesmo depredado, segundo se entende….

O juiz Damasceno pertence a tal entidade “Associação Juízes Para a Democracia”, como se fosse possível haver uma outra, em que juízes fossem contra a democracia. Esse grupo, declaradamentre de esquerda (e sabemos como países socialitas foram verdadeiros reinos de justiça) tem noções muito particulares de direito. Já entrei em alguns embates com eles aqui. Um de seus membros resolveu que, se me ofendesse bastante, elucidaria os absurdos escritos num documento da entidade

Qual foi o busílis de então? Essa associação, composta, reitero, de juízes, teve a ousadia de dizer QUE HÁ, SIM, HOMENS ACIMA DA LEI. Fez isso num documento tornado público em 2011. Escrevi a respeito. Reproduzo trecho do despropósito assinado pelos meritíssimos. Leiam (em vermelho). Volto em seguida.
Não é verdade que ninguém está acima da lei, como afirmam os legalistas e pseudodemocratas: estão, sim, acima da lei, todas as pessoas que vivem no cimo preponderante das normas e princípios constitucionais e que, por isso, rompendo com o estereótipo da alienação, e alimentados de esperança, insistem em colocar o seu ousio e a sua juventude a serviço da alteridade, da democracia e do império dos direitos fundamentais.
Decididamente, é preciso mesmo solidarizar-se com as ovelhas rebeldes, pois, como ensina o educador Paulo Freire, em sua pedagogia do oprimido, a educação não pode atuar como instrumento de opressão, o ensino e a aprendizagem são dialógicos por natureza e não há caminhos para a transformação: a transformação é o caminho.

Retomo
Atenção! O texto não é só cafona e pernóstico. É também perigoso. Aqueles vetustos senhores e aquelas vetustas senhoras, todos togados, estavam apoiando, em 2011, a invasão da reitoria da USP. Pois bem…Em 2013, o prédio está invadido de novo, como vocês sabem. A universidade recorreu á Justiça com um pedido de reintegração de posse. Foi negado. O juiz Adriano Marcos Laroca produziu a seguinte pérola, vandalizando também a língua:
“A ocupação de bem público (no caso de uso especial, poderia ser de uso comum, por exemplo, uma praça ou rua), como forma de luta democrática, para deixar de ter legitimidade, precisa causar mais ônus do que benefícios à universidade e, em última instancia, à sociedade. Outrossim, frise-se que nenhuma luta social que não cause qualquer transtorno, alteração da normalidade, não tem força de pressão e, portanto, sequer poderia se caracterizar como tal.”

O juiz Laroca também pertence à Associação Juízes para a Democracia. Ele, aliás, assina um artigo na revista do grupo cuja capa é esta:
Para essa turma, existe, como se vê, uma certa contradição entre verdade e justiça. “Ah, Reinaldo, eles estão dizendo que a verdade apenas não basta, que é preciso ter também a Justiça…” Não, senhores! Cumpre-me perguntar: e justiça sem verdade, eles aceitam? Todos os regimes autoritários que se instalaram privilegiaram, ao menos do discurso, a justiça. A verdade podia esperar.

Vejam ali. Há gente com a cara tapada. Há black blocs. Assim, não é de estranhar que o juiz Damasceno seja uma das estrelas de um vídeo que justifica a ação dos mascarados. A pauta da revista é bastante eloquente. Eis os destaques:
Juízes que dizem que “poderes do estado vandalizam” são capazes de qualquer coisa, não? Afinal de contas, o que é que faz dos juízes… juízes??? Não seriam justamente os poderes do Estado. Se estes senhores tomam uma decisão e se aqueles que têm de cumpri-las decidirem dar de ombros, mandando-os às favas, eles fazem o quê? Mandam prender! Em nome do quê? Que se saiba, dos “poderes do Estado”. E quem vai executar a ordem é a Polícia.

Polícia?
Então voltemos ao juiz Damasceno, aquele do vídeo, e à imagem lá do alto. Este senhor havia pendurado em seu gabinete a gravura, de Carlos Latuff.

Como se vê, um homem negro está crucificado, alvejado por um policial militar. Que Latuff ache isso, vá lá, isso é com ele. Que um juiz pendure essa imagem em sua sala, eis uma manifestação do mais escancarado e inaceitável proselitismo. Trata-se de uma provocação cretina à Polícia Militar, composta, diga-se, em boa parte, de negros. O órgão especial do TJ mandou retirar a imagem, que foi parar na sala do desembargador Siro Darlan

Digam-me: esses juízes estão interessados na paz? Pouco me importa a convicção de cada um deles. Envergam a toga para cumprir a lei. Não estão lá para expor suas noções particulares de justiça. Também não têm o direito de usar o aparelho de estado a serviço de suas ideologias. Se a lei não for o seu instrumento, então será o arbítrio.

Tudo aquilo por que um indivíduo comum precisa torcer é para não dar de cara com um membro do Associação Juízes para a Democracia. Por que não? Vai que o pobre coitado tenha seu direito agravado por uma daquelas pessoas que esses doutores considerem acima da lei… Se for assim, amigo, você já perdeu, mesmo que esteja certo. Afinal de contas, esses iluminados acham que a Justiça é uma instância que pode estar em contradição com a verdade. Se está, a Justiça, que nem sempre é bem servida pela verdade, pode se socorrer, então, da mentira. É só uma questão de lógica.

De um juiz, espera-se que cumpra a lei, não uma cartilha ideológica. De resto, o doutor Damasceno sempre pode abandonar a toga e disputar uma vaga na Câmara dos Vereadores, na Assembleia ou no Parlamento Federal. E dirá o que lhe der na telha. “Juízes, então, não são livres para se manifestar, Reinaldo?” Claro que são, mas sem se esquecer de sua condição, Afinal, nós somos obrigados a fazer o que eles mandam, mas a recíproca não é exatamente verdadeira. Sim, eles também são regulados por códigos. E, até onde sei, participar de eventos que estimulem a depredação, a violência e o desrespeito às leis não lhes é facultado. Ou é? Do mesmo modo, não podem usar salas do tribunal como palanque.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Dilma aperta a mão de alguém do povo e depois limpa a mão na própria roupa. Nojinho de pobre

Nojinho de pobre, Dilma?
Por Coronel do Blog CoroneLeaks (Coturno Noturno)

Dilma com nojo de pobre. Depois dessa, se você votou nela, pode limpar a mão.

Tags: nojinho de pobre, limpa a mão na própria roupaaperto de mão, eleições 2014, Dilma Roussef

O CONSELHEIRO DO CRIME

Vim de ver o filme de Ridley Scott, O Conselheiro do Crime, baseado em roteiro original de Comarc MacCarthy, autor que foi apresentado ao cinema pelos Irmãos Cohen no magnífico Quando os Fracos Não Têm Vez. Juntos, um grande diretor e um grande escritor não poderiam produzir algo ruim. Eu gostei muito do filme.

O tema predileto de MacCarthy foi abordado: o mal. Quem leu os livros dele sabe que o homem não economiza. Sua visão é estóica: nada faz sentido nessa vida, a violência é intrínseca aos homens e não há redenção, quase poderíamos pensar os homens como mônadas na roda do destino. Ao homem sábio cabe acatar as fatalidades como algo inevitável e intrínseco. E o eterno retorno do mesmo, regado pela violência. Nesse roteiro MacCarthy sublinha o amor entre o homem e a mulher, mas não como forma de redenção, antes como instrumento para elevar o sofrimento dos que amam. O amor seria pura ilusão.

Ridley Scott narrou o roteiro de forma lenta, quase metade do filme sem nenhuma cena de ação. Quase uma historinha de amor. Talvez por isso a crítica ligeira tenha falado mal do filme. Uma injustiça. A narrativa soft de Scott pareceu-me um contraponto adequado para as cenas de extrema violência que são o epílogo do filme.

O elo da história é o Counselor (vivido magnificamente por Michael Fassbender), um advogado que se envolve com o crime e que ama perdidamente a mulher Laura (Penélope Cruz), por quem daria a vida. Não pôde fazê-lo porque ela foi assassinada exatamente para lhe provocar o máximo sofrimento, sendo sugerido no roteiro que a morte só veio depois de sevícias e bárbaras torturas, filmadas e lhe enviadas em cd.

Outro personagem importante é vivido por Javier Bardem, Reiner, que ama de paixão Malkina (Penélope Cruz). Esses personagens terão destinos diferentes do outro casal.

A loira e a morena no auge da beleza madura são um detalhe muito importante na história. Ambas amam e são amadas, mas Laura é católica e Malkina é ateia. A religião é abordada de relance, como se o roteirista quisesse mostrar que ela não tem relevância para o drama de violência e morte que é a constante da existência do homem, desde a noite original. Dinheiro, poder e sexo, nada mais é o móvel dos homens e mulheres.

Da mesma forma, o Estado é ausente, só aparece na cena da prisioneira. Nem precisava aparecer: o crime tem sido a metáfora perfeita para se fazer a crônica do Estado. É o Estado ele mesmo. Quem falha, paga.

Também Bradd Pitty aparece no malandrão Westray, que acaba sendo morto em Londres de forma assaz original, macabra. Bradd Pitty tem criado tipos e nesse personagem também o faz. Gostei da sua atuação.

Os instantes de violência queimam os personagens por dentro como uma vela queima por fora. O produto da combustão é uma placa que entope o coração, seja dos mais fracos, que sucumbem, seja dos mais fortes, que choram. O Counselor chora a morte da amada e a sua impotência para salvá-la provoca emoção. A vela exauriu-se.

Eu me divirto com a literatura de Comarc MacCarty, grande escritor que é, mas sei que ele está profundamente errado. O estoicismo é um grave erro. Eu sei que a vida tem um sentido e que a revelação cristã é que dá o sentido. Mas, de qualquer forma, MacCarthy tem o poder de nos levar a meditar sobre o mal. Está errado, mas é bom dialogar intimamente com alguém que pensou tão profundamente sobre o assunto.

COMO LER A BÍBLIA. Ou: O ateísmo militante consiste em despeito e incapacidade de leitura séria

Quando você, lê um romance ou peça de teatro, não tem como julgar a verossimilhança das situações e dos caracteres se antes não deixar que a trama o impressione e seja revivida interiormente como um sonho. Ficção é isto: um sonho acordado dirigido. Como os personagens não existem fisicamente (mesmo que porventura tenham existido historicamente no passado), você só pode encontrá-los na sua própria alma, como símbolos de possibilidades  humanas que estão em você como estão em todo mundo, mas que eles encarnam de maneira mais límpida e exemplar, separada das contingências que podem tornar obscura a experiência de todos os dias. A leitura de ficção é um exercício de autoconhecimento antes de poder ser análise literária, atividade escolar ou mesmo diversão: não é divertido acompanhar uma história opaca, cujos lances não evocam as emoções correspondentes.

A mesma exigência vigora para os livros de história, com o atenuante de que em geral o historiador já processou intelectualmente os dados e nos fornece um princípio de compreensão em vez da trama bruta dos acontecimentos. Se você não apreende os atos dos personagens históricos como símbolos investidos de verossimilhança, não tem a menor condição de avaliar em seguida se são historicamente verdadeiros ou não. Um livro de história tem de ser lido primeiro como ficção, só depois como realidade.

O problema é que nem sempre as possibilidades que dormem no fundo da nossa alma nos são conhecidas - e então não podemos reconhecê-las quando aparecem na ficção ou na história. O resultado é que a narrativa se torna opaca. Pior ainda, você pode se deixar enganar por falsas semelhanças, reduzindo os símbolos da narrativa a sinais convencionais das possibilidades já conhecidas, senão a esteriótipos banais da atualidade. O reconhecimento interior não é só um exercício de memória, mas um esforço sério para ampliar a imaginação de modo que possa abarcar mesmo as possibilidades mais extremas e inusitadas. Você não pode fazer isso se não se dispõe a descobrir na sua alma monstros, heróis e santos que jamais suspeitaria encontrar lá.

