quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Presidente do PT acha que imprensa e Ministério Público podem levar o país ao nazismo e ao fascismo. Aceito o desafio de demonstrar que o petismo pode ser herdeiro dos fascistas, mas jamais o jornalismo livre

Presidente do PT acha que imprensa e Ministério Público podem levar o país ao nazismo e ao fascismo. Aceito o desafio de demonstrar que o petismo pode ser herdeiro dos fascistas, mas jamais o jornalismo livre
Por Reinaldo Azevedo no blog www.veja.abril.com.br/blog/reinaldo

Rui Falcão, presidente do PT, ainda não se conformou com a imprensa independente e afirmou ontem, na Câmara, que esse jornalismo que ele deplora e o Ministério Público podem conduzir o país ao nazismo e ao fascismo. Esta quarta-feira foi um dia adequado para tratar do tema. Há 80 anos, Adolf Hitler chegava ao poder na Alemanha. Escrevi um post a respeito. O nazismo — a forma que tomou o fascismo alemão — tinha um ideário e um programa para a imprensa. Já chego lá.

Falcão, reconduzido à presidência do PT com o apoio unânime dos mensaleiros, acha que os jornalistas e o Ministério Público demonizam a política. Leio na Folha esta declaração formidável:
“Sejamos francos: quem é a oposição no Brasil? Há oposição dos partidos políticos, mas há oposição mais forte, mas que não mostra a cara, quando poderia fazê-lo. É o que chamo de oposição extrapartidária, que se materializa numa declaração que a imprensa veiculou de Judith Brito, que disse com todas as letras: ‘como a oposição não cumpre seu papel, nós temos que fazer’. E vem fazendo.”

Judith Brito é a presidente da ANJ (Associação Nacional de Jornais). E não! Ela não afirmou o que Falcão lhe atribui. Ele pinça duas ou três palavras de uma resposta mais ampla dada ao Globo. O link da reportagem está aqui. Ela criticava, e com absoluta razão, o Plano Nacional de Direitos Humanos (neste blog, chamado de “Plano Nacional-Socialista de Direitos Humanos), que simplesmente instituía a censura no país. E fez uma afirmação que sustento neste blog desde o primeiro dia. Reproduzo:
“A liberdade de imprensa é um bem maior que não deve ser limitado. A esse direito geral, o contraponto é sempre a questão da responsabilidade dos meios de comunicação. E, obviamente, esses meios de comunicação estão fazendo de fato a posição oposicionista deste país, já que a oposição está profundamente fragilizada. E esse papel de oposição, de investigação, sem dúvida nenhuma incomoda sobremaneira o governo.”

A declaração é de março de 2010. Judith disse o óbvio,: uma das atribuições da imprensa é mesmo vigiar o poder e os poderosos, segundo os marcos legais e constitucionais. Ocorre que, nas democracias, essa é também uma das tarefas da oposição. Como, no Brasil, ela anda tímida e atrofiada, em contraste com a hipertrofia do governo, a imprensa acaba assumindo o lugar da única voz discordante. MAS ATENÇÃO! NÃO PORQUE TENHA UM PROJETO POLÍTICO! Não tem! Aliás, existem “imprensas”, no plural.

Falcão, este notável pensador de rapina, acaba se traindo e revela o que ele próprio pensa da oposição: é fraca e irrelevante. Na verdade, ela não o preocupa e aos petistas; tiram de letra! Chato mesmo é ter de aguentar o jornalismo que ainda não se rendeu, que ainda não caiu de joelhos. E olhem que vocês conhecem a rotina de sabujice que tem caracterizado a grande imprensa nestes tempos. O próprio Falcão foi tratado na CBN, por exemplo (leia post), como o defensor das criancinhas, embora tenha feito um projeto de lei inconstitucional. Fernando Haddad aparece como herói da cidade. Políticos de oposição têm sido impiedosamente ridicularizados. O petismo emplaca a pauta que bem entender em certos veículos. Não está bom para Falcão.

Nota antes que continue: quem ouvia atentamente o discurso de Falcão em seu primeiro dia de trabalho na Câmara? José Genoino, o deputado condenado por corrupção ativa e formação de quadrilha. O presidente do PT só não incluiu o Poder Judiciário entre os agentes do novo nazifascismo porque se acovardou.

Quem repete os nazistas mesmo?
Pois é… Ontem lembrei trechos aqui do programa dos nazistas e afirmei que qualquer semelhança com as teses dos partidos de esquerda não era mera coincidência. Ao contrário: a raiz do pensamento é comum. A tentação de se criarem entes que vigiem a sociedade — quando, nas democracias, é a sociedade que vigia esses entes — é a mesma. Fascismo e comunismo reúnem os fanáticos da reengenharia social e do controle das vontades. E a imprensa livre está muito além daquilo que eles podem tolerar.

Vejam se o item 23 do programa nazista não se encaixa à perfeição no discurso de Rui Falcão (em vermelho):

23. Exigimos que se lute pela lei contra a mentira política deliberada e a sua divulgação através da imprensa. Para que se torne possível a constituição de uma imprensa alemã, exigimos:
a) que todos os redatores e colaboradores de jornais editados em língua alemã sejam obrigatoriamente membros do povo (Volksgenossen);
b) que os jornais não-alemães sejam submetidos à autorização expressa do Estado para poderem circular. Que eles não possam ser impressos em língua alemã;
c) que toda participação financeira e toda influência de não-alemães sobre os jornais alemães sejam proibidas por lei, e exigimos que se adote como sanção para toda e qualquer infração o fechamento da empresa jornalística e a expulsão imediata dos não-alemães envolvidos para fora do Reich.
Os jornais que colidirem com o interesse geral devem ser interditados. Exigimos que a lei combata as tendências artísticas e literárias que exerçam influência debilitante sobre a vida do nosso povo, e o fechamento dos estabelecimentos que se oponham às exigências acima.


Aliás, boa parte da pregação petista seria abraçada pelo nacional-socialismo sem hesitação, como se pode ver aqui. Se é de nazistas e fascistas que Rui Falcão quer falar, eu topo a brincadeira. E, como se nota, estaremos em campos opostos nisso também.

Somos “os judeus” de Rui Falcão
Contestando um vídeo gravado por este senhor, em que, ora vejam!, ele atacava a imprensa livre — e é por isso que essa gente paga a imprensa do nariz marrom com o nosso dinheiro —, demonstrei as semelhanças que havia entre a sua fala e um pronunciamento de Goebbels no dia 10 de fevereiro de 1933. Hitler estava no poder havia apenas 11 dias.

Um dos alvos de Goebbels no discurso foi a imprensa dos “judeus insolentes”. Leiam trechos:
(…)
Se hoje a imprensa judaica acredita que pode fazer ameaças veladas contra o movimento Nacional-Socialista e acredita que pode burlar nossos meios de defesa, então, não deve continuar mentindo. Um dia nossa paciência vai acabar e calaremos esses judeus insolentes, bocas mentirosas!
(…)
Eu só queria acertar as contas com os [nossos] inimigos na imprensa e com os partidos inimigos e dizer-lhes pessoalmente o que quero dizer em todas as rádios alemãs para milhões de pessoas.


Eis aí. Somos os “judeus insolentes” de Rui Falcão.

Enquanto o presidente do PT fazia esse discurso, Luiz Inácio Apedeuta da Silva, o chefão do partido, celebrava o reino da liberdade e da justiça em Cuba.

LEIA "MENSALÃO", O LIVRO DO JORNALISTA MERVAL PEREIRA. CHEGOU A HORA DE INTERPRETAR AINDA MAIS O MUNDO!

Leia “Mensalão”, o livro do jornalista Merval Pereira. Chegou a hora de interpretar ainda mais o mundo!
Por Reinaldo de Azevedo no blog www.veja.abril.com.br/blog/reinaldo/

O maior e mais grave escândalo da história republicana — porque se tratou, além da roubalheira, de tentar golpear a democracia com a criação de um Congresso paralelo — ganhou há poucos dias outro livro: “Mensalão — O dia a dia do mais importante julgamento da história política do Brasil”, do jornalista Merval Pereira, colunista do jornal “O Globo” (Editora Record) e comentarista da GloboNews e da CBN. Digo “outro” porque há a história lida e analisada pelo professor Marco Antonio Villa em “Mensalão” (Editora LeYa).

Com prefácio de Carlos Ayres Britto, ex-ministro do Supremo, que presidiu o julgamento, o livro traz os artigos escritos sobre o tema no Globo entre 2 de agosto e 11 de dezembro de 2012. Merval é um dos textos mais lúcidos e precisos da imprensa brasileira e tem um vício incurável: é dono das próprias ideias. Não integra as hostes crescentes dos que escrevem ou para agradar ou para não desagradar. Também não é do tipo que marcha no descompasso só para chamar a atenção. Aliás, esta é a acusação frequente que pesa contra os jornalistas independentes: porque eventualmente não seguem o ritmo da mediocridade influente, são, então, tachados de meros provocadores.

Merval sabe fazer a composição entre o detalhe e o conjunto, entre a parte e o todo. Ao longo dos textos, entendemos o fluxo da história, mas sem perder alguns detalhes saborosos que ilustram e iluminam a trajetória.

Leia-se este trecho de “Fugindo da cadeia”, texto publicado no dia 15 de novembro de 2012:
É meio vergonhoso para o PT, há dez anos no poder, que a situação desumana de nosso sistema penitenciário vire tema de debate só agora que líderes petistas estão sendo condenados a penas que implicam necessariamente regime fechado.
Chega a ser patético que o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, no final das contas responsável pelo monitoramento das condições em que as penas são cumpridas, diga em público que preferiria morrer caso fosse condenado a muitos anos de prisão. Dois anos no cargo, e o ministro só se mobiliza para pôr a situação das prisões brasileiras em discussão no momento em que companheiros seus de partido são condenados a sentir na própria pele as situações degradantes a que presos comuns estão expostos há muitos e muitos anos, os dez últimos sob o comando do PT.

Também o ministro revisor Ricardo Lewandowski apressou-se a anunciar que muito provavelmente o ex-presidente do PT José Genoino vai cumprir sua pena em prisão domiciliar porque não há vagas nos estabelecimentos penais apropriados para reclusões em regime semiaberto. Para culminar, vem Dias Toffoli defender que as condenações restritivas da liberdade sejam trocadas por penas alternativas e multas em dinheiro. Tudo parece compor um quadro conspiratório para tentar evitar que os condenados pelo mensalão acabem indo para a cadeia, última barreira a ser superada para que a impunidade que vigora para crimes cometidos por poderosos e ricos deixe de ser a regra.
(…)

Voltei
Os artigos, uma vez reunidos em livro, ganham uma vida nova. No curso da leitura, entendemos com mais clareza as estratégias dos advogados dentro e fora dos tribunais, recuperamos o embate das teses jurídicas, lembramo-nos de detalhes das chicanas e reavivamos os valores, os bons valores, que fizeram com que as instituições brasileiras dissessem “não” aos golpistas.

