sexta-feira, 31 de maio de 2013

SIDROLÂNDIA - MATO GROSSO DO SUL - SURGEM AS GUERRILHAS RURAIS BRASILEIRAS. São guerrilhas semelhantes às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia

Surgem as "FARC" brasileiras.
Escrito por Coronel do Blog (CoroneLeaks -Coturno Noturno)

O CIMI, Conselho Indigenista Missionário, órgão pago, patrocinado, financiado, mantido pela Igreja Católica Apostólica Romana do Brasil, conseguiu o seu intento. Os indígenas do Brasil formaram as "FARC" brasileiras. No mesmo modelo das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, a guerrilha está instalada no campo brasileiro. Ontem, em Sidrolândia, Mato Grosso do Sul, a polícia reintegrou a posse da Fazenda Buriti. Um índio morreu em confronto com a Polícia Federal.

Atenção! Antes mesmo da invasão, a Justiça Federal de Mato Grosso do Sul já havia se manifestado pela ilegalidade da ocupação, por meio de um interdito proibitório em favor do proprietário rural, desobedecido pelos índios, incitados pelo CIMI. Um dia antes, em reunião mediada, os produtores fizeram uma tentativa de conciliação com os invasores, mas estes simplesmente se recusaram a cumprir a ordem judicial. Diante disso, a Justiça determinou a reintegração de posse, executada pela Polícia Federal. Os índios reagiram e incendiaram a casa do fazendeiro, antes de serem retirados pelas forças policiais.

Quando tudo parecia serenado, hoje os índios voltaram a invadir a mesma fazenda. A Polícia Federal e a Polícia Estadual nada podem fazer, sem uma nova ordem de reintegração de posse. Ao que tudo indica, assim será, indefinidamente. A Justiça tira, os índios voltam. As FARC indígenas estão dominando um pedaço do Brasil, na mais completa desobediência às leis. Em pouco tempo estarão com armas na mão, sequestrando, cobrando pedágios, estabelecendo outra Constituição, como se fossem outro país. As FARC indígenas estão aí. O PT deve estar delirando.

Tags: guerrilhas rurais, FARC brasileira, MST, FARC indígenas, Mato Grosso do Sul, Sidrolândia, Polícia Federal, CIMI, CNBB, Fazenda Buriti, governo do PT, esquerdismo, socialismo, ditadura do PT, violência rural

A VERDADE DRAMÁTICA É QUE A REFORMA AGRÁRIA COM DISTRIBUIÇÃO DE TERRA É UM MODELO FALIDO. UM BURACO SEM FUNDO QUE MANTÉM UM APARELHO IDEOLÓGICO CHAMADO MST

Governo agora investe na falácia de que a Justiça é que impede os assentamentos. Então vamos fechar o Judiciário! Ou: E se Stedile arrumasse um emprego, hein?
Por Reinaldo Azevedo no blog www.veja.abril.com.br/blog/reinaldo/

Embora a petezada queira “controlar a mídia”, a turma, lá na intimidade, deve se regozijar: “Pô, tá ficando cada vez mais fácil plantar conversa mole na grande imprensa, né, companheiros?” E todos brindam à saúde moral de Che Guevara com uísque 12 anos — idade mínima aceita por Lula desde quando, sindicalista, negociava com o Grupo 14, da Fiesp. Por que digo isso?

Porque o governo conseguiu emplacar a história de que os assentamentos na área rural só não andam por culpa da Justiça. Haveria, segundo as contas, 413 mil hectares dependendo de decisões judiciais, suficientes para assentar 14 mil famílias.

Que chato! Acho que, sem o Poder Judiciário, eu também faria um bom governo. Qualquer um de nós faria. E sem o Legislativo, então? Huuummm… Reescrevo: não sei se seria “bom”, mas daria para mandar à vontade, né? Seria gostoso ao menos. As ditaduras sempre são divertidas — para os ditadores e acólitos.

Como são feitas as demarcações e desapropriações? Será que o Incra faz tudo direitinho, e o juiz só entra no fim, para atrapalhar? O caso dos índios (ver post anterior) ilustra bem a questão. Governos têm de ter políticas claramente definidas, em vez de entregar áreas da administração a feudos ideológicos.

A verdade dramática, esta sim, é que a reforma agrária com distribuição de terra é um modelo falido. Já era! Virou um buraco sem fundo, sem lógica econômica nenhuma. Não existe mais sem-terra já faz tempo. O que existe é um aparelho ideológico chamado MST, que mantém a causa para, na verdade, financiar as próprias fantasias ideológicas. O que falta, isto sim, é legalizar, com carteira assinada, os trabalhadores rurais que ainda estão na informalidade. O máximo que pode haver no campo — e isso deveria ser objeto de política pública — é desemprego, não sem-terra. Vale dizer: NÃO PRECISAMOS DE UMA REFORMA AGRÁRIA, MAS DE UMA REFORMA NA MÃO DE OBRA DO SETOR AGRÁRIO. É mais simples de resolver, muito mais barato e dará a esses trabalhadores condições de vida muito mais dignas e com mais celeridade. Mas aí João Pedro Stedile e outros da sua turma terão de arrumar um emprego.

Todo mundo tem direito à propriedade e ninguém pode ser dela privado de modo arbitrário. Está lá, de modo claro, no Artigo 17 da Declaração Universal dos Direitos do Homem. Mas ninguém nasce, em nenhum país do mundo, que eu saiba, por mais democrático que seja, com o direito de receber de mão beijada uma propriedade.

Tags: MST, sem-terra, reforma agrária, emprego para João Pedro Stedile, Incra, Poder Judiciário, governo do PT, esquerdismo, socialismo, Declaração Universal dos Direitos Humanos

SOCIEDADE DA DESCONFIANÇA EXIGE LEIS QUE ME PROTEJAM DE VOCÊ

Sociedade da desconfiança exige leis que me protejam de você
Escrito por BRUNO GARSCHAGEN** e publicado no site www.ordemlivre.org

Se o grau de confiança na sociedade brasileira é baixíssimo, como esperar que as leis não sejam um reflexo dessa relação? É comum ouvirmos no Brasil chavões que dão conta da impossibilidade de se confiar nos outros. Imaginar que o legislador, criado dentro desse ambiente e ele mesmo provedor anabolizado dessa cultura de desconfiança, elabore leis livres dessa mentalidade é o mesmo que acreditar que a lei pode nos fornecer todas ou a maioria das respostas aos problemas econômicos e sociais.

A base da confiança é a sua natureza cultural. Uso o termo na definição de Fukuyama: a confiança é baseada nos “hábitos de natureza ética e em obrigações morais recíprocas interiorizadas por cada um dos membros da comunidade, regras ou hábitos estes que deram a cada um dos membros da comunidade uma base para confiarem uns nos outros” (FUKUYAMA, Francis. Confiança. Valores sociais e criação de prosperidade. Lisboa: Gradiva, 1996, pp. 19-20)

São a partir das relações entre os diversos modos de vida com uma base cultural ou identidade comuns que se estabelece a crença ou certeza de que as expectativas serão concretizadas a partir do sentimento de respeito, concórdia, segurança mútua. O sentido de comunidade existe numa sociedade interna bem ordenada.

Será tão melhor, eficiente e desenvolvida a interação entre os agentes num ambiente de confiança. Se a relação, por outro lado, for estabelecida baseada na desconfiança vai exigir mais tempo e custo de transação. A demora nas negociações aumenta o risco de fragilizar o seu desenvolvimento e concretização, além de aumentar o custo de transação e reduzir a perspectiva futura de realização.

Os exemplos de países que atingiram um alto grau de prosperidade, como os Estados Unidos, mostram que a confiança dentro da sociedade permite criar um ambiente de segurança política, jurídica e econômica. Tais conquistas instrumentais e formais, derivadas daquelas conquistas informais, são fundamentais para que os agentes envolvidos respeitem as regras e tenham a certeza de que os parceiros farão o mesmo. Se vivemos num ambiente de desconfiança, teremos um grau elevado de desrespeito e de incertezas sobre o que o outro fará. É a institucionalização do dilema do prisioneiro.

Um dos pontos centrais da segurança jurídica não é a quantidade de leis criadas e em processo de criação, mas a clareza, a permanência e o respeito às já existentes. Um sistema jurídico soterrado por um volume absurdo de legislação inviabiliza o próprio sistema, provoca insegurança quanto à durabilidade das normas e obriga a doutrina a dedicar um tempo precioso a acompanhar a atualização frenética das leis em vez de aprofundar o entendimento nas questões e problemas já postos.

