sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

A MULHER NA IDADE MÉDIA

A Mulher na Idade Média
Escrito por Adriano Monte Mor e publicado no site Sentinela Católico2

Olá queridos irmãos em Cristo. Salve Maria!

Tomo a liberdade de me apresentar: meu nome é Adriano Monte Mor e sou graduando em história por uma universidade do Rio de Janeiro e a partir de hoje estarei escrevendo artigos relacionados à história da Igreja. Então, como já me apresentei irei dar uma introdução ao assunto.

Devido ao grande número de confusões ligadas aos movimentos feministas, abortistas que propagam uma visão deturpada da condição da mulher no passado falarei sobre a situação da mulher na idade média. Erroneamente deturpada, muitas vezes mal intencionada. O que se conhece da mulher medieval especificamente é de que era oprimida, explorada, marginalizada. O maior absurdo que já ouvi, sobre o assunto foi de uma professora na faculdade: é de que a Igreja dizia que a mulher não tinha alma. Ora, nada mais mentiroso e desonesto, pois se assim fosse, por que a Igreja ministrava os sacramentos às mulheres? Será que a Igreja batizou, crismou, deu a absolvição através do sacramento da penitência (confissão), deu à sagrada hóstia que é o Corpo e Sangue no nosso Senhor Jesus Cristo, e a unção dos enfermos a seres sem alma? Então a Igreja batizou animais como bois, cavalos, cães? Claro que não. Muito pelo contrário, a Igreja sempre viu na mulher a imagem de Maria como mãe do Nosso Senhor e mãe da Igreja, e sempre ensinou que a dignidade feminina era de manter e sustentar o lar, a educação dos filhos, dando valor à virgindade como pureza de alma no caso das solteiras e de ser esposa submissa ao marido (um erro é misturar submissão com subserviência).

Regine Pernoud compara uma sociedade medieval do tipo celta com o que existia em Roma antes do cristianismo ter penetrado a cultura latina, nos seguintes termos: “a mulher [...] tinha um papel contrastante com o confinamento a que estava sujeita nas sociedades do tipo clássico greco-romano. No que se refere aos celtas, para os historiadores de nossa época, o homem e a mulher se encontravam num pé de igualdade completa, tanto que não se ressaltava nunca nem um nem outro”. No que competia à vida pública a mulher tinha um papel bem distinto. Um bom exemplo que podemos tomar é de mulheres votando nas assembleias das cidades; estas votavam por si mesmas sem nenhuma influência de seus maridos no caso das casadas. Muitas abriram comércios sem a obrigação de apresentar a autorização dos maridos. Muitos registros mostram que no fim do séc. XIII uma multidão de mulheres exercia profissões como de professora, médica, boticária, estucadora, tintureira, copista, miniaturista e muitas outras. Elas sucediam os reis no caso de morte ou se não houvesse filhos homens maiores de idade para sucessão do trono. No que compete aos casamentos arranjados a Igreja buscou sempre dar subsídios de decretar nulidade do matrimônio dentro do direito canônico, pois a Igreja sempre repudiou tal prática feita por famílias que prometiam seus filhos recém-nascidos como noivos por exemplo.

As afirmações feministas tolas e mentirosas, repetidas várias vezes tornam-se “verdades absolutas”; logo esses defensores de tais “verdades” são os que defendem o que o papa Bento XVI intitula como a “ditadura do relativismo”.

Também em funções religiosas algumas abadessas eram verdadeiras senhoras feudais. Algumas usavam o báculo como os bispos e administravam vastos territórios, com cidades e paróquias. Por outro lado havia monjas que tinham tanto conhecimento e sabedoria que poderiam rivalizar com os monges em suas artes liberais (filosofia-gramática-retórica). Um bom exemplo disso era Heloísa, que conhecia e ensinava grego hebraico. Também de uma abadia feminina que provém um manuscrito do século X contendo seis comédias, atribuídas à famosa abadessa Hrostsvitha, tal qual é reconhecida pelo desenvolvimento literário nos países germânicos. Com tudo isso se percebe que a tradição monástica foi essencial para o desenvolvimento do teatro na idade média e, diga-se de passagem, que tais mosteiros eram responsáveis por ministrar para crianças de sua região. Outro grande exemplo é de: Petronica de Chemille, que tinha 22 anos e assumiu a abadia fundada por Robert D’Arbrissel. Este foi um exemplo entre vários outros. Uma questão interessante é que essas abadessas assumiam mosteiros masculinos, coisa totalmente impensável nos dias de hoje. Mas para assumir a abadia a abadessa deveria ser viúva, pois era de suma importância ela ter passado pela experiência do casamento.

Mas houve uma questão que é esquecida talvez deliberadamente. A mulher começou a perder essa “dignidade” com o início da revolução protestante. Por que digo isso? Pois os países que se protestantizaram e também países católicos, jogaram no lixo o direito canônico e reassumiram o direito romano que rebaixa a mulher como um ser inferior. Essa retomada do direito romano se deu às monarquias absolutistas. Então senhoras e senhores, quando vocês ouvirem tais asneiras, não se deixem enganar, pois a mentira é imensa e repetidas várias vezes tornam-se grandes “verdades”. Para melhor entenderem sobre o assunto indico-lhes o livro: Idade Média, o que não nos ensinaram – Regine Pernoud. No mais lhes deixo meu e-mail para quaisquer pergunta ou crítica: adrianomontemor@yahoo.com.br.

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