Que o mensalão produza muito mais livros. Marx, bom frasista mesmo quando dizia as maiores cretinices, afirmou na “11ª Tese sobre Feuerbach”: “Os filósofos apenas interpretaram o mundo de diferentes maneiras, trata-se, entretanto de transformá-lo”. Não há como salvar essa tolice mesmo no ambiente do texto original. Parece inteligência, mas é obscurantismo.

O nosso papel, o de filósofos, jornalistas, historiadores — cada trabalho com seu acento peculiar —, é mesmo este: interpretar o mundo. É o modo que temos de transformá-lo. De resto, ansiamos para que todos, mesmo os homens especialmente talhados para a “transformação”, jamais abandonem a teoria e o pensamento. Leiam “Mensalão”, um livro que ousa interpretar a realidade tendo como norte os fatos.

Tags: imprensa, jornalismo, Mensalão, Merval Pereira, 11ª tese sobre Feuerbach

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

HA EXATOS 80 ANOS, ELE CHEGOU AO PODER. EM NOME DA REPARAÇÃO E DA IGUALDADE, EXTERMINOU MILHÕES DE VIDAS. E A MARCHA DO TERROR SE FEZ NO SILÊNCIO CÚMPLICE. E O MUNDO VIVEU SOB O SIGNO DA BESTA

Há exatos 80 anos, ele chegou ao poder. Em nome da reparação e da igualdade, exterminou milhões de vidas. E a marcha do terror se fez no silêncio cúmplice
Por Reinaldo Azevedo no blog www.veja.abril.com.br/blog/reinaldo/

Há exatos 80 anos, Adolf Hitler se tornava o chanceler da Alemanha. O resto é horror, perpetrado, em boa parte, sob o silêncio cúmplice do povo alemão e das demais nações.

Antes que se tornasse um homicida em massa, ele já havia atentado contra a ordem democrática, mas o regime o anistiou. Deram a Hitler em nome dos valores democráticos o que ele jamais concederia a seus adversários em nome dos valores nazistas.

Antes que se tornasse um homicida em massa, ele fundiu a chancelaria com a Presidência da República. E se fez silêncio.

Antes que se tornasse um homicida em massa, ele anexou a Áustria e a Renânia. E se fez silêncio.

Antes que se tornasse um homicida em massa, ele já havia ordenado, em 1933, a conversão de uma antiga fábrica de pólvora, em Dachau, num campo de concentração. E se fez silêncio.

Antes que se tornasse um homicida em massa, a França e a Inglaterra aceitaram que anexasse a região dos Sudetos, na Tchecoslováquia. Assinaram com ele um “acordo de paz”. E se fez silêncio. No ano seguinte, ele entrou em Praga e começou a exigir parte da Polônia. Depois vieram Noruega, Dinamarca, Holanda, França… É que haviam feito um excesso de silêncios.

– Silêncio quando, em 1º de abril de 1933, com dois meses de poder, os nazistas organizaram um boicote às lojas de judeus.
– Silêncio quando, no dia 7 de abril deste mesmo ano, os judeus foram proibidos de trabalhar para o governo alemão. Outros decretos se seguiram — foram 400 entre 1933 e 1939.
– Silêncio quando, neste mesmo abril, criam-se cotas nas universidades para alunos não alemães.
– Silêncio quando, em 1934, os atores judeus foram proibidos de atuar no teatro e no cinema.
– Silêncio quando, em 1935, os judeus perdem a cidadania alemã e se estabelecem laços de parentesco para definir essa condição.
– Silêncio quando, neste mesmo ano, tem início a transferência forçada de empresas de judeus para alemães, com preços fixados pelo governo.
– Silêncio quando, entre 1937 e 1938, os médicos judeus foram proibidos de tratar pacientes não judeus, e os advogados, impedidos de trabalhar.
– Silêncio quando os passaportes de judeus passaram a exibir um visível “j” vermelho: para que pudessem sair da Alemanha, mas não voltar.
– Silêncio quando homens que não tinham um prenome de origem judaica foram obrigados a adotar o nome “Israel”, e as mulheres, “Sara”.

Os milhões de mortos do nazismo, muito especialmente os seis milhões de judeus, morreram foi de… SILÊNCIO. Morreram porque os que defendiam a ordem democrática e os direitos fundamentais do homem mostraram-se incapazes de denunciar com a devida presteza o regime de horror que estava em curso.

Nos nossos dias
É pouco provável que aquelas barbaridades se repitam. Mas não se enganem. Oitenta anos depois, a democracia ainda é alvo de especulações as mais destrambelhadas. Cometei aqui a tese delinquente de certa senhora, estudiosa do Islã e aboletada na Universidade Harvard, segundo quem os islâmicos estão dando à luz uma nova democracia, que ela classifica de “iliberal”. Pois é… Em 1938, um ano antes do início da Segunda Guerra, cogitou-se o nome de Hitler para o Nobel da Paz. As leis raciais contra os judeus já estavam em vigência…

Aquela tal senhora — Jocelyne Cesari — escreve, como quem diz “Bom dia!”, que essa forma particular de democracia não implica necessariamente o fim da discriminação religiosa ou de gênero. Dona Jocelyne acha possível chamar de “democrático” um regime que segregue as pessoas por sua religião e gênero…

Um “intelectual” como Salavoj Zizek dedica-se a especular sobre as virtudes do moderno terrorismo, conquista admiradores mundo afora, inclusive no Brasil, e passa a ser uma referência do pensamento de esquerda. Reitero: ele não está a falar na tal “redenção dos oprimidos”. Ele empresta valor afirmativo a ações terroristas.

Mundo afora, direitos individuais são solapados pelo Estado — em nome da igualdade ou da reparação —, e a criação de leis que discriminam homens segundo a cor de sua pele ou sua origem é vista como um avanço.

Programa
Não custa lembrar aqui algumas “exigências” do programa que os nazistas tinham para a Alemanha, que certamente deixam encantados alguns dos nossos esquerdistas ainda hoje — especialmente aqueles que defendem, como é mesmo?, o controle social da mídia. Eis aqui parte do que eles queriam para a Alemanha:
(…)
11. A supressão dos rendimentos a que não corresponda trabalho ou esforço, o fim da escravidão do juro;

12. Levando-se em conta os imensos sacrifícios em bens e em sangue derramado que toda guerra exige do povo, o enriquecimento pessoal graças à guerra deve ser qualificado de crime contra o povo. Exigimos, portanto, a recuperação total de todos os lucros de guerra;

13. Exigimos a nacionalização de todas as empresas (já) estabelecidas como sociedades (trustes);

14. Exigimos participação nos lucros das grandes empresas;

15. Exigimos que se ampliem generosamente as aposentadorias;

16. Exigimos a constituição e a manutenção de uma classe média sadia, a estatização imediata das grandes lojas, e o seu aluguel a preços baixos a pequenos comerciantes, cadastramento sistemático de todos os pequenos comerciantes para atender às encomendas do Estado, dos Länder e das comunas;

17. Exigimos uma reforma agrária apropriada às nossas necessidades nacionais, a elaboração de uma lei sobre a expropriação da terra sem indenização por motivo de utilidade pública, a supressão da renda fundiária e a proibição de qualquer especulação imobiliária;

18. Exigimos uma luta impiedosa contra aqueles cujas atividades prejudicam o interesse geral. Os infames criminosos contra o povo, agiotas, traficantes etc. devem ser punidos com pena de morte, sem consideração de credo ou raça;

19. Exigimos que se substitua o direito romano, que serve à ordem materialista, por um direito alemão;

20. Com o fito de permitir a todo alemão capaz e trabalhador alcançar uma instrução de alto nível e chegar assim ao desempenho de funções executivas, deve o Estado empreender uma reorganização radical de todo o nosso sistema de educação popular. Os programas de todos os estabelecimentos de ensino devem ser adaptados às exigências da vida prática. A assimilação dos conhecimentos de instrução cívica deve ser feita na escola desde o despertar da inteligência. Exigimos a educação, custeada pelo Estado, dos filhos – com destacados dotes intelectuais – de pais pobres, sem se levar em conta a posição ou a profissão desses pais;

21. O Estado deve tomar a seu cargo o melhoramento da saúde pública mediante a proteção da mãe e da criança, a proibição do trabalho infantil, uma política de educação física que compreenda a instituição legal da ginástica e do esporte obrigatórios, e o máximo auxílio possível às associações especializadas na educação física dos jovens;

22. Exigimos a abolição do exército de mercenários e a formação de um exército popular;

23. Exigimos que se lute pela lei contra a mentira política deliberada e a sua divulgação através da imprensa. Para que se torne possível a constituição de uma imprensa alemã, exigimos:
a) que todos os redatores e colaboradores de jornais editados em língua alemã sejam obrigatoriamente membros do povo (Volksgenossen);
b) que os jornais não-alemães sejam submetidos à autorização expressa do Estado para poderem circular. Que eles não possam ser impressos em língua alemã;
c) que toda participação financeira e toda influência de não-alemães sobre os jornais alemães sejam proibidas por lei, e exigimos que se adote como sanção para toda e qualquer infração o fechamento da empresa jornalística e a expulsão imediata dos não-alemães envolvidos para fora do Reich.
Os jornais que colidirem com o interesse geral devem ser interditados. Exigimos que a lei combata as tendências artísticas e literárias que exerçam influência debilitante sobre a vida do nosso povo, e o fechamento dos estabelecimentos que se oponham às exigências acima.

(…)

Começando a encerrar
Não, senhores! Qualquer semelhança com um programa de esquerda — e me digam quais esquerdistas não endossariam ainda hoje o que vai acima — não é mera coincidência. O fascismo, também na sua vertente nazista, sempre foi de esquerda nos seus fundamentos mais gerais. Erigiu, sim, uma concepção de poder e de organização de estado diferente daquelas estabelecidas pela Internacional Comunista e repudiava o entendimento que tinha esta do “internacionalismo”. Mas o ódio ao liberalismo econômico, à propriedade privada e às liberdades individuais era o mesmo.

Essa cultura da “engenharia social”, que cassa direitos individuais em nome de um estado reparador, ainda está muito presente no mundo. Como se percebe, ela se estabelece oferecendo o paraíso na terra, um verdadeiro reino de justiça e igualdade. Deu no que deu.

Neste ponto, alguém poderia objetar: “O Reinaldo agora acha que a luta por justiça resulta em fascismo…”. Não! O Reinaldo não acha isso. Pensa, isto sim, que as tentações totalitárias manipulam o discurso da igualdade para criar um ente de razão, estado ou partido, que busque substituir a sociedade.

E não se enganem: oitenta anos é quase nada na história humana. Não faz tanto tempo assim. Em 1933, a humanidade já dispunha de boa parte da literatura que vale a pena, de boa parte do pensamento que vale a pena, de boa parte até mesmo do conhecimento científico que ainda hoje serve de referência.

No entanto, o mundo viveu sob o signo da besta.

Tags: antissemitismo, Hitler, nazismo, fascismo, ditadura do PT, controle da mídia, Jocelyne Cesari, silêncio cúmplice, história

SOBRE PRIMAVERAS E INVERNOS. E uma conversa sobre o respeito que se deve aos leitores

Sobre primaveras e invernos. E uma conversa sobre o respeito que se deve aos leitores
Por Reinaldo Azevedo no blog www.veja.abril.com.br/blog/reinaldo/

Escrever, opinar, entrar no debate, tudo isso implica expor-se, claro!, às críticas. Dá trabalho. Este blog, por exemplo, tem arquivo. As pessoas podem cotejar o que o articulista diz hoje com o que disse antes. Entendo que uma eventual mudança de posição, quando há honestidade intelectual, tem de ser explicada. “Olhem, pensava isso antes, mas, depois, analisando tais elementos, mudei e constatei que estava errado…” Tenho notado, no entanto, que essa não é a regra. Ao acompanhar alguns comentários na TV e ler algumas colunas, fico com a impressão de que ou o comentarista vive num presente eterno — ou imagina que os leitores e telespectadores estão nessa condição.

Ontem, no Jornal da Globo, Arnaldo Jabor comentou a nova crise no Egito — o link está aí; infelizmente, não oferecem mais código de incorporação. Num dado momento, afirmou (em vermelho):
“Há dois anos, achávamos que o Egito ia florescer com a queda do Mubarak. Nada disso! Só há duas forças concretas no Egito: a Irmandade Muçulmana, reacionária semente da Al Qaeda, e os militares, acostumados a décadas de privilégios (…). A democracia já é mal entendida em republiquetas latinas. Imaginem em povos que se matam há mil anos por Deus. Que democracia? Um vago sentimento de liberdade, dificílimo de organizar? Uma democracia autoritária, talvez. (…) A única vantagem da Primavera (Árabe) foi o aparecimento da verdade bruta da história: o sonho acabou”.


E antes?
Este é Jabor hoje. E antes? Já chego lá. No dia 22 de agosto de 2011, em um dos muitos textos que escrevi contestando a existência da tal Primavera (aqui, o link),fiz algumas considerações. Apanhei pra chuchu, acusado de condescender com ditadores. Reproduzo alguns trechos em azul:

Muamar kadafi já era! (…) O que será da Líbia? (…). A democracia é um “valor universal” para os… democratas! Mais: é preciso que haja democratas para que exista democracia. Não é um bem imaterial, só um norte ético, que os homens de bem buscam alcançar. Trata-se de um modelo de governo, que não se subordina, por exemplo, a uma religião. Quantos querem democracia na Líbia?

Não foram os ditos “rebeldes” que derrubaram Kadafi, mas a Otan — na verdade, Estados Unidos e Inglaterra. (…) A Otan se meteu numa guerra civil, sem a autorização de ninguém, e escolheu um dos lados.
(…)
A Líbia de Kadafi foi, durante muitos anos, um celeiro de terroristas — aliás, era governado por um. Aí o homem se engraçou com o Ocidente, declarou inimigos os jihadistas e passou a colaborar efetivamente com o combate ao terrorismo, tanto que recebeu o afago dos governos dos EUA e da Grã-Bretanha. O jihadismo se alinhou com os rebeldes. Alguns de seus soldados são veteranos ainda da guerra do Afeganistão contra a… União Soviética! Quem dará o tom do novo governo?
(…)
Se é um primado moral e ético censurar a ação de déspotas sanguinários como Mubarak, Kadafi e Bashar Al Assad, não dá para fazer de conta que forças democráticas despertaram de seu longo sono para depor governos tiranos, dispostas a morrer — no caso da Líbia, da Síria e do Iêmen, dispostas também a matar. Infelizmente, as coisas não se dão dessa maneira. Alguém as mobiliza e com um propósito. O Egito já emitiu um péssimo sinal. Ainda que se venha a constituir um núcleo de governabilidade pautado pela democracia — as coisas andam confusas por lá —, esse governo certamente não tratará os terroristas a ferro e fogo, como fazia Mubarak; essa era a única face positiva do seu regime, o que valia também para Kadafi, ao menos o dos últimos anos.

Eu gostaria de estar mais otimista, mas não estou, não. Há algo de profundamente errado quando se afirma que a “Primavera Árabe” contribui para aumentar os riscos de Israel. Que diabo de “primavera” é essa que expõe ainda mais ao perigo uma nação democrática e contribui para elevar a tensão no Oriente Médio? Às vezes, sinto um tanto de “inverno da razão” nessa euforia, o que não quer dizer que aqueles tiranos sejam menos moralmente miseráveis do que são. Aplaudo o fim de Mubarak, de Kadafi e, quem sabe, de Bashar Al Assad… E só. Ainda não dá para saudar uma nova aurora.


Retomo
Esse era um dos meus textos mais amenos. Demonstrei, por exemplo, que o trio Obama-Sarkozy-Cameron rasgou a resolução da ONU para entrar na guerra civil da Líbia como parceiro da Al Qaeda. Muito bem. Arnaldo Jabor também comentava o assunto. O mesmo que disse aquelas coisas ontem, afirmava isto aqui, em novembro daquele mesmo 2011:
Vale a pena deixar registradas estas palavras (em vermelho):
“Depois do 11 de setembro, o Ocidente foi fustigado, humilhado, por dentro e fora, de Bush à Al Qaeda. Perdeu sua fama de infalível e, agora, encheu-se de brios (…) Para proteger o belíssimo despertar do povo árabe. O exemplo de uma revolução que saiu do corpo do povo mostrou ao Ocidente que democracia não é um item de exportação, mas uma necessidade vital. Os árabes nos deram uma lição, e não queremos ficar atrás deles. Bem ou mal, já existe uma globalização da democracia (…)”

Comento
Jabor tem a mania de recorrer ao um certo “nós” que pensa o que ele pensa… Voltem lá à intervenção de ontem: “Há dois anos, achávamos que o Egito ia florescer coma queda de Mubarak…” Achávamos??? Eu nunca achei! Eu sempre achei o contrário disso. No texto de 2011, notem que o comentarista iguala os terroristas da Al Qaeda a Bush, presidente eleito e reeleito dos EUA, afirma existência de um “belo despertar” e ainda diz que os árabes devem nos servir de… exemplo!!!

Pois é… Em 2011, a imprensa quase inteira aplaudia a Primavera Árabe — e Jabor aplaudia também, com juízos sempre peremptórios, para atravessar os tempos. Em 2013, o Egito está sob Lei Marcial, seis dezenas de pessoas foram assassinadas em menos de uma semana pelas forças de segurança, e a o Norte da África está coalhado de terroristas por causa da desconstituição do governo líbio. E Arnaldo Jabor descobre, então, que, no Egito, por exemplo, só existem mesmo a Irmandade Muçulmana e os militares como forças constituídas. E a que a Primavera Árabe era uma bobagem.

Ou o Jabor de 2011 estava errado, e este, de 2013, certo, ou o contrário.

E o Facebook, então?
No dia 25 de janeiro de 2011 (link aqui), escrevi o primeiro texto sobre o que ainda era mera onda de protestos no Egito. Está lá (em azul):
(…)
Ocorre que o Egito tem um governo secular, que reprime com dureza também os grupos fundamentalistas. Conta com o apoio dos EUA — o que é estrategicamente correto, ainda que se repudie a ditadura. A questão é pensar qual é a alternativa. O Egito é a pátria da Irmandade Muçulmana, grupo extremista que está na raiz do moderno terrorismo islâmico.
(…)
Quem não quer democracia no Egito e no mundo inteiro? A questão é saber se o preço da queda de Mubarak pode ser a ascensão ao poder da Irmandade Muçulmana — e, pois, de um grupo que admite o terrorismo como uma forma legítima de luta política, firmemente destinado a acabar com o governo laico não só no Egito, mas no mundo!!!
(…)
Operando com critérios puramente lógicos, a melhor saída. parece, seria um processo de liberalização do regime de Mubarak, de modo a permitir a consolidação de uma oposição laica e democrática. A pior coisa que poderia acontecer para o mundo — e para os egípcios em particular — seria o país cair nas mãos da Irmandade Muçulmana.


Com dez dias de protesto, Barack Obama deixou claro que era para Mubarak dar no pé. E, por óbvio, aquilo que se dizia ser “o povo” — e era a Irmandade Muçulmana — não saiu mais da praça. Aí começou aquela bobajada de que a revolução egípcia era a primeira feita pelo Facebook. Ninguém nem se interessou em perguntar quantos egípcios estavam efetivamente ligados à rede mundial de computadores. No dia 2 de fevereiro, Jabor, sempre pensando fatos de alcance histórico, afirmava o que segue:
Dois dias depois, escrevi aqui:
Uma das maiores mistificações destes dias é a história de que a Internet fez a revolução no Egito – e, pois, agitaria todo o mundo árabe, muito especialmente os países que têm governos apoiados pelos EUA.

Como todo mundo, vi uma foto impressionante: milhares de pessoas que protestam na praça param e se ajoelham, cabeça posta ao chão.

Não! Não era para o Facebook, que boa parte nem sabe o que é. Era para Alá. A rede social que os une, vai ficando cada vez mais claro, se chama “Irmandade Muçulmana”. Talvez as redes sociais facilitem a comunicação um tantinho, só isso. Mas não estamos diante de um evento-relâmpago. Uma ideia mantém a praça ocupada, caramba!

Concluo
Não! Não tenho compromisso com o erro, nem com o meu próprio. Assim, é claro que posso mudar de ideia se percebo que estou errado. E deixo claro quando estou certo. Não é para me jactar. Faço-e em respeito aos leitores e porque uma das tarefas do jornalista não é dizer a obviedade que agrada. Com alguma frequência, é dizer a obviedade que desagrada. Os caminhos da dita “Primavera Árabe” sempre foram óbvios. Mas era uma obviedade incômoda e que caminhava na contramão do que parecia ser o politicamente correto.

A Irmandade Muçulmana ficou muito grata a esses escrúpulos. E os terroristas também.

Tags: Arnaldo Jabor, Egito, Primavera Árabe, Irmandade muçulmana, Barack Obama, Mubarak, Al Qaeda, Estados Unidos

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

"AVE, OBAMA, OS QUE VÃO MORRER O SAÚDAM!". Ou: A classe dos estúpidos é internacional!

A classe dos estúpidos é internacional! Ou: “Ave, Obama, os que vão morrer o saúdam!”
Por Reinaldo Azevedo no blog www.veja.abril.com.br/blog/reinaldo/

A estupidez até pode encontrar um terreno fertilíssimo no Brasil e, às vezes, chegar a altitudes inigualáveis. Mas não é uma exclusividade nossa, não! Os idiotas estão soltos e, como lembrou um ex-ministro, perderam completamente a modéstia.

Mohamed Morsi, presidente do Egito, teve uma ideia para conter os protestos populares, que entram pelo quinto dia: Lei Marcial — instrumento a que recorreu o agora encarcerado e quase morto Hosni Mubarak. Nesses cinco dias, já são 58 os mortos em várias cidades do país. O Ocidente assiste atônito e mudo. Quem é que está na rua agora? Os traídos de sempre das “revoluções islâmicas”: as facções laicas e realmente democráticas que acreditam poder, porque mais racionais e informadas, dar um truque na truculência religiosa. É incrível! EUA e Europa caíram, em 2011 e 2012, na mesma conversa de 1979, com a revolução iraniana. Até o comportamento do democrata da hora que ocupa a Casa Branca foi o mesmo: Jimmy Carter, certamente o mais patético presidente da história americana, puxou o tapete do xá Reza Pahlevi e entregou o Irã a Khomeini. Alguns meses depois, o barbudo de olhar maligno estava matando e esfolando. Barack Obama puxou o tapete de Mubarak e de outros ditadores e entregou o Egito à Irmandade Muçulmana e o Norte da África aos terroristas. Uma obra que vai ficar para a história. E ele o fez com o auxílio luxuoso de um conservador que havia virado socialite, Nicolas Sarkozy, então presidente da França, que perdera o eixo, e de outro conservador meio burrinho, David Cameron, primeiro-ministro britânico.

