quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

MAO TSE-TUNG – RESUMO DA HISTÓRIA DO DITADOR SOCIALISTA CHINÊS. Ou: Resumo da história do imperador vermelho de Pequim

Mao Tse-tung nasceu há 119 anos na província de Hunan, na cidade de Shaoshan, Sul da China, no dia 26 de dezembro de 1893. Morreu em 09 de setembro de 1976 em Pequim. O pai de Mao era camponês que enriqueceu trabalhando. Ou seja, o pai era um capitalista, mas Mao pensava em outros destinos não tão dependentes de trabalho.
Mao tinha muita sorte e método para conquistar posição política. Recusou ajuda do pai e mudou-se para Changsha, capital de Hunan. Lá, em 1911, juntou-se ao exército revolucionário do Kuomitang, o partido nacionalista da China. E foi essa participação no exército revolucionário que o levou a organizar guerrilhas para lutar contra o poder do estado chinês até derrotá-lo em 1949. Exerceu constantemente poder militar e ditatorial desde as lutas de guerrilhas até sua morte em 1976.
Mao também era bibliotecário da Universidade de Pequim quando realizou seu primeiro ato terrorista em 1919. Depois de uma manifestação de 40.000 pessoas realizada contra as potências europeias, Mao liderou um grupo organizado a partir da manifestação e espancou o Ministro do Exterior Chinês, cuja residência foi incendiada.
Mao Tse-tung, o imperador vermelho de Pequim, como denominado na biografia escrita por E. Krieg*, foi levado pela militância e pela leitura esquerdista a se inscrever no Partido Comunista Chinês – PCC - em 1921. Dentro do PCC, Mao Tse-tung, por questões de sobrevivência, organizou-se à maneira militar. Liderou as greves de sindicalistas e comunistas usando “os vermelhos” para vencer as discussões dos dirigentes com posições de força e também para ser eficiente nos atos de enfrentamento dos patrões capitalistas.
Usando essa organização militar de Mao, o PCC promoveu, juntamente com os nacionalistas do Kuomitang, em 1928, um massacre de missionários e de comerciantes ingleses. A maioria foi assassinada e os sobreviventes fugiram. Isto é, os comerciantes ingleses foram liquidados.
Mas em seguida, ainda em 1928, Chang Kay-chek, o chefe de governo chinês e líder do Kuomitang, resolveu liquidar todos os comunistas. Mao Tse-tung e o PCC caíram na clandestinidade. Sobreviveram em guerrilhas que realizavam saques rurais e urbanos. O período da guerrilha contra Chang Kay-chek durou de 1928 a 1949. Mao escreveu logo no início do período:
As “guerrilhas” tomaram como alvos principais os tiranetes locais, os maus senhores, os proprietários sem lei, atingindo de passagem a ideologia e as instituições patriarcais, os funcionários corruptos das cidades e os costumes nefastos dos campos. Os ataques da guerrilha, que têm a força e a velocidade de uma tempestade, abatem os camponeses resistentes, poupam àqueles que se submetem, destroem os privilégios feudais e acabam com o prestígio e a dignidade dos proprietários de imóveis. Desmoronada a autoridade dos capitalistas, o conjunto dos camponeses organizados torna-se o único órgão de autoridade no local (E. Krieg, p. 53).
Com essa técnica de guerrilha Mao Tse-tung resistiu a todos os ataques de Chang Kay-chek, mas a população chinesa pagou altos preços. Centenas de milhares de camponeses foram assassinados. Mao liquidou a metade e a outra metade subordinou-se ou morreu nas grandes marchas promovidas ao longo dos 21 anos de guerrilha. Mas no fim, a vitória foi de Mao Tse-tung que tomou posse do governo chinês em 01 de outubro de 1949 e instaurou uma ditadura nos mesmos moldes em que comandava as guerrilhas. No termo de posse ele declarou:
O direito de voto só é concedido ao povo e não aos reacionários. Democracia para o povo e ditadura para os reacionários capitalistas (E. Krieg, p. 167).