Compreensivelmente, os monstros são mais fáceis de descobrir do que os heróis e santos. O medo, o nojo, a raiva e o desprezo são emoções corriqueiras, e bastam para tornar verossímil o que quer que nos pareça pior do que nós mesmos. Já aquilo que é nobre e elevado só transparece a quem o ama, e esse amor traz imediatamente consigo um sentimento de dever, de obrigação, como no célebre soneto de Rilke em que a perfeição de uma estátua de Apolo transcende a mera contemplação estética e convoca o observador a mudar de vida, a tornar-se melhor. A impressão humilhante de não estar à altura desse apelo produz quase automaticamente uma reação negativo - o despeito. Negando a existência do melhor, reduzindo-o ao banal ou fazendo dele uma camuflagem enganosa do feio e do desprezível, a alma encontra um alívio momentâneo para o seu orgulho ferido, restaurando uma autoimagem tranquilizante à custa de encurtar miseravelmente a medida máxima das possibilidades humanas.

Se esse problema existe em qualquer livro de ficção ou de história, imaginem a Bíblia, onde o personagem central é o próprio Deus. Abrir-se ao chamado da perfeição divina é trabalho para uma vida inteira e mais uns dias, e vem entremeado de inumeráveis derrotas e humilhações - mas sem isso você não compreenderá uma só palavra da Bíblia. Cem por cento do ateísmo militante consistem em despeito e incapacidade de leitura séria.

OBS: Esse artigo foi escrito por Olavo de Carvalho e publicado no Jornal do Brasil de 17 de janeiro de 2008. Também foi publicado no livro: "O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota", a venda na internet e nas melhores livrarias.

Tags: ateísmo militante, como ler a Bíblia, cristianismo, personagem central da Bíblia, esquerdismo, soneto de Rilke, leitura de ficção, livros de história

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Por que certas pessoas decidem colocar as mãos rente aos pés e empreender a marcha insana de retorno às cavernas?

Do blog do Aluízio Amorim
O texto que segue é parte da reportagem especial da revista Veja deste final de semana a respeito da guinada em direção às cavernas que leva alguns por diletantismo, modismo, idiotice congênita ou ainda por oportunismo, como é o caso do movimento ecológico e de supostos ativistas que amam os animais, menos os ratos que deixaram no laboratório invadido. Levaram apenas os cães. Bem, depois houve até a notícia de que estavam vendendo os animais pela internet.
A reportagem de capa da revista Veja surgiu em decorrência da invasão, depredação e roubo de 178 caes do instituto Royal na semana passada, fato tem a simpatia irresponsável de grande parte dos jornalistas. Por justiça, note-se que a revista Veja é a exceção.
A reportagem traz um texto excelente do diretor de redação da revista, jornalista Eurípedes Alcântara. Veja publicou parte da reportagem em seu site e faço a transcrição como segue abaixo ainda que muitos honrados leitores possam ter lido lá no site da revista. Os que não leram têm agora a oportunidade de ler.
Na abertura da matéria Veja destaca uma pergunta: “Por que será que agora, no auge da civilização tecnológica, se valoriza tanto a ideia de abandonar tudo e voltar ao mundo natural? Antes de tentarmos o mergulho no atraso, é bom lembrar que não tem volta!” Leiam que vale a pena:
BOM PRA QUEM, CARA PÁLIDA? Na raiz de todo ativismo violento está a noção utópica e errônea de que Thomas Hobbes pensou errado e, portanto, a vida selvagem é idílica, prazerosa e fraternal. Foto da revista Veja

"Sou homem. Nada do que é humano me é estranho", já dizia o romano Terêncio, dramaturgo de apenas relativo sucesso do segundo século antes de Cristo. Mas temos de concordar com ele. Eta espécie complicada esta nossa. Depois de ralar durante milênios para construir uma civilização tecnológica com aviões, carros, internet, vacinas, antibióticos e anestesia, o bacana agora é lutar pela volta ao mundo natural. Depois de experimentar toda a sordidez da servidão humana aos mais sanguinários tiranos e de sofrer no lombo os mais odiosos arranjos coletivistas totalitários, ainda temos entre nós quem se encante com aiatolás-presidentes, mulás-chefes de po­lícia e caudilhos latino-americanos cobertos de adereços indígenas, medalhas no peito ou pancake no rosto. Depois de rios de sangue derramados para arrancar dos poderosos o compromisso inarredável com os direitos humanos, a justiça igualitária, o rodízio pacífico de poder, a organização econômica baseada no respeito à propriedade, aceitamos que mascarados aterrorizem as grandes cidades quebrando e queimando indiscriminadamente apenas porque estão incomodados com o estilo de vida da maioria. Depois do sacrifício dos mártires que deram a vida para impor o uso apenas legítimo da força pelos governantes, impedindo que o Estado use brucutus para impor a vontade dos ricos sobre os pobres, dos fortes sobre os fracos, ficamos contra os policiais que tentam impedir o triunfo do reino de terror nas ruas. Depois de tudo isso, esquecemos que o que nos trouxe ao atual estágio civilizatório foi o trabalho obstinado e austero de mentes brilhantes em ambientes monásticos e idolatramos os barulhentos ativistas.
A REVOLTA DA VACINA - No Rio Janeiro, em 1904, o medo da vacinação obrigatória contra a varíola gerou protestos violentos, como este na Praça da República. Foto da revista Veja