George W. Bush, o odiado “jorjibúsxi”, diz-se, achava que podia sair por aí derrubando ditadores inimigos. Uma coisa realmente muito feia de fazer e que lhe rendeu o repúdio dos politicamente corretos mundo afora, especialmente no Brasil. Essas mesmas mentalidades, no entanto, acham que os americanos cumprem uma missão civilizadora e civilizatória quando saem por aí derrubando ditadores… amigos. É um jeito de ver o mundo, com o qual não concordo num caso e noutro. A Irmandade Muçulmana, obviamente, deu um passa-moleque nos seus “aliados” ocidentais, e os terroristas levaram a melhor na Líbia — e isso quer dizer levar a melhor em todo o Norte da África.

Mas é muito pequena a possibilidade de ler o óbvio na imprensa brasileira ou estrangeira. O Estadão traz nesta terça um texto estupefaciente, escrito por Jocelyne Cesari, publicado no Washington Post. Ela é pesquisadora sênior do programa “Islam in the West”, do Centro Berkley, da Universidade Harvard.

Contra os fatos, contra as evidências, dona Jocelyne vê “a firme marcha dos movimentos islâmicos rumo à democracia”. Mas aí ela se sentiu na obrigação de adjetivar um pouco essa democracia. E escreveu esta maravilha: “Entretanto, isso não significa que as transições em curso levarão necessariamente a democracias liberais no estilo ocidental. O mais provável é que estejamos testemunhando a ascensão de democracias iliberais, nas quais o respeito aos resultados eleitorais não significa automaticamente o fim da discriminação com base no gênero ou na religião entre os cidadãos”.

Parece um pensamento original, mas é pistolagem intelectual. Como esses vigaristas se encantaram com a dita Primavera Árabe, assegurando o seu caráter democrático — estupidez na qual este blog nunca caiu —, faz-se necessário agora inventar uma categoria em que encaixar aquele troço. Surge, assim, a “democracia iliberal”, que se resumirá, então, ao “respeito aos resultados eleitorais”. Por esse critério, a Venezuela e o Irã são democracias — “iliberais”, por certo! Como “democracias iliberais” eram alguns fascismos europeus.

Segundo Jocelyne, o verdadeiro teste para esse novo modelo democrático será a persistência do “sistema eleitoral”. Duvido que esta senhora não tenha lido Gramsci. Tendo lido, é mesmo uma farsante. Na hipótese de que não tenha, é uma ignorante essencial. Modelos autoritários, islâmicos ou não, recorrem cada vez mais a eleições para se legitimar. Perceberam que isso é mais eficiente do que as armas. Por intermédio de leis votadas em Parlamentos sob o controle de “partidos populares” ou de “partidos religiosos”, estabelecem as condições da devida desigualdade da disputa. A nova Constituição votada no Egito dá aos religiosos a última palavra até sobre sentenças judiciais. Nas eleições egípcias, membros da Irmandade Muçulmana acompanhavam os eleitores até a urna. E não havia o que fazer — e não haverá.

Jocelyne sente a incontornável necessidade de inventar uma democracia diferenciada para poder justificar as brutalidades do novo regime. Reparem nas consequências práticas de sua tese. Os cinquenta e oito cadáveres, então, que se contam no Egito em cinco dias já são cadáveres da democracia — “iliberal”, é bem verdade, mas democracia ainda assim, segundo esse pensamento. Os mortos de Mubarak eram expressão da truculência. Os mortos de Morsi são consequência do poder popular.

Sigamos ainda para onde aponta o nariz de dona Jocelyne. Notem que ela é pesquisadora sênior do programa “Islã no Ocidente”. Isso quer dizer que esta senhora vê, certamente, com bons olhos a força crescente dos companheiros de turbante na Europa, por exemplo. Se democracia é democracia, ainda que “iliberal”, é de supor que também os ocidentais acabem, vamos dizer assim, se contaminando com esses novos valores. Se, daqui a 50 anos, a França estiver de burca — e se for isso o que querem as urnas —, fazer o quê?

Esta senhora desidrata a democracia de seu conteúdo e de sua história e a converte num mero sistema de escolha de governantes. Nas democracias iliberais, as maiorias se impõem pelo voto e, se preciso, esmagam as minorias. Nega-se, assim, o fundamento que fez da democracia ocidental um regime realmente acima de qualquer outro que o mundo tenha tentado: o seu valor negativo — vale dizer: a proteção às minorias.

Apontei aqui outro dia que nenhum lobby era tão eficiente e poderoso em escala planetária como o lobby islâmico (na imprensa paulistana, só o do Supercoxinha é mais forte). Eis aí.

É certo que nem tudo é treva e se pode ler ainda o que presta. Na edição de VEJA da semana passada, Mario Sábino, correspondente em Paris, escreveu sobre a necessária intervenção francesa no Mali (em azul):

(…)
Aplaudida pelos aliados, a França, no momento, está como a Estátua da Liberdade: sozinha, com a tocha na mão. Afora as palavras de solidariedade e algum apoio logístico, as nações amigas relutam em formar uma coalizão semelhante àquela que derrubou o ditador líbio Muamar Kadafi na Líbia, em 2011. A crise econômica levou a que todos cortassem na bucha dos canhões e ninguém parece disponível para lutar na África depois da aventura na Líbia, em que a geopolítica deu lugar ao geoproselitismo.
A encrenca no Mali é consequência direta do que ocorreu na Líbia. Ou, em outras palavras, Hollande está limpando o lixo que seu predecessor, Nicolas Sarkozy, deixou que se esparramasse, ao começar uma guerra contra Kadafi na qual o resto do Ocidente embarcou. Na última década, o ditador, um dos mais sanguinários e pitorescos de que se tem notícia mesmo para os largos padrões africanos, conseguiu segurar, a bom preço pago pela Europa, a ação de terroristas islâmicos e os anseios irredentistas dos tuaregues, povo seminômade que se espalha no miolo formado por Argélia, Mali, Níger, Chade, Burkina Faso, Nigéria e, claro, Líbia. Com a queda de Kadafi e a “primavera árabe” no Magreb, que destituiu tiranos na essência laicos por tiranos muçulmanos só na aparência moderados, os terroristas viram-se à vontade para agir na região adjacente do Sahel — a faixa de terra que se interpõe entre o deserto magrebino (o Saara) e o sul equatorial, com populações já predominantemente negras.
(…)


Volto
Na mosca! A bobagem que as potências ocidentais fizeram e ainda fazem em relação à dita “Primavera Árabe”, segundo a lógica dos fatos, era e é praticamente autodemonstrável. É a marcha da “democracia iliberal”… No caso da Líbia, aí houve a mistura explosiva dos bons sentimentos com a irracionalidade. Obama, Sarkozy e Cameron não viram mal nenhum em que a Otan, ao menos naquele empreendimento, se juntasse aos jihadistas.

Pois é… Dona Jocelyne, a tal, à sua maneira torta, ajuda-nos a entender o mundo. Os autoritários resolveram adotar o método ocidental — as eleições —, mas dispensando os seus valores. Trata-se de um bom modo de eternizar ditaduras. Já os ocidentais à moda Jocelyne fizeram o contrário: começam a admirar os valores dos autoritários. Nessa toada, adivinhem quem está condenado à derrota.

Repito para o presidente dos EUA a saudação que se fazia aos Césares: “Ave, Obama, os que vão morrer o saúdam!”.

Tags: Barack Obama, Primavera Árabe, terrorismo, Jocelyne Cesari, supercoxinha, Washington Post, Mohamed Morsi, África do Norte, Kadafi, Líbia, Jimmy Carter

VÍDEO MOSTRA A LUTA PELO FRANGO EM SUPERMERCADO NA VENEZUELA. É A MARAVILHA DO COMUNISMO BOLIVARIANO!

Por Aluízio Amorim no blog www.aluizioamorim.blogspot.com

O efeito mais dramático do regime comunista-bolivariano do tiranete Hugo Chávez é a escassez de alimentos e gêneros de primeira necessidade que inclui até mesmo papel higiênico.

Este vídeo acima que me enviam da Venezuela, mostra um supermercado de Maracaibo, a segunda maior cidade do País, com os clientes andando de um lado para o outro. Parece tudo normal. Mas estão na verdade aguardando que chegue o frango (pollo em espanhol).

Logo que chega o produto há um inusitado corre-corre. Chega a parecer comédia pastelão. Todavia, esse é o cotidiano do povo da Venezuela sob o açoite do chavismo que já destruiu a economia do país ainda que se ufane em ser - e na verdade é - o país que detém a maior jazida petrolífera do mundo e é o maior exportador do produto.

Sobra petróleo e falta frango, papel higiênico, farinha de trigo, azeite, enfim os gêneros de primeira necessidade tão comuns em qualquer país que não tenha caído nas mãos da canalha comunista.

Na atualidade a Venezuela, vejam só, já está igualzinha a Cuba, que vive há décadas na maior miséria.

Tags: Venezuela, comunismo, socialismo, fascismo, ditadura chavista, ditadura do PT, governo do PT, supermercado de Maracaibo

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

O FILME LINCOLN, DE SPIELBERG, RETRATA BEM O GRANDE PRESIDENTE NORTE AMERICANO

LINCOLN, DE SPIELBERG
Escrito por Nivaldo Cordeiro e publicado no site Nivaldo Cordeiro: Um espectador engajado

O filme Lincoln, de Spielberg, é uma construção cinematográfica grandiosa, que dá ao expectador o efeito específico que só o cinema consegue: o impacto visual da reconstrução biográfica do grande presidente dos EUA. Além do notável diretor temos a ação dos grandes atores do elenco. Daniel Day-Lewis no papel principal equiparou-se agora aos maiores atores de todos os tempos, no nível de Al Pacino. Tudo que se escreveu sobre ele é merecido e quem vê o filme sai do cinema de queixo caído, admirado.

O foco da narrativa é as últimas semanas de vida de Lincoln e sua batalha parlamentar para aprovar a Décima Terceira Emenda, a que aboliu a escravatura. O diretor talvez pudesse abreviar essa narrativa e dar um pouco mais de dinamismo ao filme. Mesmo assim, sua escolha foi boa, para mostrar como é a mecânica da aprovação das leis, mesmo daquelas mais emblemáticas. No filme foi sublinhado que mesmo ele, o incorruptível Lincoln, passou a corromper para que a lei pudesse ser aprovada. Momentos de verdadeiro “mensalão”, como tivemos por aqui. Coisas da vida política.