Em um primeiro momento, a ditadura maoísta dividiu a China em quatro classes: 1) proletários que não trabalhavam as terras; 2) camponeses ricos que contratavam rendeiros; 3) camponeses médios que trabalhavam a terra e 4) camponeses pobres que eram rendeiros. Depois resolveu eliminar as duas primeiras classes e as outras duas receberiam 1/5 de hectare por família. Também definiu que os proprietários industriais deveriam procurar Mao para ver qual seria a solução para eles. Eles foram e Mao disse aos capitalistas estrangeiros que deveriam abandonar tudo e aos capitalistas reacionários nacionais que deveriam trabalhar para ele por um lucro razoável. Os capitalistas fabricantes de tecidos que fizeram o acordo passaram a fabricar roupas azuis iguais para todos por que a tinta azul era mais barata (E. Krieg, p. 185).
Mao proibiu a religião dizendo:
Creia em mim, a religião é um veneno. Tem dois males: Demolir uma raça e diminuir o progresso de um país. O Tibete e a Mongólia foram envenenados pela religião (E. Krieg. p. 200).
A partir desse conceito de religião, Mao decidiu que cristãos e taoístas deveriam ser eliminados. Muçulmanos, confucionistas e budistas poderiam ser tolerados, desde que fizessem compromisso de subordinação ao estado chinês. O resultado foi a eliminação das seitas religiosas.
Em 1950, o terror sangrento foi implantado e eliminou opositores alegando motivos religiosos e outros motivos contra aqueles que não aceitavam o comunismo. Esse terror viria a se repetir em 1966 na denominada “revolução cultural”.
Em 1952, Mao implanta a coletivização forçada das terras. Por consequência, mais de cinqüenta milhões de camponeses morreram de fome.
Em 1958, o ditador chinês organizou o "grande salto em frente" que consistia na implantação das comunas populares. Com isso, ficava definido que ninguém deveria dormir em suas casas, mas em dormitórios coletivos e deveriam comer em cantinas. A pequena família deveria ser dissociada em proveito da grande família socialista. Os homens ficariam de um lado, as mulheres de outro e os filhos em qualquer outro lugar. Todos deveriam viver nos grandes blocos por que assim haveria a mais estrita disciplina de trabalho. As terras individuais, as propriedades de animais ou de utensílios agrícolas foram suprimidas. Tudo seria gratuito e o estado daria a cada um conforme suas necessidades.
Na disputa pela hegemonia do comunismo com a Rússia, em plena vigência da guerra fria, havia a possibilidade da guerra atômica e Mao admitiu matar metade da humanidade em nome do comunismo. Dizia que na guerra contra o capitalismo a culpa pela guerra era dos imperialistas. Como a população mundial da época era de 2.700 milhões de habitantes, conjecturou que matar 1/3 da humanidade ou novecentos milhões de pessoas não era nada por que depois viria a vitória do comunismo e a população voltaria a crescer. (pg. 229, E. Krieg).
Em 1966, Mao executou um dos últimos atos ditatoriais relevantes que foi a “Revolução Cultural”. Com uma crise fabricada, ele procurou recrudescer o movimento revolucionário que não passava de uma perseguição aos desafetos políticos ou de tendências capitalistas. Quem discordava era eliminado. Mais uma leva de chineses perdeu a vida em nome do socialismo maoísta. A “Revolução Cultural”, depois de muitas mortes e perseguições, apenas se resumiu em um movimento que deveria:
Estudar fanaticamente a doutrina maoísta – em todas as circunstâncias e em cada minuto, endossando o pensamento do chefe, a paternidade de todas as vitórias, mínimas ou espetaculares, eis a que se reduziu a “Revolução”, no âmbito de uma campanha socialista que se estendeu com amplitude crescente, (...). Mao passou a ser fonte de toda sabedoria, como haviam sido Buda e Confúcio (p. 247, E. Krieg).
Quanto às relações de família, Mao teve três esposas oficiais (sucessivas), dez filhos oficiais e milhares de concubinas. As concubinas portavam doenças venéreas contraídas nas relações com o chefe e tinham orgulho disso por que era sinal de serem mulheres dele. Porém, se dissessem que não gostavam do velho ...
* E. Krieg, Otto Pierre Editores Ltda. São Paulo, 1972

Nenhum comentário: