quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

A IGREJA CATÓLICA NÃO É PARTIDO POLÍTICO, MAS CONSERVA A VERDADE, A VIDA, A LIBERDADE E A JUSTIÇA DIVINA. ELA PREGA O PARAÍSO NO CÉU E AS DITADURAS SOCIALISTAS PREGAM O PARAÍSO NA TERRA

Por Reinaldo Azevedo no blog www.veja.abril.com.br/blog/reinaldo/
Chega de falar com os peixes!
São tantas e tão monumentais as bobagens ditas nestes dias sobre a Igreja Católica no geral e sobre a renúncia do papa Bento 16 em particular que chega a dar vontade de ficar mesmo batendo um papo com os peixes e deixar que triunfe o besteirol. Como a Igreja não vai mesmo dar bola a quem quer destruí-la, resultará tudo inútil. A dar crédito a algumas análises, parece ter chegado a hora de a Igreja nomear para dirigi-la, finalmente, alguém que a odeie com fúria e dedicação. Não acontecerá. Falaremos muito a respeito, estabelecendo alguns fundamentos para esse debate.

1 – A Igreja não é o que cada um acha que deva ser a Igreja
Tenho lido algumas análises supostamente muito ponderadas sobre a renúncia do papa Bento 16 e sobre o melhor nome para substituí-lo. A Igreja, segundo estes, é só a criadora ou inventora de uma suposta verdade, não a depositária de uma Verdade Revelada. “Ah, Reinaldo, mas a Igreja é esse ente?” Para os católicos, sim, ora essa! Como se é católico, felizmente, por escolha, não por imposição, não se pode cobrar que dirija a instituição alguém que duvide de seus postulados. Se a Igreja Católica fosse um partido político, um sindicato ou uma ONG para falar em nome desta ou daquela minoria, talvez pudesse fazer a vontade de muitos. Mas não é. Ela tem um fundamento e uma medida: os Evangelhos.

2 – Só pode mudar aquilo que tem o que conservar
Acho impressionante que alguns, visivelmente detestando a Igreja, se arvorem em seus conselheiros e, quem sabe, seus estrategistas. Digam-me aí o nome de outra instituição que tem sobrevivido por dois mil anos, suportando dois grandes cismas e um sem-número de facções que acabaram se desgarrando. Acho que a Igreja é um exemplo bem-sucedido de adaptação ao mundo que lhe é contemporâneo, sem, no entanto, esboroar-se. Peguem como exemplo outra “igreja”, cultora também de uma “verdade revelada” — de caráter supostamente científico, não místico: o comunismo. Este, sim, não suportou o choque com a realidade.

A Igreja Católica sabe, sem dúvida, sobreviver. Rio — de melancolia, não de satisfação — com os que gastam a sua verve para apontar a existência de uma Igreja vencida pelo tempo, pela história, pelas circunstâncias, pelo mundo que lhe é contemporâneo. Quando foi, afinal, que ela não esteve, de algum modo, nesse papel? A gente pode se divertir com a ideia, que não é insensata, de que só se conserva o que consegue mudar. É verdade. Mas a recíproca é verdadeira: não pode mudar aquilo que não tem o que conservar. Nesse caso, só a extinção está à espreita. Atenção para o que vem agora porque parece mero jogo de palavras, mas se trata da diferença entre a permanência e a desaparição: A IGREJA SOBREVIVE NÃO PORQUE SAIBA MUDAR — E ELA SABE! A IGREJA SOBREVIVE PORQUE SABE CONSERVAR.

Mas “conservar”, então, o quê? A gente chega lá.

3 – A Igreja Católica está decadente ou em extinção?
Essa é uma das grandes besteiras que muitos sustentam por aí. De fato, há uma perda importante de fiéis na Europa, onde se encontram hoje apenas 25% dos católicos do mundo. Na América Latina, eles são 42%, e os demais se espalham por América do Norte, Ásia e África — nesses dois continentes, a religião está em expansão, a despeito de todas as dificuldades. Note-se que o cristianismo — e, pois, também o catolicismo — é proibido em boa parte dos países islâmicos, e a conversão pode ser punida com a morte, como é o caso do Irã, do “companheiro” Mahamoud Ahmadinejad. Enquanto se erguem mesquitas no Ocidente, armam-se as forcas nos países islâmicos para os cristãos. Daqui a pouco, volto ao tema da “cristofobia”.

Uma igreja em extinção? Vocês se deram conta de que, se fosse uma empresa de educação, essa instituição que apontam como decadente, retrógrada, apegada ao passado, seria a maior do mundo por conta de suas escolas e universidades? Vocês se deram conta de que, se fosse uma empresa de saúde, a Igreja seria a maior do mundo por conta de seus hospitais? Vocês se deram conta de que, se fosse uma ONG a defender os mais pobres, a Igreja seria a maior do mundo por conta de centenas de entidades voltadas para o trabalho social?

E mais não faz porque, em alguns países da Ásia e em muitos países da África, os católicos — mais amplamente, os cristãos — são implacavelmente perseguidos. O cristianismo, diga-se, é hoje a religião mais perseguida do mundo, e as várias correntes do extremismo islâmico são os seus algozes.

4 – A cristofobia no mundo
A religião mais perseguida do mundo hoje é o cristianismo, em especial o catolicismo. Existe, sim, uma “cristofobia” que se espalha mundo afora, especialmente na África e na Ásia, mas que já está presente entre nós, aqui mesmo, nos países ocidentais.

Curioso, não? Enquanto a Igreja é vista por certa intelectualidade ocidental como símbolo do atraso e do reacionarismo, há algo de profundamente perturbador em sua mensagem quando ela se espalha, por exemplo, entre as tiranias africanas. Os 500 mil mortos de Darfur não foram massacrados em razão de “conflitos sectários”, como chamou candidamente a imprensa ocidental. Tratou-se de uma guerra religiosa — ou, se quiserem, de uma tentativa de limpeza religiosa. Incrível! O cristianismo continua a ameaçar os reinos que são deste mundo… Isso ainda vai render muitos posts aqui, estejam certos.

Tags: Igreja Católica, renúncia de Bento 16, cristofobia, extinção, decadência, paraíso terreno, paraíso celeste, Brasil, Vaticano, mortos de Darfur, catolicismo, cristianismo

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