O Daniel Day-Lewis captou a psicologia do personagem. A perfeição que conseguiu na reprodução do corpo e dos gestos (talvez da voz) de Lincoln é admirável. O rápido envelhecimento, a máscara dos últimos dias de vida, é evidência do desgaste da lula política, da administração da guerra e do drama familiar. Mas penso que é sobretudo resultado do esgotamento do tempo faustico. Lincoln foi uma figura faustica, um construtor de império que não hesitou em fazer o sacrifício de 600 mil vidas para esmagar as liberdades federativas originais, pondo em seu lugar um Estado mais centralizado, de vocação imperial.

Essa constatação nos leva necessariamente a meditar sobre a história norte-americana, de forte impacto nos acontecimentos globais, desde então. Com Lincoln, os EUA realizaram o esplendor do Estado moderno, guerreiro, expansionista, realizador. O papel desempenhado desde então por aquele país, em todos os conflitos relevantes, parece confirmar o destino manifesto. Tornou-se hegemônico. Suplantou a Europa. Virou policia do mundo. Explodiu a bomba atômica.

Muita gente vê os EUA como um Estado providencial. Penso ser um engano. É da mesma natureza que os demais Estados modernos. Se a história lhe reservou certos papéis mais moderadores foi por circunstância, pois ele nunca esteve dissociado nem da logica de movimento e nem dos propósitos dos demais Estados. O Estado moderno é sempre o devorador de homens, o matador em escala industrial. A guerra civil foi um momento conspícuo dessa jornada assassina.

Lincoln é a figura chave na construção do Estado norte-americano. Seu legado político fez sucumbir o idealismo daqueles que apostavam na federação de fato, na “federação de reinos autônomos”. No lugar das liberdades federativas temos a União centralizadora e determinadora das formas jurídicas e políticas do existir. No momento, a grande ameaça é o Estado mundial, desejado por muita gente, inclusive por Obama, mas não se sabe muito bem qual o formato que terá. Os que lutam pelo Estado mundial ainda não têm a fórmula de implantação, mas seguem o caminho necessário da homogeneização dos marcos jurídicos nacionais, passo a passo, e da implantação da agenda da nova moral, anticristã. A nova moral mundial.

Sem que Lincoln tivesse obtido seu êxito o mundo teria sido bem diferente no século XX e estaria bem diferente agora. Talvez as ameaças fossem menores, mas isso é tão impossível de saber quanto se contar a história do que poderia ter sido.

A TRAGÉDIA DE SANTA MARIA E A TRAGÉDIA DA PODRE POLÍTICA BRASILEIRA

A foto desnecessária.
Do blog CoroneLeaks (Coturno Noturno)
Quando Dilma Rousseff informou que cancelava compromissos no Chile e rumava para Santa Maria, para prestar solidariedade às vítimas, concordei de pronto: o tamanho da tragédia justificava tal decisão, pois a presença presidencial serviria para amenizar a dor imensa de centenas de famílias. Diante de tão triste episódio, não havia lugar para política. A presença presidencial daria a estas pobres mães, pais e familiares a real dimensão do ocorrido. E registrei: tomara que eu queime a língua e que ela não explore eleitoralmente o fato. Tomara que ela seja politicamente correta. Chegue em silêncio, visite as vítimas e parta sem falar com a Imprensa. Engano. Ao final, uma foto dramática feita pelo fotógrafo oficial, foi liberada para estar na primeira página de todos os jornais, no dia de amanhã. Uma foto desnecessária. Uma foto marqueteira. Uma foto politiqueira. Lamentável. A tragédia de Santa Maria e a tragédia da podre política brasileira.

domingo, 27 de janeiro de 2013

PARLAMENTO DO BRASIL SOB O CABRESTO DAS EMENDAS PARLAMENTARES. O governo atua como traficante e a maioria dos parlamentares se comporta como dependente

Vícios e dependências
Escrito por Percival Puggina e publicado no site www.midiasemmascara.org

Para o governo, centralizador e autoritário, o cabresto sobre o parlamento transformado em dependente é o melhor dos mundos.

O rapaz que fez soar a campainha era magro como a fome. Aproximei-me para ver o que desejava. De perto, descamisado, pele sobre osso, parecia um raio-x. Enquanto exibia um papel com assinaturas e carimbos, disse-me que estava em deslocamento para uma fazenda de recuperação de dependentes químicos. "Mas não tenho o dinheiro para a passagem", arrematou com olhar súplice. Pelo sim, pelo não, dei-lhe dez reais e lhe desejei uma boa internação, proveitosa à sua recuperação. Dias depois, reapareceu-me à porta com o mesmo ar de sofrida determinação em buscar a cura. Identifiquei-o pelas costelas.

O rapaz curtia tanto suas pedras de crack que fumava até o dinheiro da comida. E, com isso, fumava e descarnava o próprio corpo. O caminho da recuperação só é percorrido quando o viciado percebe a extensão do mal que a droga já lhe causou. A desgraça terá superado, então, o prazer. À falta dessa consciência, o viciado permanece em trânsito, dizendo que vai, mas não vai. Anunciando a busca de uma cura que não deseja ou não tem forças para enfrentar.

***

O Congresso Nacional está doente. A instituição, eivada de vícios, mal se apruma. Sua imagem perante a opinião pública é péssima. Lembra o rapaz com cara de raio-x. Membros do Poder, feitas as honrosas exceções, tornaram-se dependentes de algo que parece muito bom - as emendas parlamentares. E a elas sacrificaram sua autonomia. "Fumaram", no cachimbo das emendas, muitas convicções, credos e valores. Em torno delas, como acontece com as famílias dos dependentes químicos, estabeleceu-se uma rede de sujeições que envolve prefeituras e comunidades inteiras. Isso está destruindo a política.

Explico. Na votação do orçamento da União, é permitido aos congressistas, todo ano, mediante emendas ao projeto do governo, destinar recursos para fins específicos, de interesse das suas comunidades. Um total de R$ 15 milhões em números de 2012. Como se sabe, na prática administrativa brasileira, o orçamento é mera autorização ao governo para gastar. Assim, as emendas parlamentares ao orçamento se tornaram moeda de troca, liberadas ou não pelo governo segundo a relação que os proponentes mantenham com ele. É o governo que abre, se e quando quer, a porta do Tesouro. Pois mesmo sob tal garrote, imposto pelo Palácio do Planalto, esse instrumento de liberação de recursos se tornou tão importante que a expressão "emenda parlamentar" virou sinônimo de proposta de recursos para fins específicos indicados por congressista. São recursos muito bem-vindos a pequenas prefeituras, instituições comunitárias e serviços de atenção à saúde, principalmente. Viabilizam obras e serviços que, sem elas não seriam prestados.

No entanto, a mistura dos dois elementos - a possibilidade de emendar para atender as comunidades e a possibilidade de não ser autorizada a liberação - é letal. O governo atua como traficante e a maioria dos parlamentares se comporta como dependente. Enquanto isso, uns poucos lutam, sem muita esperança, por mudanças de rumo. Bastaria, por exemplo, reduzir o montante das emendas (já que o governo libera, mesmo, apenas uma parte delas) e tornar compulsória a autorização dos recursos por elas destinados. Mas para o governo, centralizador e autoritário, o cabresto sobre o parlamento transformado em dependente é o melhor dos mundos. Nossa democracia já está com as costelas de fora.

Publicado no jornal Zero Hora.

CERTIDÃO FALSA DE OBAMA: UM DESAFIO DOS "BIRTHERS" A COLIN POWEL

Certidão falsa de Obama: um desafio dos “birthers” a Colin Powel
Escrito por Oliveira Junior e publicado no site www.midiasemmascara.org

“Quando Powel, e outros capangas da facção elitista, humilha as pessoas que exigem seriedade no cumprimento da Constituição, seu objetivo é minar o respeito à Lei Suprema deste país.”

O investigador oficial de Maricopa, Arizona, Michael Zullo, assessor do xerife Joe Arpaio no caso da veracidade da certidão de nascimento do presidente Obama, convidou o ex-secretário de defesa dos Estados Unidos, Colin Powel, para verificar pessoalmente os documentos oficiais depois que Powel falou aos republicanos, contestadores da nacionalidade do presidente, os “birthers”, que as preocupações deles eram sem sentido e baseadas em acusações idiotas. “Eu não sei qual é o problema dele” – disse Michael.

“Eu o convidaria às minhas custas para vir ao escritório do xerife do condado de Maricopa, sentaria com ele e lhe mostraria as evidencias que temos acumulado, as quais nos levam à única conclusão lógica – que este documento (a certidão de nascimento de Obama) é fabricada. Se é fabricada, o presidente dos Estados Unidos, neste momento, deve uma explicação ao povo americano. Diga-nos por quê... é simples assim” – continuou.

Zullo foi indicado por Arpaio para liderar as investigações sobre a elegibilidade do presidente Obama após um contingente de eleitores pedirem ao xerife para abrir uma investigação. Os cidadãos apresentaram evidências de que Obama não é elegível de acordo com as exigências da Constituição, que permite ser eleito apenas “cidadão nascido em solo americano”.

O investigador fez diversas viagens ao Havaí como parte da investigação. Ele descobriu que não somente a certidão de nascimento apresentada pelo presidente é uma fraude, mas que o estado está encobrindo algo num ato de cumplicidade criminosa.

O xerife Arpaio concluiu que não há causa provável para que o documento apresentado por Obama seja verdadeiro, mas sim totalmente forjado e que até o Formulário de Registro de Obama é fraudulento. As implicações são pesadas.

O colunista do Washington Times, Jeffrey Kuhner, comentou:

“Uma certidão de nascimento fraudulenta significaria que o presidente Obama é inelegível para servir como Comandante em Chefe. A presidência estaria legal e constitucionalmente em situação de ilegitimidade. Significa que ele deve ser imediatamente removido do cargo por impedimento. Mais ainda, cada lei e ordem executiva assinada sob sua administração – Obamacare, estímulos econômicos, reforma financeira Dodd-Frank, a aquisição da General Motor e da Chrysler pelo governo, a anistia para os quase um milhão de imigrantes ilegais, a lei de Reautorização de Defesa Nacional (que permite prender qualquer cidadão americano sem o devido processo legal e sem possibilidade de habeas corpus), além de outras tantas, tudo é totalmente nulo”.

Michael Zullo desafiou o ex-secretário para rever as evidências durante uma entrevista a Mark Gillar no programa “Tea Party Power Hour”.

O colunista do jornal eletrônico World Net Daily e embaixador Alan Keyes também manifestou-se:

“Powel também saiu da trilha para falar com desprezo dos cidadãos que ele desconsidera chamando-os de ‘birthers’. Como tenho repetidamente avisado, a questão da elegibilidade de Obama está sobre bases legais da República Americana e sobre o pensamento racional que justifica as pessoas de se auto governarem. Quando Powel, e outros capangas da facção elitista, humilha as pessoas que exigem seriedade no cumprimento da Constituição, seu objetivo é minar o respeito à Lei Suprema deste país. A diminuição da autoridade da Constituição levará esse país à tirania. A cumplicidade de Powel com Obama mostra que a facção elitista do Partido Republicano (GOP – Great Old Party) é a quinta coluna que planeja um golpe de estado, dando aos Democratas a possibilidade de varrer a República Constitucional Americana para o monte de cinzas da história.”