Esse é o dilema oculto do ativista, a pessoa que se cansou de esperar que as coisas ocorram naturalmente da maneira como ela imagina, e vai à luta para tentar embicar o mundo para o rumo que ela acha certo e com o uso das armas que ela própria acha conveniente usar. Os ativistas que libertam cães em São Paulo, que quebram vitrines em Londres e Paris, que se propõem a ocupar Wall Street, em Nova York, têm em comum a ideia de que a lei e a ordem existem apenas para garantir o modo de vida das pessoas das quais eles discordam - ou, frequentemente, que eles odeiam. Outro ponto comum, em geral inconsciente, para a maioria deles, é a negação do que em sociologia se chama "contrato social", que nada mais é do que a aceitação da tese de que sua liberdade termina onde começa a do outro. Os filósofos da baderna sustentam que isso que denominamos civilização não passa de uma grande e castrante prisão, à qual somos moldados desde o nascimento, primeiro pelo amor materno e paterno, depois pela educação formal, mais tarde pela democracia representativa, pelo consumo, pela arte degenerada e pelos remédios antidepressivos.
Para quem pensa assim, nós todos vivemos uma vida vicária, uma vida substituta, uma vida no lugar da verdadeira vida que está... que está... que está onde? Ora, na natureza, no mundo selvagem, nas selvas, florestas e savanas, na cova dos leões onde seremos recebidos com lambidas fraternas como aquelas que as feras ofereceram ao profeta Daniel. O que muito se discute atualmente é se a ideia de que o homem solto na natureza, fora do alcance das leis, das instituições, completamente alheio às convenções sociais, estaria mesmo condenado à perversão moral e ao sofrimento físico, vítima da "guerra de todos contra todos", como o inglês Thomas Hobbes disse ser a vida humana "em estado natural". É disso que se trata. A vontade de ser seu próprio juiz, único e absoluto, do que é certo ou errado é o traço filosófico que une os ativistas que desprezam as leis, que lutam contra moinhos de vento ditatoriais em pleno regime democrático, contra as injustiças sociais em um Brasil onde há pleno emprego, contra a violência policial quando são eles que mais agridem e vandalizam. Thomas Hobbes escreveu que, fora dos arranjos sociais em que as pessoas obedecem a regras em troca do direito à convivência em sociedade, a vida do homem é "solitária, pobre, sórdida, brutal e curta". Hoje, o bacana é apostar que Hobbes pensou errado e que a verdadeira conquista é escapar dos contratos sociais. O preço a pagar para testar aquela hipótese é muito alto. Como é impagável também o preço de um mundo sem ativismo, sem idealismo, sem sonhos.

O engajamento solidário em causas consideradas justas é uma das grandes conquistas da modernidade. Divisor de águas é o caso do jovem capitão Alfred Dreyfus, judeu falsamente acusado de espionagem e condenado no fim do século XIX em uma França antissemita. A injustiça contra ele foi tão flagrante que se mobilizaram em sua defesa cientistas, artistas, escritores e estudantes . "Meu dever é falar, não quero ser cúmplice. Minhas noites seriam atormentadas pelo espectro do inocente que paga, na mais horrível das torturas, por um crime que ele não cometeu", dizia a famosa carta aberta ao presidente da República escrita por Émile Zola em um jornal sob o título: "Eu Acuso...!". Por serem homens de letras e de ciências, os defensores de Dreyfus eram chamados de modo depreciativo de "intelectuais". Logo o termo ganhou a conotação positiva de "sábio engajado". Claro que havia idealismo, sacrifício e nobreza de espírito antes do caso Dreyfus, mas nunca antes tantas pessoas haviam se mobilizado por uma causa sem que tivessem interesse direto nela - seja partidário, religioso, nacionalista, patriótico ou étnico. Elas se mobilizaram contra uma injustiça flagrante. Contra isso sempre valerá a pena lutar. Do site da revista Veja

A verdadeira cabeça do brasileiro é conservadora

Escrito por Alexandre Borges* e publicado no site Mídia Sem Máscara
Essa população que Marilena odeia tem valores muito mais próximos de liberais e conservadores do que de esquerdistas, desde o tipo obamista-chique até o black bloc psolento.
Pesquisa do Datafolha, publicada na Folha de hoje (27), mostra que 95% dos paulistanos são contra os Black Blocs, ou seja, são contra a baderna, o vandalismo e o quebra-quebra. Noventa e cinco por cento.

Há 15 dias, o jornal publicou uma pesquisa dizendo que metade da população brasileira é “de direita” e apenas 30% são “de esquerda”, a partir de critérios enviesados, fabricados pelos esquerdistas do instituto e do jornal, que tendem a engordar os números da esquerda. É perfeitamente possível aceitar que mais de 70% dos brasileiros estão ideologicamente no centro, centro-direita e direita.

Na matéria, o jornal ainda comete o absurdo de dizer que ideologia “não se traduz em voto” porque o brasileiro, mesmo sendo de direita, não vota em candidatos de direita. O jornal só deixa de mencionar mais explicitamente que o Brasil não tem candidatos de direita, o que invalida a conclusão. O jornalista e analista político da Folha Fernando Rodrigues escreveu um artigo recentemente chamando o Brasil de “atrasado’ e “conservador”, sugerindo que os dois termos seriam equivalentes.

Na mesma pesquisa, para 85% dos brasileiros, acreditar em Deus torna as pessoas melhores. Para 48%, os sindicatos “servem mais para fazer política do que para defender os trabalhadores”. Você pegou a idéia.

Em abril deste ano, o mesmo Datafolha mostrou que 93% dos paulistanos são a favor da redução da maioridade penal, o que deve reunir todos na cidade que não são professores da USP, blogueiros do UOL com sobrenome japonês ou presidiários. Diz a Folha: “Redução da maioridade penal opõe analistas e sociedade“.

O resumo de tudo isso é que o resultado das pesquisas, como admite a própria Folha, “opõe analistas e sociedade”. É óbvio e evidente que os chamados cientistas políticos, analistas, intelectuais, sociólogos, jornalistas, marqueteiros e consultores que assessoram os políticos brasileiros estão vivendo em outro país, não no Brasil.

Em maio, o cérebro ideológico do PT, das áreas de humanas da USP e do jornalismo brasileiro, Marilena Chauí, deu uma pista da motivação que separa o povo do que o Brasil convencionou chamar de intelectual:

- “Eu odeio a classe média.”

- “A classe média é o atraso de vida”

- “A classe média é estupidez. É o que tem de reacionário, conservador, ignorante, petulante, arrogante, terrorista.”

- “A classe média é uma abominação política, porque ela é fascista, uma abominação ética, porque ela é violenta, e ela é uma abominação cognitiva, porque ela é ignorante”.

Para o IBGE, mais da metade da população do país está na classe média (renda per capita entre R$ 300 e R$ 1.000), portanto há uma chance bastante razoável da Marilena Chauí odiar a maioria dos eleitores que, por sua vez, só votam nos candidatos que ela defende por falta de opção. A rejeição é mútua.