Você certamente já percebeu que o Poder Legislativo dedica-se mais a criar leis (e desrespeitá-la) do que a fiscalizar o Executivo. Essa cultura do legislador como produtor de leis cria um sistema de incentivos completamente desvirtuoso. Sedimenta-se a crença de que basta criar uma lei que o problema será resolvido. Parece-me que inexiste uma reflexão sobre as consequências não-intencionais da entrada em vigor de novas normas. A criação da CPMF e a recente ameaça de seu retorno é um exemplo grave dessa mentalidade legiferante. Qual era o objetivo? Mais recursos para a saúde. Nobre, não? Não. Primeiro, porque o fracasso do sistema é o resultado da incapacidade do estado em geri-lo, não da falta de recursos. Segundo, porque o saque legal aos nossos bolsos, mediante tributos, já é altíssimo. Terceiro, porque o dinheiro obtido via tributo não é recolhido e direcionado imediatamente para aquele setor específico, mas é encaminhado para o caixa da União, para depois o Executivo definir a destinação. Eis a falácia: o dinheiro supostamente recolhido para a saúde alimenta o Tesouro Nacional e pode ser usado para as diversas finalidades governamentais, incluindo a corrupção, financeira e ideológica.

Então, me diga: como criar um sistema de confiança entre a sociedade e o estado se o governo trabalha no sentido de inviabilizá-la? Como esperar que os indivíduos confiem em qualquer entidade externa à sua comunidade se não confiam uns nos outros? As conquistas econômicas e sociais que eventualmente comemoramos são a exceção e, geralmente, são alcançadas por esforço e mérito individual, não pela soma de esforços e méritos. Assim, aquela figura de destaque serve como catarse para um sistema de desconfiança capilarizado em todos os níveis sociais.

O brasileiro orgulha-se de sua simpatia, de sua suposta alegria malandra e de uma criatividade nata que o permite driblar as dificuldades. Mas esse jeitinho é a manifestação da ordem em desequilíbrio, da insegurança e da desconfiança a que nos habituamos e contra a qual somos treinados a lidar. Resolver as dificuldades? Não, o brasileiro prefere driblá-la, como um Pelé das iniquidades. E a lei, nesse sentido, é usada como um antibiótico: se eu não confio em você, preciso de uma lei que me proteja de suas ações. Mas o que temos, na verdade, é o efeito placebo.

A política nacional não é um sistema que atrai os melhores e os mais virtuosos. Sendo assim, como analisar a qualidade das leis criadas no Parlamento? Podemos confiar no desprendimento do legislador no ato da proposição de um projeto de lei? Como confiar naqueles que não inspiram confiança? Mecanismos de limitação de poder são importantes para impedir, de forma mais ou menos eficiente, mas nunca infalível, que a corrupção intrínseca ao poder se materialize da forma mais grave (obviamente, na hipótese de se acreditar que tal sistema deve ser mantido). Certezas? Nenhuma. O que temos é apenas a indicação de que quanto mais próspera e maior o nível de confiança dentro de uma sociedade menor a relevância do poder político e maior a liberdade negativa de ação individual.

* Publicado originalmente em 17/12/2010.

**Bruno Garschagen é colunista do OrdemLivre.org, podcaster do Instituto Mises Brasil e especialista do Instituto Millenium.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

A EDUCAÇÃO EM CASA É UM MODO DE VIVER A VIDA EM FAMÍLIA COM MUITA FELICIDADE E PARA A GLÓRIA DE DEUS. Ou:

Escrito por Camila Hochmüller Abadie* e publicado no site www.midiasemmascara.org

O homeschooling é mais que uma mera transferência de ambientes e de tutores: é um modo de viver a vida em família onde a busca pelo constante aprimoramento é o alvo.
Quando me propus, com o aval de meu marido, a iniciar as atividades de educação domiciliar complementares à escola, em pouquíssimo tempo descobri-me, como diz o ditado, "em um mato sem cachorro".

Diferentemente dos norte-americanos, que são referência mundial no assunto, possuindo dezenas, ou até centenas, de modelos, metodologias e propostas curriculares, nós, aqui no Brasil, precisamos reinventar a roda, pois não há uma proposta curricular detalhada voltada ao ensino nos lares.

E agravando um pouco a minha situação particular, não possuo formação pedagógica (embora hoje em dia eu suspeite da maioria das formações "superiores" na área das humanas), de modo que a sensação de insegurança vai e volta quando preciso explicar, por exemplo, subtração de centena ou a diferença entre os acentos circunflexo e agudo, pois nunca tenho certeza se estou adotando o método mais adequado.

No entanto, apesar das dificuldades, não desisti da missão, mas prossegui lendo (especialmente blogs e sites de mães cristãs norte-americanas praticantes do ensino doméstico), pesquisando, falando com pessoas que estão mais familiarizadas com o assunto do que eu e, com o tempo, fui percebendo que, mais que uma questão meramente curricular, de conteúdos, o homeschooling é também e principalmente uma mais abrangente compreensão do próprio conceito de educação.

Ao trazer para dentro de casa e ter sob os meus cuidados a alfabetização, a caligrafia, as noções gerais de matemática, os cálculos, fui percebendo que não apenas o que eu ensinava era (e é) importante, mas também como eu ensinava e quando. Ou seja, no ambiente doméstico, onde não se tem um espaço físico exclusivo para a realização das atividades, onde os relacionamentos não têm um limite de horário e de contexto, quando se tem outra criança, de outra faixa etária, ao redor, e quando muitas outras demandas paralelas precisam ser administradas e sanadas, o conceito de educação adquiriu uma outra proporção, conectando-se a muitas outras esferas e atividades que eu antes julgava alheias à questão. Estabeleceu-se uma tal integração das diferentes partes e momentos da vida como eu, até hoje, jamais havia experimentado.

Percebi que a matemática não é ensinada apenas nos exercícios, mas também no relógio, no microondas, no super-mercado, na hora de fazer e servir a comida. Percebi que o português perpassa toda a nossa vida, e chama especial atenção sobre si quando estamos distraídos e de papo-furado. Compreendi que paciência, persistência e dedicação não são coisas para se fazer somente quando o lápis e o papel estiverem à mão, mas também na hora de arrumar a cama, de escovar os dentes, de secar a louça, de pentear o cabelo. Compreendi que reclamações gratuitas são como goteiras e por isso não podem, de forma alguma, ser aceitas, em ninguém. Entendi que disciplina não é um "programa bônus" que Deus colocou na alma de alguns sortudos, mas é um exercício que, antes de mais ninguém, eu preciso exercer comigo mesma, para servir de exemplo e de estímulo às crianças. Soube, então, que virtudes como obediência, fé, coerência, gratidão, humildade, cortesia e coragem realmente só fazem sentido quando personificados em gente de carne e osso, e que é melhor ainda quando essa "gente" é o pai e a mãe da gente.

Enfim, apesar de ainda não ofertar às minhas crianças uma educação exclusivamente domiciliar, de ainda não ter encontrado e/ou elaborado uma grade curricular completa que seja boa de verdade, sei, agora, que o homeschooling é mais que uma mera transferência de ambientes e de tutores: é um modo de viver a vida em família onde a busca pelo constante aprimoramento é o alvo. Nós, como família, não temos somente o desejo, mas buscamos, de fato, apesar dos empecilhos e erros, o crescimento intelectual, moral e espiritual de todos os nossos membros e estamos nisso empenhados 24 horas por dia, para a glória de Deus.

Desconheço trabalho mais abrangente e mais exigente que este, mas, a mim, parece-me não haver outro mais estimulante e recompensador.

*Camila Hochmüller Abadie é mãe, esposa e mestre em filosofia. Edita o blog Encontrando Alegria.

Tags: educação | cultura | homeschooling | conservadorismo | cristianismo | Brasil

VEJA MAIS UM MOTIVO PELA APROVAÇÃO DA PEC 37: O MPF NÃO INVESTIGA O BOATO SOBRE O FIM DO BOLSA FAMÍLIA POR QUE SERIA CONTRA O GOVERNO DO PT?

Por que o Ministério Público Federal não está investigando a lambança da Bolsa Família?

O MPF está em luta aberta com a Polícia Federal para não perder o seu poder de investigação, o que ocorrerá se for aprovada a PEC 37. No entanto, um escândalo ocorre com o maior programa social do país, envolvendo acusações infundadas por parte de membros do Governo Federal, mentiras oficiais em rede nacional por parte de dirigentes da Caixa, decisão do governo de colocar uma pedra sobre o assunto e onde está o MPF? Por que não organizou uma força-tarefa para atuar em todo o Brasil? Por que não está, como sempre faz, ululando na mídia, banhando de holofotes os seus jovens integrantes em busca de fama? Será que o MPF só sabe investigar pequenos produtores rurais e pequenos comerciantes, além de políticos de oposição? Quando é para peitar o Governo Federal o MPF recua? O que é mesmo mais perigoso para o país? Um MPF chapa branca, politiqueiro, covarde ou a Polícia Federal? E não me venham com explicações em juridiquês. Quando o MPF quer, ele faz. Por que não está investigando a lambança da Bolsa Família?

Será efeito da PEC 37? Estará havendo um grande acordão para livrar os réus do Mensalão?
Hoje Dora Kramer publica o seguinte trecho em sua coluna, que é estarrecedor...