Michael Zullo disse ainda que o efeito cascata do documento falso apresentado por Obama é problemático. Ele afirmou que o documento não é nem mesmo uma falsificação de outro original, mas uma imagem gerada em computador de um documento que deveria ser original e bem mais antigo.

Sentindo-se ofendido por Powel, por ter sido chamado de “birther”, disse:

“Nós não somos ‘birthers’. Eu nem mesmo sei o que isso significa. É uma palavra que a mídia inventou para qualquer um que questione o primeiro mandato desse indivíduo. Isso é verdadeiro nonsense. Nós estamos falando sobre um documento que foi criado fora dos limites da lei e usado em representações fraudulentas.

O ex-secretário respondeu às acusações:

“Os republicanos precisam parar de comprar coisas que demonizam o presidente. Quero dizer, por que a liderança republicana não está gritando sobre todo esse disparate ‘birther’ e todas as outras coisas? Eles deveriam gritar. Este é o tipo de intolerância de que tenho falado, essas apresentações idiotas continuam a ser feitas e você não vê o líder do partido dizer ‘Não, isso está errado!’”

O xerife Arpaio ainda esclarece que o único caminho é chegar ao fundo do problema. “Alguém, e eu não sei quem, tem que olhar isso com atenção e fazer uma investigação de pleno direito, levando tudo que nós conseguimos adiante. Quem vai? O governo americano? Eu estou de mãos atadas. Precisamos que o Congresso inicie um inquérito, contrate um procurador especial e nós vamos seguir com isso”, finalizou.

Com informações do WND.

Tags: Obama | Estados Unidos | esquerdismo | direito | notícias faltantes, xerife Arpaio, Colin Powel, Michael Zullo, Alan KeyesJeffrey Kuhner, certidão de nascimento, elegibilidade, falsidade

sábado, 26 de janeiro de 2013

EL PASO E CIUDAD JUAREZ - DUAS CIDADES IRMÃS... COM UMA SUTIL DIFERENÇA ENTRE ELAS

Duas cidades irmãs... com uma sutil diferença entre elas
Escrito por Leonardo Arruda* e publicado no site www.midiasemmascara.org

Com esse passado comum, essa uniformidade étnica e toda essa integração (até a culinária é igual), porque a diferença tão gritante nos índices de criminalidade entre as duas cidades irmãs?

Outro dia, por acaso, li uma notícia interessante. A notícia dizia que, em 2010, a cidade de El Paso, no Texas (EUA), com cerca de 800 mil habitantes, foi considerada a cidade com a menor criminalidade dos EUA (dentre as cidades com mais de 500 mil habitantes).

Para uma pessoa desatenta, ou sem conhecimentos de geografia, essa notícia não atrairia atenção. Afinal, é de se imaginar que uma pequena cidade do interior dos EUA deve ser mesmo tranqüila. O que despertou minha curiosidade é que El Paso situa-se às margens do Rio Grande, na fronteira entre EUA e México. No outro lado do rio, na margem mexicana, situa-se Ciudad Juárez, uma das mais violentas cidades do mundo.

A classificação foi dada pela empresa CQ Press, uma instituição de pesquisa independente que faz este “ranking” anualmente. Desde 1997 El Paso vinha ocupando o segundo ou terceiro lugar nessa pesquisa, chegando ao primeiro lugar em 2010.

Por outro lado (do outro lado do rio), Ciudad Juárez vem sendo classificada como a “Capital Mundial do Crime”, com a média de 148 assassinatos anuais por cem mil habitantes, além de diversos outros tipos de crimes como roubos, furtos, estupros, seqüestros, etc., De acordo com a organização civil mexicana Consejo Ciudadano para la Seguridad Pública (CCSP), Juárez é a cidade mais violenta do mundo.

Recentemente (em 2011), este título, nada honroso, foi alcançado pela cidade de San Pedro Sula, em Honduras, que atingiu a impressionante marca de 159 assassinatos por cem mil habitantes e, assim - ao menos temporariamente - destronou Juárez do primeiro lugar.

Isso é muito curioso pois Juárez e El Paso eram a mesma cidade (chamada de El Paso del Norte) até o Tratado de Guadalupe Hidalgo, de 1848, quando o Rio Grande passou a fazer a fronteira entre EUA e México. A cidade propriamente dita ficou na parte mexicana, ficando apenas algumas instalações militares semi-abandonadas na margem norte que serviam para rechaçar os ataques dos índios apaches e comanches. Essas instalações formaram a base inicial da cidade norte-americana de El Paso.

Em 1888 a cidade mexicana foi renomeada para Juárez em homenagem a Benito Juárez, o líder republicano que liderou a luta contra os franceses.

Até 1930 não havia qualquer restrição ao deslocamento entre as duas margens do rio e 80% da população de El Paso é de origem latina (sendo 75% de ascendência mexicana). Fala-se muito mais espanhol em El Paso que inglês. O intercâmbio entre as duas cidades é também muito intenso, como seria de se esperar. Em 2008 houve 22,9 milhões de travessias registradas nos postos de fronteira.

Com esse passado comum, essa uniformidade étnica e toda essa integração (até a culinária é igual), porque a diferença tão gritante nos índices de criminalidade entre as duas cidades irmãs?

Bem, entre as duas há uma sutil diferença. El Paso é uma cidade norte-americana e se beneficia da Segunda Emenda da constituição dos EUA que garante o acesso às armas de fogo a todo cidadão. Além disso, o estado do Texas adota a lei do porte de arma não discricionário, ou seja: se você é um cidadão de bem, a polícia não pode negar-lhe uma licença de portar armas.

Já na margem sul do rio, Juárez é regida pelas draconianas leis de armas mexicanas – tão draconianas quanto as brasileiras. Ou seja: a população é deixada indefesa diante dos criminosos. Eis aí a sutil diferença que explica a disparidade dos índices de criminalidade entre as duas margens do rio.

É claro que os anti-armas não aceitarão essa explicação e argumentarão que a culpa é dos cartéis de traficantes de drogas que infestam Juárez.

De fato, o tráfico de drogas é uma das principais causas da violência em Juárez. Entretanto, este argumento por si só é fraco, pois se existem traficantes na margem sul, da mesma forma existem traficantes na margem norte do rio. Afinal, toda droga que chega em Juárez tem como destino final o mercado dos EUA e alguém tem de fazer a distribuição neste país. Portanto, a cada quadrilha existente na margem sul, existe uma similar (quando não a mesma) na margem norte. Como explicar que as quadrilhas na margem norte são “bem comportadas” enquanto as quadrilhas da margem sul são violentas?

Mas se hoje El Paso é uma cidade pacífica, nem sempre foi assim. No século XIX, El Paso del Norte era um local distante da civilização para onde acorriam aventureiros e procurados pela justiça dos EUA e México. Lá havia salteadores de diligencias, xerifes corruptos e ladrões de gado – tudo aquilo que vemos nos “filmes de bang-bang”.

Porque ocorreu a pacificação em El Paso e porque o mesmo não se deu em Juárez?
É fácil explicar. Após inúmeras pesquisas feitas por diferentes instituições no mundo, hoje sabemos que em qualquer sociedade (independente do país, região, cultura, economia ou etnia) o percentual de indivíduos delinqüentes gira em torno de 1%.

À medida que a população de El Paso foi crescendo, a proporção entre delinqüentes e cidadãos ordeiros (e armados) foi se aproximando do índice universal e assim esses fora-da-lei foram tendo suas ações cada vez mais reprimidas.

O mesmo fenômeno ocorria em Juárez, mas a partir do século XX as leis de armas mexicanas foram pouco a pouco se tornando cada vez mais restritivas, até chegarmos ao ponto em que estamos hoje, onde é praticamente impossível um cidadão comum possuir uma arma legalmente. O processo de pacificação foi então se revertendo e, com a chegada das drogas a partir da década de 60 do século passado, a parcela delinqüente simplesmente ficou incontrolável.

Em 2012 o prefeito de Juárez vangloriou-se que, sob seu mandato, os índices de criminalidade estavam baixando, graças a um enorme gasto com forças de segurança.

Enquanto em El Paso a pacificação foi um processo natural, com pouco custo para os contribuintes, em Juárez o Estado Mexicano está gastando uma fortuna, haja vista a grande quantidade de tropas do exército e da polícia federal mexicana deslocadas para a cidade.

Finalizando, convido o leitor a uma reflexão. Se tivesse de escolher uma dessas cidades para viver, em qual delas preferiria instalar sua família? Em El Paso, onde prevalece a “cultura das armas” (*) e nunca se sabe se a pessoa ao lado está ou não armada, ou em Ciudad Juárez, onde prevalece a “cultura da paz” (*) e os cidadãos certamente estão desarmados?

Nota:
(*) – Termos empregados pelas ONGs anti-armas.

*Leonardo Arruda é diretor da Associação Nacional dos Proprietários e Comerciantes de Armas – ANPCA.

Tags: desarmamento | direito | Estados Unidos | México | cultura | história | esquerdismo, El Paso, Ciudad Juarez, Tratado de Guadalupe Hidalgo, violência

AS MARCAS DO PSDB E AS MARCAS DO PT. Ou:

Não coloquem um discurso de Tancredo na boca do Aécio.
Do blog CoroneLeaks (Coturno Noturno)

A viseira, o maiô e o "sonrisal" voltaram às praias cariocas. A moda, como um todo, sempre vem com alguma tendência retrô. Diante da política, no entanto, os "consumidores" tem sempre a mesma postura: querem o mesmo figurino, aquele "pretinho básico" que não envergonha e nem destaca, ou algo completamente novo, que os desafie a jogar fora o guarda-roupa inteiro. A última vez que isso aconteceu no Brasil foi com Collor.

Leio nos jornais que o PSDB está procurando um "João Santana" para chamar de seu. Isto acontece logo após o programa eleitoral de Dilma, levado ao ar na última quinta-feira, brilhantemente criado, dirigido e editado por ele. Ali, mais do que um simples aviso, o marqueteiro fez bem o seu trabalho: lançou mais uma bandeira para 2014, a de que nunca na história desse país alguém baixou a conta de luz. A partir daí, é correr o país e dar exemplos do que os pobres fizeram com aqueles R$ 10 a R$ 20 que sobraram no orçamento mensal. Terão comprado eletrodomésticos, um computador para o filho, todos estes sonhos de consumo. Tudo isso com largos sorrisos ou lágrimas de emoção. Ao contrário de outros partidos, vocês já notaram como os pobres do João Santana são lindos, coloridos, expressivos?

O Brasil está cheio de João Santanas. Não falta gente competente para fazer uma bela campanha. Isso se faz com estrutura, muito, mas muito dinheiro, e com algo que o PSDB não tem mais: marcas próprias. Nestes 10 anos, o PT se apoderou da Bolsa Família e do Luz para Todos. Mas criou, também, o Minha Casa, Minha Vida, o PROUNI, o Brasil Carinhoso e uma série de outras sub-marcas. Fez isso com muita competência. As marcas do PSDB, ao contrário, envelheceram. Viraram Ataris. Sobrou o Plano Real, a Lei de Responsabilidade Fiscal e o quê mais? O legado econômico-financeiro estruturante dos tucanos não resiste aos juros mais baixos, ao aumento de renda do trabalhador, à luz mais barata, enfim, ao legado populista do PT.