Essa população que Marilena odeia tem valores muito mais próximos de liberais e conservadores do que de esquerdistas, desde o tipo obamista-chique até o black bloc psolento.

O brasileiro não quer quebra-quebra, baderna, fogo em ônibus, alta carga tributária, e não compra a tese de que bandido é vítima, de que Cuba é um paraíso, de que a redução do crime virá da liberação da venda de heroína nas escolas ou que a modernidade é todo mundo pelado, o dia inteiro sem trabalhar e recebendo dinheiro do governo.

É óbvio e evidente que o eleitorado brasileiro está pronto para uma candidatura viável de centro-direita e é essa cambada de vagabundos sanguessugas, com seus títulos acadêmicos em marxismo aplicado, que cercam os partidos e políticos brasileiros e dizem o contrário a eles. E é por isso que os políticos brasileiros estão hoje apenas brigando para dizer que são mais esquerdistas do que os outros.

O povo está preocupado com 70.000 homicídios por ano, o que certamente inclui gente que ele conhece, um vizinho ou um parente pelo menos. Os jornalistas e sociólogos estão preocupados com o Amarildo.

O povo está preocupado com o dinheiro no fim do mês que não dá, os jornalistas e sociólogos querem mais impostos e mais dinheiro na mão dos burocratas do governo.

O povo está preocupado com o futuro dos filhos, os jornalistas e sociólogos com o casamento da Daniela Mercury.

O povo está preocupado com o fogo no ônibus que ele pega e na destruição da estação de metrô que ele usa, os jornalistas e sociólogos estão preocupados em acabar com a PM.

O primeiro passo para uma candidatura de centro-direita: demitam todos esses pilantras, filhotes ideológicos da Marilena Chauí, que fazem fortunas dizendo que o povo é de esquerda. Coloquem todos no olho da rua aos pontapés, de preferência jogando o que tiverem nas suas gavetas de trabalho pela janela.

Mandem os sociólogos para a rua e aproveitem para ouvir as ruas diretamente, sem intermediários, sem “o povo disse isso mas quer na verdade aquilo”. O povo hoje só não vota na direita porque não tem alternativa.

A política brasileira é a negação do livre mercado até nisso: os “consumidores” gritando por um produto e todos os vendedores oferecendo outro, completamente diferente, e que só uma minoria engole com prazer.

*Alexandre Borges, diretor Instituto Liberal, publicou o presente artigo no blog da instituição.

O que é o CO2 (dióxido de carbono)? É tão ruim como dizem? É bom? Sem ele morreremos todos?

Por Luís Dufaur* no blog Verde: a cor nova do comunismo
Pinheiros: com maiores doses de CO2 cresceram mais
Por vezes, um simples verbete ou pequeno resumo escolar sobre determinado assunto pode ser mais esclarecedor do que um aprofundado tratado de vários volumes.

A popular enciclopédia digital Wikipedia, no verbete “Dióxido de Carbono” – o famoso CO2 – fornece informações que um aluno recebe na escola, mas que os “aiatolás” da religião verde fingem desconhecer. 

“O dióxido de carbono é essencial à vida no planeta. É um dos compostos essenciais para a realização da fotossíntese – processo pelo qual os organismos vegetais transformam a energia solar em energia química. 

“Esta energia química, por sua vez, é distribuída para todos os seres vivos por meio da teia alimentar e é vital para a manutenção dos seres vivos.

“O carbono é um elemento básico na composição dos organismos, tornando-o indispensável para a vida no planeta. 

“O CO2 é um dos gases do efeito estufa que menos contribui para o aquecimento global, já que representa apenas 0,03% da atmosfera.
CO2: indispensável para a vida no planeta e base da teia alimentar
Mercado em La Boqueria, Barcelona
“Nas últimas décadas, devido à enorme queima de combustíveis fósseis, a quantidade de gás carbônico na atmosfera tem aumentado muito, mas isto não prova que o gás carbônico contribui com relevância para o aquecimento do planeta.

“A concentração de CO2 na atmosfera começou a aumentar no final do século XVIII, quando ocorreu a revolução industrial. Desde então, a concentração de CO2 passou de 280 ppm (partes por milhão) no ano de 1750, para os 393 ppm atuais.

“Este acréscimo implica o aumento da capacidade da atmosfera em reter calor e, mas não consequentemente, da temperatura do planeta, pois houve decréscimos de temperatura também neste período.”
Em suma, se por absurdo o mundo ficasse sem CO2, a vida da Terra seria extinta e o Planeta se assemelharia à Lua ou a Vênus.

Que classe de “humanistas” são esses que combatem o CO2? Se conseguissem acabar com ele – coisa aparentemente impossível – não seriam os culpados pelo maior genocídio da história universal?

*Luís Dufaur é um dos autores do livro Psicose Ambientalista

domingo, 27 de outubro de 2013

As FARC e suas vítimas mulheres

Escrito por Eduardo Mackenzie* e publicado no site Mídia Sem Máscara
A minoria que ainda acredita que as FARC respeitam suas mulheres deveriam ver o que declaram e escrevem as guerrilheiras que escaparam desse inferno.
Há alguns dias, uma guerrilheira e “negociadora” das FARC em Havana anunciou a criação de um portal web para “retratar” a vida delas “como rebeldes”, e para “acabar com o mito (sic) de que as mulheres do grupo são vítimas de seus companheiros homens”. Uma página web de Bogotá deu essa notícia em sete linhas e sem comentários e desde então muito poucos retomaram esse tema. Entretanto, esse assunto convida a uma reflexão, pois o sapo que essa guerrilheira pede a todos para engolir é enorme e muito feio.

As guerrilheiras não são vítimas de seus companheiros? O sofrimento das mulheres enredadas nas FARC, a força ou por convicção, é um mito? O que as ex-guerrilheiras desmobilizadas contam é pura mentira? Se isso fosse assim, já se saberia. E muitas mulheres desgarradas iriam embora, sem pensar duas vezes, para viver no esplêndido mundo das barracas de acampamento e trincheiras das FARC.