Não ajuda. Os argumentos apresentados pelo procurador-geral Roberto Gurgel para contestar os embargos de declaração dos advogados dos réus do mensalão são qualificados como "muito fracos" no Supremo Tribunal Federal. Uma peça única "genérica", na expressão de um ministro. Em miúdos, significa que Gurgel deixou passar uma oportunidade de contribuir para a rejeição dos embargos. Não quer dizer que por isso serão aceitos. Mas, se recusados, não o serão devido às contrarrazões do procurador.

ALGUNS PRINCÍPIOS DO LIBERALISMO ECLÉTICO

Por um liberalismo eclético
Escrito por DIOGO COSTA** e publicado no site www.ordemlivre.org
A paixão pela consistência interna de um sistema fechado é lugar comum entre os libertários. Em seu anseio por derivar de uma ou duas premissas todo um ordenamento jurídico, aplicável a qualquer sociedade, algumas versões de utilitaristas, objetivistas e austríacos, tão antagônicos uns aos outros, partilham do mesmo mal: o exclusivismo metodológico.

Há alguns problemas com o exclusivismo metodológico. Além de a possibilidade de diferentes ordens sociais pedir arranjos distintos, mesmo que baseados num mesmo princípio, ao evitar particularidades em prol de generalizações consistentes exclusivistas deixamos de incluir em nosso entendimento contribuições importantes de autores que não compartilham de nossos axiomas. Alguns dos mais intelectualmente instigantes teóricos vivos do libertarismo (nomes como Anthony de Jasay, David Schmidtz, Jan Naverson, Loren Lomasky e Randy Barnett) acabam recebendo menos atenção dos libertários brasileiros exclusivistas do que outros que apenas repetem o que disse Murray Rothbard, Ayn Rand ou Milton Friedman. O enriquecimento intelectual se estagna. Austríacos que rejeitam a escola de escolha pública por tratar o Estado de forma amoral partem de uma teoria deficiente de compreensão da estrutura política, e muitos acabam tratando-o como agente metafísico dotado de uma mente independente das relações de poder internas a qualquer governo. Utilitaristas que rejeitam a teoria de direitos em favor de uma noção de eficiência agregada podem prescrever grossas injustiças ao ignorar a separação entre os indivíduos.

Minha proposta é o liberalismo eclético, em que a defesa da liberdade como bem comum não está erguida sobre um só pé, mas sobre vários. Além de permitir uma compreensão mais abrangente da realidade, a abordagem eclética oferece outra vantagem. Como explicou Randy Barnett, quanto mais princípios razoáveis convergem para uma determinada posição — digamos, a rejeição ou a aprovação de uma política pública —, maior é o grau de certeza que se pode ter sobre a posição tomada.

O liberal eclético trata a convergência metodológica como instrumento de análise de sua posição. Partindo do pressuposto de que sempre é possível estarmos enganados ao nos posicionarmos contra ou a favor de determinada medida política (pois é impossível analisar todas as variáveis de casos sociais particulares), quando o critério Y serve de teste ao critério X, conclusões semelhantes se reforçam, enquanto conclusões contrárias saem do confronto enfraquecidas. Por exemplo, o jusnaturalismo individualista nos indica que a lei de salário mínimo fere a justiça por violar a liberdade de contrato entre as partes. Antes de nos posicionarmos contra a lei de salário mínimo, podemos utilizar um segundo critério, consequencialista, para testar nossa posição. Ao entendermos que o salário mínimo aumenta o desemprego, por exemplo, ou que o salário mínimo diminui a produção geral de uma sociedade, e inibe o investimento externo, nossa posição inicial sai reforçada.

Um segundo exemplo: imagine que um rapaz na situação de Christopher McCandless, o andarilho de Na natureza selvagem, esteja vagando pela floresta, em busca de alimento. Ao encontrar um chalé desabitado, o rapaz vê através da janela uma cozinha com mantimentos que poderiam lhe salvar a vida. Inicialmente, quebrar a janela e furtar os alimentos parece uma violação dos direitos do dono da casa, e pode parecer uma ação rejeitável em uma primeira análise. No entanto, a consequência, a conservação da vida, parece motivo suficiente para permitir a invasão. Uma solução de mercado, trazida por uma terceira perspectiva e envolvendo reparação para o dano cometido pelo invasor, parece ser mais adequada, conciliando os dois critérios anteriores. (Libertários pré-Coase que se posicionavam em favor do direito irrestrito de poluir, por exemplo, deveriam ter percebido alguma fraqueza na sua posição ao refletir sobre as externalidades negativas da poluição observada pelos economistas utilitaristas.)

O ecleticismo torna, portanto, o liberalismo mais arrojado e menos propenso a ser vítima das lacunas de um paradigma específico. E nos previne do autoengano a que são mais propícios aderentes de teorias de compreensão radical. É o que nos lembra Randy Barnett, na conclusão de seu argumento contra o exclusivismo metodológico: “O mal, assim como a ordem, pode ser defendido com base em tradição, moralidade, ou eficiência. Frequentemente é necessária uma análise multifacetada para mostrar por que tais argumentos são falsos, e, como sabemos, mesmo isso pode não ser o suficiente.”

Felizmente, os estudantes que se preparam para formar a nova geração de intelectuais liberais que conheci viajando pelo Brasil (dos mais aos menos anarquistas) são simpáticos a uma abordagem menos fechada do liberalismo. Com um tratamento mais eclético, estarão mais aptos a compreender os princípios morais da liberdade sem abandonarem a análise econômica e política da sociedade.

* Publicado originalmente em 04/11/2009.

**Diogo G. R. Costa é professor de relações internacionais no Ibmec-MG e coordenador do OrdemLivre

BARACK OBAMA, CONFORME O ESPERADO, DESTRUIU O SISTEMA AMERICANO. EUA JÁ ERA! O poder americano acabou

Conforme o esperado
Escrito por Olavo de Carvalho e publicado no site www.midiasemmascara.org

A folha de serviços ostensivamente prestados por Obama à Rússia, à China, à Arábia Saudita e aos terroristas islâmicos só se compara à lista de seus erros alegadamente acidentais cometidos sempre em favor desses mesmos beneficiários.

Se, com os escândalos de Benghazi, do grampo na Associated Press e da instrumentalização partidária do Imposto de Renda, pela primeira vez um pouco do verdadeiro rosto de Barack Hussein Obama está aparecendo na grande mídia, onde por anos a fio só se via a sua imagem embelezada até o limite do culto idolátrico, isso ilustra, uma vez mais, a lição dos Estratagemas chineses: para que esperar o fato consumado, em vez de tentar descobrir o mal em germe, para eliminá-lo antes que produza todo um caudal de conseqüências nefastas?

Em 2008 o homem apresentou-se candidato à presidência sem ter uma só realização em seu currículo, sem mostrar um único documento de identidade válido e trazendo uma história de vida mais que nebulosa, repleta de ligações íntimas com agentes soviéticos, radicais islâmicos, terroristas e gangsters. Não havia rigorosamente nenhum motivo para que alguém em seu juízo perfeito confiasse nessa criatura. Muito menos para supor que um aluno fiel e devoto de Saul Alinsky e Frank Marshall Davis fosse fazer na presidência algo de muito diferente daquilo que eles lhe haviam ensinado: corromper o Estado democrático para destruí-lo por dentro, substituindo-o pouco a pouco pelo governo tirânico de uma elite descarada, voraz e infinitamente presunçosa.

Naquele mesmo ano a colunista Debbie Schussel divulgou o alistamento militar grosseiramente falsificado, prova cabal de que o candidato era um criminoso chinfrim, sem qualificações para obter uma licença de porte de arma ou um emprego de balconista do Walmart. O tipo ideal, enfim, para tornar-se a gazua com que as forças inimigas planejavam arrombar as portas do sistema. Também logo se tornou público que ele gastava rios de dinheiro para manter ocultos os seus documentos, exatamente aqueles que, ao mesmo tempo, o Congresso, Obama incluso, exigia do seu concorrente. Em 2008 já era possível perceber claramente que, quando esse indivíduo proclamava “Só quem não quer exibir a verdade é quem tem algo a esconder”, ele falava dele mesmo.

É inteiramente irracional aceitar e confirmar um sujeito desses na presidência, aplaudi-lo, paparicá-lo e protegê-lo por cinco anos, brandindo todas as armas da intimidação e da chacota contra os que ousem pretender investigá-lo, e depois, de repente, mostrar indignada surpresa ante a revelação de que durante esse tempo ele agiu precisamente de acordo com o que sua personalidade e suas origens ideológicas deixavam antever.

A folha de serviços ostensivamente prestados por Obama à Rússia, à China, à Arábia Saudita e aos terroristas islâmicos só se compara à lista de seus erros alegadamente acidentais cometidos sempre em favor desses mesmos beneficiários. Juntas, formam uma enciclopédia da mendacidade, da traição e da indiferença psicopática aos valores morais e patrióticos proclamados de boca cheia, na voz empostada de um ator bem ensaiado. Tudo isso é, de fato, muito impressionante. Mas, para quem quer que em 2008 conhecesse a biografia do tipo, nada disso foi surpresa. Só o foi para os que se deixaram hipnotizar, seja pelo maior blefe propagandístico de todos os tempos, seja pela ilusão da imunidade do sistema a qualquer tentativa de subvertê-lo por dentro – ilusão sem a qual o blefe jamais pegaria. Tanto pela amplitude hiperbólica das suas promessas quanto pela ambiguidade da retórica entre sedutora e ameaçadora com que as anunciava, Obama, de fato, não deixava ao eleitor nenhuma terceira alternativa entre o fascínio embriagador e a suspeita de um projeto criminoso que soava, ao mesmo tempo, artificioso demais e torpe demais para que alguém ousasse tentar realizá-lo.