Nesta semana, o João Santana publicou uma portaria proibindo o uso da marca Minha Casa, Minha Vida, pela oposição. Ou alguém acha que foi a Dilma? O marqueteiro está protegendo o seu maior patrimônio, porque é sobre estas marcas que Dilma tem tudo para ser reeleita. Meu Deus! Também li nos jornais que o candidato tucano quer reeditar o Choque de Gestão. Isso não é marca, minha gente. Isso é pro lado de dentro da administração. Isso não fala com o povo. Choque de Gestão é receber a conta de luz e ter um choque positivo: ela vir 18% mais barata. Cuidado pra não levar um choque de gestão no televisor novo, benzinho!

As marcas do PSDB envelheceram. São marcas dos anos noventa e de um Brasil que ficou para trás. Em 2014, o Plano Real estará fazendo 20 anos. Será que a única coisa que o PSDB vai poder pedir ao país é um presidente comemorativo à data? Então voltem com o eldery Fernando Henrique Cardoso, pelo menos tem charme, tem história.

Logo depois da derrota de Serra, em 2010, este Blog fez um post pedindo que os governadores tucanos se unissem e lançassem marcas comuns de eficiência e de sucesso: uma marca em habitação, outra em saúde, uma outra em educação, tendo uma plataforma comum. Já pensaram 50% do Brasil comprando remédio no mesmo leilão? E se todas essas mães largadas por aí se chamassem "Mãe Brasileira" e fossem uma marca do partido? Sem isso, minha gente, não tem João Santana. Só tem Gonzales e os mutirões da catarata.

Os tucanos ficam profundamente irritados quando os petistas dizem que eles não tem projeto para o país. Leiam o que eles estão dizendo. Não é para o país. É para o eleitor. Um eleitor que, hoje, quer coisas palpáveis, empacotadas, disponíveis, factíveis imediatamente. Não adianta pintar um grande futuro sem ter nada para mostrar no presente. Ainda há tempo de criar marcas para 2014. Não adianta apenas fazer política, montar palanques regionais. Tem de ter o que dizer em cima deles. Choque de gestão? Plano Real? Lei da Responsabilidade Fiscal? Estabilidade econômica? São Ataris, minha gente. Retrô só existe na moda, na política é o caos. Não coloquem um discurso de Tancredo na boca do Aécio. Aí não há João Santana que dê jeito.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

A Economist e o jihadismo no Norte da África. Ou: Obra de Obama, Sarkozy e Cameron, os três trapalhões

Por Reinaldo Azevedo no blog www.veja.abril.com.br/blog/reinaldo/

Caro leitor,
quando, às vezes, acontece uma porcaria qualquer no mundo (ou no Brasil), e eu, aqui, escrevo algo como “eu bem que avisei”, não o faço por jactância, não, ou para demonstrar que sou espertinho… É que os meus “aviseis” quase sempre se referiam a eventos vindouros que eram… lógicos.

Apanhei muito de alguns leitores habituais do blog porque afirmei que Barack Obama, Nicolas Sarkozy e David Cameron estavam fazendo uma besteira monumental na Líbia. Não reconheço a existência de uma “Primavera Árabe”; acho que isso é uma ilusão tola da imprensa e de intelectuais ocidentais. Mesmo assim, observava à época que a questão líbia era de outra natureza. Preocupava-me, especialmente, o fluxo de jihadistas para tentar derrubar Kadafi em parceria com a… Otan!!!

Pois bem… Obama, Sarkozy e Cameron conseguiram: incendiaram o norte da África. No momento, diga-se, o Ocidente se esforça para entregar a Síria aos jihadistas. É matéria de fato, não de gosto.

A Economist desta semana chega aonde eu havia chegado desde que a crise líbia começou. Alerta para o fato de que o jihadismo se espalha pelo norte do continente africano. Diz que nem por isso o Ocidente deve deixar aqueles países à sua própria sorte — o que eu também acho. Leiam trecho do que publica a VEJA.com.
*
Na semana passada, um sequestro de centenas de funcionários em uma usina de gás da cidade de In Amenas, na Argélia, chamou a atenção do mundo a evolução da ameaça terrorista na região. O atentado, atribuído ao grupo islâmico Batalhão de Sangue, foi considerado uma reação dos rebeldes ao apoio do governo argelino à intervenção francesa no Mali. No início desta semana, um representante de Mokthar Belmokthar, o terrorista que comandou o ataque à usina, fez ameaças à França, considerando o ataque ao complexo como um “sucesso” e prometeu mais ações contra os ocidentais no futuro. Análises publicadas na imprensa internacional mostram que o perigo é ascendente e que o assunto é, cada vez mais, de interesse global.

A revista inglesa The Economist lembra que os “ecos” do Afeganistão soaram no início do mês, quando as forças francesas iniciaram a intervenção contra o terrorismo islâmico no Mali, e na última semana, quando um dos grupos que atuam no país norte-africano liderou o sequestro de centenas de pessoas, muitas delas ocidentais, no campo de gás na Argélia. “Após 11 anos travando guerras contra o terror no Afeganistão e no Iraque, quase 1,5 trilhões de dólares em custos diretos e centenas de milhares de vidas perdidas, os ocidentais sentem que aprenderam uma dura lição. Estão mais convencidos do que nunca de que mesmo a intervenção estrangeira mais bem intencionada acaba mergulhando seus soldados em guerras intermináveis contra inimigos invisíveis para ajudar habitantes ingratos”, diz o texto.
(…)
Intervenção
Porém, a reportagem ressalta que seria ingênuo pensar que a instabilidade que se estende da Somália e do Sudão, no leste, até o Chade e o Mali, no oeste, seria “mais um Iraque ou Afeganistão”. Para a revista, as lições dessas guerras não devem desencorajar os estrangeiros a ajudar a acabar com conflitos perigosos como o do Mali. “Embora qualquer intervenção sempre venha acompanhada de riscos, na África ela não precisa ser tão longa, nem tão desacreditada”, diz a Economist. Vale lembrar que na África um grande e crescente número de muçulmanos não são alinhados com o jihadismo. Mas, no longo prazo, o Saara só vai ficar mais estável quando se tornar próspero. E o Ocidente pode estar cometendo um grave erro se evocar as dificuldades da intervenção como uma desculpa para abandonar a população local.

O norte da África é um grande produtor de petróleo e gás. Fechar empresas na região seria uma grande perda para os ocidentais – uma das razões que levaram François Hollande a enviar suas tropas ao Mali, além de proteger pelo menos 6.000 franceses que moram ali. Além disso, se os jihadistas já lutam para implantar uma campanha de terror sobre a Europa e os EUA, isso pode se acentuar se um dia conseguirem controlar os recursos naturais da região inteira. “O melhor é mantê-los no deserto”, afirma a Economist.
(…)
Ameaça global
Neste momento, destaca a Economist, a ameaça direta dos jihadistas do norte da África é predominantemente local. Mas é sabido que os terroristas espalhados pelo mundo tentam radicalizar os jovens muçulmanos, que buscam inspiração em redes como a Al Qaeda, dando às suas queixas locais uma amplitude muito maior, baseada em ideais extremistas. Uma vez criada, essa proximidade incentiva a replicação da mensagem de hostilidade ao Ocidente e seus amigos da própria África. Consequentemente, os muitos serviços de segurança mal treinados na região podem acabar alimentando a insurgência com sua brutalidade. “Ao longo de anos, uma insurgência islâmica radicalizada, armada e treinada pode trazer danos imensuráveis para uma parte frágil do mundo.”

Segundo a agência Stratfor, atualmente a Líbia é o país da região com mais riscos de sofrer atentados. “A Líbia é o estado mais fraco nas regiões do Magreb e Sahel”, diz a agência, destacando como problemas a quase total ausência de controles de fronteira e serviços de inteligência e a presença de diferentes grupos jihadistas na região, junto com grupos armados subnacionais, etnicamente alinhados, “todos competindo pela defesa do território, pela pilhagem de armas e se vendendo pelo maior lance”.
(…)

Tags: África, jihadismo, Líbia, África do Norte, Argélia, Al Qaeda, Obama, Sarkozy, François Hollande, Cameron, The Economist, Primavera Árabe, Síria, Oriente Médio, Terrorismo

Sustentabilidade e anticonsumismo são faces de um moderno autoritarismo, com tendência fascistizante. Ou: O que faria Tio Rei entre Dilma e Marina, além de lamentar?

Por Reinaldo Azevedo no blog www.veja.abril.com.br/blog/reinaldo/

Recebi um texto de um leitor chamado Fernando Rolim. Ele diz apreciar a minha honestidade intelectual e escreve um arrazoado sobre a Alana — aquela entidade que quer estuprar a Constituição para proibir a publicidade, no estado de São Paulo, de produtos “pobres em nutrientes e com alto teor de açúcar, gorduras saturadas ou sódio”. Também quer tornar ilegal o Kinder Ovo porque traz dentro um brinquedinho… Tudo isso incentivaria o consumismo nas crianças. Já publiquei três textos a respeito. O Rolim manda um libelo em defesa da Alana para, segundo entendi, testar a minha honestidade intelectual. Abaixo, reproduzo seu texto em vermelho e respondo em azul. E teço algumas considerações.