Porém, isso não é assim. As FARC têm dificuldades para recrutar em geral e para recrutar mulheres, em particular. As FARC recrutam mediante a mentira e a violência, sobretudo as pessoas mais frágeis, e crianças e jovens que tiveram a desgraça de um dia cruzar o caminho desses matadores. E assim, a verdade da condição feminina dentro das FARC sai à luz, uma a outra vez. Quando uma guerrilheira foge, ou se entrega à Força Pública, conta espontânea e escrupulosamente os incidentes mais tristes dessa experiência. Os ex-seqüestrados também foram testemunhas do que ocorre às mulheres dentro das FARC, quer seja como combatentes e/ou como reféns.

Os chefes das FARC querem montar agora uma página web para que mocinhas ingênuas ou mal informadas caiam em suas trampas. As mulheres que foram vítimas das FARC, como reféns ou como guerrilheiras, deveriam tomar, de novo, a palavra. É um dever moral fazê-lo. O que estão esperando, por exemplo, Clara Rojas e Ingrid Betancourt para lutar contra essa nova impostura?

A minoria que ainda acredita que as FARC respeitam suas mulheres deveriam ver o que declaram e escrevem as guerrilheiras que escaparam desse inferno. Ouçam, por exemplo, o testemunho de Brenda, recrutada aos 13 anos e que escapou em outubro de 2012. Guerrilheira aguerrida, entretanto ela sofreu golpes por estar grávida. Seus três filhos eram considerados um estorvo e estiveram a ponto de ser abatidos pela guerrilha. O quarto filho dela foi assassinado por ordem de seu chefe. Uma jornalista que apanhou o testemunho, contou que Brenda “ao ser descoberta no meio [do parto] foi golpeada e levada à força a um acampamento onde a anestesiaram com uma substância que se utiliza para sedar as bestas”. O que segue é pavoroso: “Sem perder a consciência, ela observou como, depois de lhe abrir as pernas, um guerrilheiro lhe inseria uns tenazes e desmembrava seu bebê. Meses depois, quando [Brenda] soube que estava esperando outro filho, David, tomou a decisão de escapar”.

Poderiam ouvir também Zenaida Rueda Calderón, guerrilheira que fugiu em 2009 com um seqüestrado que havia dois anos estava em poder das FARC. Ela havia sido recrutada quando tinha 18 anos e terminou sendo membro da segurança de Jojoy. Ela viu e viveu o inferno dos seqüestrados e dos guerrilheiros punidos, doentes ou feridos, sobretudo das mulheres guerrilheiras. Ela foi vítima dos tratos cruéis de seus chefes. Ela narrou, entre outras histórias horríveis, a morte lenta e atroz de uma de suas companheiras que padecia de sífilis e que nunca foi tratada, pois o “comandante” de sua unidade dizia que ela era “manhosa” e que “se fazia de doente para não trabalhar”. Essa guerrilheira morreu pior que um cachorro:

“Inflamada e cheia de hematomas em quase todo o corpo, como se lhe tivessem golpeado. Ao namorado já o haviam matado. Acusaram-no de infiltrado. A ela a haviam deixado viva para lhe fazer inteligência e averiguar se era infiltrada e de quem. Diziam que os haviam mandado com essa enfermidade para que contagiassem outros guerrilheiros”.

A disciplina e a vida cotidiana das FARC resume-se a isto: temor, traição e morte. O sofrimento e o medo são constantes.

Essa é a vivência real dos guerrilheiros, onde as mulheres levam a pior parte. É o que os chefes narcoterroristas em Havana, que dialogam com Santos, querem apagar com uma página web carregada de mentiras.

Às FARC não interessa se opor unicamente aos testemunhos cada vez mais numerosos de suas vítimas. Querem ir mais longe: com sua técnica de repetir e disfarçar as mesmas mentiras e de mudar o sentido das palavras, querem que os colombianos percam o sentido moral que lhes resta. Que não possam distinguir entre o bem e o mal, entre a piedade e a crueldade, entre a liberdade e a escravidão. É uma velha receita bolchevique: quem consegue jogar com a realidade e com as palavras, para que o mal apareça como bem, pode controlar o mundo. Pois o mundo, para eles, está dentro do crânio das pessoas e não fora. O comunismo rechaça e difama todos os princípios da democracia, porém simula atuar em nome da democracia. George Orwell estudou esse assunto e descobriu algo que chamou o “pensamento duplo”. Ele consiste “no poder de introduzir simultaneamente na mente humana duas crenças contraditórias para que ambas sejam aceitáveis”. Com esse método, o comunista e o fascista conseguem apagar no outro uma verdade para que a repudie como uma mentira, e vice-versa.

Quando uma guerrilheira assegura que sua vida é satisfatória, que seus chefes e companheiros são humanitários, que a sexualidade nas Frentes não é um calvário, que ter filhos nas FARC é uma bênção, que servir de escrava sexual de um chefe fariano é agradável, que abortar brutalmente é indolor, que cravar um bisturi no filho recém-nascido de uma companheira é gratificante, que fuzilar seus companheiros pelo roubo de uma rapadura é banal, que degolar um refém porque não pode caminhar mais rápido é fácil, que matar é lutar pela paz, ela está tratando, como dizia Jean-Paul Sartre, de“deslizar o mundo para o meio do nada”, para abolir o espírito crítico e o senso moral do povo. Como a Colômbia se defenderá dessa nova ofensiva? Com a passividade e o silêncio?

*Consultar estes textos:
“Así es la dramática vida de las mujeres en las FARC”, por Jineth Bedoya Lima, 11 de junho de 2011.
“La miserable vida de las mujeres en las FARC 
“Videos muestran maltrato de las FARC sobre mujeres”, 19 de novembro de 2010.
“Las mujeres de las FARC, abusadas e violadas. La igualdad de género no pasa del discurso. Un estudio advierte sobre las vejaciones como forma de castigo, el reclutamiento de niñas e el aborto forzado para controlar la natalidad. Vea las galerías de fotos y videos: 
“Desmovilizada de las FARC le contó a ‘El País’ sobre abusos que sufrió en la selva, por Karen Daniela Ferrin, repórter de El País, Cali, 26 de novembro de 2012.