Pois bem: está realizado. O “sistema” americano não existe mais. O que hoje ocupa seu lugar é um esquema de poder centralizado que, usando os órgãos de governo como instrumentos de ataque e a mídia cúmplice como escudo defensivo, imuniza o presidente contra qualquer tentativa de obrigá-lo a cumprir as leis e a Constituição. Nos cinco anos que se passaram desde sua primeira eleição, Obama declarou guerras sem consulta ao Congresso, duplicou a dívida americana, distribuiu dinheiro a rodo entre as empresas falidas de seus amigos, espalhou agentes islâmicos nos altos postos do governo federal, deu armas e dinheiro aos mais violentos inimigos do país, protegeu e adulou o Islam por todos os meios ao mesmo tempo que tentava expurgar os cristãos das Forças Armadas, derrubou dois governos no Oriente Médio para entregá-los ao poder da Al-Qaeda e da Fraternidade Muçulmana e transformou o Homeland Security numa polícia armada tão assustadora que hoje os americanos, segundo as estatísticas, têm mais medo do governo que dos terroristas. Em todos esses episódios, a simples insinuação de que ele procedia antes como um agente inimigo do que como um americano era repelida com tal violência pelos bem-pensantes, que acabava por morrer como um sussurro inaudível, abafado no fundo da internet. Quando o ator Chris Rock exclamou do alto do palco “Palmas para nosso Senhor e Salvador Barack Obama!”, ele expressou bem a atmosfera de adoração histérica com que uma nação, de joelhos, implorava ao governante que a ludibriasse, maltratasse e oprimisse, e jurava jamais desconfiar dele, fizesse o que fizesse. Que pode haver de tão inesperado no fato de que, com tão excelsas garantias de impunidade, ele se sentisse livre para usar o Imposto de Renda como um porrete, grampear os telefones de meio mundo e jogar com as vidas de soldados e funcionários americanos como se fossem peças descartáveis de um jogo banal?

Publicado no Diário do Comércio.

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quarta-feira, 29 de maio de 2013

Atenção senadores! Futuro ministro do STF defende que juiz tome o lugar do parlamentar e “certa subversão da independência entre os Poderes”. Também exalta um Judiciário “mais à esquerda”. Vocês vão sabatiná-lo ou só se submeter ao constrangimento da homologação submissa?

Por Reinaldo Azevedo no blog www.veja.abril.com.br/blog/reinaldo/
A Comissão de Constituição e Justiça do Senado marcou para a quarta-feira, dia 5 de junho, a sabatina do advogado Luís Roberto Barroso, indicado pela presidente Dilma Rousseff para assumir a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal. A ideia é submeter o nome ao plenário no mesmo dia. O Brasil é assim: a presidente demora seis meses para fazer uma indicação, e depois os senadores ficam impedidos até de respirar. Não terão nem tempo de refletir sobre as respostas de Barroso. Afinal, é para aprovar, não para pensar. Vital do Rêgo (PMDB-PB) é o relator. Seu texto, que ele já anuncia cheio de encômios, está pronto e deve começar a ser conhecido hoje pelos senadores. Não que eu duvide do esforço do senador. Mas fui eu mesmo me encarregar de ler algumas coisas da lavra do futuro ministro. Se vocês clicarem aqui, terão acesso a dez páginas, digitalizadas, do livro “O Novo Direito Constitucional Brasileiro”, que traz por subtítulo “Contribuições para a construção teórica e prática da jurisdição constitucional no Brasil”. Também andei lendo outras coisinhas. É… Barroso, vi no seu site, gosta de Beethoven, de Ana Carolina e de Taiguara. E não chega a ser um homem muito modesto. Parece que o Direito Constitucional no Brasil se divide em duas eras: “a.B.” e “d.B.” — “Antes de Barroso” e “Depois de Barroso”. Atenção, senadores! O futuro ministro do Supremo, que vai passar, como de hábito, por um MERO RITUAL HOMOLOGATÓRIO AÍ NA CASA, acha que “em muitas situações, em lugar de se limitar a aplicar a lei já existente, o juiz se vê na necessidade de agir em substituição ao legislador. A despeito de algum grau de subversão ao princípio da separação de Poderes.” Vossas Excelências entenderam ou precisam de um desenho?

Pois é… Parte das páginas que torno disponíveis no link acima trata do chamado “ativismo judicial”. Como sabem, doutor Barroso, fazendo eco a descontentamentos no Congresso com o Supremo, afirmou numa palestra, já depois de indicado, o que segue em vermelho:

“Em uma democracia, decisão política deve tomar quem tem voto (…) O Judiciário deve ser deferente às escolhas feitas pelo legislador e às decisões da administração pública, a menos que — e aí, sim, se legitima a intervenção do Judiciário — essas decisões violem frontalmente a Constituição. Aí, sim, por exceção e não por regra, o Judiciário pode e deve intervir.”

É… Escrevi, então, um texto post a respeito intitulado “Uma restrição severa e algumas questões de ordem intelectual e técnica a Barroso, futuro ministro do Supremo”. Doutor Barroso não era, afinal, aquele que havia levado a questão da união civil de homossexuais ao Supremo, que havia defendido o aborto de fetos anencéfalos, que emprestara sua verve à pesquisa com células-tronco embrionárias? Então isso tudo não seria ativismo judicial? Pois é… Nas páginas que torno disponíveis (transcreverei trechos aqui), ele se explica.

E É BOM OS SENADORES FICAREM ATENTOS. DOUTOR BARROSO CONSIDERA, PELO VISTO, QUE ATIVISMO JUDICIAL PERNICIOSO É AQUELE EXERCIDO EM QUESTÕES COM AS QUAIS NÃO CONCORDA, E ATIVISMO JUDICIAL VIRTUOSO É AQUELE EXERCIDO EM QUESTÕES QUE CONTAM COM A SUA APROVAÇÃO. Reproduzirei em vermelho alguns trechos.

Atenção, para isto, senhores senadores! Leiam o trecho que está na página 39 do livro:
“A ascensão do Judiciário deu lugar a uma crescente judicialização da vida e a alguns momentos de ativismo judicial. Judicialização significa que questões relevantes do ponto de vista político, social ou moral estão sendo decididas pelo Judiciário. Trata-se, como intuitivo, de uma transferência de poder das instâncias tradicionais, que são o Executivo e o Legislativo, para juízes e tribunais. Há causas diversas para o fenômeno. A primeira é o reconhecimento de que um Judiciário forte e independente é imprescindível para a proteção dos direitos fundamentais. A segunda envolve uma certa desilusão com a política majoritária. Há uma terceira: atores políticos, muitas vezes, para evitar o desgaste, preferem que o Judiciário decida questões controvertidas, como aborto e direitos dos homossexuais. No Brasil, o fenômeno assume uma proporção maior em razão de a Constituição cuidar de uma impressionante quantidade de temas. Incluir uma matéria na Constituição significa, de certa forma, retirá-la da política e trazê-la para o direito, permitindo a judicialização. A esse contexto ainda se soma o número elevado de pessoas e entidades que podem propor ações diretas perante o STF.”

Voltei
Epa, epa, epa! Há coisas complicadas num trecho tão curto.
1: Doutor Barroso vê uma certa desilusão com a política — e entende que o Judiciário ocupa o seu lugar;
2: Doutor Barroso diz que um tema que vai parar na Constituição, “de certa forma”, sai da esfera política. Bem, se for assim, decrete-se o fim da política, então.
3: Doutor Barroso diz que “atores políticos” preferem que o Judiciário cuide de termas controvertidos como “aborto e direitos dos homossexuais”… Preferem? Pergunta óbvia: o Congresso, por acaso, não se manifestou, de um modo ou de outro, nos dois assuntos?

Vejam que curioso: quem patrocinou as duas causas no Supremo? Acertou quem chutou “Doutor Barroso”. Quando apontei, no meu texto da semana passada, que ele próprio era o rei da judicialização que condenara, alguns idiotas e candidatos a áulicos vieram aqui me acusar de não entender a questão, sustentavam que o que o advogado fizera era outra coisa etc. Pois é… Como se nota, ele próprio admite. Só que considera que a judicialização que é do seu agrado é boa; ruim é a que não está de acordo com os seus princípios.

Segundo o texto que vai acima, o Supremo pode legislar até sobre unha encravada e espinhela caída. Mas sigamos com ele, agora na página 40.

