sábado, 26 de janeiro de 2013

AS MARCAS DO PSDB E AS MARCAS DO PT. Ou:

Não coloquem um discurso de Tancredo na boca do Aécio.
Do blog CoroneLeaks (Coturno Noturno)

A viseira, o maiô e o "sonrisal" voltaram às praias cariocas. A moda, como um todo, sempre vem com alguma tendência retrô. Diante da política, no entanto, os "consumidores" tem sempre a mesma postura: querem o mesmo figurino, aquele "pretinho básico" que não envergonha e nem destaca, ou algo completamente novo, que os desafie a jogar fora o guarda-roupa inteiro. A última vez que isso aconteceu no Brasil foi com Collor.

Leio nos jornais que o PSDB está procurando um "João Santana" para chamar de seu. Isto acontece logo após o programa eleitoral de Dilma, levado ao ar na última quinta-feira, brilhantemente criado, dirigido e editado por ele. Ali, mais do que um simples aviso, o marqueteiro fez bem o seu trabalho: lançou mais uma bandeira para 2014, a de que nunca na história desse país alguém baixou a conta de luz. A partir daí, é correr o país e dar exemplos do que os pobres fizeram com aqueles R$ 10 a R$ 20 que sobraram no orçamento mensal. Terão comprado eletrodomésticos, um computador para o filho, todos estes sonhos de consumo. Tudo isso com largos sorrisos ou lágrimas de emoção. Ao contrário de outros partidos, vocês já notaram como os pobres do João Santana são lindos, coloridos, expressivos?

O Brasil está cheio de João Santanas. Não falta gente competente para fazer uma bela campanha. Isso se faz com estrutura, muito, mas muito dinheiro, e com algo que o PSDB não tem mais: marcas próprias. Nestes 10 anos, o PT se apoderou da Bolsa Família e do Luz para Todos. Mas criou, também, o Minha Casa, Minha Vida, o PROUNI, o Brasil Carinhoso e uma série de outras sub-marcas. Fez isso com muita competência. As marcas do PSDB, ao contrário, envelheceram. Viraram Ataris. Sobrou o Plano Real, a Lei de Responsabilidade Fiscal e o quê mais? O legado econômico-financeiro estruturante dos tucanos não resiste aos juros mais baixos, ao aumento de renda do trabalhador, à luz mais barata, enfim, ao legado populista do PT.

Nesta semana, o João Santana publicou uma portaria proibindo o uso da marca Minha Casa, Minha Vida, pela oposição. Ou alguém acha que foi a Dilma? O marqueteiro está protegendo o seu maior patrimônio, porque é sobre estas marcas que Dilma tem tudo para ser reeleita. Meu Deus! Também li nos jornais que o candidato tucano quer reeditar o Choque de Gestão. Isso não é marca, minha gente. Isso é pro lado de dentro da administração. Isso não fala com o povo. Choque de Gestão é receber a conta de luz e ter um choque positivo: ela vir 18% mais barata. Cuidado pra não levar um choque de gestão no televisor novo, benzinho!

As marcas do PSDB envelheceram. São marcas dos anos noventa e de um Brasil que ficou para trás. Em 2014, o Plano Real estará fazendo 20 anos. Será que a única coisa que o PSDB vai poder pedir ao país é um presidente comemorativo à data? Então voltem com o eldery Fernando Henrique Cardoso, pelo menos tem charme, tem história.

Logo depois da derrota de Serra, em 2010, este Blog fez um post pedindo que os governadores tucanos se unissem e lançassem marcas comuns de eficiência e de sucesso: uma marca em habitação, outra em saúde, uma outra em educação, tendo uma plataforma comum. Já pensaram 50% do Brasil comprando remédio no mesmo leilão? E se todas essas mães largadas por aí se chamassem "Mãe Brasileira" e fossem uma marca do partido? Sem isso, minha gente, não tem João Santana. Só tem Gonzales e os mutirões da catarata.

Os tucanos ficam profundamente irritados quando os petistas dizem que eles não tem projeto para o país. Leiam o que eles estão dizendo. Não é para o país. É para o eleitor. Um eleitor que, hoje, quer coisas palpáveis, empacotadas, disponíveis, factíveis imediatamente. Não adianta pintar um grande futuro sem ter nada para mostrar no presente. Ainda há tempo de criar marcas para 2014. Não adianta apenas fazer política, montar palanques regionais. Tem de ter o que dizer em cima deles. Choque de gestão? Plano Real? Lei da Responsabilidade Fiscal? Estabilidade econômica? São Ataris, minha gente. Retrô só existe na moda, na política é o caos. Não coloquem um discurso de Tancredo na boca do Aécio. Aí não há João Santana que dê jeito.

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