Tradução: Graça Salgueiro

Cachorro? Que cachorro o que, eu não sou cachorro não!!

Ombudsman da Folha me chama de cachorro. E defende que se assegure “um bom nível de conversa” no jornal. Entendo…

Suzana Singer, ombudsman da Folha, me chama de cachorro, de rottweiler, em sua coluna deste domingo. Escreveu logo no primeiro parágrafo:
“Na semana em que o assunto foram os simpáticos beagles, a Folha anunciou a contratação de um rottweiler. O feroz Reinaldo Azevedo estreou disparando contra os que protestam nas ruas, contra PT/PSDB/PSOL, o Facebook, o ministro Luiz Fux e sobrou ainda para os defensores dos animais.” Ela se diz preocupada com o “nível da conversa” no jornal e dá um exemplo de sua superioridade argumentativa e retórica. Quem quiser lhe mandar uma mensagem, parabenizando-a pelo requinte, segue o endereço: ombudsman@uol.com.br.

Talvez eu lhe dispense algumas linhas na coluna de sexta, não sei — num único texto por semana, talvez tenha de deixa-la pra lá. No blog, não tenho limite de espaço e posso ser generoso com ela. Responder na mesma moeda? Pra quê? Suzana decidiu, como os nazistas, meter um triângulo amarelo em mim. Se bem que, fiel ao código de cores dos campos de concentração, o triângulo deveria ser, então, vermelho, que era aquele dispensado aos inimigos ideológicos — eventualmente, o púrpura serviria.

Como sabem todas as pessoas com as quais falei sobre a coluna de estreia, antevi o texto da ombudsman, cantei a bola. Suzana é um caso de esfinge sem segredos. Em tempos em que cachorros são tratados com mais cerimônia do que pessoas, ser associado a um cão não deve ser tomado como ofensa. É bem verdade que a ombudsman deixa claro: há uma diferença entre Reinaldo Azevedo e os beagles — uma só. Estes são simpáticos; eu sou “feroz”. É… Eu, na condição de cachorro, não sou fofo.

Duvido que algum colunista, jornalista ou colaborador da Folha tenha sido antes chamado de cachorro por um ombudsman ou por qualquer outro profissional do jornal. Suzana será a heroína da Al Qaeda eletrônica. A tática é antiga: desumanize aquela que considera adversário; trate-o como coisa ou bicho feroz, e aí fica mais fácil atacá-lo ou defender a sua eliminação.

Não sou bobo. Esperava, sim, uma reação agressiva, mas não achei que Suzana chegasse a tanto. O vocabulário espanta, mas a qualidade intelectual da crítica não me surpreende. Voltem lá. Segundo a ombudsman, “o feroz Reinaldo Azevedo estreou disparando contra os que protestam nas ruas, contra PT/PSDB/PSOL, o Facebook, o ministro Luiz Fux e sobrou ainda para os defensores dos animais.”

Meu texto, para quem não leu, está aqui. E quem leu sabe:
a: não disparei contra quem protesta, mas contra quem pratica atos violentos; isso é ser feroz? Aliás, Suzana, tome mais cuidado com as metáforas: cão não dispara. Se você tivesse escrito “latiu contra”, seu texto continuaria com o mesmo grau de elegância, mas haveria coerência na cadeia alegórica. É uma dica de estilo de um rottweiler.
b: minha restrição ao PT foi precisa: critiquei o partido por atacar sistematicamente as instituições, inclusive a imprensa livre; isso é ser feroz?;
c: minha restrição ao PSDB foi precisa: critiquei o partido por não ter construído valores alternativos aos do petismo; isso é ser feroz?;
d: minha restrição ao PSOL foi precisa; critiquei o partido por usar os professores em favor de sua agenda supostamente revolucionária; isso é ser feroz?;
e: minha restrição a Luiz Fux foi precisa: critiquei o ministro por ter transformado o STF em alçada da Justiça Trabalhista e concedido uma absurda liminar; isso é ser feroz?;
f: nem cheguei a criticar o Facebook; apenas neguei que a revolta egípcia tenha sido determinada por ele; isso é ser feroz?;
g: não ataquei os defensores dos animais, mas aqueles que invadiram um laboratório, numa ação obscurantista;
h: também critiquei, ela esqueceu de citar, o Congresso, que tende a acabar com todas as votações secretas (não apenas a de cassação de mantados, o que apoio) e os defensores do financiamento público de campanha.

Digam-me: ainda que ela escrevesse a verdade, seria proibido, para recorrer à metáfora belicosa de Suzana, “disparar” contra o PT, o PSDB, o PSOL, o Fux, o Facebook, os defensores dos animais etc.? Critiquei, sim, Suzana, humanos e atos humanos, mas não precisei desumanizar ninguém para facilitar a minha tarefa.

Suzana adere a correntes da Internet que são politicamente orientadas, que obedecem a um comando, que têm a sua origem em sites e blogs financiados com dinheiro público, para difamar desafetos. Na Folha, no meu blog ou em qualquer lugar, escrevo o que penso. Não é o dinheiro dos pobres, que teria um fim mais nobre se aplicado em saúde e educação, que financia a minha opinião.

Nada de espuma, Suzana! Faço um convite
Suzana escreve:
“No impresso, espera-se mais argumento e menos estridência. Mais substância, menos espuma. Do contrário, a Folha estará apenas fazendo barulho e importando a selvageria que impera no ambiente conflagrado da internet.”

Eu aceito um debate público com Suzana — fica aqui não um desafio, mas um convite — sobre cada um dos temas acima. Até porque parece haver opiniões minhas sobre outros assuntos que a angustiam. Eis o segundo parágrafo de sua coluna (em vermelho):
“Eu sou mesmo um reacionário à moda antiga”, escreveu o jornalista na quarta-feira, emendando que é “humanista e cristão”, contra o aborto e contra a pena de morte. Dá para deduzir o que ele pensa dos governos Lula e Dilma pelo título do seu livro “O País dos Petralhas”, uma corruptela de petistas e irmãos Metralha.