Ativismo Judicial
A judicialização ampla, portanto, é um fato, uma circunstância decorrente do desenho institucional brasileiro, e não uma opção política do Judiciário. Fenômeno diverso, embora próximo, é o ativismo judicial. O ativismo é uma atitude, é a deliberada expansão do papel do Judiciário, mediante o uso da interpretação constitucional para suprir lacunas, sanar omissões legislativas ou determinar políticas públicas quando ausentes ou ineficientes. Exemplos de decisões ativistas, além dos casos já mencionados, envolveram a exigência de fidelidade partidária e a regulamentação do direito de greve dos servidores públicos. Todos esses julgamentos atenderam a demandas sociais não satisfeitas pelo Poder Legislativo. Registre-se, todavia, que apesar de sua importância e visibilidade, tais decisões ativistas representam antes a exceção do que a regra. A decisão do STF sobre as pesquisas com células-tronco, ao contrário do que muitas vezes se afirma, é um exemplo de autocontenção. O Tribunal se limitou a considerar constitucional a lei editada pelo Congresso.

Comento
Vamos ficar no caso da união civil de homossexuais, citada por ele mesmo — causa em que atuou. Havia, por acaso, alguma “lacuna” na Constituição? E no caso do aborto de anencéfalos? É lacuna o que há no Código Penal ou na própria Constituição, que protege a vida? Para o doutor já indicado por Dilma que disse há menos de uma semana que, “em uma democracia, decisão política deve tomar quem tem voto (…)” — COISA COM A QUAL CONCORDO —, o doutor que escreve livros parece pensar coisa diametralmente oposta, sempre partindo, claro!, do princípio de que as palavras fazem sentido. Ou não foi ele quem escreveu isto: “Todos esses julgamentos atenderam a demandas sociais não satisfeitas pelo Poder Legislativo”?

Afinal de contas, o doutor acha que “decisão política deve tomar quem tem voto” ou acha que o Judiciário deve atender “a demandas não-satisfeitas da sociedade”? Num caso, o Judiciário não legisla; no outro, sim! Até porque as reivindicações são infinitas, não é? Também me incomoda um pouco esse conceito de “demandas da sociedade”. Quem é “a sociedade”, cara- pálida? Ela certamente não se resume aos lobbies organizados e influentes, sejam eles econômicos, culturais ou comportamentais. Indago: casamento gay e aborto são “demandas da sociedade”? De qual sociedade?

Como ignorar que o texto do doutor embute a ideia de que a representação parlamentar é, digamos, deficiente? Que cabe ao Judiciário corrigir o que o povo não fez direito? Ora, vocês sabem que tenho horror ao populismo judicial, mas sabem também que recuso a ideia de que cabe aos outros dois Poderes “corrigir” a representação parlamentar.

O doutor e o Judiciário à esquerda – Ahhh…
No pé da página 40, Barroso decide, como diz, neutralizar as críticas daqueles que apontam o ativismo judicial. E faz um raciocínio realmente especioso. Leiam. Comento em seguida.

(…)
uma democracia não é feita apenas da vontade das maiorias, mas também da preservação dos direitos fundamentais de todos. Cabe ao Judiciário defendê-los.Em segundo lugar, é possível sustentar que, na atualidade brasileira, o STF está à esquerda do Congresso Nacional. De fato, quando o Tribunal decidiu regulamentar o aviso prévio proporcional ao tempo de serviço, as classes empresariais acorreram ao Congresso, pedindo urgência na aprovação da lei que tardava. Ninguém duvidava que o STF seria mais protetivo dos trabalhadores que o legislador. Quanto à capacidade institucional, juízes e tribunais devem ser autocontidos e deferentes aos outros Poderes em questões técnicas complexas, como transposição de rios ou demarcação de terras indígenas. Por fim, a judicialização jamais deverá substituir a política, nem pode ser o meio ordinário de se resolverem as grandes questões. Pelo contrário. O Judiciário só deve interferir quando a política falha.


Comento
Não há como! O que está escrito acima é uma coisa só, que se vai confirmar na sequência: a política, para doutor Barroso, falha sempre que está “à direita do Judiciário”, e o Judiciário acerta sempre que está à esquerda da política. Sim, ele acha que juízes e tribunais devem ser “autocontidos”, desde que concordem com o que faz o Legislativo. Se não for assim, têm de entrar em ação e fazer a balança pender para a esquerda. Apaixonado pela própria atuação, ele volta à questão da união civil de homossexuais, causa que ele patrocinou . Atenção!

A defesa de um Judiciário mais “discricionário”
O Judiciário não apenas ocupou mais espaço como, além disso, sua atuação se tornou mais discricionária. Em muitas situações, em lugar de se limitar a aplicar a lei já existente, o juiz se vê na necessidade de agir em substituição ao legislador. A despeito de algum grau de subversão ao princípio da separação de Poderes, trata-se de uma inevitabilidade, a ser debitada à complexidade e ao pluralismo da vida contemporânea. Foi o que ocorreu no exemplo do reconhecimento das uniões homoafetivas, referido acima. Diante da ausência de norma disciplinando a questão, o Supremo Tribunal Federal precisou criar uma. Evidentemente, como é próprio, não se trata do exercício de voluntarismo judicial, mas, sim, de extrair do sistema constitucional e legal a melhor solução. O mesmo se passa no tocante à interrupção da gestação de fetos anencefálicos. À falta de regra expressa, a Corte construiu – com acerto – a que melhor equacionou o problema.
Comento
Sinto-me intelectualmente, como posso dizer?, vingado. Se não fui o único jornalista, fui dos poucos que chamaram a decisão do STF de “discricionária”, de subversora do princípio da separação de Poderes, de usurpadora do papel do legislador, ainda que eu seja favorável à união civil gay. Eis que doutor Barroso também acha tudo isso, como se nota acima. Ocorre que ele considera essa subversão positiva. Eu não! Por razões que desconheço, insiste num absurdo: a suposta falta de “uma norma disciplinando a questão”? Como assim? O Artigo 226 da Constituição define a união civil, no parágrafo 3º, “Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento.” O Código Penal define os casos em que pode haver aborto legal. “Ah, mas não fala dos anencéfalos…” Sim, e nem de outros males que podem provocar efeitos semelhantes. Ora, doutor Barroso sabe, parece (já se mostrou, por palavras oblíquas, simpático à descriminação do aborto), que, atrás da legalização do aborto por anencefalia, virão pedidos relacionados a outras doenças e síndromes.

Chamo a atenção para isto: “Em muitas situações, em lugar de se limitar a aplicar a lei já existente, o juiz se vê na necessidade de agir em substituição ao legislador.” Aí está a licença para qualquer coisa. Nem Roberto Lyra Filho, o delirante teórico do “direito achado na rua”, foi tão sintético (até porque era verborrágico) e contundente. Sim, doutor Barroso admite que há nisso “certo grau de subversão da independência entre os Poderes”. Teremos um ministro do Supremo que vê com bons olhos essa “certa subversão” e que, quando advogado, fazia questão de patrociná-la.

Sim, caros, encontrei outras coisas notáveis no livro de doutor Barroso. Voltarei ao tema, claro. Eu sabia bem o que estava escrevendo quando, no primeiro momento, afirmei que Dilma havia feito uma nomeação pautada pela “correção” ideológica.

Tags: Luís Roberto Barroso, STF, Direito Constitucional, mutação constitucional, divergência, esquerdismo, socialismo, progressismo, politicamente correto, ditadura do PT, governo do PT, separação de poderes, ativismo judicial, fascismo de esquerda

HÉLIO BICUDO: PT É A ORGANIZAÇÃO QUE USA O BOLSA FAMÍLIA COMO INSTRUMENTO DE 40 MILHÕES DE VOTOS PARA SE PERPETUAR NO PODER

Chefe da quadrilha do Mensalão culpa oposição e mídia pelos boatos da Bolsa Família.
Por Coronel do Blog (CoroneLeaks - Coturno Noturno)
Artigo escrito pelo mensaleiro condenado José Dirceu, em vésperas de ver o sol nascer quadrado, culpando a oposição pela incompetência do governo petista em gerir a Bolsa Família:

"Na minha opinião, está claro que o boato foi coisa arquitetada pela oposição, pois não poderia ter se espalhado somente em Estados do Norte e do Nordeste e em alguns locais no Rio de Janeiro.

Vejam, o DEM pediu a convocação dos ministros da Fazenda, Guido Mantega, e do Desenvolvimento Social, Tereza Campello, para explicarem na Câmara dos Deputados a antecipação do pagamento do Bolsa. O PSDB também entrou com pedido pedindo de explicações. O que temos, então, é que mesmo diante da esclarecimentos exaustivos já apresentados, a oposição e a mídia continuam a desenvolver sua operação para culpar o governo, via CEF, pelo episódio.

Vivemos, agora, a história de um boato que virou luta política. Com contribuição decisiva da mídia, que se empenha em passar à população a ideia de que o boato sobre o Bolsa é coisa do próprio governo, que a culpa disso tudo é da CEF. Estão numa campanha descarada para desmoralizar o Bolsa Família."