Vamos lá Reinaldo. Aprecio sua honestidade intelectual e a defesa que faz dela. É preciso sua coerência agora.
Vamos lá, Rolim.
Não tenho procuração da Alana, não conheço seus fomentadores e estive apenas uma única vez em sua sede para tratar de um futuro projeto dela, ligado à Síndrome de Down ( um projeto não eugênico, como a maioria que recebe as maiores verbas). Conheci alguns dos executivos e funcionários que me apresentaram por alto os demais projetos subvencionados; gostei do que vi e do que li no farto material que me forneceram.
Ótimo! Eu não gostei nem do que li nem do que vi. E gostei menos ainda quando percebi que uma ONG faz pressão para que um governador de Estado desrespeite a Constituição. Suponho que exista por lá assessoria jurídica para informar que a competência para legislar sobre publicidade é federal. Os dois projetos de lei aprovados na Assembleia Legislativa de São Paulo são inconstitucionais. Quanto à Alana, dizer o quê? Ninguém chama Frei Betto como conselheiro se tem apreço pela democracia. É uma questão de fato, não de gosto.
Feitas essas observações preliminares que candidamente expõem a inexistência de qualquer vínculo de interesses com a Alana, gostaria que você considerasse:
1. querer bem e patrocinar boas causas é  louvável e direito legítimo de qualquer um; misturar isso com outros atos, atitudes ou condições pessoais desses patronos, por mais incoerente que possa parecer, é desonestidade intelectual;
Como discordar da primeira parte da sua observação, não é, Rolim? Quanto à segunda, aí a desonestidade intelectual, lamento!, é sua. O mínimo que se pode exigir é que as pessoas vivam conforme as regras que querem IMPOR aos outros. Nesse caso, as “condições pessoais” dos patronos fazem toda diferença, sim! Tivemos, claro!, o caso notório de Engels, o milionário, que usava a sua fortuna pessoal para financiar Marx, enquanto este massacrava os furúnculos do traseiro e imaginava o sistema que resultaria no maior morticínio em massa da história da humanidade. Naquele caso, vá lá, era evidente que Engels vislumbrava mesmo o fim do capitalismo. No caso em espécie, parece que o que incomoda é o capitalismo… alheio.
2. se quiser criticar a causa patrocinada, faça-o baseado em fatos e nos seus valores, não no nome ou sobrenome de quem a defende;
Não seja intelectualmente desonesto! Para mim, pouco importa o sobrenome. Importa é o que efetivamente se pratica. Se não se pode vender biscoito de chocolate para crianças, por que elas podem ser estrelas de comerciais de bancos? Responda você! Aí pouco me importa se o sobrenome do sujeito é Rolim, Villela, Azevedo, Montecchio ou Capuleto… Aí, sr. Rolim, há que se fazer como recomendou Julieta: “Despreza o pai, despoja-te do nome…”. O que não é possível é acender uma vela para aquele que se considera o capeta e querer mandar para a fogueira os outros, que estariam sob o comando do diabo, entendeu? Eu não acho nem o capitalismo nem a liberdade de expressão um pecado. A Alana é que parece achar — ao menos aquele praticado pelos outros. Repudio o que pensava Trotsky, por exemplo, mas lhe reconheço uma honestidade necessária. Quando decidiu que era mesmo um socialista, abandonou a casa do pai latifundiário e foi morar num casebre, junto com um jardineiro.  A questão não é de sobrenome, mas de coerência.
3. como uma família pode ser o maior acionista individual? família não é indivíduo e os indivíduos mencionados, se de fato são acionistas, o seu post não o quantificou;
Você entendeu direitinho o que escrevi. Quanto aos detalhes, vá ao Google.
4. em qualquer empresa, não se confunde a pessoa física com a pessoa jurídica; propriedade e controle (controle esse que define a gestão e o poder de mando) não se misturam. Seu post também não informa se esses supostos acionistas têm algum conselheiro ou administrador eleito ou mesmo se participam do bloco de controle ou ainda se têm assinado algum acordo de acionistas que viesse torna-los responsáveis pela publicidade e pelo marketing do Banco;
Procure e verá que têm. De toda sorte, para os propósitos do meu texto, continuaria irrelevante, uma vez que a Alana, que defende as criancinhas, poderia submeter também as publicidades a que me referi a um exame, não? Ou será que o “consumo consciente” só se aplica à indústria de alimentos e brinquedos?
5. as empresas de Cubatão, responsáveis décadas atrás pelo ar mais poluído do mundo, patrocinaram o maior exemplo de recuperação ambiental já visto, sem abrir mão da produção… Desonestidade intelectual?
A desonestidade intelectual está no seu exemplo, que absolutamente não se aplica ao caso. Eu sou favorável a que todas as empresas procurem poluir o mínimo possível. O que uma coisa tem a ver com outra?
6. você consegue enxergar o liberalismo que defende sem os Bancos exercendo o exato papel atual?
Epa! Você me parecia, até aqui, um leitor um pouco mais atento. Você acha mesmo que eu critiquei os bancos ou que considerei desonestas as propagandas do Itaú? Problema de interpretação de texto, rapaz! Eu acho aquelas peças excelentes! Não vejo nada de errado com elas. Como não vejo, com uma exceção aqui e outra ali, nada de errado com a publicidade da indústria de alimentos.
Agora vamos ao mérito da causa, ou causas, patrocinadas pela Alana, mesmo com o meu raso (porém informado) conhecimento sobre algumas delas e suas práticas:
Como diria Marquês de Sade, não se faça de inocente (ele usava outra expressão…), Rolim. O vocabulário do seu texto denuncia — ou melhor, anuncia — as suas preocupações.
1. o consumismo é, por definição, o desvirtuamento do consumo; significa comprar ou utilizar mais recursos do que se pode ou se precisa e, portanto, é condenado pela sustentabilidade, pois mais cedo ou mais tarde comprometerá o futuro (a conta bancária devedora, a falta de recursos na velhice, do ponto de vista pessoal ou a falta de água, petróleo ou qualquer outro recurso natural para as gerações futuras);
Sei… E, por isso, surgiram os bons samaritanos da sustentabilidade. Como eles confiam pouco na educação, decidiram que o melhor caminho é mesmo proibir, cassar dos indivíduos o livre-arbítrio, decidir em seu lugar. Existe um mal muito mais grave do que o consumismo: o autoritarismo. Não há perigo, Rolim, de a gente se entender nesse caso. Alguns profetas da sustentabilidade, hoje em dia, são o que de mais próximo temos do fascismo.
2. combater o consumismo, portanto, é bom em si; se for o consumismo infantil, melhor ainda, pois evita o vício prematuro e de gente (crianças) com o poder de escolha limitado; esperar dos pais que lhes coloquem uma burka ou os exclua de suas tribos é pouco razoável, porque impossível;
O que faz esse “portanto” no seu texto? Você acha que provou alguma coisa? Como??? “Combater o consumismo é bom em si?” Isso quer dizer que não importam os meios? É por isso que a Alana cobra que o governador Geraldo Alckmin rasgue a Constituição? Para nos salvar do consumismo?
Entendi. Você é do exército da “sustentabilidade”. E, definitivamente, essa causa é mais autoritária do que parece. Seu texto o evidencia. Como vocês não confiam na capacidade que têm os pais de educar os seus filhos; como fica difícil excluir as crianças de sua “tribo”, então devemos apelar ao Estado que use a sua mão forte para salvar os infantes! Afinal, o “consumismo” é um mal em si… Entregaremos aos militantes dessa causa o nosso destino e o nosso futuro. Eles conhecem as coisas “boas em si”.
3. qualquer menino quer a chuteira igual do amigo que é igual a do Neymar e não interessa se original ou genérica, se comprada no shopping center mais caro ou no camelô da periferia;
E daí? O que há de errado nisso? É pecado querer a chuteira do Neymar? No seu mundo ideal, Rolim, o estado — ou um Conselho de Sábios da Alana — vai definir as necessidades das crianças? Vamos constituir o Comitê de Salvação Pública para impor o “consumo consciente”? Quem será o Robespierre? Quem será o Marat? Quem vai entrar com as cabeças?
4. combater a obesidade infantil e a alimentação saudável é garantir qualidade de vida, a longevidade e a reducão do custo da assistência médica futura;
Relevo a sua confusão. Creio que você quis escrever “combater a obesidade infantil” e “defender a alimentação saudável”. Digamos que eu concorde com a premissa. Não se pode fazer isso respeitando a Constituição e a democracia? Acho que sim! Todos os regimes de força se impuseram, rapaz, alegando bons propósitos. Quem disse que vocês  — desculpe-me: os que você defende — detêm o monopólio das soluções?
Vejam o caso de Marina Silva, a beata da sustentabilidade… Os amigos da natureza tanto pressionaram que, para preservar alguns quilômetros quadrados de mata — irrelevantes quando se considera o conjunto —, as hidrelétricas passaram a funcionar a fio d’água, sem reservatório. Para compensar essa concessão estúpida feita aos ecochatos, o Brasil precisa ligar a toda potência dezenas de usinas termelétricas, que são poluidoras, a um custo quase dez vezes maior. Tudo porque existem as causas “boas em si”…
Devagar aí, rapaz! A turma da “sustentabilidade” não é salvadora da humanidade, não! E ninguém lhes delegou poder para pôr fim à democracia.
5. combater a fome mundial através da redução do desperdício das sociedades afluentes e da consciência sobre isso é desnivelar as diferenças sem tirar dos que já têm;
Isso é um fundamento moral bacaninha, que não tem a menor importância na escala econômica. Desculpe-me: é puro delírio. A cada vez que leio que a comida que se joga fora nos restaurantes daria para alimentar não sei quantos, sinto uma enorme preguiça. E até entendo como nasce essa conversa mole. A turma da sustentabilidade quer acabar com a fome, mas também é contra o agronegócio, né?, que produz comida barata. Quando se aponta a contradição, surge a resposta mágica: “Vamos acabar com o desperdício! Os países ricos têm de consumir menos!”. Claro, claro… E têm de gerar menos empregos, consumir menos matéria-prima e… matar de fome os países pobres — uma consequência óbvia desses nobres princípios morais. De resto, nem sei o que isso tudo tem a ver com o caso original: violar a Constituição! Era esse o tema do meu texto original.
6. você consegue enxergar o liberalismo que defende sem progresso social, melhoria da qualidade de vida e a agência dos indivíduos empenhando recursos pessoais para o bem comum?
Não, Rolim, porque você e os seus não são as únicas pessoas boas no mundo. Também sou bom. E louvo que os indivíduos gastem seu dinheiro para o bem comum. Mas não precisamos tirar dos indivíduos o direito de escolha porque, afinal, estamos empenhados em protegê-los.
Espero que a sua intransigente honestidade intelectual volte a ser sua principal ferramenta de polemista.
Rolim, eu já vivi o bastante para não cair nesse tipo de truque. Pelo visto, você aprecia a minha “honestidade intelectual” quando concorda comigo e acha que sou desonesto quando discorda. Ou por outra: não é a “minha” honestidade intelectual que você aprecia, mas aquela que considera ser a sua. Você se tem, pois, como “a” referência da honestidade intelectual.
Seu texto é um bom exemplo do que tenho percebido nesses novos “amigos da humanidade”, os tais defensores da “sustentabilidade”. A exemplo dos “socialistas” do passado, eles julgam ter uma causa altruísta, uma verdadeira chave para o bem-estar permanente da humanidade.
Ocorre que o homem, vocês sabem, é dado ao egoísmo e coisa e tal. Uma crítica de Stálin, referindo-se ao bigodudo, afirmou: “Eles sabiam que não se faziam omeletes sem quebrar ovos”. Assim é a Alana. Assim são esses novos utopistas. Se é para defender a natureza, se é para combater o consumismo, se é para o bem geral da humanidade, que mal há em ser um pouquinho autoritário?
Essa gente tem uma espécie de compulsão para o que considera “pureza” que, lamento, lembra algumas práticas fascistas. Ora, querem se organizar para pregar o boicote aos biscoitos, aos sorvetes, aos refrigerantes e aos brindes? Que o façam! Por que precisam impor ao conjunto das pessoas as suas mesmas preocupações, considerações e preconceitos? Ah, porque existem as causas que são “boas em si”, a exemplo das usinas a fio d’água, que resultam na poluição das termelétricas.
Eu odeio e repudio todas as misérias humanas, viu, Rolim!? Mas aprecio a humanidade com as suas imperfeições. A história nos prova que os reformadores de homens são muito mais perigosos do que alguns homens tortos.
Encerro com uma outra provocação: se, um dia, o destino cometesse a maldade de me deixar entre Dilma Rousseff e Marina Silva, a minha primeira disposição seria anular o voto. Se, no entanto, houvesse o risco real de Marina vencer, eu taparia o nariz das minhas convicções e votaria em Dilma. Sabem por quê? Porque ao menos eu estaria combatendo um autoritarismo que é deste mundo… Prefiro enfrentar a estupidez ao irracionalismo militante.