Suzana, Suzana…
Tentarei ser didático. Quando alguém escreve “sou um reacionário à moda antiga”, está fazendo uma ironia porque, dada a origem da palavra e dado o conceito político, o “reacionário” já está voltado, de algum modo, para o passado; sua postura é, necessariamente, restauracionista. Assim, ele já é, por definição, alguém “à moda antiga”. Se um autor se diz “reacionário à moda antiga”, pode estar querendo fazer um espécie de gracejo; pode estar querendo, Suzana, apontar que os valores estão de tal sorte de ponta-cabeça que a defesa da vida humana vira coisa de “reacionários”. Não dá para desenhar. De resto, pare de imaginar o conteúdo dos livros. Havendo tempo, leia-os. Ou não comente. E “petralha” não é uma corruptela — corruptela é outra coisa.

O texto a que Suzana alude está aqui. Reproduzo o trecho de onde ela extraiu umas poucas palavras. Constatem a minha “ferocidade”.
(…)
Pois é, meus caros… Eu sou mesmo um reacionário à moda antiga. Eu ainda considero o ser humano uma espécie superior a todas as outras. Se eu fosse apenas um humanista, e acho que sou também, pensaria assim. Como me considero humanista e cristão, ainda acredito que somos também a morada do espírito de Deus. “Que nojo, Reinaldo! Eu prefiro os beagles.” Tudo bem.
Sou, assim, esse lixo que não aceita a pena de morte, mas também não aceita o aborto. Sou, assim, esse lixo que recusa que embriões humanos sejam tratados como coisa — porque se abre a vereda para a coisificação do próprio homem. Repudio de maneira absoluta certa estupidez que anda por aí, segundo a qual uma hierarquia entre espécies seria mera questão de valor. No fim das contas, dizem, somos todos formados de aglomerados muito semelhantes. Teses assim ecoam os piores totalitarismos.
(…)

Para quem sabe do que se trata, estou falando de outro Singer, o Peter. Suzana não tem tempo para essas coisas. Espero que não tente meter em mim, também, o triângulo púrpura, destinado aos cristãos. Escreve ela (em vermelho):
Sua volta à Folha, onde já havia trabalhado como editor-adjunto de política, suscitou reações fortes. O leitorado mais progressista viu a chegada do colunista como o coroamento de uma “guinada conservadora” do jornal. “Trata-se de uma pessoa que dissemina o ódio e não contribui com opiniões construtivas”, escreveu a socióloga Mariana Souza, 35.
Poucos se manifestaram a favor de Reinaldo, mas isso não significa que não exista uma parcela considerável que esteja comemorando a sua vinda, já que ao ombudsman costumam recorrer os insatisfeitos. Ana Lúcia Konarzewski, 61, funcionária aposentada do IBGE, afirma que vai voltar a assinar o jornal por causa do novo colunista. “Não aguentava mais tanta gente defendendo o governo”, disse.


Honestidade intelectual e profissional, Suzana!
Aguardo no blog um comentário de Mariana Souza para que ela aponte os textos meus que disseminam o ódio. Reproduzir o que a Internet financiada por estatais e pelo governo diz não vale. Segundo Suzana, poucos se manifestaram a meu favor, mas admite que parcela considerável também comemora, “já que ao ombudsman recorrem os insatisfeitos”.

Epa! Não informar que sites e blogs petistas, financiados por estatais, organizaram desde quarta-feira uma verdadeira corrente de linchamento é não cumprir com o mandamento básico da honestidade intelectual e profissional. O que queria Suzana? Que eu reagisse com uma contracorrente? “Escrevam e telefonem para a ombudsman; digam que a Folha acertou e que eu sou bacana.” Ora…

Mantenho o meu convite a Suzana. Proponho o debate. Vamos falar sobre argumentos e espuma. Ela adverte a Folha para que não “importe” o “barulho e a selvageria que impera no ambiente conflagrado da internet” e para que a conversa fique “à altura do que escrevem Janio de Freitas e Elio Gaspari, colunistas do mesmo espaço.”

No que me diz respeito, e estou certo que também aos outros novos, ela pode ficar tranquila. Não chamarei ninguém de cachorro, como não chamo aqui, e vocês sabem disso. Mas continuarei, se ela me der licença, a criticar o PT, o PSDB, o PSOL, o Fux, o Facebook, os arruaceiros… Continuarei, a exemplo do que fiz na minha coluna, que não dirige uma só ofensa a ninguém, a apelar a alguns interlocutores, às vezes encobertos: a Constituição dos EUA, Maquiavel, Locke, Nietzsche, Singer (o Peter, não a Suzana). “Nossa, como esse Reinaldo quer ser sabido!…” Não! Reinaldo procura quem já foi mais longe para tentar ganhar tempo.

Suzana diz que sou um “rottweiler”, que sou “feroz” e que meu texto de estreia revela isso. Ela deve a seus leitores, ela deve aos leitores da Folha — de quem é procuradora — e ela deve a meus leitores a evidência.

A gente sempre duvida se começou ou não com o pé direito (só força de expressão, viu, Suzana?!). Tinha escrito outro texto, sobre tema diverso, e mudei na última hora (do prazo que me impus para enviar o texto, bem entendido). Chamado de cachorro pela ombudsman, já não duvido: acertei em cheio. “Acertou em quê?” No compromisso que mantenho com os leitores.

Suzana só não pode esperar de mim a fofura de um beagle.
Exigência, recomendação e alerta

Encerro com um pedido e uma declaração: leitor deste blog que se preza, eventuais admiradores do colunista e pessoas eventualmente chocadas com o destempero de Suzana não lhe dirigirão uma só palavra desairosa — nem no espaço de comentários (serão vetados) nem em eventuais mensagens à própria ombudsman. Também não aceitarei comentários que tentem vincular as opiniões da jornalista a esta pessoa ou àquela. Ela é capaz de pensar essas coisas sozinha.

Os próceres da rede suja na Internet não hesitarão em dirigir à ombudsman as piores ofensas, disfarçados de “leitores do Reinaldo”. O jogo é pesado. Não caiam no truque de vigaristas.

Suzana não escreveu nem como beagle nem como rottweiler. Esse tipo de mordida é coisa de gente.
Texto publicado originalmente às 6h34