A Rejane (Mel) do Blog by Mel, uma das blogueiras mais antenadas, lembrou deste vídeo:

OS AMBIENTALISTAS, DESDE 1970, OBJETIVAVAM REDUZIR A POPULAÇÃO DA TERRA. ELES DIZEM QUE A TERRA TEM 7 BILHÕES, MAS SÓ COMPORTA 2. CONCLUI-SE QUE OS OUTROS 5 BILHÕES PODEM SER ELIMINADOS

Os ambientalistas e sua agenda anti-humana nos fazem de idiotas
Escrito por Walter Williams e publicado no site www.midiasemmascara.org

Os ambientalistas, com a ajuda de políticos e de outras burocracias globalmente poderosas, foram bem-sucedidos em impor sobre todo o globo um conjunto de ideias que já custou dezenas de milhões de vidas humanas.

Peguemos o exemplo mais famoso deste totalitarismo homicida. Em 1962, a famosa bióloga americana Rachel Carson publicou o livro Silent Spring, uma fábula sobre os supostos perigos dos pesticidas. O livro se transformou em um clássico do movimento ambientalista, não obstante se tratasse de uma obra de ficção. O livro exerceu uma influência poderosa sobre vários governos, o que levou à proibição mundial do uso do DDT (Dicloro-Difenil-Tricloroetano, o primeiro pesticida moderno) ainda no início da década de 1970.

Em 1970, pouco antes da proibição do DDT, a Academia Nacional de Ciências dos EUA declarou que o DDT havia salvado mais de 500 milhões de vidas humanas ao longo das últimas três décadas ao erradicar os mosquitos transmissores da malária. Naquele ano, a Academia lançou um relatório no qual dizia: "Se tivéssemos de eleger alguns produtos químicos aos quais a humanidade deve muito, o DDT certamente seria um deles. ... Em pouco mais de duas décadas, o DDT evitou que 500 milhões de seres humanos morressem de malária, algo que sem o DDT seria inevitável".

Antes da proibição do DDT, a malária estava prestes a ser extinta em alguns países.

O DDT foi banido pelos governos no início da década de 1970 não obstante o fato de não ter sido apresentada nenhuma evidência científica comprovando que ele gerasse os efeitos que Carson e o movimento ambientalista alegavam que ele gerava.

Em seu livro Eco-Freaks: Environmentalism is Hazardous to Your Health, John Berlau, pesquisador e diretor do Center for Investors and Entrepreneurs do Competitive Enterprise Institute, escreveu que "Nem um único estudo mostrando o elo entre exposição ao DDT e contaminação humana já foi replicado". Não apenas isso: em um estudo de longo prazo, alguns voluntários comeram 900g de DDT durante um ano e meio; até hoje, mais de vinte anos depois, nenhum deles apresentou nenhum efeito colateral em sua saúde.

O Dr. Henry Miller, membro sênior da Hoover Institution, e Gregory Konko, membro sênior da Competitive Enterprise Institute, escreveram em seu artigo no revista Forbes, "Rachel Carson's Deadly Fantasies", que o banimento do DDT foi responsável pela perda de "dezenas de milhões de vidas humanas, majoritariamente crianças em países pobres e tropicais. Tudo isso em troca da possibilidade de uma pequena melhoria na fertilidade das aves de rapina. Esta continua sendo uma das mais monumentais tragédias humanas do século passado."

Além das mortes de literalmente milhões de pessoas no Terceiro Mundo em decorrência da malária, o banimento do DDT também gerou inúmeras colheitas desastrosas, uma vez que insetos vorazes que eram combatidos pelo DDT puderam se proliferar novamente — e praticamente não há substitutos para o DDT a preços acessíveis nos países pobres.

Mesmo se as estimativas da Academia Nacional de Ciências em relação às vidas salvas pelo DDT estivessem exageradas por um fator de dois, Rachel Carson e sua cruzada contra o pesticida ainda seriam responsáveis por mais mortes humanas do que a maioria dos piores tiranos da história do mundo.

Não obstante todas as evidências de que o DDT, quando utilizado corretamente, não apresenta nenhuma ameaça para o ambiente, para os animais e para os seres humanos, os ambientalistas extremistas continuam defendendo sua proibição. Só na África, milhões continuam morrendo de malária e de outras doenças. Após a Segunda Guerra Mundial, o DDT salvou milhões de vidas na Índia, no Sudeste Asiático e na América do Sul. Em alguns casos, as mortes por malária caíram para quase zero. Após o banimento do DDT, as mortes por malária e por outras doenças voltaram a disparar. Por que então o banimento não é revogado?

Porque este é justamente o objetivo destes extremistas: controle populacional. Alexander King, co-fundador do Clube de Roma, disse: "Na Guiana, em menos de dois anos, o DDT já havia praticamente aniquilado a malária; porém, isso levou a uma duplicação das taxas de fecundidade. Portanto, meu maior problema com o DDT, olhando em retrospecto, é que ele ajudou a intensificar o problema da explosão demográfica".

Jeff Hoffman, representante ambientalista, escreveu no site grist.org que "A Malária era, na realidade, uma medida natural de controle populacional, e o DDT gerou uma volumosa explosão populacional em alguns locais onde ele havia erradicado a malária. Basicamente, por que seres humanos devem ter prioridade sobre as outras formas de vida?... Não vejo ninguém respeitando os mosquitos aqui nesta seção de comentários."

O livro de John Berlau cita vários outros exemplos de desprezo dos ambientalistas pela vida humana e de como eles transformaram os políticos em seus idiotas úteis.

A organização mundial da Saúde estima que a malária infecta pelo menos 200 milhões de pessoas, das quais mais de meio milhão morrem anualmente. A maior parte das vítimas da malária são crianças africanas. Pessoas que defendem a proibição do DDT são cúmplices nas mortes de dezenas de milhões de africanos e de asiáticos. O filantropo Bill Gates arrecada dinheiro para milhões de redes contra mosquitos; porém, para manter suas credenciais acadêmicas intactas, a última coisa que ele advogaria seria o uso do DDT. Notavelmente, todos os políticos — principalmente os negros, que deveriam se sensibilizar com seus irmãos africanos — compartilham esta visão.

A morte de Rachel Carson não colocou um fim na insensatez ambientalista. O dr. Paul Ehrlich, biólogo da Universidade de Stanford, em seu best-seller de 1968, The Population Bomb, previu que haveria uma enorme escassez de comida nos EUA e que "já na década de 1970 ... centenas de milhões de pessoas irão morrer de fome neste país". Ehrlich via a Inglaterra em uma situação ainda mais desesperadora, e dizendo que "Se eu fosse um apostador, apostaria uma quantia substancial de dinheiro que a Inglaterra deixará de existir até o ano 2000".

No primeiro Dia da Terra, celebrado em 1970, Ehrlich alertou: "Dentro de dez anos, todas as mais importantes vidas animais nos oceanos estarão extintas. Grandes áreas costeiras terão de ser evacuadas por causa do fedor de peixe morto". Apesar de todo este notável currículo, Ehrlich continua até hoje sendo um dos favoritos da mídia e do mundo acadêmico.

E há ainda as insensatezes previstas pelos governos. Em 1914, o U.S. Bureau of Mines [uma espécie de Ministério das Minas e Energia americano] previu que as reservas de petróleo do país durariam apenas mais 10 anos. Em 1939, o Ministério do Interior americano revisou as estimativas, dizendo agora que o petróleo americano duraria mais 13 anos. Em 1972, um relatório publicado pelo Clube de Roma, Limits to Growth, disse que as reservas de petróleo em todo o mundo totalizavam apenas 550 bilhões de barrias. Com este relatório em mãos, o então presidente Jimmy Carter disse que "Até o final da próxima década, poderemos exaurir todas as reservas de petróleo existentes em todo o mundo". E acrescentou: "Todo o petróleo e todo o gás natural de que dependemos para 75% de nossa energia estão acabando."

Quanto a esta última previsão de Carter, um recente relatório do U.S. Government Accountability Office [braço auditor do Congresso americano] em conjunto com especialistas do setor privado estima que, mesmo que apenas metade do petróleo existente na formação geológica do Green River nos estados de Utah, Wyoming e Colorado seja recuperada, isso já "seria igual a todas as reservas de petróleo que comprovadamente existem no mundo". Trata-se de uma estimativa de 3 trilhões de barris, mais do que a OPEP possui em suas reservas. Mas não se preocupe. Tanto Carter quanto Ehrlich ainda são frequentemente convidados pela mídia para emitir suas opiniões.

Nossa contínua aceitação das manipulações, das mentiras e do terrorismo ambientalistas fez com que governos ao redor do mundo, além de banirem o DDT, implantassem políticas públicas assassinas em nome da "economia de energia" — como, por exemplo, as regulamentações estatais que exigem automóveis com menor consumo de combustível, o que levou a uma redução do tamanho dos carros e a um aumento no número de acidentes que, em outras circunstâncias, não seriam fatais.

Da próxima vez que você vir um ambientalista alertando sobre algum desastre iminente, ou dizendo que estamos prestes a vivenciar a escassez de alguma coisa, pergunte para ele qual foi a última vez que uma previsão ambientalista se mostrou correta. Algumas pessoas estão inclinadas a rotular os ambientalistas de idiotas. Isto é um juízo errôneo. Os ambientalistas foram extremamente bem-sucedidos em impor sua agenda. Somos nós que somos os idiotas por termos ouvido e aceitado tudo passivamente, e por termos permitido que os governos acatassem suas ordens.

*Walter Williams é professor honorário de economia da George Mason University e autor de sete livros. Suas colunas semanais são publicadas em mais de 140 jornais americanos.

Tradução: Leandro Roque
Publicado no site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.

Tags: ambientalismo | eco-fascismo | globalismo | esquerdismo | socialismo | movimento revolucionário | direito | história, Walter Williams, DDT, The Population Bomb, Rachel Carson, Silent Spring, Hoover Institution

terça-feira, 28 de maio de 2013

Vocês têm de ver isto e espalhar país afora para o debate: são 30 segundos que resumem o Brasil. A sociedade tem de fazer isso porque as oposições têm medo de falar com quem paga a conta!

Por Reinaldo Azevedo no blog www.veja.abril.com.br/blog/reinaldo/
Quero que vocês vejam este vídeo, bem curtinho. Esta senhora que fala aí é uma assistida do Bolsa Família lá de Fortaleza. São só 30 segundos. Mas eles resumem o Brasil que aí está e também apontam para um futuro — não muito promissor. Assistam. Volto em seguida.
Voltei
Escrevi ontem à noite um post sobre a irresponsabilidade dupla da Caixa Econômica Federal — que alterou o sistema de pagamento do Bolsa Família sem avisar ninguém e depois negou que o tivesse feito, sendo desmentida por reportagem da Folha — e das autoridades do governo federal, que saíram a acusar ou as oposições, caso de Maria do Rosário (a ministra dos Direitos Humanos, de inumana compreensão), ou um complô conspiracionista, sugerindo que, no fundo, seriam mesmo as oposições: José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça e aspirante a disputar o governo de São Paulo pelo PT, e Dilma Rousseff. A governanta classificou a boataria sobre o Bolsa Família de “desumana e criminosa”. Tudo não passou de uma trapalhada da Caixa Econômica Federal, pela qual se desculpou Jorge Hereda, presidente da instituição. Só desculpas?

Pois é… O que antes era “desumano e criminoso” não merecerá da soberana, pelo visto, nem mesmo um puxão de orelha. Cardozo continua em busca de um bode expiatório. Quem sabe apareça alguém para confessar, não é?, e se descubra, então, que ele é vizinho da tia da cabeleireira que vem a ser prima da cunhada da faxineira do secretário-geral do PSDB de Arapiraca… É ridículo! Mais do que o boato do fim do Bolsa Família, o que se espalhou como rastilho de pólvora foi a informação de que havia uma graninha a mais na CEF, um bônus. As pessoas que lá iam constatavam: havia mesmo! Aí, meus caros, foi o que se viu… Como pergunta Silvio Santos — numa indagação que, suponho, toca universalmente o coração e o intelecto: “Quem quer dinheirooo?”. No post em questão, destaquei também o ar robusto, primaveril mesmo em alguns casos, dos assistidos do Bolsa Família. O valor médio do benefício pago a cada família está aí na casa dos R$ 150. Muita gente recebe menos, mas há quem receba mais: nunca menos de R$ 32, nunca mais de R$ 306 — é o que informa o governo. Muito bem. Agora volto à assistida do vídeo que está lá no alto. A entrevista foi concedida ao Jornal Nacional de sábado. Reproduzo a sua fala, uma das maiores contribuições jamais prestadas à compreensão sociológica destes dias.

“Eu fui na lotérica, como vou de costume, fazer um depósito na poupança do meu esposo. Fui depositar o dinheiro. Como eu já estava lá, eu tinha de ir fazer isso, eu aproveitei, levei o cartão e tirei o meu Bolsa Família. Quando eu tirei, saiu (sic) os dois meses”.
Entendi. Ela foi depositar, como faz habitualmente, um dinheiro na poupança do marido, certo? Já que estava lá, levou o cartão do Bolsa Família e pimba! Saíram os dois meses de uma vez só. Ai, ai, ai… Longe de mim querer cassar o benefício da distintíssima senhora Diane dos Santos — e espero que ninguém pegue no pé dela. Mas me parece que alguém que tem dinheiro para fazer poupança não precisa do… Bolsa Família, certo? Reitero: acusarei aqui perseguição caso queiram lhe cortar o benefício — porque, é fato, como ela, há uma legião, há milhões hoje em dia. O problema não é ela, mas o programa. Eu até confesso uma certa simpatia por Diane, uma brasileira brejeira, com o cabelo arrumado, brincos, pele boa… Ela desmoraliza os delírios dos bem-pensantes sobre o atavismo da fome no Brasil, que faz o coitadismo que embala as ideias de reparação social da esquerda universitária. Ela não! É, reitero, distinta! Ela nem fala “marido” — deve achar meio grosseiro. Prefere, como Daniela Mercury, mas mudando o gênero, a palavra “esposo”.

“Então Reinaldo Azevedo sustenta que não existem mais a fome, a miséria…” Aquela fome africana, que Lula dizia existir em 2002, que ele curaria com dois pratos de comida, não existe mais no Brasil há décadas, embora haja, é evidente, nichos de famélicos em algumas áreas do sertão e até nas periferias extremamente pobres das grandes cidades. Isso persiste. Da mesma sorte, há, sim, pessoas com renda abaixo de R$ 70 em áreas restritas do Brasil profundo. Mas os pobres — eu sei do que falo — somos duros de morrer, fiquem certos, sobretudo de fome. Sempre se arranja um bico pra fazer, um serviço extra, alguma coisa que garanta o sustento dos filhos. No mais das vezes, essa renda per capita entre R$ 70 e R$ 140 é uma fantasia estatística. Ou será que a distinta dona Diane está “depositando na poupança do marido” o dinheiro do Bolsa Família? Ela nem havia sacado ainda o de abril — e já era dia 17! Certamente, o depósito que fora fazer era uma sobra, não?, depois de satisfeitas as necessidades básicas. Sobra de que renda? Não era do Bolsa Família!

Sim, é possível que haja alguns milhões de brasileiros que precisam efetivamente de um Bolsa Família, mas serão mesmo 40 milhões, 45 milhões talvez, divididos em mais de 13 milhões de família? Não é só dona Diane dos Santos que prova que não. Vocês certamente se lembram desta senhora, que, diz, “só ganha R$ 134 há oito anos”, o que, segundo ela, não dá nem comprar uma calça para a filha, “uma jovem de 16 anos”, porque, afinal, uma calça para essa faixa etária custaria R$ 300…
De fato, ela não tem a menor dúvida de que comprar uma calça para a sua filha é, sim, um problema do governo brasileiro, não dela própria, do marido ou de sua família. “Ah, o Bolsa Família vai custar em 2013 apenas R$ 24,9 bilhões. Perto do que o governo gasta com o Bolsa BNDES ou com o Bolsa Juros… Reinaldo não quer dar grana para os pobres.” Nem para os ricos!!! Eu não acho que governos tenham de dar dinheiro para ninguém. No caso dos pobres, tem é de criar programas sociais que os estimulem a buscar uma saída. E a injeção de recursos na conta do vivente só deve ser feita mesmo em último caso. E já está mais do que claro que o Bolsa Família, para muita gente, virou uma doação… O Nobel da Paz Muhammad Yunus está no Brasil (ver post na home). Ele criou o programa de microcrédito em Bangladesh que deu origem a um banco. Ele critica no Bolsa Família justamente seu caráter assistencialista.

O “andar de cima”, como quer Elio Gaspari, com essa categoria sociológica haurida da construção civil, consome bem mais do que os R$ 25 bilhões do Bolsa Família em subsídios, trapaças, aditamento de contratos etc.? Certamente! Não deixa de ser uma forma de “bolsismo”, não é?, e das mais perversas. Os dois extremos — os ricos cuidadosamente selecionados para as prebendas e os pobres que recebem todo mês um dinheirinho — se tornaram pilares de um modo de fazer política. Uns são gratos ao governo de turno com doações eleitorais e outras que não aparecem nos registros do TSE; os outros expressam a sua gratidão com votos.

O Bolsa Família se tornou, assim, uma formidável máquina eleitoreira, e os que mais se entusiasmam com o governo nem são, suponho, os que realmente precisam, mas os que, não precisando, temem uma mudança de guarda e a perda de uma benefício de que, no fundo, sabem ser descabido. Assim, é melhor deixar tudo como está.

OposiçãoCompreendo que a oposição venha a público disputar a paternidade dos programas sociais porque, com efeito, o Bolsa Família nada mais é do que a reunião dos programas que existiam no governo FHC numa única rubrica. Jádemonstrei faz alguns anos que isso é verdade. Faço-o de novo transcrevendo, em vermelho, trecho da Medida Provisória nº 132, que “criou” o Bolsa Família, no dia 20 de outubro de 2003. Essa MP foi depois convertida naLei 10.836, de 9 de janeiro de 2004. O conteúdo era o mesmo. Prestem atenção:

(…) programa de que trata o caput tem por finalidade a unificação dos procedimentos de gestão e execução das ações de transferência de renda do Governo Federal, especialmente as do Programa Nacional de Renda Mínima vinculado à Educação – “Bolsa Escola”, instituído pela Lei n.° 10.219, de 11 de abril de 2001, do Programa Nacional de Acesso à Alimentação – PNAA, criado pela Lei n.° 10.689, de 13 de junho de 2003, do Programa Nacional de Renda Mínima vinculado à Saúde – “Bolsa Alimentação”, instituído pela medida provisória n.° 2.206-1, de 6 de setembro de 2001, do Programa Auxílio-Gás, instituído pelo Decreto n.° 4.102, de 24 de janeiro de 2002, e do Cadastramento Único do Governo Federal, instituído pelo Decreto n.° 3.877, de 24 de julho de 2001.


Retomo
Assim, é claro que os programas foram originalmente criados pelo governo FHC. A questão é saber se dá para disputar essa paternidade hoje. Parece-me que não! E a máquina de propaganda montada com o Bolsa Família tem, sim, um efeito eleitoral evidente, como ficou claro em 2006 e 2010. Menos do que fazer tal disputa, as oposições teriam de ter a coragem de perguntar quem paga a conta. É claro que os petistas partiriam pra cima, acusando-a de querer acabar com o programa. Ocorre que o eleitorado cativo, meus caros, cativo já está. Não será desse mato que vão sair tucanos. Não saem mesmo! Os que se apõem ao petismo, reitero, têm de aprender a falar com quem paga a conta — muito especialmente os trabalhadores.

Que país existe na outra ponta dessa forma de assistencialismo? Não tem outra ponta nenhuma! A outra ponta é esta que está aí. Está bom assim? É o que o modelo permite. As virtudes já se esgotaram. Com Bolsa BNDES e Bolsa Família, a gente vai ficando assim. Teremos um dia uma oposição capaz de politizar o que tem de ser politizado, fugindo do demônio do consenso, que é, numa democracia, o que é a censura na ditadura? Não sei. Se e enquanto não o fizer, pode ir brincar de outra coisa. Chegou a hora de conversar com quem, não tendo o Bolsa Família, não tem também uma sobra para depositar na poupança do “esposo”.

Tags: Bolsa Família, bolsa alimentação, dilema da oposiçãoCEF, bolsa escola, bolsa esmola, bolsa BNDES, boato teste, boato para 2014, boato 2013, Caixa Econômica Federal, governo do PT, ditadura do PT, socialismo, esquerdismo, FHC, poupança

LULA DIZIA QUE AS BOLSAS DEIXAVAM OS POBRES PREGUIÇOSOS E QUE A BOLSA ESCOLA ERA BOLSA ESMOLA

Bolsa Família – A CEF, a irresponsabilidade do governo, os estado-dependentes e a máquina de caçar votos. Ou: É esta a cara da pobreza quase famélica?
Por Reinaldo Azevedo no blog www.veja.abril.com.br/blog/reinaldo/

Segundo consta, essa é cara da miséria profunda do Brasil; de famílias que precisam de R$ 32 a R$ 360 para não ficar na inanição…

É ridículo!

É patético!

O governo decidiu empreender uma investigação severa (!!!) para saber quem estava por trás dos tumultos provocados pela boataria envolvendo o pagamento do Bolsa Família. Antes que pudesse encontrar um bode expiatório (ainda está para aparecer um…), a verdade veio à tona: a culpada era a própria Caixa Econômica Federal, que efetua os pagamentos. O banco antecipou a disponibilidade de rendimentos sem prévio aviso, alguém descobriu, a coisa começou a correr de boca em boca, de celular em celular e nas redes sociais — afinal, os pobres e a “pobras” do Brasil já são digitalmente incluídos, certo? —, e aí foi aquilo que se viu.

Tão forte quanto o boato de que o programa poderia acabar era o de que havia um pagamento extra. Ora, como a CEF fizera, de fato, a antecipação, quem foi verificar seu saldo no caixa eletrônico viu que havia mesmo um dinheiro inesperado lá. O pobrezinho, coitado!, sacou do bolso o celular e ligou para o outro pobrezinho. “Ó, tem dinheiro mesmo…” E aí foi aquela correria de gente gorda e feliz — que bom! — buscar a graninha sem a qual, entendo, não é possível sobreviver, né? Foi um espetáculo melancólico, sob vários aspectos.

Em primeiro lugar, destaque-se a irresponsabilidade da Caixa e de figurões do governo. É evidente que a antecipação de um benefício que chega a milhões de pessoas deveria ter sido previamente comunicada aos interessados. Bastava emitir uma nota oficial, e ela chegaria às TV e as rádios. E fim de conversa. O banco deu de ombros, e aconteceu o quiproquó. Maria do Rosário, José Eduardo Cardozo e Dilma Rousseff aproveitaram o episódio para imaginar conspirações. A ministra dos Direitos Humanos, que tem o hábito de pôr as palavras adiante do pensamento, acusou a oposição — como se houvesse alguma maneira de os adversários de Dilma se beneficiarem de um boato que seria de pronto desmentido. Cardozo e Dilma preferiram ver coisas estranhas, sem acusar ninguém. Como a ministra já havia feito o servicinho sujo, as palavras ambíguas do ministro da Justiça e da presidente só deram curso à suspeição infundada e estúpida.

Os bolsistas
Em segundo lugar, mas ainda mais importante porque a questão remete ao futuro, exclamo: “Que bom que não sou tucano!” Não sendo, dispenso-me de entrar no campeonato de generosidades e posso, então, relatar o que vejo e me conceder o direito ao estranhamento. Você deram uma olhadinha nas fotos dos nossos “miseráveis”, que supostamente dependem do Bolsa Família para sobreviver? Uma foto, sei bem, não é estatística, estudo técnico, prancheta contábil, nada disso. E também não chamo, obviamente, a minha percepção de ciência. Estou apenas exercitando o primeiro passo de uma eventual descoberta, que é estranhar o que vejo, fazendo algumas indagações.

Então é essa a cara dos muito pobres? Cada família pode receber do governo, a depender do seu perfil, um mínimo de R$ 32 e um máximo de R$ 306. O Bolsa Família, que reuniu várias bolsas já existentes no governo FHC, foi criado, originalmente, para atender à pobreza extrema.

Quando Lula assumiu o poder, os programas chegavam a 5 milhões de famílias. Hoje, são mais de 13 milhões, atingindo um universo de mais ou menos 40 milhões de… eleitores! Voltem à foto (e procurem outras na rede). Obviamente, esses que correram para a Caixa porque se espalhou a informação de que havia lá um dinheiro inesperado — e não por causa do boato do suposto fim do programa — não constituem a cara da miséria brasileira coisa nenhuma.

É claro que existe pobreza extrema no país e que programas de renda são necessários. Mas será mesmo que deveria atender a tanta gente? A renda oficial, aquela que pode ser controlada pelo Fisco, não costuma ser a renda real das pessoas e das famílias, que encontram caminhos informais para ganhar dinheiro e sobreviver. O que o Bolsa Família faz, isto sim, e vai durar muito tempo, é cevar milhões com o assistencialismo — com evidente desdobramento eleitoral.

Virtuoso ou vicioso?
Aquele espetáculo patético certamente enche os olhos dos populistas: “Ah, finalmente, temos um país mobilizado em defesa de uma causa!” É nada! Temos uma fatia do país organizada para pegar uns trocos oferecidos pelo Estado. Não! Eu não os chamo de aproveitadores ou coisa do gênero. Nada disso! Se o dinheiro está ali, disponível, dentro da mais estrita legalidade, por que não pegar? A questão é saber que país se está construindo assim e para onde isso nos leva. Não me parece que seja para um bom caminho.

Mas como falar contra? Como apontar que há algo de estupidamente errado nisso? Precisaríamos ter partidos que falassem em nome de outros valores, que dialogassem também com quem efetivamente paga a conta. Mas não há! Ao contrário. A oposição acaba empurrada para a defensiva.

Também não estou dizendo que o Bolsa Família deixa o povo vagabundo. Quem afirmava isso era Lula, em 2003. Dizia que as bolsas deixavam os pobres preguiçosos, e eles paravam de plantar macaxeira!!!

“Olhem o Reinaldo… Critica o Bolsa Família, mas não o Bolsa BNDES!!!” Quem disse que não? E duramente! De novo, os arquivos estão aí. Temos um governo que vai navegando numa fórmula que parece mágica que ensina os pobres do Bolsa Família a ser pobres e os ricos do Bolsa BNDES e a ser ricos — e os dois extremos são, obviamente, muito gratos.

Caminhando para o encerramento
A trapalhada feita pela Caixa, cuja direção mentiu ao informar que não havia operado mudança nenhuma nos pagamentos, serviu para trazer à tona um coquetel de mistificações. E demonstrou também a que ponto pode chegar a fala irresponsável de algumas “otoridades”.